Um Noivo para Minha Irmã
2 Meio
Notas iniciais
Meio
“Longe de mim eu ter me tornado a megera, eu só queria a cumplicidade. O eu te amo é apenas uma frase feita dentre tantas outras que ouvi de você.”
Foi logo no dia seguinte que Naruto, Konohamaru e Hanabi se reuniram. O loiro queria saber tudo o possível sobre a Hyuuga mais velha, queria ter todas as informações necessárias que lhe ajudariam a conquistá-la rapidamente. A conhecer do modo tradicional não funcionaria, ele disse, já que ela não era do tipo que se abria para romances.
Foi assim que Hanabi começou a observar melhor algumas manias da irmã, assim como notara que ela saía mais. Não podia afirmar que era por conta de seu pedido, mas torcia para que fosse, isso ajudaria o plano deles e também mostrava que esta se importava com ela. Apesar do que Naruto pensou e até mesmo indagou, as irmãs não tinham uma relação de todo ruim, apesar das divergências. Hanabi sempre protegera Hinata quando alguém comentava algo dela e as duas sempre tinham longas conversas quando o pai não estava em casa.
Era assim que Hanabi sabia que Hinata ia a apenas dois restaurantes na cidade quando saía com as amigas, que tinha apenas um pub que ela frenquentava quando elas insistiam muito, pois achava todos os outros muito fora do padrão de lucidez. Sabia também algumas bandas preferidas da irmã, o que também pareceu ajudar Naruto. Ele perguntou se ela tinha um diário e isso era algo que Hanabi sabia não existir desde os oito anos. Ela sabia quantos namorados a irmã tivera, e até se lembrava o do nome de alguns. Hanabi sabia, inclusive, os horário de Hinata melhor que seu pai, isso porque a irmã sempre deixava disponível, para não ter cobranças do mesmo.
Além disso, elas tinham ótimas conversas sobre hobbies, como livros e filmes e por vezes faziam sessões longas e divertidas de pipoca, doces e filmes. Nos últimos anos, com os plantões de Hinata, essas sessões eram cada vez mais raras, mas igualmente especiais para as duas. Tanto que quando percebeu o que estava fazendo, a moça começou a chorar, perguntando se era realmente necessário. Quando Hinata descobrisse, ela sabia, nunca haveria perdão.
Naruto garantiu que ela nunca saberia, que quando fossem terminar ele seria gentil, mas a faria crer que era apenas por não ter dado certo. Apesar de querer muito, Konohamaru não estava disposto a ver Hinata sofrer, mesmo não conhecendo a cunhada tão bem não queria ser o causador da dor de ninguém. Foi Naruto quem os convenceu que aquilo era o melhor. Ele precisava daquilo também, para convencer a todos que ele estava ali por um motivo e não causar maiores especulações entre os familiares do que já causava. Ele sabia ser o que toda mulher queria, não poderia ser mais difícil com aquela. Se toraria até um desafio.
Tendo todas as informações possível de Hinata em mãos, ele se sentia pronto para abordá-la, só precisaria que Hanabi confirmasse um dia que Hinata sairia com as amigas e o faria. Este dia não demorou a chegar. Como observado pela mais nova, Hinata estava saindo mais vezes, o que deixava Hiashi incrivelmente mais “azedo” com a possibilidade da filha estar começando um romance. Assim, no dia que recebeu a mensagem da mais nova, Naruto saiu para o pub. Era uma sexta-feira e de acordo com o horário que Hanabi lhe entregara, Hinata não tinha plantão no fim de semana, e sim folga. Ela sairia, ele tinha certeza.
E estivera correto. Ao entrar no local se deparou com o mesmo relativamente cheio, mas muito mais organizado e sociável do que os outros que tinha ido na cidade vizinha e até mesmo ali. Para uma cidade pequena, Konoha tinha muitos pubs. Caminhou até o balcão, olhando em volta a procura da jovem que vira apenas por fotos. Tinha certeza que alguém com uma beleza tão diferente não passaria despercebido, e novamente acertara.
Hinata estava sentada também próxima ao balcão com duas outras mulheres, uma loira e outra com cabelo... rosa. Naruto se surpreendeu com a cor do cabelo dela e fez uma careta ainda distante. Decidiu por observar o grupo para fazer uma aproximação. As três conversavam, sendo a loira a que mais falava, e riam muito. Tinham taças em suas mãos com alguma bebida colorida. Ele se surpreendeu ao ver a mulher bebendo, Hanabi não contara aquilo... ou não sabia. Hinata parecia muito mais solta do que lhe contaram e por isso mesmo seus olhos ficaram mais fixos nela do que nas três. O sorriso era bonito; ele poderia elogiar depois, o cabelo era lindo; ele também poderia elogiar, e ela se movia com graça, algo que ele poderia continuar observando sem problemas. Foi assim que ele passou a observar também o corpo da Hyuuga. Ela estava bem informal com uma calça jeans e uma camisa de malha fina ¾ branca. Pela baixa iluminação do local ele não saberia dizer se ela estava com muita, pouca ou nenhuma maquiagem, mas não parecia haver qualquer imperfeição naquele rosto.
