Um Paradoxo de Sentimentos.

6 Bem-vindas e bem-vindo de volta!


Notas iniciais
-Agradecemos a quem deixou review e está acompanhando. -Leiam o capítulo até o final. :) -Juntamos os caps "Voltando para Storybrooke" e "Bem-vindas e bem-vindo de volta!" -Boa leitura!

{Regina}

Estamos voltando para Storybrooke. Olho para a mulher loira ao meu lado, que está guiando o Mercedes, e me pergunto há quanto tempo a amo sem saber? Será que esse sentimento surgiu desde o nosso primeiro encontro naquele coreto na mansão dos Nolan, há cerca de 4 anos atrás?

O que sinto por Emma Swan é totalmente diferente de tudo que já experimentei na vida. Com ela tudo é mais intenso e imprevisível. Sinto-me mais viva e protegida quando estou ao seu lado.

Daniel foi o meu primeiro amor! Ele era meu amigo, meu companheiro, a pessoa que me ajudou a não me transformar numa mulher tão amarga quanto Cora. Deu-me esperança! Posso dizer que o que sentia por ele era algo puro, tranquilo e delicado.

Mas nunca fui apaixonada por Daniel! Hoje percebo isso! Paixão mesmo só senti e sinto por essa mulher. Ela me arrebata, deixa-me sem chão, faz com que eu perca o controle completamente.

E só ela consegue me tirar dessa zona de conforto que eu estabeleci para minha vida.

Quando Daniel morreu, prometi a mim mesma que jamais me entregaria para alguém de novo, pois perdê-lo foi a coisa mais dolorosa que aconteceu comigo.

No entanto, desde que conheci Emma, todas as sensações que eu pensei estarem enterradas em meu coração, e até outras que eu jamais havia sentido, voltaram à tona, com mais força e magnitude e, ao mesmo tempo que tenho medo desses sentimentos, quero vivê-los em toda sua plenitude.

Perdida em meus devaneios, ouço quando a triste e bela voz de Karen Carpenter começa a soar dentro do carro. Ela está cantando minha música preferida da dupla: "We’ve Only Just Begun".

Sorrio e penso o quanto essa canção é adequada para o momento que estou vivendo atualmente com Emma. Estamos retornando para Storybrooke e, pela primeira vez, podemos ter um começo.

Agora tenho esperança que poderemos passar uma borracha no passado e batalharmos em busca de um novo horizonte para nós duas.

Percebo que ela também está sorrindo. Será que pensa o mesmo que eu?

–Gosto desta música! Sempre tive a impressão que ela tá falando do inicio da vida em comum de um casal, não é? Dos sonhos, da esperança que tudo der certo...– Diz ela.

Suspiro e digo: –Também sempre tive essa impressão, Emma!

Ela me olha ternamente e diz:- Eu te amo, sra. Mills de Emma Swan.

Sou pega de surpresa por aquela súbita declaração e olho para ela, que continua me encarando, esperando uma resposta.

Quando olho para frente, só tenho tempo para gritar:- EMMA!

Um enorme alce está parado no meio da estrada, Emma gira o volante rapidamente, conseguindo desviar do animal, mas o veículo rodopia no asfalto úmido por causa da chuva fina que cai.

Sinto-me dentro de um caleidoscópio, girando incessantemente até que o Mercedes choca-se contra uma árvore.

O impacto é maior do lado do motorista, mas bato a cabeça no vidro da porta do passageiro e desmaio.

Não sei quanto tempo fiquei apagada. Mas quando finalmente desperto, sinto um líquido escorrendo na lateral do meu rosto. Sangue, provavelmente! Minha cabeça dói e estou enjoada.

Olho para o lado e Emma está com a cabeça tombada sobre a direção. Seus cabelos loiros cobrem o seu rosto.

–Emma!– chamo por ela, porém sem resposta.

Com muita dificuldade consigo tirar o cinto de segurança e levanto a cabeça dela. No instante seguinte, fico aterrorizada.

Emma está com um corte profundo na testa, pálida, seus lábios perderam a cor natural.

Entro em desespero e tiro o cinto de segurança dela, deitando sua cabeça no meu colo e falo:- Emma, por favor, acorde! Não faça isso comigo sua maldita loira!- Dando suaves tapas no seu rosto.

Abro a porta do passageiro e desço do carro, ainda zonza, procurando por ajuda.

Não consigo ver nem um carro. Amaldiçoou o fato de morarmos numa pequena localidade e, ainda por cima, tão distante de outras cidades.

