Um Novo Final
41 Capítulo 41
Notas iniciais
Gente, me desculpem, por favor (um milhão de vezes) eu ainda não ter respondido os comentários. É que entre tudo o que eu estou fazendo na Liga dos betas, Nyah, mais betagens, mais escrita, mais vida, mais trabalho, enfim, me consumiu muito nesse último mês. Mas em breve, espero, depois de 5a feira agora, eu poder colocar minha vida em dia.
Nesse cap, Betty e Armando resolvendo as últimas pendências e dando início a um novo caminho. É nossa fic entrando na reta final, ainda que eu tenha muita coisa planejada. Nossa, muita xD.
Bjo, minhas lindas. Tão lindo ver que depois de tanto tempo, pessoal começou a ler essa fic. Ela, que estava tão parada, volta depois de tanto incentivo =). Obrigada =D
Depois de percorrer umas cinco delegacias, Armando finalmente encontrou Betty. Ela estava sentada em uma espécie de recepção, acompanhada ainda do casal que a socorrera. Betty tremia ligeiramente, os ombros encurvados, os braços enrolados em si mesma.
- Mi amor! – Armando avançou para ela abraçando-a com força, mas se separando logo em seguida, com medo de estar lastimando-a. – Eles te feriram? Eles fizeram alguma coisa?
Betty negou com a cabeça baixa. Ela abandonou-se em Armando e sentiu todas as suas forças esvaírem de uma vez:
- Eu quero ir para o hotel... – foi o que ela conseguiu dizer antes de apagar totalmente nos braços dele que a segurou com força.
- Ela deve estar em choque, e com toda a razão – a moça disse, trazendo Armando à realidade. – Oh, ela deixou cair isso... – ela voltou a dizer, entregando-lhe o boletim de ocorrência.
- Oh, sim, vocês a ajudaram, certo? — Armando pegou o papel e apertou a mão de ambos. — Muito obrigado! O que posso fazer para recompensar vocês?
- Não, nada, que isso... – o homem disse. – Acho que não ficando com uma péssima imagem dos venezuelanos, isso já nos deixaria bastante felizes e recompensados.
- Mas, por favor, me deixa pelo menos pagar um jantar para vocês dois, vocês são casados?
- Não, não ainda... – a moça disse.
Armando tateou o bolso do paletó e tirou um bolo de dólares que ofereceu ao casal.
- Mas isso é muito dinheiro! – a moça voltou a dizer, estupefata.
- Nada poderá pagar vocês terem salvado a vida dela... Por favor, aceitem.
Ele colocou o dinheiro desajeitadamente na mão deles e saiu da delegacia carregando Betty no colo. Não via a hora de sair dali de uma vez por todas.
***
Armando subiu ao quarto e colocou-a na cama. Ela parecia ter um pouco de febre. Justo hoje, em um dia tão importante, isso teve de acontecer! Maldita seja! Quis chutar qualquer coisa que se encontrava na sua frente, mas, com medo de despertá-la, reprimiu sua raiva. Voltou-se para ela, sentando-se ao seu lado e agarrando sua mão. Sentiu Betty apertá-la forte, mas ela ainda dormia. Ele simplesmente se odiou por não estar ali, para protegê-la. Mas como isso tinha acontecido, no final das contas? Ela estava relativamente longe do hotel, e ali não parecia ter havido qualquer alteração. Onde Betty estava quando tudo isso se passou?
Ele, lembrando-se do boletim de ocorrências, tirou-o do bolso e o leu... Av. Rio de Janeiro?! Ele arregalou os olhos e procurou a hora com nervosismo. Será que...?! Não, não era possível que ela... Não. Betty não era Marcela, muito pelo contrário, estava no seu extremo oposto. Mas...?
Ela acordou umas duas horas depois, sacudindo-se na cama em pesadelo:
- Está tudo bem, Betty... Eu estou aqui – Armando praticamente não se havia movido dali, segurando sua mão o tempo todo.
Ela sentou-se na cama, passando a mão pelos cabelos:
- Foi horrível, Armando... – disse, buscando-o com os braços e o envolvendo em um abraço apertado.
- Oh, mi amor, não pensa mais nisso, já passou e não houve maiores danos...
- Sim, sim, eu sei... Mas vai ser difícil me livrar dessa sensação de impotência perante essas situações... Parece que a gente é feito de papel, e a qualquer hora podemos nos desmanchar... Eu tive um medo primitivo, algo que não conhecia...
