Um Outro Lado da Meia-Noite
24 Ela estará segura entre nós
Acordei sentindo a cabeça pesada e um oco no estomago. Permaneci com os olhos fechados, não queria ver nada para não saber onde estava e nem ter que decidir para onde ir. Recordei-me de ter encontrado Graça, ela queria me levar para o conselho de magia para receber uma recompensa. Essa não, eu a matei! Não que esteja arrependida do que fiz, ela era má... se ela mereceu morrer por que era má, então o que eu mereço por ser quem sou? Abri meus olhos.
Onde é que eu estou? Sento-me. Olho para os lados. É um quarto pequeno, cheio de caixas de madeira mal empilhadas, sem janelas, há uma porta que tento abrir inutilmente, grito por socorro, mas ninguém responde. Não á som externo. Olho novamente para o lugar fechado, sinto falta de ar ao notar que não há nenhuma abertura.
Como vim parar num lugar como este? – pergunto-me.
No chão há um amontoado de panos formando uma cama, onde eu estava deitada. Sento-me esperando, não sei bem o que, mas alguma coisa. Então as sombras se movem, sussurram. Não foram elas que me levaram para aquele lugar, mas também não sabem me dizer quem foi. Podem me levar para qualquer lugar que eu quiser, murmuram, mas rejeito a oferta. Alguém havia me levado para aquele lugar e eu queria saber quem e porque. Eu estava em forma humana, devia ter me transformado em gato e retornado, fosse quem fosse que tivesse me levado para aquele cubículo claustrofóbico sabia sobre minha pequena maldição, e eu queria saber quem era essa pessoa. Me deitei, esperar é chato. Fechei os olhos. O tempo parecia ter parado, apenas para que eu enlouquecesse de ansiedade.
A noite estava escura, não havia nenhum sinal de luar no céu nublado, uma névoa fria cobria a cidade, minha respiração se condensava no ar, fazia um silêncio sepulcral e parecia que eu era a única pessoa que saíra de casa naquela noite estranha, o frio castigava meu corpo e desprotegida contra o inverno abraçava-me a mim mesma, inutilmente. Apresso meus passos, não sei para onde estava indo, mas tinha que chegar lá logo. Então o vi, dois pontos flamejantes na névoa gelada. Meu coração se aqueceu com a visão daqueles olhos alaranjado-brilhantes. Ele estava ali, viera para me salvar. Corri em sua direção e o abracei. Ele não era um estranho, era George, o capitão pirata de roubou-me o primeiro beijo.
“Por que demorou tanto?” – perguntou-me exasperado segurando meu rosto com ambas as mãos.
“Sinto muito, não sabia como te achar” – expliquei o abraçando novamente.
E o cheiro de sangue inundou o ambiente, meu cavalheiro pirata tornou-se uma besta com garras e presas afiadas. Tentei fugir dele, mas ele agarrou meus cabelos.
“Veja o que me tornei Libuse, veja o que fez comigo” – falou com aquela voz rascante, me forçando a olhar para ele, um monstro.
“Não fui eu” – balbuciei chorando
“É sua culpa, tudo o que acontece de ruim ao seu redor é sua culpa, bruxa das sombras”
“Não fui eu” – gritei
Então as sombras se estenderam por todas as direções, e o monstro de olhos famintos se desintegrou em cinzas. E nas sombras outros olhos surgiram, cruéis e acusadores, ganhando formas humanas feitas de sombras, névoa e cinzas, eu vi George, Verbena, Margarida, Magnolia, Narciso, Valentine, Leonel, Adália, Serafina, Edwin, Donatella, Graça, meus pais, minha avó, meus sobrinhos, as freiras do convento, pessoas que eu conheci, estranhos que eu via nas ruas, os três homens mortos da floresta... seus olhos de todas as cores brilhavam terríveis, caminhavam em minha direção sussurrando acusações contra mim, acusações verdadeiras. Meus crimes, meus pecados, meus pensamentos mais obscuros. Eu tentava fugir, mas estava cercada. Gritava por perdão, mas eles me acusavam com mais e mais desprezo. Quando pensei que ia morrer sufocada com meus próprios gritos, uma mão se estendeu na minha direção.