Volto para o veículo e sinto um forte cheiro de gasolina. Inclino a cabeça e percebo que o tanque de combustível está vazando.

Preciso tirar Emma de dentro do veículo, pois ele pode explodir a qualquer momento.

Com muita dificuldade e tomando o máximo cuidado, começo a puxá-la para fora.

Para piorar, não estou me sentindo bem devido a pancada na cabeça e o corpo inerte de Emma pesa uma barbaridade, o que me obriga a empregar um esforço sobre-humano naquela tarefa.

Quando, finalmente, estamos numa distância segura do Mercedes, deito a cabeça dela sobre o meu colo e começo a chorar.

Verifico seu pulso, e percebo que está muito fraco! Se não levá-la rapidamente para um hospital, ela irá morrer ali, em meus braços.

Mas não tenho forças para carregá-la e não passa uma viva alma naquele fim de mundo que possa me ajudar.

Minhas lágrimas descem descontroladas, enquanto olho para o rosto de Emma que está ficando cada vez mais pálido.

Neste momento, o desespero já tomou conta de todo o meu ser e eu queria ter o poder de mudar o curso da História, tal como super-homem, que faz a terra girar no sentido contrário para salvar a vida da mulher amada¹.

É quando me dou conta que estou prestes a perder o amor da minha vida mais uma vez. Só que, desta vez, a sensação é mil vezes pior.

Sinto que meu coração está sendo arrancado do meu peito e esmagado até virar cinzas.

Emma, por favor, não faça isso comigo, meu amor! Como eu vou poder viver sem você, sua loira insuportável?! Grito, sacudindo o corpo dela para logo em seguida abraça-lo.

Percebo que ela está mais fria e quando checo novamente seu pulso, não sinto mais nada.

Emma morreu!

E, nessa hora, sinto que morri também! Fico paralisada, apenas contemplando aquele lindo rosto sem vida.

Aperto-a contra mim, estou destroçada! Nunca me senti tão impotente! Um ódio descomunal começa a correr pelas minhas veias. Olho para o céu e grito:- NÃÃÃOOO!!! EU TE ODEIO, SEU MALDITOOOOOOOOOOOO!!!

Olho novamente para ela! Estou segurando seu rosto entre minhas mãos. Então, me ocorre fazer algo completamente surreal: Eu a beijo!

Encosto meus lábios quentes nos dela, que estão frios. Tenho a ridícula esperança que estamos vivendo num conto de fadas e que meu beijo de amor verdadeiro irá ressuscitá-la.

Mas, obviamente, isso não acontece. E banhada em lágrimas e, num ato desesperado, pego seus braços e tento colocá-los ao redor do meu corpo. Preciso sentir o forte abraço dela novamente.

Porém, seus braços não me apertam mais e eu nunca me senti tão vazia.

Desabo num choro convulsivo sobre seu corpo imóvel e escuto alguém me chamar.

Quando levanto a cabeça, ouço a voz de Emma, distante. Olho novamente para baixo e o corpo dela continua ali, no chão.

Escuto novamente meu nome e busco ao redor, tentando identificar de onde vem aquela voz...

Regina, acorde!!!

Levanto bruscamente. Estou desnorteada. Nós duas estamos num quarto estranho e nuas.

Apenas um lençol branco cobre a parte inferior dos nossos corpos. Ela está me encarando com olhos preocupados.

Subitamente a beijo. Preciso sentir aqueles lábios novamente de encontro aos meus, para ter certeza que ela está viva.

Emma retribui o beijo, abraça-me forte e me puxa para seu regaço.

Estou aliviada! Finalmente lembro que estamos no quarto de Jefferson e tudo não passou de um horrível pesadelo.

Quando meus pulmões pedem por oxigênio, afasto-me dela, que também respira com dificuldade.

–Queria acordar assim todo dia.- diz, sorrindo.

E nunca fiquei tão feliz ao ver esse sorriso lindo dela, como estou agora.

–Você está bem?- Pergunta-me. –Estava deitada sobre mim e começou a se mexer muito e a chorar.– acrescenta.

Sinto que meu rosto está molhado. Então lhe digo a primeira coisa que me ocorre:–Tive um pesadelo com o acidente!

–Ah! Você costuma ter esses pesadelos com frequência?- Indaga, preocupada.

–Não são mais tão frequentes! Desculpe se te acordei!– Falo.

