Um Natal Especial
2 Capítulo 2 - Preparativos
Notas iniciais
No início da manhã a temperatura estava mais amena do que durante a noite, o que os garotos agradeceram, a última coisa de que precisavam era um sol escaldante os perseguindo enquanto realizavam as compras para os preparativos da festa de natal. Assim que despertaram os cinco adolescentes se reuniram mais uma vez na sala, dessa vez ao redor da mesa enquanto Iroh servia xícaras de chá e fatias de pão quente com tigelas de mingau. O ex general ficou extremamente feliz pela decisão dos mais jovens de retomar a celebração da festa que ele só ouvira falar muito tempo atrás quando ainda era uma criança.
Em seu coração Iroh sentia uma emoção borbulhar ao ver finalmente Zuko fazer amigos de verdade e se envolver em atividades mais condizentes com a sua idade, como preparar aquela festa por exemplo. Era bom que pelo menos por um dia todos eles deixassem de pensar em confrontos e guerra e ter o peso do mundo sobre suas costas, muito embora o príncipe herdeiro da nação do fogo não parecesse minimamente interessado em participar do festejo.
Já Aang por outro lado não escondia de ninguém a empolgação e naquele momento enquanto os amigos ainda bocejavam de sono e comiam com lentidão o careca tagarelava parando apenas ocasionalmente para beber um gole do chá, Aang estava dividindo as tarefas para o dia uma vez que era o mais entendido a respeito do feriado.
— Precisaremos de um pinheiro bem grande e de muitos enfeites também, e música! Isso, não pode faltar música. Certo, vamos fazer o seguinte, Katara você fica responsável pela ceia de natal, acho que ainda sobraram algumas moedas então você pode levar a Toph para fazer compras.
A dominadora de água engasgou com o mingau que tomava, conseguia imaginar mil motivos pelos quais levar Toph consigo e realizar um jantar junto com ela não dariam certo, já haviam provado em mais de uma ocasião que não trabalhavam exatamente bem juntas, Toph tinha dificuldade de lidar com regras e Katara era perfeccionista e mandona demais para que o seu próprio bem, iriam acabar brigando e no final de tudo a dominadora de terra ficaria sentada e Katara realizaria todo o trabalho sozinha para no final a outra levar o crédito. Não, obrigada, podia passar muito bem sem isso.
— Sabe Aang, eu acho que consigo dar conta sozinha da comida, talvez a Toph devesse ir com o Sokka para…para...- Katara parecia não ter ideias quando de repente pensou na tarefa perfeita para a dobradora de terra. – Isso, a Toph deveria ir com o Sokka conseguir um pinheiro de natal.
— Eu não consigo ver uma ideia melhor. – Toph falou e em seguida gargalhou da própria piada pouco se importando com o fato de que mais ninguém parecia estar achando graça.
— Ah, onde vamos achar um pinheiro nessa cidade? – Sokka resmungou atacando seu pão com voracidade e lançando migalhas nos outros enquanto falava de boca cheia.
— Talvez você possa perguntar a Joo Dee. – Sugeriu Aang.
— O que? – O mais velho empertigou-se. – Eu prefiro dar a volta em toda Ba Sing See dezenas de vezes do que ir atrás daquela mulher, ela me assusta. Vem, vamos Toph, temos muito trabalho a fazer. – Ele guardou o que restou do café da manhã dentro de uma bolsa e se afastou puxando a mais nova pela camisa.
— Pode deixar, Sokka, vou manter meus olhos abertos. – Gracejou a pequena se livrando das mãos dele e o seguindo com animação enquanto ambos deixavam a casa.
Com a saída de dois dos integrantes do time o dobrador de ar pode continuar a dividir as tarefas.
— Certo, Zuko você pode ficar com a parte dos presentes, e Iroh com a música, eu, o Appa e o Momo vamos procurar materiais para construir enfeites para fazer a decoração.
Iroh assentiu empolgado, poderia tocar seu Corno Tsungi e entreter os mais jovens, aquela era uma ótima oportunidade, só precisava encontra-lo, por isso assim que terminou de beber seu chá correu para o quarto, ainda tinha alguns momentos antes que abrisse a casa de chá no andar de baixo.
— Presentes? Que tipo de presentes? – Zuko perguntou, não se lembrava de ter dado algo para alguém antes, com exceção de sua mãe e aquilo já fazia muito tempo. Presentes eram algo pessoal demais e requeriam um nível de intimidade que o moreno não sabia se estava pronto para enfrentar.