“Acorde, minha flor. Acorde”
Despertei trêmula, ofegante. Sentei e encostei-me à parede fria levando as mãos ao rosto, estava suada. Abracei meus joelhos e fiquei encolhida, chorando. Chorei até que as lágrimas secaram-se. Por que eu não tenho daqueles sonhos normais e idiotas que crio para as pessoas? Por que posso transformar pesadelos alheios em sonhos bonitos e os meus me perturbam? Permaneci imóvel com a cabeça baixa e o rosto escondido pelo joelho. As sombras me deixaram sozinha depois de um tempo, então sobrou apenas o silêncio. Estava quase adormecendo quando ouvi a porta sendo aberta. Fiquei em pé, esperando por qualquer coisa, qualquer pessoa.
– Você está viva!
Pulei para os braços de Leonel, a surpresa dele em me ver desperta não era maior que minha felicidade em saber que era um amigo que havia me ajudado. Segurei as lágrimas, enquanto ele me abraçava forte.
– Mort, fiquei tão preocupado com você – sussurrou
– Não deve se preocupar comigo, Leo, eu sempre fico bem – devolvi, realmente ficava bem, mas demorava muito para que isso acontecesse – Por que me trouxe para este lugar horrível?
Afastei-me do abraço de meu amigo, esperando pela resposta dele. Leonel suspirou, tenso.
– Não tive outra escolha, estamos todos sendo vigiados em toda parte. Consegui despistar um olheiro quando você e aquele seu pássaro gigante causaram alvoroço na cidade. Aliás, pode me dizer o que deu em você de fugir e causar toda essa bagunça?
Suspirei, tinha muita coisa para contar e não queria contar tudo, não ia envolver Leonel em algo que eu nem tinha certeza mesmo de que era verdade ou confusão.
– Pode me trazer algo para comer antes? Estou faminta.
– E quando não está?
Leo saiu dizendo que talvez demorasse um pouco, não podia simplesmente trazer comida para o deposito da taberna sem explicar o que estava fazendo, então ia ter que esperar que todos se distraíssem. Somente depois dele ter dito onde estávamos, que me lembrei daquele quarto minúsculo sem portas ou janela, brincávamos ali quando crianças, era nosso esconderijo, a diferença é que eu me lembrava daquele lugar sendo muito maior e muito mais limpo. Leo voltou várias horas depois, trazendo uma bandeja com leite, pães e queijo.
– Desculpe, Mort, mas foi tudo que achei. A menos que queria cerveja ou vinho.
Ignorei a tentativa de ser engraçado dele enfiando um pedaço grande de pão na boca e mastigando. Leo ficou parado me obervando. Terminei de comer mais vagarosamente possível, ganhando tempo para começar o interrogatório que sei que viria pela frente.
– Diga-me, Leo, como foi que me encontrou? – perguntei antes que ele começasse.
– Estava voltando para casa depois de tentar te achar, como metade das pessoas que te viram pulando fez. Desisti achando que provavelmente tivesse usado um portal e devesse estar do outro lado do mundo, aproveitei que o rapaz do conselho que estava me vigiando se distraiu com a busca por você e me livrei dele seguindo para casa pelo caminho mais longo. Quando passava por uma rua de comércio vi dois montes de vestido um verde e outro amarelo, imaginei que fossem duas concubinas brigando ou coisa parecida e tentei desviar, mas então uma delas virou um gato preto. E só conheço uma pessoa que se transforma em gato preto nesta cidade.
– É cinza fumaça e não preto
– É parecido. De qualquer modo eu só fui ter certeza absoluta de que era você agora que vim ver se tinha despertado. Não faz ideia de como me preocupei sem saber o que fazer com você em forma de gato, podia estar ferida, mas...
Não evitei rir, meu divertimento, porém, foi extinguindo pelo olhar sério de Leo.
– O que foi?
