Notas iniciais
Pov. Hanna
Depois de muito chorar abraçada a carta e as fotos de Carrick lembrei que no quarto principal estão os dois presentes que ele me deixou, então subo as escadas com a visão ainda embaçada do choro, chego ao topo da escada e me encontro no corredor frio, não é frio, é uma sensação de morte, como se não se ouvisse risadas alegres aqui por longos e tenerosos anos
Atravesso o corredor com poucas passadas mas quando me encontro de frente para a única porta fechada nesse labirinto, o medo, a aflição e o pavor me atingem, a quase dez anos não entro nessa casa, nesse cômodo, a quase dez anos não atravesso esse corredor.
Me encosto na porta e desço até o chão encolho meus joelhos os trazendo no peito e ali me lembro de minha infância de quando Tommas veio para casa, eu tinha três anos.
Faz três dias que mamãe saio de casa com o Robert, ela estava chorando e gritava de dor, uma hora depois tia Angel me chamo para brinca com a Lucy, sua filha e minha amiguinha eu gosto delas, ela me deu bolo de chocolate e eu estou na casa dela até hoje, ela disse que a minha mãe viajou para pegar meu irmãozinho e pediu para ela ficar comigo.
—Tia Angel? – chamo ela, eu estou na sala, sozinha, ela foi para a cozinha e a Lucy está dormindo.
—Sim, querida – ela fala vindo da cozinha.
—Tia, por que eu não pude ir com minha mamãe pegar o Tommy? — pergunto tentando entender o porquê só eles podem ir ela suspira e se senta ao meu lado no grande sofá vermelho que tem em sua sala.
—Hanna, só adultos podem ir pegar bebes – ela fala calmamente enquanto acaricia meus cabelos, as vezes, eu desejo morar com ela e não com Robert e minha mamãe.
—Mais por que o Robert não foi sozinho? Eu poderia fica com minha mamãe – digo com um bico enorme no rosto.
—Por que tem que ser o pai e a mãe a pegar o bebe, quando seu pai e sua mãe foram te pegar eles foram juntos – ela fala mais ai eu lembro que a Lucy não tem pai.
—Mais quem foi pegar a Lucy com você? – pergunto
—Bom a Lucy é um caso especial, por que eu ganhei ela, assim como sua mãe ganhou você e agora ganhou Tommas, eu também fui buscar a Lucy só que eu fui com o meu pai e não o dela, por que o papai dela virou anjinho antes dela nascer – ela me fala e eu vejo uma lagrima caindo de um dos lindos olhos dela.
—Tia por que você ta chorando? – pergunto com medo de que ela esteja triste, não gosto de que as pessoas fiquem triste eu sei o quanto é ruim ficar triste...
—Por que me lembrar do pai de Lucy me traz alegria – ela diz e me dá um beijo na testa – Não fica triste, daqui a pouco eles chegam, quer chocolate? – ela me pergunta
—Ta bom tia – falo e a sigo para cozinha onde pego um pedaço de chocolate.
***
—Hanna? – escuto a voz da minha mamãe, eu estou deitada no sofá vendo desenho, me levanto a tempo de ver minha mãe entrar pela porta da sala, mas ela não está carregando nada, olho pra ela intrigada onde será que está Thomas?
—Mãe, cadê o bebe? – é a primeira coisa que eu pergunto e ela me dá um sorriso
—Está em casa eu vim te buscar para ver ele – ela fala me dando um abraço, eu acho que ela vai me pegar no colo mais ela não pega ela vê a minha decepção, eu quero o colo da minha mãe – mocinha, eu não posso lhe pegar lembra que conversamos? Vamos?! – ela pergunta
—Ta bom então, vamos obrigada tia Angel – digo e lhe abraço
—Pelo que meu anjo? – ela pergunta
—Por cuidar de mim enquanto mamãe não podia – digo e ela me dá um beijo – depois venho ver a Lucy ta?!
—ta bom querida pode vir na hora que quiser, até mais – diz e nos saímos da casa dela e vamos para a minha
—Mamãe cadê o Tommy? – pergunto quando entramos no meu quarto
—Tome um banho que eu vou traze-lo ok? – ela me pergunta e eu aceno com a cabeça
Vou para o meu banheiro e tomo meu banho quando saio minha roupinha está em cima da cama, o meu vestido favorito é azul e branco, mamãe quem escolheu. Assim que termino de me vesti minha mãe entra no quarto com um embrulho nos braços, me sento na cama com ela e ela coloco embrulho no colchão e o desenrola e eu vejo o que se parece com a minha boneca.
—Mas mãe, ele parece com minha boneca – digo e ela solta um risinho
—Sim filha se parece mais olha, ele respira, ele se meche e ele é de verdade – ela diz e eu coloco minha mãozinha na testinha dele é igual a minha me abaixo e digo bem baixinho
—Te amo tommy – quando olho para a mamãe ela está nos observando e naquele olhar eu vi que ela nunca iria nos abandonar.
Aquele sem que eu saiba foi o dia mais feliz da minha vida.
