Um Paradoxo de Sentimentos.

10 Flashback - A morte de Robin - Pt. I & II


Notas iniciais
-Agradecemos a quem deixou review e está acompanhando. -Como Emma sofre nestes capítulos. :( -Boa leitura!!!

~~~Boston: 2 anos e 4 meses atrás~~~

{Emma}

A loira estava, mais uma vez, deitada na cama de uma mulher praticamente desconhecida. Uma italiana, chamada Teresa, que ela havia conhecido numa festa que teve mais cedo na casa de um amigo gay.

A morena de olhos castanhos e cabelos negros lembrava fisicamente uma outra mulher que Emma desejava ardentemente esquecer.

Embora fosse consciente que ficando com cópias desbotadas de Regina não fosse o meio mais adequado para atingir seu objetivo.

Enquanto Teresa repousava serenamente no seu colo, a loira lembrava-se da conversa que teve mais cedo com seu irmão, Robin, por telefone:

R: Emma, você não vai vim mesmo?- Perguntava exasperado o irmão.

E: Infelizmente não, Robin! Estou muito feliz por vocês dois.– mentiu descaradamente, estava dilacerada por dentro.- Diga a Regina que eu estou mandando os parabéns. Todavia, preciso terminar um projeto neste final de semana, é um trabalho que eu já precisava ter concluído há algum tempo e meu chefe está no meu pé.

R: Emma, eu não sei por quê você precisa deste emprego em Boston, quando podia muito bem está ao meu lado na SwanCorp.– falava Robin, chateado.

E: Eu já lhe expliquei inúmeras vezes, estou fazendo pela experiência, você sabe que eu gosto de desafios! Assim ficarei mais preparada para assumir uma das gerências na empresa da nossa família.– replicou Emma, cansada de ter que dar aquela desculpa esfarrapada pela enésima vez.

R: Eu sinto tanto a sua falta, mana!– falava num tom triste.- Até o Killian está hoje aqui, só falta você.– argumentava Robin. –Queria entender porque você está tão distante da gente, de mim, principalmente! Éramos tão unidos! Tenho nostalgia daquele tempo que eu era seu melhor amigo e confidente.– concluiu num fio de voz.

Emma do outro lado da linha tentava controlar inutilmente as lágrimas.

Desculpe, mano, mas eu me apaixonei por sua mulher e agora transo com outras para tentar esquecê-la! Será que você seria compreensivo se eu falasse a verdade?!- Pensava Emma.

–Sinto muito, Robin! Mas eu prometo que estarei aí no Dia de Ação de Graças.– falou, por fim.

Ouviu o irmão suspirar do outro lado da linha. –Bem, pelo menos é alguma coisa! Estamos todos morrendo de saudades de você e eu desejo sinceramente que você apareça em novembro. Nós te amamos!

–Eu também amo vocês!– disse, com um nó na garganta.

Quando desligou o celular, as lágrimas caíram descontroladas pelo seu rosto e Emma desabou no chão.

Regina estava grávida! Tinha feito o teste há 3 dias e, neste final de semana, haveria uma grande festa na fazenda para celebrar o acontecimento.

Agora, mais do que nunca, Emma precisava arrancar a morena dos seus pensamentos e do seu coração.

Da última vez que esteve em Swanfarm foi por ocasião da festa de aniversário de sua avó. E aquele fim de semana não tinha lhe deixado boas recordações.

Na primeira noite, como seu quarto ficava ao lado do de Robin e Regina, no primeiro andar, tinha certeza que ouviu o casal transando, e aquilo só serviu para semear o ódio e os ciúmes no coração da loira.

Na mesma noite, decidiu que iria dormir no antigo quarto dos pais, o único que ficava no piso de baixo, e que estava sem uso desde o falecimento de James e Margaret Swan.

Tinha receio de perder sua sanidade mental se continuasse no cômodo ao lado do dormitório do jovem casal e, no outro dia, deu uma desculpa qualquer a avó pela mudança de quarto.

Emma voltou à realidade e como se já não bastassem as lembranças dolorosas daquele final de semana, Laura Pausini estava cantando “Due Innamorati Come Noi” no som que a italiana havia ligado para dar um “clima” de romance para a transa delas duas.

O verso que soava do aparelho, naquele exato momento, era:

(Perché c'è sempre una magia/ Tra la tua anima e la mia)

(Porque há sempre uma magia/ Entre sua alma e a minha)

Fazendo com que a loira lembrasse imediatamente do momento mágico compartilhado com Regina no coreto no dia do baile a fantasia.

