Notas iniciais
Oi, gente =) Demorei, mas cheguei. Quando Betty e Armando anunciou o casamento, eu queria que viessem mais 3 caps e o final. Não vou conseguir fazer isso XD Enfim. Um beijo, suas lindas, vocês são as melhores! Boa leitura, obrigada por serem lindas ♥

Como um perfeito cavalheiro, Don Hermes chegou pontualmente ao local combinado. Sempre que passava uma jovem bonita, ele ajeitava a postura para mostrar-se tão solícito quanto possível, mas nenhuma delas vinha perguntar-lhe se ele era ele mesmo.

No entanto, chegou a hora marcada, foi-se a hora marcada, e nada de Camila aparecer.

Suspirou. Olhou a avenida tão longe quanto pôde, mas o som de uma buzina, seguido de xingamentos, fez com que ele diferenciasse o carro de Armando, que levava também Don Roberto no banco do passageiro.

****

A família Mendoza vinha conversando assuntos diferentes no carro: enquanto Armando e Don Roberto discutiam sobre o mercado financeiro e as possibilidades para a Ecomoda, Doña Margarita falava para Betty coisas ininteligíveis sobre o casamento, principalmente sobre a escolha do estilista que desenharia seu vestido, sendo que vários já haviam entrado em contato com ela, mas ambas tinham que tomar essa decisão com muito cuidado. Essa declaração fez Betty franzir as sobrancelhas, afinal de contas, como assim "ambas"? E, ainda, se esses estilistas estivessem "puxando o saco", buscando uma oportunidade de se promoverem: a presidente da empresa era ela e não Doña Margarita.

Terminou desviando o olhar para sorrir diante dos seus próprios pensamentos: iria constranger a sogra se comentasse isso em voz alta, e mais ainda se dissesse que tinha pensando em comprar um vestido pronto nas lojas de Bogotá mesmo, afinal, havia tantas. Contudo, estando à frente de uma empresa importante que ditava tendências a respeito da moda na América Latina, não escaparia dessa exigência de ter um vestido exclusivo, nem das mãos desses estilistas.

E foi nesse momento que avistou seu pai parado na calçada, olhando nervoso para todo lado. Lembrou-se na hora dele dizendo de manhã "Camila e eu vamos almoçar no centro". Seu instinto foi apertar os ombros de Armando que parece ter entendido a mensagem, pois ele pisou no acelerador de uma vez e por pouco não bateu do carro da frente.

Don Roberto se preparou para lhe dar uma bronca, mas outra coisa roubou sua atenção:

— Beatriz, aquele ali não é seu pai? Será que ele precisa de carona?

Betty riu do seu jeito característico, um tanto mais exagerado que de costume:

— Acho que ele está bem, Don Roberto, ele tem um compromisso...

— E esse compromisso envolve o casamento? — perguntou Doña Margarita que queria encontrar-se com ele para por um fim nesse leva e traz que não estava ajudando em nada.

— Não, não... — ela voltou a responder.

— Mas passemos a cumprimentá-lo pelo menos, e ver se ele precisa de algo — o sogro voltou a dizer.

Betty e Armando suspiraram no mesmo tom. Talvez, se fossem rápidos, sairiam ilesos daquela situação. Talvez o pai até já tivesse encontrado Camila e estivesse indo embora. A esperança é a última que morre, no final das contas...

— Oh! Don Roberto e Doña Margarita! Que surpresa ver os senhores!

— Tudo bem com o senhor, Don Hermes? — Don Roberto perguntou.

— Oh, tudo bem! Melhor agora. Os senhores também vieram almoçar conosco? Seria muito bom ter as duas famílias reunidas para...

— Ah, papai, — Betty interrompeu, quase passando por cima da sogra. — Don Roberto e Doña Margarita estão indo embora hoje para Londres, não creio que...

****

Se eles houvessem combinado, o timing não teria sido tão perfeito e tão desastroso. Assim que o carro de Armando parou, Camila dobrou a esquina acompanhada do filho. O menino, ao avistar a figura do avô com meia cara para fora do vidro, desvencilhou-se dela, que levou um susto enorme, e saiu correndo em direção ao carro gritando em francês: "papy!, papy!"*.

Doña Margarita, escutando a voz tão familiar, tratou logo de descer do carro para dar-se com o neto de braços abertos pronto a abraçá-la. Um pouco mais atrás, Camila estava parada, em choque. Doña Margarita ficou do mesmo jeito quando os olhos de ambas se encontraram.

Daí foi a vez de Armando descer, "que cruz!", quase matando um motoqueiro que costurava a avenida, e sair correndo atrás da irmã.

— Você e a Betty combinaram isso para eu encontrar com eles? — Camila disse, os olhos em tempestade, rejeitando o toque que Armando oferecia.

— Não foi nada combinado, Camila, pelo amor de Deus...

— Miguel Ângelo! — ela chamou o filho, encerrando a conversa, mas o menino agarrou-se na roupa da avó: "c'est ma mamie! C'est ma mamie!"

— Eu não quero que você fale em francês aqui na Colômbia, e venha já pra cá!

O menino escondeu-se atrás dos avós, atônitos com a surpresa da cena (Don Roberto teve de sair do carro para ter certeza se o que via não era uma miragem).

