Um Futuro Condenado 2 Temporada - Mathew S. Grey
18 Assunto Lincoln
Notas iniciais
E agora? Como recusar um convite para ir ao baile dos seus sonhos, feito por um Deus grego e tendo toda a sua respectiva família lhe olhando e pressionando?
—Vamos, Hanna, diga, você vai ficar não é? Por favorzinho — fala Emma me tirando dos meus pensamentos.
—É, tudo bem, eu fico, mas só mais uma semana — falo e vejo todos ali presente suspirarem em um ato de puro alivio, nossa, não tinha ideia de que minha presença aqui era tão importante.
—Que bom que vai ficar querida, caso contrário teria que lhe amarrar numa cadeira-fala Ana fazendo todos rirem, gostei dela.
— Hanna, você aceita ir ao baile como minha acompanhante? — pergunta Matt, falando baixinho para que só eu ouça, e se senta a meu lado.
— Pensei que você iria querer como sua acompanhante aquela linda loira que foi no seu escritório, aquele dia que eu sai sem avisar, eu vi quando você mandou ela embora, mas todo casal briga, não é? — falo e bem no fundo, sinto uma pontada de ciúmes.
— Não sabia que você tinha visto ela. E não, eu não a quero como acompanhante, eu quero você — Quando ele termina a última frase, quase abro um enorme sorriso que poderia partir meu rosto em dois. — Anjelica e eu, não temos mais nada — fala ele e o olho confusa.
—Quem é Anjelica? –pergunto com a sobrancelha erguida
—É a loira que você me viu colando para fora da minha sala-fala ele e meu sorriso interno volta com tudo.
—Você já teve algo com ela? -pergunto, porque ele mencionou que "não tem mais nada com ela" isso quer dizer que já teve não é?
—Sim, namoramos durante um ano — fala ele e vejo seu rosto endurecer.
—E por que acabaram? Um ano é tempo demais não? -pergunto e ponho um pedacinho de pão na boca.
—Terminamos porque Anjelica era muito grudenta, fútil, ciumenta e porque simplesmente não estava mais dando certo-fala e noto pelo seu tom de voz que ele não quer falar sobre isso.
—Desculpe, não devia ter me intrometido tanto assim-falo e sinto que estou toda vermelha, viro de frente para Emma e noto que ela está nos encarando com um sorriso mais do que malicioso nos lábios.
—Tudo bem, não precisa pedir desculpas, e você não foi intrometida, só um pouco curiosa. Então, você aceita ir ao baile comigo? -droga, ele ainda não esqueceu esse lance de acompanhar ele no baile.
—Tudo bem, eu aceito, quando será? –pergunto levando meu suco de caju na boca.
—Será amanhã-fala e tomo um susto, fazendo com que eu me engasgue com o suco e todos me olham curiosos.
—Meu deus, Matt, a ajude, bata de leve nas costas dela-fala Ana em visível pânico. Matt bate de leve nas minhas costas até que eu pare de tossir, porém os arrepios que atravessam meu corpo não me ajudam, começo a sentir falta de ar e não consigo mais parar de tossir, tento a todo custo respirar, até que consigo, sinto minha garganta dolorida e faço uma careta quando tomo um pouco de agua
—Obrigada, já estou melhor-falo limpando as lágrimas que escorreram dos meus olhos enquanto eu tinha um ataque de tosse.
—Tem certeza de que está melhor querida? – Ana pergunta olhando atenciosamente para meu rosto- E o que você fez para ela Matt, a menina quase morreu agora! -fala Ana e logo sinto o olhar raivoso de Tommy em cima e Matt que está todo vermelho como um tomate.
—Eu não fiz nada mãe, só estávamos conversando não é Hanna? -pede ele visivelmente nervoso fazendo com que todos deem risada dele.
—Filho, é brincadeira, eu sei que você jamais faria algo para Hanna, desculpe-fala Ana limpando a lágrima que escorreu de seus lindos olhos enquanto ela ria sem parar.
—Não tem graça-diz Matt e cruza os braços em frente ao peito em um ato de birra.
—Hanna, vamos ao shopping hoje? Temos que comprar o seu vestido, ou se você quiser posso lhe emprestar um dos meus, mas você não vai se livrar de ir comigo ao salão de beleza-fala Emma e bate palmas toda serelepe.
—Acho melhor você comprar um vestido, Hanna, ou é capaz de você ir como uma Barbie para o baile-se manifesta Molly, que até agora estava com uma cara emburrada.