–Tudo bem! Eu já estava meio desperta, porque estou com uma enxaqueca horrível.

–Emma, você já tem 28 anos, seu organismo não aguenta mais os excessos que você inflige a ele. Ontem, deve ter bebido uns 4 litros de cerveja em um curto espaço de tempo e não ingeriu água para se hidratar.– falo em tom de reprimenda.

–Tá bom vovó, não vou mais fazer isso.– responde em tom de deboche.

Não consigo controlar o impulso de provocá-la: –Duvido muito que você faça com a sua avó, o que fez comigo ontem à noite, nesta cama.

Os olhos dela adquirem um tom mais escuro de verde e se coloca sobre mim, prendendo-me embaixo do seu corpo.

–Bom saber que você gosta de provocar pela manhã, sra. Mills! É quando estou mais ativa sexualmente.– fala com a boca bem próxima da minha.

Beija-me e nossas línguas se encontram, enquanto ela se mexe sobre mim, fazendo com que nossos sexos se toquem.

Excito-me com aquele contato, mas tento raciocinar, livrando-me do beijo dela: –Emma, nós precisamos nos levantar! Temos que pegar a estrada.– digo, arfante.

Ela ri, ainda com os lábios bem próximos dos meus e diz: –Vamos fazer só um "mãe e mamãe básico", eu prometo!

Sorrio com o trocadilho dela, e Emma aproveita para me beijar novamente, movimentando-se em cima de mim.

Segura as minhas pernas, fazendo com que eu siga seu ritmo e seu sexo devora o meu.

Sinto nossos clitóris se chocando e a agarro forte, circulando suas coxas com as minhas pernas.

Nossos mamilos rígidos se tocam e percebo que o orgasmo se aproxima, enquanto nos beijamos com voracidade.

Quando o clímax a atinge, sinto o líquido quente do sexo de Emma escorrer sobre o meu e me entrego a um delicioso gozo, trocando um intenso beijo com ela e nossos gemidos se misturam e se perdem dentro de nossas gargantas, ao mesmo tempo que o cheiro de sexo impregna o ar do quarto.

Lentamente, nossas respirações voltam ao normal e o rádio relógio que tem em cima da mesinha, colocada ao lado da cama, começa a tocar "My Cherie Amour", anunciando que já são 8hs da manhã.

–Nossa, minha taxa de glicose acabou de subir agora. – diz Emma, sardônica, referindo-se ao romantismo da música de Stevie Wonder.

Rio e falo: –Eu gosto dessa música, acho fofinha!

Ela olha para mim incrédula e comenta: — Não sabia que a fria sra. Mills apreciava versos tão melosos quanto: “Minha amada querida, amável como um dia de verão. Minha amada querida, distante como a via láctea. Minha amada querida, aquela pequena lindinha que eu adoro. Você é a única garota por quem meu coração bate. Como eu queria que você fosse minha.” – Conclui, rindo.

–Você pode ficar surpresa, mas aqui dentro– toco no meu peito- existe um coração.- falo, debochada.

Ela sai de cima de mim, levanta da cama completamente nua, e diz: -Acho melhor eu ir tomar banho, senão vou acabar acreditando em você!

Fico ali, observando sua nudez, enquanto ela se dirige para o banheiro, sentindo-me estranhamente feliz, desejando acordar todos os dias ao lado dessa maldita loira.

***

– Finalmente Corky e Violet² decidem dar um descanso a cama e nos brindar com vossas presenças. – disse uma sorridente Ruby Lucas ao ver Emma e Regina descendo as escadas, depois de finalmente saírem do quarto de Jefferson.

– Bom dia para você também, Rubs!– respondeu Emma com ironia.

Desta vez, Regina não ligou muito para o comentário da morena de mechas vermelhas. Na realidade, já estava se acostumando com o malicioso senso de humor da outra mulher.

A morena pode notar que a casa ainda estava mais bagunçada do que na noite anterior. Corpos se amontoavam em cima dos sofás, no tapete, no chão, na borda da piscina, e copos e garrafas com resto de cervejas estavam espalhados por todos os cantos do imóvel.

No entanto, uma grande mesa repleta de frutas, panquecas, sucos, café, ovos mexidos, entre tantos outros alimentos típicos do desjejum, tinha sido colocada no meio da sala e várias pessoas com cara de ressaca estavam perfiladas, fazendo seus pratos, incluindo ela e Emma que também estavam se servindo daquele apetitoso banquete.