Decidiu que já era a hora de ir embora. Girou lentamente o corpo de Teresa, colocando-a de lado, pois não queria acordar a mulher.

Saiu da cama e quando estava terminando de vestir a roupa, ouviu a italiana falando:– Já vai, ragazza bella¹?

Virou lentamente, meio constrangida.- Sim!– Foi à única coisa que conseguiu dizer.

Teresa pareceu desapontada e indagou:- Mas você vai me ligar?

–Claro!– respondeu rapidamente, pois queria sair logo dali, todavia não tinha intenção de continuar se encontrando com a italiana.

A mulher pareceu conformada e a acompanhou até a porta, despediram-se com um beijo e Emma saiu do loft da italiana.

Foi guiando sua moto Ducati 1098 amarela até o prédio onde dividia um apartamento com Ruby.

Ao entrar no local, percebeu que a amiga não estava, pegou uma garrafa de Vodka e foi para o terraço. Ruby e ela moravam no último andar e tinham acesso irrestrito aquele espaço do prédio.

Deitou ali, numa espreguiçadeira de madeira, e ficou admirando as estrelas, enquanto entornava a garrafa na boca.

Cerca de uma hora depois, Rubs encontrou a amiga no local, já com mais da metade da Vodka vazia.

Oi, Emms!- Cumprimentou a amiga.

Oi, Rubsss– falou uma Emma já embriagada.

Eu te procurei durante meia hora pela casa inteira, até que me disseram que você já tinha saído com aquela morena italiana. Estava preocupada com você!– falava Ruby em tom de censura.- Até quando você pretende continuar com esse comportamento autodestrutivo, Emma?- Concluiu.

Des..de quando ir para casa de des..conhecidas para transar com elas é um comporta..mento auto..des..trutivo?- Perguntou, com certa dificuldade de articular algumas palavras.

Tem muita gente maluca no mundo, Emma! Você sai com 2 ou 3 mulheres diferentes por semana. Às vezes, não volta nem para dormir em casa. Sem falar do seu alcoolismo, porque bebe praticamente todos os dias.– dizia Ruby, gesticulando com raiva.

–Ela está grávida!- Disse Emma, olhando tristemente para a garrafa quase vazia.

–Quem?- Perguntou Ruby, mas já desconfiando da resposta.

A Sra. Mills de Robin Swan!– disse Emma com ironia, bebendo mais um trago.

Ruby suspirou profundamente e disse:- Sinto muito, Emma!- Queria poder ajudar à amiga, mas naquela questão não podia fazer nada.

Tudo bem! Isso já era esperado, não é? Afinal de contas, eles são casados, transam... Engoliu em seco. – Acho até que eu devo ligar para ela agora e lhe dar os parabéns por trazer mais um Swan para o mundo.– a súbita ira que tomou conta do corpo da loira, fez com que seu estado de embriaguez passasse momentaneamente.

Pegou o celular e começou a discar o número da fazenda.

Emma, não creio que seja uma boa ideia, já são mais de 22hs e você está embriagada.– dizia Rubs, tentando tirar o celular da mão da amiga.

Devolve o meu celular, Ruby Lucas!– disse a loira, quando a morena conseguiu tirar o aparelho da mão dela.

Emma levantou-se cambaleando, tentando recuperar o telefone, mas Ruby foi mais rápida e colocou-o dentro de sua calça jeans. –Vai ter que vir tirar daqui de dentro, loira!- Falou, rindo.

Emma acabou rindo também e disse:- Sempre soube que você queria que eu tirasse suas calças, Lucas, mas lamento, não estou com ânimo para sexo.– Concluiu, caindo pesadamente sobre a espreguiçadeira de novo.

Ruby sentou-se ao lado da amiga, alisando o cabelo da loira. Beijou sua testa e disse:- Hei, vamos voltar para o apartamento? Já está frio e não é bom que você fique aqui sozinha, remoendo todo esse sofrimento na sua cabeça. – falou ternamente.

A loira assentiu, levantou-se tropeçando e foi ajudada pela amiga que a conduziu de volta para o apartamento.

Já dentro do imóvel, Emma pegou outra garrafa de Vodka, mesmo contra a vontade de Ruby, deitou-se no sofá e continuou bebendo até quase perder a consciência, pensando como sua vida seria mais fácil se seu irmão morresse e deixasse Regina para ela.

Levantou-se bruscamente do sofá, sacudindo a cabeça para afastar aqueles horríveis pensamentos da cabeça e começou a chorar convulsivamente por causa do remorso que a consumia.

