Notas iniciais
Editado em 05/03/2013

– Precisamos esperar meu pai ir embora, Armando – Betty disse e se soltou dele sem, no entanto, desviar o olhar.

Por alguns segundos eles sentiram que o restante do mundo deixou de existir, se enrolando nas colchas das possibilidades, antecipando os momentos por vir, até que a realidade sussurrou baixinho no ouvido de Betty e ela se deu conta de que estavam compartilhando o mesmo lugar que seu pai:

– Acho melhor irmos para minha sala, meu pai tem que acreditar que vamos trabalhar.

A última coisa que Armando queria era sair dali, mas, verdade seja dita, o simples ruído dos passos de Seu Hermes o deixava constrangido.

– Tem razão, mi amor. Vamos.

Ele pegou sua maleta e os dois se dirigiram à sala da presidência pela sala de reuniões.

Ao chegam à sala, Betty espalhou uns papéis sobre a mesa para que seu pai acreditasse que estavam realmente trabalhando. Sentiu um gosto amargo na boca em mentir daquela maneira para seu pai, mas ela e Armando precisavam daquele tempo para reconstruir sua relação. E quando Seu Hermes souber de tudo, simples pedrinhas rolando se transformarão em avalanches medonhas. Fechou os olhos, voltou-se vestida com aquela mentira.

Os dois sentaram-se. Betty em sua cadeira de Presidente e Armando diante de si. Olhou-o assinar alguns papéis, fazer umas contas na calculadora... Armando combinava muito com aquele cenário, como se fosse uma peça de decoração indispensável... E o era, ela sabia que sim, ao passo que ela ainda se sentia deslocada daquele ambiente por mais que os números fossem bons amigos. Sentiu sua cadeira demasiadamente grande e a mesa muito distante de si. Então se dirigiu a ele:

– Armando, você não se sente incomodado que eu esteja ocupando a presidência e não você?

Armando olhou-a e sorriu. Tudo seria bem mais incômodo se ela não estivesse ali, e tudo o apunhalaria gritantemente se não fosse ela para manter todas as adagas longe. Respondeu prontamente.

– Não, Betty. De verdade que não. Primeiro porque esse cargo já não tem a mesma importância que tinha para mim antes. Eu o queria para me sentir poderoso, para alimentar meu ego, para competir com Daniel. Hoje nada disso tem importância. Eu continuo amando essa empresa, claro, mas fico feliz em poder trabalhar aqui seja em qual posto for. E, além disso, você é uma extraordinária presidente! – ele baixou o tom de voz – Até melhor que meu pai... Mas não deixe que ele saiba que eu o disse...

Dito isso a cadeira se ajeitou novamente ao corpo dela, e a mesa chegou para perto de si, sem reservas.

– Não exagere, Armando! – ela riu, encabulada.

– Não. É verdade, Beatriz! Você é uma grande executiva e eu tenho muito orgulho de você!

– Obrigada, mi amor! – ela lhe diz, terna, sinceramente comovida com as palavras dele.

Armando se surpreendeu ao escutar a seqüência de palavras mais melódicas de que tinha conhecimento a respeito. Era a primeira vez que ela se dirigia a ele daquela forma carinhosa, e queria colocar pra repetir indefinidamente.

Ele ia dizer algo, mas naquele momento entrou Seu Hermes. O ruído da porta se abrindo ardeu nos olhos de Armando que mais que depressa se ajeitou na cadeira, mesmo não tendo feito nada errado.

– Já estou indo, minha filha. Não vá demorar, a senhorita sabe que não é seguro andar por aí a certas horas da noite.

– Não se preocupe, Seu Hermes. Eu a levarei para casa – Armando tentou parecer despreocupado, mas a voz resistia em sair de sua boca.

– Hum! – Seu Hermes murmurou, não muito convencido. Coçou o queixo, os observou – Está bem! Boa Noite, doutor!

– Boa Noite, Seu Hermes! — Armando acenou, quase não se contendo dentro de si.

– Vá tranqüilo, papai. Eu ficarei bem.

