Um Paradoxo de Sentimentos.
7 Can’t Help Falling In Love.
Notas iniciais
{Emma & Regina}
–Solte ela, Killian!!!
Ouviram uma voz cortante, enquanto um par de olhos esmeraldas mirava enfurecido o irmão.
Ninguém no quarto, além de Regina, parecia está muito interessado no tom de voz e no olhar furioso que Emma dirigiu ao irmão, quando ele agarrou a cunhada, levantando-a do chão e enchendo o rosto da morena de beijos.
Vovó Swan continuava com os olhos vidrados na tela da sua TV, enquanto as duas atrizes se dedicavam com todo afinco a cena de sexo que protagonizavam no filme.
Killian parecia mais interessado em cheirar, beijar e abraçar Regina, demonstrando toda a saudade que sentia da cunhada naqueles gestos, já que fazia meses que não a via.
Já Regina deleitava-se, observando como o olhar de Emma cintilava de pura fúria e ciúme.
A morena resolveu provocar a loira ainda mais. Então, num movimento friamente calculado, enlaçou o pescoço de Killian, depositando um delicado e demorado beijo no rosto do rapaz e, na sequência, deitou sua cabeça ternamente no ombro direito dele, enquanto encarava Emma.
Emma estremeceu de raiva. O sangue pulsava quente em suas veias e seu olhar, se possível, ficou com uma expressão ainda mais furiosa.
A morena ficou satisfeita. Finalmente estava se vingando de todas as vezes que sentiu ciúmes da loira nos últimos dias. Por causa de Ariel, Belle, Ruby e de todas as mulheres que abraçaram e beijaram Emma durante a festa ocorrida na casa de Jefferson.
Quando o cunhado finalmente a soltou, ela se dirigiu a cama da Sra. Swan, consciente que Emma seguia cada um dos seus passos com o olhar.
Killian foi abraçar a irmã que, de mau grado, aceitou o carinho, pois, naquele momento, o irmão não era a pessoa que ela mais amava no mundo, pelo contrário, estava se controlando para não dar uma surra nele ali mesmo, no quarto da avó.
–Minha querida, estava com tantas saudades de você!- Falou a velha Swan.
–Eu também senti muita falta da senhora.– respondeu a mulher mais jovem abraçando a outra.
–Quando Emma me disse que você tinha ido embora definitivamente, eu fiquei tão preocupada!- falou a vovó num tom baixo que só a morena podia ouvir, já que os irmãos estavam distantes, conversando sobre as aventuras e desventuras de Killian pela França.
–Emma disse que eu não voltaria mais?- Indagou a morena, sem entender.
–Depois que transcorreram os 7 dias que você tinha dito que ficaria viajando, ela decidiu ir buscá-la, pois tinha certeza que você não voltaria mais.
Regina não estava acreditando no que ouvia. Lembrava que Emma havia lhe dito, no quarto do chalé em Vermont, que a Sra. Swan é que tinha ficado preocupada porque a morena não voltou para casa no prazo estabelecido.
–No mesmo dia que você devia ter voltado, ela entrou em contato com vários hotéis para saber se você tinha se hospedado em algum deles. Eu até disse a ela que, provavelmente, você tivesse decidido visitar outros lugares e que logo regressaria, mas sabe como Emma é, não é? Teimosa igual uma mula!– Continuava à senhora sorridente.
Regina estava ficando cada vez mais feliz com o rumo daquela conversa.
–Killian chegou no dia seguinte, de surpresa, e até se ofereceu para ir com ela na viagem, porém Emma não aceitou e disse que viajaria sozinha.– prosseguiu a senhora. –Mas você pretendia voltar, não é?- Acrescentou com um olhar ao mesmo tempo esperançoso e angustiado.
–Claro que sim!- Mentiu a morena, sorrindo para a sra. Swan.
A idosa não escondeu o alívio. Amava a viúva do seu neto e ficaria muito triste se ela resolvesse ir embora de Swanfarm.
Depois que conversou mais um pouco com a sra. Swan, Regina saiu do quarto, ainda pensando na conversa que acabara de ter com ela e completamente extasiada com a notícia que Emma Swan decidiu cruzar a Nova Inglaterra para trazê-la de volta a fazenda.
Quando já estava na biblioteca escutou passos atrás de si. Não precisou se virar para saber de quem se tratava.
Podia sentir a respiração ofegante de Emma perto da sua nuca. Pelo visto, ela continuava irritada.
–Por que você fez aquilo?- Perguntou a loira de supetão.
Regina virou-se lentamente e encarou o raivoso olhar da outra mulher.
Emma estava com uma camisa vermelha de botão, botas e jaqueta marrons e seu famigerado jeans skinny. E os cabelos loiros presos num rabo de cavalo.
–Emma, eu já fiz muita coisa durante a minha vida, você precisa ser mais específica!– respondeu a morena cínica, enquanto olhava para a loira que estava com as mãos nos quadris, com uma expressão bem agressiva.
–Não se faça de idiota, Regina Mills, você sabe muito bem do que eu estou falando!– continuava Emma, irada, enquanto se aproximava cada vez mais da morena.
