Um Lugar Para Ficar

34 Capítulo 34 – Amigas


Notas iniciais
Olá! Antes de qualquer coisa, preciso dizer que problemas de saúde me impossibilitaram de postar mais cedo. Foram dias bem difíceis pra mim. Bom, espero que ainda tenha alguém aqui. Aproveito para agradecer a Lia Cullen pela recomendação e dizer que amei muito tudo o que escreveu. Obrigada!

Tão logo os meninos entraram na sala e perceberam os filhos de Kate, Abby e Logan, assistindo tevê, correram para junto deles. Noah se jogando no sofá, se lembrando de arrancar os tênis antes de pôs os pezinhos em cima do estofado. Enrico, sempre mais tranquilo, se acomodou ao lado de Abby no sofá oposto. A garotinha sorriu pra ele, os olhos verde-esmeralda cintilando, desviando brevemente a atenção do desenho animado na tela da tevê.

— Até que fim vocês chegaram – Kate declarou. Ela vinha da cozinha, trazendo uma tigela de uvas e morangos pras crianças. – Ocorreu tudo bem por lá hoje, Rose? Tudo certinho?

— Sim. Foi todo muito bem. Demoramos um pouco mais na igreja, ouvindo o Enrico tocar. Depois fomos nos despedir do pessoal que estava por lá.

— Enrico está feliz por ter voltado a tocar, né?

— Demais. Os olhinhos dele brilham apenas de falar nisso.

— Titio – chamou Abby –, a gente já pode mostrar pro Rico, pro Noah e pra tia Rose a surpresa que preparamos?

— É tio, podemos? – Logan emendou.

— Acho uma excelente ideia – Emmett respondeu.

Logan olhou no rosto dela. – Você quer ver tia?

Rosalie sorriu pra ele. – Mas é claro, meu anjo. Vamos lá! – E, olhando para Emmett, disse: – Nos mostrem a surpresa que prepararam, então.

— É de comer? – Noah se precipitou.

— Você só pensa em comida, filho? – Rose brincou com ele. O restante do pessoal deu risada.

— Penso na mãezinha, no Rico, na Amy e também no papai Emmett. E em todas as pessoas da fazenda do urso, onde que eu moro agora.

— Eu sei minha vida. Mãezinha estava só brincando. – Ela ofereceu a mão a ele, mesmo que ainda segurando Amy no colo. – Vem, vamos ver qual é a surpresa que eles prepararam pra nós.

Noah segurou na mão da mãe, dizendo:

— Mas eu também penso em comida.

— Eu sei. Por isso você é o senhor faminto da mãezinha. – E Noah se rebolou igual um cachorrinho alegre ao lado dela.

— Depois que vocês virem qual é a surpresa – lembrou Lena a Noah – a bisvovó serve um lanchinho lá na cozinha pra vocês.

Noah ficou todo saltitante, segurando na mão da mãe.

Kate deixou a tigela de frutas na sala e acompanhou todos eles pela casa, até pararem em frente à porta do novo quarto, ao lado do quarto que eles já compartilhavam antes.

— Abby e Logan – Kate chamou –, cheguem um pouquinho para o lado, por favor. Deixem o Rico e o Noah irem à frente, vocês já viram. Até ajudaram a bisvovó, o titio e a mamãe.

As crianças obedeceram sem fazer objeção.

Rosalie estava bem ao lado de Emmett. Amy ainda no colo dela, olhando todos eles com atenção, sem fazer ideia do porquê de estarem todos parados diante daquela porta.

Então, Emmett levou a mão de Enrico cuidadosamente à maçaneta.

— Pode abrir filho – sugeriu. – Esse é o novo quarto de vocês. A partir de hoje é aqui que vão dormir todas as noites.

Enrico inclinou o pescoço ao olhar pra ele.

— Por que não vamos mais ficar com o outro quarto? – pediu.

— Aquele não é tão legal quanto esse – Emmett lhe disse.

— Por que nesse tem um Super-Homem, papai? – Noah quis saber.

— Hummm... Eu não sei. Por que vocês não vão lá dá uma olhada? – sugeriu, piscando um olho pras crianças.

Enrico olhou dele pra maçaneta da porta, onde sua mão pequena repousava. Parecia indeciso, embora, também, curioso. Enquanto abria a porta devagar, Noah voltou a falar.