Seu Hermes lança um último olhar para os dois e saiu.

– Viu? Ele confia em você! — Betty exclamou, satisfeita.

Armando afundou as costas na cadeira, e afundou a alma em si, aliviado.

– Sim... E quando ele descobrir tudo vai me matar, Betty!

– Não vai, não – rindo

Armando se levantou, foi em direção a ela, pegou suas mãos e fez com que ela se levantasse e o acompanhasse até o sofá.

– Mas Seu Hermes pode ficar tranqüilo porque eu vou cuidar muito bem da filha dele!

Eles se sentaram e Armando segurou o seu rosto com as duas mãos, dizendo, já com os lábios próximos ao dela:

– Betty, repita o que você falou agora há pouco. Quero ouvi-la dizer de novo... – Sua pele tinha urgência de ser acariciada por aquelas palavras ditas há pouco.

Mi amor – ela repetiu com doçura, perdida e sem contornos na proximidade com Armando.

– Que lindo! – ele lhe deu um beijo breve – Soou divino!* – e voltou a lhe beijar outra vez, o coração inchado, mal cabendo no peito.

Betty percebe que esses beijos não iam começar e parar por ali. Ela queria muito estar com Armando, mas o ambiente impessoal da empresa machucava-lhe os sentidos...

Quando seus lábios se separam ela disse, um pouco tímida:

– Armando, eu não quero ficar aqui.

– Como, Betty? – ele perguntou, confuso.

– Quero ir para outro lugar.

– Sim? – Armando segurava os cabelos dela entre os dedos, embriagado – Para onde você quer ir, mi vida?

Betty só consegue pensar em um lugar onde ela gostaria de ir:

– Para o seu apartamento.

Armando arqueou as sobrancelhas:

– Para o meu apartamento?

Ela percebeu a surpresa dele e se arrependeu. Será que seria muito cedo? Será que ele deveria tê-lo proposto?

– Foi o que eu disse, mas...

Armando sorriu diante da carinha alarmada dela. Não sabia porque nunca a tinha levado lá em momento nenhum para impregnar a casa com sua presença. Talvez seria menos frio o apartamento com os resquícios de seu cheiro e de sua voz pelos cômodos.

– Sem "mas", mi vida, vamos. Por que não? – ele continuou acariciando seu rosto e seus cabelos – Mas e se seu pai ligar aqui?

– Ele só vai ligar se eu demorar muito. Se ligar eu arrumo uma desculpa.

Armando lhe deu um beijo suave nos lábios, visualizou sua colcha de possibilidades mais nitidamente, e, levantando-se, disse:

– Então, vamos logo, dra. Pinzon! Não temos tempo a perder!

Quando chegaram ao apartamento de Armando, Betty ficou um pouco intimidada com o tamanho, o luxo e a sofisticação do lugar. Começou a olhar tudo com olhos curiosos e atentos aos mínimos detalhes. Pareceu-lhe extremamente grande e sombrio, como se há muito fosse um cenário desconhecido coberto de bruma.

Armando de desfez da maleta, das chaves e se aproximou dela, encantado por tê-la ali em seu apartamento. Ele acompanhou as expressões de seu rosto enquanto ela olhava atenta para cada detalhe. De repente ela viu, ao lado de outras fotos de sua família, uma foto dele e Marcela juntos, muito parecida com a que ele tinha no escritório. Betty sentiu como um golpe no estômago. Um golpe tão forte que lhe causou enjoo. Aquela foto parecia estar ali gritando que ela era uma intrusa, que aquele não era seu lugar, que não pertencia àquele mundo. Armando percebeu a mudança na sua expressão e só então se deu conta do que elava está vendo. Sua garganta se fechou de surpresa e seus olhos arderam. Rapidamente ele aproximou-se pegando a foto e disse:

– Desculpe, mi amor! Eu não tive tempo de tirá-la daí. Na verdade eu fico muito pouco tempo nesse apartamento e... – as palavras caíram em queda livre de sua mente.

Betty respirou com dificuldade e teve medo de abrir a boca e deixar escapar a tristeza que sentia.

