Um Futuro Condenado 2 Temporada - Mathew S. Grey
22 Piquinique
Notas iniciais
—Briana, você sabe a onde eu coloquei o vestido que tinha deixado em cima da cama? -Briana é minha "empregada", eu não a considerava empregada, e sim uma amiga que teimava em limpar a casa, coisa que me irritava e muito, eu tinha mãos, pernas e era bem saudável, podia muito bem limpar tudo sozinha, mas na carta que Carrick deixou para Ana, ele dizia bem claro, que era para eu ter alguém que me ajudasse nos deveres da casa.
—Se você deixou em cima da cama, só pode estar em cima da cama, pernas ele não criou-fala ela tirando sarro com minha cara.
—Muito engraçadinha, eu já procurei e não está, não está, ai eu já to até vendo, vai dar tudo errado, Matt deveria ter me dito aonde iriamos ir, agora eu já nem sei se o vestido, perdido, será uma boa roupa para sei lá onde ele esteja me levando.-eu falava tudo rapidamente, estava nervosa, não que eu já não tivesse saído com Matt, mas hoje era diferente, porque eu não sei, mas era diferente, o dia já tinha começado diferente, eu estava com uma agonia, parecia que tinha algo me sufocando, eu não sabia o que era.
—Hanna, se acalma ok? Vai dar tudo certo, sempre dá, agora pega o vestido que está embaixo da coberta, o cabecinha de vento você em? Quer ajuda pra se arrumar? -fala Briana enquanto puxa a cadeira que fica no quarto para que eu me sente.
—Não precisa, eu só não sei o que fazer com meu cabelo, vou com ele molhado assim? Solto, preso em um rabo de cavalo, trança, Maria Chiquinha, ai meu deus, vai dar tudo errado -e novamente estava eu quase chorando de nervoso, essa sensação ruim que não saia de mim.
—Ei, florzinha, calma ok? Vamos fazer assim, vamos trocar esse vestido por algo mais natural, você vai parecer muito criança com ele, vem vamos ver outra roupa. -e assim ela foi me puxando para meu closet.
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—Você está linda, até parece que adivinhou para onde estamos indo. -fala Matt, Briana e eu decidimos que eu botaria uma saia comprida azul meio escuro, daquelas de pano, uma blusinha regata branca e uma sapatilha preta, Briana fez uma trança embutida em meu cabelo que eu amei.
—Você também não está nada mal. -falei para ele que estava vestido em uma camiseta social, azul clarinha, com as mangas dobradas até os cotovelos, uma calça jeans e um all-star, assim que chegamos no estacionamento Matt abriu a porta do carona para mim e fez a volta.
—Obrigada pelo elogio, sua trança está realmente linda, espero não estraga-la com essa venda-diz ele e puxa um lenço rosa forte do bolso da calça.
—Por acaso você está pensando em me vendar? Porque? – pergunto desconfiada
—Porque se não a surpresa vai por água abaixo, boneca, agora deixa de perguntas e vamos tampar esses lindos olhinhos. – ele fala esticando o gostoso pano de seda
—Tudo bem -e em menos de dois minutos eu não enxergo mais nada por conta da venda em meus olhos. — Você pode colocar uma música? -peço, já que não posso enxergar nada.
—Claro, qual você quer? – ele pergunta assim que coloca o cinto em mim
—Não sei, escolhe você, me surpreenda-digo e o ouço rir baixinho.
—Tudo bem-diz ele e deduzo que está procurando uma música, até que lembro de uma que seria perfeita para agora.
—Não, espera, espera, você tem Beyoncé Dance For You? Se tiver, coloca essa-digo e ouço ele soltar um grande suspiro.
—Você ainda vai me deixar maluco, tenho sim, espere que vou achar aqui-e depois de um tempo a música começa a tocar e eu a cantar. Cantei várias músicas até a hora que Matt tirou as vendas de meus olhos.
—Você gosta mesmo de cantar, tem uma voz linda, e bom, chegamos-diz ele ao me ajudar a descer do carro, olho para a frente e me deparo com várias árvores e muitas pessoas, estamos em um parque, o dia está realmente lindo para um passeio assim, Matt vai para a parte de trás do carro e abre a porta malas, de lá tira uma cesta — Piquenique no parque, que tal? Achei que você estava precisando, depois do bilhetinho no carro ontem. -diz ele mas se cala ao ver minha expressão de "medo" ai relembrar do bilhete, eu não sei porque, mas acho fielmente que Jones estava envolvido com aquele maldito bilhete.
—Tudo bem, eu adorei a surpresa, agora, aonde vamos nos sentar? -pergunto olhando para o parque e vendo que cada árvore ali está ocupada por pessoas.
—Nós damos um jeito nisso-depois de dizer isso ele pegou minha mão e nós caminhamos para uma parte mais "afastada" das pessoas, onde tinha uma grande árvore e de frente para ela estava um lago, onde alguns patinhos tomavam banho, Matt estendeu a toalha no chão e nós nos sentamos.
