Notas iniciais
Fico impressionada como o tempo passa rápido. Apenas. Aproveitar que estou na empolgação aqui, já vou enganchar no capítulo 52, pra tentar compensar a demora. Suas lindas. Adoro. E beijo, Sheila =D Em relação aos coments, já disse, amo receber, mas não cobro, porque ando muito enrolada pra responder =S. Só quero que aproveitem a leitura, isso já é reconhecimento suficiente pra mim

Don Hermes irrompeu na sala da presidência, assustando o quartel que estava ao redor de Betty admirando seu anel de noivado e desenhando o futuro distante da amiga.

Com a dispersão das secretárias, Betty notou o envelope que ele segurava com firmeza.

— O que foi, papai? Aconteceu alguma coisa grave?

— Depende — ele disse enquanto se sentava de frente para a filha.

As meninas, para deixar os dois a sós, e para não levarem bronca, foram se retirando ao mesmo tempo em que planejavam um 911 por sinais.

Quando seu Hermes viu-se sozinho com Betty, sacudiu o envelope, entregando-lhe:

— Acabei de passar na Câmara do Comércio. Aqui, está, minha filha, a notificação do fim do processo da Terramoda. A Ecomoda passa a ser oficialmente dos Mendoza outra vez. Enfim, estamos livres dessa mancha na nossa história!

Ao estender a mão para receber o documento, ela quase parou no meio do caminho. Não que não quisesse que o dia chegasse, nada disso: queria se livrar o quanto antes dessa "mancha", como o pai havia chamado. Mas não deixava de ser estranho, era o fim de uma história que começara há uma eternidade, cujo desenrolar levou-a ali, para a presidência da Ecomoda. Era praticamente o elo que a manteve junto de Armando todo o tempo e que naquele estava rompido, como se nada mais prendesse um ao outro...

Betty sacudiu a cabeça. Lógico que esse pensamento era uma bobagem. Havia muitas e muitas coisas que prendiam-lhe a Armando e vice-versa. Coisas muito mais leves e agradáveis... Só por um momento sentiu que não precisava mais ser presidente da Ecomoda, que as coisas poderiam voltar a ser como antes, que tudo poderia mudar daquele momento em diante...

— Vou avisar o Armando, papai.

— E fale para ele convocar uma reunião com Don Roberto e Doña Margarita Mendoza! É necessário que eles saibam já que os Pinzón-Solano entregam tudo de volta, sem nenhuma mácula!

Betty sorriu-lhe enquanto se levantava e caminhava em direção à vice-presidência.

***

Armando estava ao telefone quando ela entrou, mas desligou o aparelho logo em seguida e pareceu um pouco sem jeito, com um semblante típico de quem estava fazendo algo que não devia.

De todos os modos aquilo não parecia importante, e pareceu menos importante ainda quando ele levantou-se e cumprimentou-a com um beijo de leve nos lábios.

— Olá, mi amor. Em que posso ser útil?

Ele levou-a pela mão para o sofá que tinha no escritório.

— Não tive tempo de te perguntar como foi como Mireya hoje, pouco depois de ela ter se declarado a você.

Armando coçou a cabeça:

— Foi... estranho. Senti-me aqueles colegiais que rejeitam certa garota, mas é obrigado a vê-la todos os dias, porque ambos estudam na mesma sala. Enfim, o contrato dela logo acaba.

— Mas você sabe que poderíamos mantê-la...

— Bom, por mim tanto faz. Não quero prejudicá-la tampouco. Podemos talvez colocá-la na recepção e trazer Mariana de volta, para ajudar uma futura diretora de vendas, cargo que será muito necessário em breve (e que eu não conseguirei exercer adequadamente junto com a vice-presidência), pois temos de lançar uma nova coleção. Inclusive...

Ele parou no meio da frase, como se alguma força estranha o impedisse de continuá-la.

— Bom, cada coisa a seu tempo. Preciso ir por partes. No momento, acho que é mais importante saber por que você veio aqui me ver, ainda que, você sabe — Ele beijou-lhe a mão —, adoro essas visitas.

