Notas iniciais
Seu sexo. Seu cheiro de cigarro. As noites em claro. Os puxões de cabelo. O mine escrito em meu bumbum e o dirty escrito no seu. As quedas na calçada. O som ensurdecedor no seu carro. Os roubos a conveniências. Camisinhas nos banheiros de posto de gasolina. Roupas jogadas pelo quarto. Louça suja. Garrafas quebradas. Restos de pizza no banheiro (não me pergunte como foram para lá). O LSD de efeito inusitado.
Tudo isso e você se lembra apenas de quando eu o deixei.

“O que aconteceu?” Sussurrou próximo aos meus lábios com ambas as mãos segurando minha cabeça de forma bruta. Estava bêbado, sonolento e nervoso, dava para sentir nas palavras. Estava próximo o bastante para enxergar minhas lágrimas, mas devia estar muito chapado ao ponto de confundi-las com o meu suor.

“Eu que pergunto: o que aconteceu?” Meu cabelo estava grudado no meu rosto, tapava parte da minha visão, mas eu não me importava. Quanto mais escondesse meu olhar estaria segura daquele homem cruel que eu tanto necessitava. Ele não tinha nada de valor, só o poder de mexer com os meus sentidos. Eu não era assim. “Não foi por esse homem que você se tornou que eu larguei tudo.”

Troquei minha vida por um canalha. Literalmente. Agora vivo em um cômodo com um banheiro que abriga uma pizza de duas semanas atrás. Comecei contar há pouco tempo.

“Vai jogar na cara agora? Eu não pedi para você vir. Eu te avisei como as coisas seriam. Você abaixou a cabeça e concordou, desde então vem se rastejando atrás de mim como uma cadela.”

“Você se rastejava junto comigo!”

“Agora me rastejo por você, isso não é suficiente?!” Gritou.

“Cansei de fazer o seu joguinho!”

“Cansei de ver você querer jogar ele!”

“Para de gritar!”

“Eu grito o quanto eu quiser porque você não passa de uma cadela e se esqueceu que só deve rastejar para mim!” Puxou meu cabelo violentamente, ao fim da frase, me jogando na cama. “Era só para acabar com o seu dinheiro e transar com você! Por que deixou as coisas chegarem nesse ponto? Por que você precisa ser tão obcecada por ser igual a mim?”

“Eu preciso de você...” Disse entre soluços.

“Cala boca Sakura! Para de se humilhar!” Pegou uma garrafa vazia de Ice e jogou contra a parede a minha frente. “Eu não quero que você se torne uma versão minha, não quero que seja uma xerox dos meus pecados, tudo menos isso, por favor!” Se acalmou um pouco para pegar fôlego. Estava exausto. Caiu sobre mim como se eu não fosse um obstáculo, como se fosse apenas a cama e ele.

“Fiz tudo para ficar com você, Sasuke, não entende?” Limpei as lágrimas com a costa da mão e me aproximei de seu rosto pálido com profundas olheiras. Ele era bonito demais. Teimoso demais. Orgulhoso demais. Agressivo demais. Nada disso era motivo demais para deixá-lo. Não consegui deixá-lo.

“Por que por mim, Sakura? Tinha que ser eu? Por que?” Perguntou confuso.

“Porque eu te amo seu idiota! Porque eu te amo!!! Tudo o que eu fiz foi para não perder você!” Comecei socá-lo. “Tudo foi por você! Por que você age como se não fosse nada?”

“Eu sei que não foi nada! Sai de cima de mim!” Empurrou-me. “Foi demais por alguém que passa a noite em baladas se drogando!”

“É pouco para alguém que se tornou a melhor parte do meu dia!”

“Por que eu não te larguei antes?” Ele sempre dizia isso, mas não me magoava mais. O amava demais para me preocupar com palavras, aliás, ele não tinha consciência de nenhuma delas. “Agora eu prefiro beijar você do que fumar dez cigarros ao mesmo tempo!” Rimos juntos da recordação. Logo ele veio manso para cima de mim, me ergueu pelos cabelos e me deu um beijo cálido. Sua língua estava com gosto de Smirnoff, acelerava os movimentos me deixando bêbada.

A cama rangeu. Rasguei sua camisa com as unhas e ele estourou todos os botões da mini blusa que eu usava, meu sutiã, bem, não me lembro quando foi retirado e jogado pelo ar. Ele me lambeu toda, me bateu, pronunciou palavrões em diversos idiomas, enquanto a cama rangia cada vem mais depressa e mais rápido. Ele começou trotar em cima de mim e me chamar de cadela, me bater mais, sem parar, sempre ali, saciando-se, saciando-me de uma maneira dúbia, me afogando em um ápice mais distinto do que o de ontem e o de amanhã.