—Eu amo piqueniques fazia todo final de semana com meu pai, era muito bom, ele me botava nos ombros e ficava correndo pelo parque até a hora que minha mãe nos chamava para lanchar-digo com um imenso sorriso no rosto ao lembrar de coisas tão agradáveis, abro a cesta e vou tirando tudo de lá e espalhando na toalha com a ajuda de Matt.
—Quando era pequeno também fazia piqueniques, era legal, mas teve um dia em que fomos a praia e um garoto passou por mim e Molly e disse que ela era bonita, eu dei um soco no garoto e em menos de um segundo já estava a mãe do menino gritando comigo e meu pai tentando acalmar Molly que começou a chorar e minha mãe me defendendo, eu sabia que agressão não levava a nada, mas foi mais forte do que eu, resultado, uma semana sem vídeo game -disse ele em meio as minhas risadas incontroláveis.
—Vocês, irmãos mais velhos, são uma comédia, uma vez Tommy ficou 2 dias sem falar comigo, porque eu disse que tinha virado amiga de um garoto da sua sala, segundo ele, aquele garoto não queria ser meu amigo, ele só queria me "pegar de jeito", como ele falava. -aquela vez foi realmente engraçada. Matt e eu passamos boa parte do tempo falando de nossas infâncias e comendo, até que colocamos tudo que sobrou dentro da cesta e nos deitamos na toalha para ver o céu azulzinho e lindo.
—Quando criança, eu pensava que se eu empilhasse todas as cadeiras do mundo, e subisse nelas eu conseguiria tocar o céu. -digo e vejo Matt sorrir com o que digo.
—Eu pensava a mesma coisa, só que eu tinha medo de subir nas cadeiras e elas caírem — admite ele com um sorriso maroto no lábios
—Medroso — provoco.
—Medroso? Eu? Vou te mostra quem é o medroso-diz ele e começa a fazer cocegas em minha barriga, eu me debato toda, como uma lagartixa pegando fogo, mas ele é impiedoso, e não para.
—Matt para por favor, eu preciso respirar -digo enquanto tento respirar, imagino que já estou toda vermelha.
—Tudo bem, parei-diz ele e levanta as mão em rendição.
—Agora você me paga-digo ao começar a fazer cocegas em sua barriga, Matt ri alto, chamando a atenção de algumas pessoas mas eu não dou bola e continuo com meu ataque, só quando ele começa a chorar de rir é que eu paro, mas logo saio correndo com Matt em meu encalço, me prometendo de que quando me pegar vai me encher de cosquinha.
—Hanna, cuidado com a rua-grita ele um pouco mais atrás de mim.
—Eu sei me cuidar-digo e caminho até ele.
—Sua, pestinha, agora estou todo suado, por sua culpa, vamos voltar para onde está nossa toalha, vem -diz ele e me leva pela mão até onde estávamos, Matt e eu estamos com as respirações pesadas, seu peito sobe e desce rapidamente. -Já volto, vou comprar um picolé para nós, você quer de que sabor? -pergunta ao se levantar.
—Morango -digo e fico vendo ele caminha até o outro lado da rua, algo dentro da cesta começa a apitar, a abro e vejo que é o celular de Matt olho no visor e vejo o nome "Mãe" piscando, é Ana, levanto depressa e rumo para onde está Matt, olho para os dois lados antes de atravessar e vejo que o sinal está verde, quando estou no meio da faixa um carro branco acelera, eu tento correr, mas é em vão, o impacto do carro contra meu corpo fez um baita de um barulho e me corpo "voa" longe.
—Hanna — ouço Matt gritar. Logo vejo vários rostos desconhecidos em cima de mim, todos dizendo para que eu não me mecha, minha cabeça dói demais e minhas costelas doem ainda mais, sinto as lágrimas escorregarem devagar pelo meu rosto.
—Matt, cadê...você-chamo baixinho e ao olhar para o lado vejo ele ali, pegando em minha mão.
—Hanna, vai ficar tudo bem, só não se meche ok? Agora olha pra mim, não fecha os olhos-diz ele, minha visão está ficando embaçada, as pessoas a minha volta falando alto demais, meu estômago embrulhando, e a dor, a dor nas costelas, dói demais.
—Minhas, costelas, dor, demais...me...tira...daqui, Matt -peço baixinho antes de virar a cabeça para o outro lado e o vomitar tudo que estava em meu estomago, estar deitada não ajuda em nada, e logo começo a me engasgar, meu deus, porque comigo?
—Hanna, Hanna não dorme, meu Deus-ouço Matt gritar para mim e logo minha cabeça ser levantada, o que piora minha dor, não sei se choro de dor e tento gritar para que me deitem de novo no chão ou se coloco tudo que está em meu estômago para fora, coloco tudo pra fora de uma vez só, minha garganta queima, minhas costelas latejam de dor parece que estão rasgando a minha pele, o cheiro forte de sangue me apavora, sinto meus olhos fechando e começo a cair no sono, só o que ouço antes de apagar são gritos, barulho de sirene e Matt me implorando para que eu não feche os olhos.
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