Um Lugar Sem Esperança
3 Turn away cause I need you more
Notas iniciais
“Hey!” Parecia uma voz ouvida do fundo de um piscina. “Hey!!!” Estava ficando mais nítida, como se eu estivesse voltando à superfície aos poucos. “Acorda!” Meu corpo era balançado de um lado para o outro e eu não podia impedir isso, não tinha forças, estava desnorteada.
“Ela tá acordando.” Falou outra voz mais nítida do que a anterior.
“Sakura?” Era Sasuke. Fui abrindo meus olhos lentamente, mas ambos ardiam, como se estivessem com sal. Então me lembrei de tudo, aí a raiva voltou e toda aquela moleza se foi. Esfreguei os olhos com as costas das mãos por um tempo e fiquei sentada, com dificuldade, tossindo igual mendigo velho. Quando me estabilizei, olhei os quatro homens nus na minha frente, mas não tive coragem de direcionar meu olhar para um ponto mais abaixo pois eu também não estava vestida.
“Pensei que tivesse se afogado...” Falou Sasuke num tom de alívio.
“Eu também.” Falei seca. “O que aconteceu?” Se entre olharam desconfiados e nada disseram. “Qual caralho me empurrou de lá de cima?! Assim que vocês me respondem?!”
“Bem...” Começou Naruto, até Sasuke interrompê-lo.
“Bem nada! Sabia que se eu tivesse caído em uma das pedras que estavam embaixo eu poderia ter morrido? Sabia que eu poderia ter me afogado? Sabia se eu queria pular dali? Hã?” Comecei gritar com eles.
“Foi eu.” Sabia. Quando estava pensando se ia pular ou não, lembro vagamente de ter visto apenas os três meninos lá embaixo, não vi o Sasuke e não fiz questão, estava concentrada demais em pular para raciocinar que Sasuke podia estar tramando comigo. Me virei para ele com uma cara irrelevante e perguntei decepcionada:
“Foi você?” Ele confirmou com a cabeça. “Por que?”
“Aff, você estava enrolando para pular, toda medrosa, como se nunca tivesse pulado de lugar maior!” Realmente eu pulara de lugares mais altos. “Fiquei ansioso e decidi pular junto com você.”
“Pular junto?! Você me empurrou de lá de cima! Sem aviso nenhum!” Gritei mais alto.
“Se fosse diferente não teria graça!”
“Você achou engraçado ver eu quase morta de tanto engolir água do mar?!!”
“Bom, agente já tá indo viu pessoal?” Informou Gaara meio sem graça.
“Espera!” Mandei e ele obedeceu. “Você tem vinte e um anos e age como um garotinho de doze! Nem garoto de doze anos tem brincadeiras tão de mal gosto como você!!!”
“Para de fazer drama, foi só uma brincadeira! Pra que tudo isso?”
“Você quase me matou seu idiota! Queria que eu fosse antes para o inferno aguardar você?!” O silêncio foi vergonhoso, mas não demorou muito, foi cortado por um violento tapa no meu rosto vindo dele, que logo após foi segurados pelos dois amigos enquanto Naruto veio saber se eu estava bem.
“Nunca mais fale assim comigo sua vadia inútil!” Berrou saindo dos braços fortes de Gaara e Neji.
“Inútil? Eu ainda tenho o dinheiro que paga suas contas!” Falei chorando.
“Eu ainda tenho sua virgindade!” Falou sorrindo cruelmente. Passou por mim, pegou suas roupas penduradas no retrovisor e as vestiu, assim como os outros dois que o segurava antes.
Aquilo teve um impacto em mim maior do que eu pensei que poderia ter. Eu querendo que essa noite fosse inesquecível, acabou terminando em ofensas tão ponte agudas como estas. Eu estava profundamente irritada e magoada com o Sasuke, não que eu nunca estivesse, isso era constante, mas dessa vez a raiva era maior, muito maior.
Naruto continuou ali, a me consolar com carinhos, fingindo ser um amigo que não era. Vi que tudo não passava de malícia quando de relance olhei seu membro. Estávamos sentados na caçamba da caminhonete de Neji que voltou a pé com os outros para o outro lado da praia onde estava rolando a festa. A minha festa. Mas só Sasuke e Naruto sabiam disso. Pulei para fora da caçamba, meia cambaleando-havia engolido muito água, continuava um pouco zonza- e peguei minhas roupas meio úmidas. As vesti longe do Naruto, que ficou sem entender nada, e saí com uma garrafa de Ice para o extremo oposto do quebra-mar.
A rua estava vazia, atravessei desfilando e me sentei em um dos bancos de madeira que havia entre duas palmeiras como divisória de uma mão para outra mão de carro. Era meio difícil distinguir o mar do céu. Culpa do álcool, dos meus olhos salgados ou realmente havia uma semelhança absurda. Dava para percebeu um e outro pela movimentação da água e as ondas se quebrando na costa, tirando isso, aquele grande oceano parecia emendado do céu que não continha mais tantas estrelas como antes, só uma lua xereta e irritantemente redonda me vigiando, como se esperasse meu próximo passo, que seria um tropeço.
