Notas iniciais
Genteeeee, mais demorada que tudo, mas... Mais um cap! Waaaa!
Desculpem-me, sério, mas estive realmente cheia de trabalho! Mas priorizei essa fic acima de todas as outras o/ weee.

Quero agradecer a todas as pessoas que me cobraram capítulo, sério! Suas lindas ♥, esse cap só não demorou mais por causa disso. Espero que vocês gostem =D

Bjoo!

Quanto mais se aproximava a hora do evento, mais a ansiedade de Betty aumentava. E isso era visível em cada centímetro de si mesma, desde o maxilar rígido até as mãos fechadas em puro reflexo. Arrumar-se tão cedo e ficar pronta tão rápido só tinha piorado seu estado de ânimo, ela não via nada em que se apegar para que o relógio não a alcançasse e a sufocasse com seus ponteiros. Não tinha dito a Armando, porém seu coração estava apertado, encolhido dentro do seu peito com medo do porvir... Atrás de sua mesa na presidência da Ecomoda, com sua calculadora, estava protegida em uma fortaleza e nada a abalaria, mas, ali, tão bem vestida e maquiada, sentia-se uma fraude... Era inevitável não se sentir sempre assim, com a antiga Betty lhe encarando do outro lado do espelho, mesmo que não houvesse espelho, sussurrando-lhe que quanto maior o sonho, mais vertiginosa a queda.

Armando estava separando a roupa que deveria usar, quando a viu entrando. Ele prendeu o ar por alguns segundos: já estava ficando clichê todas essas surpresas diante de Betty, porém não podia evitar admirá-la. Trajando aquele vestido tomara-que-caia de um rosa antigo bem suave que envolvia e lhe acariciava a pele, cujo tecido leve valsava consigo conforme ela andava, os acessórios dourados adornando seu pescoço e seus pulsos com tamanha delicadeza, ela pairava sobre o ambiente como uma força. Ele teve de agarrar sua mão para senti-la perto de si outra vez, para impedi-la de se desvanecer no ar em miragem:

– Oh, mi amor, você está tão linda! Não sei se fico imensamente feliz ou imensamente enciumado... Não faça isso comigo... Já vejo a infinidade de homens te encarando nessa festa... – Armando disse, trazendo-a para si e beijando-lhe o ombro descoberto, para não tocar em sua maquiagem.

– Está tudo certo mesmo comigo, Armando? Não estou muito arrumada ou pouco arrumada demais?

– Ah, mi Betty, você é sempre a justa medida, nem demais, nem de menos, está perfeita... A senhorita não ouse a sair de perto de mim nesse evento, estamos conversados?

– E você me promete que não vai fazer nenhuma cena nesse evento, Armando, por favor, eu não tenho estrutura para outro incidente como aquele no lançamento da revista...

Armando respirou com dificuldade pela lembrança que lhe atravessou a garganta:

– Prometo, mi amor. Serei um perfeito cavalheiro, não importa o quê.

– E por que você ainda não está arrumado? – ela olhou a hora no relógio em cima da escrivaninha.

– Já resolvemos isso em um minuto, mi vida.

Ele se separou dela beijando-lhe a mão e correu para se vestir. Era esse intervalo que a matava aos poucos. Betty sabia que Armando se arrumava no tempo certo, quem se adiantara foi ela mesma. Mas não sabia se era pior o tempo não passar, e ela ficar presa naquela expectativa pra sempre, ou se era pior o tempo passar, o evento chegar logo e ela ter que encarar todos os seus medos que se tornavam mais palpáveis... E se dividisse isso com Armando? Não, seria injusto, além do que, se ela abrisse a boca e nomeasse tudo aquilo que estava sentindo, poderia tornar tudo mais real.

Leu e releu o discurso escrito no salão, até que escutou batidas na porta do quarto. Era Nicolas:

– Uau, Betty, quem diria, você está muito bonita.

– E você, Nicolas, parecendo um galã de cinema.

Eles foram para se abraçar, mas giraram em seus próprios eixos naquela clássica brincadeira. Terminaram rindo.

– E o cabeção, onde está?

– Armando está terminando de se arrumar.

– Sei. – Nicolas olhou o relógio. – Nós sempre os primeiros da festa, hein?

Betty sorriu:

– Agora pelo menos temos razão de ser, verdade? Estamos aqui a trabalho, no final das contas.