Enquanto se servia, Regina percebeu que Ruby, que também estava na fila, tinha cochichado alguma coisa no ouvido de Emma. Notou que a loira fez um gesto com a cabeça e saiu atrás da amiga, levando consigo o prato já feito.

A morena quase não pode controlar o desejo de sair atrás das duas, pois não gostou nada de presenciar aquela cena tão intima e o sangue já começava a correr quente em suas veias.

E o pior é que Emma saiu de perto dela e nem ao menos se dignou a dar satisfação para onde ia.

(Emma & Ruby tem uma conversa)

–Swan, estou tão feliz por você!– falou Ruby, abraçando fortemente a amiga.

Emma retribuiu o abraço e disse: –Obrigada, Rubs! Mas qual o motivo de tanta felicidade?

–Não se faça de desentendida, Emms! Eu fui testemunha por mais de 1 ano do seu sofrimento. Você praticamente virou uma alcoólatra naquele período que moramos e trabalhamos em Boston. Sei muito bem que você se afastou da sua família, abandonou sua amada Swanfarm, porque queria evitar ao máximo o contato com Robin e à mulher dele.

Emma suspirou, não tinha como negar aquela verdade que estava sendo dita por Rubs.

–Por mais que não se abrisse comigo quando estava sóbria, o que era algo muito raro, quando enchíamos a cara você desabafava tudo. De cada 10 palavras que saiam da sua boca, nove e meia eram sobre Regina. E ontem, finalmente, entendi o seu sofrimento. A mulher é um absurdo de linda e sexy! Devia até ser proibido ser tão atraente assim!

Rubs percebendo o olhar pouco amistoso de Emma ao ouvir seu comentário sobre Regina, acrescentou: –Calma, Emms! Mulher de amiga minha para mim é homem! Quer dizer, pelo menos de algumas, se não for tão amiga eu caio dentro.– completou, brincando.

Emma não se conteve e caiu na gargalhada.

–Mas me diga, vocês estão namorando há quanto tempo?

–Não estamos namorando Rubs! É tudo muito complicado!– respondeu Emma.

–Ai, Emma! Ontem vocês estavam quase comendo uma à outra em pleno estádio dos Bears. Não transaram dentro do carro porque a viagem foi curta. Depois que chegaram aqui, subiram para o quarto do Jeff e só saíram agora e não me venha dizer que vocês apenas dormiram juntas de conchinha porque eu não acredito. Para mim, isso é namoro!

Emma ficou pensativa e respondeu: –Rubs, eu estou envolvida com outra pessoa! Além do mais eu não sei o que Regina sente por mim e, francamente, não confio nela. Se eu dissesse que ela não me interessa, estaria mentindo, porque penso nessa mulher há 4 anos! Desejo-a com loucura, mas, ao mesmo tempo, lembro que ela tem um caráter duvidoso: é uma mulher fria, calculista e que casou com meu irmão por interesse.

–Hum! Pois eu fiquei com a impressão que ela gosta muito de você, Emms! Pareceu ser uma pessoa muito agradável.

–O demônio também se mostra agradável para enganar as pessoas.– disse Emma friamente.

–Credo, Swan! Se você tem essa opinião sobre ela como se apaixonou por uma mulher assim?

Emma riu tristemente, balançou a cabeça e disse: -E podemos controlar por quem nos apaixonamos? Você não acha que eu queria sentir pela Ariel o que sinto por Regina? Além do mais, eu conheci uma Regina completamente diferente da que se casou com meu irmão.

–Ah, sim! A fábula do coreto, de como você foi atraída até ela como uma mariposa pela luz.– falava Rubs entediada, já havia perdido a conta de quantas vezes ouviu aquela história- E por que a verdadeira Regina não pode ser a que você conheceu no coreto e sim essa que casou com seu irmão e que você insiste em demonizar?- Perguntou à morena.

Antes que Emma pudesse responder, Regina entrou na biblioteca, onde elas estavam conversando, e falou num tom seco: — Emma, é melhor você se despedir da sua amiga porque precisamos ir, não quero correr o risco de pegarmos chuva ou viajar a noite.

Depois que Emma disse que já ia, Regina deixou-as sozinhas novamente.

A loira se despediu da ex-colega de faculdade, dizendo que continuariam a conversa em outra ocasião e depois de falar com os outros amigos e agradecer a Jefferson por ele ter cedido o quarto, foi até o Mercedes, onde Regina já a esperava com uma expressão digna do prêmio de Miss Simpatia.

