Um Lugar Para Ficar
45 Capítulo 45 – Recomeço
Notas iniciais
Poucos dias Depois...
A manhã chegou ensolarada, trazendo a promessa de mais um dia quente de verão àquela parte do país.
Desde o retorno da viagem em busca de recuperar as poucas lembranças da família Hale, Emmett tem dedicado algumas horas do seu dia para dar aulas de montaria às crianças, que também vinham dividindo o horário com as aulas de natação.
Levou Rosalie a uma apresentação de rodeio e também a uma corrida de cavalos. Em ambas as ocasiões estavam apenas os dois, as crianças tinham ficado na fazenda com o restante da família, se divertindo com outras atividades.
A cada dia Rosalie amava um pouco mais aquele lugar, e todos que ali moravam. Compreendia e aceitava o amor e dedicação de Emmett pelas terras que um dia pertenceram ao seu avô.
Há dois dias, durante o jantar, Noah deixou a espiga de milho cozido de lado, dizendo a todos à mesa que, quando crescesse, seria cowboy e médico de bicho, igualzinho ao papai. Seu desejo de se tornar ator já tinha ficado no passado. Orgulho e satisfação eram notáveis no olhar de Emmett ao ouvi-lo dizer aquelas palavras.
É claro que apoiava e respeitava a escolha de Enrico pela música clássica. O menino era um artista, nascera para isso e todos sabiam. Estaria sempre ao lado dele, assim como pretendia estar ao lado dos dois mais novos, independente de suas escolhas.
Rosalie nunca teve tanta certeza de estar em casa. Sim, aquele era o lugar ao qual pertencia.
Acordou preguiçosamente, sentindo as carícias dos beijos de Emmett por todo o seu pescoço e ombros. Sorriu com a certeza de que era verdadeiramente amada.
— Bom dia, Raio de Sol – ele desejou, num murmúrio rouco ao pé do ouvido.
Rosalie puxou o cobertor amarrotado até a altura dos seios, virando-se de barriga para cima, olhando-o com olhos de sono.
Emmett sentou-se ao lado dela, vestindo apenas cueca.
Ainda sonolenta, o sorriso de Roalie pareceu preguiçoso.
— Bom dia – murmurou em resposta. – Que horas são? Estou atrasada? A Amy já acordou? Eu não ouvi a babá eletrônica. Você ouviu? E os meninos?
Olhando-a com um sorriso leve nos lábios, Emmett pôs as mãos na cintura dela ainda sobre o cobertor.
— Nem uma coisa nem outra.
O olhar dela demonstrou confusão.
— Quero que veja uma coisa antes que as crianças acordem e você vá para o trabalho.
— Que coisa?
Ele acariciou a cintura dela, dando uma apertadinha nos lados, antes de falar.
— Eu queria ter te mostrado ontem à noite, mas... Você sabe... Depois do que fizemos – os olhos dele brilharam com luxúria ao recordar a noite de amor que tiveram.
Rosalie ergueu a mão, acariciando o queixo dele sobre a fina camada de barba.
— Você é terrível – acusou. – No bom sentido, claro – e então sorriu.
Emmett se inclinou beijando-a de leve nos lábios.
— Não saia daqui. Eu já volto – avisou enquanto se afastava dela, saindo da cama em seguida.
Rosalie aguardou enrolada ao cobertor que recendia sexo.
Percebeu Emmett se aproximar do guarda-roupa, abrir a porta, e da parte mais alta retirar um embrulho grande. Pelo tamanho e pela forma, seu primeiro pensamento foi que se tratava de uma pintura em tela. Ela então se sentou na cama, ainda segurando o cobertor junto ao corpo.
— O que é?
— Está muito curiosa, moça bonita – brincou risonho, as covinhas se exibindo nas bochechas.
— É uma pintura? É de algum artista famoso?
Ele deixou o embrulho ao lado dela na cama.
— Vai ter de abrir para descobrir.
Rosalie prendeu o cobertor ao redor do corpo, para que não caísse enquanto se dedicava abrir o embrulho. Pôs as mãos sobre o embrulho e olhou no rosto de Emmett, apesar de risonho parecia ansioso. Ele se inclinou para frente beijando brevemente o ombro dela.
— Está linda – sussurrou.
Rosalie sacudiu a cabeça tentando não se deixar seduzir por aquele par de olhos azuis, e se dedicou abrir o embrulho. Emmett permaneceu com o rosto descansando no ombro dela pelo tempo que levou para abrir o presente. Então, finalmente levantou a cabeça.
A primeira reação dela foi de espanto, depois, surpresa. E logo se transformou em gratidão.
Ela olhava, com olhos marejados, a moldura que tinha em mãos. Numa linda moldura com vidro estavam todas as fotografias das crianças que encontraram rasgadas na casa de Royce. Uma a uma todas foram montadas criando a aparência de um lindo mosaico.
— Ah, amor... – murmurou chorosa, cheia de gratidão. Deslizou os dedos sobre a proteção de vidro como acariciasse o rosto das crianças. – É lindo.
— Você gostou? – Emmett passou uma mecha do cabelo dela para detrás da orelha.
— Eu mais do que gostei. Eu amei. Isso é mais do que eu poderia esperar. É maravilhoso.
— Eu vi como ficou triste por elas estarem rasgadas. Pensei em como fazer algo que não a fizesse se sentir tão triste toda vez que olhasse para elas, acabou que cheguei a essa ideia.
— É perfeito. – Ela levou a mão ao rosto dele, fazendo um afago. E outra vez tornou acariciar o vidro da moldura. – Vou guardar para sempre. É lindo – sussurrou.
Emmett beijou no rosto dela.
— Eu te amo, Raio de Sol.
— Eu te amo mais.