Em seguida, Armando beijou-lhe o pescoço e deslizou os lábios para os de Betty, demorando-se neles, aprofundando-se tanto mais se intensificava a necessidade que ele tinha de tê-la. Betty lhe respondeu por um momento, deixando que Armando a deitasse no sofá e se colocasse sobre ela, porém não podia perder o objetivo da visita. Inventou forças para interromper aquele momento.

— Tenho boas notícias — ela disse levemente ofegante, vendo Armando se ajeitar no sofá outra vez.

— Betty, sei que parece pouco tempo em que estivemos juntos, mas pra mim...

Ela sorriu enquanto acariciava seu rosto:

— Pensaremos em alguma coisa.

Ele devolveu-lhe um olhar malicioso:

— Agora?

— Depois do que eu tenho a dizer.

— Certo! Estarei jucioso. Diga-me.

Betty estedendeu-lhe o envelope, a essa hora um pouco amassado.

— Meu pai acabou de me entregar esse documento, que certifica o fim do embargo da Terramoda sobre a Ecomoda. Desse modo, a empresa é da sua família de novo.

Armando teve uma atitude semelhante à de Betty quando recebeu a notícia. Ficou olhando para o envelope estendido uns segundos, enquanto uma torrente de lembranças invadia-lhe a mente, misturando aquilo que gostaria de lembrar e esquecer. E aquele mísero pedaço de papel marcava o fim daquilo tudo.

Quando, por fim, pegou o envelope, não pôde deixar de dizer:

— Uau... Parece que, de certo modo, esse documento pesa...

Betty arrepiou-se e aninhou-se ao peito dele:

— Parece que sim.

Armando abraçou-a, fazendo com que seu corpo se colasse mais ainda ao dele:

— Parece que estamos virando uma página das nossas vidas, verdade?

— Tive essa mesmíssima impressão quando peguei esse documento. Como se todos os elos... não, melhor, como se todas as algemas tivessem sido destrancadas.

— É... mas só as partes ruins... De resto, nada muda.

— Mas seria uma boa oportunidade para você retornar à presidência, verdade? Você provou que merece mais do que qualquer um... Seus pais com certeza vão querer isso.

Armando levantou-lhe o rosto, tocando seu queixo, fazendo com que ela olhasse para si:

— Não seja boba, mi amor. Muita água rolou debaixo das minhas aspirações desde o momento em que quis ser presidente da Ecomoda. Nada muda nessa questão, seja por meu lado ou pelo lado dos meus pais. Você será oficializada como presidente da Ecomoda, pela Ecomoda, e as coisas transcorrerão normalmente. Creio que ninguém quer de outro. E, depois de tudo, somos uma excelente equipe, não é mesmo?

— Se você diz...

Armando roçou seus lábios nos dela:

— Tenho dito e decretado nesse sentido. E deveríamos sair para comemorar, não acha? Só nós dois... comemorar esse grande capítulo que se encerra.

Ele continou a roçar-lhe os lábios com seus até enrolarem-se novamente em um beijo calmo, mas intenso, que só foi interrompido pelas batidas na porta e pela presença de Mireya que se contornava na sala logo em seguida:

— Desculpem-me, com licença. Don Armando, seu pai na linha 1, tentei dizer que o senhor estava ocupado, mas ele disse que era urgente.

— Com certeza ele soube da notícia.

Mireya saiu se desculpando outra vez e Armando correu para pegar o telefone. Betty fez menção de sair, mas ele correu até ela, prendendo-lhe na sala. Enquanto falava com o pai dava-lhe leves beijinhos na mão, no rosto, no pescoço e Betty nem se deu conta de que Roberto e Margarita haviam acabado de chegar à cidade e Armando pedia que eles se reunissem para jantarem, no final do expediente, porque ele tinha ótimas notícias.

Notas finais
A palavrinha "juicioso" significa "ajuizado, responsável". Eles usam muito na Colômbia, e eu acho uma lindeza