– Aquela concubina de amarelo que estava ao seu lado na rua, ela estava morta. O que aconteceu com ela?
– Ela ia me levar para o conselho de magia e pegar uma recompensa. Recusei-me a ir, ela ia me enfeitiçar e eu revidei.
– Você a matou? – perguntou-me com um grito.
– Não foi minha culpa, ela era uma pessoa malvada. Armou uma cilada para Donatella.
– Espera! Donatella? A mulher que ia ser queimada? De onde você conhecia aquela gente?
– Temos conhecidos em comum. De qualquer modo, Donatella não era uma bruxa. Graça, a mulher de amarelo, ela era a bruxa. A inquisição estava de olho nela e ela resolveu despista-los colocando algumas coisas na casa de Donatella. Ela foi acusada injustamente e seria queimada sem nem mesmo ser uma bruxa de verdade.
– E você resolveu bancar a boa samaritana e salvar aquela meretriz, arriscando ser pega e queimada junto com ela? – Leo reclamou em um tom acusatório que me assustou por um segundo, nunca tinha o ouvido falar daquele modo.
– Não se irrite, Leo. E não me julgue antes de saber meus motivos.
– E quais seus motivos para arriscar-se daquele modo inconsequente? – questionou se levantando
– Donatella não é uma bruxa, ela é apenas uma pessoa que não teve muita sorte na vida e teve que se vender para sustentar a filhinha.
– Não é a primeira e nem a última prostituta que usa essa desculpa, uma família pobre para sustentar...
– Você não a conhecia! – retruquei falando no mesmo tom que ele e me levantando também.
Leo me olhou da cabeça aos pés, deu um sorriso irônico e disse acusador, apontando para o vestido verde que eu ainda usava:
– E você parece que a conhecia muito bem.
Desferi um tapa nele. Encaramos-nos em silêncio, já havíamos discutido várias vezes em nossa adolescência e nos ofendido mutuamente, mas era a primeira vez que eu lhe batia no rosto. Leonel estava com o olhar chocado e a mão no lugar onde recebera o golpe. Ele sabia que suas palavras me feriram mais que qualquer agressão física. Leonel saiu em silêncio e não voltou pelo resto do dia.
...
Leonel reapareceu no dia seguinte, bem cedo. Quando acordei ele estava ali, sentado me olhando, havia me levado pães, frutas e água. Me pediu desculpas por ter falado sem pensar no dia anterior.
– Tudo bem Leo, na verdade ser comparada á uma meretriz não me ofende. Me ofende ser desrespeitada pelas roupas que visto e julgada pela companhia que da qual me sirvo.
– Péssimas companhias... sinto muito Mort, mas com tantas pessoas em Ferrara, você precisava mesmo se esconder entre aquelas mulheres? E por que diz que não se ofende em ser comparada á elas? Fizeram-te lavagem cerebral?
É realmente impossível não discutir com Leonel.
– Aquelas mulheres á quem você despreza são pessoas, como nós. Como posso me envergonhar em ser comparada á uma delas quando não sou melhor? Pelo contrario, elas me condenariam por ser quem eu sou. Bruxa, fugitiva, louca, assassina... Por favor, não vamos mais falar sobre isso.
O deixei de lado enquanto comia. Esperei que ele saísse, mas pelo modo inquieto com que me olhava teria que responder mais coisas. E provavelmente me irritar com ele querendo que eu seja uma boa bruxinha inofensiva que prefere ser lixada a ferir o próximo. Perguntei-lhe:
– Como está minha família?
– Desde a morte do barão, Verbena está dedicada única e exclusivamente ao conselho de magia...
– Como assim dedicada?
– Ela estava protegendo Andreas e tentando achar uma saída para te libertar de ter os poderes anulados. Depois que você fugiu, as coisas se complicaram mais. Oods estão caçando abertamente nas mediações de Ferrara, fadas estão escapando do Mundo da Magia e infestando este lado, e não é apenas pela região. Há relatos vindos de outros países.