(Fim da conversa entre Emma & Ruby)

Emma, no entanto, não percebeu a raiva estampada no olhar da morena, uma vez que estava perdida em seus próprios pensamentos, ponderando sobre a conversa que teve com Ruby.

Depois que passaram no hotel para recolher as malas que tinham deixado ali e pagar a conta pelo quarto que não utilizaram, seguiram rumo a Storybrooke, ambas caladas, remoendo suas próprias incertezas.

Emma estava se lembrando de um dia específico quando escutou uma conversa bem interessante entre mãe e filha: o dia do casamento do seu irmão!

[FLASHBACK]

~~~Storybrooke: 3 anos e meio atrás~~~

A fazenda estava toda decorada. Os convidados já chegavam e sentavam-se embaixo da enorme tenda que tinha sido armada num espaço descampado, onde aconteceria a celebração do casamento de Robin e Regina e, posteriormente, a festa.

Regina se arrumava em um dos quartos da enorme casa, enquanto sua mãe Cora andava de um lado para o outro, mal contendo a euforia em saber que sua filha casaria com um rico homem de negócios e faria parte de uma família abastada da região.

A mulher havia chegado 2 dias antes e tinha se instalado em um dos quartos da fazenda.

Logo tratou de conhecer toda a propriedade ao lado do marido e, como era uma pessoa ardilosa e fácil na mentira, conseguiu encantar a sra. Eva Swan, a governanta Granny, e o futuro marido da filha, Robin.

Os únicos que não caíram de amores pela mãe de Regina foram Killian e Emma. Esta última, inclusive, fazia questão de evitar a mulher, pois a considerou muito fútil e interesseira. A loira logo deduziu que Regina tinha herdado essas características da mãe.

Enquanto a morena terminava de ajeitar o vestido de casamento, que a deixava tão parecida com uma princesa, uma vez que foi inspirado no modelo usado pela atriz Grace Kelly ao se casar com o Príncipe Rainier de Mônaco, escutava sua mãe tagarelar sem parar.

–Minha filha você está deslumbrante! Estou tão orgulhosa de você!

–Obrigada, mamãe!

–Fico tão feliz que você conseguiu um homem rico, bom e gentil para se casar.

–Eu não o amo, mamãe!- Disse a morena, como querendo se livrar de um peso na consciência.

–Oh, querida! E quem se importa com isso? O amor é fraqueza, Regina! Nem eu, muito menos você conseguimos nada quando nutrimos esse sentimento por alguém. O que importa é que você vai se tornar uma mulher rica e, consequentemente, poderá ajudar a sua velha mãe. Dando a vida que ela merece e sempre sonhou! Além do mais, você poderá ter aventuras, caso se apaixone por outra pessoa, porque esse homem está completamente fascinado por você, Regina. Ele perdoará qualquer deslize seu, tenho certeza! Realmente é o marido perfeito!– concluiu Cora destilando todo o seu veneno.

A noiva estava tão concentrada em seus próprios devaneios que não ouvia nada mais do que sua mãe dizia. Queria apenas que aquele dia chegasse logo ao fim e implorava para na hora do “sim” não fraquejar e magoar Robin, que não merecia ser abandonado em pleno altar.

Nenhuma das duas mulheres percebeu que uma loira, vestindo um elegante vestido longo de seda branca, com uma fenda na perna direita, estava parada em frente à porta semicerrada, ouvindo toda a conversa.

Emma ficou ainda mais decepcionada ao constatar que, de fato, Regina, além de não amar o seu irmão, era uma grande golpista que ia casar por interesse com a benção da mãe e ainda escutava os conselhos daquela horrível mulher de como poderia trair seu futuro marido, já que este estava tão apaixonado que provavelmente perdoaria a infidelidade.

Enojada com a conversa que presenciou, Emma se dirigiu para o local onde ia acontecer o casamento. Ela e Killian, que trajava um elegante smoking preto, seriam os padrinhos do irmão.

Já Regina teria como padrinhos a mãe e o padrasto, uma vez que não tinha nenhuma amiga ou amigo que pudesse convidar.

A loira se controlava para não perder a sensatez e acabar com toda aquela farsa, expondo Regina diante dos convidados, da família, e do noivo que a aguardava ansiosamente. Porém, ao olhar para o irmão, Emma percebeu que ele jamais acreditaria nela e, muito provavelmente, a morena desmentiria a loira.