– Não, Armando, não precisa me explicar nada. É muito natural que esta foto esteja aí, afinal ela era sua noiva até alguns dias atrás – ela tentou sorrir, ainda que lhe custasse muito.

Armando guardou a foto em uma gaveta maldizendo-se por não tê-la tirado dali antes e pensando na foto que estava no seu quarto, na cabeceira da sua cama. Sentiu-se mortificado, sufocado, asfixiado porque Betty claramente ficara triste.

Ela tentou disfarçar o efeito que a foto produzira sobre ela e continuou a inspecionar o apartamento. Rezou para que fosse convincente, mas sabia que sempre fora muito má atriz.

– E então? – ele abriu os braços, esperando a avaliação de Betty.

– Bonito. Mas... – ela ficou à procura das palavras corretas.

– Mas?

– Impessoal. Não fosse pelas fotos ia parecer que ninguém mora aqui.

Armando coçou a cabeça, um tanto desconcertado:

– Bem, na verdade eu vinha muito pouco aqui quando...

– Quando estava com Dona Marcela – ela completou.

– Sim – ele confirmou, sem jeito, com a cabeça ligeiramente abaixada, sem saber como lidar com a situação.

Um silêncio venenoso se estabeleceu e Armando sentiu que precisava falar alguma coisa pra espantar aquele clima.

– Você quer beber algo, Betty?

– Não. Preciso ir ao banheiro, onde fica?

Ele então lhe mostrou onde fica o banheiro e foi servir-se de uísque. Seu coração ameaçou parar e batia torturando-o. Temeu que a noite estivesse perdida... Mas ainda tinha alguma esperança. Lembrou-se da outra foto e correu até seu quarto para escondê-la.

Enquanto isso, no banheiro, Betty respirava fundo tentando conter as lágrimas. Sua insegurança voltou com toda a força. Encostou-a na parede e apoiando as costas ali. Sentiu-se outra vez como a secretária pobre que se apaixonou pelo chefe rico e fora de seu alcance; lembrou-se com clareza das palavras de Marcela: “(...) você não tem classe. Recorde-se, Beatriz, recorde-se de como chegou, recorde-se de onde vem. Você é uma simples empregada, uma secretária que tem muita sorte e chegou a ser assistente, mas uma simples empregada.” (Cap 112)

A única coisa que ela queria naquele momento era é ir embora dali. Fora uma péssima idéia ter ido até aquele apartamento. Nesse instante ela ouviu Armando:

– Betty, você está bem?

– Sim, estou bem. Já vou sair.

Respirou fundo outra vez. Enxugou uma lágrima furtiva e finalmente saiu do banheiro. Armando estava na porta com expressão preocupada.

– Quero ir para casa, Armando — ela disse de uma vez. — Você poderia me levar agora? – ela sentiu que não poderia mais ficar ali, suas forças se esvaíam de uma forma que a assustava.

– Por que, Betty? – ele perguntou, decepcionado.

– Não estou me sentindo bem. Por favor, quero ir embora – ela tentou conter as lágrimas enquanto caminhava em direção à porta.

Armando a seguiu e a abraçou. Ela não podia ir-se daquela maneira. Seu coração pararia de vez.

– Betty, mi amor, aquela foto não significa nada para mim, tanto que eu nem me lembrei de que ela estava ali. Marcela não significa nada, você sabe disso! – ele pôs e a mão em seu queixo – Olhe para mim! Eu te amo!

– Não é só a foto. – naquela altura ela já não continha as lágrimas.

– O que é então, mi vida? – ele perguntou, angustiado.

– Eu não sei, Armando, não sei explicar. Só quero ir embora, por favor!

– Não, Beatriz! Você não vai embora assim! Não vou permitir!

Ele buscou seus lábios, desesperado. Ela tentou fugir, mas ele segurou seu rosto firmemente com as duas mãos e aos poucos ela começou a corresponder ao beijo que foi se tornando cada vez mais intenso, como se ele quisesse varrer todas as sensações ruins que tomavam conta dela. O desejo começou a crescer entre os dois.