— Eu queria que tivesse ursos... – E então ficou em silêncio, olhando o interior do quarto com espanto.

Enrico parou com a mão na maçaneta sem dizer uma só palavra.

O cômodo havia sido dividido em dois ambientes, com duas caminhas de solteiro brancas, assim como todo o resto da mobília. De um lado o tema super-heróis com destaque para o Super-Homem. Do outro, temas musicais.

As cores da decoração no lado que pertencia a Noah eram em vermelho, azul e branco. Já o lado que pertencia a Enrico ficava nas cores cinza, branco, azul e também o preto das notas musicais na parede. Em ambos os lados tinha estante com escrivaninha embutida e cadeira de rodinhas. Muitos livros e brinquedos dispostos em prateleiras. Um pufe vermelho num lado do quarto e um azul do outro onde tapetes encobriam o chão. Na janela, a cortina persiana branca se adequava aos dois ambientes. Um abajur pra cada caminha em mesinhas de cabeceira. A iluminação do teto embutida no gesso.

— Oh, mãezinha! Mãezinha, mãezinha – Noah repetia enfeitiçado pela parte do quarto que lhe pertencia, em especial os bonecos de super-heróis na estante e o emblema do Super-Homem na parede.

— O que foi amor?

O menino olhou pra ela, o azul dos olhinhos cintilando. – Esse quarto bonito é meu e do Rico? De verdade?

— É, sim. É seu e do seu irmãozinho.

Noah correu para o interior do quarto, pra ver tudo de pertinho. Pondo a mão pequena na superfície de cada coisa, encantado com o novo quarto.

— Rico? – Rose chamou. O menino virou o rosto na direção de onde ela estava ainda espantado. – O que foi filho? Você não gostou?

— Gostei – ele lhe disse, porém sua voz estava trêmula. Os olhos cheios de lágrimas. – É que estou com vontade de chorar – e ao dizer isso seus lábios tremeram e se curvaram pra baixo.

— Oh, meu amor, você está emocionado.

Enrico meneou a cabeça, concordando. Sem querer deixou escapar um soluço. Rosalie ofereceu o braço pra ele. Ele abraçou a cintura dela e chorou com o rosto escondido em sua barriga. Amy lhe cutucou os cabelos com os dedinhos roliços.

— Obrigado, mamãe – Enrico murmurou, com a voz abafada pelo tecido das roupas dela.

— Foi o papai Emmett quem fez tudo isso amor. Com ajuda da bisvovó, da tia Kate, Abby e do Logan.

Enrico então afastou o rosto da barriga dela, olhando pra Emmett. Passou a mão no rosto e foi abraçá-lo, exatamente como abraçava a mãe antes, pelos quadris.

— Obrigado, papai. Obrigado por esse quarto lindo. E por todas as coisas.

Emmett o pegou no colo e lhe beijou o rosto. Enrico olhou dele para o resto da família, aglomerada na porta para vê-los no quarto.

— Obrigado, a todos vocês – acrescentou Enrico.

— Agora vai lá, parceiro – Emmett incentivou, e o pôs no chão outra vez. – Vai lá, ver tudo de pertinho. Tem muita coisa legal. E é tudo para vocês.

Enrico foi devagarinho, prestando atenção em cada detalhe. Passando a mão pequena no papel de parede onde havia notas musicais.

Faltava apenas uma coisa, o violino, para a felicidade dele estar completa, pensou Rosalie. Mas isso, ela mesma se encarregaria de resolver. Emmett considerou sua decisão, pois sabia o quanto significava pra ela presentear o filho com o violino.

E naquele instante, como que adivinhasse o que estava pensando, Emmett olhou no rosto dela.

Rosalie imaginava o pedestal com as partituras e o violino, cuidadosamente posicionados no lado do quarto que pertencia a Enrico.

— Mamã. Cê – Amy pediu. Rosalie a pôs no chão, devagar, ainda perdida nos pensamentos.

Amy correu para pegar os brinquedos que Noah tinha colocado no tapete azul.

Enrico estava tirando um carrinho de controle remoto da estante.

Amy agarrou o novo boneco do Super-Homem que Noah tinha acabo de pegar e sacolejou com alegria.

