Um Novo Final
50 Capítulo 50
Notas iniciais
— Doutor, eu posso pegar um ônibus, ou pegar um táxi, não se preocupe com isso.
— De maneira nenhuma, Mireya, os taxistas já não são confiáveis, qualquer bogotano sabe disso... Ônibus, então, é impensável! Vamos.
A secretária não insistiria, até porque, além de saber que o chefe ficaria de mau humor se ela o contrariasse, queria muito estar mais um pouco com ele, fosse como fosse. Apertou o anel de noivado no bolso da saia e o seguiu em direção ao elevador. Armando, todavia, no meio do caminho, apalpou os bolsos do paletó e pediu licença para retornar à sua sala, a pegar algo que havia esquecido. Mireya pôde perceber que ele voltara para pegar a caixa do anel. Assustou-se com a possibilidade de que ele voltaria esbravejando — por motivos óbvios — e já criava uma maneira de escapar dali, porém não houve nada, o chefe tão logo retornou, chamou o elevador, batendo ansiosamente o dedo no botão e partiram.
— Por onde mesmo você mora, Mireya? — ele disse, dando partida ao carro.
— Em Las Lomas — a moça respondeu envergonhada, mais ainda quando Armando lhe devolveu um olhar surpreso.
— Mas isso é longíssimo! Em Rafael Uribe, certo?
— Sim, por isso não quis incomodá-lo.
— Não vamos começar com isso de novo... Mas te confesso que nunca cheguei a ir nem perto desse lugar, você consegue me falar as direções?
— Suponho que se o senhor pegar a carrera 25 e descer até a 22, daí ir até a Av. Caracas, em seguida pegar a carrera 10 até a 35Sur...
— Um pouco de cada vez. Chegando aí, você me dá mais instruções.
Armando pôs o carro em movimento e seguiu para a direção indicada. De tempos em tempos olhava Mireya, incomodado. Ela sempre tinha morado ali naquele lugar tão longe? Ela foi sua secretária por tanto tempo e por tantas vezes fizeram serões como aquele, mas no final ele simplesmente saía divertido com Mário ou com alguma mulher que ele convidava para rumbear e Mireya...
Quanto mais o tempo passava, mais o silêncio era perturbador, porque fazia-o ter remorso por essas coisas estranhas, sobre as quais nunca havia pensado. Ligou o som do carro, colocou para tocar as suas canções de sempre:
— One of those things... — Mireya murmurou num meio-sorriso, como se a canção fosse apropriada para o momento.
— Conhece? — Mais uma vez ele estava surpreso, porém ali a surpresa era boa.
E como não conheceria? Naquela época mergulhou em todos os seus gostos, e alguns nem pôde abandonar, no final das contas...
— Prefiro a versão do Sinatra, sempre vou preferir todas as versões dele, mas a da Sarah é bem bonita também.
— Tem a da Ella Fitzgerald também...
— A versão da Ella é mais romântica... Eu gosto da versão da Peggy Lee, tem um jazz mais marcado.
Armando sorriu, mas o incômodo de antes voltou com força. Quem era aquela pessoa a seu lado? O que havia perdido nesses anos em que trabalharam juntos?
— Se você abrir o porta-luvas, eu guardo um porta-cds com as canções de que eu gosto. Fique à vontade para escolher qualquer uma, acho que eu gostaria de saber o que você aprecia.
A viagem até a casa de Mireya durou cerca de 30 minutos. Nesse tempo escutaram o cd que ela escolhera, uma coletânea de canções do Coltrane. Tanto mais agradável era a companhia da moça, mais era insuportável a situação. Se passou esse tempo todo se desculpando com Betty e consigo mesmo pelas coisas que fizera, ali teve uma consciência dolorida de tudo o que havia deixado passar...
— Chegamos, doutor, minha casa é aqui.
Armando distinguiu da noite um casebre quadrado de tijolinhos.
— Obrigada pela carona, de verdade. O senhor sabe como voltar?
Ele acenou positivamente. Precisava saber, porque sairia dali direto para a casa de Betty ou não seria capaz de dormir e levantar no dia seguinte.