- Oh, mi Betty, por favor! Ninguém nunca está preparado para algo assim!
Armando se ajeitou na cama, fazendo com que ela se aninhasse em seu peito:
- Mas, mi amor, o boletim de ocorrência diz que foi na altura da Av. Rio de Janeiro, o que você estava fazendo lá? – as palavras saltaram de sua boca, assustando até a si próprio. Não era bem isso que ele queria dizer, e tampouco era o mais conveniente ao momento. No entanto não sabia esconder seus incômodos, e de repente aquele estava grande demais, mais do que devia estar.
Betty, em resposta, se encolheu na cama e permaneceu em silêncio, o que fez com que Armando continuasse:
- Você... estava me seguindo, Beatriz?
- Você estava a essa hora nesse lugar? – Betty disse, encarando-o finalmente.
Armando não sabia se estranhava totalmente esse comentário, se se preocupava com ele, ou se achava divertido o tom acusador no olhar Betty, misturado a toda aquela culpa.
- Sério que você estava me seguindo, Beatriz? – ele disse, mais orgulhoso do que gostaria. Que raio de sentimento era esse? Ele odiava quando Marcela tinha essas ideias absurdas! Mas, Betty, tão sensata e equilibrada...
- Eu não te segui! E não teria feito nada de nada se você não tivesse mentido para mim! – ela confessou, voltando a se enrolar em si mesma na cama. Era por culpa dele mesmo que tudo aquilo lhe tinha acontecido!
- Oh, mi amor... Eu sinto muito, sinto mesmo! – Armando deitou-se ao seu lado, abraçando-a por trás. – Eu não devia ter feito isso, Betty, me perdoa...
- Eu não segui você... – ela voltou a dizer. – Eu estava voltando para o quarto, para pegar uma revista onde tinha visto um penteado que me pareceu bonito, porque estava difícil convencer o cabeleireiro de que eu queria algo simples. Então vi você saindo com ela... Ah, Armando! De todas essas mulheres com quem você já saiu, nenhuma é como a Alejandra...
- Perdão?
Betty o ignorou:
- Então, em um ímpeto, realmente, fui atrás de vocês. Mas, ali, na altura daquela avenida, não sei, me senti tão ridícula, tão estúpida, que a única coisa em que eu consegui pensar foi que eu não era a Dona Marcela... Aquilo começou a me dar um ataque de pânico, então pedi ao taxista que parasse e desci, simplesmente.
- E o taxista deixou você descer?!?! Eu vou processar esse idiota!!!! Ele não vai dirigir nada pelos próximos cinquenta anos!!!
- Ele me avisou, mas eu não escutei... Só vi... Ah, não quero mais falar disso... – Betty tapou a cabeça com o cobertor. – Mas, por que, Armando? Por que sair com a Alejandra às escondidas?
Armando se lembrou da conversa que tivera com ela na cafeteria, da despedida... Se Betty o estivesse olhando, teria reparado no seu semblante fechado rememorando tudo aquilo. Mas teria doído mais, sem sombra de dúvida...
- Eu queria te fazer uma surpresa – ele disse somente. O resto apenas interessava a si mesmo e a Alejandra, e ele queria preservar aquele momento. – E como sempre fico inseguro diante de tudo que envolve você, mi amor, eu pedi a ajuda a ela... Mas, nem pude concluir meu plano por tudo isso o que aconteceu, eu sinto muito... Não queria te fazer ficar tão insegura. Alejandra não significa nada para mim, mi amor. Uma boa amiga, sem dúvidas, mas nada além disso.
- Alejandra é uma mulher maravilhosa, Armando. Não tem como uma pessoa ficar alheio a ela.
- Betty, por Deus! Para com isso! Eu não tenho nada com ela, nunca tive! Quando eu vim para a Venezuela da primeira vez eu estava transtornado e ela me ofereceu equilíbrio, me ofereceu calma, mas eu tinha meus pensamentos todos voltados para você! Eu fiquei esse tempo todo aqui falando de você e tentando acalmar minhas confusões para me aproximar daquele Armando que você tinha idealizado na sua cabeça, a pessoa perfeita, até mesmo pra ter condições de competir com aquele francês maldito, meu deus! Ele, sim, me parecia a pessoa perfeita! Até meus pais elogiaram aquele desgraçado esses tempos!
- Michel foi apenas um bom amigo, Armando...
- E Alejandra apenas foi uma boa amiga...
