Um Natal Especial
3 Capítulo 3 - Inesquecível
Notas iniciais
Aang não sabia ao certo o que deveria esperar quando se propôs a organizar uma festa de Natal com os amigos, os primeiros que fizera depois de cem anos congelado, mas sem dúvida imaginava que seria uma oportunidade de estreitar laços e criar boas memórias que eles teriam orgulho de lembrar em alguns anos.
Infelizmente as coisas tinham saído bem diferentes do que ele tinha pensado inicialmente e muito mais do que sentir pelo feriado perdido, Aang sentia pela forma como tinha se separado do restante do grupo. Sentado sobre a muralha de Ba Sing See ele observava a lua brilhar cheia no céu lançando suas luzes sobre a cidade e sobre os poucos guardas que faziam a ronda no local.
Horas tinham passado desde que ele deixou a casa de chá de tio Iroh e o time Avatar para trás. Inicialmente as lágrimas foram impossíveis de controlar enquanto ele tentava lidar com a frustração de não ter conseguido passar aos amigos o verdadeiro significado daquele festejo, memórias de seu tempo no templo do ar do sul ecoavam em sua mente, flashes rápidos de sorrisos e brincadeiras e as preces realizadas em agradecimento por todos os bons momentos.
Bem, ficar ali sentado não ia resolver nada e ficar amuado tampouco o faria se sentir melhor, os amigos faziam muito por ele e não era fugindo e se escondendo que ele retribuiria, ainda dava tempo de voltar pra casa salvar o natal. Pegando o plantador e tomando impulso o avatar retornou para sua casa.
A primeira coisa que Aang notou assim que chegou era que não havia sinal de iluminação no andar de cima da casa de chá, será que todos já tinham ido dormir? Empurrando a porta da frente o dobrador de ar entrou sendo surpreendido pelos amigos.
— Surpresa! – O time Avatar gritou o pegando completamente desprevenido.
As mesas e cadeiras que compunham a loja haviam sido afastadas para o lado ao redor das paredes e sobre cada uma delas um pequeno bonsai enfeitado com uma estrela brilhante no topo marcava presente, no centro havia um enorme pinheiro decorado com todas as bolas coloridas, e laços e fitas e frascos contendo vagalumes que ele confeccionou mais cedo com a ajuda das garotas da fazenda. E para finalizar nas paredes estavam as lindas guirlandas de folhas.
— Mas... o que é tudo isso? – Aang não sabia como reagir diante do gesto inesperado, era sem dúvida uma das coisas mais lindas que os seus amigos já tinham feito por ele e por falar nos seus amigos estavam todos la: Katara, Sokka, Toph, Zuko , Suki e as guerreiras kioshi, Haru e também as garotas da Fazenda ique ele conhecerá naquela tarde.
— Isso é o nosso pedido de desculpas pra você, pés ligeiros. – Toph se adiantou e num gesto que o deixou surpreso ela o abraçou.
— É Aang, queremos nos desculpar pelo que fizemos mais cedo , ficamos tão preocupados em tentar fazer as coisas darem certos que não deixamos de lado o significado e a real importância que essa festa tem para você e agora para nós também. Somos uma família. Por isso achamos que não seria justo comemorarmos sozinhos então com a ajuda do Appa nos trouxemos todo mundo que não podia faltar pra nossa comemoração. Feliz Natal, Aang! – Katara se aproximou também depositando um beijo em sua bochecha o que o fez corar e ficar sem reação por um momento.
— E olha lá! – Sokka apontou para uma mesa repleta de comidas, os olhos do menino brilhavam de emoção.- Todo mundo trabalhou junto e trouxe um pratinho para o nosso jantar especial de Natal. Que inclusive eu estou louco pra provar então se já terminamos com toda essa parte sentimental eu sugiro que o próximo passo seja a comida. – E como se para comprovar o que ele dizia sua barriga roncou alto arrancando risadas do restante do pessoal.
Aang riu também, satisfeito com a familiaridade da situação, era bom estar em seu lar, o lugar onde realmente pertencia, isto é junto com todos os seus amigos e as pessoas que lhe queriam bem, realmente ali estava sua família.
— Poxa, pessoal muito obrigado por tudo. Eu não podia bem imaginar que vocês fariam algo assim, mas estou muito feliz que tenham feito. O Natal é uma época de compartilhar as alegrias com as pessoas que amamos e com quem nos importamos e eu não consigo imaginar outras pessoas que eu desejasse comigo aqui. Vamos celebrar! – Aang falou encarando os rostos amigáveis que o rodeavam, todos sorriam até mesmo Zuko e a sensação de ser acolhido cresceu em seu peito.
Todos eles haviam se unido para proporcionar a ele o melhor natal de todos os tempos e tinham conseguido.
Aproveitando a sua deixa as pessoas se dirigiram até a mesa começando se servir, Iroh soprou seu corno fazendo notas agitadas e melodiosas soarem animadamente no recinto ainda por cima quando foram acompanhadas pelo som de uma flauta doce e um tambor tocado por Lee e Lie. As pessoas se aproximaram o cumprimentando e agradecendo por ele resgatar aquela tradição tão bela que acabou sendo perdida no decorrer do anos. Com a guerra e a dominação da nação do fogo pouco a pouco as pessoas perderam o desejo de celebrar, resgatar uma festa como o Natal, onde a esperança era um dos componentes principais era acima de tudo um ato de resistência enquanto eles tivessem fôlego eles seguiriam lutando por um mundo melhor e mais justo onde não tivessem que ter medo da guerra e da devastação causada por ela.
Aang cumprimentou animadamente os amigos, comeu e bebeu, fizeram jogos e trocaram presentes simples comprados por Zuko, e apesar de não serem objetos caríssimos e de requinte, certamente eram melhores do que as meias. Dançaram e cantaram celebrando a vida e a união a medida que a noite avançava.