– Pelo menos uma vez não seremos tão inconvenientes – Nicolas riu. – Mas você não me parece bem, Betty, aconteceu alguma coisa?

Betty franziu as sobrancelhas, deixando a máscara cair sem querer. Não tinha nada o que falar, ao mesmo tempo em que precisava dizer o indizível:

– Estou um pouco preocupada, Nicolas, coisa de gente perfeccionista, você sabe.

– Hum, entendi. – Ele foi até o frigobar, pegou uma lata de refrigerante e uns chocolates. – Mas não tem com o que se preocupar, Betty. Andei olhando o plano de ação da empresa e o planejamento financeiro. Não tem como ser melhor. E Alejandra mantém uma estreita relação com o mercado colombiano, o que muito nos favorece. Penso que ela chamou alguns investidores e empresários colombianos para manter a essência da Ecomoda. Esse me parece mais um evento de integração do que realmente uma festa de inauguração. Tenho que admitir que além de linda, Alejandra é realmente uma mulher admirável, ela foi muito cuidadosa com a marca Ecomoda.

Betty entendia que as palavras de Nicolas queriam apenas tranquilizá-la, mas saber que haveria empresários colombianos no evento fez seu medo subir grosso garganta acima. É lógico que seria assim, no entanto, os empresários colombianos sabiam de toda a história melhor do que ninguém... Aquela Betty do outro lado do espelho gritou mais forte, ainda que não houvesse espelho nenhum por ali.

Ainda bem que Armando apareceu nesse exato momento, para tirá-la da avalanche de maus pressentimentos que estava prestes a engoli-la.

– Apesar de me parecer incrivelmente cedo, estou pronto. Vamos? – Ele ofereceu o braço a Betty que o agarrou com mais força do que o esperado. – Tudo bem, Betty?

Ela assentiu rapidamente, sorrindo. Por mais que estivesse tão ansiosa, não podia deixar de contemplar Armando e custar acreditar que estava ali com ele:

– Você está tão lindo...

– Não tanto quanto você, mi amor. – Ele tocou-lhe a mão, percebendo-a gelada. – E nem tão nervoso quanto você, por supuesto¹. – Armando separou-se dela e envolveu suas mãos entre as suas.

Eles se encaminharam em direção. Ainda bem que Armando a segurava pela cintura, do contrário, sairia correndo, tamanha era a intensidade com que seu coração bombeava sangue para todas as suas veias.

Realmente foram quase os primeiros a chegar. Alejandra, que parecia dar as últimas instruções à equipe, os viu e foi correndo cumprimentá-los. Betty a observou como um todo e era impossível não invejá-la por mais que não quisesse e por mais que soubesse o quão boa pessoa ela era. Alejandra usava um vestido azul também tomara-que-caia, mas justo e bem decotado nas costas. Além de desenhar com precisão sua silhueta perfeita, tinha uma abertura até o alto da coxa. O traje possuía um corte simples, porém o bordado em pedraria conferia-lhe sofisticação e elegância. Alejandra sabia exatamente o que tinha de mais bonito e sabia realçá-lo muito bem. Tanto essa constatação quanto o brilho de Alejandra apagou-a por completo em seu vestido rosa que não lhe havia soado tão frio quando o comprara com Catalina.

Ao alcançá-los, Betty notou que Alejandra e Armando se dirigiram um ao outro totalmente desconcertados. Isso a surpreendeu um pouco, o clima do inicio da viagem fora quebrado por completo. A proximidade que eles tiveram no aeroporto e no hotel foi sublimada, como se nunca estivesse existido. Contudo Betty não pôde deixar de se sentir vitoriosa. Aquela era uma prova cabal de que Armando a havia escolhido acima de tudo. Não conseguiu, no entanto, deixar de se sentir culpada pela situação. Ela não queria que Armando tivesse que escolher entre uma coisa e outra e abrir mão de tudo por ela. Não queria ser Dona Marcela... Ai, Deus, mais um pensamento para mata-la de ansiedade ali!

– Tudo bem, Betty? – Alejandra dirigiu-se a ela, finalmente, despertando-a. – Você está muito linda, esse vestido lhe caiu perfeitamente bem.

– Oh, obrigada, Alejandra. Digo-lhe o mesmo.