— Impossível.
— É possível, sim. – E ao dizer isso, secou uma lágrima que traçou caminho em seu rosto. – Isso foi verdadeiramente lindo – tornou a dizer olhando a moldura que protegia as fotos dos filhos.
— Podemos pôr na sala, na parede da lareira, ao lado de outras fotografias da família. O que acha?
— É perfeito. Eu também tenho uma coisa para você – acrescentou um instante depois. – Estava aguardando o melhor momento, e acredito que não há melhor momento que esse.
— Só para você saber, estou bem curioso agora. Então, onde está o meu presente? Onde o escondeu?
— Me dá aqui suas mãos. – Ela estendeu as mãos diante dele, e Emmett as segurou com firmeza. – Feche os olhos – pediu.
Ele fez exatamente como pediu. Em seguida, sentiu suas mãos sendo guiadas a algum lugar, até finalmente se dar conta que esse lugar era a barriga dela.
— Está bem aqui – Rosalie finalmente contou, as mãos sobre as dele todo o tempo.
Emmett se sentiu ansioso.
— Posso abrir os olhos agora?
— Pode.
Ele se dividiu entre olhar no rosto dela e nas mãos sobre o ventre esguio, a expressão confusa e ao mesmo tempo curiosa.
— Um bebê? – conseguiu dizer, finalmente.
Rosalie apenas concordou, meneando a cabeça.
— Vamos ter um bebê? – O tom de voz se elevando conforme a ficha caía, sorrindo abertamente, enfim. Não se importou quando uma lágrima escapou, molhando a bochecha, se perdendo na sombra de sua barba.
— Sim. Nós vamos ter um bebê juntos.
Emmett a garrou num abraço apertado, de repente. Beijando todo o rosto dela em seguida.
— Eu não acredito. Essa é a melhor notícia de todas. – Segurou na cintura dela com ambas as mãos enquanto beijava o ventre esguio. – Eu vou ser pai mais uma vez – sorriu grandiosamente. – É o melhor presente de todos – afirmou. Então, para quem quisesse ouvir, declarou: – Eu amo você Rosalie Hale.
Sem dúvida alguma para Rosalie aquele se tornou um momento inesquecível. Em nenhuma das gestações anteriores teve essa aceitação amável, pelo contrario, se viu obrigada a mantê-las em segredo para proteger pequenos inocentes.
Dessa vez, porém, sentiu-se segura. Confiante.
Estendeu os braços, enlaçando Emmett num abraço gostoso.
— Seu bobo.
— Obrigado, Raio de Sol – murmurou no ombro dela. – Obrigado.
Pouco antes do café da manhã eles deixaram a moldura na parede da lareira, na sala de estar junto a tantas outras fotografias da família. Rosalie acariciou a fotografia da mãe de Emmett sobre o vidro do porta-retratos, sussurrando um obrigado.
Foi muito difícil para Emmett disfarçar a empolgação durante o café da manhã em família, mas ele conseguiu. Rosalie estava atrasada para o trabalho, assim acharam melhor dar a notícia a todos à noite, durante o jantar, quando estariam mais calmos.
[...]
Um a um todos ocuparam seu lugar à mesa, com exceção de Emmett e Rosalie que ainda estavam no quarto.
— Pessoal – ele pediu, poucos minutos depois, entrando na cozinha de mãos dadas com Rosalie, que trazia na outra mão uma pequena caixa. – Pessoal – chamou novamente. – Prestem atenção aqui, por favor.
— Vocês demoraram – Lena advertiu. – Já íamos servir o jantar sem vocês. As crianças estão famintas.
Emmett olhou na direção onde a avó estava.
— Me desculpe vovó. Mas vocês terão de esperar mais um pouco.
Lena parou no meio da cozinha com a tigela de batatas assadas nas mãos.
— E isso por quê? – Kate contestou. Tinha acabado de devolver a Amy o brinquedo que deixou cair.
— Rose e eu temos um comunicado a fazer.
Todos os rostos se voltaram para eles.
— É sobre o quê, tio Emmett? – Logan pediu.
— É – Garrett apoiou o filho. – Deixe de mistério e diga logo do que se trata. Estamos todos com fome aqui.
— Pode deixar em cima da mesa, Rose – Emmett pediu se referindo a caixinha que tinha em mãos.
— É doce? – Noah disparou.
Enrico olhava de um para o outro. Amy completamente distraída com o brinquedo, sem se importar com o que acontecia ao redor.
— Quanto mistério – acusou Kate.
Lena deixou a tigela de batatas sobre a mesa. Sem deixar de reparar na caixinha que Rosalie deixou lá.
— O que tem aí? – pediu a eles que dissessem.
— A senhora vai ter abrir para descobrir – Emmett avisou.
— É uma pegadinha? Porque se for você vai levar uns bons tapas.
Emmett deu risada.
— Não é uma pegadinha vovó.
Abby pulou da cadeira, correndo para o lado da bisavó.
— Eu abro para você, bisvovó.
Kate olhou para o irmão.
— Tudo bem ela abrir?
— Sim. Pode abrir gatinha. Não tem perigo.
A menina pôs as mãos sobre a tampa da caixinha e lançou um olhar a todos, em torno da mesa. Eles a olhavam com um misto de curiosidade e medo, exceto Rosalie e Emmett, que, sabendo do que se tratava, segurava a ansiedade.
O grito de revelação da menina desfez o clima de curiosidade.
— São sapatinhos! – Ela pegou um par de sapatinhos brancos de tricô, mostrando a todos. – São sapatinhos.
— Não acredito – Kate pôs as mãos na boca. Não demorou, o sorriso largo estava estampado em seu rosto.
Lena olhou dos sapatinhos nas mãos da bisneta para o casal sorridente, de pé ao lado da mesa.