Enquanto os meninos e Toph apostavam quem conseguia arrotar mais alto, Katara se aproximou com um sorriso animado até ver o que eles estavam fazendo sob o olhar enojado de Zuko que claramente estava julgando os modos nada convencionais dos companheiros de time, sinceramente, uma competição de arrotos? Será que tinha como eles serem mais nojentos ?
— Eca, o que vocês estão fazendo? – Katara perguntou retoricamente não escondendo a expressão de desgosto enquanto Toph dava um gole em uma bebida de cor arroxeada, contava até três e batia no peito soltando um sonoro arroto. Katara podia jurar que sentiu os objetos em cima das mesas tremendo de tão alto que foi o som.
— Ah, Isso não vale, você é muito boa Toph. – Haru cumprimentou dando tapinhas no ombro dela como se invejasse aquela estranha habilidade de arrotar alto.
— O que eu posso dizer? É um dom. – A bandida cega gabou-se sorrindo enquanto os garotos derrotados balançaram a cabeça inconformados, Sokka era o principal deles.
— Essa é a coisa mais nojenta que eu já tive o desprazer de ver. – A dobradora de água declarou, mas apesar das palavras havia um sorriso em seus lábios. Era bom estar na companhia daqueles que se tornaram sua família. – Aang, será que pode vir comigo um minuto?
— Claro.- O menino não hesitou, saindo da roda de amigos ele seguiu a mais velha enquanto ela o guiava até o andar de cima. Ainda podiam escutar o burburinho dos amigos iniciando uma nova rodada para ver quem conseguia arrotar mais alto.
Passaram pela porta e Aang seguiu a indicação de Katara para que entrasse primeiro, ao passar pela porta a morena empurrou a estrutura de madeira abafando os ruídos do andar de baixo.
— Katara.. .
— Aang..
Os dois falaram ao mesmo tempo e sorriram quando se deram conta do fato.
— Você pode falar primeiro. – Ofereceu a garota.
Aang enrusbeceu e gaguejou suas palavras para fora enquanto coçava a cabeça em uma mania nervosa.
— Eu só queria agradecer por hoje e dizer que.....que ... bem, é que você está muito bonita. – Ele corou ainda mais. De fato Katara estava linda trajando um vestido verde do reino da terra que caia perfeitamente bem em seu corpo.
Dessa vez foi a dobradora de água que corou com o elogio inesperado.
— Obrigada. – Ela riu colocado uma mecha do cabelo por trás da orelha. – É muito gentil da sua parte. Você deve estar curioso pra saber porque eu te chamei aqui.. Bem eu queria te dar meu presente de Natal.
Aang arqueou as sobrancelhas surpreso.
— Outro? – Ele riu empolgado, considerava ter todos os amigos ali como um presente e tanto, era um milagre de Natal.
— Sim, esse é especial. – Ela estendeu a mão para ele que prontamente entrelaçou os dedos aos dela sentindo o calor da pele morena enviar um arrepio por todo seu corpo.
Katara o levou até os fundos da casa onde uma janela dava para um telhado coberto, escalando a abertura Katara alcançou o telhado e ajudou Aang a fazer o mesmo, sentaram-se na borda da janela e então estendendo as mãos para cima e torcendo-as num gesto conhecido a morena fez com que as gotículas de água presentes nas nuvens começassem a condensar e cair em forma de flocos congelados.
— Isso é....
— Ouvi dizer que o Natal é uma época em que levava bastante no templo de ar do Sul. – Katara sorriu tendo a certeza de que tinha feito a coisa certa ao ver o brilho no olhar de Aang.
— Isso é perfeito. – Rindo, Aang levantou-se alcançando os pequenos flocos em suas mãos e em sua língua até que eles derretessem em pequenas poças de água. – Esse é o melhor presente de Natal que eu recebi Katara.
Corando fortemente a morena também ficou de pé e segurou a mão de Aang.
— Que bom porque ele ainda não terminou. – E apontando para cima ela indicou o ramo de visco pendurado no umbral. – Você conhece a tradição do visco de Natal?
Aang a encarou perplexo demais para conseguir responder, as palavras pareceram ficar presas em sua garganta e tudo o que ele conseguiu fazer foi balançar a cabeça positivamente. Queria perguntar se ela tinha certeza de que era aquilo mesmo que Katara queria, mas ao invés disso ele apenas se aproximou mais dela. A tradição dizia que quando duas pessoas estivessem debaixo do visco elas deveriam trocar um beijo.
Katara planejou aquilo. Ela queria tanto quanto ele.
— Que bom, evita muita explicação constrangedora e....
Aang tocou os lábios rosados com o indicador silenciando-a e no minuto seguinte sua mão envolveu a nuca de Katara puxando-a para mais perto até que os lábios se tocassem suavemente. Num telhado de um casa de chá, abençoados pelos flocos de neve e sob o visco de Natal Aang e Katara davam um importante passo para o futuro. O beijo começou inseguro e incerto, mas tornou-se mais confiante a medida que os dois se envolviam se entregavam ao sentimento que crescia cada vez mais no coração deles.
Katara foi a primeira a se afastar sorrindo docemente para o garoto que aceitou em seu coração como muito mais que um amigo. Os olhos se encontraram e havia tantas palavras e sentimentos expressos que nenhuma palavra era necessária.
— Feliz Natal, Aang.- Ela desejou encostando a cabeça sobre o peito dele ouvindo as batidas ritmadas do seu coração.
— Feliz Natal, Katara. – Ele a estreitou mais em seus braços onde sabia que ela deveria estar.
Os monges estavam certos, afinal , o Natal era mesmo uma época mágica em que tudo era possível.
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