Um Novo Começo
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Comentários inúteis da autora — 01.04.2015
Não, não é mentira hausahsua
Bom, é o seguinte crianças que acompanharam ou ainda acompanham (acho que não kkkk), recuperei essa história mais velha que a minha mesa que quase despencou hoje (rs) porque me deu uma tremeeeeenda vontade de reescrever tudo porque a versão antiga está uma porqueira na escrita, cruzes!!! kkkkkkkk
Essa é uma "palinha" pra vocês, juntei três capítulos e os próximos também vão ser graaaaandes então se preparem! No máximo terão aí uns 20 CAPÍTULOS, e só, talvez até menos, pra verem como era pobre o conteúdo das anteriores!
Conforme for reescrevendo/postando, vou DELETAR os capítulos antigos que doem meus olhos de tão mal-escrita que estavam KKKKKKK
Gente sério, como escrevia maaaaaaal Jesusssssssss que coisa horrorosa!!! haushau
A única coisa que mudou foi a idade mental dos personagens, estão entre 17 a 21, alguns tem 18 (Carmem só acho, não sei de cabeça rs), e quem tem 21 é Titi (talvez apareça nessa fic rs), Franja (também talvez) e Jeremias!
Enfim, espero muito que gostem!
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– Jovens guerreiros, está na hora de voltar para o mundo de vocês – As vozes anunciaram, com um tom triste.
Uma luz, vindo dos espíritos ofuscaram os olhos de toda a turma que no fim de uma longa jornada perigosa, merecidos, retornariam ao bairro Limoeiro. E tudo terminaria ali. Aliás, tudo recomeçaria de novo: rotina de levar cedo, estudar e tirar boas notas. Por outro lado, voltariam as suas casas, comer a comida caseira, a rever amigos, sair as baladas nos fins de semana, ficar, namorar. Agora nada era melhor que receber aquele mimo dos pais como abraço, beijos, choros, broncas, gritos de alegria e... um anúncio de namoro.
– Eu gostaria de anunciar a todos vocês, meus pais queridos que eu e o Cebola somos namorados à partir de hoje – Mônica disse vitoriosa, agarrando aos braços trêmulos e nervosos do seu nerd.
– Mas, mas, mas sem nem me pedir autorização? – Souza indagou, inconformado.
– Estamos no século vinte e um – Luiza, ao contrário do pai encolhido triste no canto, parecia contente e comentou, colocando a mão nos ombros maiores – Acabou-se os tempo das formalidades.
– Okay, desde que aceite as minhas condições – Souza falou, com um tom de voz autoritório e vendo a reação contrariada da dentuça e o namorado duro feito pedra, continuou – nada de sair sem avisar ou namorar fora da...
– Querido veja – Luiza interrompeu o falatório entediante do marido – ela está cansada, vamos deixar o sermão para uma outra hora, ok? – e fez um convite inusitado a filha – O que acha dele jantar conosco?
– Hoje não – Mônica recusou gentilmente e tascou um beijo de despedida nos lábios tímidos do amado, causando frisson na barriga do menino geek, e sendo alvo de assobios alheios, completou – combinamos um outro dia.
– Bom – Magali ergueu a voz, chamando a atenção dos pombinhos – vocês me dão licença que estou bege de fome e – sorriu pros amigos – juízo vocês.
Nesse instante, uma mão grande impediu que Magali deixasse a roda de amigos para trás. Ao ver o Cascão, soltou-se bruscamente, encarando aquele olhar que queria dizer algo. Ele engoliu seco, o que não fazia a tempos. A última vez era no dia que a namorada tinha descoberto sua traição com outra garota.
– Hei, espera eu – Cascão disse – o que aconteceu lá...
– O que? – Magali perguntou, seca.
As palavras do garoto morreram na garganta. Bastaria um pedido de desculpas. Pedir ou não pedir, eis a questão. Um conflito de pensamentos. “Pedir perdão do que? O que fiz de tão errado? Aquilo não passou de um acidente infeliz e só.” Pensou o Cascão, e se convenceu mais uma vez... e outra. Sacudiu a cabeça e deixou que um longo suspiro saisse da boca.
– Nada – Cascão respondeu e virando-se de costas, acrescentou – a culpa não foi só minha.
– Ah não? – Magali disse, nervosa – Escuta aqui, você se aproveitou da situação e vem me dizer q...
– Hei gente o que está acontecendo por aqui? – Mônica largou-se do seu affair e ficou entre eles – Vocês estão estranhos a algum tempo.