— É o que estou pensando?
Ambos moveram a cabeça, concordando, sem tirar o sorriso do rosto.
Lena abriu os braços, convidando os dois a um abraço.
— Meus queridos. – Ela se moveu em torno da mesa a fim de encontrá-los no outro lado. Abraçou um por vez. – Parabéns. É uma notícia maravilhosa.
— Por que a bisvovó tá dando os parabéns? – Noah pediu sem entender o que acontecia.
Segurando os sapatinhos, Abby fez um pedido.
— Posso ficar com eles para as minhas bonecas?
— Não, amor – Kate interviu. – Eles são para o novo bebê do tio Emmett e da tia Rose.
— A tia Rose vai ter um bebê? – Logan perguntou surpreso.
— Que legal! – Abby vibrou, levantando os sapatinhos no alto.
— Eu vou ter outro irmão? – Noah quis saber.
— Isso mesmo – Garrett respondeu.
Abby voltou para perto da mãe, e juntas ficaram olhando os sapatinhos com admiração.
Rosalie e Emmett ainda falavam com Lena, quando Enrico e Noah se aproximaram. O mais velho ficou abraçado à cintura dela. Noah, olhando para cima, perguntou:
— Mãezinha, ele tá dentro de sua barriga que nem eu, a Amy e o Rico que ficamos de monte de tempo?
Rosalie sorriu para ele. – Ahã.
— Você comeu a sementinha dos bebês outra vez? Por que você fez isso?
— Você não gostou de saber que vai ter mais um irmãozinho ou uma irmãzinha?
— Eu não sei. Eu tô anfuso.
Risos entoaram pela cozinha.
— Mas confuso com o quê, filho?
— A Amy e eu não vamos mais ser os seus bebês?
— É claro que sim, mãezinha. Vocês sempre serão os meus bebês.
— Foi o papai Emmett que comprou a sementinha?
— Foi sim.
Noah sorriu, parecendo aliviado.
— Assim eu fico menos anfuso. E menos de preocupado, também.
Rosalie sentiu Enrico acariciar sua barriga, então olhou para ele.
— Tudo bem, príncipe? – Enrico balançou a cabeça, positivamente. Em seguida, gesticulou que queria falar ao ouvido.
Rosalie se abaixou ficando na altura dele, ouvindo atentamente o que tinha a dizer.
— Ele não ficou bravo? E ele também ama esse bebê?
– Ele também ama esse bebê – Rosalie o abraçou, falando pertinho do ouvido. – Vai ficar tudo bem com a mamãe e o irmãozinho ou irmãzinha de vocês. – Enrico esboçou um sorriso, aliviado.
Abby chamou a atenção para ela.
— Tia Rose, o seu bebê vai ser menino ou menina?
— Seu tio e eu decidimos que não vamos querer saber até o nascimento. Queremos que seja surpresa.
Emmett pegou um copo de suco e o ergueu sugerindo um brinde.
— É isso, família, eu vou ser pai mais uma vez.
A irmã se levantou indo abraçá-lo.
— Parabéns, meu irmão. E o casamento? Já escolheram a data?
— Até o fim do verão, estaremos casados.
— Vai ser uma cerimônia ao ar livre aqui mesmo na fazenda – Rosalie contou, ajeitando Amy na cadeira de alimentação. – Já fiz isso uma vez na igreja, dessa vez tem de ser diferente.
[...]
Os dias quentes de verão estavam passando depressa. As crianças aproveitando ao máximo as férias. As aulas de natação e montaria estavam sendo um sucesso.
Os preparativos para a cerimônia de casamento seguiu a todo vapor. Os dias passaram tão depressa que, quando deram por conta, estavam todos aguardando os convidados chegarem.
Naquela manhã ensolarada, antes de se vestir para o próprio casamento, Emmett decidiu que tinha uma coisa importante a fazer.
O sol brilhava alto no céu quando saltou da caminhonete em frente aos portões do cemitério da cidade. Tinha retornado ali outras tantas vezes desde que Rosalie o convenceu enfrentar o passado. Numa dessas visitas, tinha contado que seria pai.
Demorou-se um pouco olhando através dos portões, sabendo que do outro lado estava um pedaço de seu coração. As lembranças para sempre existiriam, mas já não machucavam tanto quanto antes.
Rosalie o havia convencido voltar com as sessões de terapia, assim como as crianças e ela vinha fazendo. Tendo outra vez ajuda profissional, apoio e o amor da família, estava aprendendo a conviver com as memórias. Estava vivendo bem mais feliz. Um dia de cada vez.
Ele ajeitou o chapéu de couro na cabeça. Numa das mãos carregava um ramalhete de flores silvestres. Não reparou em nada ao redor, nem mesmo na grama aparada recentemente cujo cheiro de mato impregnava o ar. Parando somente ao alcançar os túmulos da mãe e do avô.
Ajoelhou-se diante as lápides brancas. Devagar afastou um farrapo de grama de cima do nome da mãe.
— Olá, mamãe – falou saudoso. – Olá, vovô. Espero que não tenham se cansado de me ouvir falar. É que foram tantos anos de silêncio que as palavras se acumularam. Hoje é um dia muito importante para mim. É o dia do meu casamento. Finalmente vovó não precisará mais se preocupar com minha solteirice. Com a ideia de que seria para sempre um homem triste e solitário. Encontrei a pessoa mais incrível de todas. Corajosa. Carinhosa. Vencemos muitas lutas. Salvamos um ao outro. Vocês teriam adorado conviver com ela.
Ele fez uma pausa antes de voltar a falar.
— Ela é tão doce, e linda. Ela lembra muito você, mamãe.