Quando a marcha nupcial começou a tocar, Emma conteve a respiração. Se possível, Regina ainda estava mais bonita. Elegante, com um cabelo preso num coque, enquanto o fino véu cobria o seu rosto.

Quem a conduzia ao altar era o padrasto, e a loira nunca sentiu tanta vontade de fugir de um lugar. Amava e odiava aquela mulher com a mesma intensidade.

Permanecer em pé ao lado do irmão, enquanto o celebrante realizava o casamento e os noivos trocavam alianças e votos foi um tormento para Emma que se agravou quando ela ouviu o juiz de paz dizer “o noivo já pode beijar a noiva”.

O ciúme corroeu o corpo de Emma e ela virou a cabeça para o outro lado para não ver aquela cena que tanto a molestava.

Ainda durante a festa, a loira decidiu ir embora. Sabia que os noivos não permaneceriam ali por muito tempo, porque tinham que viajar para a lua de mel em Veneza. Mas ela só queria fugir da fazenda que tanto amava. Deixar para trás as recordações e se afastar completamente de tudo que lembrasse Regina.

Naquela mesma noite, foi de carro até Portland e, no dia seguinte, pegou um avião para Boston, onde decidiu morar por um tempo com Ruby, sua ex-colega de faculdade, que estava trabalhando como economista numa empresa sediada naquela cidade e tinha oferecido uma vaga de assistente para Emma.

[FIM DO FLASHBACK]

{Emma & Regina}

Quando a loira se deu conta, elas já tinham chegado a Swanfarm. Desceram do carro em silêncio e ao entrarem na casa, notaram Granny descendo as escadas apressada e esbaforida, com as bochechas vermelhas.

–Hey, Granny, o que foi?- Perguntou à loira.

Mas antes que a governanta pudesse responder, Emma ouviu um som peculiar vindo do quarto da sua avó.

–Que gemedeira é essa no quarto da vovó?- Indagou.

Regina não conteve o riso com o estranho comentário da loira e, quando percebeu, Emma já estava subindo as escadas.

Quando as duas mulheres entraram no quarto da Sra. Swan viram Killian deitado junto com a avó na cama, assistindo um filme de temática lésbica e, neste exato momento, duas mulheres estavam em pleno ato sexual na enorme tela da tv de plasma.

–Killian, que putaria é essa?- Inquiriu a loira irada.

–Emma Swan que modos são esses?- Perguntou à idosa em tom de censura.

–Vovó, a senhora não deveria está assistindo esse filme.- respondeu Emma com a voz baixa.

–Porque não? Não há nada que tenha passado neste filme que eu já não tenha visto você fazendo com a Mulan na piscina da casa!- Disse a avó.

–Eca, Emma! Você transou com a Mulan na piscina onde toda a família tomava banho? Deve ter sido na época que eu tive herpes.– falou Killian entrando na conversa.

–Você teve herpes, e acredito coisas piores, porque já enfiou o seu “troçinho” em mulheres de todos os continentes.– respondeu Emma.

–Regi, querida, não tinha te visto aí.– falou Killian ao se dá conta que a morena estava por trás da loira, divertindo-se com aquela cena familiar, adorando ver o quanto a arrogante Emma Swan estava constrangida com a situação.

Killian levantou-se rapidamente, passou pela irmã e agarrou Regina pela cintura, erguendo-a e, ao mesmo tempo em que girava a cunhada, enchia o rosto dela de beijos.

–Solte ela, Killian!!!

Ouviram uma voz cortante, enquanto um par de olhos esmeraldas mirava enfurecido o irmão.

Notas finais
¹ A cena de super-homem, a qual Regina se refere, realmente acontece no filme Superman de 1978. Imaginei Regina vestida de Evil Queen mudando a rotação da terra para salvar a vida de Emma. Seria tão romântico!!! ² Corky (Gina Gershon) e Violet (Jenniffer Tilly) para quem não sabe (será q tem alguém?), são personagens de "Bound: Ligadas pelo desejo", e elas protagonizam cenas de sexo picantes em alguns momentos do filme. -Escolhi o vestido de Grace Kelly, pq acho lindo e não sei descrever vestidos, nem festas de casamento, pq fui a poucas. *Vídeo da música We've Only Just Begun: http://www.youtube.com/watch?v=qLXcn2zsG5c **Vídeo da música My Cherie Amour: http://www.youtube.com/watch?v=j-WtKIK-FiM -Até o próximo!!!