— Qualquer coisa que você achar que combine com a gente. Tenho certeza de que vai ser algo maravilhoso. Bem agora é melhor a gente se apressar, temos até o início da noite para organizar tudo. – Aang pulou da mesa e momo se empoleirou em seu ombro. – Tchau pessoal, vejo vocês mais tarde.
Zuko suspirou, ia ser um longo, longo dia.
[....]
O centro comercial de Ba Sing See era uma verdadeira loucura, vendedores gritavam tentando atrair a clientela até seus estabelecimentos, prometendo promoções e descontos imperdíveis. Barraquinhas de madeira com frutas e verduras ficavam espelhadas ao redor da praça enquanto mulheres usando aventais e sacudindo os produtos atestavam terem os mais frescos vegetais, crianças corriam agitadas esbarrando em homens e mulheres que carregavam bolsas com variados conteúdos e era possível identificar um ou outro guarda que fazia a ronda tentando manter o máximo de paz possível.
A barulheira infernal estava deixando Zuko irritado, e uma veia começava a saltar em sua testa, Katara por outro lado gostava daquela agitação atípica, na tribo da água do sul era sempre tudo muito quieto e tranquilo e por vezes ela sentia falta de algo que pudesse conferir um pouco mais de vitalidade a existência pacata de seu povo.
Zuko e Katara caminhavam lado a lado desviando vez ou outra de algum apressadinho que ameaçava esbarrar neles, quando por fim chegaram em frente a um chafariz eles se despediram. Katara depositou um saco de moedas sobre a mão de Zuko e guardou o outro no bolso da própria roupa.
— Tente não gastar demais, príncipe herdeiro. – Brincou a morena.
— E você tente não economizar ou depois Sokka não vai parar de reclamar de fome.
Zuko afastou-se seguindo por uma ruela asfaltada em que as bancadas de madeira rareavam cada vez mais até darem lugar a estabelecimentos mais refinados com vitrines de vidro e menos barulho ao que ele e sua dor de cabeça agradeceram sobremaneira. Agora era a parte que vinha o verdadeiro desafio, ele não fazia ideia do que comprar ou como eram esses presentes de festa que Aang tanto falava. Deveria comprar um presente para cada pessoa? Ou era um presente que todos deveriam dividir? E se fosse um para cada deveriam ser iguais ou poderiam ser diferentes?
Trincou os dentes.
Deveria ter ido pegar o maldito pinheiro, certeza de que era mais fácil do que escolher o que dar para cada um. Bem, agora não adiantava reclamar, não era de desistir. Enchendo os pulmões de ar entrou na primeira loja que encontrou, porém com certeza não foi a última daquele dia.
Ao final da tarde Zuko estava bufando sem ter comprado nada exceto uma tigela de lâmen que foi o seu almoço num restaurante de procedência duvidosa. A próxima loja que o moreno entrou foi um empório de equipamentos bélicos onde um vendedor magro como uma vareta, careca, com um longo bigode pretos e olhos puxados, ávido por ganhar dinheiro se aproximou oferecendo-se para mostrar as melhoras armas já usadas por grandes guerreiros do passado, inclusive Avatares antigos.
Zuko não estava muito certo se armas eram exatamente um presente de natal adequado, porém já que estava ali, por que não dar uma voltinha, o que poderia dar errado? A resposta veio quando ele acabou manejando duas adagas cujo cabo estava solto e as lâminas acabaram se cravando numa armadura de samurai.
— Minha armadura! Novinha em folha e você arruinou! – O vendedor acusou pondo as mãos na cabeça em desespero. – Vai ter que pagar por isso, senhor.
— O que? A culpa é dos seus cabos que não estavam devidamente presos, eu não vou pagar nada por isso. — E dando as costas Zuko começou a se afastar do lugar, não tinha dado dois passos antes de ouvir a voz estridente gritando.
— Ladrão! Guardas, guardas, estou sento roubado! – Logo uma multidão se ajuntou na porta da frente da loja cercando a rua e não demorou para dois guardas enormes cheios de músculos e rostos mal-encarados aparecerem. Zuko não viu outra alternativa, começou a correr esbarrando em desconhecidos na sua frente enquanto era perseguido pelos guardas, derrubou barris, bateu em um feirante desavisado que tentava empurrar uma carroça de repolhos até dobrar em uma esquina e então encontrar o presente perfeito. Suado e ofegante Zuko voltou alguns passos enquanto enfiava o prêmio é uma bolsa e jogava as moedas para uma mulher rechonchuda que ele esperava ser a dona do estabelecimento.