— Não, Amy! – Noah choramingou. – Esse não. Não, por favor, irmãzinha – pediu. – Pega aquele, o Homem de Ferro ou então o Hulk. – Ele tentou fazer a troca dando pra ela um boneco pelo o outro, mas, Amy correu pra porta do quarto levando o único boneco que a interessava, o do Super-Homem.

— Mãezinha... – Noah disparou todo choroso.

— Não precisa chorar filho. Ela vai devolver daqui a pouco.

— Vai estragar meu Super-Homem novo. Vai ficar muito feio – Então começou a chorar pra valer.

Rosalie pegou Amy pela mão quando a menina não conseguiu passar na porta por causa do pessoal que estava ali. Com a outra mão pegou o boneco com Noah.

— Troca por esse, bebê – ela conseguiu fazer a troca, mas Amy também disparou a chorar.

Noah soluçou abraçando o boneco do Super-Homem antes de devolvê-lo a irmã.

— Para de chorar Amy – Noah pediu –, agora ele é seu. Eu tô dando ele pra você, irmãzinha. Fique feliz, então. Viu, fique feliz – Ele passou a mão pequena no rostinho molhado de lágrimas da irmã mais nova.

Amy agarrou o boneco, parando de chorar aos poucos. Com lágrimas no rosto, ela mostrou o boneco pra Rose.

— Ô, mamã.

— Noah deu pra você o brinquedinho dele?! Fala obrigado ao irmãozinho.

— Dado – ela balbuciou.

— Fica triste não, campeão. Depois o papai compra outro pra você – Emmett explicou. E o menino concordou, balançando a cabeça.

Tudo resolvido, eles foram ao quarto de Abby, que agora também era de Amy, para que Rosalie visse como ficou depois de tudo pronto.

Como o quarto já era em tons de rosa e branco, com tema de bailarinas, foi bem mais rápido que o quarto dos meninos. Só tiveram de acrescentar a nova mobília e as coisas pessoais de Amy, como brinquedos e roupas. A caminha tinha grades na lateral e o jogo de cama era cor-de-rosa. Os brinquedos foram dispostos em prateleiras e no cesto de vime cor-de-rosa.

Enquanto Rosalie esteve olhando o quarto, Amy brincou com um pônei lilás no qual insistia em chamar de “tavaio”, esquecendo-se completamente do boneco do Super-Homem. Rosalie então cochichou no ouvido de Noah que pegasse o boneco de volta e levasse pro outro quarto. O menino fez exatamente como mandou que fizesse.

[...]

No dia seguinte, nenhuma das crianças ficou com Rosalie na livraria depois da escola. Com o projeto da casinha na árvore em andamento Enrico e Noah quiseram voltar pra fazenda com Kate imediatamente depois das aulas. Rosalie sabia que a única coisa que o faria desistir da casinha na árvore era as aulas de violino, mas hoje ele não teria.

Foi estranho quando o relógio chegou às três e quarenta da tarde e nenhum deles passou pela porta, sorridente, buscando seu sorriso e o color de seus braços, diminuindo a saudades das horas que estiveram longe um do outro.

Estava tão acostumada a tê-los por perto que sequer percebeu quando parou detrás da porta, olhando através do vidro a rua, na esperança inconsciente de vê-los chegar. Em suas mãos estava um exemplar de O Duque e Eu, de Julia Quinn.

Esme estava voltando da parte dos fundos da loja. E, ao perceber onde Rosalie estava, caminhou até lá, parando ao lado dela, buscando o que via. Imaginando o que teria acontecido enquanto estivera lá atrás.

Por fim, olhou no rosto de Rosalie, preocupada.

— Aconteceu alguma? – pediu. Automaticamente visualizou o grande relógio de ponteiros na parede atrás do balcão de atendimento. – Os meninos já não deveriam estar aqui?

Foi aí que Rosalie finalmente deixou de prestar atenção à rua. – Hoje eles não vêm. – E foi nesse momento que ela pareceu se dá conta do que estava fazendo. Afastou-se então devagar, dando alguns passos pra direita, onde ficava o balcão de atendimento. Deixando o livro na superfície plana.

— Não vem? – Esme pediu, custando acreditar. – Nem mesmo o Noah? Enrico tem aula de música na igreja hoje também?

— Não, não. Hoje ele não teve aula de música. É que Emmett começa hoje a construção de uma casinha na árvore. Ele disse que as crianças poderiam ajudar com o projeto e tudo o mais. Aí já viu, estão todos eufóricos com a ideia de trabalharem juntos em algo que será de todos eles.