A secretária abriu a porta e colocou um pé para fora do carro, mas de repente voltou. Armando sentiu-se aturdido com aquela atitude. Naquele agora, não sabia o que esperar da vida.
— Bom, nem sei como falar isso, mas... Talvez o senhor vá me despedir depois que escutar o que vou dizer... — Ela sorriu, sem graça. — Mas é melhor fazer isso agora que depois e eu não quero atrapalhar nada...
— O que está havendo?
Mireya enfiou a mão no próprio bolso e em seguida levou-a à mão de Armando. Ele sentiu-a trêmula, fria, mas não foi capaz de desvencilhar-se ou qualquer outra coisa. Quando teve força para esboçar uma reação, sentiu o metal frio do anel de noivado que comprara tocar-lhe a palma, e nesse mesmo instante estremeceu-se, pegando a caixa no bolso do paletó, abrindo-a e vendo-a vazia.
— Como isso foi parar...
— Desculpa, doutor, eu peguei. Uma atitude bastante idiota, mas... não sei o que me passou pela cabeça... Não o roubei, juro que não!, nem iria ficar com ele, nem nada... Eu só... quis ser a sua noiva por um instante que fosse e é isso que esse anel representa...
Armando olhava-a, o cenho contraído:
— Eu não...
A moça tinha os olhos marejados:
— Não entende. Eu sei. Mas não se preocupe. Na verdade eu iria retorná-lo à caixa, mas o senhor apareceu e não tive oportunidade. Por isso, estou entregand0-o agora... Vou entender se o senhor quiser me demitir depois disso, nem apareço amanhã e digo que fiquei doente e não vou poder trabalhar...
— Para, Mireya! Fica em silêncio, por favor. Cinco segundos que seja!
Ela calou-se e olhou-o assustada. Ele mantinha aquele semblante indecifrável, incompreensível, enrolado em si mesmo.
— Você... Aquele tempo todo...?
A secretária apenas acenou, em silêncio.
— E você saiu também por causa disso? Daí aquela saída tão abrupta, tão sem sentido?
Mais uma resposta positiva.
— Sei que, como daquela vez, o senhor também é um homem comprometido, e não quero lhe causar problemas. Sei também que é egoísta da minha parte, mas eu acho que precisava dizer e dizer adeus para essas expectativas estranhas, como na canção que escutamos... Pelo menos dessa vez, Dona Beatriz é uma pessoa que está te fazendo feliz de verdade, e isso, de um modo muito estranho, conforta... Imagina, nesse dia todo ela te deixou mais à vontade como sei que Dona Marcela não te deixaria a vida toda...
Armando coçou a cabeça vigorosamente:
— Está tudo certo, Mireya, nos vemos amanhã. Vamos esquecer esse incidente, eu não vou falar nada, e você também não fala e seu emprego estará garantido.
— Ok, acho que assim vai ser melhor para todo mundo — disse descendo do carro.
Armando nem sequer esperou que ela dissesse “boa noite”. Assim que a porta do carro se fechou, ele arrancou dali em alta velocidade.
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A viagem de volta arrastou-se como nunca. Cada transversal para onde ele tinha que girar, cada ruela por onde ele tinha que passar, fez daquele caminho quase surreal. Mas o destino era seguro: a casa de Betty. Não pensou que poderia incomodar Don Hermes ou Dona Julia, não pensou que o horário fosse indecente de tão inapropriado. Apenas chegou e buzinou debaixo do quarto de Betty, percebendo as luzes se acendendo uma a uma: a do seu quarto, a do quarto ao lado, a da sala no andar de baixo, a da varanda... Em seguida o som da porta sendo destrancada e a silhueta dela se contornando: o cabelo solto, o rosto natural, os pijamas cobertos por um roupão. Abraçou-a com as forças que tinha e com as que não tinha também e só pôde se desvencilhar dela quando viu Don Hermes e Dona Julia descendo as escadas atrás da filha.
— Entra logo, vocês dois, antes que os vizinhos comecem a bisbilhotar — Don Hermes resmungou da sala mesmo.