– Impressão sua – Magali aproveitou a brecha e correu atrás dos pais que já estavam a uma certa distância e avisou – teve a sua chance de pedir desculpas e tudo voltar a ser como antes.
– E você teve a chance de falar que também quis – Cascão rebateu antes que ela pudesse desaparecer na multidão.
O grupo se desfez aos poucos e cada um seguiu seu rumo. Histórias ao redor do jantar animado, um bom filme em família fecharia a noite se certa jovem conseguisse pregar seus olhinhos ansiosos.
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Naquela noite, Magali não conseguia dormir nem por uma reza brava. Rolou de um lado pro outro, tentando relaxar o corpo e cair no sono. Ficou debruçada no travesseiro a madrugada inteira lembrando suas atitudes impulsivas com um dos seus melhores amigos e quando finalmente entregou-se ao cansaço, sentiu os primeiros raios entrarem pela janela aberta.
Tomou o despertador que não tocou pela manhã. Arrumou rapidamente seus cabelos desajeitados e correu no banheiro fazer sua higiene pessoal e o ritual de beleza embora estivesse atrasada. Passou por último um roll on nas axilas e saiu correndo de casa, pondo a mochila nas costas e uma torrada do café na boca.
No caminho para a escola, encontrou a dentuça, e mostrando a lingua, apostou um doce quem chegasse antes. Chegaram praticamente juntas e fizeram um high five, tocando as mãos no alto. Conversaram sobre vários temas, entre eles a viagem ao outro mundo, revistas todateen, novelas e horóscopos até esbarrarem neles no corredor.
Enquanto uma estava ocupada abraçando e beijando seu namorado, a outra simplesmente parou e encarou ele. Uma geleira transparente podia se ver entre os dois. Cascão. Ontem, um ser amável e hoje, um ser repugnante. Anos e anos de amizade haviam caído por terra depois daquele pequeno acidente.
– Bom dia – Magali disse, fazendo um esforço sobrehumano.
– Eu sei que você gostou – Cascão não perdeu a oportunidade e sussurrou no ouvido da amiga, provocativo.
– Vê se me erra – Magali sussurrou de volta.
As duas foram mais rápidas e entraram na sala de aula, em contrapartida os meninos continuaram batendo papo, lembrando as aventuras emocionantes no outro mundo quando o professor surgiu nervoso.
Licurgo, antes conhecido como Louco. Sabe-se lá raios por que, anos depois, sem a turminha saber, havia virado professor. Ter a sua companhia logo no primeiro dia e na primeira aula não poderia ser outra coisa se não uma coincidência infeliz. Triste de quem fosse odiado por ele, sorte de quem fosse amado por ele. Infelizmente não era o caso dos garotos.
– Mas vocês atrasados na minha aula de novo? – Licurgo gritou e retomando o fôlego, apontou o dedo pros dois – Dessa vez não deixarei passar como nas outras vezes e vão ficar de castigo até o final da minha aula, entendidos?
O grito despertou os curiosos da classe que olharam para fora da janela, caçoando e rindo dos dois. Licurgo adorou assistir a depreciação deles, sentindo-se vingado por todas as falcatruas aprontadas pelos dois na infância contra sua pessoa. Abusou do poder, e silenciando a platéia aos berros, adentrou-se glamurosamente na sala.
– O dia começou tão bem hoje – Cascão reclamou baixinho.
– Aproveita que vamos ficar aqui sem fazer porra nenhuma e me conta o que aconteceu entre você e a Magali – Cebola comentou.
– Não aconteceu nada – ele encarou o olhar desconfiado do amigo, e passando a mão na cabeça, confessou – Eu vou contar...
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Os enviados da feiticeira Yuka foram derrotados. O caminho estaria livre para seguir em frente se não fosse o ataque surpresa, encurralando a Magali. Com passos rápidos, Cascão atiçou um pedaço de madeira no último soldado e acidentalmente, escorregou sobre a sua amiga, ficando de quatro nela.
Ficaram quietos e imóveis. Estavam muito pertos, tão pertos que um podia escutar o batimento acelerado do outro. Em nenhum momento se imaginaram tão próximos, coração quase batendo com coração e respirações ofegantes. Tudo ia contra a razão e a favor da emoção.
– Sai... de mim – Aquelas foram as únicas falas que sairam pela boca tão convidativa da Magali.
O namorado da sua melhor amiga estava completamente perdido naquele olhar suplicante que pedia um beijo. E o fez. Inclinou seu tronco um pouco mais a frente e a beijou com fervor aqueles lábios rebeldes que morderam sua lingua, o obrigando recuar e remoer de dor.