Esme sorriu, pensando nas crianças.

— Isso explica. Bom, eles ficarão ainda mais empolgados quando virem à casinha se tornando real.

— É – concordou Rose. Em seus lábios havia a marca de um sorriso. Ela caminhou para detrás do balcão, pensando em Emmett e nas crianças na fazenda, se preparando para dá início a construção da casinha.

— Você parecia preocupada agora a pouco – comentou Esme. – Parecia perdida em pensamentos enquanto olhava o lado de fora da loja. Está preocupada com alguma outra coisa?

— Me esqueci de que eles voltavam pra fazenda com Kate hoje. Senti saudades, e, por um instante, pensei que pudesse ter acontecido algo.

— Bem, se eles voltam pra fazenda com Kate, não temos com que nos preocupar. Eles estão em boas mãos. E na fazenda sempre estarão seguros.

— É – Rosalie afirmou. E a sineta da porta tocou interrompendo seus pensamentos.

Assim que virou o rosto para o lado, encontrou uma adolescente de cabelos escuros com algumas mechas tingidas de rosa choque. A garota deu um sorrisinho e se encaminhou para dentro da loja.

— Bom – disse Rosalie –, é melhor eu ir terminar de organizar aqueles livros na seção de Ficção. – Ela pegou o livro que tinha deixado em cima do balcão. – Vou aproveitar para deixar esse no lugar dele, na de romances.

Após deixar o livro na seção a qual ele pertencia, seguiu em frente, passando próximo de onde a garota estava na seção de suspense.

— Oi – ela falou com a garota –, precisa de ajuda?

A menina se virou, com um exemplar de Anjos e Demônios, de Dan Brown, na mão.

— Na verdade, eu já escolhi.

— É uma excelente escolha – disse Rose.

A garota sorriu para ela, satisfeita.

— Muito obrigada. Eu vou... – ela indicou o caminho do balcão com o livro em punho.

— Tudo bem, Esme está lá. Ela vai registrar a compra para você.

A garota segurou o livro nas duas mãos. – Obrigada novamente. E, até logo!

Rosalie acenou com a mão pra ela.

A adolescente parecia contente com a escolha, enquanto se dirigia ao caixa.

Momentos depois, Rosalie ouviu a sineta soar duas vezes seguidas. Imaginou que a garota tivesse saído e, possivelmente, outro cliente chegado. Mas, na verdade, era Alice.

— Oi, mamãe – ela falou, sem a habitual animação.

Embora Rosalie não pudesse vê-la do lugar onde estava, estranhou toda aquela desmotivação.

— Oi, filha – Ouviu Esme falar. – Alguma coisa chateou você na escola hoje?

— Talvez... É possível.

— Quer conversar?

— Agora não. Tenho lição pra fazer... Estou indo me sentar lá nos fundos.

Quando Alice fez menção de dar as costas, Esme perguntou.

— Jasper saiu mais cedo hoje de novo? Ele está doente?

— Não. Eu só não esperei por ele.

Esme meio que se espantou com a informação.

— Vocês brigaram? – não podia negar que a possibilidade a surpreendeu e muito.

— Podemos falar sobre isso em outro momento?

— Está bem. Se quiser conversar, estarei aqui.

— Obrigada, mamãe – Alice se encaminhou livraria adentro arrastando os pés, levando a mochila pesada nas costas.

Parou apenas ao alcançar o cantinho da leitura, puxando uma cadeira. Sentou-se e atirou a mochila pesada na superfície da mesa causando um pequeno estrondo. Espalhou todo o material escolar que carregava, mas, em vez de trabalhar neles como falou à mãe que faria, pegou o celular e colocou os fones de ouvido.

Rosalie a viu chegar ali e não reconheceu seu desanimo. Preocupada, caminhou até lá e parou ao lado da cadeira onde Alice estava de cabeça baixa, o rosto escondido entre os braços.

— O que aconteceu? – pediu com cautela, já a tinha ouvido recusar a ajuda da própria mãe, não queria parecer estar forçando a barra.

Alice não olhou pra ela ao responder. – Estou chateada, só isso – sua voz soou abafada.

— O que aconteceu pra te deixar assim tão chateada? Pode desabafar comigo. Afinal, somos amigas, não somos?

