Um Lugar Sem Esperança

2 We're standing side by side


Notas iniciais
"É como se você gritasse, mas ninguém pudesse ouvir. Você sempre se sente envergonhado por alguém poder ser tão importante daquele jeito. Que sem essa pessoa você se sente um nada. Ninguém vai entender o quanto isso dói. Se você se sente sem esperança, como se nada pudesse te salvar, tudo se foi e está acabado, você quase deseja ter todas aquelas coisas ruins de volta, só para com elas virem as boas junto."

“Epa, que farra é essa?” Perguntou Naruto confuso saindo no banheiro todo ensaboado com uma toalha tapando sua intimidade. “Pensei que estavam me assaltando!”


“Que bom que já está banhado. Se veste que vamos sair.”


“Peraí! Como assim? Para onde? Agora?”


“Na costa onde sempre vamos.”


“Tô sem dinheiro para bebida...”


“Não se preocupe com isso.” Abri a bolsa e mostrei os furtos para ele, que arregalou os olhos azuis e ia perguntar, mas fui mais rápida. “Sim, roubamos, mas é por uma boa causa, acredite.”


“Todas as vezes que roubaram foram por boas causas... Cansei de ouvir isso.”


“Cala a boca e se veste!”


“Sasuke, sua mina tá ficando ousada...”


“Anda, coloca uma roupa!”


Em minutos ele estava pronto. Ele pegou sua própria bicicleta e saímos nós três juntos para chamar os outros, ao todo reunimos oito pessoas e fomos para a praia. Ino abriu o porta-malas do carro e ligou o som no último volume com música eletrônica. Ficamos todos loucos! Começamos dançar e beber nos gargalos, atraímos mais gente que jamais vimos na vida. Trouxeram bebidas, drogas e garotas lindas para os encalhados.


“Olhe para mim, seu idiota! Só para mim!” Agarrei seu rosto ao perceber que seu foco mudara de direção a partir do momento em que modelos lindas colocaram os pés na areia branca da California. “Ouviu? Tira o olhar dessas vadias!” Ele me agarrou e me beijou de uma forma brutal e excitante, começou me rodar entre as dúzias de pessoas que dançavam, a maioria já ficando tonta.


“Elas não me interessam. Eu gosto é da minha vadia do cabelo rosa!” Falou alisando meu cabelo.


“Seu grosso!” Bati em seu tórax.


“Repete.” Falou no meu ouvido.


“Grosso!”


“Ok.” Me pegou no colo e foi correndo para o mar, rindo que nem um bocó.


“Me solta!!!” Pedi desesperada. Se ele estivesse chapado era capaz de me afogar só na intenção da brincadeira. “Sasuke!!!” Olhei para trás e vi o resto do pessoal lá distante, vindo junto, mas ninguém que eu conhecesse. “Para! Vai me afogar!!!” Comecei bater os braços e pernas dificultando para ele me segurar. Começou a gargalhar com os meus pedidos de ajuda, devia estar gostando de me ver desesperada implorando juízo dele.


“Acalma! Confia em mim!” Quietei pensativa: poderia eu confiar em alguém como ele? Eu era louca o bastante? Das outras vezes que ele me pediu confiança, foi como cair em um poço para nunca mais sair. Nunca mesmo, tanto é que estou dentro desse poço profundo. Mas não estou com medo pois o tenho caso algo saia do controle e eu queira voltar a superfície. É incrível como Sasuke faz um lugar sem esperança parecer um paraíso.


As vozes ficaram abafadas como se fossem escutadas de muito longe sendo que não estavam; fechei meus olhos, isso as vezes ajuda um pouco. A água salinizada tocou meu dedão do pé, então estremeci; aos poucos foi me engolindo, meu coração estava batendo mais forte, minha respiração falhava, minha coragem não me obedecia, ainda assim continuei de olhos fechados, imaginando que Sasuke estava me colocando na banheira de roupa. Relaxei.


Ele molhava meu rosto e lambia meus lábios, massageando meus seios por cima da roupa úmida e colada ao meu corpo, depois seus lábios migravam para meu pescoço e suas mãos desciam devagar pela minha barriga e sob minha calcinha, me alucinavam com movimentos circulares lentos e acelerados. Gotas de água se agarravam o máximo que podiam na ponta dos seus cabelos negros e lisos como seda, seus lábios vermelhos pulsavam de desejo, seus olhos semicerrados queriam se fascinar com algo diferente, mais uma loucura no nosso diário de possibilidade. Eu gemia, ele me mordia, recebia tapas na coxa, estímulos e xingamentos. Pedia por mais, por mais, mais, mais até dizer chega, até um gozar primeiro ou um imprevisto acontecer. Ele desabotoara a calça e a abaixara até o joelho, exibindo seu membro que pulsava de tesão por mim. Sem avisos ele atolava em mim, fundo e rápido desde as primeiras estocadas. Eu surtava de prazer e um pouco de dor, porque apesar de ser um deus na cama, delicadeza não era seu forte, o que as vezes me excitava, as vezes me deixava furiosa. Mais uns minutos naquele ritmo e não agüentei: cheguei ao meu clímax, ele um pouco depois. Nos jogamos na banheira, antes com água até a metade, no momento praticamente vazia, e rimos da transa louca que tivemos. Estávamos cansados demais para pronunciar algo a mais do que um ‘boa noite’, cruzamos as mãos e dormimos ali mesmo.