Foi apenas quando os olhos perolados, únicos, encontraram os seus parecendo curiosos é que notou que as amigas tinham percebido que ele a tinha notado e agora avisaram a ela. Dera muito em evidência o seu interesse, mas talvez fosse bom neste caso. Precisaria ser mais cuidadoso agora. Hanabi dissera que Hinata sempre fugia dos mais discarados. Por isso mesmo ele desviou o olhar do dela imediatamente, fazendo parecer que estava sem graça de ser pego em flagrante. Coçou a bochecha e arriscou olhar para o lado. Ela estava realmente sem graça e a loira dividia o olhar entre ele e a amiga, enquanto a outra falava algo em seu ouvido. Sempre tivera curiosidade com o que as mulheres diziam naquelas ocasiões.
Pegando a bebida que acabara de pedir, Naruto se levantou e começou a caminhar na direção do grupo. As duas pareceram animadas enquanto a morena pareceu nervosa, envergonhada. Konohamaru não exagerara ao dizer que ela era assim. Seria isso que afastaria os homens? Ela seria virgem e os homens não queriam investir em algo mais sério? Talvez ela só não tivesse tido a sorte de encontrar alguém que estivesse mais interessado nela do que na beleza dela. Era um caso a se pensar.
— Boa noite, senhoritas. – Naruto usou o seu jeito mais galante ao falar aquilo, mas tinha um sorriso divertido nos lábios e deixava claro que seu interesse era Hinata ao manter o olhar nela enquanto as três lhe respondiam. – Aceitam uma bebida? Por favor, não neguem, estou aqui sozinho hoje.
Sempre funcionava. Ele costumava andar sozinho justamente por isso. Raramente negavam por ficarem com pena, ou em alguns casos por acharem mais certo de conseguirem algo. A loira foi logo pedindo pelas três, sabia que Hinata não conseguiria reagir. A morena estava entre o rubor e o sorriso. Naruto achou aquilo extremamente encantador! Sentou-se de frente para ela em uma mesa que as conduzira enquanto pedia ao garçom que lhe trouxesse as bebidas.
— Aproveitando o início do fim de semana? – ele perguntou puxando assunto.
— Mais ou menos. – respondeu Sakura olhando pelo canto dos olhos para Hinata. – Eu fui arrastada pelas duas mesmo trabalhando amanhã.
— Trabalhando no sábado? O que faz? – perguntou com interesse, mas seus olhos ainda seguiam a procura dos perolados que desviavam a todo instante. Ele continuava sem entender o enigma que aquela mulher era.
— Eu e Hinata... – ela apontou para a morena, deixando claro que dissera o nome para ele saber mesmo. – Trabalhamos no hospital aqui perto, já a Ino é psicóloga. Ela trabalha lá apenas alguns dias. Ah, a propósito, sou a Sakura.
— Muito prazer conhecê-las. – ele se adiantou e então observou as três por um curto período. – Todas as três são médicas, de alguma forma. – ele se referia a Ino, que se denominava diferente, mas para ele é médica de qualquer forma. – Estou me sentindo péssimo. Sou um jornalista barato e desempregado. – ele riu com a verdade. – Não sou da cidadde, então me desculpem por não saber onde é esse hospital.
— Ah! – Ino logo se animou. – Você se mudou ha pouco tempo? – o loiro afirmou com a cabeça e ela sorriu, lançando um olhar malicioso para Hinata que corou ainda mais. – Existem três ótimos lugares que posso lhe indicar, se quiser um emprego. Hinata também!
— Eu ficaria muito agradecido. Meu primo disse que me indica também, mas nunca é demais, não é mesmo? – o garçom tinha trago as bebidas e todas, incluindo a morena, tomaram aquele espaço para apreciar.
— Seu primo é da cidade? – agora o interesse de Ino era exclusivamente dela.
— Sim. Talvez vocês conheçam. Konohamaru Sarutobi. – e foi ao que ele terminou de falar que Hinata se engasgou. – Hinata? Está bem? – ela acenou com a cabeça e Naruto sorriu internamente com aquilo. – Vocês conhecem?
— Ah, e como! – Ino falou e Sakura concordou com grande ironia. – Seu primo é o cunhado da Hinata aqui.
— Mesmo? Ah, eu sabia que já tinha lhe visto em algum lugar. – ele comentou e Hinata o olhou, desta vez além de envergonhada ela estava confusa e curiosa. – Meu primo estava me mostrando as fotos da noiva, que se parece muito com você, e em uma dessas você estava junto. – ele esclareceu o que não era completamente mentira, exceto que Konohamaru mostrara de propósito.
— E é por isso que estava encarando a Hinata, Naruto? – Ino perguntou sem rodeios.
— Por achar que a conhecia? Também. Eu sabia que não podia me enganar com uma beleza tão única. – galante, mas sincero. As meninas se entreolharam enquanto a morena abaixava a cabeça visivelmente envergonhada e agradecia em voz baixa. – Imagine... Bem senhoritas, vou deixá-las a sós novamente. Foi um prazes conhecê-las e espero as ver novamente em breve. – dizendo isso ele fixou o olhar em Hinata e piscou para ela quando esta lhe olhou.
As três observaram Naruto seguir para o balcão e pagar a conta e também quando acenou para elas. Nesse momento Hinata também olhava e se preparava para os vários comentários das amigas. Naruto decidira não investir mais do que aquilo no momento, agora que já revelara de quem era parente ficaria mais fácil e sabia que as meninas seriam suas aliadas naquele caso. Hinata, por outro lado, enquanto ouvia Ino e Sakura descreverem os olhares e como seria vantagem para ela sair com um homem bonito como Naruto, pensava apenas que esta poderia ser a chance que precisava para ajudar sua irmã. Ela poderia dar essa chance, se Naruto quisesse, e Hanabi poderia tentar conseguir o que queria. Tinha decidido dar o que a irmã queria, essa era a sua chance, talvez.
