Um Paradoxo de Sentimentos.
5 Flashback - Parte Final.
Notas iniciais
{Regina}
Estávamos sentados em volta da grande mesa, almoçando. Eu era ciente do olhar cínico e frio de Emma Swan sobre mim, mesmo que não estivesse encarando-a.
Deus, isso só pode ser uma brincadeira de mau gosto!- Reflito.
Nunca havia beijado nenhuma mulher em toda a minha vida, aliás, nunca senti atração por uma pessoa do mesmo sexo. Mas isso tinha que acontecer justamente com minha futura cunhada!?
Não sei explicar o que senti ontem, é como se eu tivesse sido impulsionada a continuar naquele coreto, conversando com a estranha fantasiada de Ghostface, parecia que a conhecia há muitos anos.
Não sei se o clima da festa me envolveu, já que bailes à fantasia sempre são carregados dessa aura mágica e misteriosa, como se estivéssemos voltando ao passado.
–Querida, gostou da festa ontem?- Perguntou a sra. Swan.
–Sim!– Limitei-me a responder.
–Ela não se sentiu muito bem e tivemos que ir embora antes do esperado.– Robin explicou.
–Que pena! O que você sentiu, querida?- Prosseguiu a idosa.
–Um ataque de pânico!- Falei e, nessa hora, meu olhar cruzou com o de Emma e percebi o quanto ela estava se divertindo com meu mal-estar.
–Você tem esses ataques com frequência?- Indagou Emma com ironia estampada nos olhos.
–Não, Srta. Swan, somente quando me sinto excessivamente desconfortável com uma situação!– respondi, friamente, encarando o olhar dela.
– Fico me perguntando o que pode ter levado você a se sentir assim ontem, tendo em vista que a festa estava tão agradável!– disse a loira insolente, bebendo um pouco de vinho.
–Você estava na festa, Emma?- Perguntou Robin, antes que eu pudesse responder.
–Sim, mano! Cheguei mais cedo e adormeci no quarto de hóspedes da mansão. Depois que acordei, desci para a festa, mas, infelizmente, não te vi lá.- falou Emma.
–O David não me falou que você estava lá! – disse Robin.
–Ele não me viu chegar, apenas a Mary! Ela deve ter esquecido de comentar com ele. Você sabe como Mary fica estressada e envolvida com cada detalhe da organização desses eventos. – prosseguia Emma.
–É verdade! Mas a festa estava ótima, é uma pena que a gente teve que sair logo!– exclamou Robin. – Você estava em qual parte da casa e fantasiada de quê? Talvez eu tenha te visto e não reconheci.– concluiu.
–Estava vestida de Ghostface. Na realidade, eu fiquei pouco tempo no salão, vi uma mulher que parecia está sozinha e a segui até o jardim.
–Emma, você é impressionante, não resiste a um rabo-de-saia!- Robin falou, sorrindo.
–Você sabe como eu sou, irmão, adoro um tipo ordinário! Minha futura cunhada respondeu, passando as pontas dos dedos pelas bordas do copo e sorrindo cinicamente.
Nessa hora a encarei com um olhar homicida. Tive vontade de jogar todo o conteúdo da taça na cara dessa loira arrogante. Quem ela pensa que é para se referir a mim desta forma?
–E o que aconteceu com ela? Não me diga que vocês transaram no jardim da casa dos Nolan!?– Robin sorria enquanto falava, pois, pelo visto, sua irmã é capaz de qualquer coisa.
Emma parou por um momento e tive certeza que ela lutava consigo mesma para não dar uma resposta carregada de veneno.
–Conversamos um pouco e ela me disse que era comprometida.– falou, mal disfarçando o cinismo em sua voz.- Como não costumo ficar com pessoas comprometidas, nos despedimos e ela voltou para dentro da mansão.- Concluiu.
{Emma}
Fiquei paralisada quando vi a morena da festa em pé, perto da porta de entrada da fazenda, próximo ao meu irmão e minha avó, enquanto descia as escadas.
Depois que ela saiu correndo, passou um momento até eu recobrar os sentidos.
Nosso beijo tinha sido mágico! Eu nunca senti nada parecido apenas sentindo os lábios de uma mulher contra os meus.
Pela primeira vez na vida, tinha me apaixonado por alguém logo de cara.
Sempre ria de Mary, quando ela me dizia que acreditava em amor a primeira vista. Que ela ia saber quando encontrasse seu “príncipe encantado”, pois suas mãos iam suar, suas pernas tremulariam, seu coração bateria num ritmo irregular e borboletas fariam morada no seu estômago.