“Olha para mim.” Virou meu rosto para ele. “Viu? Não te afoguei nem nada!” Estava com água até a cintura, com as pernas em volta do quadril dele e os braços em torno de seu pescoço. Ele sorria um dos sorrisos mais lindos e sinceros. “Adoro vê-la com ciúmes.” Selou nossos lábios e riu histericamente.


“Não é ciúmes, é cuidado pelo o que é meu.” Sussurrei e me aproximei de seus lábios salgados e trêmulos de frio. O álcool estava preso em sua língua novamente, parecia que nunca mais iria sair e sua boca. “Pensei que estava drogado e fosse me afogar com essa sua agressividade.” Comentei baixinho, fazendo ele rir novamente.


“Acha que eu sou louco?” Fiz que sim com a cabeça. “Tá certo, eu posso ser muito louco, mas se tratando de você eu levo a sério.” Aquilo era uma mentira, pois ele assistiu de camarote eu estragar minha vida por ele e com ele e simplesmente não fez nada até se apaixonar por mim, mas esta um pouquinho tarde para me levar a sério demais.


“Lembra quando estávamos em Nova York?” Ri enquanto lembrava. “No Central Park...”


“Ahhh...!” Riu junto comigo. “Foi a primeira vez que você foi presa! Tinha que ver sua cara de desesperada!” Continuou rindo.


“Quando eu lembro, mal posso acreditar que corri pelo Central Park nua!” Enrubesci.


“Seus peitos saltitavam para cima e para baixo, mas eu evitava olhar ou meu relógio ia marcar meio dia em plena praça pública!” Rimos. “Bons tempos...”


“...que podem voltar...” Ele me olhou confuso. “Vamos correr pelados pela praia?” Sugeri com um sorriso sapeca.


“Ficou louca? Acha que eu vou deixar você e seus peitos saltitarem por aí para esse tanto de marmanjo ver e se masturbarem atrás dos carros?”


“Acho.”


“Então acertou.” Saímos da água. “Hey! Pessoal! Querem fazer uma doidera e deixar os guardas loucos?” A resposta de Naruto e do resto dos nossos amigos foi a mesma. “O que acham de corrermos nus pela praia?” O silêncio foi geral.


“Sinceramente?” Perguntou Naruto depois de um tempo. “Pode ser divertido, mas não quero ficar com areia no meu hemisfério sul...”


“Que nojo Naruto!” Repreendeu Ino. “Como concorda com uma idéia louca dessas?”


“Loura, tá envergonhada de mostrar o corpinho por aí então fica, só não fala merda!” Gaara, namorado de Ino já avançava em cima de Sasuke quando todos pararam para ver eu me despir como se ninguém estivesse me observando. Eu realmente ignorava todos. E com sucesso.


“Santo Cristo!” Naruto recebeu um tapa.


“Alguém mais...?” Perguntou Sasuke com um sorriso de canto. “Pensem em quantas mulheres nuas vão estar pulando por aí. Serão muitas! E não irão dar atenção para os caras vestidos.”


“Por que eu iria querer o contrário?” Falou Ino.


“O que você quer ou não, pouco me importa.” Falou Gaara tirando a sunga. “Já entendi a finalidade disso.” O choque foi geral, especialmente da parte de Ino que saiu dali revoltada. Logo os loucos insanos inconseqüentes subiram na caçamba da caminhonete de Neji, que acelerou em uma linha reta deixando rastros na areia alva da California. Não era bem esse o meu objetivo, mas estava valendo. Pendurei minhas roupas e as de Sasuke em ambos os retrovisores para secarem. Parou a dois quilômetros adiante onde a água se chocava com grandes rochas cobertas de limo. O som foi ligado novamente, desta vez com a música mais baixa, logo saímos despidos e subimos nas grandes pedras para nos jogarmos do imenso colchão de água.


“Estou com medo de pular.” Sussurrei olhando os outros lá embaixo brincando de guerrinha, de um afogar o outro. Brincadeira perigosa, mas pareciam se divertir muito. Olhei para o lado oposto da praia, onde estávamos antes. A chama da fogueira ainda ardia incandescente atraindo várias pessoas. Eles não sabiam de nada. Eles não sabiam que se não fosse eu, aquela farra toda não aconteceria. Pelo menos não ali. Não daquele jeito. Com um sorriso bobo voltei meu olhar para baixo, pensativa.


Se os outros pularam e estavam bem, por que eu estava com tanto medo? Já fiz coisas muito piores, coisas extremamente piores e perigosas que prefero não se lembrar, mas comparar com aquele penhasco era um tanto de exagero. Decidi pular. Esta era minha última noite como uma mulher insolente, precisava aproveitar ao máximo, literalmente. Fechei meus olhos e respirei fundo. Quando ia pegar impulso para me jogar no grande colchão de água, meus amigos lá embaixo se calaram de repente. Ao perceber isso, abri os olhos para ver o que havia acontecido, e mal fiz isso, fui agarrada por trás e lançada ao mar. Um grito pela metade foi abafado pela água salgada que me invadiu o corpo com uma crueldade injusta. Fui pega de surpresa. Batia as pernas desesperadamente em busca da superfície que parecia estar muito próxima, pois me lembrava claramente de ter visto a forma perfeitamente redonda da Lua, porém, a ‘coisa’ que agarrou-me continuava ali, presa em meu corpo e parecia mais forte do que eu, que já me cansava. Logo meus olhos se fecharam automaticamente e tudo se silenciou.



Notas finais
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