E eu bebia. Sasuke nem no meu pensamento estava, o que foi estranho. Quando lembrei dele meu rosto mudou de feição consideravelmente. Não estava pensando sobre Sasuke. Sabe o que é isso? Estou dando menos moral para ele. Por que eu me sinto culpada? Ele me largou nua com um amigo bêbado de pau duro e foi curtir a minha festa com outras vadias. Ele era um canalha. E eu querendo uma noite perfeita, memorável, e quase morro afogada, duas vezes. Duas vezes por ele! Talvez seja o mar que não foi com a minha cara de hoje ou o Sasuke realmente quer dar um fim em mim. Não quero essa resposta. Nenhuma me favorece.
Estava tão cansada de lutar para manter essa terrível relação... Estava fazendo tudo e nem isso era o bastante para nos manter bem por algumas horas. Só paramos de brigar na cama e ainda assim saímos machucados. Às vezes eu olho para as atitudes dele e vejo que não vale à pena. Ele pode ter experiência em tudo o que for, mas ainda é uma criança. Uma criança brincando com coisas muito perigosas e eu não estou mais em condições de lidar com isso, só que quando eu tento me imaginar sem os defeitos dele me deixando louca, sem esperança, fé ou força de seguir em frente, eu desisto da idéia de deixá-lo e volto para esse jogo maldito de briga e faz as pazes. Também penso nele. Não é querendo ser convencida não, mas o que seria dele sem mim? Eu realmente não sei dizer.
Pensando no diabo, ele aparece sem dar avisos, sem fazer barulho e se senta do meu lado com a cara mais furiosa do mundo como se a vítima fosse ele. Fiquei em silêncio. Ele não fez diferente. Virei a garrafa de Ice e joguei longe. Queria profundamente jogar na cabeça dele, mas não tinha coragem suficiente.
“Desculpa...” Não agüentei e me levantei para ir embora. Ele me pegou pelo braço sem medir força, tentei me soltar, mas ele era mais forte consideravelmente. “O que quer que eu faça?! Já pedi desculpas!”
“Desculpa é apenas uma palavra, não é um apagador de erros! E se eu tivesse morrido afogada?!”
“Não morreu.”
“E se tivesse morrido? Você ia pegar meu cadáver e pedir desculpas?” Ele apertou mais meu braço. Eu sei que ele odiava quando eu falava assim, com deboche. “Você não entende que um dia vai ser tarde e pedir desculpas não vai adiantar em nada?” Ficou em silêncio e me soltou. “Quando vai crescer?!” Não havia mais nada a ser dito. Absolutamente nada. Esperei algo útil vazar entre seus dentes alvos –um grande feito para um fumante mórbido-, mas nada saiu. “Deixa. Vou voltar para casa.” Me virei e saí andando.
“Vamos para outro lugar.” Voltei a atenção à ele para ouvi-lo. “Se esta é a última noite, de fazer doideras, por que não fazemos uma tatuagem?” Tatuagem? Por que eu iria querer fazer uma tatuagem? O que há de interessante em pichar meu corpo?
“Uma cicatriz com tinta preta? Não, valeu. Deixa para a próxima.”
“Eu quero ter uma cicatriz com o seu nome em tinta preta.” Parei. O olhei incrédula. Ele não teria coragem... Estava louco. Só falara isso porque estava bêbado e foi isso que disse à ele. “Não estou bêbado, não o bastante para me esquecer dos meus princípios. Isso não é de agora, venho pensando há um tempo sobre tatuar algo, mas estou sem criatividade e a melhor opção parece ser a sua.”
“O que quer provar com isso?”
“Que sou louco por você.” Se aproximou e eu recuei um passo. “Que faço essa loucura e outras só para provar que eu te amo sua vadia ingrata, que não consigo vê-la tão fula comigo e ficar bem de farra com o pessoal. Simplesmente não dá.” Tirou uma mecha de cabelo molhado grudada sobre meu nariz. “Eu escrevo seu nome no meu tórax e você faz um narguile nas costas.
“Nem em outra vida!!!” Cedi. “Tem certeza? Não está brincando?”
“Não.” Me deu um selinho. “Diz que sim! Só vou com você do meu lado.”
“Medroso!” Ri e me entreguei aos seus braços que me envolviam quase por completo. “Nunca mais faça isso comigo.”
“Não haverá próximas vezes.” De repente, senti como se aquela frase não estivesse relacionada com a promessa e sim com o que estava prestes a acontecer. Uma lágrima desceu do meu olho esquerdo sem permissão ou anúncio para que eu pudesse pará-la, sorte que Sasuke não percebeu quando ela caiu morta em seu ombro.
Demos as mãos e fomos para o centro –a pé- procurar um tatuador para pichar nossos corpos. Essa seria a lembrança mais concreta que eu carregaria dele e sabia que iria doer o peito toda vez que eu a olhasse.
Notas finais
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