— Olha ele ali. – Ouviu o grito de um dos guardas e se pôs a correr novamente sorrindo ladino ao ver uma saída do estreito beco, acelerou e fez a curva no último minuto saindo na praça central tendo a certeza de que conseguiria escapar e se misturar da multidão, isso até olhar sentir o tremor do chão debaixo dos seus pais e gritos de uma voz conhecida.
— Saí da frente, saí da frente, Toph a gente vai bater. Eu vou te matar se a gente morrer. – Sokka gritava enquanto se agarrava a um tronco de pinheiro no interior de uma carroça desgovernada, Toph seguia logo atrás segurando na precária estrutura de madeira .
Zuko não conseguiu se mover antes de ser atropelado pelos dois destrambelhados e ir parar ao lado de Sokka engolindo um monte de folhas no processo.
— Mas o que...? – Antes que ele pudesse perguntar como aqueles dois foram parar com um pinheiro gigante dentro de uma carroça a voz de Sokka reverberou novamente.
— Vamos bater! Se segurem.
O aviso chegou tarde demais, no minuto seguinte a carroça se chocava contra o chafariz da praça se estilhaçando em pedacinhos e jogando o pinheiro uns bons metros longe enquanto os três foram lançados na água. Eram agora o centro das atenções, entre murmúrios, cochichos e sorrisos dos comerciantes e moradores locais. Zuko resmungou contrariado cuspindo folhas que se acumularam em sua boca e tentando tirar resquícios que se grudaram em seu cabelo. Na fonte, as meias brancas que o dobrador de fogo compara como presente de natal boiavam encharcadas.
— Suave aterrisagem, como eu prometi. – Toph se gabou fazendo uma veia saltar na testa de Sokka.
A comoção se tornou maior ainda quando um homem gorducho e respirando ofegante apontou para os três.
— Ali estão eles, seu guarda, os invasores que roubaram minha árvore.
No mesmo momento o vendedor aparecia com mais cinco guardas apontando para Zuko e exigindo retaliação pela armadura danificada.
Um guarda mal-encarado se aproximou.
— Vocês estão presos por furto, danos ao patrimônio e perturbação da paz. Agora vamos andando seus arruaceiros. – E sem mais delongas puxou os três pelo colarinho da camisa arrastando-os na direção da prisão sob aplausos da plateia improvisada.
— Espero que a Katara tenha mais sorte que a gente com os preparativos do natal. – Sokka resmungou.
[...]
Depois que Katara se separou de Zuko na praça central da cidade, o primeiro destino que a jovem procurou foi da biblioteca oficial de Ba Sing See. Era um prédio antigo construído em rocha firme e de aparência rude, uma construção de tamanho médio com portas de madeira. Antes de se arriscar a preparar as receitas da ceia de Natal ela precisava ao menos se inteirar um pouco mais sobre a festa, afinal Katara era uma pessoa perfeccionista e não se contentaria com menos do que o melhor para Aang, que mais do que todos estava empolgado com o evento que fora sua ideia. Além disso, ela precisava ter uma base para preparar um delicioso prato e que lugar melhor para encontrar material de pesquisa do que na biblioteca? Com o plano devidamente traçado ela entrou no local cumprimentando a bibliotecária e seu papagaio-rã que estava empoleirado no ombro e lançava a língua cumprida pegando moscas aqui e ali.
Em tese, seria uma tarefa fácil, Katara só não contava com o fato de que era praticamente impossível encontrar algum livro que falasse sobre o festejo e por apenas alguns segundos ela se perguntou se Aang não teria confundido a comemoração. Levou amanhã inteira até que por fim encontrou um livro de capa preta ilustrado com tudo o que se podia saber sobre o natal, inclusive contos sobre um tal de visco que fez suas bochechas corarem e ela avançar as páginas rapidamente até encontrar uma boa receita de torta de vegetais, um assado de peru-avestruz e rosbife de leão-alce-dente-de-sabre.
