Um Jedi entre nós.

1 A Curiosidade matou o gato.


P.O.V. Anakin.

Estamos no templo onde se idolatram os Deuses. A sacerdotisa realiza o ritual e estamos indo embora quando eu vejo uma porta que diz:

ENTRADA PROÍBIDA.

—Anakin. Vamos.

—Eu já vou mestre. Preciso ir ao banheiro.

—Tudo bem. Mas, seja breve.

Eu fui direto para aquela porta. Algo aconteceu comigo quando eu entrei lá.

Cheguei a um lugar que eu não conhecia. Haviam ruídos estranhos e muitas pessoas.

—Sai da rua meu filho! Eu tenho que trabalhar!

—Saí da rua ou eu vou chamar a polícia!

O que seria essa polícia?

—O que é a polícia?

O rapaz riu.

Uma garota que passava correndo parou e olhou para mim chocada. Ela ficou uns dez minutos assim até se aproximar de mim.

—Como? Você não devia existir. Eu to ficando maluca.

—Como eu não devia existir?

—Sai da rua mulher!

—Vai se foder imbecil! Vem comigo Anakin.

Ela me estendeu a mão. E o homem fez um ruído horrível.

—Se buzinar outra vez vou dar na sua cara!

O homem desceu do que quer que fosse aquilo e veio pra cima da moça. Saquei o sabre de luz e ele saiu correndo.

—Valeu. Vamos.

Ela pegou a minha mão e me puxou até outro ponto.

—Fica ai que eu já venho. Tá? Por favor.

Ela entrou na coisa e a mudou de lugar.

—Pronto. Vamos, vou ter que te levar pra minha casa e dar um jeito nessas suas roupas.

—Onde estamos?

—Cidade de Nova York, na Times Square. Fica no planeta Terra.

—Terra? A Terra já é inabitável a eras!

—Filho, estamos em 2016. Bem vindo ao passado jovem Padawan.

—Passado?!

—É. Vamos.

Chegamos a uma coisa parecida com as naves que circulavam na cidade.

—Entra.

—É ai que você mora?

—Não. Só entra.

Eu entrei de um lado e ela do outro. Aquilo parecia uma nave.

—Isso é um carro Anakin.

Ela virou uma coisa e o carro começou a tremer. Conforme ela dava os comandos manualmente o carro se movia.

—É tudo manual.

—Pois. Sou a Amara.

—Por que você me conhecia e eles não?

—Porque eu sou fã de Star Wars e eles não.

—Star Wars?

—Você não faz a menor ideia faz? A sua história é uma franquia milionária. Vale muito dinheiro.

—A minha história?

—O jovem Padawan de Obi-Wan que passou para o lado negro da força e tornou-se o Lorde Sith mais poderoso de todos os tempos. Morto pelo próprio filho.

—Filho?

—É. Chegamos.

Ela abriu a porta manualmente.

—Tudo aqui é manual?

—Quase tudo.

Um pequeno ser vem fazendo um barulho alto.

—Oi Lilly! Anakin, essa é a minha cadelinha Lilly. Entre, sinta-se em casa.

Ela fechou a porta. E me mostrou coisas que me deixaram pasmo.

—Sou eu.

—Sim.

—E essa é Padmé. Mas, quem são esses?

—Léia e Luke. Seus filhos.

—Filhos?

—Gêmeos. Você quer assistir os seus filmes? Eu tenho a sequencia toda.

—Claro.

Ela mexeu nos aparelhos e começou a passar uma história. A minha história.

—Acabou?

—Não. Tem que mudar o disco. Olha, você pode mudar o que vai passar aqui eu acho. Só tem que tomar decisões diferentes.

Começo a me preocupar.

Então eu vejo a mim mesmo. Assisto a mim mesmo machucando a mulher que amo, matando ela.

—Padmé!

Mas, era uma mentira. Fiquei aliviado. Ela ainda estava viva. Mas, meu alivio durou pouco.

—Apesar de não encontrarmos nada fisicamente errado com ela, por razões que não sabemos explicar ela está morrendo.

Amara apertou um botão e o que passava parou.

—Você percebe porque ela está morrendo Anakin? Você entende o que está acontecendo com ela?

—Não. Porque? Ela devia estar bem!

—Ela está morrendo de tristeza, de desgosto. Porque o homem que ela amava, tentou matá-la, porque o homem que ela amava se perdeu nas trevas. Você se deixou enganar. Você foi fraco, não ouviu aqueles que lhe amavam e lhe queriam bem.

—É minha culpa o que acontece com ela?

—Muito bem. Menino esperto. É sim, é culpa sua sim. Sua teimosia, sua cobiça e ganancia mataram a mulher que você tentava desesperadamente salvar.

Ela apertou outro botão e a história continuou. Ela foi enterrada e eu acreditei que as crianças haviam morrido com ela.

O menino Luke foi parar em Tatoine. Ele foi criado pelo meu meio-irmão e pela sua namorada, enquanto a menina foi criada pelo príncipe de Alderan.

—Ainda tem mais?

—Tem. Você quer ver ou quer parar?

—Coloque.

Eu me vi tentando matar meu próprio filho e o meu filho me matar.