Quando ouvia essa conversa melosa tinha ânsia de vomitar. Mas, agora, eu sentia todas essas sensações. Não conseguia esquecer os olhos chocolates, os cabelos negros com odor de maça, aqueles lábios carnudos e a cicatriz.
Oh, a cicatriz! O que era para ser a única imperfeição no corpo daquela deusa latina tornava-a ainda mais sexy e linda. Precisava possuí-la!
Sai correndo, mais rápido do que uma flecha para dentro da mansão. Olhava ensandecida para todos os lados, queria desesperadamente encontrá-la. Porém, ninguém ali estava vestida e se portava como uma verdadeira Rainha.
Avistei Mary vindo em minha direção. Ela gesticulava feito louca com um garçom, certamente passando instruções para ele.
–Mary, você viu uma morena lindíssima, vestida de Rainha passando por aqui?- indaguei de supetão, num fôlego só.
–Emma, você acha que em meio à loucura que está esta festa, com cerca de duzentas pessoas precisando ser bem tratadas, eu vou parar para analisar as fantasias dos convidados?- ela respondeu, alterada.
Não era a Mary meiga e calma que todos conhecem, era uma anfitriã estressada que precisava assistir todos os convidados e assegurar que não faltasse nada para ninguém.
Minha amiga prosseguiu andando, não dando muita atenção para o meu olhar aflito.
Continuei minha busca incansável, mirando todas as mesas, procurando “minha” deusa latina.
Quando entendi que ela não se encontrava mais ali, voltei cabisbaixa para o coreto.
Entrei e sentei no chão, tocando meus lábios com a ponta dos dedos, tentando fixar o gosto dos lábios carnudos em minha boca.
Notei que a morena havia esquecido o cesto de maça. Peguei uma das frutas e inalei aquele cheiro tão doce, que remetia a algo proibido e pecaminoso, igual a “minha” Rainha.
Deitei no chão do coreto e adormeci naquele piso duro, embora tivesse a sensação que estava flutuando, lembrando dela.
Aquela mulher tinha que ser minha, e eu iria até o fim do mundo para reencontrá-la.
Quando acordei no outro dia, com as costas doloridas, entrei na mansão, vi Mary sentada numa cadeira, cochilando, acordei minha amiga, tirei a fantasia e fui no quarto de hóspedes pegar meus pertences.
Vi David saindo do banheiro, com cara de ressaca, falei apressadamente com ele, enquanto o abraçava e sai da mansão, depois de me despedir de Mary também.
Antes de começar a busca pela linda morena tinha que ir a Swanfarm falar com minha amada avó, já que estava morrendo de saudades dela.
Depois de encher ela e Granny de beijos e abraços e responder a um interrogatório feito pelas duas, subi as escadas para tomar banho e trocar de roupa e, quando tinha acabado de me arrumar, escutei vovó me chamando, dizendo que eu descesse para receber meu irmão e sua namorada.
Ontem, durante a festa, esqueci completamente que Robin estaria ali com Regina. Mas, depois que fui seduzida pelos fascinantes olhos castanhos da morena misteriosa tinha esquecido até de mim mesma.
Havia descido apenas 2 degraus quando a vi. Na hora meu coração parou... ela tinha me encontrado!!!
No instante seguinte, notei as mãos de Robin colocadas possessivamente ao redor de sua cintura e meu mundo caiu. Senti meu coração se partindo em milhões de pedaços...
♪ Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou
Senhora, serpente, princesa... ♪
Aquilo só podia ser uma piada de MUITO mau gosto! “Sua” Rainha era Regina! A namorada do meu amado irmão, meu melhor amigo, meu herói, a pessoa que sempre me apoiou incondicionalmente.
Quando recobrei os sentidos, desci as escadas pisando duro, lentamente, enquanto processava os sentimentos de paixão, ódio, raiva, mágoa e desejo que sentia por aquela mulher morena parada a minha frente.
♪ Um amor assim violento
Quando torna-se mágoa
É o avesso de um sentimento
Oceano sem água... ♪
Ao me apresentar a ela, tinha consciência do meu olhar cínico e gelado.
Queria matá-la e morrer junto com ela! Como poderia ter me apaixonado pela mulher do meu irmão?! Via como Robin olhava para ela. Era pior do que quando ele estava com Zelena.
E como seria diferente? Como não se sentir orgulhoso em saber que tinha aquela mulher só para si?