Foi alguns dias depois, logo após Naruto contar como tinha sido essa primeira abordagem que Hanabi e Konohamaru armaram algo. Hinata sairia do plantão naquela tarde e teria o dia seguinte em casa, Hanabi convencera a irmã de ir a praça com ela para um piquenique e perguntara se ela podia convidar Konohamaru. Mais uma vez Hinata concordou. Ela era uma das poucas que sabia há quanto tempo os dois estavam juntos e muitas vezes Hinata saíra de casa para que Hanabi também pudesse sair, não via qualquer mal em ter o cunhado com elas. O que ela não esperava é encontrar Naruto lá também. No mesmo instante corou e olhou pra irmã que deu de ombros.
Hanabi explicara para os dois que Hinata tinha acabado de sair de um plantão e Konohamaru pediu desculpas por convidar Naruto sem antes perguntar se podia, fazendo uma brincadeira sobre não deixar o primo sozinho, mesmo ele sendo o mais velho dali. Hinata imediatamente disse que não era qualquer problema antes que eles decidissem comer. A mais velha estava mesmo faminta e não se fez de rogada ao ser a primeira a se servir, deixando os demais mais a vontade para o fazer.
Hanabi e Konohamaru logo mergulharam em um diálogo apenas os dois, não parecendo se importar que tivessem outras pessoas alheias àquela conversa. Assim, aproveitando daquela distração, Naruto se sentou ao lado de Hinata e pegou algum doce que estava perto dela para comer. A Hyuuga o olhou e deu um pequeno sorriso. Ela não sabia o que ele estaria pensando, nem mesmo sabia dizer se ele estaria mesmo interessado em tentar algo, mas se tinha que o incentivar, era do seu jeito que o fazia.
— Eles se desligam juntos, não é mesmo? – comentou o loiro de forma casual.
— Sempre assim, nas poucas vezes que vi. – a voz de Hinata era muito baixa, Naruto teve de chegar mais perto para ouvi-la melhor. – Conseguiu arrumar um emprego já?
— Ah, tenho uma entrvista amanhã pela manhã. Quer fazer uma recomendação?
— Eu não o conheço pra isso. – ela não quis ofender, mas era muito sincera. Por um instante Naruto a olhou e logo compreendeu isso no olhar dela. – Digo, eu teria...
— Ah, eu sei. Falei brincando. Não que a gente não possa se conhecer. Desde aquele dia no pub eu quero isso...
— Hmm... Vocês se encontraram no pub? – Hanabi escolheu aquele momento para prestar atenção. Logo olhou de Naruto para Konohamaru. – Entendi.
Ninguém disse nada, mas Hinata pôde imaginar com os olhares que observava. Como que imaginando que ela descobrira, Konohamaru chamou Hanabi para dar uma volta e novamente os outros dois ficaram sozinhos.
— Desculpe por isso. – Naruto se adiantou. – Meio que pedi a Konohamaru para vir. Queria lhe ver novamente e sem suas amigas... – ele confessou a olhando. Hinata poderia dizer que ele estava desconcertado, coçando a nuca com um sorriso amarelo nos lábios.
— Ah, não se preocupe. Eu não me incomodo. – afirmou sorrindo e logo desviando os olhos. Hinata tinha decidido dar uma chance, mas não imaginou que fosse ser tão fácil. Naruto sabia bem o que dizer para lhe fazer se sentir lisonjeada.
— Então se incomodaria de sair comigo e só comigo amanhã? Ou você estará trabalhando?
— Não vou trabalhar amanhã, é minha folga, mas trabalho cedo no outro dia.
— Então podemos sair por esse horário amanhã. Assim te conto como foi a entrevista.
— Acho que pode ser... – ela concordou. Naruto não achou que fosse ser tão fácil pelo o que os outros falavam. Talvez ela tivesse gostado dele e isso o alegrou. Não escondeu esse fato e por isso a viu sorrir e novamente desviar o olhar.
Logo depois disso o casal voltou e os quatro passaram mais algum tempo juntos, comendo um pouco mais antes das meninas se despedirem e saírem em direção a casa. Por sorte o pai não estaria até perto da noite, por isso não precisariam dar qualquer explicação de demora. Hanabi observava a irmã por vários instantes, notando que além de pensativa ela estava com um sorriso diferente nos lábios.
— Ora, vamos, me conte. – pediu, finalmente.
— Vocês armaram isso, não é mesmo? – a mais velha perguntou, mas não se mostrava chateada.
— Konohamaru comentou comigo sim que Naruto tinha gostado de você e queria encotrar com você, mas achei que fosse por fotos. – mentiu sem demonstrar isso. – Por isso não vi mal nenhum nisso. Não estou querendo lhe empurrar namorados só por conta da regra do papai, Hina. – se adiantou, antes que a irmã a acusasse.
— Sei disso. – a mais velha comentou, o que vez a outra se sentir culpada por isso. – E eu estou tentando ser mais aberta por isso. Não nego que seria melhor se você repensasse isso, mas já que está decidida, estou disposta a deixar que faça suas escolhas, sejam certas ou erradas. Por isso, Hana, eu estou dando uma chance de conhecer melhor o primo do seu noivo. – ela sorriu então para a irmã e começou a caminhar mais rápido. – Agora preciso dormir, ou amanhã não vou encontrá-lo.