— O que foi, Armando? — Betty perguntou enquanto o levava para a sala.
— Com certeza deve ter sido algo muito grave para o senhor bater na porta de casa a essas horas! — o sogro voltou a retrucar.
— Hermes, deixa de ser rabugento! Não houve nada grave, verdade? — Dona Julia mostrava genuína preocupação.
— Sim... Quer dizer: não, dona Julia. Desculpe minha impertinência. Eu tive de vir pra cá, fui... quase fui assaltado, é isso.
Dona Julia levou a mão à boca, em susto, e seu Hermes franziu o cenho:
— Eu sabia! O diabo é porco! Uma pessoa nem pode mais trabalhar até tarde que já acontecem essas coisas!
— Oh, meu filho, vou fazer um chá para você se acalmar. Vem, Hermes, me ajude aqui.
— Mas, Julia!
— Não custa nada, Hermes, venha! Não quero fazer muito barulho porque isso pode acordar os vizinhos!
Ela saiu arrastando o marido para a cozinha.
— Você não sofreu uma tentativa de assalto, verdade? — Betty finalmente disse, quando os pais sumiram de vista.
Armando virou-se para ela e colocou as mãos entre as suas.
— Não, mi amor, desculpa ter mentido para seus pais, mas eu precisava te ver.
— Como foi com Mireya hoje?
— Agorinha ela me disse uma coisa, enquanto a deixava em casa. Disse-me que hoje você havia me deixado mais à vontade que Marcela o tinha feito a minha vida inteira.
Betty arqueou as sobrancelhas.
— E, entre outras coisas, fiquei pensando que você tem esse complexo de achar que agora ocupa o lugar da Marcela, que pode se tornar como ela, que não posso deixar de pensar que você esteve me evitando o dia todo por ter estado com Mireya.
Betty arrepiou-se.
— Mi amor, você poderia ter entrado na sala duzentas vezes, ter me ligado mais duzentas vezes nesses intervalos, ter colocado todas do quartel para me vigiar que não seria a mesma coisa que a Marcela, você consegue entender isso?
— Armando, por que você está dizendo essas coisas?
— Isso que acabei de dizer, acho que você tinha que saber, apenas. Você sabe que a grande diferença entre o incômodo e a alegria de certas atitudes é o fato de a gente amar ou não uma pessoa, não é? E Marcela só era ciumenta porque eu dava motivo. As crises de ciúme dela não eram bem crises de ciúme, todas elas eram perfeitamente fundamentadas. Quando ela desconfiava de que eu a estava traindo, era porque eu a estava traindo de fato. Você sabe disso, você que acompanhou tantas das minhas aventuras... Enfim, não quero que você suma de mim, se não for por uma boa razão. Se não puder ir à minha sala, ou almoçar comigo, porque aconteceu um imprevisto, tudo bem, mas se for porque você não quer me sufocar ou invadir o meu espaço... Eu não quero espaço, muito pelo contrário, quero você bem coladinha aqui em mim o máximo de tempo possível.
Betty acariciou o rosto dele:
— Obrigada, mi amor... Pode ser que eu estava precisando escutar isso mesmo. Você tem razão, nas suspeitas e nos argumentos. Prometi que ia deixar isso para trás e vou. Só não vou conseguir fazê-lo tão rápido quanto gostaria, porém vou tentar — e estou tentando — com toda a minha alma.
Armando beijou-lhe as mãos.
— E o que mais aconteceu para você estar desse jeito? — Betty insistiu na pergunta.
— Hoje aconteceu uma coisa muito estranha... Nem sei como te contar isso...
— O quê? Mireya resolveu se declarar para você? — Ela ria do seu jeito característico.
Armando franziu o cenho diante daquelas palavras que lhe caíram em tempestade.
— Como você...?
Nesse momento Betty ficou séria:
— Ela fez isso mesmo?
Armando acenou que sim.
— Estou um pouco perdido, Betty, como você sabia disso e eu não?
E então a conversa foi interrompida por Don Hermes e Dona Julia, que retornavam ruidosos com um jarro de água de panela, almojábanas e arepitas de milho.
