Notas iniciais
GENTE! Tô aqui! Queria muito agradecer vocês, serião, as melhores leitoras de todo planeta, gente linda demais que me mata de emoção *-* Ter gente lendo minha história é lindo, mas ter pessoas como vocês, nossa, é outro nível muito superior. Não ando conseguindo responder os coments (nem conseguindo postar a história, né xD, abafa), mas saiba que vcs tão todas no meu coração ♥ ♥ ♥ ♥ Bjo, suas lindas!

Miguelito simplesmente chegou ao apartamento de Armando e despencou na cama. Tanto ele como Camila ainda estavam sob o mesmo fuso horário europeu, que marcavam 6 horas de diferença. Ela, no entanto, não conseguia dormir: não conseguia se desfazer do abraço de Daniel no aeroporto... e sua lembrança potencializava uma falta que lhe parecia superada há anos, os mesmos materializados na figura do filho...

Daniel parecia o mesmo, como se o tempo tivesse passado só para ela. O olhar agudo e austero possuía os mesmos traços e as mesmas cores desde que o deixara há seis anos, no aeroporto onde vieram a se encontrar, por acaso, se é que havia sido assim. Olhos que ela pintava exaustivamente, como fantasmas que precisava exorcizar e que contrastava com o rapaz que conhecera desde a infância, tão a fundo... Era bizarro, quase incestuoso.

Aninhou Miguel Angel no seu colo e só assim conseguiu dormir.

Despertou três e meia da manhã. Quando saiu dos cobertores em que estava envolvida, sentiu o ar frio de Bogotá perfurando a pele em direção aos ossos. Como podia haver se esquecido disso, umas das coisas que mais a irritava naquela cidade, o ar da noite e da madrugada sempre apavorante, gelado e úmido, como deveria ser o hálito da morte.

Agasalhou-se como pôde e foi para a cozinha preparar um café. Foi engraçado notar como o apartamento de Armando parecia deslocado do que sempre fora. Betty havia trazido algo de si para a casa do irmão de uma maneira muito sutil, porém definitiva.

Armando não demorou muito a despertar. Tinha que ir para a Ecomoda. Notando a luz da cozinha acesa, foi para lá e se deu com a irmã. Não pôde deixar de sorrir.

— Olá, cariño, como você amanheceu? — disse, dando-lhe um beijo na bochecha.

— Pois, bem, dentro do possível. Ainda estou no fuso horário francês.

— E Miguelito?

— Do tanto que esse gosta de dormir e do tanto que sua cama é confortável, creio que demoraremos a vê-lo de pé...

Ela apontou para uma cadeira na cozinha:

— Sente-se aí, preparei um café pra gente.

— Senti o cheiro lá do meu quarto — ele disse enquanto se sentava.

Era estranho tomar café no seu apartamento. Havia meses que só tomava café na casa de Betty, com Don Hermes ruidoso comentando as notícias e com Doña Julia pedindo que ele fosse mais civilizado perto dele. Mas era indescritível estar na presença da irmã, quem ele amava com todas as forças e a quem não via desde que saíra de Bogotá, há seis anos. Camila parecia-lhe um pouco abatida, o que denunciava que a vida não tinha sido muito generosa com ela. Isso irritava Armando de um modo que ele não podia explicar, porque, para ele, a irmã era a melhor pessoa do mundo, mesmo tomando as decisões equivocadas que tomou...

— O que foi, Armando? Você quer me dizer algo?

Ele sacudiu a cabeça, voltando à realidade. Nem havia se dado conta de que a estava encarando tão às claras:

— Oh, não, não. Eu estava aqui te olhando, apenas. Você esteve tão distante esse tempo todo, mas, agora que voltou, parece que vai ser tão ruim quanto da primeira vez ver você embora de novo...

Ela sorriu, para disfarçar a dor da pontada que sentiu no peito: mal chegara e parece que realmente queria ficar.

Foram interrompidos pelo alarme do relógio de Armando, que indicava a necessidade de ele ir-se. Despediu-se da irmã alegando que precisava pegar a Betty e o pai.

— Fala para ele que precisamos combinar um almoço!

Ele acenou que sim, enquanto a porta do elevador se fechava.

Poucos minutos depois o telefone tocou. Camila até pensou que fosse Armando, em busca de algo que havia esquecido?

— Alô?

— Alô, com quem tenho a gentileza de falar? — a voz era enérgica a despeito do tom que usava.

— Camila Mendoza, com quem falo?

— Ahhh, Doña Camila, pois aqui quem fala é Hermes Pinzón, pai da Betty e sogro do Dr. Mendoza. Betty me disse que senhora chegaria ontem, espero que tenha feito boa viagem.

— Ah, sim, bom dia, Don Hermes. Chegamos bem, meu filho e eu. E devo lhe contar que cheguei bastante animada em colocarmos os planos do casamento em ordem para Betty e Armando. Gostaria que o senhor contasse comigo no que puder.