— Somos – ela respondeu ainda de cabeça baixa. Após um longo suspiro, ergueu a cabeça, finalmente olhando no rosto de Rosalie. Por fim retirando os fones do ouvido.

Rosalie notou as lágrimas nos olhos dela, por isso puxou a cadeira ao lado e se sentou. Lá na entrada da loja, o telefone tocou no gancho e Esme o atendeu.

— Me fala? O que aconteceu? – pediu, tocando de leve na mão dela sobre os livros espalhados.

— É o Jasper – Alice falou, magoada.

— Vocês brigaram? Mas ele nunca briga com você.

— Não foi exatamente uma briga. – Ela mexeu nas bordas dos livros com as unhas pintadas de lilás. – Ele passou todo o dia agindo estranho, sabe?! Parecia estar me evitando. E daí quando o chamei pra vir comigo disse, na verdade ele não disse, ele gritou...

Rosalie arregalou os olhos, porque Jasper nunca gritava e Alice estava dizendo que ele gritou justamente com ela, a garota por quem ele fazia tudo.

– Ele gritou que estava cansado de fazer todas as minhas vontades. Que as coisas não tinham de ser sempre como eu queria e, então, me deixou sozinha no corredor. Eu fiquei tão sem reação... Não sei, foi muito estranho. – Ela olhou no rosto de Rose e tornou abaixar a cabeça. – Era como se fosse outra pessoa, sabe? Não o Jasper que eu conheço desde o jardim de infância. Mais tarde quando estava deixando o prédio, o encontrei conversando com a Audrey, uma das lideres de torcida, toda loura e metida. Desculpa dizer isso, você também é loura e toda bonitona, mas é minha amiga e não é nenhuma metida. Eu, por outro lado, sou tão sem graça.

Rosalie segurou na mão dela e fez um carinho.

— Está tudo bem – disse. – E você não é sem graça. É uma menina linda. Mas o que aconteceu depois disso? Ele te viu? Falou com você?

— Eles se beijaram – dizer isso fez a feição dela se contorcer em dor, ainda que não tivesse conhecimento disso. – Se beijaram na boca – repetiu como se duvidasse que Rose compreendesse a gravidade de tudo aquilo.

— Você ficou mais chateada por ele não ter te esperado ou por ele ter beijado essa garota, a Audrey?

— As duas coisas.

— Você está com ciúmes? Gosta dele, não é?

Alice estava olhando pra ela outra vez.

— É claro que eu gosto. Ele é meu melhor amigo desde o jardim de infância. Mesmo naquela fase que os garotos não querem as meninas por perto, ele jamais se afastou de mim. Nunca deixou de me convidar pra um aniversário dele, ainda que os garotos dissessem que meninas eram chatas e não deveriam ser convidadas.

— Sim, meu anjo, é claro que você gosta dele. Ele sempre foi seu amigo. Mas, o que quero dizer é que você está começando ver o Jasper com outros olhos. Você está descobrindo que pode gostar dele de outra maneira. A verdade é que você está apaixonadinha – Rose riu sutilmente.

— Não, eu não estou – Alice se queixou, fazendo beicinho ao cruzar os braços no peito. – Isso é impossível.

Rosalie cutucou nas bochechas dela com as pontas dos dedos.

— Ah, você está sim! – brincou, querendo que ela voltasse a sorrir.

— Talvez... Só um pouquinho – Alice se deu por vencida, e, embora quisesse rir não conseguiu. – Mas não vá falar isso pra mamãe. Muito menos pro meu pai. Ele vai ficar cheio de coisa.

— Bem, para o seu pai eu não vou falar mesmo. Mas de sua mãe, não vou poder esconder. Além de minha chefa, ela é também minha amiga, uma boa amiga. Tenho certeza de que ela irá me perguntar.

— Eles não vão mais me deixar andar com Jasper se souberem de meus sentimentos em relação a ele. Se bem que, quem não vai mais querer andar comigo é Jasper mesmo.

— Se ele não quiser mais andar com você, ele é um bobão.

Alice finalmente deu risada.

— Mas você também trata o bichinho muito mal, na maioria das vezes. Seja menos mandona.

— Eu não sou mandona.

— Ah, você é sim. Só que também é uma garota com o coração de ouro. Ele vai saber reconhecer isso.