Houve outra pausa enquanto passava a mão na cabeça.
— Na verdade, estou um pouco nervoso. Sei que todos os nossos amigos estarão na fazenda hoje. Estou ansioso também. Não estou me aguentando de tanta vontade de vê-la vestida de noiva. Tenho certeza que estará ainda mais linda, se é que é possível.
Ele suspirou, em seguida, começou arrumar as flores que trouxe dividindo-as entre o túmulo da mãe e do avô.
— Eu mesmo as colhi para vocês. Rosalie me trouxe de volta a vontade de viver, mamãe. E eu sei que, mesmo estando muito feliz, ela ainda se sente amedrontada com a ideia de casamento. Mas eu vou provar a ela, através de gestos e palavras, a cada novo dia juntos, que o que viveu antes nunca foi um casamento de verdade. Eu juro mamãe, pelas minhas mãos Rose conhecerá apenas o amor. Vamos cuidar da fazenda como você e o vovô cuidariam. Vamos criar nossos filhos naquelas terras, fazer deles homens e mulheres de bem. Todos serão amados da mesma forma, sendo filho biológico ou não.
Emmett olhou o céu azul. Uma gota se suor cintilou em sua testa.
— Eu gostaria de poder conversar um pouco mais, acontece que tenho de voltar agora. Preciso me arrumar para o meu casamento. Os únicos que sabem onde estou agora são vocês. Então, eu vou indo.
Ele ficou de pé.
— Obrigado por colocá-la em minha vida, mamãe. Obrigado aos dois, por todo amor que me deram um dia. Obrigado por ter me dado à vida, moça bonita.
Ele deu as costas para os túmulos da mãe e do avô, refazendo o caminho de volta até a rua. Sentiu a brisa morna de verão agitar-se ao redor de seus ombros. Suspirou sentindo-se grato, acreditando ter sido as mãos de Aimee e Elliott o abençoando no dia de seu casamento.
Olhou para trás e teve a impressão de tê-los vistos sob uma luz disforme, de mãos dadas, sorrindo. Essa sensação levou pouco menos de um segundo. Ele continuou andando, com a certeza de que jamais esteve sozinho.
[...]
A cerimônia de casamento aconteceria no gramado, na parte de trás da sede.
A sombra de umas poucas árvores o altar foi montado. O genuflexório posicionado ao centro, com almofadas brancas impecáveis, um longo carpete verde-oliva se estendia a caminho do altar. Cadeiras de madeira rústica, de espaldar alto, com almofadas brancas no assento se estendiam em fileiras uma atrás das outras. Vasos de vime com flores silvestres decoravam o caminho por onde a noiva passaria.
Logo na entrada, uma lousa verde sobre o cavalete trazia os dizeres: “Bem-Vindos”, logo mais abaixo “Emmett e Rosalie”, seguido por um coração.
Ao lado esquerdo, uma tenda branca foi montada para receber os convidados após a cerimônia. A grama ali foi protegida por um piso falso de madeira trabalhada. Arranjos de flores se estendiam nas laterais da tenda. Cadeiras e mesas de madeira, cuidadosamente decoradas em tecido branco.
Ao chegarem à fazenda os convidados recebiam leques e lenços, personalizado com as iniciais dos noivos, para ameninar o calor daquele dia de verão. Ao final da cerimônia, serviriam como lembranças. Água e refresco estavam sendo servidos numa pequena tenda para aliviar a sede.
Os padrinhos, Carisle, Eleazar, Garrett e Edward, se vestiram com trajes no estilo country: Jeans, camisas brancas com colete marrom, botas e chapéu de couro. As madrinhas, Esme, Carmen, Kate e Isabella, com vestidos na cor creme e botas de montaria. Cada uma trazendo nas mãos um pequeno buquê de flores silvestres.
Emmett aguardando a noiva, vestindo camisa branca, calça social num tom de bege e colete na mesma cor, um mine buquê de flores silvestres na lapela do colete, gravata borboleta azul, botas e cinto marrom.
Enrico se posicionou a lateral direita do altar, onde tocaria violino durante a entrada da noiva. O menino vestia calça social cinza, camisa branca, colete aberto e sapatos.
Então vieram Noah e Amy, de mãos dadas, pelo tapete verde-oliva. Ele, com um shortinho na mesma cor das roupas do irmão, camisa branca com as mangas enroladas, suspensório, gravata borboleta e botas. Amy vestida de branco, também com botas, e uma coroa de flores silvestres na cabeça. Noah segurando a placa que trazia os dizeres: “Lá vem a noiva”
Abby estava logo atrás deles, vestida igual à Amy, trazendo as alianças.
Finalmente Rosalie surgiu. Linda, desfilando pelo tapete verde-oliva, logo atrás das crianças. Seu vestido sem mangas trazia a parte da frente mais curta que a de trás, deixando em evidência as botas de montaria na cor bege. Os cabelos soltos, enfeitados apenas por uma única flor, um lírio do campo laranja.
Enrico tocou num solo de violino a canção favorita da mãe; Feels Like Home, de Edwina Hayes. Sim, ela estava de volta ao lugar onde pertence. Ela estava em casa.
Família e amigos, todos em seus lugares, presenciando momento tão importante na vida do casal.
Alice e Jasper, em cadeiras localizadas numa das primeiras fileiras, ao lado de Lena e Logan, sorriam.
Enquanto a assistia caminhar ao encontro de Emmett no altar, lágrimas molharam o rosto de Lena.
Rosalie respirou fundo, emocionada demais. Um filme passando em sua cabeça, coisas boas e ruins. Mas, sem dúvida, as boas eram muito mais fortes agora.
Emmett foi ao encontro dela, recebendo-a com um breve beijo na testa.