Regina retrocedeu quando percebeu que a loira se acercava perigosamente a ela. No entanto, seu recuo foi interrompido ao sentir a mesa, que estava colocada bem no centro da biblioteca, atrás de si.
–Você se refere ao abraço e ao beijo que eu dei no Killian?- Perguntou com ar de fingida inocência.
–Sim, por que você fez isso?- Quando Emma terminou a pergunta, deu mais um passo para frente, acabando de vez com a distância que ainda as separava.
Regina podia sentir o hálito quente que saia da boca da loira tocando os seus próprios lábios.
–Por que eu quis! Gosto do Killian e estava morrendo de saudades dele!– respondeu sorrindo maleficamente.
–Você não vai sossegar enquanto não tiver todos os Swan’s aos seus pés, não é, senhora Mills?- Indagou à loira, entredentes.
–Pelo que me consta, até hoje, eu só tive um Swan aos meus pés. Seu irmão, Robin!– falou, fingindo que não estava entendendo a que Emma se referia, enquanto mordia o lábio inferior.
A loira não aguentou mais o tom, o olhar e o sorriso de deboche da morena, pegou-a pela cintura, puxando-a para si e falou pausadamente quase beijando a outra mulher:–Você...é...minha!
Regina riu, colocou os braços ao redor do pescoço de Emma, estava ficando cada vez mais excitada com a demonstração de possessividade da loira, e perguntou com desdém: –Desde quando?
–Desde ontem, quando eu estive entre suas pernas, e não vou permitir que ninguém mais possua o que agora é meu.- Enquanto Emma rugia, Regina sentia o corpo da loira tremer de ciúmes.
A morena passou a língua nos lábios da cunhada. Emma queimou. Com a mão direita puxou a cabeça de Regina ainda mais para perto de si e, ato seguido, beijou a morena com brutalidade, chocando seus lábios contra os da outra mulher, enquanto a agarrava com o outro braço enlaçado na cintura de Regina.
A morena abriu passagem para a língua da loira que entrou quente e molhada dentro da sua boca. Regina puxou lentamente a liga que prendia o cabelo de Emma, soltando-o e, em seguida, enroscou seus dedos nos fios loiros dela.
O beijo demorou minutos, nenhuma das duas queria abrir mão daquele momento tão intenso.
Emma já havia descido o braço para a bunda de Regina, pressionando-a ainda mais contra o seu corpo. A morena que estava de vestido preto começou a roçar a sua panturrilha na de Emma.
A loira desceu a mão que segurava a cabeça de Regina pelas costas dela, pegou a coxa da outra mulher e a colocou em seu quadril, enquanto Regina agarrava cada vez mais forte o pescoço da loira com os braços.
Por fim, não aguentando mais, elas cederam e separaram suas bocas.
A morena estava praticamente sentada na mesa. Ambas respiravam com dificuldade, de olhos fechados, e com suas testas coladas.
Abriram os olhos lentamente. Os verdes cruzaram com os castanhos, as pupilas de ambas dilatadas. Os seios subindo e descendo enquanto a respiração permanecia ofegante.
Por fim, Emma falou: –Deixe a porta do seu quarto destrancada, porque hoje à noite eu vou dormir com você!- Beijou a morena suavemente, separou-se dela devagar e saiu da biblioteca.
Regina ainda ficou uns minutos ali, tentando recuperar o prumo. Adorava a intensidade de Emma Swan. Nunca na vida havia se sentido tão desejada, apenas quando estava nos braços da loira.
Depois do jantar, Emma, Regina, Killian e a vovó resolveram jogar pôquer.
A morena ganhou praticamente todas as partidas, irritando demasiadamente a competitiva loira que se considerava a bam-bam-bam naquele jogo de cartas.
Com o avançar da hora, a Sra. Swan foi se deitar deixando os 3 jovens sozinhos.
Killian logo sugeriu uma partida de Strip Pôquer, olhando sugestivamente para Regina e irritando excessivamente a sua irmã.
Ambas as mulheres rechaçaram a ideia do moreno, embora Regina tenha ficado flertando com ele apenas para chatear a loira.
No final, cada um foi para o seu quarto.
{Emma}
Emma estava nervosa, olhando para o relógio que havia na mesinha ao lado da sua cama a todo momento.
Ela ainda ia esperar que todos se recolhessem para subir ao dormitório de Regina.
O quarto de Emma era o único que ficava no térreo. Os demais, incluindo o da morena, ficavam no andar superior da casa.
Emma saiu para a varanda que havia na parte externa e olhou para a sacada do aposento de Regina. Viu que as luzes já estavam apagadas, mas ainda escutava passos dentro da casa, provavelmente Granny, terminando de arrumar a cozinha.
Quando tudo ficou silencioso, Emma saiu do quarto, vestindo apenas um babydoll branco. Subiu as escadas lentamente e chegou ao seu destino. Apenas aquela porta a separava de Regina.
Girou a maçaneta, mas para sua surpresa a porta não abriu. Rodou mais uma vez e outra, sem querer acreditar que a morena tenha deixado o acesso ao seu dormitório trancado.