— Muito bom escutar isso, Doña Camila...

— Me chame apenas de Camila, por favor — ela o interrompeu, — afinal, somos quase parentes, verdade?

— Sim, sim — ela escutou a risada de contentamento dele do outro lado da linha. — Imagina que hoje mesmo queria ver um buffet que me recomendaram que sei que são divinos. Se quiser, a senh.... digo, você, pode me acompanhar.

— É uma excelente ideia, Don Hermes, a que horas é sua reunião com esse pessoal?

— Às duas da tarde.

— Seria bom que nos encontrássemos mais cedo, então, para que o senhor me mostrasse suas ideias, o que acha de almoçarmos juntos? Tem um restaurante muito bom e econômico ali pertinho do observatório. Eu o convido, de todos os modos (se ainda houver esse restaurante, porque, bem verdade, estou um pouco desatualizada sobre os pontos da cidade).

— Por ali pelo centro, muito pouca coisa mudou. Eu aceito, sim. Nos vemos, então, ao meio-dia? — Don Hermes jamais aceitaria que ela pagasse o almoço, ainda mais agora que estavam em boa situação financeira, mas era bom ter a garantia de todos os modos...

— Está perfeito!

— Qual o endereço do restaurante, por favor?

Camila franziu as sobrancelhas e no mesmo minuto fulgurou na sua mente a imagem dela e de Daniel esgueirando-se por detrás do observatório, cruzando uma ou duas ruelas para chegar ao restaurante. Não pensara na sua escolha de início, mas era esse o motivo de ter se lembrado justamente daquele lugar.

— Me dá vergonha dizer isso, Don Hermes, mas não sei exatamente onde é. Podemos nos encontrar em frente ao observatório e o guio até lá, o que o senhor acha?

— Não vejo problema por meu lado. Só não tenho certeza se a reconhecerei.

Ela olhou em volta e viu um porta-retrato com Betty e dois senhores. Sem dúvida, Don Hermes era aquele senhor de bigode ao seu lado.

— Estou vendo nesse momento uma foto com o senhor, eu o encontro.

— Muito bom, muito bom... E, por obséquio, o Dr. Mendoza se encontra? Ele sempre busca minha Betty a essa hora, mas ainda não chegou e queria saber o que houve.

— Armando saiu há poucos minutos, um pouco atrasado, mas já deve estar chegando aí. Teusaquillo, verdade?

— Sim, sim... Então só me resta me despedir, Doña Camila, e nos vemos ao meio dia em frente ao observatório.

— Combinado!

— Cuide-se porque o diabo é porco!

Apesar da estranheza que a frase lhe causou, e da risada involuntária que veio depois disso, Camila desligou o telefone com o coração aos pulos.

A imagem que lhe fulgurou agora era impossível de ser apagada.

Suspirou em irritação. Só mesmo Colômbia para impregnar-lhe com esses arroubos descabidos!

************

Quando Armando chegou à casa de Betty, Don Hermes mal deixou que ele se aproximasse da noiva, tão emocionado estava com o fato de ter falado com Camila e, mais que isso, pelo fato de que ela querer se reunir com ele.

— Camila não perde tempo mesmo — Armando disse enquanto tomava a mão de Betty e a beijava.

— Então é ela quem está responsável pelo casamento do lado dos Mendoza?

— Sim, senhor, Don Hermes, o senhor pode falar de absolutamente tudo com ela — ele disse olhando o relógio e virando-se para Betty.

— Mi amor, vamos? Não quero me atrasar.

Virou-se outra vez para Don Hermes:

— Vamos?

— Vocês precisam de mim hoje? Gostaria de ficar aqui e resolver essas questões com Doña Camila.

Com os negócios da Terramoda extintos, o cargo de Don Hermes também havia sido. No entanto, dada sua eficiência, e dada a falta de pessoal que Ecomoda tinha naquele momento, a junta diretiva discutiu e manteve-lhe um cargo de consultor, que se reportava diretamente a Nicolas. Continuavam em família e Doña Julia mantinha sua sanidade, uma vez que para ela, depois que Hermes havia voltado a trabalhar, o ambiente em casa tinha melhorado, e muito.

— Você não vai tomar café, Armando?

— Não, não, Dona Julia, hoje acompanhei minha irmã em casa. Obrigado mesmo assim.

— Está muito certo! Vão com Deus, então!

— Amém! Nos vemos a tarde!

E saíram.

Quando entraram no carro, antes de arrancar para a empresa, Armando fez questão de trazer Betty para si e beijá-la propriamente, de passear as mãos pelo seu corpo, de apertá-lo para senti-lo real e alcançável.

— Pronto, agora podemos ir. — Respirou fundo para controlar a excitação que sentia.

Não era novidade que na frente de Don Hermes, mesmo depois de tanto tempo, ainda se sentia como um adolescente intruso.

