Um Paradoxo de Sentimentos.

13 Num Motel em Portland.


Notas iniciais
-Boa leitura!!!

{Regina}

Estamos num quarto de motel, numa suíte batizada de “Espelho”.

Quando entrei no recinto, logo entendi o porquê daquele nome, pois estamos rodeadas deste artefato por todos os lados.

Para cada lugar que olho vejo a minha imagem e a de Emma refletidas.

Diria que quem decorou esse ambiente sofre da “Síndrome da Rainha Má”, levando em conta a obsessão desta personagem por sua aparência e por esses objetos de vidro.

Emma me trouxe até aqui e eu estava tão desnorteada, por causa da forma como ela me pegou dentro do banheiro da boate, que não ofereci nenhuma resistência.

Todavia, não pretendo ceder tão facilmente aos seus encantos, pois não gostei nada da forma como ela cumprimentou Milah enquanto estávamos na Pearl Lounge.

Pretendo provocá-la um pouco mais, já que adoro despertar o ciúme a possessividade nela.

Sei que isso parece loucura, mas quando Emma está sob o domínio destes sentimentos, eu fico excitadíssima.

Ainda estamos totalmente vestidas, paradas, uma de frente para outra, analisando-nos com o olhar.

Entre nós paira uma tensão tão grande que diria que representamos os Estados Unidos e a União Soviética na época da Guerra Fria¹, basta apenas um gesto ou uma palavra mais ousada para eclodir o conflito entre as duas.

–Gostou da suíte, Sra. Mills?– Ela fala primeiro.

–Muito interessante, Srta. Swan! Pena que não será usada!– Faço o primeiro movimento do jogo da provocação.

–Por que diz isso?– Pergunta-me, franzindo o cenho.

–Porque não pretendo ir para a cama com você tão cedo! Na realidade, o que aconteceu no banheiro da boate, foi um lapso momentâneo. Eu estava sob o efeito do álcool e acabei permitindo que você me tocasse e me trouxesse para cá, só que agora todo o desejo que senti naquele momento evaporou.– digo, cinicamente, encarando-a de queixo erguido.

–Sua resistência ao álcool é bem pequena, não é Sra. Mills? Pois te vi bebendo apenas um drinque e, pelo que percebi, você o deixou pela metade.– rebate, irônica.

–Na realidade, além do álcool, também fiquei embriagada pelo cheiro do corpo do seu irmão, enquanto ele me abraçava na pista de dança. Nunca tinha notado como o Killian é viril.– Joguei baixo agora, mas meu lado maléfico está tomando conta do meu corpo no momento.

A mudança que se opera na expressão de Emma é nítida, ela não consegue disfarçar a fúria incontida que se apoderou do seu corpo no instante que eu comecei a falar sobre o seu irmão.

Começa a andar vagarosamente na minha direção e eu dou passos para trás, olhando furtivamente para os meus lados, procurando um lugar onde possa me abrigar e permanecer distante dela.

Percebo uma mesa em formato retangular no outro ambiente que tem na suíte, pois, além do quarto onde estamos, também tem uma espécie de antessala, um espaço com uma enorme banheira de hidromassagem e um banheiro no local.

Aquela “brincadeira” está tornando tudo mais excitante, ao mesmo tempo que quero fugir dela, também quero que me pegue e faça amor comigo de forma selvagem.

Quando já estamos próximas da mesa, eu corro e fico do outro lado do móvel, e Emma solta uma sonora gargalhada.

–Você acha mesmo que pode escapar de mim, Sra. Mills? Se não vier por bem, virá por mal e sei que está louca para que eu te pegue a força, não é? Devo dizer que sua tentativa de usar o meu irmão para me provocar, há poucos minutos, obteve êxito. Já sabe que morro de ciúmes de vê-la nos braços de mais alguém, e sei que tudo que fez hoje foi de caso pensado para me provocar, só que esse jogo pode ser muito perigoso, qualquer dia perco a cabeça e cometo uma loucura e a culpa será exclusivamente sua.– rosna, entredentes, andando lentamente para o seu lado esquerdo, ao redor da mesa, e eu faço o mesmo, mantendo-me afastada dela.

–Srta. Swan, você deveria aprender a controlar esse seu gênio possessivo e parar de se comportar feito uma louca quando me ver com alguém, pois asseguro-lhe que isso vai acontecer muitas vezes ainda, já que, segundo você mesma, não passo de uma grande vadia.– digo, debochando dela, observando-a se despir por completo.

Emma está totalmente nua, enquanto permaneço vestida dos pés a cabeça.

Ela pula sobre a mesa e eu saio correndo para o quarto, porém, no local só tem a cama, umas mesas de cabeceira e uma enorme TV, passando um filme pôrno hétero.

Quando olho para trás, percebo que ela me encurralou e que não há mais escapatória para mim.