Chorou até cair no sono, abraçando a si mesma, deitada no tapete da sala para onde havia se arrastado minutos antes.

Acordou com Ruby chamando-a uma hora depois, dizendo:- Emma, acorde, aconteceu um grave acidente de carro com seu irmão e a sua cunhada!

***

{Regina}

A morena estava na cozinha da mansão preparando uma torta de maça, enquanto Granny terminava de fazer um fricassê de frango.

Um verdadeiro banquete tinha sido preparado para comemorar a gravidez de Regina. Além dos Swans, os empregados e seus familiares, e alguns amigos íntimos da família também participariam do jantar.

Enquanto terminava de fazer a torta, Regina olhava para seu marido que estava perto dela conversando com a irmã.

Pelo tom de voz de Robin, Emma não viria e a morena tinha quase certeza que essa ausência da cunhada era por causa dela (Regina).

Suspirou, ao mesmo tempo aliviada e decepcionada, porque a loira não viria, enquanto lembrava-se do último final de semana que Emma havia estado ali:

Regina estava deitada na cama, inquieta, enquanto Robin dormia tranquilamente ao seu lado.

Já era mais de duas da madrugada e a morena ainda não tinha conseguido pregar o olho, sentia-se estranhamente angustiada.

Depois de rolar na cama, tentando conciliar o sono, resolveu levantar-se e ir tomar um pouco de ar fresco na varanda do quarto.

Ficou contemplando a bonita macieira que foi plantada por Eva Swan, há mais de 15 anos, naquele lugar. A árvore era belíssima e Regina tinha ficado encantada por ela, e tinha adorado ainda mais aquele quarto por causa da vista.

O olhar da morena percorreu o vasto gramado da propriedade e se fixou na piscina.

Regina percebeu um corpo inerte, caído na margem da piscina, numa posição bastante perigosa, pois a pessoa estava com o braço esquerdo já submerso na água. Era Emma!

A morena saiu em disparada do quarto, desceu a escada pulando degraus, vestia apenas uma camisola e um penhoar cinzas, e se dirigia rapidamente para a parte da fazenda onde a piscina ficava.

Aproximou-se da loira, pegou seu braço esquerdo e a puxou como pode para longe da margem, sentindo o forte cheiro de álcool que emanava do corpo de Emma e vendo uma garrafa de vodka² perto dela.

Emma, acorde! Você tem que ir para o seu quarto.- dizia, ao mesmo tempo em que dava tapinhas no rosto da cunhada.

A loira apenas resmungava de mau humor, porém, com muito esforço, a morena conseguiu levantá-la, fazendo com que Emma apoiasse o braço esquerdo ao redor do seu pescoço, enquanto Regina enlaçava sua cintura.

As duas mulheres andaram com dificuldade até a casa e Regina conduziu Emma até o seu quarto, agradecendo a todas as entidades divinas, o fato da loira ter mudado, no dia anterior, para o cômodo que ficava no piso de baixo.

A morena deitou Emma na cama. Tirou suas botas, acomodando as pernas da cunhada em cima do leito na sequência, e a cobriu com um edredom.

Por um momento, Regina ficou ali, contemplando o rosto angelical da cunhada e, num ato espontâneo, passou sua mão naqueles traços tão lindos.

A loira inclinou a cabeça, como se tivesse gostando do carinho e a morena sorriu, imaginando que nessas horas era praticamente impossível odiar Emma Swan.

Voltou para o seu quarto e deitou na cama, com uma sensação de alívio percorrendo seu corpo, e o sono finalmente a venceu.

No outro dia, uma segunda-feira, Robin e ela foram embora cedo da fazenda, pois o marido participaria de uma reunião importante em Portland.

Eles sempre viviam indo e vindo de Swanfarm, uma vez que o jovem auxiliava o Sr. Gold na administração da empresa da família que tinha a sede na referida cidade.

{Emma}

Emma acordou praticamente ao meio dia, com uma monumental ressaca, sem saber como tinha chegado em casa.

Só lembrava que havia ido ao Rabbit Hole, na noite anterior, onde bebeu muito.

Lembrou também que havia sonhado com Regina, mas isso já tinha virado uma constante na vida da loira e não deu muita importância ao fato.

Também voltou a Boston naquele dia, decidida a não regressar a fazenda tão cedo.

{Regina}

A morena foi tirada das suas lembranças pelo marido que a chamava para confirmar que Emma não vinha, mas que tinha mandado as congratulações pela gravidez.