Ouvir Enrico tocando sua música favorita, de significado tão grande, quase a desmoronou. Esme se aproximou, trazendo um lencinho na mão, limpando gentilmente as lágrimas no rosto da amiga.
Rosalie olhou para o filho mais velho e lhe soprou um beijo. O menino a presenteou com um sorriso doce.
Aproximaram-se do altar, ajoelhando-se ao genuflexório, diante o reverendo Walker que os aguardava para lhes dar a benção.
Ao final, as alianças foram trocadas. E quando o reverendo os declarou marido e mulher, Noah logo gritou: “E filhos também”. Os convidados riram com os noivos.
Depois de toda espera Emmett finalmente pôde beijá-la. Pensando, agora é para sempre.
Decorando o bolo de casamento havia, além dos noivos, três crianças, em andares diferentes; uma de cabelo escuro e duas de cabelos louros. Os filhos do casal.
[...]
Meses depois...
Emmett voltava dos estábulos. Tinha passado toda a tarde cuidando dos cavalos com ajuda de Scott e do pai dele. Alguns cavalos haviam sido despachados para competições ainda na parte da manhã.
Avistou Rosalie recostada ao parapeito de madeira branca, na varanda. A barriga avantajada, em seus últimos dias de gestação. Emmett a achava ainda mais bonita carregando aquele barrigão. Fazia massagens com óleos corporais. Não se cansava de elogiá-la todas as noites antes de dormir e todas as manhãs antes de levantar. Declarava sempre seu amor a ela e as crianças.
Depois do casamento, Emmett adotou as três crianças legalmente.
Ao lado do galpão, estava sua caminhonete e o Jeep Renegade branco que deu de presente a Rosalie.
Ele retirou o chapéu ainda enquanto subia os degraus da varanda, passou a mão na cabeça e o pôs de volta. As mangas de sua camisa estavam dobradas, onde se podiam enxergar, em um dos braços, as marcas da queimadura causada pelo incêndio na cabana.
Estavam no comecinho da primavera, depois de um logo inverno. Flores silvestres florescendo por todos os lados dando as boas vindas à nova estação.
Caminhou até ela, sorrindo.
Rosalie foi ao encontro dele, e pôs as mãos a sua cintura. Emmett lhe deu um beijo nos lábios, em seguida, acariciou o barrigão.
— Como está nossa garotinha ou garotinho?
Ela pôs as mãos sobre as dele, então.
— Querendo conhecer logo o papai – brincou.
— Estou contando os minutos – Emmett admitiu. E a tomou pela mão. – O que estava fazendo aqui fora sozinha, moça bonita? Cadê todo mundo?
— Estava esperando por você. E estão todos lá dentro.
Uma brisa forte se agitou em torno deles, esvoaçando os cabelos de Rosalie em torno do rosto, exalando o aroma de maçãs. Um ribombar de trovões ao longe chamou atenção.
— Temos uma tempestade a caminho.
— Todos os animais estão protegidos? – ela sondou.
— Sim. Vão ficar todos bem.
Ambos notaram no céu a nuvem escura se formando. Então, Emmett olhou no rosto dela e lhe roubou um beijo.
— Vem, vamos entrar – disse em seguida.
Ele a levou para dentro de casa pela mão. Ao pé da porta estavam Jujuba e Caramelo, deitados preguiçosamente no tapete. A família reunida na sala, contando histórias, rindo uns com os outros.
— Papai – Amy falou. Sempre contente em vê-lo. E correu trôpega para os braços dele.
— Oi, minha princesinha. – Emmett beijou todo o rostinho dela. Os cabelos louros de Amy tinham crescido bem nos últimos meses, agora alcançavam os ombros. E ela já conseguia falar mamãe e papai corretamente.
— Mamãe – ela chamou por Rosalie, oferecendo a mãozinha. A mãe deu um beijo estalado nos dedinhos gordos.
— Coisa linda, mamãe – Rosalie falou para ela.
— Ela está cada dia mais parecida com você – Emmett acrescentou. – Linda e carinhosa.
Rosalie acariciou o rosto dele, sentindo a barba fina na ponta dos dedos. Então ouviu risos. Ao olhar para as crianças, percebeu Noah dançando de um jeito cômico, fazendo com que todos rissem com ele.
Enrico gargalhou, e ao virar o rosto, seu olhar cruzou com o da mãe. Sua gargalhada soava sempre como um presente para Rosalie. Emmett percebeu nos olhos dela a mesma felicidade escancarada nos olhos de Enrico. Inclinou-se, beijando-a na têmpora esquerda.
Garrett e Logan se juntaram a Noah na dança maluca. Risos inundaram a sala de estar dos McCarty. Rosalie olhou deles para a parede acima da lareira, nas fotografias em mosaico ao lado de tantas outras da família. Voltou olhar para eles, se permitindo sorrir, certa de que havia encontrado o seu lugar no mundo.
[...]
Durante a madrugada a tempestade caiu com força. Os fortes ventos causando estragos na propriedade.
As crianças ficaram todas muito assustadas. Pouco a pouco, a cama do casal ficou pequena. A primeira a chegar foi Amy, depois de chorar e Rosalie precisar buscá-la no quarto que dividia com Abby. A sobrinha correu para o quarto dos pais, também. Depois vieram Noah e Enrico.
Pouco antes das quatro da manhã, Rosalie começou se sentir mal. Enquanto todos dormiam com braços e pernas largados uns sobre os outros, ela ficou acariciando a barriga em silêncio. Conhecia os sinais. Sabia que estava entrando em trabalho de parto, e, baseando-se nas outras gestações, acreditava que teria algumas horas pela frente.