— O que? Vai encontrá-lo amanhã? – a mais nova gritou, seguindo a irmã aos risos.
Era uma bela relação e saber que Hinata estava se esforçando por ela fez com que Hanabi se sentisse amada, como há muito não se sentia, desde muitos anos antes da morte da mãe, até. Hanabi era grata por ter uma irmã mais velha como Hinata, que cuidara dela quando a mãe ficou doente, mesmo as duas sendo bem maduras. E por isso, ao mesmo tempo, se sentia culpada de estar praticamente subornando Naruto para conquistar a irmã. No fundo, seu coração estava bem apertado de imaginar se Naruto não cumprisse o prometido e magoasse sua irmã.
No dia seguinte, porém, isso não a preocupava tanto mais ao ajudar Hinata a se arrumar. Apesar de ser um horário informal, fizera uma bela trança na irmã que se vestira com um vestido leve. Era algo difícil de ver na médica que andava sempre de jeans e branco. Naquele dia Hinata abandonara a cor do dia-a-dia. Mais uma vez Hiashi não estava em casa, o que poupari mais longos discursos e Hanabi poderia sair com Konohamaru também. Ver o olhar brilhante na irmã mais nova animava a mais velha. Algo no rapaz loiro deixava Hinata um pouco ansiosa, talvez por ele não conhecer seu histórico fracassado, ou mesmo por não parecer se incomodar com sua timidez. Ambos os casos eram possíveis.
Quando a campainha tocou, Naruto estava lá com uma calça jeans e uma camisa polo azul. Seus olhos pareceram ainda mais azuis para Hinata, que sorriu emcabulada com o pensamento. Logo após se despedir de Hanabi dizendo o horário que era pra ela estar em casa, por conta de Hiashi, a mais velha acompanhou o loiro. Primeiro ele a levou para uma casa de chás, onde tomaram três tipos de chás diferentes, todos em meio a histórias engraçadas de Naruto e sua busca por matérias dos mais variados tipos para o jornal que trabalhara anteriormente, e também comeram Nikuman, um bolinho de massa de pão com recheio de carne e legumes, que Hinata confessou serem seus favoritos.
Após o breve lanche, os dois saíram para andar pela praça. Haviam muitas pessoas ali. Por ser início de verão, o clima ainda estava ameno e as pessoas aproveitavam para passar a tarde por ali, fazendo piqueniques como eles no dia anterior. Naruto contava como tinha sido sua entrevista e contara, feliz, que tinha conseguido o emprego e começaria na semana seguinte. Ele fazia Hinata falar também, além de rir, perguntando o que a motivara a seguir a carreira e como ela conseguia ver tanto sangue, o que a fez rir.
Para a surpresa de Naruto, ele e a Hyuuga se deram muito bem. Ele sabia, através de Konohamaru que fora informado por Hanabi, que Hinata estava se esforçando pela irmã, mas não imaginou que ela fosse dar tamanha abertura a ele e nem mesmo o próprio achou que fosse tão fácil se encantar com o jeito tímido e leve da mulher. Estava mais acostumado com mulheres como Ino, mais atiradas e fáceis, que se derretiam com um elogio e que tinham em mente o que queriam logo de início. Hinata parecia ter em mente um propósito, mas não o caminho completo, isso fez com que o loiro quisesse sempre lhe surpreender.
A cada encontro que se seguiu foi assim. Pois a cada folga de Hinata ele estava lá. Tinha conseguido o número da morena e por isso lhe mandava mensagens ocasionais, no início contando alguma coisa engraçada. Mal ele sabia que era a forma mais rápida de ganhar caminho com ela, mas aprendeu. Aprendeu também que ela não pensava duas vezes em não marcar nada com ele se tivesse algo com as amigas e isso o deixou aliviado e tenso ao mesmo tempo. Sabia que mulheres, em sua maioria, sempre queriam estar perto do interesse romantico, julgava-se ainda longe disso. Mas era onde se enganava.
Hiashi também notou isso quando Naruto ligou para Hinata durante um jantar que a família Hyuuga fazia junta em um domingo e ela pediu licença e se afastou, falando com ele. Hanabi sorria, vendo a irmã corar ao atender o telefone e rir em seguida. Por mais que aquele fosse um plano para fins egoístas, ela notava o quanto Hinata estava mais leve, como há muito não a notava. Ao mesmo tempo, seu coração se apertava. Naruto estaria apenas fingindo mesmo? Uma hora teria de perguntar, mas se permitiu ser egoísta um pouco mais.
Foi quase um mês depois do primeiro encontro que os dois tiveram que Naruto convidou Hinata para um jantar, avisando que seria em um dos restaurantes que ela gostava e que já confidenciara para o loiro. Por isso a Hyuuga se arrumou um pouco mais para a ocasião, arrancando elogios de Hanabi e expressões emburradas de um pai descontente. Como sempre, o Uzumaki a buscara em casa e, também como sempre, a deixara escolher todo o jantar, o fazendo apenas quando ela parecia sem graça demais por decidir.
Foi ali também, com velas sobre a mesa de jantar e um vinho que ele fizera questão de escolher, que Naruto a olhou de uma forma diferente, forma essa que indicou a Hinata o que ele faria.
— Acredito, por sua expressão, que sabe porque marquei o jantar aqui.