Ficou bastante enfadada. Se Regina Mills pensava que aquilo ia ser um obstáculo para Emma Swan, estava muito enganada. A loira entraria naquele quarto, nem que fosse a última coisa que fizesse na vida.
{Regina}
Minutos antes, quando entrou no quarto, a primeira coisa que Regina fez foi chavear a porta. Se Emma Swan pensava que podia mandar nela, estava redondamente enganada.
Ela ia mostrar para aquela loira arrogante do que era capaz.
Tomou banho, colocou uma camisola de seda cinza, deitou-se na cama e, devido ao cansaço da viagem e dos excessos cometidos no dia anterior, não tardou a cair nos braços de Morfeu.
Nem ao menos escutou quando uma loira impertinente forçava a maçaneta da porta do seu quarto.
{Emma}
Emma saiu para fora da casa e se encaminhou para a parte onde ficava o quarto de Regina. Iria entrar pela sacada. Provavelmente a porta do terraço estaria aberta.
O problema era como subir ali. Não tinha pontos de apoio que ela pudesse usar para escalar a parede. Foi quando viu a macieira que ficava bem perto do dormitório.
Havia um galho, não muito grosso, com mais ou menos 1 metro de distância da sacada do quarto.
Emma sorriu, sentindo-se vitoriosa. Começou a subir na árvore, torcendo para que aqueles galhos suportassem o peso do seu corpo.
Quando estava chegando próximo da sacada ouviu um “crac” e pulou, agarrando-se como pode na borda da varanda. Olhou para baixo e pensou que se não se segurasse bem, cairia de uma altura de 4 metros, mais ou menos.
O temor de se espatifar no chão, fez com que ela tirasse forças de onde não tinha para conseguir subir na margem da sacada, girar o corpo pela superfície e desabar, finalmente, dentro do terraço.
Seus joelhos, cotovelos e mãos estavam doloridos, por causa do impacto e da força que usou para se segurar.
Mas, finalmente, estava onde queria e Regina Mills ia pagar caro por tê-la desobedecido. Sorria cruelmente enquanto pensava nisso.
Como imaginou, a porta da varanda estava aberta. Entrou silenciosamente no quarto e foi até a cama disposta a colocar em prática sua deliciosa vingança.
Quando chegou na borda da cama, deteve-se! Regina dormia docemente, de bruços, com algumas mechas de cabelo caindo sobre o rosto.
Emma ficou sem ar contemplando aquela bela imagem. Passou alguns minutos olhando para a sua deusa latina entregue a um sono profundo.
Então, o seu plano mudou! Levantou as cobertas e deitou-se na cama, aproximando-se lentamente de Regina.
Levantou um pouco o corpo da morena, e se colocou o máximo que pode por baixo dela, fazendo com que a cabeça de Regina repousasse entre os seus seios.
–Como você entrou aqui, srta. Swan?
A loira tomou um susto ao ouvir a voz rouca da outra mulher que ela jurava estava completamente adormecida.
Sorriu e respondeu: –Nenhuma porta no mundo poderá me separar de você, Sra. Mills!
A morena também sorriu: –Isso não responde a minha pergunta!
–Como você não é Rapunzel, eu precisei usar a macieira que tem ao lado da sacada do seu quarto para subir na torre e encontrar a minha princesa.– Respondeu a loira sorrindo.
Regina levantou a cabeça de supetão. –Emma, eu espero que você não tenha danificado a minha macieira!
–Regina, eu quase morro, fiquei toda machucada para que você pudesse dormir entre meus braços, e você está mais preocupada com uma maldita árvore?- Perguntou Emma, indignada.
A morena sorriu, beijou a loira e disse: –Você é tão dramática, Emma Swan! Uma quedinha dessas não te mataria. Talvez quebrasse as pernas, uma costela ou outra e nada além disso.– falou, fazendo pouco caso.
–São uns 4 metros de altura, é morte certa!- Disse, rindo. –Você choraria debruçada no meu caixão feito uma mulher carpideira e pediria para ir comigo?- Perguntou a loira brincalhona.
–Não, seria a primeira a cuspir no seu caixão aberto!– respondeu a morena zombeteira.
Elas ficaram se entreolhando, até que Regina deitou a cabeça no colo de Emma novamente, agarrando-se totalmente a loira, suspirou e disse: -Fico feliz que você tenha feito tudo isso para que eu pudesse dormir nos seus braços!
– Eu sei que é seu novo lugar favorito no mundo!– disse a loira, enquanto cheirava o cabelo da morena.
–Para ficar ainda mais perfeito você poderia cantar uma música para que eu dormisse.– falou a morena dengosa.
–Tem preferência por alguma?– Indagou Emma, acariciando as costas de Regina.
–Surpreenda-me!– disse a morena, bocejando.
Quando Regina já estava quase dormindo, devido ao cansaço e, principalmente, as carícias que Emma fazia no seu cabelo, costas e braços, ouviu a loira cantar “Can’t Help Falling In Love” de Elvis Presley e adormeceu, com um lindo sorriso estampado em seu rosto, amando ainda mais aquela mulher que a segurava entre seus braços.
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