Avança rapidamente e me prende contra um espelho, rasgando a parte superior do meu vestido, caindo de boca no meu seio direito ainda coberto pelo tecido do sutiã e sugando-o com vontade.

Sua mão direita invade a minha calcinha, encontrando meu clitóris, e eu solto um agudo gemido quando ela começa a acariciar meu nervo latejante, molhado e inchado de desejo, enquanto sua outra mão me segura pelos cabelos.

Termina de tirar meu vestido, desfazendo-se também das minhas roupas íntimas e meus saltos altos e me levanta, fazendo com que eu rodeie sua cintura com minhas pernas.

Beija-me na boca, enlaçando sua língua na minha e chupando e mordendo meu lábio inferior em seguida, no mesmo instante que me penetra com 3 dedos até o fundo.

Para onde olho vejo a imagem de Emma me estocando com raiva, enquanto meus braços estão em volta do seu pescoço.

Minhas costas deslizam pela superfície fria do espelho, onde estou apoiada, enquanto subo e desço nos seus dedos, mordendo com força a orelha dela e sussurrando junto ao seu ouvido:- Nesta hora eu podia está sendo penetrada pelo seu irmão!

Emma para de me estocar, olha para mim furiosa, e me leva atada ao seu corpo até a cama, deitando-me sobre os lençóis brancos do enorme leito e ficando em cima de mim.

Coloca minhas mãos em cima da minha cabeça, prendendo meus pulsos com a sua mão esquerda, e enterrando 4 dedos da outra mão dentro do meu sexo.

Eu grito e ela morde meu pescoço para chupar em seguida, enquanto movo meus quadris em direção aos seus dedos.

Começo a chorar por causa do enorme prazer que estou sentindo e ela segue com seu ritmo implacável, ainda me olhando com fúria e mordendo com força seu lábio inferior.

Quando começo a gozar, sinto seus lábios se abaterem sobre os meus e sua língua explorando cada canto da minha boca, ao mesmo tempo em que os gemidos do meu orgasmo são abafados pelo beijo.

Minhas pernas, que antes estavam nos seus quadris, agora estão enroscadas com as suas e desço meu pé direito com força na sua panturrilha esquerda, fazendo com que Emma interrompa o beijo para soltar um grito gutural. Ela esta quase gozando também!

Por fim, as estocadas são interrompidas, o suor do corpo dela se mistura com o meu e sinto as últimas contrações do gozo percorrendo minha pele, enquanto tentamos recuperar o fôlego.

Depois de alguns minutos, Emma se ergue, ainda em cima de mim, sustentando-se pelos braços e me encarando com desejo.

Sinto seu sexo molhado roçando no meu e sei que a noite de prazer ainda não acabou, quando ela começa a se esfregar lentamente em mim.

Coloco minha perna direita sobre sua bunda, pressionando-a com minha panturrilha, enquanto a outra permanece enroscada na dela.

Uma das minhas mãos está deslizando pelas suas costas e a outra segura alguns fios do seu cabelo que caem feito uma cascata dourada sobre mim.

Ela inclina a cabeça para trás, fechando os olhos, deleitando-se com a fricção dos nossos sexos que, cada vez mais, expelem um fluído viscoso e quente.

Eu começo a gemer de olhos cerrados também por causa daquele contato e cravo as unhas nas suas costas, puxando com mais força o seu cabelo.

Emma acelera as arremetidas e, quando abro os olhos, vejo as costas dela refletidas no espelho do teto, observando como seus músculos se contraem e os movimentos da sua bunda, entre minhas coxas, ao mesmo tempo em que seu sexo devora o meu.

Olho para o lado direito, já embebida pelo prazer, e vejo a minha mulher descer sobre mim, fazendo com que seus seios encostem nos meus, enquanto o ritmo das suas arremetidas entre as minhas pernas aumenta gradativamente.

Quando escuto os guturais gemidos dela e sinto um jato quente sendo expelido pelo seu sexo sobre a minha vagina, começo a gozar observando todas as minhas expressões de deleite sendo refletidas pelo espelho lateral, ao mesmo tempo em que Emma afunda seu rosto no meu pescoço, mordendo minha pele para depois sugá-la e fazendo seu último movimento sobre mim.

Nossos corações estão a ponto de explodir dentro do peito e respiramos com dificuldade.

Percebo que Emma começa a rir com a boca colada no meu pescoço. Ela se levanta e diz:- Você me deixa louca, mulher!

Devolvo o sorriso e falo:- A recíproca é verdadeira, srta. Swan!– aliso o cabelo dela, enquanto ainda a prendo com minhas pernas.- Que tal fazermos na hidromassagem? É uma fantasia que nunca realizei.- digo, rindo com malícia.

Ela se levanta e me puxa, levantando-me nos braços, como se tivesse me conduzindo para nossa noite de núpcias.

Você está ficando insaciável, sra. Mills! Ainda bem que tenho muita disposição para o sexo.- e me leva até a hidro, colocando-me gentilmente no piso da banheira e fazendo com que eu me sente, de pernas abertas, sobre as suas coxas.