Dona Julia colocou a bandeja na mesinha de centro e serviu-o:
— Aqui, mi hijito. Conta-nos o que passou.
Armando pegou a xícara das mãos de dona Julia e tomou um gole. Em seguida deitou a xícara na mesa de novo e tomou as mãos de Betty.
— Na verdade, eu gostaria de falar sobre outra coisa...
Armando fez uma pausa dramática e disse, por fim:
*****— Don Hermes, nós vamos nos casar!
— Mas, por quê? — foi o que ele conseguiu dizer, não tanto pela surpresa diante daquelas palavras, mas porque recebeu notícia que esperava, e que não queria receber, na sua condição de pai.
— Porque... Don Hermes, eu já te mostrei em muitas ocasiões o tanto que amo sua filha e porque, na verdade, estou um pouco cansado desse programa de namorado, de sentar nesse sofá e te pedir permissão para sair com a Beatriz. E já não quero dormir sozinho, quero que Betty esteja comigo, na nossa casa.
Don Hermes encarou Betty, consultando-a a respeito da situação:
— Pois eu já não tenho dúvidas de que Armando é o homem com quem quero passar o resto dos meus dias.
— Muito bem. E... onde vocês morariam? Por que a verdade é que tenho um cômodo no sótão que podemos...
— Não, não, não! — Armando tratou logo de interromper. — Muitíssimo obrigado! Realmente aprecio muito seu oferecimento, mas tenho um apartamento que [vou vender e daí vamos comprar uma casa só nossa.]
[— E essa casa vai ficar muito longe?]
— Hermes... — Dona Julia interveio.
— É que a menina vai embora. Não é qualquer coisa. Então quanto mais perto ficar, melhor para nós.
— Don Hermes, don Hermes... Não importa se onde vamos viver vai ser longe ou perto daqui. O importante é que a Betty sempre vai estar com vocês.
Ele se levantou e encarou os dois no sofá.
— É... uma surpresa para mim...
— Mi hijo, mas eu já estava te dizendo para você se acostumar com a ideia, porque isso alguma hora ia acontecer, eles iam se casar... — Dona Julia disse.
Don Hermes tirou um lenço do bolso do paletó e o passou pelo rosto, emocionado:
— Eu sei, Julia, mas não é fácil!
Betty riu e disse:
— Papai, o que acontece é que o senhor não estava preparado para essa notícia, o senhor pensou que ia ter uma filha solteirona a vida toda.
Don Hermes fechou a cara, magoado:
— Beatriz Aurora, a senhorita não diga isso nem de brincadeira! Muito pelo contrário, eu sempre estive preparado, desde que você nasceu, todos esses anos em que a temos formado dentro dos mais altos princípios da moral e da decência, sempre tive presente que esse momento teria que chegar e que você teria que chegar nesse momento imaculada.
Armando levantou as sobrancelhas, discretamente. Seu Hermes continuou, já se dirigindo à esposa:
— Sempre soube que você teria que se casar, não é, Julia?
Julia assentiu, sem muita convicção.
— E tem mais: nós sempre soubemos que tínhamos de fazer a festa desse casamento, assim como comemoramos seus quinze anos e sua formatura.
— Não, Don Hermes — Armando o interrompeu de novo. — Nós não pretendemos que o senhor resolva pagar o casamento, sei lá, uma festa. Não queremos isso, de verdade. Nós queremos uma coisa mais íntima, discreta...
— O QUÊ?! Deixe-me dizer, doutor Mendoza, deixe-me dizer, é... Armando, que Hermes Pinzón Galaza jamais permitirá que outro custeie as despesas de casamento de sua filha. E lembre-se de que sou um contador público juramentado! E, para mim, esse é um compromisso muito sério que eu tenho com a minha filha e que eu vou cumprir com muita honra.
Não conseguindo mais ficar na sala, Don Hermes saiu pelo corredor em direção à cozinha. Armando fez menção de ir até ele, mas Dona Julia disse-lhe:
— Deixa ele, Armando...