Regina sorriu sem muita vontade e passou a mão pela sua barriga, havia feito o teste de gravidez de farmácia e tinha ficado felicíssima com o resultado positivo.

Quando retornassem a Portland iria a um laboratório coletar sangue para confirmar o resultado.

Sua menstruação estava atrasada há 15 dias, aquilo já tinha acontecido antes, mas, desta vez, ela tinha certeza que estava esperando um filho.

Depois do jantar, Regina estava na biblioteca admirando a grande foto de família colocada em cima da lareira.

Na fotografia via-se a sra. Swan sentada numa poltrona e seus três netos por trás dela. Robin a sua direita, Emma no meio e Killian do lado esquerdo.

Todos eram jovens! Seus olhos se detiveram na imagem da loira, provavelmente tinha 16 anos, seus cabelos ainda não eram tão ondulados, cortados um pouco abaixo dos ombros, e tinha uma franja.

Emma sorria lindamente naquela foto, e Regina ficou imaginando se seu filho iria parecer com a cunhada, enquanto acariciava seu ventre.

Foi trazida de volta a realidade por Robin, dizendo que já estava na hora deles irem embora.

Regina e a Sra. Swan tentaram demover o rapaz do intuito de viajar de volta a Portland naquela mesma noite, no entanto, Robin alegou que precisava está muito cedo na empresa, e não queria ter que acordar de madrugada para pegar a estrada.

{Autora}

A vovó ainda lembrou que o neto havia bebido champanhe durante o jantar e não achava prudente que ele dirigisse depois de ingerir álcool, no que foi apoiada pela morena, no entanto, o homem mostrava-se irredutível e não aceitou a sugestão que Regina conduzisse naquela noite.

Deixaram a fazenda, depois de se despedirem de todos, por volta das 20h:30m, estava nevando um pouco, o que comprometia a visibilidade.

Regina, exausta por causa da festa que passou o dia preparando, ao lado da Sra. Swan e de Granny, cochilava no banco do copiloto.

Numa curva fechada, Robin, meio zonzo por causa do champanhe, fechou os olhos e não percebeu que invadiu a contramão, acordou com a buzina de uma enorme carreta que vinha na direção do seu carro, gritando: NÃO!, despertando a morena ao seu lado, que a última coisa que viu foram os faróis do outro veículo.

O marido ainda conseguiu desviar da carreta, todavia o carro deslizou pela pista, capotando várias vezes no acostamento, deixando seus ocupantes inconscientes e com múltiplas fraturas por todo o corpo.

O casal foi rapidamente socorrido por outros motoristas que passavam no local, inclusive pelo o que conduzia a carreta.

A polícia foi acionada, assim como o resgate, e os paramédicos encaminharam os dois acidentados para o Maine Medical Center, em Portland, avisando sobre o acidente ao Sr. Gold que era o nome de contato que tinha como emergência num celular encontrado dentro do veículo.

Quando Emma Swan desejou a morte do irmão, ele já havia falecido, uma vez que veio a óbito antes de chegar ao hospital, por volta das 22hs.

{Emma}

A loira saiu desesperada do apartamento acompanhada por sua amiga, Ruby, que tinha explicado que o Sr. Gold havia ligado para o celular de Emma, avisando sobre o acidente, mas não entrou em detalhes, apenas disse o nome do hospital para onde eles foram conduzidos e pediu para que a morena desse o recado a amiga.

Foram para um hangar, onde Emma alugou um jatinho e chegaram em menos de 2 horas em Portland.

Ao entrar no hospital, a loira já viu Killian e sua avó chorando abraçados, o coração dela apertou, e a primeira coisa que veio a sua mente foi à imagem de Regina morta.

Quando se aproximou dos dois, ambos a abraçaram apertadamente e ela perguntou num sussurro angustiado:–O que aconteceu?

–Robin morreu e Regina está em estado grave.- falou Killian, soluçando.

Emma não desabou no chão porque estava apoiada no irmão e na avó. Suas lágrimas desciam descontroladas, porém ainda conseguiu perguntar:- E o bebê?

Eva Swan olhou para a neta, tentando controlar o pranto e disse:- Foi um falso positivo³. Os médicos explicaram que Regina não estava esperando um filho. Ela provavelmente tem ovários policísticos e os sintomas dessa síndrome afetam o ciclo menstrual das mulheres, fazendo com que, muitas vezes, elas pensem que estão grávidas.- concluiu.