— Inacreditável, Armando! Eu não acredito que pensei em todas as coisas que pensei quando cheguei aqui, em como seria legal ficar, em arrumar um trabalho, quem sabe uma exposição... quando, na verdade, você e a Beatriz me estavam construindo uma armadilha!

— Camila, a última coisa que eu queria era que nos encontrássemos assim, no meio da rua! Eu não sabia que eles estavam aqui, e estão voltando hoje pra Londres, foi pura coincidência! Mas acho que...

— Posso confiar em você pelo menos pra cuidar do Miguelito? — ela e a mania de interromper os outros quando o assunto não seguia o curso que desejava.

— Pode, claro que pode, e nossos pais...

— Então nos vemos em casa à noite, e quero que você me conte A VERDADE, Armando, A VERDADE!

Disse isso e virou-se nos calcanhares, fazendo o mesmo caminho de volta.

****

Quando Armando retornou, Betty também estava fora do carro, conversando com o pai, tentando fazer com que ele entendesse a situação, mesmo que de maneira superficial. Don Hermes achou melhor, desse modo, retirar-se depois de uma despedida rápida. O clima não estava, de fato, para qualquer tipo de conversa e ele via isso muito bem.

Armando apenas entrou no carro e ligou a ignição. Don Roberto e Doña Margarita ajeitaram Miguelito dentro do carro, entraram logo em seguida, e discaram o numero de Daniel, enquanto o carro finalmente se colocava em marcha.

— Daniel, meu querido, é Margarita. Estou ligando para cancelar nosso almoço, surgiu um contratempo — ela disse enquanto acariciava o cabelo do neto.

E ele, do outro lado da linha, vendo Camila andar esbarrando nas pessoas, dizia-lhe que tudo bem, que marcavam outra hora.

— O que você quer fazer, Miguelito?

— Quero sanduíche e batata frita! — Betty sempre sorria ao escutá-lo falando em espanhol.

— Vamos a um centro comercial, então... — Armando sugeriu.

E nada se falou a respeito do acontecido.

*****

Camila andou cega um tempo, guiada pelos próprios músculos.

Inacreditável! Passara seis anos evitando contato com seus pais porque não suportava olhar para eles sem que toda a história do seu casamento fracassado viesse à tona. Seis anos de combinados com as babás, empregadas (e mesmo com os vizinhos nas épocas mais difíceis) para recebê-los e despachá-los, levar e buscar Miguel Ângelo. Tudo isso, para, no primeiro dia em Bogotá, no primeiro dia!!!, dar de cara com eles no lugar mais improvável da cidade, uma zona em que eles sequer pisavam! Enforcaria Armando assim que o visse mais tarde! Que cruz, meu Deus! Só podia ser carma!

Pisou para atravessar a rua, mas uma buzina gritou-lhe, tirando-a daquele estado e, em seguida, um par de braços a agarrou pela cintura trazendo-a de volta para a calçada.

Quando ela se virou prestes a dar uma bolsada na pessoa que fizera isso, deu de cara com Daniel Valência.

— Não conhecia esses seus impulsos suicidas. É o casamento fracassado? É o... Armando? — ia dizer "filho", mas não queria passar dos limites, não com ela.

Camila teve de piscar várias vezes para fazer o cenário firmar-se no chão de novo.

— Nem uma coisa, nem outra. Acho que é só essa cidade mesmo, o ruído, a desordem...

— E você veio por esses lados por algum motivo além de me seguir?

— E por que você acha que estou te seguindo?

— É um tanto óbvio você caminhar justamente para onde costumávamos nos encontrar — ele disse apontando para poucos metros de onde estavam. — Tão óbvio que parece um pouco forçado, sou obrigado a dizer.

Camila terminou sorrindo. Não devia, mas sorriu assim mesmo. Se estivesse em seu juízo normal, teria percebido que, como ela, Daniel fazia o mesmo trajeto.

— Eu saía de Los Andes e te esperava, então a gente seguia por esse caminho, cruzava o observatório e chegávamos ao restaurante... Bem forçado mesmo, você tem razão. Mas não de propósito. Como você no aeroporto, talvez.

— Talvez — ele respondeu impassível. Não gostava de ficar remoendo essas lembranças. Nostalgia era melindre de gente fraca.

— Já almoçou? — Camila interrompeu suas conjecturas.

Ele ficou um tempo no limiar entre mentir e dizer a verdade, uma coisa forçando a outra, a possibilidade de encerrar aquele encontro e a possibilidade de prolongá-lo, até que meneou a cabeça em negativa. Droga.

— Então eu te pago um almoço. Mas o único lugar que eu conheço, é o nosso lugar de sempre.

— Que seja.

A verdade é que odiava aquele restaurante, tudo muito rústico, muito colombiano, muito pesado. Mas, quando ela o levou lá pela primeira vez, estava tão animada por ter descoberto o local que ele nunca soube falar o que o lugar merecia. Depois, era escondido o suficiente para estar com ela sem se comprometer. E depois acabou se acostumando, talvez até sentido falta... Nunca mais havia retornado. Não fazia o menor sentido.

Ainda não fazia o menor sentido.

Notas finais
Espero que tenha gostado, vou agilizar esse casamento logo kkkkkk