– Obrigada... Vocês chegaram cedo, presumo que gostaria que eu lhe mostrasse tudo o que tenho planejado para a noite.

Os olhos de Betty brilharam diante da proposta:

– Sim, por favor!

– Eu vou por uma bebida – Armando disse, um tanto sufocado pelo clima que se fazia ali, entre ele e Alejandra.

– Eu vou contigo, Dr Mendoza, aproveito e dou uma olhada no buffet – Nicolas encontrou o pretexto perfeito para fazer o que queria.

Armando revirou os olhos, enquanto beijava a têmpora de Betty levemente, em seguida saiu acompanhado de Nicolas.

Alejandra não poupou Betty de nenhum detalhe a respeito da noite. Mostrou-lhe desde a programação até o menu, a cozinha e a dispensa. Chegou a comentar, inclusive, que estava estragando todas as surpresas, porém confessou que sabia como ela se sentia, porque também era assim. O que deveria ser um elogio, chegou em farpas ao ouvido de Betty, porque era exatamente isso que a tornava tão admirável, ao mesmo tempo em que a intimidava muito mais.

Quando saíram da dispensa, com Betty escutando vários exemplos do plano de ação e de metas da empresa, uma roda de pessoas envolveu Alejandra, deixando-a totalmente de fora. Foi aí que ela viu que tinha demorado muito nesse tour, o que, por um lado, foi muito bom, pois essa sensação de que o tempo avançava não tinha preço. No entanto havia perdido a chegada dos convidados, uma das coisas com as quais ela mais se importava no momento. Queria ver quantos eram os empresários colombianos que estariam presentes, de maneira que pudesse, fosse como fosse, neutralizar qualquer coisa que pudesse ser lançada contra si. Mas era tarde demais, o salão estava lotado de pessoas elegantíssimas e ela sequer podia diferenciar uma da outra. Buscou Armando com os olhos e o viu, quase na outra ponta do salão, sentado à mesa ao lado de Nicolas. Sorriu ao lembrar-se de como ele havia dito que se portaria feito um cavalheiro. Quis mais que nunca estar ao seu lado. Fez um sinal para a Alejandra que tentava, sem sucesso, apresentá-la como presidente da Ecomoda, e saiu dali.

O que era para ser uma caminhada curta, apesar do tamanho do salão, transformou-se em um calvário para Betty.


As notícias que tanto temia chegaram tão rápido quanto os convidados. Conforme ela caminhava, conseguia escutar os comentários, especialmente das senhoras, sobre a incrível ascensão da assistente, sobre o envolvimento amoroso com o antigo presidente mesmo quando ele ainda estava noivo... Todas as pessoas muito curiosas por saber quem ela era. Umas comentavam que a havia visto em fotos, mas, por sorte, não a associavam à mesma pessoa, talvez pelo vestido que trajava e pela maquiagem. Para compensar isso, as pessoas miravam a Armando, quem todos pareciam conhecer muito bem pelas colunas sociais. A mulher que se encaminhasse até ele certamente seria a Beatriz Pinzón.


Betty sentia o ar entrar opaco pelas narinas. Via tudo cada vez mais embaçado, e a caminhada se tornava mais e mais penosa. Ela sentiu o peito contrair-se violentamente, e o lugar girou de uma vez, fazendo com ela pisasse em falso e tombasse. Sentiu que alguém amparou sua queda, e torceu para que fosse Armando, mesmo não estando sequer perto de sua mesa. Porém a face que se desenhou na sua frente foi a do Dr. Millar, de Hilos Rampa.

– Dra. Pinzón, que surpresa, estávamos falando justamente da senhorita! – E todos os olhares foram, aos poucos, se voltando para ela.

Tudo fez sentido naquele momento: era ele a fonte de todas aquelas notícias! Betty não sabia o porquê, e nem queria sabê-lo. Simplesmente queria sair dali para bem longe. Agindo de má-fé ou não, as coisas que ele dissera não eram mentiras... E era isso o que mais doía. Como se julgaria a si mesma se escutasse tudo aquilo?

– Está tudo bem, Dra. Pinzón? – ele a segurou forte pelo punho.

– Solte-me, por favor, senhor Millar...

Mas ele não a soltou, muito pelo contrário, deu-lhe um puxão de leve obrigando-a a dar uns dois passos para perto de si.