Alice suspirou, em seguida, passou os braços em volta do pescoço de Rosalie num abraço carinhoso e grato.

— Obrigada, Rose. Mesmo sendo mais velha, é minha melhor amiga. – Então, de repente, algo nos pensamentos de Alice deu um clique. – Ei, onde estão os meninos? O Enrico e Noah. Por que não estão aqui? O que aconteceu? Onde eles estão?

— Eles voltaram pra fazenda com a Kate hoje.

— Ah. Mas e por quê? Eles enjoaram daqui? A minha mãe falou alguma coisa?

— Mas é claro que não. Sua mãe é um anjo. Tudo o que ela tem feito é me apoiar. E eles adoram vir pra cá. Acontece que hoje eles começam a construção de uma casinha na árvore com ajuda de Emmett.

— Isso explica.

— Foi exatamente o que sua mãe disse.

— Então Emmett não virá te buscar?

— Sim, ele vem. Ele disse que deixa alguém com as crianças na hora de vir.

— Legal! Com certeza depois eu vou querer ver essa casinha.

— Claro que sim – afirmou Rose. – Bem, eu vou te deixar sozinha agora. Tenho umas coisas pra terminar antes de sua mãe fechar a loja. E você precisa estudar.

— Tá legal.

Rosalie já tinha dado alguns passos quando Alice voltou a falar.

— Rose? – E ela se virou para olhá-la. – Obrigada! – disse Alice.

— Não foi nada – Rosalie lhe ofereceu um sorriso e se voltou novamente à outra direção.

[...]

Faltando dez minutos para a livraria fechar, Emmett estacionou a caminhonete junto ao meio-fio, na calçada em frente. Ele saltou de dentro do carro com o chapéu de couro preto na mão. Ajeitando-o na cabeça ainda enquanto caminhava até a porta da loja.

Esme ergueu a vista do livro que estava lendo, sentada atrás do balcão em sua cadeira favorita, sorrindo educadamente pra ele.

— Oi – cumprimentou. Notando que ele olhava em volta, procurando por Rose. – Ela está terminando de organizar a seção de suspense. Já conhece o caminho – disse sugestivamente, indicando o caminho com um breve movimento de cabeça.

Emmett anuiu. – Obrigado.

Ele seguiu livraria adentro, passando pelos corredores com prateleiras cheias de livros, indo de seção em seção até encontrar a que procurava.

Alice continuava no mesmo lugar. Tinha colocado os fones de ouvido de volta e aumentado o volume da música.

Rosalie estava tão concentrada no que estava fazendo que sequer percebeu a aproximação dele. Tinha acabado de pôr um livro no alto de uma estante, por isso ainda estava descendo da escada quando ele chegou e parou atrás dela, lhe beijando o pescoço. Ela encolheu os ombros reconhecendo o toque e também o cheiro de seu perfume. O corpo inteiro reagindo com inquietação e desejo.

Pôs um sorriso nos lábios antes mesmo de se virar de frente pra ele. Emmett apoiou as mãos na cintura dela fazendo pressão no ato de retirá-la de cima da escada. Uma vez que ela estava com os pés firmes no chão, ficaram frente a frente, olhando um para o outro.

— Oi – ela falou. O sorriso se alargando nos lábios.

Emmett roçou os lábios na pele do pescoço dela, onde depositou um beijo demorado. Outro no maxilar, por fim na boca. Somente depois disso, começou a falar.

— Vim te buscar – seu rosto bem pertinho do dela quando disse isso.

— Eu percebi – Rose brincou.

— Senti sua falta – confessou ele.

— Eu também senti sua falta – ela olhava no rosto dele, meio enfeitiçada, meio encantada. Adorava quando ele se vestia como um cara da fazenda, com chapéu de couro, jeans, botas e cinto. Afinal, homem da fazenda era exatamente o que ele era.

Reparou que tinha passado na sede e tomado um banho antes de sair para buscá-la na cidade, suas roupas estavam limpas e ele cheirava a frescor.

— Você já pode sair? – ele pediu.

— Acho que sim. Já terminei aqui, e também estamos quase na hora de fechar. Me de só mais alguns minutos para ajudar Esme fechar a loja.