–Desculpe por ter te ofendido hoje pela manhã!– Fala, de maneira arrependida, enquanto suas mãos massageiam as minhas costas.

Sorrio para ela, enrolando com os dedos molhados alguns fios do seu cabelo dourado que tanto amo, e digo num tom sério:- Espero que está tenha sido a última vez que você me chamou de golpista interesseira e vadia, Emma! Senão vou te punir da forma mais dura, transando com outra pessoa para que fale com razão.

Estou blefando quanto a essa última parte, mas ela não tem nenhum dom especial que permite identificar quando estou mentindo, e sinto seu corpo ficar tenso diante da possibilidade de eu transar com outra pessoa.

–Isso não vai acontecer, porque jamais te tratarei mal novamente!– fala, com tom temeroso.- E, por favor, pare de me provocar também!– Pede, com uma voz doce.

–Já disse que não posso fazer isso, porque sempre que você está com ciúmes me devora na cama de uma forma tão quente e gostosa, deixando-me excitada de uma maneira que nunca pensei ser possível em toda a minha vida.– falo, sorrindo para ela.

Ela suspira de forma resignada:- Está bem! Se eu disser que também não me sinto do mesmo jeito, estaria mentindo.- diz, devolvendo o sorriso.

E começamos a nos beijar, enquanto com as mãos percorremos cada centímetro dos nossos corpos.

Ficamos mais de uma hora na banheira, trocando carícias e, mais uma vez, fazemos amor naquela noite.

Depois, voltamos para o quarto, nos deitamos, uma de frente para outra, e adormeço sentindo o cabelo da minha mulher tocando a minha face e sua mão sobre as minhas nádegas, fazendo com que nossos corpos fiquem totalmente grudados por baixo dos lençóis.

***

(No dia seguinte...)

{Emma}

Estamos na estrada, voltando para Storybrooke. Regina está vestindo uma roupa minha, pois seu vestido ficou imprestável, depois do que fiz com ele ontem à noite e ela me fez jurar que compraria um igual o quanto antes.

Felizmente, fui preparada para Portland, e tinha uma bolsa cheia de roupas no porta-malas da Ferrari.

Minha mulher está linda, usando uma calça jeans e um tank top preto, e estou vestindo uma roupa idêntica, a única diferença é a cor do meu top que é branca.

Enquanto penso na conversa que teremos com minha avó, assim que chegarmos na fazenda, percebo o olhar atento de Regina no velocímetro do carro que, neste momento, está em 140km/h.

–Emma, não precisa correr tanto!– diz, ao mesmo tempo irritada e receosa.

Diminuo a velocidade para 120km/h e ela continua reclamando.- Não se aproxime tanto da traseira do outro veículo, porque se ele frear bruscamente, duvido muito que você consiga reagir com rapidez e evitar a colisão.– fala, cruzando os braços sobre o peito e torcendo a boca com raiva.

Eu sorrio e paro o carro no acostamento:- Amor, você quer dirigir?– indago, olhando docemente para ela.

–Não é isso, Emma!– diz, chateada.- É porque fiquei traumatizada por causa do acidente e...–hesita.- devido a um sonho ruim que tive com você também.– fala, por fim.

Fico curiosa e pergunto:- Como foi esse sonho ruim?

Ela olha para mim e diz:- Sofríamos um acidente, voltando para Storybrooke, e você morria nos meus braços. Foi no dia posterior a primeira vez que fizemos amor no quarto de Jefferson e acordei assustada. Disse que tinha sido por causa do acidente que sofri com Robin, mas, na realidade, foi devido a este pesadelo que tive com você-. conclui e percebo que seus olhos estão marejados.

Olho ternamente para ela, tiro o cinto, e a abraço com força, beijando-a até ficarmos sem ar.- Prometo que serei mais prudente a partir de agora, meu amor!– falo, alisando a sua bochecha direita.

Ela sorri, feliz, devolvendo o gesto e diz:- Não consigo mais imaginar a minha vida sem você, Emma! Quero tê-la ao meu lado para sempre, até mesmo depois da morte, porque agora sei que és o verdadeiro amor da minha vida.– diz, emocionada e, neste instante, estamos chorando, enquanto meu olhar exprime o mais forte, puro e sincero sentimento por essa mulher que amo com fanatismo desde o primeiro momento que a vi, vestida de Rainha Má.

Depois de nos abraçarmos e ficarmos minutos nos beijando, ligo a Ferrari e conduzo, da forma mais prudente possível, para a fazenda, onde o nosso lindo final feliz nos espera, depois da conversa definitiva que teremos com a minha avó, Eva Swan.

Notas finais
¹ Período entre 1945 (pós 2ª guerra) e 1991, marcado por disputas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos (Capitalista) e a União Soviética (Socialista). -Até o próximo!!!