Às cinco da manhã, sentiu a primeira forte contração. Vinte minutos depois, a segunda. Isso se repetiu mais duas vezes, com duração de trinta a quarenta e cinco segundos. Ela sabia que precisava acordar Emmett agora.
As crianças estavam entre eles na cama, mantendo-os afastados. Com o tamanho que estava sua barriga, não conseguiu se esticar o suficiente para tocar no marido com a mão, na extremidade oposta da cama. Então, apenas chamou por seu nome.
— Emmett... Amor? – nada. Ele continuou dormindo. A contração voltou num intervalo mais curto, e ela teve de esperar para chamar por ele de novo. – Emmett? – estava respirando com dificuldade agora. – Amor? – sua voz soou cansada. Como ele não respondeu se esforçou para sentar na cama. Firmou os pés no chão, então, se levantou. Nesse momento, a bolsa estourou despejando todo o líquido entre suas pernas e no chão.
— Mamãe? – ela ouviu Enrico chamar. Pelo tom de voz soube que estava preocupado.
Levando as mãos à barriga, ela fez um pedido.
— Acorde o papai, Rico.
— É o bebê?
Noah sentou no colchão, soltando um berro.
— Mãezinha, você fez xixi na calça? Por que mãezinha? Não deu tempo de ir ao banheiro? Você teve um pesadelo?
Emmett acordou com a conversa deles. E, ao se dar conta do que acontecia, saltou da cama num pulo, dando a volta ao redor indo para perto de Rosalie. Ele apoiou as duas mãos na barriga dela ainda enquanto falava.
— É o bebê? A bolsa? – Ele olhou no chão, e novamente no rosto dela. Rosalie concordou, balançando a cabeça. Emmett a beijou de forma afobada e correu para se trocar. Os meninos riram de sua afobação.
Rosalie gemeu com mais uma contração chegando. Apoiou ambas as mãos no colchão, voltando a sentar devagar.
Enrico chegou pertinho dela e acariciou seus cabelos bagunçados.
— Mãezinha – Noah voltou a falar –, você sentou na cama com a roupa de xixi. Vai sujar tudo. E vai ficar fedido. Depois não venha dizer que fui eu quem fez xixi aqui na sua caminha e do papai. Eu não fiz, meu pinto tá seco.
Enrico perguntou. – Está doendo?
— Não muito. Fique tranquilo – tentou suavizar a preocupação do mais velho. – Vai ficar tudo bem.
— Mãezinha, não é xixi isso? O que é então? – Noah questionou.
Emmett parou ao lado de Rosalie. Tinha trocado de roupa, e a camisa estava sem fechar os botões. A bolsa do hospital embaixo do braço.
— Amor, por favor, pegue para mim roupas limpas.
Ele voltou correndo até o guarda-roupa.
— Você vai aonde, mãezinha? – Noah começou se preocupar.
— Pa... – ela foi interrompida por mais uma contração.
— Mãezinha, para com isso – Noah berrou assustado.
— Para, Noah – Enrico pediu. – Você está incomodando a mamãe.
Com tanto barulho, Amy acabou acordando.
— Mamãe? – a caçula chamou chorosa.
— A mamãe está aqui, bebê. – Rosalie afagou a perninha gorda dela. – Volte a dormir, anjinho. – Mas Amy não se contentou, levantou e subiu em cima dela, ficando colada ao barrigão da mãe até Emmett vir tirá-la.
— Rico, chame a bisvovó no quarto dela. E a Kate também. Preciso delas acordadas para cuidar de vocês enquanto levo a mamãe ao hospital.
— Hospital? – Noah arregalou os olhos. – De novo, não... – ele gemeu.
Enrico saiu correndo com os pés descalços pela porta e então pelo corredor.
— Mãezinha, você está dodói? – Noah pediu beirando o choro.
Emmett pôs Amy na cama e a menina começou a chorar.
— Papai e mamãe não pode segurar você agora, ursinha. Desculpe. Noah brinque com sua irmã – pediu ao menino. Num ritmo apressado ajudou Rosalie trocar de roupa.
— Eu não quero brincar – Noah se recusou. – A mãezinha tá dodói... Eu tô triste... muito triste. E tô com medo.
— Eu estou bem, Noah.
— Não tá nada. Você tá mentindo pra mim. Vai para o hospital. E fez xixi na roupa, até. E tem essa barrigona do bebê.
— Amy – Rosalie falou com a caçula. – Não chore amorzinho. Noah dê a chupeta a sua irmã.
O menino enfiou a chupeta na boca da irmã e voltou a olhar para a mãe. Emmett estava colocando as sapatilhas nos pés dela, quando Lena e Kate entraram pela porta. Enrico logo atrás delas.
— Já vai nascer? – Kate pediu, se pondo ao lado de Rosalie, ajudando-a ficar de pé.
— Vai ficar tudo bem – garantiu Lena, indo pegar Amy, que ainda chorava. – Eu vou ficar com as crianças. Kate ajude seu irmão levando a bolsa até o carro.
— Não seria melhor eu ir com eles para a cidade, vovó?
— Sim. Faça isso. E não se esqueça de me dar notícias.
— Vou pedir a Garrett que traga o carro para perto da varanda, enquanto troco de roupa.
Pouco tempo depois, Emmett carregava Rosalie no colo pela casa a caminho da varanda. Kate logo atrás deles, carregando a bolsa do hospital.
Ele desceu os degraus. Garrett abriu a porta do carro. E então Scott apareceu na lateral da casa.
— Não vai conseguir passar, patrão – avisou.
— Não vou conseguir passar aonde? – Emmett perguntou sem perder tempo.
— A saída pra cidade está bloqueada por duas árvores que caíram durante a tempestade. É impossível a passagem de qualquer carro no momento.
— Minha mulher está em trabalho de parto. Chame o pessoal, levem o que precisarem, mas liberem a estrada.