As receitas eram bastantes simples se comparada aos pratos que ela já havia preparado com ajuda da avó na tribo da água, por isso a jovem não se deu ao trabalho sequer de anotar, era boa cozinhando e se esquecesse de algo daria seu próprio toque especial a receita. Será que Aang gostaria disso? Novamente o rubor tomou sua face deixando-a encabulada por pensar no avatar daquela maneira, apesar da confusão de sentimentos em seu coração, do medo de perder as pessoas que amava e da ameaça de guerra, Katara não conseguia deixar de pensar no beijo trocado no dia em que invadiram a nação do fogo. A sensação dos lábios de Aaang contra os seus provocava pontadas em sua barriga e um suor frio gostoso em suas mãos.
Ao fim de sua pesquisa de campo a dominadora voltou para a feira realizando compra das carnes e dos vegetais, considerando que eram apenas elas seis e appa e momo era de se esperar que não precisasse de muita comida, mas conhecendo o apetite voraz de Sokka e Toph a morena achou melhor dobrar a quantidade de alimento. Quando acabou as compras Katara voltou para casa e começou a preparar tranquilamente a comida até ouvir o horrendo barulho que a lembrava porcos prontos para o abate que vinha de um dos cômodos.
— Será que eu deveria...? – Mordeu os lábios pensativa, não queria deixar a comida no forno a lenha sem supervisão, mas por outro lado poderia ser alguém precisando de ajuda considerando o som estrangulado. O senso de proteção falou mais alto e ela se aproximou cuidadosamente do quarto empurrando a porta levemente apenas para se deparar com a visão de um quase arroxeado Tio Iroh soprando um corno enquanto se balançava de um lado para outro numa dança e provocando o horrendo som que tinha chamado sua atenção
Com a porta aberta as notas musicais destoantes reverberaram ainda mais altas na casa obrigando a garota a tapar os ouvidos. Se era aquilo que ele pretendia tocar logo mais na festa, Katara receava que Aang fosse ficar absurdamente decepcionado.
Fechou a porta interrompendo a barulheira antes que fosse vista e estrava prestes a retornar para a cozinha quando Falquito, o falcão mensageiro comprado por Sokka na nação do fogo passou pela janela e pousou em seu braço esticando a perna fina.
—Falquito? O que você está fazendo aqui?
Uma mensagem estava enrolada na perna do falcão, a qual Katara logo tratou de desenrolar e ler ficando vermelha de raiva no processo.
— Eu não acredito nisso. — A mensagem era de Sokka enviada da prisão local, precisava levar algumas moedas de ouro para a prisão se quisesse resgatar o irmão e os outros dois integrantes trapalhões do time. Mas por outro lado o jantar estava quase pronto, ir até o centro da cidade agora poderia por todo o seu trabalho em risco. Salvar os amigos ou salvar o jantar? Não deveria ser uma decisão difícil, com certeza o jantar daria muito menos trabalho, ela pensou antes de suspirar profundamente.
— Iroh, estou ainda até a cidade tirar o Sokka, a Toph e o Zuko da cadeia. Por favor fique de olho na ceia que está cozinhando. Eu volto em um minuto. – Ela gritou tentando fazer a voz soar mais alta que o barulho do que deveria ser música.
Correndo a dobradora de água deixou a casa de chá para trás rumo a cidade.
— Se vocês estragarem meu jantar, vamos ter petisco de três lugares diferentes para servir essa noite. – Prometeu em uma voz cortante. Serviria picadinho de Toph, Zuko e Sokka caso eles ousassem jogar todo seu trabalho no lixo. Só desejava que Aang estivesse se saindo melhor do que ela.
[...]
Sair com Momo e Appa era sempre uma felicidade, voar nas costas do seu bisão renovava a conexão que eles estabeleceram desde que ambos eram filhotes no templo do ar. Além disso, a sensação do vento em seu rosto e a vista que tinha dali do alto não eram nada mal também.
— Tudo bem, primeiro a gente tem que construir as guirlandas de natal, toda decoração que se preze tem que ter uma guirlanda. Vocês estão vendo alguma coisa que possa servir de material? – Perguntou recebendo um bocejo preguiçoso de Appa que ainda parecia tentando acordar e voava num ritmo preguiçoso.
Momo subiu em seu ombro se equilibrando nas patas traseiras já que com as dianteiras ele brincava com um par de folhas.