– Ai sua... – Cascão disse, colocando a mão na boca machucada.
– Nojento – Magali falou, limpando a boca e cuspindo no chão – Fique sabendo que você teve a maior sorte do mundo por eu ter uma enorme consideração pela Cascuda, se não...
– Vai me entregar sendo que queria isso também? – Ele provocou, e levando um chute na canela, gritou – Ai ai oh que isso sua louca!
– Você quem me atacou garoto! – Ela contra-atacou – Eu namoro sabia?
– Se não quisesse mesmo tinha me chutado antes de eu te beijar – Ele insistiu, recebendo um beliscão – Ai... ai pára caramba!
– Vamos combinar o seguinte? – Ela se afastou e disse, fria – Não fala mais comigo até você assumir sua culpa.
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– Calaca meu – Cebola perguntou em voz alta, surpreso – Você fez isso?
– Fiz ué, ela pediu – Cascão disse, convencido – Cara... Eu sempre achei que ela era afim de mim, mas não pensei que ia chifrar o namorado.
– Vai contar isso para a Cascuda? – Cebola indagou.
– Sem chance velho, já fiz isso antes e ela quase acabou comigo – Cascão respondeu.
– Toma cuidado – Cebola alertou enquanto via uma linda garota passar na sua frente.
– Cuidado você com a dentuça – Cascão o cutucou – ela sim te mata, te faz churrasquinho e dá de comida pro Sansão.
– Ih, aquele bicho feio já está no armário faz tempo – Cebola disse, rindo baixo.
E o sinal tocou. Alguns alunos sairam no intervalo de dez minutos e outros permaneceram na sala, ou fazendo lição de casa atrasada, ou dando um cochilo, ou fofocando sobre os outros ou se não brincando com fogo.
– Eu só acho melhor você não ter tanta esperança – Cebola cochichou.
– E por que não? – Cascão falou alto de propósito e olhou as carteiras no fundo, sorriu vitorioso notando o olhar da Magali fixado nele.
Ao notar o olhar safado do moreno, Magali respirou fundo e levantou-se da carteira, entrando na roda das garotas. Cascão não perdeu seu tempo e chegou como quem não queria nada, rápido e rasteiro, infiltrando-se entre elas.
– Falando de mim? – Cascão indagou, esnobe.
– Falamos de tudo aqui, menos de você – Magali respondeu de prontidão, arrancando risadas das outras meninas.
– A pergunta foi para elas – Cascão provocou.
– Você se acha demais não garoto – Magali acrescentou – Por acaso já parou para pensar se a Cascuda descobrir tud... – uma mão forte apertou seus pulsos, impedindo que ela terminasse de falar.
– O que houve? – a dentuça que estava por perto entrou no meio deles e afirmou – Eu não sei o motivo mas independente disso, não permito que machuquem minhas amigas.
– Está tudo bem – Magali soltou-se da mão grande.
Os minutos passaram rápidos e o professor Rubens chegou na sala, pedindo que os alunos voltassem aos seus lugares. As aulas seguintes foram tranquilas, tirando o fato que áquela altura do campeonato Cascuda já sabia de toda a história envolvendo seu namorado e sua amiga durante o intervalo anterior.
E soou o sinal da última aula. Os alunos pegaram seus pertences e sairam apressadamente da sala. Cascão passou em frente a classe da namorada e pegando ela, seguiram juntos para fora do colégio.
– Eu preciso ter uma conversa séria com você – Cascuda puxou-o pelo braço em direção a um canto pouco movimentado.
– O que aconteceu? – Cascão perguntou, intrigado.
– Eu fiquei sabendo que você foi um ogro com a Magali – Cascuda disse, direta e objetiva – Além disso, eu tenho notado sua distância – explicou – te mandei várias mensagens preocupada e você não me respondeu nenhuma.
– Voltei ontem e estava todo quebrado – Cascão respondeu.
– Mas teve tempo de entrar no Facebook e curtir fotos não? – Cascuda indagou, chateada.
– Espera... você não está vigiando o que posto, curto e vejo na internet – ele falou, tentando manter a calma – aquele meu lance com a garota da balada já era, não existe mais.
– Mas e se você estiver dando em cima de outra agora? – ela indagou com uma voz carregada de desconfiança, cruzando seus braços impacientes.
– Não, não, não... isso não – ele lembrou-se do mal-entendido com sua amiga e repetiu, inquieto – nunca, jamais, nem a pau.
– Eu sabia seu sem vergonha! – ela esbofeteou o rosto dele e continuou, furiosa – ai... de seu descobrir quem é essa menina – ela suspirou e completou – eu mato vocês dois entenderam?