— É um serviço demorado, patrão.
Rosalie gemeu, apertando as mãos na pele de Emmett.
— Não vai dar tempo – Kate alertou o irmão. – Não adianta. Mesmo que a estrada estivesse liberada, ela não ia conseguir chegar ao hospital, o bebê nasceria no caminho. É melhor levá-la de volta ao quarto.
— Mas e o médico? Precisamos de um médico.
— Vai ter de ser com você mesmo.
— Não posso fazer isso. Não é minha área.
— Você já fez outros partos. Não deve ser tão diferente assim.
— Se algo der errado, minha vida acaba.
— Você vai conseguir. Eu acredito em você.
Rosalie notou nos olhos dele o quanto estava assustado e inseguro. Outra contração estava a caminho. Ela sabia o que precisava dizer.
— Amor, você precisa fazer isso. Precisa me ajudar a trazer nosso bebê ao mundo. – Ela apertou os olhos com força por conta da dor. – Eu confio em você – reforçou. E então ele a estava levando de volta para dentro de casa, para o quarto deles.
— Scott, chame o pessoal para desbloquear a estrada – gritou sobre o ombro. – Quero um médico aqui o quanto antes. Garrett, você fica encarregado de chamá-lo. Kate, você vem comigo.
Kate disparou atrás do irmão, levando de volta a bolsa do hospital.
Lena se espantou quando os viu voltando.
— A estrada está bloqueada – Emmett foi logo disparando.
— A mãezinha já voltou? Mas cadê o bebê? – Noah, sentado no sofá da sala, ainda de pijama, disparou.
— Ele ainda não nasceu – Logan comentou.
— Vovó eu preciso que a senhora me ajude. Kate, você fica aqui com as crianças.
Lena entregou Amy para a tia, e prontamente seguiu atrás do neto pela casa. No quarto, se adiantou livrando a cama dos vários travesseiros das crianças e de alguns brinquedos.
Emmett deitou Rosalie na cama com cuidado e ajeitou alguns travesseiros atrás das costas dela. Mais uma forte contração a obrigou gritar. Emmett entregou na mão dela a ponta do cobertor.
— Morda isso, querida. Vai ajudar – Em seguida, lançou o olhar a avó, dando instruções. – Vovó, eu preciso que pegue toalhas limpas. Uma bacia com água morna, e também a minha maleta nova dentro do armário do escritório.
Lena deixou o quarto com passos apressados.
Estando apenas os dois teve de prepará-la para o momento do parto. Ajudou a se despi da cintura para baixo e usou travesseiros como apoio.
Ele estava nervoso, a testa suando. Seus movimentos eram um tano trêmulos. Rosalie segurou na mão dele, precisava fazê-lo se sentir confiante. Seu bem-estar e o do bebê dependiam da atuação dele.
— Eu confio em você... – ela falou, mesmo com a voz rouca e pesada. – Eu sei que está assustado, mas você já fez isso outras vezes.
Ele segurou na mão dela.
— Mas nunca uma mulher... A mulher que eu amo.
— Amor – ela murmurou com certo esforço –, não deve ser tão diferente assim. Ajude-me a trazer nosso bebê ao mundo. Ele está com pressa – ela gemeu, agarrando firme na mão dele.
— Não posso deixar que nada de ruim aconteça a você e ao nosso bebê. – Ele beijou na testa dela com carinho. – Vamos fazer isso juntos – prometeu. – Vamos trazer o nosso bebê ao mundo. – Ele se afastou da cama. – Eu volto num segundo. Preciso higienizar minhas mãos.
Ele correu até o banheiro no fim do corredor. Ao retornar, Lena estava com Rosalie. E todas as coisas que pediu estavam prontas para serem usadas.
Exatamente às 06h27 o bebê o veio ao mundo pelas mãos do pai. O restante da família ouviu da sala de estar seu chorinho logo nos primeiros minutos de vida.
— O que é isso? – Noah pediu logo que percebeu o choro estridente.
— O bebê acabou de nascer – Kate explicou.
— Nossa. Esse bebê é ainda mais escandaloso que a Amy quando quer a mãezinha e o papai.
O pessoal na sala achou graça de seu comentário.
— Mas você ainda ganha deles – Logan acusou. E o primo sorriu.
No quarto, Emmett pôs o bebê ainda ligado ao cordão umbilical nos braços da mãe. Ela estava suada, os cabelos bagunçados, grudado na testa, ainda assim a achava a mulher mais linda do mundo.
Ambos estavam emocionados.
Rosalie acariciou o rostinho do bebê mesmo com os resíduos do parto e o beijou na testa.
— É um garotão – Emmett falou, rindo com lágrimas nos olhos. Então, beijando a testa da mulher.
— Igualzinho ao pai dele – Rosalie confirmou orgulhosa.
– E ele tem todo esse cabelo – Emmett brincou, olhando a cabecinha cabeluda do bebê.
— E são escuros como o seu – Rosalie lembrou, passando os dedos por entre os fios finos dos cabelos do recém-nascido.
— Meu bisneto é lindo – Lena falou, com orgulho, ao lado da cama.
Emmett cortou o cordão umbilical somente quando esse parou de pulsar.
[...]
Já com Rosalie e o bebê devidamente higienizados, acomodados de madeira confortável na cama com lençóis recém-trocados, a família teve sua entrada liberada no quarto.
Embora ainda estivesse cansada, Rosalie sentia-se imensamente feliz. Emmett ainda sem conseguir acreditar que foi o responsável por trazer o filho ao mundo. Orgulho e felicidade brilhando no azul de seus olhos.
— É menino ou menina? – Kate pediu, entrando no quarto do casal. As crianças, todas ao redor dela, exibindo olhares curiosos.