Ele olhou brevemente pros lados. Então, ergueu as mãos até alcançar o maxilar dela onde às manteve por um instante. Olhou novamente pros lado antes de beijá-la mais uma vez. Pressionando o corpo largo ao dela. Rosalie sentindo o volume nos jeans dele crescer, ciente do quanto ele a desejava.

A voz de Alice soou no corredor logo atrás ao que estavam. Seus passos se aproximando cada vez mais.

— Rose?

Emmett e Rosalie imediatamente se afastaram um do outro e aguardaram sua chegada, desconfiados, sem saber como se portar. Rose passando os dedos mais de uma vez nos cabelos. Emmett retirando o chapéu da cabeça, posicionando estrategicamente em frente às partes íntimas.

— Rose, o Emmett vem... – e ela parou de falar, olhando pra eles. – Ele já está aqui – disse mais para si mesma que para qualquer um deles. Espreitando os olhos com desconfiança. – O que vocês estão aprontando, hein?

— Nada – Emmett foi quem respondeu primeiro.

— Nada é? Sei... E esse chapeuzinho aí é pra quê mesmo?

Lamentavelmente, Rosalie o entregou dando risada.

— Ahá! – gritou Alice.

— Boba – Rose falou com ela. Em seguida ofereceu a mão a Emmett. – Nós já estamos indo.

Os dois se puseram a andar de mãos dadas no corredor entre as estantes de livros.

— Ei, Emmett! – Alice o chamou. – O Jasper e eu podemos ir qualquer dia desses a fazenda para ver a casinha na árvore que você e os meninos estão construindo? Quer dizer, apenas eu, porque imagino que o Jasper não vai querer.

— E por que ele não iria querer? Vocês estão sempre juntos.

— Não mais...

— Bom – Emmett pôs a mão na cabeça dela –, com Jasper ou sem Jasper, você é sempre bem-vinda. Pode aparecer por lá a hora que quiser.

— Obrigada, Emmett. Vocês podem ir à frente, eu ainda vou pegar meu material escolar lá na mesa – ela moveu à mão na direção de onde tinha vindo indicando o cantinho da leitura.

Assim que os dois chegaram à parte da frente, Esme já se preparava para fechar a loja.

Ela se virou com o molho de chaves na mão e a bolsa embaixo do braço.

— Alice não estava perturbando vocês, estava? – perguntou aos dois.

— Não – Rosalie foi quem respondeu primeiro. Ela olhou pra Emmett ao lhe soltar a mão. – Vou pegar minhas coisas e então já podemos ir – avisou.

Emmett ficou observando ela se movimentar com leveza pela livraria indo para detrás do balcão onde se abaixou e pegou a bolsa e também um exemplar de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. Ela pôs o livro cuidadosamente dentro de uma sacolinha, sorrindo ao notar que ele a observava.

— Presente de Esme – disse. E parecia contente. Por alguma razão Emmett gostou de saber que ela apreciava um bom romance.

Alice os alcançou na saída. Esme terminou de fechar a loja e eles se despediram ainda na calçada. Alice acompanhou a mãe até onde estava estacionado o carro dela.

Emmett e Rosalie entraram na caminhonete ao mesmo tempo.

— E as crianças? – ela perguntou, depois de pôr o cinto, enquanto ele ainda girava a chave na ignição.

— Deixei Merci e Scott de olho neles até a gente chegar.

Ela anuiu.

— Precisa passar em outro lugar antes de pegarmos a estrada? – ele pediu.

— Nenhum lugar, podemos ir direto.

— Você quem manda, senhorita – ele sorriu, olhando de relance pra ela.

Um meio sorriso marcou os lábios de Rosalie enquanto, involuntariamente, estendia a mão para acariciar a nuca dele.

[...]

Minutos mais tarde, Emmett estacionava a caminhonete ao lado do galpão, na fazenda.

Eles saltaram e foram até a casa grande antes de irem se encontrar com as crianças.

Lena e Neva estavam conversando na varanda. Lena em sua cadeira de balanço, e a mãe de Scott numa das cadeiras de vime. Cumprimentaram as duas. E quando Rosalie perguntou por Kate, Lena lhe disse que estava na sala de jantar corrigindo os trabalhos dos alunos.

Eles entraram na casa. E Rosalie foi ao quarto deixar a bolsa. Aproveitando para passar no banheiro.

