Um Novo Começo
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Os dias decorrentes no bairro Limoeiro passaram sem grandes tumultos. A turma já havia se reacostumado com a rotina escolar em levantar cedo e entrar sete horas na escola. Os atrasos diminuiram, os professores continuaram os mesmos... Tudo estava na mais perfeita ordem, ou quase tudo se não fosse uma certa garota que não parava de tirar os olhos do seu melhor amigo comprometido.
Magali derrubou o lápis, distraída. E a gentileza não poderia vir de alguém que menos queria ter qualquer tipo de contato na face da Terra. As mãos tocaram, na verdade, os dedos apenas encostaram um no outro, elevando a temperatura da pobre coitada. “Será que eu estou ficando doente?” Pensava ela, sentindo o corpo febril. Criatura lesada, entenda de uma vez por todas que o motivo dessa sua maldita febre tinha um nome.
Voltou a assistir a aula, ao menos tentar decifrar aquelas palavras gregas do Licurgo. Lançou um olhar discreto no skatista, e imediatamente as cenas do tropeço, da aproximação e do beijo veio na sua mente fértil feito furacão, a deixando violentamente corada. Sentiu-se por alguns instantes, uma maníaca sexual stalkeando seu alvo. Mesmo assim, nada a fazia pensar mais que naqueles ombros não tão avantajados, a barba mal-feita que dava o toque de charme e os cabelos crespos e bagunçados.
A dentuça, que a dias vinha observando as estranhas atitudes da amiga, bateu a ponta da lapiseira na carteira e gritou nos pensamentos como se enxergasse uma luz no final do túnel: — “Então era isso! Céus como não percebi antes?” – e afirmou – “ela está...”
O sinal de alívio soou nos ouvidos de todos. Apressadamente, os alunos deixaram a classe, cada um seguindo seu rumo, seja cantina, seja casa e seja o bendito moreno aos beijos e abraços na saída da escola. Uma cena um tanto desagradável era aquela nos olhinhos da Magali. Seguiu reto, mas não despercebido aos olhos atentos do Cascão, que na mesma hora largou-se da namorada.
Agradeceu por ele namorar uma das suas melhores amigas, caso contrário faria uma cena e tanto. Apertou os passos quando escutou uma voz enérgica e familiar lhe chamar pelo nome.
– Hei espera – Mônica disse, ofegando por ar – Credo, que pressa é essa?
– Eu só estou preocupada com o trabalho que precisa entregar até sexta – Magali respondeu, apressada – bom eu vou indo.
– Você não vai sair hoje? – Mônica indagou.
– Não – Magali perguntou, curiosa – Por que?
– Nada só perguntei – Mônica saiu acenando – até amanhã, miga.
Acenou de volta sem nada dizer e retomou seu caminho para a casa. Trabalhos escolares, apresentações em grupo... tudo seria perfeitamente normal se o coração não estivesse tão inquieto a ponto de não conseguir resolver uma simples questão de matemática que sempre tirou de letra.
– Mas que droga – Apagou a resposta, já escrita e reescrita um milhão de vezes – errei de novo – tentou outra vez – ai... de novo não.
Soltou a lapiseira e quis rasgar os livros, o caderno cheio de anotações e tudo mais. Aliás não, queria mesmo era deletar as lembranças do outro mundo num único click, igual apagar arquivos de um computador.
Nesse instante, duas batidas na porta chamaram sua atenção. Estranhou a visita inesperada da dentuça num final de tarde.
– Fala, miga – Mônica disse vendo a amiga debruçada na mesa.
– Você por aqui a essa hora? – Magali indagou, espreguiçando as mãos.
– Eu preciso muitão de sua ajuda para escolher o presente da Marina – Mônica explicou, receosa.
– Meu Deus eu esqueci total do níver dela – Magali levantou num pulo e perguntou – A festa vai ser no sábado, certo?
– Festa a La Fantasia de Fantasma da Ópera – a dentuça respondeu, segurando o queixo na mão.