Armando abandonou os lábios de Betty para distribuir beijos pelo seu rosto, pelos seus olhos e pelo seu pescoço:

– Te quero tanto, mi amor... Mi Betty...

Ele começou a percorrer o corpo de Betty com as mãos e ela deixou cair a bolsa que ainda estava segurando. Encostando-a na parede, desabotoou seu blazer e começou a introduzir as mãos por baixo de sua blusa. Betty, com a respiração acelerada, o abraçou pela cintura, por baixo do paletó e deslizou as mãos por suas costas e ele voltou a beijá-la nos lábios, encostando seu corpo no dela, pressionando-o contra a parede.

Armando a segurou pelo braço e a puxou em direção ao quarto, mas não resistiu e parou no meio da sala para beijá-la outra vez, retirando o blazer dela e seu próprio paletó. Ele continuou a beijá-la e a segurá-la com um dos braços, enquanto, com a outra mão, vai afrouxando sua gravata e tentando desabotoar a camisa. Betty o ajudou. Logo, a camisa e a gravata, juntamente com a camiseta que ele vestia por baixo estavam no chão também. Betty começou a acariciar o peito de Armando e dar pequenos beijos. Ele perdeu o fôlego ao sentir as carícias tímidas de sua Betty, em seguida, voltaram a se abraçar e beijar, enquanto se aproximaram do quarto. Antes de chegarem lá, ele parou novamente no caminho e tirou a blusa e o sutiã de Betty, que desta vez não protestou, nem se sentiu tímida, ao contrário, jogou a cabeça para trás enquanto Armando explorou seu colo e seus seios com a boca ávida.

Ele voltou a beijá-la, a abraçá-la e os dois sentiram um imenso prazer com o contato dos seios desnudos de Betty contra o peito de Armando.

Eles finalmente entraram no quarto de Armando, que desabotoou a calça de Betty fazendo-a cair a seus pés. Ela se livrou da calça e dos sapatos. Aproximaram-se da cama onde ele a depositou com carinho, deitando-se ao lado dela, sem parar de beijá-la e acariciá-la. Ele se afastou para tirar os sapatos e o resto de sua roupa e Betty protestou, tentando puxá-lo de volta.

– Vamos com calma, mi vida. – Armando disse com voz rouca e entrecortada. – Não quero me precipitar hoje.

Ele se despiu e voltou para a cama, mas, antes de deitar-se novamente, ficou alguns segundos contemplando-a em sua cama, os longos cabelos espalhados, os olhos semicerrados, a face rosada e os lábios inchados de seus beijos. O desejo que sentia era tão intenso que o assustava.

– Armando... – ela chamou baixinho.

Ele não resistiu mais e deitou-se sobre ela que o acolheu em seus braços.

Armando começa a explorar seu corpo, primeiro com as mãos, depois com a boca. Logo, tirou delicadamente sua calcinha e começou a beijá-la na parte interna das coxas. Ela gemeu, sentindo-se perdida num redemoinho de sensações. Quando sentiu os lábios e a língua dele em seu ponto mais íntimo, ela se contorceu murmurando o seu nome, enquanto ele continuava com a carícia segurando-a pelos quadris, até ela não aguentar mais e explodir em clímax.

Armando se deliciou com as reações do corpo de sua amada e a abraçou esperando que ela se acalmasse.

Quando sentiu que ela estava mais calma ele recomeçou as carícias por seu corpo.

Dessa vez, Betty o puxou para cima de si e deslizou as mãos em suas costas enquanto beijava seu pescoço e seus ombros. Armando finalmente tomou posse do corpo dela e começou a movimentar-se lentamente, tentando se controlar, sem sucesso... Ele começou a aumentar o ritmo e, para seu delírio, ela o acompanhou. E assim, no mesmo ritmo, eles chegaram ao clímax, uma sensação maravilhosa para os dois, que ficaram deitados abraçados, juntinhos, enquanto seus corações voltavam ao normal.

Notas finais
* O papo do "soou divino" ficou meio gay, mas na Colômbia eles falam isso normalmente, sério mesmo.