Aquela notícia deixou Emma mais aliviada, era melhor do que saber que Regina havia perdido o filho, ela já tinha desgraça demais para lamentar.

A loira foi ao necrotério, ver o corpo do irmão, entrou vagarosamente na sala e o viu deitado sobre uma mesa, pálido e com vários machucados pelo corpo e no rosto também.

Emma se aproximou dele, ao mesmo tempo em que recordações da infância e da adolescência que compartilhou com os irmãos vinham a sua mente:

As brincadeiras, as viagens de férias, quando os três se embrenhavam na floresta que circunda a fazenda e iam acampar, deixando os pais e os avôs mortos de preocupação porque demoravam a voltar.

O dia que se envolveram numa confusão com os atletas populares da escola, liderados por Graham Humbert que estava despeitado porque Emma não quis ir ao baile de formatura do High School com ele, e a chamou de cola-velcro.

Naquele dia, Robin havia ido buscar os irmãos no colégio e quando chegou se deparou com um grupo de 5 marmanjos cercando sua irmã, sem pestanejar, partiu para cima dos rapazes e Killian, que vinha saindo do prédio, vendo os irmãos trocando socos e pontapés com os atletas, também não se fez de rogado e chegou dando uma voadora em um deles.

Depois que a briga foi apartada pelo diretor, Sidney Glass, Eva Swan foi buscar os netos na escola, fazendo-os ir no banco traseiro do carro, calados e, pela sua expressão, eles iriam ouvir sermões durante 1 ano.

Ao entrarem em casa, sentaram-se no sofá da sala, com Emma entre os dois irmãos, e ficaram cabisbaixos.

–Vovó...- tentou falar Robin, sendo interrompido por um gesto da matriarca que fez o neto calar-se imediatamente.

Eva Swan continuava séria, olhando fixamente para seus 3 amores e depois de um tempo, disse:- Estou orgulhosa de vocês!

Os jovens levantaram a cabeça ao mesmo tempo, olhando espantados para a avó.

Estão todos machucados, Emma e Killian foram suspensos por uma semana, mas o que importa é que vocês defenderam uns aos outros e é isso que os irmãos fazem. Podem se desentenderem entre si, mas num momento crítico eu sempre espero que vocês possam contar um com o outro. O diretor falou que alguns alunos, que presenciaram a confusão, disseram que quem provocou a briga foi o jovem Humbert, mas, mesmo assim, terá que suspender vocês dois- falou, sinalizando os adolescentes-, como forma de aviso para os demais estudantes. Eu concordei com ele, mas não pensem que terão vida fácil, farão todos os trabalhos que os professores passarem, viu?- Concluiu, rindo para os três jovens.

–Agora venham aqui abraçar sua velha avó!- e os 4 Swans ficaram abraçados durante alguns minutos.

Eles sorriam, ao mesmo tempo que cada um recebia um beijo na testa dado pela matriarca.

–Vão tomar banho e depois cuidem desses machucados.- ordenou, enquanto via os netos subindo a escada.

Naquela noite, os 3 irmãos cuidaram dos machucados uns dos outros, enquanto disputavam para saber quem tinha apanhado mais e quem tinha batido mais.

Chegou-se a conclusão que Robin foi o que mais apanhou, porque foi encurralado por 2, enquanto Emma foi a que mais bateu, já que deixou o rosto de Graham todo estropiado dos socos que deu no atleta.

Perdida nestes devaneios, Emma chorava e pedia, silenciosamente, perdão ao irmão, por não ter conseguido evitar se apaixonar pela mulher dele.

O legista garantiu a ela que Robin morreu por volta das 22hs, no entanto, saber disso não servia de alento para a culpa que sentia naquele momento e que ainda ia consumi-la por muito tempo.

Depois de horas de cirurgia, Regina foi levada para um quarto, em estado de coma.

Durante os dias e meses que se seguiram, a vovó, Emma e Killian iam diariamente ao hospital visitar a jovem.

A loira, inclusive, ia sempre sozinha, durante a noite, pois, com a morte do irmão, decidiu assumir, ao lado do Sr. Gold, a administração da empresa.

Emma nunca entrava no quarto, sempre ficava olhando para Regina através do espelho. Às vezes, ficava mais de uma hora, em pé, apenas apreciando o rosto da morena, enquanto uma jovem enfermeira que, vez ou outra, estava de plantão, assistia com interesse aquela cena.

Certo dia, a jovem ruiva de olhos azuis, não aguentando mais de curiosidade, aproximou-se da loira e perguntou:–É sua irmã?

