Um Novo Motoqueiro Fantasma
3 Capítulo 2 – No corredor da morte
Notas iniciais
Acho que você mais ou menos deve saber como é caminhar para o corredor da morte, certo? Eu vivi isso alguns dias antes daquele cara aparecer pra mim e tudo mais, mas isso não vem ao caso.
A sra. Cahi foi na minha frente e enquanto passávamos pelo corredor, os alunos saíram da sala de aula e ficavam me olhando. Alguns assustados, outros de cara fechada, alguns me olhando torto e cochichando... Cheguei a ouvir as amigas da Marie sussurrem algumas coisas:
— ...bateu no Cara de Porco!
— Quando, amiga?
— Hoje! Antes de começar a aula.
— Mentira!
— É sério, amiga! A Marie é apaixonada por ele.
— Hmm... Pelo menos gostoso ele é.
— Amiga!
— O que foi? É verdade! Quem me dera ter um cara delicioso como el...
Eu poderia jurar que fiquei vermelho quando uma delas disse que eu era gostoso. Tipo, eu não era gostoso naquela época! Acho que elas estava falando da Marie e não de mim. Porque a Marie que é uma gos... Esqueça isso.
Voltando...
Enquanto todos me olhavam, de alguma forma meu ego se elevou e eu comecei a andar de cabeça erguida, com os punhos fechados, com um leve sorriso no rosto e, de vez em quando, eu passava a mão no meu cabelo (o que de fato parecia meio gay).
Quando chegamos a sala da sra. Cahi ela me mandou sentar e eu obedeci.
Me sentei já prevendo o pior, por isso me sentei preparado para correr e pular a janela que tinha atrás da mesa dela.
Ela se sentou pouco depois de mim e me olhou de cara feia (Sim, uma cara mais feia do que ela tem) e ficou me encarando. Aquilo me deixou sem jeito e eu senti que comecei a suar frio.
— Ora, vamos, sr. Stewart! — ela disse quebrando e voltando ao “normal”, o que me deixou mais calmo.
— Vamos aonde? — perguntei.
— Por que bateu no Martin? — ela perguntou colocando as mãos sobre a mesa.
— Quem? — perguntei fingindo não saber.
— Ora, não se faça de idiota, Cam! — ela disse se confortando em sua cadeira e me olhando com cara de cachorrinho molhado — Você bateu no aluno que todos têm medo.
— Só porque ele é gordo e se veste como um louco não significa que eu tenha medo dele. — respondi sem pensar.
Ele ergueu as duas sobrancelhas e sorriu.
— Então não tem medo dele, Stewart? — ela me perguntou com um tom de que estava me desafiando.
— Não tenho, sra. Cahi. — respondi com firmeza — E poderia ter batido ainda mais nele se a sala dos zeladores fosse quebrada. — respondi sem medo — Poderia bater em qualquer um para defender a Marie!
Ela sorriu ainda mais e entendeu os meus motivos.
— Tudo isso é amor, Stewart?
O quê?
— O quê? — perguntei assustado.
— Então é por isso que saiu fogo da sua mão quando deu aquele super soco no Martin? — ela respondeu fechando a cara.
Fiquei ainda mais assustado, olhei para os dois lados e segurei firme nos braços da cadeira.
— Fogo? — perguntei estranhando aquilo — Do... do que a sra. está falando afinal? — supliquei.
Ela me encarou mais um pouco e depois disse:
— Tudo bem. Está liberado.
Eu me levantei e fui em direção à porta.
— Tome cuidado com Blackheart. — ela disse — Ele virá atrás de você.
— Eu já o matei — respondi com uma voz grossa e retorcida e olhando por cima do meu ombro direito e saí da sala.
Saí caminhando como se nada estivesse acontecendo e vi muitas pessoas me olhando assustadas. Eu olhei para elas e estranhei o porquê de elas estarem assustadas. Fui em direção a elas e rapidamente elas se afastaram. Esqueci tudo aquilo e fui atrás da minha moto.
☠☠☠
Eu sabia que estava agindo inconscientemente, mas eu não conseguia controlar aquela coisa. E-eu não sei o que era, mas... aquilo estava me deixando doido!
Depois que a sra. Cahi falou de um tal de “Blackheart” aquela coisa ou seja lá o que for tomou conta de mim!
Espere: Blackheart? Não é aquele anjo caído da lenda que meus pais me contavam quando eu era criança? Daquela que tinha um tal de Johnny Bla...
Meu Deus! O que foi que eu fiz? Por que eu fechei um pacto com aquele cara?, eu pensava tentando me libertar.
— Cameron. — uma voz grave e retorcida chamava meu nome — Cameron. — a voz continuava chamando. Eu tentava gritar por socorro, mas não adiantava — Venha, Cameron. — a voz dizia tentando me seduzir — Temos muito que conversar. — a voz disse novamente e em seguida veio uma risada maligna.
NÃO VOU ATRÁS DE VOCÊ, MEPHISTOPHELES, que queria responder, mas aquela coisa era mais forte que eu.
À partir daquele momento, eu não me lembro de mais nada.
☠☠☠
Acordei com muita dor de cabeça e estava morrendo de sede. Eu estava fraco, sem forças até para falar ao menos para respirar.
— Água. — consegui dizer aos gemidos — Água! — supliquei.
Eu senti que alguém olhou para mim e tocou em minha testa com as costas de uma das suas mãos. Rapidamente chamou alguém:
— Johnny! Hey! Johnny, traga água para o rapaz aqui.
Rapidamente ele trouxe água e o homem que estava me observando me deu água cuidadosamente para eu não me afogar.
Eu dormi mais um tempo e depois eu acordei. Mas dessa vez não era a mesma pessoa que estava me observando. Era outro homem. E seus olhos me pareciam familiares.
— Onde estou? — perguntei ainda com um pouco de sono e dor no corpo.
— Você está na Igreja de São Miguel, garoto.
Igreja de São Miguel...
— Quem é você? — perguntei confuso.
— Eu sou Johnny Blaze. — ele respondeu olhando para o chão com um sorriso no rosto e depois voltou o olhar para mim — Eu sou o Motoqueiro Fantasma.
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