—Ei, eu não me visto como uma Barbie, só que gosto muito da cor rosa ok?!-xinga Emma, e faz um beicinho.
—Meninas, não vamos brigar agora ok?!Hanna, vamos ao shopping hoje, e lá você poderá escolher o vestido que mais lhe agradar, eu faço questão de lhe dar ele-fala Ana enquanto pega seu copo de suco.
—Eu aceito ir escolher o vestido, porém não aceito que você o compre para mim-falo e vejo Christian arregalar os olhos.
—Ela não deveria ter dito isso, agora vamos precisar de pipoca para assistir ao espetáculo, eu aposto na mamãe — ouço Molly sussurrar para Emma, será que Ana é muito teimosa? Bom, se é eu não sei, mas tenho certeza de que sou mais.
—Oh não, eu faço questão de pagar, é um presente e quero que aceite-diz Ana com firmeza, ai meu Deus, não acredito no que isto está acontecendo.
—Ana, você já fez demais por mim, seria muito injusto da minha parte deixar que pague pelo meu vestido-falo firme, tentando convence-la vejo Molly rir e Emma arregalar os olhos
—Não, eu não fiz nada demais por você, e acredite, lhe dar um vestido não é nem a metade do que eu desejo lhe dar, mesmo que eu conheça você a pouco tempo, já lhe considero uma filha, ainda mais depois de ouvir mais sobre você – ela fala me dando um olhar terno, e eu sei que ela sabe sobre todo o meu passado, um nó se forma em minha garganta, mas não vou chorar agora e nem aqui — também recebi uma carta, e quero muito que você aceite o vestido, é um simples presente
—Tudo bem, eu aceito, mas só se você deixar eu lhe dar um presente-falo e vejo Ana bufar.
—Não, não aceito, quero lhe dar o vestido como um presente, não esperando nada em troca-rebate ela e dessa vez quem bufa sou eu.
—Então não aceito o vestido-falo com petulância e vejo ela dar um sorriso.
—Tudo bem, eu aceito seu presente, mas você tem que aceitar o meu presente e aceitar ficar mais duas semanas aqui-fala ela e arregalo meus olhos, duas semanas? Não mesmo.
—Tudo bem que tal assim: Aceito seu presente e você aceita o meu, e eu fico uma semana e dois dias aqui apôs o baile. -falo e vejo um sorriso enorme se abrir em seu rosto.
—Ok, assim está bom -fala ela e vejo todos aplaudirem.
—Hanna e Anastácia, vocês deveriam trabalhar na minha empresa junto comigo, vocês negociam muito bem -fala Christian e puxa Ana para um beijo.
—Então Hanna, vamos nos arrumar para ir ao shopping? -pede Emma e vejo que ela está super ansiosa para esse momento.
—Vamos-digo e subo com ela me arrastando escadas a cima
Depois de tomar banho coloquei uma calça jeans, um coturno e uma blusa folgada, e agora estou indo com Ana, Molly e Emma para o shopping, vamos encontrar com Mia e Kate, amiga de Ana, lá. Depois de um tempo Ana estaciona o carro e nós seguimos para dentro do shopping.
—Ana-uma voz um pouco distante grita atrás de nós e viramos a tempo de ver duas lindas mulheres correrem até nós, o mais impressionante é ver que elas estão de salto alto.
—Olá Kate, Mia, como estão? -pergunta Ana assim que elas chegam perto de nós, elas cumprimentam Molly, Emma e Ana, com beijos e abraços.
—Estamos bem, fora o fato de Mia está quase me enlouquecendo-fala Kate revirando os olhos.
—Ei, eu ainda estou aqui sabia? -diz Mia e bate no braço de Kate.
—Meninas, chega, bom acho que vocês devem lembrar de Hanna não é?! -fala Ana e me puxa para o seu lado, Kate e Mia se entreolham e logo me abraçam.
—Olá, Hanna, como está? -pergunta Kate, acho que Mia não gostou muito da minha pessoa.
—Estou bem, obrigada por perguntar-respondo com simpatia e vejo Mia revirar os olhos e Ana a cutuca.
—Bom, vamos as compras? Estou ansiosa para esse momento-fala Emma quebrando o clima chato que se instalou.
—Vamos sim-diz Molly enlaçando o braço na cintura de Ana.