– Hum, que chique benhê – Magali ajeitou seus cabelos desarrumados, e comentou, pensativa – e eu que nem comprei minha fantasia.
– Ah nem esquenta com isso, a única traje obrigatória na festa pras meninas é um vestido longo e pros meninos uma roupa social – e completou – e as máscaras, claro.
– Smoking... – Magali fantasiou alguém metido num elegante traje.
– Quem você imaginou agora? – a dentuça indagou, curiosa.
– Eu não imaginei ninguém – Magali refez seu rosto e disse – Na verdade eu, eu... eu imaginei como ficaria o Quim, oras.
– Ah sei... o Quinzinho – Mônica fingiu acreditar na amiga.
Depois de alguns minutos em silêncio absoluto, a dona da casa entregou os pontos. Como diz aquela frase: Mentira tem perna curta e mais cedo ou mais tarde, a consciência pesa e aparecem os podres.
– Tudo bem miga, não foi nele que pensei agora – Magali confessou, desajeitada.
– Nem ontem e nem hoje – Mônica sorriu, maliciosa – ou acha que eu não percebi você olhando daquele jeito pro Cascão hoje cedo? – aproximou seu rosto curioso na dela, corada – vamos dona Magá, estou esperando me contar tudinho o que aconteceu entre vocês no outro mundo.
– Nos... beijamos – Magali murmurou baixinho, e percebendo o impacto que causou nela, disse – eu quero dizer, fui obrigada.
– Ah vá, ninguém obriga ninguém a beijar a não ser um estuprador – Mônica ouviu sua amiga deixar escapar um “que horror” e continuou – com certeza você deixou ele fazer isso.
– Tudo bem eu – Magali comentou, confusa – eu não sei o que passou pela minha cabeça na hora e...
– Me responde só uma coisa: gostou ou não? – a dentuça perguntou mesmo que soubesse a resposta.
– Foi uma experiência diferente – Magali respondeu, pensativa.
– Coitada da Cascuda – Mônica levou um tapa no braço e atendeu seu celular vibrando na calça e escreveu uma mensagem resposta, sorrindo.
– Hum, vai sair a essa hora da noite? – Magali indagou, cheio de malícia.
– Sim, combinei de sair com o Cebola – Mônica levantou-se rapidamente e deixou um embrulho na mesa – antes que eu me esqueça, aqui está o presente da Marina – resumiu – antes de vir para cá, passei numa perfumaria e comprei essa colônia de Erva Doce, imagino que ela goste.
– Valeu miga, eu te devo essa – Magali piscou, pegando o frasco nas mãos.
– Então combinamos assim, quando você aprontar outra vem me contar, o que acha? – a dentuça disse, brincalhona, levando um cutucão na testa.
– Mas é besta – a dona do quarto empurrou brincando a amiga pra fora dali e encostando a porta nas costas, pensou alto – eu só preciso esquecer.
Sentiu o celular vibrar no shorts e viu uma enorme declaração de amor no WhatsApp do Joaquim, dessas copiadas da internet. Leu por cima, e enviando apenas um rostinho feliz, fechou o aplicativo. Tudo o que precisava agora era tomar um banho relaxante e assistir seus seriados favoritos no computador. Distrair a cabeça fazendo coisas divertidas como experimentar vestidos novos um por um nas lojas. Eis a melhor fórmula divina inventada de todos os tempos!
Os próximos dias que antecederam o aniversário da Marina passaram num sopro, entre escolher um vestido aqui e outro dali, uma máscara de cá e outra de lá em rolés nos shopping centers da vida com suas amigas após as aulas. Afinal, era uma festa de fantasias e precisaria ao menos estar descente mesmo que fosse uma convidada.
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E chegou o grande sábado. Várias Christines, Viscondes e Fantasmas da Ópera em variados looks estavam presentes, circulando o enorme salão coberto por luzes coloridas de efeitos especiais. Os sons ambiente, óbvio, não poderiam ser nada mais nada menos que os temas clássicos da tão famosa obra francesa, modernizadas em versões eletrônicas.