—Acabou. Por enquanto.

—Por enquanto?

—Ainda tem uma nova sequencia prevista para fevereiro deste ano. Você vai ter netos.

—Netos?

—Claro. A sua família está no centro de tudo desde o primeiro filme. Duvido que isso vá mudar.

Eu era um nascido das midiclorianas. Eu não tinha pai.

—Você é o Jesus Cristo do mal.

—Jesus Cristo?

—Você nunca ouviu falar de Jesus Cristo?!

—Não.

—Peraí então. Vou mostrar.

Ela veio carregando uma coisa que eu nunca tinha visto.

—O que é isso? Isso é Jesus Cristo?

—Não! É uma bíblia. Um livro.

—Você pode ler pra mim?

—Não sabe ler?

—Sei, mas não na sua língua.

—Tudo bem.

Ela leu a história de Jesus Cristo e ela realmente se parecia muito com a minha. Ele não tinha pai, veio de um lugar pobre e inóspito, mas diferentemente de mim ele seguiu seu destino e espalhou o bem por onde passou.

—Gostou?

—Sim.

—O que Jesus fez e você não?

—Ele espalhou o bem e não o mal.

—Também. Mas, ele fez uma coisa que você não fez. Ele ouviu o que o seu Mestre tinha a dizer e aplicou sem reclamar.

—Obrigado Milady.

—Eu já fui chamada de muita coisa, mas de Milady é a primeira vez.

—Porque?

—Porque ninguém por aqui chama uma moça de Milady. Á menos que seja um filme ou série de época.

—Série de época? Que época?

—Chamamos de coisas de época coisas que se remetem ao passado.

—Interessante.

—Você tá com fome?

—Pra falar a verdade estou sim.

—Então, vou te ensinar a usar o chuveiro e enquanto você toma banho eu faço o jantar tá?

—Claro. Obrigado. Por tudo.

—Disponha.

Usar o tal chuveiro foi fácil. Eu começo a ouvir o que me parece ser música enquanto eu tomava banho.

E dava pra sentir o cheiro da comida.

Uma voz cantava encima da dos cantores. Presumi que fosse a voz de Amara.

—Pronto.

Consegui me virar bem com o chuveiro e com os produtos cosméticos.

Mas, na hora de sair que eu me toquei que não tinha o que vestir.

—Senhorita Amara!

Ela veio correndo escorregou e caiu de bunda no chão.

—Ai. Você tá bem?

—Estou. E você está?

—Estou.

—O que foi?

—Eu não tenho roupas para usar.

—Espera ai que eu já venho.

Ela me trouxe uma muda de roupas.

—O que é isso?

—É pijama. Nós já vamos dormir. É tarde e tenho que levantar cedo amanhã.

—Como se usa isso?

—É para colocar embaixo da roupa. Coloca a cueca primeiro e a roupa encima. Pode ficar sem camisa se quiser, você é homem você pode. Mas, só dentro de casa.

—E a toalha? Se tira correto?

—Sim.

Eu tirei a toalha e ela ficou chocada.

—O que foi?

—Você não tem educação não?! Não se tira a roupa na frente de uma mulher que não seja sua esposa ou namorada.

—É sério isso?

—Muito. Vista-se e venha jantar.

Ela saiu do banheiro transtornada.

Resolvi não colocar a camisa. Eu estava com calor.

Saí do banheiro depois de colocar a toalha de volta no lugar.

—Amara?

—Estou aqui!

Ela estava colocando a mesa do jantar.

—Olá.

—Oi. Onde quer sentar?

—Posso escolher?

—Pode. Porque não poderia?

—Sei lá. Quero sentar aqui.

Ela colocou o prato e os talheres no lugar de minha escolha.

—O que vamos comer?

—Salada, arroz, feijão e bife á parmegiana.

—O que é Parmegiana?

—É com queijo por cima.

—A sua comida tem cheiro.

—É. Acho que de onde você vem é tudo enlatado.

Aquela comida tinha um gosto maravilhoso.

Ela abaixou a cabeça e começou a falar.

—Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome, venha nós ao vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, mas livrai-nos do mal, Amém.

Só depois de pronunciar estas palavras ela começou a comer.

—Porque isso?

—Vocês não rezam no futuro?

—Não assim. Não antes de comer.

—Mas, acreditam na existência de Deus certo?

—Sim. Em Deuses.

—Então, voltamos ao passado. Antigamente, o politeísmo era frequente.

Depois que acabamos de comer ela me ofereceu sobremesa.

—Claro. A comida deste século é maravilhosa.

Ela gargalhou.

—Para a sua sorte eu fiz pudim de chocolate ontem.

O tal pudim era maravilhoso.

—Onde está a sua roupa?

—No banheiro.

—Vou lavar ela amanhã. E depois, vamos ás compras e vou te levar ao cabeleireiro.

—Eu não sei o que é isso.

—Percebe-se. O Edimilson vai dar um jeito nesse seu cabelo.

Escovamos os dentes e ela me levou até o quarto de hóspedes onde eu dormiria.

—Boa noite Anakin. Durma bem.

—Obrigado. Boa noite.