Um Novo Futuro
33 Atacados
Notas iniciais
A viagem seguia em um ritmo lento, o veículo que arranjaram não era tão rápido. A essa altura já haviam passado na cidade mais próxima e conseguido muitos remédios e analgésicos. Jennie estava imensamente feliz pois se mostrara extremamente útil na missão, graças a ela conseguiram muitos remédios. Marcus sentia-se satisfeito por ter conseguido proteger Jennie durante toda missão. Na verdade, o perigo parecia ter dado uma trégua, pois não tiveram que enfrentar muitos zumbis, mas, ainda assim, eles estavam presentes, como se fossem um lembrete de que o mundo ainda estava morto. Jennie olhava pela janela e via a paisagem que um dia fora bela e hoje não passava de um monte de resquícios do que outrora fora uma bela floresta daquela cidade.
– Parece feliz...- Disse o dono de uma voz que Jennie queria ouvir.
– Eu estou. Nem acredito que finalmente vamos nos livrar dessa crise! As pessoas vão ser curadas...Além do mais, estamos indo pra casa. Isso não é bom?
– É, é sim. O que quer fazer quando chegar? — Perguntou ele.
– Vou correr para o hospital e contar as boas notícias, depois vou ajudar no tratamento de todos que estão doentes. E você, Marcus, o que vai fazer?
– Eu? Bom, eu vou me preparar para ir em outra missão...- Disse olhando a paisagem que passava. Jennie parou de sorrir.
– Marcus?
– Sim?
– Não acha que deveria dar um tempo com essas missões? É que, você passa mais tempo fora do Refúgio do que dentro. É perigoso, sabia?
Ele riu.
– É claro que eu sei, Jennie. Mas, se não fosse essas missões, o Refúgio seria entediante. Além do mais, se eu não fosse da equipe, eu nunca teria achado você, Joe e Hayley...
– Bom, isso é verdade...Mas, porque não abre mão de pelo menos uma ou duas missões só pra descansar?
– Não sei...Depois que perdi todas as pessoas que eu conhecia e que amava, as missões tem sido minha maior distração. Mas, mesmo assim, não consigo esquecer.
– Não tente.
– Por que não? Se eu esquecer, vai ser mais simples, não é?
– Não. E sabe por quê?
Ele balançou a cabeça.
– Porque você estiver sempre lembrando do que aconteceu, vai começar a se conformar...
– Sério?
– Sim. — ela respondeu.
– Então, obrigado pelo conselho.
– De nad...- Jennie fora interrompida, quando, subitamente viu tudo girar. Sentiu o corpo sendo arremessado em alguma direção que não fazia a menor ideia de qual era. Não soube exatamente quanto tempo durou até que tudo parou.
Silêncio, era só o que havia.
Jennie sentia seu corpo extremamente dolorido. Abriu os olhos e percebeu que sua visão estava embaçada, mas que aos poucos começou a se normalizar. Sua cabeça doía, mas não tinha forças para erguer a mão. Sentiu alguma coisa tocando em seu ombro.
– Jennie! — Era a voz dele, parecia cansada e ao mesmo tempo preocupada.. — Jennie, você está bem?
– S-sim...- respondeu fracamente, ele começou a erguê-la.
– Temos que correr!
– O q-que aconteceu?
– O carro capotou.
E foi só então que Jennie percebeu. Estava e meio a escombros e alguma ferragem do veículo.
– Marcus!
– Derek! Você está bem? — Perguntou Marcus à Derek, o motorista do veículo em que estavam.
– Sim, temos que sair daqui, os Rebeldes estão atacando! Eu os vi antes do carro capotar...- Disse Derek saindo do meio das ferragens do veículo.
– Merda...
– Quem são esses rebeldes, Marcus? — Perguntou Jennie extremamente confusa. Marcus ponderou antes de responder.
– São pessoas que querem tomar o Refúgio, vamos logo! Temos que sair daqui antes que eles nos encontrem!
Apesar de estar com dores, Jennie usou todo o esforço que lhe restava para sair de dentro do veículo destroçado. Marcus e Derek saíram logo depois. De olhos arregalados, Jennie vira o estado em que o carro se encontrava. Haviam ferragens por todos os lados e o que sobrara do veículo estava amassado. Agradeceu por estar viva.
– Vamos Jennie. — Disse Marcus segurando-a levemente pelos ombros. Foi só então que Jennie percebeu, ele estava com a perna ferida e mancava.
– Marcus, você está ferido, temos que parar!
– Não há necessidade, temos que correr para o Refúgio.
– Mas...
– Jennie, por favor, vamos.
Continuaram caminhando. Jennie estava cada vez mais assustada. Onde foi parar o outro carro que os estava acompanhando? Será que eles haviam conseguido voltar para o Refúgio? Ou haviam sido atacados igual a eles? Ela não tinha quaisquer respostas e aquilo a deixa maluca.
Finalmente chegaram na avenida onde estavam antes do ataque. Marcus mal estava conseguindo andar, mas não pensava em desistir. Precisava levar Jennie até o Refúgio, prometera a Joe que ela chegaria a salvo em casa. Derek permanecia atento. Sua cabeça doía e havia sangue escorrendo por seu rosto, estava levemente zonzo. Jennie sentia o corpo dolorido, sabia que logo ficaria cheia de hematomas, porém agradecia por não ter conseguido nenhum outro dano grave.
Continuavam andando pela rua abandonada, completamente a mercê de qualquer perigo. Marcus andava na frente, havia uma pistola em sua mão, provavelmente estava guardada para casos de emergência como este. Jennie andava no meio sem qualquer tipo de arma e Derek encontrou um pedaço de madeira que poderia ser útil para deter zumbis. O tempo parecia passar devagar. Jennie não via a hora de chegar em casa, estava assustada.
Pararam abruptamente quando escutaram um barulho. Barulho de tiros.
– É melhor ficarem quietinhos se não quiserem ser metralhados!!! — Gritou um homem de aparência ameaçadora. Parecia ter por volta dos 40 anos, era alto, esguio, seus cabelos eram negros e seus olhos eram da mesma cor. Havia algo naqueles olhos, algo que fez Jennie congelar. Algo perigoso...
– Droga. — Praguejou Derek.
– Jennie, fica atrás de mim e não faça nada. Entendeu? — Sussurrou Marcus sem tirar os olhos do homem a nossa frente.
Jennie não respondeu, apenas caminhou lentamente e ficou atrás de Marcus. Seu coração estava disparado. Ela tremia. Só queria ir para sua casa.
– George Campbell...- Disse Derek, quebrando o silêncio constrangedor que ali se instalava.
– Você o conhece, Derek? — sussurrou Marcus.
– Ele tentou entrar no refúgio há alguns meses. Foi ele que começou com a ideia de querer tomar nossa fortaleza.
– O que!? Então...Ele é....
– Sim...George Campbell é o Líder dos Rebeldes.
Marcus arregalou os olhos. Jennie congelou, algo lhe dizia, bem no fundo de seu coração que o que estava por vir não era nada bom. Mas sabia de uma coisa, precisava ser forte. Respirou fundo e fez uma algo que jamais teve coragem... Segurou a mão de Marcus. Nenhum dos dois reagiram ao toque, apenas entrelaçaram seus dedos e se preparam para qualquer perigo que viesse pela frente.
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