—Vamos Hanna, levante-se e seja forte por Carrick, por seu pai e até por sua mãe. – digo a mim mesma, então me levanto e abro a porta do quarto e meu passado me atinge, aquele é o quarto da minha infância, o meu quarto, e como Carrick disse tem duas caixas em cima da cama.
Sigo até elas e me sento na cama olhando-as, não tenho mais lagrimas para derramar nem mais forças para me levantar, abro minha bolsa e de lá retiro duas barras de chocolate e uma garrafa de bebida.
Bebo metade da garrafa antes de abri a primeira caixa.
—Ai Cary por que tanto mistério? Por que não deixou no testamento? – pergunto para mim mesma e então pego a primeira caixa. Assim que abro me surpreendo, é uma miniatura do Fary Day, o nosso barco, e ao lado tem um bilhete.
“A vida é como o Mar, nunca está parado, as vezes se acalenta e aos poucos se torna turbulenta novamente, mais você que decide se tentara nadar ou se irá se afogar, eu decidir boiar e assim as ondas me levarão ao lugar certo no seu tempo. Minha menina fique com o nosso barco é um presente meu só aceite, não quero que devolva, ele tem um significado muito grande para mim e sei que para você também, não seria justo eu deixar ele nas mãos de outra pessoa, aproveite o presente anjinha."
Começo a me lembrar do meu aniversário naquele navio e das muitas outras vezes que eu estive naquele barco, das longas noites que eu passava ali a olhar para o céu estrelado quando uma lembrança vinha em minha mente.
Carrick Grey foi um anjo em minha vida, como ninguém algum dia foi, eu o amo acima de tudo mesmo morto, e com isso fico somente com as boas lembranças de meu passado já que nem lagrimas eu tenho para chorar.
Solto um grito de desespero e caio na cama e com isso derrubo a caixa aberta e a fechada que continua fechada, mas de dentro da que acabei de abri cai um molho de chaves e um amontoado de papeis, assim que os pego vejo que se trata de um contrato de propriedade então começo a ler.
— Meus Anjos, dai-me força – falo em voz alta tamanho é meu choque, ele me deixou uma empresa e duas propriedades, Jesus Carrick é doido.
E então depois desse pensamento, me lembro de que nunca terei meu doidinho comigo de novo, meu Príncipe encantado, meu protetor, meu pai, meu colega, ele morreu. E nessa hora que eu me perco, me levanto e começo a quebrar a casa toda, chorava, gritava, bebia e cantava para afastar os pensamentos que não são bem vindos.
Até que cheguei na sala e vi os quadros, peguei todos e me sentei na mesa de jantar, fui ao armário e vasculhei vi que tinha uma garrava de Uísque 1954 era de Robert e como uísque não vence eu peguei a garrafa e abri.
Sentei a mesa e comecei a tomar chorando pelas mortes até não ter mais como ou pelo que chorar, me levantei cambaleante e fui ao cemitério preciso ver minha mãe
“Mas como você vai?” minha linda mente me pergunta e eu linda como sou respondo
"De moto sua bobinha"— ela me faz uma cara que praticamente grita "sua louca" e eu só rio da cara dela.
"Morrer agora não vai me fazer diferença”— digo e saio de casa com as fotos e minha bolsa, mais os dois presente um que abri e outro que está na caixa.
***
Não demora muito para que eu chegue no cemitério, desço da moto pego meu celular e o uso como lanterna, uns quinze minutos andando entre os túmulos e eu chego no da minha mãe, dou um suspiro e me sento ali e naquele momento eu desabo falando tudo e pedindo perdão por tudo que aconteceu, por tudo que eu fiz.
Você já se imaginou saindo de casa com 14 anos de idade? Já se imaginou largando mãe e irmão? Aposto que não e, nem eu imaginava, até fazer, eu abandonei minha mãe, ela não me viu crescer, evoluir e viver, eu sou uma péssima pessoa.
****
Depois que sai do cemitério, aconteceu tudo tão rápido, lembro-me de subir na moto e ir direto para a casa dos Grey's, Matt me acordou e falou para mim tomar banho ele cuidou de mim como a tempos ninguém cuidava, eu me senti finalmente amada, daria tudo o que tenho para sentir aquela sensação novamente, só que agora estou aqui, sentadas em volta da mesa dos Grey's e pedindo desculpas por ter chegado em um estado deplorável ontem na casa deles, Ana já me disse que não tenho que pedir desculpas, pois todo mundo ali já tomou algum porre na vida, eu coro e tento arranjar outra desculpa para ir embora o mais rápido possível dali, digo que preciso voltar para meu trabalho e que preciso arrumar meu apartamento, mas Matt me interrompe.
—Eu peço para minha empregada limpar seu apartamento, é só você mandar a chave por correio para ela, pode deixar, ela é de confiança, acho que ela é sua amiga não é! E eu peço para que fique, pelo menos mais uma semana, porque daqui a pouco tem o baile anual que minha mãe e minha avó sempre fazem, é para um ONG de caridade, gostaria que me acompanhasse no baile, Srta. Carter. -fala ele e vejo que estão todos me olhando. Droga!
Fale com o autor