Ele enlouquecia, eu sorria ao vê-lo sentir tanto prazer em mim. Em me foder, tanto na cama quanto na vida. Eu não me importava mais com nada, não mesmo e sabia que isso não era um bom sinal. Em oito meses de loucuras, fiz coisas das quais jamais pensei fazer, fui presa, usei drogas, corri nua pelo Central Park, fui presa novamente, roubei, transei, transei muito, mas só com um cara: ele. Fiz tatuagem, cortei o cabelo, abandonei a faculdade e o emprego, vendi minha casa, doei minhas roupas para vestir trapos, dormi na rua, arrumei confusão e me diverti. Me diverti muito! Tudo isso graças à um homem que neste momento está em cima de mim, entrando e saindo de mim, me instigando... Ele tem permissão. Ele tem tudo que eu preciso. Ele faz mais parte de mim do que eu mesma, como se tudo se resumisse a Sasuke, Sasuke e Sasuke vinte e quatro horas por dia. Isso é muito tempo. É muito sentimento por alguém tão escroto e sem destino, chego a me envergonhar, mas agente não escolhe de quem ama.

“Ahhh!” De novo, novamente, mais uma vez ele me tirou do chão com um simples vai e vem pervertido. Que intensidade... Que desperdiço de pessoa... A cada dia que passa eu o vejo aprofundar nesse buraco mais e mais e estou indo junto, não que eu queira ficar na superfície sem ele, preferiria morrer no fundo desse poço, com o homem que eu amo no meu lado, do que sem ele. Só que eu o amo tanto!

Tenho medo do que possa acontecer se continuar nesse ritmo. Eu não iria suportar vê-lo definhar diante dos meus olhos e não fazer nada a respeito, por isso resolvi me acabar junto com ele. Que coisa idiota não? Imagino se alguém faria isso por outro alguém nos dias de hoje, porque apesar de estarmos perdidos e sermos parte da maioria dos jovens que não prestam, nos amamos de verdade.

Eu sei que ele me ama, mas era rude demais para aceitar isso, por isso me ‘maltratava’ só que não há mais como negar que eu também faço parte dele. É impossível disfarçar.

“Você é linda.” Acariciou meu rosto. “Desculpa.” Sussurrou cravando sua perna no meu corpo.

“Pelo que?” Perguntei mais baixo.

“Por aparecer na sua vida. Sou só eu que percebi que agora não somos nada?”

“Sasuke...” Afaguei seus cabelos. “O que éramos antes?”

“Você tinha um trabalho, uma faculdade, um futuro...”

“Isso são coisas que sempre vão ter por aí, disponíveis ou não.”

“Eu queria que você fosse alguém...”

“Eu sou sua, isso me basta!”

“Fico angustiado porque eu quero-te o melhor e estou vendo você ficar como eu... Estou com medo.”

“Por que?”

“Eu vou morrer, você sabe disso.” Uma lágrima caiu dos meus olhos “Por causa de uma seringa que você também usa. Usava. Não vou deixá-la mais chegar perto daquilo! Você sabe dos danos e ainda assim teima em usar. É para me contrariar, não é? Para me deixar mal, fazer com que eu me sinta culpado. A última coisa que eu gostaria de ver no mundo seria você sofrendo por minha causa ou por qualquer outra merda. Não chore, por favor...” Limpou minhas lágrimas. “Eu não vou deixá-la, não vou amá-la menos se parar de agir como uma louca, como eu, como meus amigos, vou ficar aliviado.”

“Isso te faria tão bem assim?”

“Muito.”

“Não quero vê-lo chateado com minhas atitudes...”

“Então não faça o que eu faço. Se me ama e quer me ver bem, por favor, eu te imploro, saia dessa vida.” Já havia me adaptado, viciado, acostumado a dormir cinco horas por dia porque as noites eram nas ruas. Como vou deixar de ser essa pessoa que sou para ser quem eu era antes? Eu nem sei quem eu era! Mas eu faria isso se era seu desejo.

“Está bem.” Sorriu. “Mas tem uma condição.”

“Qual?”

“Vamos fazer desta noite a melhor que tivemos.”

“Regras?”

“Você será um puto de uma mulher só e eu serei uma vadia de um homem só.”

“Gostei.”

“Drogas...”

“Você não!!!”

“Última vez!”

“Com que dinheiro?”

“Agente decide no caminho.” Sorriu mais ainda e me beijou.