Emma, pega de surpresa, olhou para ruiva e respondeu:–Não, minha cunhada!

–Desculpe perguntar-lhe isso, mas porque você nunca entra no quarto?- Indagava a ruiva curiosa.

Emma que já tinha voltado a olhar para Regina, disse com voz triste:–Não sei!

–Sabe, eu acredito que, mesmo em coma, eles sentem a nossa presença.- falava a ruiva.- Por que você não entra e toca nela?- Inquiriu, por fim.

Emma ficou calada. A ruiva resolveu deixá-la sozinha, pois percebeu que a loira não queria continuar conversando.

Pediu licença, dizendo que ia ver outros pacientes, o que, de fato, era verdade e saiu, ainda olhando por alguns segundos para aquela bonita mulher que tinha uma expressão tão destroçada.

No outro dia, Emma voltou ao hospital e depois de ficar alguns minutos do lado de fora, resolveu entrar no quarto, já que na manhã seguinte viajaria para Nova York, a fim de resolver uns problemas relacionados a empresa, e não sabia quando regressaria.

Aproximou-se lentamente do leito de Regina.

–Eu prefiro mil vezes você desperta, brigando comigo e me odiando, do que assim, inerte nesta cama.- enquanto falava, as lágrimas rolavam pelo seu rosto.

Passou seus dedos sobre a mão direita da morena, ao mesmo tempo em que a olhava fixamente esperando alguma reação, e ficou alguns minutos apenas a tocando.

Suspirou e lentamente se acercou ainda mais a cunhada. Depositou um suave beijo na testa dela, enquanto pensava: Eu te amo, Regina Mills!, e suas lágrimas banhavam seu rosto e o da mulher em coma.

Afastou-se vagarosamente da cama e, antes de sair definitivamente do quarto, ainda tornou a olhar para mulher que repousava em seu estado inconsciente.

{Autora}

Na manhã seguinte, enquanto Emma já voava em direção à Nova York, Regina despertava confusa e angustiada do coma que durou 108 dias.

Killian e a vovó Swan estavam no quarto e trataram de acalmar a morena, chamando rapidamente os médicos que davam explicações evasivas para o súbito retorno da consciência dela.

Depois de saber da morte do marido e que não estava grávida quando o acidente ocorreu, Regina caiu num choro convulsivo, pois ficou abalada com a trágica e prematura morte de Robin e desiludida pela perda de um filho que nunca existiu.

Quando Emma ficou sabendo do despertar de Regina, pensou em voltar correndo para Portland, apenas para abraça-la, mas lembrou-se que a morena, provavelmente, não fazia muita questão de vê-la, afinal, ainda era a Regina interesseira que a odiava e o sentimento de culpa que sempre a dominava, quando se lembrava de Robin, também era mais um motivo para que Emma permanecesse com a decisão de manter-se afastada da cunhada.

Regina, por sua vez, não conseguiu controlar o sentimento de decepção que se apoderou do seu corpo, ao constatar que ela pouco importava para Emma, uma vez que a cunhada apenas ligou para saber como a morena estava e a ligação não durou mais do que 2 minutos, sem falar no tom frio e distante da loira durante a chamada.

Depois que Regina saiu do hospital, decidiu ir morar em Swanfarm, pois a sra. Swan insistiu muito, alegando que adoraria ter a companhia da viúva do seu neto.

A morena vendeu o apartamento onde ela e Robin ficavam quando iam para Portland e foi morar na fazenda.

Durante os quase 2 anos que residiu ali, pouco viu Emma Swan, que tinha se distanciado ainda mais dela e da família, alegando que gerenciar a empresa ocupava-lhe em demasia.

No entanto, decorrido esse tempo, Emma resolveu voltar para a fazenda, a fim de reativar a vinícola da família ou, pelo menos, essa foi à desculpa que ela deu para seu retorno, todavia o desejo inconsciente de ficar mais perto de sua cunhada foi o real motivo.

Mas essa história vocês já conhecem desde o primeiro capítulo. Até o próximo! :)

Notas finais
¹ Ragazza bella = Garota linda. ² Já foi comprovado que a Vodka e a Tequila, se consumidas em grandes quantidades, pode ocasionar amnésia nas pessoas. ³ É raro, mas esses testes de gravidez adquiridos em farmácias podem apresentar um resultado errado, conhecido como falso positivo. *Quem quiser ver mais fotos de Emma com 16 anos, coloque “Jennifer Morrison intersection” no Google, que vai aparecer imagens da atriz ainda adolescente num filme que fez em 1994. -Até o próximo!!!