- Foi? – Betty finalmente se virou para ele.
- Foi, mi amor, hoje em dia somos o quê? Apenas conhecidos, apenas parceiros de negócios. Isso ficou muito claro hoje principalmente.
- Por quê?
- Porque... nossos caminhos são apenas nossos, mi amor. Temos que aceitar isso. E a única pessoa que eu não posso aceitar que trilhe um caminho diferente do meu, é você.
- Oh, Armando... – Betty colou-se a ele, beijando-o docemente. – Eu te amo.
- Eu também te amo, mi Betty, mais que tudo.
- E qual era a surpresa?
Ele se assustou pela mudança brusca de assunto:
- Não seja sem graça... Nem pude fazer o que eu queria...
- Ah, não seja sem graça, você... Preciso de algo bom depois de todos esses acontecimentos, conte-me...
- Não é possível eu fazer isso, assim, sem nada...
Betty começava a se divertir com aquela situação:
- Sem nada? Estamos aqui, eu e você, os mais importantes. Diga-me.
- Você sabe que se eu fizer isso, você estará estragando um grande momento.
- Sério? – ela estava mais curiosa ainda. – Então, por minha conta e risco, pode me dizer...
Armando engoliu seco, a cena que ele planejara tão meticulosamente perdeu todo o glamour ali. Ele trouxe a mão dela para seu peito, para acalmar as próprias batidas do seu coração que galopava naquele instante e sorriu:
- Mi amor, você sabe que eu te amo mais do que tudo nessa vida. Você me salvou de mim mesmo... Como foi muito bem dito, você se vingou do vilão da nossa história transformando-o em mocinho... Essa viagem, apesar dessa última cena lamentável, está sendo a melhor viagem da minha vida, por um lado, porque estou passando o devido tempo contigo, estou dormindo e acordando ao seu lado, tendo você inteira para mim, mas, por outro lado, já antecipo o suplício da volta à Bogotá e não sei se vou saber viver sem seu perfume misturado ao meu, sem sua presença constante colorindo tudo a minha volta, sem essa visão de você adormecendo ao meu lado... E eu não quero mais viver sem ter você 24horas do meu lado... Por isso, Beatriz, eu te pergunto do fundo do meu coração: você quer se casar comigo?... Seria muito mais lindo ter um anel de noivado nesse instante, que eu pudesse...
Ele foi interrompido por um beijo intenso que correspondeu um tanto desajeitado pelo susto com que recebeu a ação. Ao se separarem, viu que Betty tinha os olhos rasos e não parava de sorrir:
- Às vezes você consegue ler o mais fundo da minha alma, e às vezes parece que sequer me conhece. Pra que tanto trabalho, quando você poderia, simplesmente, ter dito essas palavras tão lindas que me deixam tão feliz?
- Ah, Betty, tudo no nosso relacionamento parece tão louco e diferente que, pelo menos uma vez, eu queria fazer as coisas como elas tinham de ser.
- Bom, você vai ter a oportunidade quando tiver que pedir minha mão para o meu pai... Ele ficaria muito bravo se eu chegasse à Bogotá com um anel de noivado dado sem o reconhecimento dele...
Armando sorriu nervoso e estalou os dedos:
- Sim, por um momento eu havia me esquecido de Don Hermes.
Betty sorriu de volta e o beijou de leve:
- Isso me parece ótimo! Você já está se acostumando tanto ao meu pai que simplesmente pode esquecer que ele existe por uns momentos.
- E a senhorita vai me dar uma resposta, Dra. Pinzón? Ou ficarei com a angústia desse intervalo para sempre?
- Oh, mi amor, mil vezes aceito, você sabe disso!
Armando beijou a mão de Betty e em seguida colou seus lábios aos dela:
- Você acaba de fazer essa pobre alma a pessoa mais feliz do mundo, Dra!
- E você a mim, com esse pedido tão lindo... Agora, sem querer ser chata, tenho que correr e muito para ver o andamento do evento de hoje e me arrumar, Armando! Eu preciso de outro banho, pra tirar essas energias ruins, depois de tudo! Mas me sinto forte outra vez, sabendo que você está aqui.
- E sempre estarei, isso é muito mais do que uma promessa... Mas se a senhorita vai tomar banho, dessa vez eu te acompanho e você não pode negar!
Ele pulou a cama, quase arrastando Betty para o banheiro.
Notas finais
BJo, bjo, suas lindas =D
Fale com o autor