Então Armando disse de onde estava mesmo:
— Bom, Don Hermes, se o senhor faz questão...
Don Hermes voltou mais uma vez para a sala:
— Don Armando Mendoza, eu sei que o senhor vai cuidar de nossa filha como nós temos cuidado todos esses anos. E estou convencido, escute bem!, de que ela ficará em boas mãos.
Dito isso, ele finalmente ofereceu a mão a Armando que a agarrou, levantando-se e abraçando o sogro.
— Muito obrigado, Don Hermes, muito obrigado.
— Considere-se outro Pinzón.
— Sim, senhor.
Em seguida Armando abraçou Dona Julia e Betty se levantou para abraçar o pai.
— Papai... Não se preocupe tanto comigo, eu vou ficar bem, e nós estaremos sempre juntos.
— Não vá esquecer o caminho da sua casa. A sua mãe e eu não podemos ficar indo a apartamento de estranhos, desculpe, Don Armando, para incomodar. Não se esqueça do caminho correto.
Virando-se para a esposa:
— Julia, nós temos que conversar sobre os preparativos da festa. Fiquem à vontade.
Armando se sentou aliviado:
— Oh, meu Deus... Saí vivo dessa, pelo menos.**********
— Armando, de onde você tirou essa ideia de vir falar isso, assim, do nada... — Betty tentava censurá-lo, mas ela mesma não parava de sorrir.
Ele segurou seu rosto e o trouxe para si, colando a testa na dela:
— Betty, em primeiro lugar, não foi do nada, a senhorita bem o sabe. Que quero me casar contigo, isso eu já queria desde o dia em que fizemos as pazes. Depois, na Venezuela, te propus e você aceitou. Faltava só formalizar isso com a sua família.
— Mas, Armando, eu nem pude me preparar nem nada. Estou de pijamas!
— Você está linda, mi amor, como sempre, como sempre... E não quero perder mais nada. Sobre o que estava te dizendo quando cheguei aqui: fui levar Mireya à casa dela, então coloquei uma música, ela imediatamente reconheceu a canção, e você sabe que meus gostos não são populares. De repente, ela sabia mais de jazz do que eu, e eu sequer havia me dado conta disso. Eu sequer havia me dado conta de que havia um ser humano por detrás do papel de secretária, você me entende?
Ela abaixou a cabeça:
— Entendo, Armando...
Ele levantou-lhe o olhar:
— Não faz isso, Betty, não é a mesma coisa... Você mudou a minha vida e sabe disso. Mas a grande questão é que quando Mireya me contou por que ela saiu da Ecomoda, fiquei com remorso por tudo aquilo que deixei passar na minha vida pelo meu egoísmo. Eu que achei que não poderia me arrepender mais por tudo o que fiz, agora me dou conta de que uma vida passou e eu simplesmente... nada. Não vi nada... Existe também um remorso por aquilo que não fiz. Se eu a tivesse visto como o ser humano que ela era, eu poderia, não ter me apaixonado, porque não, mas tê-la tratado melhor, ter visto o amor dela por mim, ter lidado com isso com a gravidade que a situação pedia...
Betty lhe sorriu:
— Você não tinha como saber...
— Ah, eu tinha, Betty, eu tinha... Eu percebia interesse de uma mulher de longe. Mas não importa. A lição que tirei disso foi esta: não quero deixar mais passar nada, e isso significa não deixar você fora da minha vida por um minuto que seja.
Ele tirou a caixinha do paletó e abriu-a, mostrando os dois anéis. Betty sorriu pegando o anel dele enquanto ele pegava o dela.
— Então, sendo bem clichê — ele disse —, hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas, não é verdade?
Os dois trocaram os anéis e em seguida se beijaram. Quando se separaram, Betty disse, em um suspiro:
**********— Já resolvemos com a minha familia, agora falta a outra parte...
Armando sorriu diante da preocupação dela:
— Não! Não, meu amor, não se preocupe. Isso vai ser muito mais fácil, não precisamos pedir autorização para meus pais, apenas convidá-los para nosso casamento.**********
Mas mesmo assim, ainda não parecia fácil.
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