Coloquei um short jeans bem curto e uma blusa por cima de outra. Não consegui achar o outro par do meu all star então coloquei um diferente e acredite, não ficou tão estranho quando eu pensava. Sasuke jogou spray no meu cabelo enquanto eu o jogava de um lado para o outro para ficar com uma aparência de não penteado há dias ao invés do liso escorrido e nojento que ele é. Uma calça social preta e Converse, camiseta da Calvin Klein com um blaser riscado por cima. Tudo presente meu.

“Pegou o ‘bebê’?” Perguntou prestes a fechar a porta.

“Já ia esquecendo...” Entre novamente e ele me deu um tampa na bunda que desejei rançar o saco dele. Me acostumei a tudo, menos as agressões físicas que ele classifica como carinho. Um carinho doloroso, só pode. Peguei o ‘bebê’ e a bolsa gigantesca dele e então saímos na bicicleta dos visinhos. Eles não iam usar esta noite mesmo.

...

Deixamos as bicicletas encostadas num poste de luz e entramos no mercadinho abandonado: eu com um bebê no colo e Sasuke com a bolsa.

“Do que precisamos?” Perguntei baixinho fingindo olhar lenços umedecidos.

“Pulseiras. Também pega leite em pó que serve para disfarce e para comer mesmo.” Ri e ele continuou falando, sério. “Sminoff, Martini, energéticos, Nachos e mentos. O máximo que eu conseguir.”

“Certo.” Limpei a garganta e comecei a encenação. “Amor, procure leite em pó para a Yoko que estou vendo qual marca de lenço vou levar” Falei no tom normal de voz. Ele foi.

Essa era a pior parte. Ele saia de perto de mim e começava a selecionar as coisas e colocar dentro da bolsa sem muitas precauções, não tinha medo algum de ser pego. Qualquer deslize estragaria nossa noite. Peguei uma caixa de Tic-Tac e coloquei sob as mantas do ‘bebê’. Sutilmente procurei Sasuke sobre os ombros: nem sinal dele ou de funcionários na parte que ele havia ido.

“Oh, posso ver sua neném?” Uma moça se aproximou.

“Não!” Me olhou estranha. “Ela está dormindo e não quero que acorde tão cedo!”

“Mas eu só quero vê-la...” Me aproximei mais dela deixando a caixinha de Tic-Tac deslizar da manta do ‘bebê’ para sua sacola.

“Vá parir sua própria filha e fique contemplando a cara de joelho dela o dia todo. Minha filha não é retrato.” Me afastei. “Se me dá licença, vou terminar minhas compras.”

Essa foi por pouco! Fui ao encontro de Sasuke e o avisei do ocorrido.

“É melhor irmos.”

“Espera, já pegou tudo?”

“Mais do que pretendia.” Fomos para o caixa passar o leite em pó quando vimos a mulher terminando de passar as compras dela.

“Próximo!” Chamaram-me. Olhei para o Sasuke e ele entendeu o sinal.

“Amor, vou dar uma olhada no carro...”

“Só isso senhora?”

“Sim...” respondi com um sorriso cínico dando o dinheiro à ela. E o alarme soa quando a mulher passou pela porta.

“Senhora, podemos ver a sua bolsa?” Perguntou os seguranças a barrando.

“Como assim? Eu paguei tudo!” Neste momento Sasuke passou pela porta sem deixar suspeitas entre os guardas e ficou perto de um Fusion fingindo me esperar.

Já ia saindo quando tropecei no cadarço do all star, conseqüentemente caindo no chão derrubando a boneca de plástico.

“O que é isso?” Perguntou a mulher que era revistada. Os guardas pararam e me olharam, o resto da história não preciso nem contar né?

“Corre Sasuke!!!” Saímos do supermercado sobre as bicicletas deixando para trás a boneca e o leite. Depois de algumas quadras, olhamos para trás e nem sinal dos seguranças.

“Sua idiota!!! Quase ferrou tudo!!!” Bronqueou. “Por que não amarra essa merda de tênis?!”

“Eu não tinha visto!”

“Que se foda!” Diminuiu o ritmo das pedaladas. “Agora precisamos de um novo bebê...” Ri da preocupação dele em relação a uma boneca plastificada. Imaginei se tivéssemos um filho como ele seria. Como eu gostaria de ser mãe de um filho dele! “Tira esse sorriso bobo da cara porque eu não disse que te amo!” Falou com uma falsa autoridade. Não havia como não sorrir. “Pedala sua morta!” Continuei pedalando e pensando nas maravilhas que eu poderia ganhar ao conceber a luz á um filho do Sasuke. Jogamos as bicicletas no quintal do nosso amigo e entramos na casa.

Notas finais
A fic é muito curta. Vou postar um capítulo por dia. Bom, eu já havia começado a postá-la mas por falta de review e inspiração acabei por excluí-la. Agora com reviews, ou não, vou postá-la toda e espero que gostem!