— Aprendeu a me ler tanto assim em tão pouco tempo? – uma coisa que Hinata se tornara também fora falante. Era surpreendente como todo o ar quieto aos poucos fora sumindo e uma mulher mais solta apareceu.
— Acho que sim. Mas me deixe ir até o fim, por favor. – ele pediu e ela aquiesceu. – O tempo que estamos passando juntos tem sido especial e gostaria muito que pudessemos ter muitos outros como esse. Mas gostaria que a partir de agora fosse como algo. Gostaria que fosse, oficialmente, a minha namorada. – ele pausou, analisando a expressão de Hinata. – Você aceita, Hinata?
Um pedido simples, porém sincero. Não fora uma declaração e Hinata agradeceu internamente por isso. Ainda estavam se conhecendo, ainda tinham muito o que aprender sobre o outro, mas Hinata poderia se permitir esse título. Por isso concordou e naquele momento o beijo que trocaram, não o primeiro, foi o primeiro com o título.
A notícia foi bem recebida por Hanabi em casa, mas nada bem por Hiashi que começou com um grande discurso de que aquilo era um absurdo e que o rapaz não o respeitara. Para ele o pedido deveria ter sido para ele primeiro, uma permissão. Hinata, porém, não se intimidou. Imediatamente disse que Naruto iria ali sim, mas que o pai não pensasse em negar ou mesmo inventar uma nova regra. Ela o ameçou com apenas o olhar e por algum motivo Hiashi Hyuuga pareceu consentir.
Este dia ficaria marcado na família Hyuuga. Hanabi dissera que não perderia aquilo por nada. Durante todo aquele tempo, os quatro tinham saído muitas vezes, e como se já fizesse mesmo parte da família, Naruto sempre pegava no pé da mais nova e do primo. Assim, como uma pequena vingança, Hanabi queria ver como o loiro lidaria com o sr. Hyuuga, que estava especialmente azedo naquela noite de domingo.
Assim que Naruto entrou, ele ignorou os olhares tensos e se adiantou, beijando a testa de Hinata, descontraído e perguntando como ela estava. Hiashi arregalou os olhos, claramente surpreso com tal ousadia. Logo o loiro foi conduzido para a presença do senhor e estendeu a mão para ele, sorrindo como apenas ele era capaz.
— É um prazer, senhor Hyuuga. Gostaria me apresentar oficialmente, sou Naruto Uzumaki.
— É, gostaria de poder dizer o mesmo. – murmurou o senhor, sem fazer questão de parecer educado. Acenou para a mesma poltrona que fizera Konohamaru se sentar e assim como a irmã, Hinata se sentou na outra, enquanto Hanabi ficava perto da porta, apenas olhando.
— Sei que o senhor deve estar com raiva por eu não ter vindo no senhor primeiro. Peço desculpas por isso, sinceramente. Mas peço, principalmente, que não fique com raiva de meu primo.
— Ah, é. Sinto que estão armando. – direto. Hiashi era sempre direto.
— Posso lhe garantir que não, senhor Hyuuga. Hinata atraiu minha atenção assim que cheguei. Ela é uma moça única e qualquer um que a conheça verdadeiramente, como venho conhecendo pode pensar e comprovar o mesmo.
— Como vem conhecendo?
— Papai! – Hinata o recriminou. Sabia o que o pai estava pensando.
— Posso garantir que não assim, senhor. Temos estado sempre em locais públicos, pode perguntar a qualquer um e quase sempre estamos com Hanabi e Konohamaru.
— Mais uma prova dessa armação.
— O que preciso fazer para que o senhor acredite que não é uma armação? – Naruto foi direto com o homem e Hinata o fitou, levemente curiosa.
— Hm... interessante. Para começar, uma conversa em particular. – acenou então para as duas filhas e chamou Naruto para onde sabia que não seriam ouvidos: o escritório.
Hanabi não esperava por aquilo, justamente por Konohamaru, que lhe pedira a mão, não ter passado. Mas imaginou que fosse normal, vindo de Hiashi, pois ele queria descobrir uma armação. Ficou, por isso, mais nervosa do que Hinata, que apenas encarava a porta ao longe, pensativa. Era como se ainda tentasse entender o que acontecia. Não percebia Hanabi andando e tagarelando no telefone com o noivo. Seus pensamentos estavam voltados para o que Naruto realmente sentia e o que ela sentia, principalmente.
Quando os dois saíram, Hiashi apenas avisou que permitira o namoro e no mesmo instante a mais velha se adiantou ao loiro enquanto o pai subia e Hanabi ficou entre a surpresa e a confusão.
— O que houve? O que falaram?
— Nada demais. Ele apenas me perguntou algumas coisas de você que já aprendi, perguntou minhas intenções com você e me pediu para não magoá-la. Ah, pediu que passássemos algum tempo por aqui, assim como Hanabi, para que ele pudesse olhar mais afundo esse relacionamento. – contou Naruto despreocupado. Passou a mão pelo cabelo da morena, prendendo atrás da orelha e sorriu. – Acho que será a minha primeira namorada de sofá, Hyuuga.
— Isso é tão... – ela começou, parecendo receosa e então sorriu. — ... diferente.
— Vale a pena. – deu então um beijo no nariz dela e piscou para a mais nova. – Acho que você deve avisar Konohamaru que ele passará pelo mesmo graças a mim, assim quando e chegar ele já terá se acalmado com sua voz. Vem... – chamou Hinata a pegando pela mão após falar com Hanabi.