Depois de mais ou menos umas três horas caminhando pelo shopping, decidimos que já estava na hora de fazer um lanche, Molly e Ana já tinham escolhido seus vestidos, mas o resto de nós ainda não. Fomos até um Starbucks e fizemos nossos pedidos, eu pedi um milk-shake e um Muffin de banana, costumava comer Muffin e tomar milk-shake com meu pai, quanta saudade que sinto dele, um tempinho depois o garçom chega com nossos pedidos, só que ele larga dois milk-shakes e dois Muffin de banana a minha frente, olho para ele em total confusão.
—Desculpe, acho que ouve um engano, mas eu pedi só um Muffin e só um milk-shake não dois de cada um-falo e vejo que todas na mesa estão olhando para mim e para o atendente.
—Não Srta. não a engano nenhum, você pediu um milk-shake e um Muffin de banana, o outro milk-shake e o Muffin de banana foi cortesia daquele senhor ali-fala ele e aponta para uma mesa onde não tem ninguém, olho para o garçom com a sobrancelha levantada e ele dá de ombros como querendo dizer que tinha sim alguém ali.
—Tudo bem, obrigada-falo para o atendente e ele sai mexendo com as mãos em um ato de nervosismo.
—Hum, Hanna tem admiradores, Matt não vai gostar muito de saber disso-fala Emma e vejo Mia fechar mais a cara.
—Ai, Hanna, arrasando corações em garota? Agora, você vai se importar se eu pegar um de seus Muffin, é que eles estão tão bonitos que me deu até vontade agora-diz Kate.
—Claro, pode pegar-digo isso lhe estendo o pratinho com um dos Muffin.
Assim que levanto o copo do milk-shake um papel dobrado fica a mostra na bandeja, o copo estava em cima dele, pego o papel e o abro e antes de ler vejo estão todos olhando para mim:
Aproveito o Muffin e o milk-shake, querida.
Estou com saudades, da próxima vez faço questão de lhe
Entregar o seu pedido pessoalmente.
Um beijo do único homem da sua vida.
Jones Hyde!
Assim que acabo de ler o que está escrito, o pânico toma conta do meu corpo e eu começo a tremer, as lágrimas contidas queimam os meus olhos até que eu não aguento e as deixo rolar, a vergonha vem com tudo e eu saio rapidamente da mesa com o bilhete em mãos e corro para o banheiro do shopping, assim que entro me tranco numa cabine e me ponho a chorar, estou com medo, raiva e nojo, ele voltou! Não tinha mais visto esse desgraçado desde o meu último dia no hotel, quando fui com Tommy pegar algumas roupas, e foi lá que eu vi seu olhar sobre mim e tive certeza de que ele não me deixaria de mão tão fácil, o problema é que agora não tenho mais Carrick, só tenho Tommy agora, e não quero que ele se envolva nessa história só para me ajudar.
Fecho meus olhos e as lembranças vem com tudo, dele me agarrando no banco de trás do carro, dele tirando minha inocência, dele e de Robert me molestando e fazendo com que eu passasse uma das piores humilhações da minha vida, uma forte dor na temporã faz com que eu saia da cabine e caminhe em direção a pia, me olho no grande espelho a minha frente e levou um susto com minha aparência, os olhos inchados, a ponta do nariz vermelha e estou pálida, muito pálida, abro a torneira e jogo água no rosto, um barulho na porta faz com que eu levante o olhar e vejo Ana, com o semblante preocupado.
—Hanna, qual o conteúdo desse bilhete? -pergunta ela, e pelo seu tom de voz posso notar que está muito séria.
—Não é nada demais, Ana, bobagem -digo e seco meu rosto com um papel toalha.
—Se é só bobagem, não vai se importar de que eu o leia não é?!-pede ela e estende a mão para que eu lhe entregue o bilhete.
—Ana, isso é um assunto delicado e pessoal, me sentiria muito exposta se deixasse você ler, por favor, entenda? -peço com a voz rouca por conta das lágrimas que teimam em tentar sair.
—Tudo bem querida, não vou lhe pressionar, porém quero saber o que está acontecendo com a minha mais nova filha. -diz Ana com um singelo sorriso nos lábios.
—Ana, eu agradeço muito por tudo que você tem feito por mim, mas quero saber: O que você sabe a meu respeito? -pergunto, a curiosidade está me matando.