– Hei hei – ele perguntou, confuso – você percebeu que está criando tempestade em copo d´água sozinha?
– Eu percebi que estou perdendo meu tempo – ela disse – eu preciso pensar sobre se devemos continuar juntos ou não.
– Outra vez? – ele indagou como se estivesse acostumado com a drama da namorada.
Foram tantas idas e vindas que Cascão havia perdido a conta. As brigas, os desentendimentos, os ciúmes exagerados dela, estavam virando uma rotina desgastante no dia-dia. Quem sabe o caminho realmente não fosse virar a página velha, empoeirada e quase apagada?
– Tudo bem – Cascão disse, conformado – Eu vou indo.
Montou no seu skate e seguiu sozinho em direção a sua casa, assobiando para espantar os mares. Anos metidos num relacionamento era algo cansativo. Poderia por alguns momentos saborear o gostinho da liberdade, respirar e voar até que ela viesse bater na sua porta pela enésima vez.
Largou o tênis sujo na entrada, sentindo o cheiro inconfundível da comida caseira feita pela dona Lurdes aguçar suas narinas. Comeu apressado e seguindo pro quarto, mandou mensagens para o Cebola pelo celular:
Cascão “Oh a Cascuda terminou comigo”
Cebola “De novo cara?”
Cascão “Pois é”
Cebola “Que merda”
Cascão “Oh está afim de bater uma bola?”
Cebola “Putz nem dá, eu vou sair com a Mônica”
Cascão “Blzaa, vou ver se saio com a galera do skate, falou”.
Enviou um texto no grupo dos seus amigos skatistas via WhatsApp, combinando horário, local do encontro e tudo mais. Guardou o celular no bolso, pegou seu brinquedo na mão, e saiu deslizando nas rodinhas, ignorando as súplicas da mãe, que pedia juízo.
Ao chegar no enorme pátio, sentou-se em qualquer canto para esperar a chegada de alguma alma viva. Meia hora depois, um a um foi mandando mensagem, avisando imprevistos e desmarcando o compromisso.
Foi brincar sozinho, subindo e descendo nas rodas, caindo e levantando do chão várias vezes. Aproveitaria o tempo livre e treinar manobras para o campeonato de skate que aconteceria daqui a algumas semanas.
As horas voaram de vento em polpa e as primeiras nuvens cinzentas começaram a surgir no céu, anunciando a mudança brusca de tempo.
Adorou a idéia em desafiar os próprios limites, enfrentando o som dos raios, o solo regado pela chuva e as rodas escorregadias. Arriscou uma manobra mais difícil, resultando numa queda violenta, arrancando o grito ensurdecedor de uma garota familiar.
– Você? – Cascão perguntou, mais surpreso com a presença inusitada que com sua escorregada.
– Mas é um cabeção – Magali estendeu sua mão para puxar o braço moreno.
– O que faz aqui? – Cascão indagou, desconfiado.
– Isso não importa – Ao ver os joelhos, braços e mãos raladas de sangue e sujeira do amigo, falou estendendo o guarda-chuva – Vem cá que eu vou te fazer um curativo.
Retirou um pacote de bandagem da bolsa e aplicou cuidadosamente em cada ferida do skatista, apertando firme a mão nas partes machucadas. Por fim, colocou o último curativo na coxa grossa, batendo nele.
– Pronto, terminei – Magali disse, aliviada.
– Hei não precisa bater – Cascão falou – isso dói sabia?
– Que mandou você... – De repente, um vento soprou forte, levando o guarda-chuva junto – Hei, espera – ela alcançou – Ufa, peguei! – e espirrou – Ai... droga – resmungou, pondo a mão no nariz – olha se eu pegar um resfriado a culpa é... – sua fala foi interrompida por gargalhadas do menino.
– Desculpa, mas a sua cara está engraçada – Cascão caiu na risada, vendo a água suja no rosto da amiga.
Magali se olhou no reflexo da poça de água: — Eu não acredito... – amaldiçoou por não trazer um lenço na bolsa e esfregou a mão no nariz – melhorou?
– Não... – Cascão não se aguentou de tanto rir – piorou...
– Olha o que vou fazer com o teu cabelo – Magali bagunçou os cabelos crespos do moreno.
– Não, meu cabelo não sua louca – Cascão disse, fugindo da sapeca.
A chuva havia dissipado assim como a neblina existente entre eles. Tudo parecia voltar a ser como antes. O silêncio deu lugar a risadas travessas, pega-pega e bastante descontração.