Os dias seguintes foram assim. Algumas vezes durante a semana tanto Naruto quanto Konohamaru apareciam na casa das meninas e ficavam por lá, fosse ajudando no jantar, fosse assistindo TV com Hiashi. Konohamaru ainda tinha um certo medo do sogro, que aos poucos Naruto o ajudava a vencer, travando longos diálogos entre os três. Quando Hiashi decidia que era demais para si, os casais seguiam cada um para um canto da varanda e este era o momento mais único de cada um.
As coisas começaram a mudar dois meses depois. Hanabi conseguira convencer o pai a deixá-la se casar, ou ao menos, começar a arrumar as coisas já que naquele mesmo mês ela se formaria. Hinata, sua madrinha, estava lhe ajudando em tudo, se deliciando com aperitivos que deveriam escolher para o buffet, espirrando com muitas flores, ficando louca com músicas e quase chorando ao ver sua irmã com um lindo vestido de casamento. Os longos preparativos duraram mais um mês e meio e este estava sendo o maior tempo de namoro que a moça já tivera. Naruto lhe dava espaço quando precisava, mas também parecia saber quando ela não precisava e dizia que sim. De alguma forma, ele parecia lhe entender bem.
E aquilo a assustou. A assustou, porque também via algo diferente nos olhos azuis. Algo que não deveria estar lá, não para ele, ao menos. Foi nesse momento que, mesmo sabendo que poderia frustar os planos da irmã, Hinata começou a mudar. Começou com discussões de aparentes ciúmes. Depois foram cobranças, mas nunca quando ele estava com ela, apenas por mensagens e ligações. Logo depois começou a dizer coisas que seu pai dizia, como que para testá-lo e, finalmente, ela começou a evitá-lo, como se todos aqueles meses não tivessem sido nada. Era como se nada na sua vida tivesse mudado. Ela não atendia aos telefonemas, arrumara mais horas no hospital e quando mandava uma mensagem era dizendo que estava trabalhando muito.
Hanabi se desesperou, assim como Konohamaru e Naruto pareceu perdido. Ele não tinha feito nada de errado, nem mesmo chegara a dar motivo para os ciúmes anteriores. Pela primeira vez na vida, ele tinha a mente completamente limpa, nem mesmo falar algo de errado sobre o sogro, como costumava fazer, ele fizera. Não entendia a mudança repentina da doce menina que conhecia para aquela... megera.
Com a ajuda da cunhada, conseguiu saber o dia que a morena estava em casa, aparentemente apenas cozinhando. Ela não teria como fugir. Pediu que Hanabi saisse ao saber que Hiashi não estava em casa e prometeu, claro, não fazer nada demais, apenas garantir que Hinata pararia de ignorá-lo. Assim sendo, ao ver a cunhada sair de casa, o mesmo saiu do carro e tocou a campainha.
— Esqueceu a chave outra vez? – Hinata parecia anormalmente irritada.
— Não, mas esqueci de perguntar se nosso namoro tinha prazo de validade. – direto. Talvez fosse isso que o fizesse se dar tão bem com Hiashi, afinal.
— O que faz aqui?
— Vim te perguntar por que está me evitando. – Hinata revirou os olhos ao ouvir aquilo e mesmo sem convite, Naruto entrou. – O que eu fiz, Hinata? Qual é o problema?
— Você não fez nada. – apesar da irritação, Naruto sabia que ela estava não apenas falando a verdade como também sendo sincera. – Não dá, ta bém? Eu tentei, vou viver com o ódio da minha irmã. Agora pode ir embora?
— Não. – ele disse, dando de ombros. – Vamos parar com essa baboseira adolescente? Não somos mais adolescentes, nem Hanabi e Konohamaru que são mais novos não fazem isso.
— Vá embora, Naruto.
— Por que mudou de repente? Eu preciso entender!
— Não. – falou com veemencia, negando com a cabeça também. – Não vai fazer diferença. Daqui a pouco vai estar com outra pessoa e isso vai mudar o que? Entender ou não, não muda nada.
— Está pior do que adolescente, Hinata. E mais ainda, a minha doce garota se transformou em uma megera que briga por tudo e me afasta depois como se a tivesse feito um grande mal.
— E fez! – ela gritou, mas logo tampou a boca. Por um breve instante Naruto achou que ela tinha descoberto o motivo de ele ter se aproximado, mas logo descartou, pois se assim fosse sabia que ela estaria furiosa não apenas com ele.
— O que eu lhe fiz? Diga, Hinata. Precisa me dizer! – ele foi se aproximando enquanto falava e ela se afastando, até bater no portal que dava para a sala. – Não tem pra onde fugir e eu não vou desistir.
— Por que não desiste? Por que tem de ser diferente até nisso? – o loiro, ao ouvi-la, podia jurar que a moça estava chorosa e novamente, não o encarava. Ali estava a sua Hinata.
— Talvez porque tenha me encantado de verdade. – aquilo era uma confissão para ele, mas também para si. Era algo que não esperava ao se colocar naquela situação, era algo que acontecera porque tinha que ser. E era a pura verdade. Hinata o conquistara, o encantara. Não fora a primeira, mas fora a mais forte e surpreendente. Ter sido pego de surpresa fez toda a diferença para ele.
— Não... – ela choramingou, desta vez cobrindo o rosto com a mão e negando com a cabeça em seguida. – Não diga nada que vá retirar depois.