Agora, sentada na mesa, vendo como Regina olhava com frieza para mim, perguntava-me quantos mais ela tinha atraído e seduzido naquele coreto?!
Duvidava que tinha sido a única. Regina podia ter quantos quisesse e tinha certeza que a morena era consciente disso!
Perdida nesse pensamento irracional, inundada pelo “monstro dos olhos verdes” que enlouqueceu Otelo, percebi que ela havia pedido licença e vi que era minha chance de confrontá-la.
Dei uma desculpa esfarrapada e a segui. Encontrei-a saindo do banheiro, trajando o vestido cinza completamente amoldado ao seu corpo escultural, com saltos altos pretos.
Então, pedi a Deus, se é que ele existe, para que tivesse piedade de mim!
{Regina}
Quando sai do banheiro vi Emma parada no corredor, encarando-me. Ela começou a se aproximar de mim, vagarosamente, igual a um felino espreitando sua caça.
–Não se aproxime!– falei com a respiração ofegante.
Ela sorriu cinicamente: –Você não parecia tão virtuosa ontem, quando permitiu que eu me aproximasse e enfiasse a língua dentro da sua boca, mesmo já estando comprometida com meu irmão.– disse com um olhar feroz.
–Aquilo foi um erro que não se repetirá jamais, srta. Swan!– falei, nervosa.
–Realmente não se repetirá, sra. Mills, porque se eu tiver conhecimento que não fui a única a meter-lhe a língua na boca, você estará em sérios problemas. Meu irmão já sofreu demais por causa de um tipo ordinário igual a você e, se eu dissesse que ele está apaixonado por uma golpista, tenho certeza que não acreditaria e ainda brigaria comigo, e a última coisa que quero é me desentender com meu irmão.- enquanto falava, andava em minha direção e eu recuava.
–Antes de mais nada, srta. Swan, maneire seu tom de voz e seu palavreado quando falar comigo. Não sou uma dessas mulheres baratas com quem certamente você está acostumada a lidar e, além do mais, seu irmão não gostaria de saber que você está tratando assim a noiva dele.– falei, tentando soar ameaçadora, dedicando-lhe um olhar cínico e meu sorriso de desprezo.
Percebi que ela ficou surpresa com a novidade, afinal ainda não tínhamos falado sobre o noivado.
–Realmente, você não é uma mulher barata, sra. Mills, embora essas sejam mais dignas do que você, porque não fingem ser o que não são!– rosnou, entredentes.- És uma golpista num corpo de uma dama! Lembro que Robin disse que você era muito difícil, demorou 6 meses para ele conseguir sair contigo. Deve ter sido muito fácil seduzi-lo, não é? Ainda mais regulando o acesso dele a esse seu corpo tão pecaminoso. Diga-me, ele pelo menos já conseguiu ficar entre suas pernas, ou você o convenceu que é virgem e só vai dar depois de casada?
Nesta hora não aguentei, minha mão formigou e rodei os 5 dedos com força na cara daquela loira atrevida e mal-educada.
A reação dela foi rápida e selvagem, empurrou-me para dentro do banheiro que estava com a porta aberta, colocou as mãos na minha bunda, dando-me impulso para que eu subisse na bancada da pia, e me puxou de encontro ao seu corpo, enquanto agarrava meu cabelo com a mão esquerda e buscava minha boca.
O beijo foi agressivo, diferente do que tínhamos trocado na noite anterior.
Tentei resistir, porém, quando dei por mim, estava segurando-a pela gola da blusa que ela vestia, enquanto nossas línguas se chocavam numa disputa pelo controle.
Suas unhas rasgavam a minha coxa esquerda, enquanto eu sentia meu sexo molhado de encontro ao seu abdômen definido coberto pelo tecido da blusa.
De repente, ela interrompeu o beijo, soltou-me bruscamente e saiu do banheiro.
{Autora}
Dessa vez quem ficou atônita foi Regina, depois que a loira fugiu daquele jeito.
Naquela noite, Emma foi ao Rabbit Hole, o famoso bar de Storybrooke, bebeu uma quantidade de cerveja suficiente para deixar qualquer pessoa em coma.
Cantou a versão de “I’m Not In Love” do 10cc no karaokê, e não controlou as lágrimas ao sussurrar junto ao microfone o trecho “Be quiet...Big boys don’t cry...”, sendo ovacionada ao final pelo resto da plateia, repleta de alcoolizados, que estava no local.
Encontrou Mulan, sua ex-namorada, e acabou transando com ela no banheiro, enquanto não parava de pensar numa certa “Rainha”.
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