E num canto não tão distante dali, um casal assistia sorridente aos amigos. A dentuça havia pedido ao Cebola que marcasse encontro falso se passando por skatista com sua amiga. Como eram amigos de muitos anos, o nerd tinha a senha da conta de e-mail dele, das redes sociais e tudo o que se podia imaginar.
– Enfim, tudo deu certo – Mônica comentou, sorrindo pro namorado.
– Agora falta ele voltar com a Cascuda – Cebola disse.
– Quanto a isso deixa comigo que eu resolvo – a dentuça falou – eu tenho culpa no cartório.
Naquela noite, Magali conseguiu ter uma noite de paz. Dormiu no horário, levantou cedo e tomou café com seus pais. Estava mais refeita, animada. O bom humor a fez caprichar no look e na maquiagem, encontrando o tom certo nas cores das roupas, sombras, batom e unhas. Olhou satisfeita a produção no espelho antes de seguir a escola.
Esbarrou em seu amigo moreno no caminho. Ah, como era bom voltar a chamá-lo de: amigo. A barreira tinha desaparecido entre eles e tudo voltaria a ser como antes, ao menos daria uma nova chance áquela amizade, tão duradoura e bonita.
Seguiram juntos na escola, e entre uma conversa e outra, um elogio corou o rosto da Magali, que desconversou.
– Hoje tem – Cascão imitou uma mulher sensual rodando bolsa, brincalhão.
– Mas é um besta – Magali disse, rindo.
O clima continuaria animado e descontraído se não fosse a namorada do Cascão parada diante da entrada, séria e um pouco cabisbaixa.
– Vocês fizeram as pazes pelo visto – Cascuda falou, forçando um sorriso.
– Pois é – Magali disse, percebendo a amiga mais interessada no seu amigo que na sua conversa – bom, eu vou indo na frente.
– Hei espera – Cascão a puxou pelo braço, e encarando aqueles olhinhos confusos, tentou dizer algo – eu... eu...
– Eu tenho certeza que vocês vão se entender – Magali soltou-se discretamente e murmurou antes de seguir adiante – vai, fala com ela e vê se pára de mancar bobeira.
Embora estivesse arrependindo por deixá-la ir na frente, Cascão a acompanhou em pensamento embora estivesse frente a frente com outra garota. Cascuda notou uma indiferença nele e segurou suas mãos, entrelaçando nos seus dedos.
– Eu queria pedir desculpas pela minha grosseria de ontem e – Cascuda continuou, após uma pequena pausa – podemos voltar a sair?
– Nossa – Cascão escutou um “o que?” dela e falou – dessa vez você mudou de idéia rápido.
– Você não queria que eu te perdoasse? – Cascuda perguntou sem entender nada.
– Não, não imagina, eu queria sim – Cascão disse, fingindo interesse.
Enquanto isso, Magali parecia distante de tudo na cantina, dos alunos que corriam para comprar o croissant quentinho, do namorado que não parava de falar um minuto sobre suas novas invenções para a padaria Quinz. Oh céus, era muito pedir um momento de paz? Sua vontade era sumir dali e ir sozinha numa praia deserta. Queria silêncio, queria pensar na vida, queria parar as pessoas ao seu redor.
– Eu trouxe uma amostra de cada amor – Joaquim mostrou uma cesta cheia de pães e doces, e perguntou, frustrado por atrair todos os olhares famintos, menos dos dela – Hei está me ouvindo?
– Ai desculpa, eu estava distraída – Magali disse, caindo na real.
– O que pode mais te distrair além disso aqui? – Quinzinho falou olhando pro presente cheiroso, e continuou, receoso – Eu estou realmente ficando preocupado com você.
– Hum, deixo ver – Magali pegou qualquer coisa e mordendo um pedaço humilde, comentou – nossa que delícia – mordeu mais um pouco e concluiu – como diz seu pai: saporoso.
– Eu ainda acho que tem alguma coisinha aí dentro te distraindo mais que esse doce – Joaquim notou o silêncio da amada e perguntou – O que acha de pegar um cinema à tarde?
– Hoje não posso – Magali recusou, o deixando triste – eu marquei de sair com as minhas amigas para fazer umas comprinhas básicas e – continuou, pegando na mão maior – o que acha de sairmos nesse domingo?
Trataram de definir os detalhes e aproveitaram os minutos que antecediam o sinal para namorar, beijar e abraçar. Sabia que algo mudara nela. O que o filho do padeiro não fazia a menor idéia que não se tratava de algo... e sim, de alguém.
Continua...
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