Rosalie sorriu para a cunhada, segurando o bebê envolto numa manta branca.
— É um menino – disse-lhe.
Kate retribuiu ao seu sorriso com alegria. E chegou mais perto da cama para vê-lo.
Rápido, Enrico notou.
— Ele tem cabelos escuros iguais aos meus e o do papai Emmett.
Rosalie viu o sorriso crescer no rosto do primogênito.
— Ele tem muito cabelo – estranhou Noah. – A Amy era careca quando a mãezinha levou ela do hospital pra casa. Só que depois nasceu um cabelo louro igual o da mãezinha e o meu.
— Você também foi um bebê cabeludo – Rosalie lembrou. – A diferença é que o seu cabelo era clarinho, quase branco. Depois escureceu um pouco.
Emmett pegou Amy dos braços de Kate e a colocou, sentada na cama, ao lado da mãe e do mais novo irmãozinho. A menina olhou com curiosidade o bebê.
Noah e Enrico subiram na cama. O mais velho olhando o irmãozinho com orgulho.
Emmett encontrou o celular e o entregou nas mãos da irmã. Indo imediatamente para juntos dos meninos na cama.
— Faça uma foto nossa Kate. Ela vai lá para sala junto com as outras, em cima da lareira.
Enquanto se acomodava ao lado dos filhos e da esposa, a irmã posicionou a câmera do celular, gravando o momento para sempre. Todos sorrindo para foto.
— Agora são dois loirinhos iguais à mamãe e dois morenos iguais ao papai – Emmett lembrou.
Enrico olhou no rosto dele, tão orgulhoso que mal cabia em si.
Rosalie se inclinou beijando no rosto do filho mais velho.
— Eu sempre vou amar você – sussurrou ao ouvido do menino.
Enrico passou os braços em volta do pescoço dela, tomando cuidado com o bebê que acabou de chegar.
— Eu amo você, mamãe, e também o meu novo irmãozinho.
Emmett bagunçou os cabelos dele na palma da mão. Ambos sorriram um para o outro.
— Mamãe – Amy chamou, mostrando o bebê com o dedinho.
A mãe beijou na mão dela.
— É o seu novo irmãozinho, princesa.
— Mãezinha, agora eu não sou mais o seu bebê? – Noah quis saber.
— Você sempre será meu bebê, assim como a Amy e o Rico sempre serão.
O bebê ficou inquieto, procurando pelo peito, querendo chorar. Rosalie o posicionou de maneira correte, pondo-o para mamar imediatamente.
Noah colocou uma expressão emburrada no rosto.
— Por que você fez isso, mãezinha? Era o meu tetê – Ele fez bico, olhando a mãe amentar o irmão.
— Ah, filho, você parou de mamar faz tempo. E o tetê também já foi da Amy e do Rico. Agora é do irmãozinho que acabou de chegar.
— Eu não queria que fosse assim... – ele ficou de cabeça baixa, com um bico enorme nos lábios.
Rosalie sorriu, acariciando o rosto dele.
— Ei, não fique assim. Ele precisa do tetê para crescer forte e saudável como você.
Noah olhou nos olhos da mãe com uma tristeza enorme.
— Você ainda vai me amar? – pediu.
— É claro que vou te amar. Eu vou te amar para sempre.
— Tá bom, então ele pode mamar o tetê.
Enrico, Abby e Logan deram risadas.
Amy quis mamar no outro peito, por isso Emmett foi à cozinha e preparou a mamadeira dela. E a menina mamou coladinha a mãe.
Lena se ofereceu para segurar o bebê enquanto ele não arrotava.
Garrett apareceu no vão da porta aberta, dando duas batidinhas na madeira para avisar de sua chegada.
— A estrada já foi liberada. O médico não deve demorar a chegar.
— É um menino – Emmett lhe disse.
Entrando no quarto, Garrett perguntou:
— Então, como vão chamá-lo?
Emmett olhou a esposa deitada na cama rodeada de crianças.
— Tínhamos pensado em alguns nomes, tanto feminino quanto masculino, mas não conseguimos nos decidir por nenhum.
— Ele vai se chamar Elliott como o avô materno de vocês – Rosalie os surpreendeu ao revelar o nome escolhido para o bebê.
— Mas você também tinha pensado em Zachary como o seu avô materno – ele lembrou.
— Decidi no momento em que nasceu que ele tinha de se chamar Elliott como o seu avô. E eu não poderia ter feito escolha diferente.
Emmett se aproximou da cama mais uma vez. Abaixou-se colando os lábios nos dela num beijo lento e tranquilo, demonstrando gratidão pela escolha do nome. Então, segurando no rosto dela, sussurrou:
— Eu te amo. Para sempre.
— Sempre – ela sussurrou em resposta.
Rosalie tinha finalmente tudo o que sempre desejou. Um lar feliz, cheio de amor. Um lugar seguro onde viver e criar os filhos. Encontrou tudo isso na fazenda Recanto dos Ursos e no coração de Emmett.
Um ajudando o outro. Almas feridas lutando pela chance de recomeçar. De perdoar e se libertar.
Cercada pela família, Lena olhou o bisneto, reconhecendo naquele pequenino, traços de sua família. No tom azul dos olhos, idênticos ao pai e ao bisavô.
— Olá, querido – sussurrou ao bebê. – É bom vê-lo. Estávamos todos aguardando sua chegada. O rosto do bebê foi iluminado pela expressão que se assemelhava a um sorriso. Embora pudesse ser apenas um reflexo, Lena quis acreditar no que sentia.
O som das vozes dos netos e bisnetos entoando entre as paredes daquele quarto. E quando sorriram, ficou claro o quanto eram felizes juntos.
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