— Muito bem, Momo ! Isso é perfeito, podemos construir guirlandas usando folhas, flores e pinhas e.... Ali, para baixo Appa, vamos parar ali. – Apontou entusiasmado o garoto e à medida que desciam os contornos da fazenda se tornavam mais claros, havia uma plantação enorme de arroz e roseiras ao redor da construção principal do terreno: uma casa de juncos.
Quando o grande bisão aterrissou, Aang pulou para fora da cela observando o local ao redor, precisaria da permissão dos proprietários para pegar os materiais que precisava. Mas estranhamente estava tudo quieto e silencioso.
— Engraçado.... Eu podia jurar que tinha visto alguém aqui antes da gente.... – Aang foi interrompido ao ser derrubado no chão por uma dúzia de garotinhas que saltaram de trás de um arbusto.
— Iaaaaaah! – Gritou uma delas puxando sua túnica com força enquanto outra sentava em suas costas esmagando seus ossos sob o peso do seu corpo rechonchudo, ao mesmo tempo em que uma outra mordia sua canela e outra dava cascudos em sua cabeça.
— Tome isso seu espião da nação do fogo. — As outras duas que não estavam sobre si gritaram enquanto puxavam seus braços para trás arrancando um resmungo de dor do dobrador de ar. As garotas eram pequenas, não pareciam ter mais que sete anos de idade.
— Já basta. – Uma voz suave, porém mais madura do que a das crianças falou e no mesmo momento as crianças pararam de bater nele embora ainda o segurassem. Olhando para frente ele pode ver uma sombra se aproximar até erguer a vista e observar uma das garotas mais bonitas que já tinha visto na vida, só não era mais linda do que Katara. Seus cabelos castanhos eram curtos e repicados na altura do pescoço, os olhos eram de um tom vívido de marrom e ela segurava um forcado na mão. – Quem é você e por que estava nos espionando?
— Oi, meu nome é Aang. Eu não sou espião da nação do fogo. E eu não estava espionando vocês, só queria pedir permissão para usar algumas folhas e flores da plantação de vocês para construir guirlandas de natal. – Ele explicou e a próxima coisa que percebeu foi que era colocado de pé por doze pares de mãozinhas que em seguida correram se escondendo atrás da figura mais velha.
A menina sorriu calorosa e estendeu a mão cumprimentando-o.
— Aang? Como o avatar Aang? Quer dizer.... Você é mesmo o avatar? Nossa, isso é muito legal. Prazer meu nome é Hei Lee, e essas são as sêxtuplas: Lai, Lang, Lee, Lie, Loh e Lundi. Desculpe o mau jeito, mas nossos pais não estão em casa, então temos que reforçar a segurança. Essa área é um pouco mais afastada e as vezes temos que lidar com visitantes indesejados. O que não é o seu caso, óbvio, quer dizer você é um visitante não esperado, mas não indesejado entende? Enfim, vamos ajudar no que precisar, não é meninas?
Nenhuma delas respondeu mantendo os olhos fixos no visitante e recebendo um olhar mortal de Hei Lee.
— Tudo bem, mas sabe eu costumo deixar que as pessoas que ajudam deem um passeio no Appa... mas se vocês não estão interessadas...- Aang deixou no ar e em seguida tinha mais seis ajudantes além de Hei Lee.
No final de tudo foi um dia bem divertido, depois de explicar o que era o natal e como fazer uma guirlanda Aang contou com a ajuda das sete irmãs para recolher folhas, flores e pinhos secos para decorar as guirlandas, ainda conseguiu laços e fitas doados pelas crianças e pequenas esferas coloridas para decorar a árvore de natal. Também caçaram vaga-lumes colocando-os em potes transparentes para que abrilhantassem ainda mais a festa. Em troca o avatar ajudou com alguns pequenos problemas na fazenda, apostou corrida com as crianças e as levou para passear no Appa. Ao final da tarde ele se despediu prometendo voltar algum outro dia com o restante do time. Carregava os equipamentos de decoração bem guardados num grande saco de estopa.
— Eu mal posso esperar para ver a alegria do pessoal quando a gente chegar, Appa. – Comemorou antecipadamente.
A última coisa que Aang esperava encontrar ao chegar no andar acima da Casa de Chá de tio Iroh era a confusão que acontecia na sala. A cacofonia era ensurdecedora. Katara segurava uma travessa fedendo a queimado onde o que ele imaginava que deveria ser um pedaço de carne estava carbonizado, Toph empurrava um dedo no tórax de Zuko e Sokka tentava se livrar do corno do tio Iroh.