– Como sabe disso? – o interrompi
– Minha mãe ainda é membro regional do conselho de magia. O problema das fadas tem obrigado bruxas usar abertamente feitiços protetores e ervas especificas para mantê-las afastadas e isso se tornou assunto da hora do jantar lá em casa.
– Ah! E Verbena?
– Certo! Verbena, ao que parece o Alto Conselheiro a recrutou como assistente pessoal. Eles são vistos juntos em quase todo lugar. O conselheiro-mor conseguiu proteção permanente para sua família, embora Verbena tenha me escrito, dizendo que não era proteção, era vigilância. Estão apenas á espera de uma aparição sua.
– Então Verbena sabia que iam ser vigiados? Por que ela não recusou?
– Claro, ela recusa uma oferta de “segurança” vinda direto do conselheiro-mor e todos nós, amigos e familiares de Morticia Belaya seriamos considerados inimigos públicos.
Concordei, estavam certos.
– E os outros? Meg, Margo, Cisor, meus sobrinhos.
– Narciso, não sei dizer se esta noivo ou planeja noivar com aquela garota cega que você salvou.
– Como não sabe dizer?
– Eu não tenho falado muito com eles, nos últimos dias. Mas da última vez que me encontrei com Meg no clube ela havia mencionado algo sobre o irmão estar namorando a filha do patrão, Valentina ou Valentine, e talvez ele ficaria noivo e se esqueceria que ela devia se casar.
– É a cara da Meg, esperar que os outros tenham problemas que a distraiam dos seus problemas.
– Disse bem, ela conseguiu adiar o casamento enquanto tivesse todo esse problema de você estar sendo caçada pelo conselho. Pelo menos até que tenham certeza de alguma coisa mais concreta, ela não irá se casar.
– Não sei quem é o sortudo nesse caso, Edwin ou Meg.
Leonel riu.
– E Margo? Ela então já sabe sobre o que eu fiz?
– Sabe. Eu estava lá no dia em que Narciso explicou á ela e a Meg o que havia exatamente acontecido com você. No dia depois de sua fuga. Margarida havia surtado, como assim você uma assassina? Você que morava em um convento. Mas depois que o conselho passou a vigiar á todos nós ela abriu mão das acusações sobre sua sanidade e convenceu Narciso que estavam sendo vigiados e que devíamos tomar cuidado com qualquer chance de te encontrar.
– Para. Margo? Não foi Verbena quem disse que estavam sendo vigiados?
– Verby me escreveu para avisar-me. Quem suspeitou de toda boa vontade foi a Margarida, principalmente quando ela soube que o filho era um bruxo e o interesse do conselho em protegê-lo.
– Margarida já sabe?
– Como ela descobriu não sei. Um dia ela te acusava de ser perigosa e de ter transformado a vida da família em um pesadelo, no outro dia ela estava te defendendo como se você fosse a pessoa mais inocente e inofensiva do mundo. Ela sabia que o filho era um bruxo e sabia sobre uma maldição que está em sua família á três séculos. De qualquer modo ela convenceu Narciso de que você era apenas um perigo á si mesma, e Narciso á ajudou a convencer as irmãs, Verbena me escreveu então dizendo para tomar cuidado.
Minha cabeça viajou com as informações, me lembrei dos olhos-alaranjados-brilhantes na floresta me explicando sobre minha família estar sendo vigiada, sobre o feitiço que impedia os homens da família serem bruxos. Ele acreditava que era por causa do meu sobrinho que estavam determinados a se livrarem de mim, se fizesse Margarida entender que o filho estava em perigo... É admito que devo alguns agradecimentos á ele.
– Que mais? E meus sobrinhos? E meus cunhados? Como estão reagindo á novidade?
– Andreas está bem protegido com o amuleto que fez para ele, na verdade um Ood foi queimado pelo amuleto apenas em tocar em Andreas.
– Não creio! O que aconteceu? Quando foi isso?