Betty sorriu:

— Você não tem jeito mesmo...

— Se você acha que eu não tenho jeito por te beijar assim, nem quero saber se você visse o eu imagino cada vez que te beijo — ele disse, divertido, enquanto arrancava com o carro.

Armando imaginava, dentre outras coisas, uma maneira de escapar com Betty, aproveitando esses raros momentos em que Don Hermes se afastava e que não tinham melhorado absolutamente nada depois do noivado. Muito pelo contrário, o sogro estava sempre cercando fosse para conferir detalhes do casamento, para saber se Doña Margarita havia dito algo sobre a sugestão que ele dera, para entender por que não aceitavam aquilo que ele tinha proposto, etc.

Nessas horas ele desejava como nunca que Betty fosse mais proativa e se preocupasse com isso como uma noiva sempre fazia. Mas depois ele a via resolvendo todos os problemas da empresa com uma maestria que ele mesmo nunca teve e isso o enchia de ternura, a ponto de querer compensá-la organizando tudo ele mesmo. Se conseguisse...

No entanto, mal cruzou a recepção e Mariana já disse que Don Roberto e Doña Margarita estavam na sala de reuniões esperando por ambos. Isso significava que qualquer plano feito tinha ido por água abaixo.

Armando coçou a cabeça.

— Betty, por que mesmo a gente não foge para os Estados Unidos e casa escondido?

****************************

Depois de pedir Aura Maria que checasse sua agenda para o turno da manhã, e depois de a secretária dizer que não havia nada. Betty e Armando foram à sala de reuniões. Cumprimentaram os Mendoza e eles os convidaram a se sentar. Primeiro Don Roberto queria saber alguns dados da empresa, checar documentos, queria indicar um fornecedor e umas modelos para a próxima coleção que encantaram o casal na Itália e poderiam trazer um brilho à Ecomoda. Betty olhou os portfólios, passou a Armando que fez o mesmo e era engraçado notar que depois de tanto tempo parecia bem mais à vontade com o fato de lidar com essas modelos todos os dias. Ali elas a respeitavam, baixavam a cabeça para o que ela dizia e faziam as coisas como propunha. Experimentar esse poder tinha, com certeza, feito com que suas auras tivessem diminuído muito, o que era reconfortante.

Em seguida, Doña Margarita começou a discutir sobre as últimas tendências de acordo com a data que eles deveriam escolher. A sogra já tinha entendido e aceitado um casamento na igreja, como os pais de Betty queriam, mas isso só fez com que ela quisesse esmerar-se ainda mais na parte da festa.

— Você já falou sobre isso com seu pai, Betty? O que ele disse?

Betty não havia dito nada. Depois da ideia do pai em ver os buffets indicados pelos vizinhos do bairro, tudo o que Doña Margarita propunha parecia muito irreal, como aquelas gravuras das revistas Jet Set.

— Ele está analisando tudo, Doña Margarita. Imagino que essa semana deve lhe dar uma resposta.

— Por favor, Beatriz, que não passe dessa semana, sim? Não sei por quanto tempo consigo deixar reservado tudo o que reservei. E finalmente já têm a data?

— Sim, mamãe, a data mais próxima que conseguimos com na Igreja Del Carmen foi para daqui a três meses. Eu sei que parece pouco, mas para mim parece demasiado.

Doña Margarita tentou disfarçar a surpresa:

— E vocês marcaram essa data?

— Ontem mesmo antes de... — ele ia dizer "antes de buscar Camila no aeroporto", mas simplesmente pegou um copo e engoliu com água o resto da frase que viria.

— ... antes da missa das sete horas. — Betty completou, com sua risada característica.

— Eu... nem sei o que dizer... está muito em cima da hora... — Doña Margarita tartamudeava. — Mas farei o meu melhor. Creio que já devemos pensar na lista de convidados, está mais do que urgente isso. Roberto e eu viajaremos a Londres essa semana, mas em quinze dias estaremos de volta. Tirarei esse tempo para compor a lista com amigos importantes e pessoas influentes com quem temos vínculo e lhes farei chegar até o dia do nosso retorno.

Ambos assentiram, mas só escutaram mesmo a parte em que eles iam ficar quinze dias fora, o que significava quinze dias de relativo sossego.

A reunião terminou tomando a manhã toda do casal. Betty teve que ir e voltar inúmeras vezes para resolver problemas e Armando saiu também algumas vezes para atender uns telefonemas importantes com as franquias de Miami e Caracas.

Quando finalmente tudo foi resolvido, já era hora do almoço e os Mendoza convidou Betty e Armando para almoçar.

— No Lenoir? — Armando disse.

— Não, eu gostaria que fosse ali no centro, perto dos Ministérios, porque antes de ir hoje ainda queria me despedir de Daniel.

Notas finais
Já, já eu posto a 2a parte. xD