— Eu não vou retirar nada. Você me encantou, Hinata. E acho que posso estar me apaixonando, se é que não já aconteceu nesses meses todos. Agora me diga, o que eu lhe fiz? – enquanto falava, Naruto retirava as mãos dela do rosto e erguia-o.
— Você fez com que eu me sentisse assim. – mas ele esperou. Queria mais, precisava de mais. – Você me faz acreditar que posso estar apaixonada.
— O que isso tem de tão ruim, Hinata? Não gosta de estar comigo? – apesar de perguntar isso, ele sorria. Não esperava se sentir tão feliz por um notícia como aquela. Seus sentimentos com Hinata o surpreendiam a cada instante.
— As pessoas sempre somem. – ela murmurou. Se ele queria a verdade, ela contaria. – Minha mãe, meu ex-namorado. – Naruto esperou e ela suspirou. A história viria a tona pela pessoa que ela menos esperava contar isso algum dia. – Não vou falar sobre minha mãe. – esclareceu e Naruto imaginou que sabia, pois Hanabi já contara. Fora triste e ele não queria que Hinata rememorasse tudo aquilo. – Meu ex-namorado, Toneri, foi o... primeiro. – ela pausou e o olhou. Esperou até que Naruto entendeu e fez uma careta. – Nós namoramos durante muito tempo, por anos antes da faculdade. Até que ele foi embora. Durante algum tempo nos falamos por cartas, até que ele simplesmente parou.
— E você adquiriu uma raiva misturada com trauma.
— Parece a Ino falando. – pois ela já falara inúmeras vezes com a amiga sobre isso. – Sim, é isso, mas acho... Acho que minha mãe foi o pior.
— E acha que eu vou embora também?
— É provável. – sorriu desanimada.
— Não vou, Hinata. – ele garantiu com sinceridade. Naquele instante não pensava em pedido de Hanabi, em Konohamaru, em nada. Naruto tinha mesmo sido encantado e se pudesse ficaria, ninguém precisaria saber como começou. – Mesmo você tendo me disiludido em relação a nossa primeira vez, mas tudo bem, eu supero a memória...
— Naruto! – ela já o repreendeu, vermelha e rindo. Ali estava Hinata, a que ele gostava.
— Prometa-me que não deixará a megera sair novamente. – ele pediu e ela confirmou. O loiro olhou em volta e sorriu, colando os lábios nos dela e a pressionando contra o portal. Estavam sozinhos em casa, ele poderia se permitir abusar um pouco que fosse disso. E se permitiu, pelo tempo que ficara sem o seu novo vício que eram os lábios rosados.
Depois do episódio o casal começou a demonstrar um pouco mais seus sentimentos, até que Konohamaru indagou o primo sobre isso. Com franqueza, Naruto confirmou o que sentia e também brincou, dizendo que não havia mais qualquer perigo do primo ficar sem sua mulher. O loiro, agora mais empenhado, conseguiu conquistar Hiashi. Não era fácil conseguir uma amostra de contentamento do sogro, mas este passara a tratá-lo melhor e puxar assunto, o que fora um grande avanço muito bem observado por todos.
Logo os preparativos para o casamento chegavam ao fim, Hiashi ainda não concordava em casa primeiro a filha mais nova, mas concordara em o fazer agora que sabia que as pessoas falariam menos de Hinata. Ele estava convencido do relacionamento da mais velha, até mesmo Hinata estava agora que Naruto além do emprego conseguira uma casa na cidade, não estando mais com os tios e o primo, de certo modo, aquilo garantiu a ela que ele ficaria. E a pretenção do Uzumaki era justamente essa.
O jantar de ensaio acontecia um na noite anterior ao casamentos e seria feito em um restaurante fechado para isso. Hiashi fez questão disso agora que concordara. Os quatro juntos, finalmente, conseguiram contornar o velho senhor Hiashi e agora ele era todo sorrisos e agradecimentos quando elogiavam sua bela filha. Assim como Hinata seria a marinha, Naruto era o padrinho do casal e por isso os dois ficavam em auxílio aos noivos em tudo, trocando olhares, caretas e, às vezes, comentários do jovem e nervoso casal.
No fim, a noite foi um sucesso. Os pais dos noivos finalmente tinham se conhecido um pouco, finalmente tinham conversado e estavam ansiosos para o dia seguinte. Os padrinhos, porém, ficaram lá até quando todos foram embora, para garantir que tudo estaria no seu devido lugar no dia seguinte. Apenas Naruto e Hinata e, de alguma forma, aquilo deixou ambos um pouco nervosos dentro do carro.
— O que acha... de ir lá em casa? – Naruto perguntou, finalmente. No mesmo instante percebeu as bochechas alvas ficando avermelhadas e pensou em desfazer o convite.
— Acho que tudo bem... – ela respondeu baixo, o olhando pelo canto dos olhos. Foi por isso que viu que Naruto sorrira ao ligar o carro.
Ele não morava longe, mas estava com algumas coisas que tinham pego para o dia seguinte ali dentro. Não se preocupou em tirá-las quando chegaram. Era, na verdade, um apartamento e dentro do elevador, ele não mais resistiu e puxou a Hyuuga para perto de si, a abraçando e beijando. Desde que se acertaram os beijos não eram mais os mesmos, eram sempre carregados de algo mais profundo e intenso, algo que os faziam se agarrarem um ao outro e ofegarem no final.