As comidas e bebidas trazido pelos garçons em pequenas bandejas cresceram nos olhos da Magali. Estava faminta por resistir a torta maravilhosa da Lili no jantar. Pôs a mão nas entradinhas , experimentando uma de cada tipo. Tomou duas a três taças de licor, sentindo o gostinho doce desmanchar na boca e perdendo a noção do perigo.
– Vai beber até cair? – A pergunta veio do último ser no planeta que ela queria encontrar naquele amontoado de gente.
A vida era cruel às vezes. Tanta gente bonita dando sopa e foi cruzar logo com quem? Ele, que por sinal parecia um Erik perfeito a seu modo de ver. Um moreno não tão musculoso metido naquela máscara charmosa escondendo muitos segredos. Segredos esses somente deles, guardados a sete chaves.
– Eu vou sim e você quem vai me colocar na maca – ela brincou, mantendo certa distância entre eles.
E a noite corria solta ao som animado, quando Marina surgiu diante dos seus amigos, e segurando um microfone nas mãos, anunciou: — Pessoal, vem mais na frente que quero fazer uma brincadeira com vocês.
– Ai Senhor, lá vem você dando uma de instrutora de acompamento de escoteiros – Denise comentou, contrariada.
– Você principalmente, vai adorar – Marina começou a explicar – Um aviso: o que vamos fazer agora não é muito indicado para casais.
– Hum, comecei a gostar – FruFru disse ao lado da sua best, cheio de malícia.
– Quem não for brincar, fiquem espalhados nos cantos para não atrapalhar os que vão participar – Marina avisou, e observando alguns casais sairem do centro, passou a explicar – Primeiro, formem uma fila separada de garotos e garotas uma afastada da outra – esperou que a turma atendesse ao seu pedido e continuou – agora, vão receber uma venda e um pedaço de papel para tapar os olhos – viu o Franja entregar as vendas e folhas soltas de caderno a todos.
– Será que é o que eu estou imaginando? – Denise indagou, maldosa, enquanto colocava a venda nos seus olhos.
– Amor, o que acha de sairmos fora? – Cascão olhou pra namorada colocando a venda e perguntou, receoso.
– Oras, eu confio em você – Cascuda respondeu, sorrindo.
– Se eu fosse você não botaria tanta fé – FruFru insinuou.
– Vamos desistir também? – Quinzinho perguntou, ressentido – Vai que... sei lá.
– Ah... Isso é só uma brincadeira – Magali afirmou, desinibida.
– Agora de olhos vendados, troquem a ordem dos lugares, sem meninos e meninas se misturarem – Marina, que também já não conseguia ver mais nada explicou, e esperando parar o som dos pés, voltou a falar – O esquema é o seguinte galera: As garotas vão passar por cada garoto da fila e tentar adivinhar quem estiver na sua frente e se tiver a certeza, marquem o nome no papel e se não souber, marquem “eu passo” e vai passando pro próximo menino até chegar no final da fila – e após uma pequena pausa, concluiu – lembrando que podem tocar no menino.
– Eu posso beijar quem estiver na minha frente? – Denise perguntou, virando alvo de protestos alheios.
– Bom, se quiser apanhar depois não serei a responsável – Marina respondeu.
– Estamos todas cegas mesmo – FruFru comentou, descarada.
– Então, vamos começar? – Marina ignorou os comentários da patricinha, e disse – E uma última coisa, não podem falar, dar pistas, soprar o nome, principalmente os meninos – e alertou – Tentem ficar em silêncio, se não perde a graça.