– Não nos faça essa desfeita, doutora. Venha sentar-se comigo e com Diana. Há uma infinidade de pessoas querendo te conhecer.

Betty não foi capaz de lhe responder nada. Encarando-o em profundo terror, tanto pelos olhares das pessoas, como pela própria situação do assalto vivida ainda naquele dia, ela sacudiu-se, tentando se desvencilhar dele e saiu correndo em direção à entrada do recinto.

Um burburinho encheu o ambiente. E então houve gritos. Betty só teve tempo de parar e levantar a cabeça, volteando-a na direção dos sons. Nesse mesmo segundo viu e sentiu Armando avançando sobre si e abraçando-a, com todo seu peso:

– O que aquele idiota fez contigo, Beatriz?! Você está bem? – Armando estava totalmente fora de si.

– Armando, o que você... – ela olhou sua mão deslocada. – Oh, meu deus, você o golpeou... Com certeza só piorou tudo...

– Piorei tudo, Betty?! Eu só estava defendendo você daquele idiota! Você deveria me agradecer...

Betty desvencilhou-se dele e sentou-se em um sofá no hall de entrada, apoiando a mão na testa:

– Se já comentavam que você tinha perdido totalmente o rumo por minha causa, agora só tiveram a confirmação...

Armando puxou o punho, colocando-o no lugar, o que o fez gemer alto. Em seguida ele sentou-se ao lado de Betty e disse, olhando pra frente:

– Você realmente está preocupada com o que os outros estão falando da nossa relação, Beatriz? Está preocupada com fofocas?

– Não é “preocupada com fofocas”, Armando. Não são meras fofocas, quem dera se fosse assim... Eu só...

– Sei o que vai dizer, Beatriz, porque é uma tecla na qual você sempre bate. E vou te pedir pra que essa seja a última vez que faça isso. Em primeiro lugar, se eu tivesse maturidade e competência para ter dirigido a Ecomoda, eu não teria metido a empresa naquele buraco. Depois, se eu gostasse de verdade da Marcela, eu jamais teria olhado pra você...

– Não foi bem “olhar” – Betty riu, disfarçando a tristeza que pensar naquilo tudo lhe provocava.

– Não muda de assunto, Beatriz... E foi você quem tirou a empresa do vermelho, seu plano de ação mudou a história da Ecomoda. Eu jamais teria feito nada igual. Tive a oportunidade de fazê-lo e não o fiz. Você não tinha por que fazê-lo e foi lá e fez.

– Mas não é isso...

– Eu sei que não é, mi amor. Mas gostaria de reforçá-lo, para que se lembre de quantos méritos você tem. Sobre nos envolvermos quando eu ainda estava com Marcela, não é como se você tivesse me seduzido, Betty, não é como se você tivesse adentrado a Ecomoda, virado amiga de todo mundo, infiltrado no meu escritório com o propósito de me conquistar. E olha que já tive algumas secretárias assim, creia-me. Eu que fui atrás de você, eu que te seduzi, mi amor... E foi a escolha mais acertada da minha vida. O motivo mais errado, mas a atitude mais correta... Nem eu e nem você podemos controlar o que as pessoas dizem, menos ainda o que elas pensam. Se elas soubessem de tudo por que você passou, de tudo por que passamos, com certeza seus pensamentos seriam diferentes. E todos aqueles que nos acompanharam sabem que você subiu cada degrau da sua carreira e da sua vida por merecimento e à custa de muito sacrifício. Não se esqueça disso. E é essa pessoa que eu quero ver na festa, não a que se dobra perante os comentários alheios, essa pra falar a verdade eu não conheço.

– Oh, Armando... Não me faça chorar – Betty brigava com as lágrimas para não estragar a maquiagem. – Aqui não tenho a Dona Catalina para me ajudar a me recompor...

– Não quero ver você chorando, muito pelo contrário. Vamos? – ele ofereceu-lhe o braço

– E você não se envergonha de ter golpeado o doutor Millar?

– De jeito nenhum. E se ele vier te incomodar de novo, meto-lhe outro soco no nariz.

Betty sorriu, se levantando em seguida.

Segurando o braço de Armando, a Betty que entrava pela segunda vez ao evento, não se parecia em nada com aquela que entrara horas antes.

Notas finais
1 Por supuesto = é uma expressão espanhola que quer dizer "mas é claro, mas é óbvio".

Bjo, minhas lindas