Encontrou Emmett na cozinha tomando um copo de água. Ela tinha colocado na cabeça o chapéu que ele lhe dera um tempo atrás. Emmett segurou na mão dela e os dois refizeram o caminho até a sala, saindo novamente pela porta da frente, para avisar a Lena onde estavam indo.

— Vovó, Rose e eu estamos indo encontrar com as crianças onde estamos construindo a casinha na árvore.

— Voltem antes do anoitecer com as crianças.

— Pode deixar – Rose foi quem lhe respondeu.

Os dois seguiram de mãos dadas pela varanda lateral esquerda da casa. Emmett a abraçou meio que de lado, pela cintura, erguendo-a do chão enquanto caminhava. Rosalie sorriu com ele lhe beijando o pé do ouvido, mordiscando sua pele na ponta dos dentes.

Neva fez um comentário.

— Emmett tem estado tão feliz depois dessa moça.

— Deus sabe o que faz – Lena disse. – De alguma forma eles tinham de se encontrar nessa vida. Meu neto não poderia ter se apaixonado por alguém melhor. Essa moça vale ouro, Neva. Vale ouro. Sua chegada a essa fazenda mudou a vida de todos nós. Pra melhor.

Neva moveu a cabeça, concordando.

Emmett e Rosalie logo alcançaram o gramado. Alguns passos à frente adentraram a área de chão de terra encoberta por folhas secas e seguiram pela trilha sob as copas das árvores até onde estavam as crianças.

Era a primeira vez que Rose ia ao local escolhido para a construção da casinha. E tinha de admitir, ficou um pouco impressionada com a beleza do local e também da majestosa árvore a qual eles escolheram.

Todo o material que precisariam na construção estava entulhado a sombra das árvores. Numa bancada improvisada estavam todas as ferramentas: lixas grossas, pregos, serrote, martelos e cordas. Algumas coisas ela não reconheceu.

Uma escada grande estava posicionada no tronco grosso. Outra estava sendo construída no próprio tronco com pedaços largos e grossos de madeira. Um balde amarrado numa corda era usado para levar material lá pra cima.

A construção estava parada. Rosalie imaginou que estivessem esperando Emmett voltar.

Merci estava sentada sobre uma manta grossa de xadrez na carroceria da caminhonete vermelha da fazenda com Amy no colo e Abby ao lado. Noah jogava um graveto para Jujuba e Caramelo irem buscar, mas apenas Jujuba parecia estar interessada na brincadeira.

Enrico e Logan estavam sentados num pedaço de tronco ouvindo Scott contar histórias de peão.

— Oi – Rosalie falou em voz alta para que todos a ouvissem. Ela estava alegre e isso estava nítido no brilho de seus olhos e na maneira como se portava.

— Já chegaram! – Abby gritou de cima da carroceria da caminhonete.

— Mamã. Papa – Amy não perdeu tempo, falando alto. Feliz em vê-los. Ansiosa para estar com eles.

Noah soltou o graveto aos pés, correndo para os braços dela.

— Mãezinha linda!

— Mamãe! – Enrico se levantou no mesmo instante e correu atrás do irmão ao encontro da mãe.

Agarrados as pernas dela, se puseram a falar sem parar sobre as coisas que tinham feito desde que chegaram da escola com Kate. E quase tudo terminava com a palavra papai.

Emmett se aproximou da caminhonete. Beijou na cabeça de Abby, depois pegou Amy no colo. A pequena estava sorridente.

— Papa – falou, pondo as mãozinhas no rosto dele.

Emmett ficou com ela no colo, vendo Rosalie falar com os meninos. Passado um instante, Rose virou o rosto de lado buscando por eles. Ela sorriu. Emmett piscou um olho em resposta. Beijando em seguida na mãozinha roliça de Amy.

Merci ajudou Abby a descer da carroceria da caminhonete. A garotinha correu para os pés de Rosalie, assim como o irmão, Logan, havia feito. Rosalie falou com eles, beijando na cabeça de cada um com alegria.

— Aquela ali é nossa família – Emmett falou com Amy.

— Mila? Ossa mila? – Amy repetiu, e Emmett caiu na risada.

Rosalie outra vez olhou para onde eles estavam. E, embora não soubesse por que riam, vendo a felicidade estampada no rosto dos dois, acabou rindo também.

Notas finais
Obrigada pelos comentários no capítulo anterior. =) Um beijo grande