– Lembra-se daquele período quem que Verbena não havia ido te visitar na clinica? – assenti – Os irmãos Oods haviam tentado pegar Andreas quando ele e Dayse estavam brincando. Segundo o que Andreas explicou para Verbena, quando o ood o segurou, o amuleto que você fez brilhou azul. E o ood mudou de aparência humana para sua forma natural e começou a se contorcer enquanto sua mão queimava com fogo azul e preto. Andreas e Dayse correram sem olhar para trás e não souberam dizer o que aconteceu depois, de qualquer modo Verbena fez um feitiço para proteger os sobrinhos e acabou sendo atraída pelos oods.
Me lembro disso. Então fora isso que acontecera com Andreas.
– E Dave, como ele está reagindo ao filho bruxo.
– Acho que ele não sabe, mas se saber deve estar reagindo bem. Afinal ele se casou com Margarida, certo?
Ri, sempre me perguntei como alguém tímido e reservado como David pode ter se casado com a tormenta que é minha irmã mais velha.
– Mas e você, Mort? Quem está te ajudando?
– Me ajudando?
– Ora vamos, Mort. Você conseguiu escapar do sanatório quando estava amarrada, por que os enfermeiros te amarraram depois que você teve um acesso de raiva. Depois aquela demonstração de bruxaria em praça pública, a tempestade negra tudo bem você fazer sozinha, mas a conexão de fogo e aquele pombo gigante? Manter tudo aquilo sozinha é impossível. Com quem foi que você se envolveu?
– Com ninguém.
– Está mentindo, Mort. Eu sei que há um bruxo que te ajuda. Verbena mencionou uma carta escrita por alguém que te ajudava.
– Que carta?
– Uma entregue quando você estava no hospital, sem assinatura.
– Ah! sim, ele foi o responsável pelo pombo e pela falsa tempestade. Mas não somos amigos ou aliados ou qualquer coisa do gênero.
Leonel me olhou com desconfiança em silêncio por um longo tempo. Me chamou de mentirosa e disse que tinha que ir, estava ficando tarde e já deviam ter notado sua ausência, perguntou-me se queria algo mais. Pedi-lhe roupas.
– Os vestidos de minha mãe não lhe servem Mort. Você é pequena e magra demais.
– Você não é muito maior que eu, Leo. Se ainda tiver alguma roupa velha daquelas que não te caibam mais...
– Vai se vestir de homem?
– Nas minhas atuais condições, não tenho muitas escolhas.
Leonel me avaliou, reclamou sobre minha aparência desleixada e saiu. Decidi o que eu ia fazer. Assumi a forma de gato e muitas horas depois Leo retornou. Zombou sobre como eu usaria as roupas na forma de um gato, conversamos um pouco mais sobre o que havia acontecido nos últimos dois dias. Em resumo, o conselho de magia e a inquisição tinha um novo passatempo, interrogar as prostitutas de Ferrara em busca de alguém que soubesse algo sobre mim. Ao que entendi, pela compreensão dele, Serafina tivera a mente confundida, pois ela tinha certeza que eu me chamava Luna, que era uma ladra fugitiva que havia lhe pedido abrigo. Considerando que os bruxos usaram soro da verdade para interroga-la e não descobriram uma verdade mínima...
Leo também me disse que meus irmãos estavam apreensivos, mais pelo fato de alguém saber que eu sou bruxa e colocar a família em perigo diante da inquisição que pelo fato de poder ser pega pelo conselho. Mas não os culpo, o conselho não vai me pegar. Leonel foi embora, estava novamente de bom humor. Tinha prometido me levar algo doce na manha seguinte. Uma pena, não gosto de ter que fazer isso com ele, mas é preciso. Ao me transformar novamente em humana, as sombras me despertaram. Me troquei, e usando uma pedra risquei na parede:
“Ela estará segura entre nós”
Leonel achava que eu tinha recebido ajuda de alguém para fugir antes, era melhor que ele continuasse pensando assim. Faria bem para a consciência dele saber que eu não estava agindo sozinha, ficaria pior se ele imaginasse que as sombras ainda me serviam. Vestida de homem e com uma ligeira ideia do que fazer, invoquei as sombras. Pedi-lhes que me levassem para o bruxo de olhos flamejantes, ele me devia algumas respostas.
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