Porém desta vez não teve final. Quando a porta se abriu no andar correto, Naruto a puxou junto consigo sem parar de beijá-la e a encostou ao lado da porta. Seu corpo estava colado ao da morena e por isso quando foi pegar a chave no bolso, ela sentiu perfeitamente a mão dele por ali, quase lhe acariciando a coxa ao mesmo tempo. Sem qualquer dificuldade a porta foi aberta e novamente, sem se afastar, Naruto a puxou e fechou a porta.
O local estava levemente bagunçado. Havia muitas folhas em cima da mesa de centro, assim como um notebook aberto, mas desligado e dois pares de sapatos na sala. Mas foi tudo o que Hinata notara antes de ser levada para o quarto, recebendo beijos agora por seu pescoço nu, já que seu cabelo se encontrava preso naquela noite.
Naruto estava abraçado a ela, a conduzindo. Soltou o cabelo com uma pequena dificuldade e em seguida suas mãos foram para a cintura da morena, a fazendo colar-se nele até mesmo quando andavam. Sentir o quadril se mover junto ao seu fez com que ele mesmo fechasse os olhos e suspirasse baixo. Nunca antes imaginaria que em Konoha encontraria alguém que fizesse seu corpo acordar e sua alma entrar em tamanha combustão como aquela jovem a quem passara a amar.
Quando chegaram no quarto, Hinata se virou e o beijou e aquele foi o paraíso. Nunca se cansaria daqueles lábios rosas. Nunca se cansaria de deixar aqueles lábios vermelhos e inchados, nem mesmo se importaria se Hiashi quisesse matá-lo por isso.
Jogou o blazer no chão e a puxou para si. As pequenas e hábeis mãos começaram a lhe abrir a camisa e ele então exitou em lhe tirar o vestido. Um pensamento enganoso, absurdo e perturbador o tomou. Ele não poderia continuar com aquilo. Ele não poderia continuar enganando-a. Teria de contar, teria de ser ele e teria de ser antes de fazerem algo. Ele não podia fazê-la sua quando começou a enganando, ele simplesmente não era um cafageste.
— Shhh... – ele a afastou e murmurou quando ela começou a protestar. A camisa estava aberta, mas ainda em seu corpo e Hinata parecia confusa. – Preciso lhe contar uma coisa antes de você decidir se me quer assim ou não. – e ela não disse nada. Naruto a sentou então e fez o mesmo, ficando de frente para ela. – Eu não a conheci por acaso. – com essa frase Hinata pareceu ainda mais confusa. – Eu a conheci para que namorasse comigo, para que conquistar e para que sua irmã e Konohamaru pudessem sem casar.
O silêncio preencheu o lugar e por um instante Naruto apenas observava os olhos perolados começarem a demonstrar compreensão. Hinata começava a ligar os fatos, começava a perceber o quão iludida fora e se sentia ainda pior.
— De quem foi a ideia? Sua?
— Não. – ele foi sincero, mas se apressou em continuar. – Mas isso não importa, Hinata... O que importa é que eu não esperava que você fosse mesmo me conquistar. Eu lhe conheço como nunca...
— Não! Não continue! O que me garante que não quer continuar jogando?
— Hinata, pense! Pra que eu lhe contaria? – fazia sentido, mas a morena não queria sentido. Ela se sentia traída e da pior forma possível. – Escute, por favor, começou como um pedido e eu não tinha mais nada a perder, não vi nenhum problema, porque ia estar com uma moça linda, mas você... você era melhor do que imaginei, você me encantou, eu me apaixon...
— Não continue! – ela pediu já ficando de pé. Naruto via as lágrimas escorrendo. – Eu vou embora.
— Não, Hinata, eu preciso lhe contar tudo.
— Tudo? O que? Como a minha irmã e o noivo dela armaram tudo para que a moça encalhada encontrasse alguém? De como eles lhe ensinaram o jeito certo de fazer isso? E como, aparentemente, me ver como uma idiota atrás de você deve diverti-los até hoje?
— Não é assim, eles sabem que eu estou apaixon...
— Eu já disse para não dizer! – ela gritou. Era raro ver Hinata transtornada. Poucas pessoas a viram assim antes, mas era visível a sua dor também enquanto ela saía do quarto.
No mesmo instante Naruto se levantou e a seguiu. O apartamento não era grande e por isso mesmo, ela estava na porta quando ele a alcançou e a puxou, para que se virasse de frente e o encarasse. Lhe doeu ver o rosto molhado em lágrimas.
— Me solte! – ela exigiu, puxando o braço.
— Hinata, ninguém queria lhe ver assim. Mas eu não estou terminando, eu não quero mentiras entre nós...
— Ninguém queria me ver assim? Por que simplesmente não nos apresentaram então? De uma forma normal, sem planos por trás disso? Por quê? – apesar das palavras duras ela não gritava. – Você e Konohamaru não tinham nada a perder, mas Hanabi? Ela é minha irmã...
— Hinata, eu sei, mas...
— Não. – ela o afastou quando o mesmo tentou se aproximar. – Eu não quero lhe ver mais. Me deixe ir. Me deixe.
E dizendo isso, a Hyuuga saiu, deixando aberta a porta atrás de si, mas correndo para o elevador, para a rua e apenas parando ao estar dentro do táxi para sua casa. Não sabia o que pensar, apenas que fora traída quando se permitira ter esperanças, quando se permitira amar e, pior, a maior traição vinha de sua casa, de alguém a quem protegera de todas as duras e desnecessárias verdades que para sempre a magoariam.
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