E começou a brincadeira. Todos ficaram quietos. Uma a uma seguiu tentando decifrar os meninos, marcando seus nomes quando chegou a vez da Magali, que seguiu normalmente até chegar no terceiro da fila. Sentiu um perfume familiar confundir suas narinas. Tinha a certeza absoluta do dono daquela fragrância. Tocou aquele nariz arrebitado e aquela... boca. Prendeu e soltou sua respiração, sentindo o coração acelerar de uma hora pra outra. Aproximou seus lábios nos dele, e calando com um beijo rápido e inesquecível, afastou-se rapidamente da tentação, indo pro próximo.
Cascão demorou para cair em si. Aquele perfume era diferente da sua loirinha, fazendo o pobre coitado ficar tenso e pensativo. “Merda! Quem me beijou?” Suplicou em pensamentos. Sua vontade era tirar as vendas e descobrir a misteriosa que virou sua cabeça pro avesso. Mesmo assim não podia fazer, não diante da namorada.
Assim que terminou, Magali saiu da roda sem dar importância a quem venceu aquela brincadeira miserável, alegando a necessidade urgente em usar o banheiro. Trancou-se no primeiro WC, encostando na parede gelada e passando suas mãos pelo rosto febril. Havia agido totalmente por impulso, o que não era o seu habitual.
Foi a pia e lavou sua cara mais pálida que fantasma. Olhou o espelho, culpando o próprio reflexo pelas atitudes impulsivas. Havia cometido o mesmo erro pela segunda vez: traiu sua amiga beijando seu melhor amigo de infância. Logo ela, que ajudara eles reatarem o namoro.
De repente, uma segunda voz, que não era do seu interior arrependido, chamou sua atenção.
– Oh miga, está tudo bem? – Mônica perguntou ao notar a palidez notável, ajeitando seu penteado chanel.
– Mais, mais ou menos, a minha pressão caiu e acho que vou embora mais cedo – Magali mentiu, fingindo cansaço.
Ao sair do banheiro, chamou o namorado num canto e avisando do mal-estar. Chamaram um táxi e sairam juntos mais cedo. Mal sabia Magali que a meio áquele silêncio perigoso, o estalar discreto das bocas não havia passado despercebido.
A noite acabou ali, em frente a porta da sua casa, encontrando seus pais preocupados. Escutou um sermão eterno e, chegando no quarto, jogou todo o peso do corpo na cama. Enfiou a cabeça ainda quente debaixo do travesseiro sem ligar pro coque desfeito. Tinha um namorado apaixonado e um futuro herdeiro de uma grande padaria na palma das mãos, mas não conseguia parar de pensar no beijo que deu no skatista moleque tão lindo naquela fantasia de Fantasma Erik. Adormeceu sem cobertor, enfiado naquele vestido.
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No dia seguinte, custou a acordar por sentir seu corpo mais pesado que na noite anterior, a cabeça rodando igual numa montanha-russa. Tentou levantar sem sucesso. Lili surgiu preocupada pela demora da filha amante de suas comidas não dar as caras no almoço, e pegando um termômetro, mediu a temperatura.
– Trinta e oito graus – Lili suspirou e disse – a senhorita trata de desmarcar todos os compromissos e descansar por hoje.
Obedeceu sem reclamar, afinal tinha abusado na bebida, e realmente não sentia nenhuma vontade de sair num dia chuvoso. Recebeu todos os mimos possíveis como almoço na cama e chá da vovó que fazia milagres. Observou a chuva levar embora a poeira acumulada na janela. Ah se a chuva levasse também seus sentimentos por ele. Queria que tudo voltasse como antes, ela pensar somente no Quim e ser feliz com as igualias daquela padoca.
Apesar de passar o tempo entrando em blogs de artistas, sites de notícias, de moda e bem-estar, espiar Facebook dos amigos inclusive da Marina que publicara fotos com todos no final da festa sem sua presença, as horas seguintes pareceram uma eternidade.
Ao escutar o som de mensagem no celular, largou o computador ligado e leu as mensagens atrasadas. Entre eles, textos do namorado e da dentuça. Um era aviso do encontro esquecido deles e outro da amiga preocupada com seu estado. Agradeceu que foi remarcado para outro dia qualquer, assim evitaria o receio.