—Eu sei que seu pai biológico morreu e um tempo depois sua mãe se casou novamente, foi com esse marido que você sofreu o abuso e que um tal de Jones Hyde pode ter participado do abuso, sei que você era agredida por seu padrasto e que nos seus catorze anos fugiu de Nova Jersey, que era onde sua mãe morava, que quando fugiu você veio para Seattle e que Carrick lhe encontrou em frente a uma boate, ele disse que você estava assustada e frágil demais, que quando cresceu, você voltou para sua cidade antiga e fez faculdade lá, e que voltou agora para Seattle, o motivo da sua volta eu não sei, mas desconfio que foi por causa da morte de Carrick não é?!-fala ela e eu volto a chorar, essa linda mulher conhece toda a minha vida e eu tentando lhe esconder o assunto desse bilhete idiota de mau-gosto
—O Ana, perdão por não lhe contar o assunto do bilhete, mas eu não imaginava que você soubesse tanto assim de mim-digo enquanto a abraço fortemente, e sinto seu cheirinho de mãe, que saudades que eu tenho da minha
—Tudo bem querida, já passou, eu entendo que você fique meio que com o pé atrás, afinal, nós conhecemos a menos de duas semanas-fala ela e dá um risinho, a afasto gentilmente e lhe entrego o bilhete.
Assim que ela termina de ler o bilhete me olha e vejo seu semblante de preocupação.
—Ele está lhe ameaçando não é? -pergunta ela e eu confirmo com a cabeça-Vou pedir para Christian contratar um segurança para você, agora vou fazer uma pergunta muito delicada e se não quiser responder, por favor, não se sinta pressionada tudo bem? -pede ela e mais uma vez eu balanço a cabeça em concordância-Ele abusou de você? -pede ela e eu sinto meu sangue gelar.
—Sim-gaguejo baixinho.
—O querida, ele é um monstro, mas fiquei tranquila, não deixarei mas que ele nem chegue perto de você, quantos anos ele tem? -pergunta ela fazendo com que eu fique confusa.
—Acho que é 28 ou 29, porque? -respondo, sem entender muito bem a sua pergunta
— Só por curiosidade, agora vamos, ainda precisamos escolher o seu vestido. -fala ela e a sigo para fora do banheiro.
Depois de comermos nossos lanches voltamos a caminhar pelo shopping atrás de vestido, sapatos e joias, uma loucura total, toda hora eu via Mia me olhar com uma cara emburrada, mas não sei o que fiz para ela, depois de um bom tempo rodando o shopping nos despedimos de Kate e Mia e voltamos para casa do Sr. Grey.
—Hanna, posso entrar? -uma batida na porta faz com que eu levante os olhos do meu livro e grite um "entre", Matt entra e fecha a porta atrás de si, caminha até minha cama e se senta.
—O que deseja, Matt? -pergunto totalmente confusa por ver ele ali.
—Quero saber qual sua relação com o meu avô-fala ele diretamente, droga, esqueci que não tinha contado para ele ainda, os únicos que sabem da minha relação com Carrick é Christian, Ana, Tommas, Grace e acho que Mia e Kate.
—Não querendo ser grossa, mas eu vou explicar tudo no jantar, hoje à noite. -falo e vejo ele concordar com a cabeça.
—Quem é Jones Cary Hyde? -pede ele e meu sangue gela ao ouvir o nome pronunciado, respiro fundo e tento não gaguejar em uma resposta
—Ele é só um, amigo -digo o mais firme que posso porém minha voz denuncia o quanto estou nervosa.
—Você já namorou com ele? -pergunta, novamente indo direto ao ponto, e meu estômago embrulha com essa ideia
—Não, porque a pergunta? -lhe respondo com outra pergunta tentando mudar de assunto
—Curiosidade, pequena só isso – ele fala me analisando e parece que está perdido em pensamentos — Bom, já vou indo, vou deixar você ler seu livro descansada-fala e me abraça, quando vou lhe dar um beijo na bochecha ele vira o rosto, nossos lábios se encostam rapidamente, mas logo Matt se afasta, ele me olha diferente, parece surpreso e satisfeito.
—Desculpe, bom, eu já vou indo, até mais -fala ele nervosamente e sai do quarto quase correndo.
Gargalho de sua reação e volto minha atenção para o livro, mas ela logo se perde quando a lembrança do meu pequeno beijo com Matt me vem à cabeça. E com esse pensamento, acabo por lembrar da noite naquele pub, não sei quem foi o homem que consegui fazer com que eu me "entregasse “e acho que nunca vou descobrir, mas foi maravilhoso, com esses pensamentos na cabeça vou caindo lentamente no sono.
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