—Olha só o que vocês fizeram, meu jantar inteiro destruído, vocês estragaram tudo. – Ela os culpou aproximando a carne queimada dos outros.
— Hã... pessoal? — Aang questionou mas não conseguiu ser ouvido.
— É só que a culpa não foi minha se a Toph e o Sokka me atropelaram no meio da praça com aquela carroça idiota. Eu nunca teria sido pego se não fosse por eles dois. Eles é que arruinaram tudo e ainda me fizeram perder os presentes. – Zuko se defendeu olhando feio para a bandida cega.
— Arruinamos o que? As meias que você ia nos dar? A gente salvou todo mundo isso sim. Ninguém aqui usa meias caso você não tenha percebido ô espertalhão. Eu enxergo pelos meus pés e você ia me dar meias? Esse é provavelmente o pior presente de natal de todos. Até eu consigo ver isso. – Destacou a menor com convencimento.
— Bom pelo menos agora não vamos ser mais obrigados a ouvir isso! – Sokka comemorou arrancando o corno das mãos do ancião.
— É melhor me devolver isso meu jovem. – Iroh declarou com sua voz sempre calma.
Aang os encarou perplexo.
— O que você quer dizer? – Perguntou encarando o melhor amigo. A voz falhou um pouco.
— Que não vamos mais fazer festa de natal, ora essa. Não temos nada para fazer uma festa. – Sokka explicou como se fosse óbvio.
— Temos uns aos outros. – O dobrador de ar tentou defender seu ponto de vista, não podiam desistir por apenas uns imprevistos.
Toph bufou audivelmente.
— Isso é baboseira de perdedor. – E cruzou os braços.
— Aang... O Sokka ta certo, não temos como fazer uma festa. — Katara tentou conciliar.
A seta na cabeça de Aang brilhou de forma fraca indicando sua mudança de humor, ele observou o rosto irredutível de um a um dos seus amigos e uma sensação de impotência somada a uma profunda tristeza pareceu eclodir expressando-se de forma agressiva. Ele depositou com força o saco que carregava no chão a sua frente.
— O Natal é uma época de amor e união, onde as pessoas têm prazer de estar juntas e ajudar umas às outras, independentemente das diferenças que possuem, é tempo de refletir e comemorar em harmonia e agradecer por todas as coisas boas que temos. É a festa em que não importa se temos muito ou pouco, enfeites e uma mesa farta ou simplesmente um pedaço de pão compartilhado entre as pessoas já tem um significado especial. Todos podem celebrar. Sentimentos como a esperança e renovação se fazem presentes e os laços de amizade se estreitam e fortalecem. – Lágrimas teimosas surgiram no canto dos olhos do garoto. – Todas essas coisas são externas e passageiras, uma forma de manter a festa mais brilhante, mas elas não são o verdadeiro significado do natal. Ou pelo menos não deveriam ser. Mas se vocês não conseguem enxergar nada disso, talvez não devamos mesmo comemorar.
E dizendo isso ele pegou seu planador e saiu pela janela deixando os amigos envergonhados de seus respectivos comportamentos.
— Aang! – Katara ainda tentou alcança-lo para se desculpar, porém já era tarde, ele tinha partido. A dobradora acabou chutando o saco que ele deixou no meio do caminho e com curiosidade abaixou-se para ver o que ele tinha feito ficando surpresa com as lindas guirlandas que encontrou.
— O Aang tem razão. – Zuko declarou impressionando os demais, não era fácil ouvir uma declaração daquelas do orgulhoso príncipe.
— É, dessa vez a gente errou feio.- Sokka disse esfregando uma mão na outra corroído pela culpa.
— O que vamos fazer? – Foi a vez de Toph perguntar. Os três se entreolharam, pelo visto não havia nada a ser feito.
Katara pensava de outro jeito, levantando-se do chão com um dos enfeites feitos por Aang a dobradora de água lançou o seu olhar mais decidido sobre os amigos.
— Eu digo o que vamos fazer, vamos nos desculpar com o Aang, mostrar que nós valorizamos essa oportunidade de celebração e dar a ele a melhor festa de Natal deste século. E eu já sei como. — Um sorriso brincou no canto dos lábios rosados e instintivamente os amigos souberam que tudo ia dar certo, não havia ninguém que conhecesse Aang melhor que Katara.
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