Nesse exato momento, a Mônica entrou trazendo xícaras de chá e bolinhos de chuva numa vasilha. Sentaram as duas no colchão. Conversas iam e vinham até a visita tocar no assunto da festa.
– Estão comentando que no níver de ontem, naquela brincadeira, escutaram estalos de um beijo – Mônica comentou e, estranhando a dona da casa engasgar com um simples bolinho, perguntou intrigada – Você não tem nada a ver com isso, ou tem?
– Eu, eu, eu não, imagina, o que tenho a ver... – Magali respondeu, e tentando manter a calma, disse – Deve, deve ser coisa da Denise ou da Carmem.
– Todo mundo está comentando que é a Denise que beijou o Titi no Face, mas – a dentuça afirmou – eu já não sei.
– Ah, mas, mas, mas aí quem poderia ser? – Magali indagou.
– Eu acho que estou olhando pra ela – Mônica disse, e notando a amiga engolir seco, falou baixinho – mentir é tão feio.
– Tudo bem, fui eu – Magali confessou, levemente corada – eu não sei o que passou pela minha cabeça na hora e...
– Eu super apóio vocês dois – Mônica interrompeu a fala da adoentada.
– Apoiar? – Magali disse, estupefata – Eu namoro, sabia?
– Mas e daí? – a dentuça comentou – O que adianta namorar um se está com a cabeça noutro?
– Essa não é a hora – Magali rebateu, confusa e passando a mão no cabelo, disse – Isso é só uma coisa passageira...
– Sempre é hora – Mônica retrucou, e encarando naqueles olhinhos perdidos, acrescentou – Sabe miga, eu sempre te achei muito perfeitinha, muito certinha, muito acomodada, que as coisas nunca precisam mudar, e enfim, já entendeu o que quis dizer.
– Deve, deve ser a bebida – Magali desconversou, bebendo a camomila – eu tenho certeza que esse chá vai me acordar disso tudo.
– Dá uma chance pra vocês – a dentuça disse piscando.
– Que chance? – Magali disse – Ele nem sabe que fui eu.
– Vai lá e conta pra ele que deve estar curioso em saber – Mônica falou.
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Enquanto isso, num quarto não tão distante dali, dois amigos ficaram conversando horas a fio, sobre a garota misteriosa que surgiu de pára-quedas na vida do Cascão.
– Que merda viu – Cascão desabafou – se eu soubesse quem era que me beijou ontem...
– Mas tem certeza que não foi a Cascuda? – Cebola indagou, pensativo.
– Absoluta velho – Cascão disse, jogando-se na cama entulhado de revistas pornôs, gibis e HQs.
– Falaram que a Denise e a Carminha beijaram um aí no Face – Cebola comentou.
– Ah nem viu, deve ser o Titi que vive enrolada com elas – Cascão contrariou, e olhando pro teto, mudou radicalmente de assunto – E vocês como estão indo?
– Estamos indo, mas – Cebola deixou escapar um suspiro – ela anda cismada com um perfume que não encontra nem aqui e nem na China.
– Perfume? – Cascão levantou-se num pulo como alguém que teve uma brilhante idéia – Eu posso descobrir quem é ela procurando por perfumes.
Cebola caiu na risada pela burrice do skatista e contendo os risos, indagou: — Você é idiota? – e soltou outra pergunta – Ou por acaso nunca foi numa perfumaria?
– Uma vez na vida, ainda forçado porque sempre detestei essas porras – Aquelas palavras do Cascão fizeram o nerd lembrar que ele não tomava banho na infância.
– E você vai correr atrás disso mesmo assim? – Cebola afirmou, surpreso – Eu tenho é pena da Cascuda que está levando outro chifre e das piores.
– Sai fora... eu só queria descobrir quem foi a louca – Cascão disse, passando a mão na boca com resquícios daquele beijo inesperado.
– Sei – Cebola comentou, levando um tapão nos seus ombros.
Continua...
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