Notas iniciais
ola? como vão? curiosos? aki está mais um cap para voces meus cedentos, talvez - com quase total certeza- esse cap seja o maior da história, então aproveitem até o proximo

Abri os olhos de repente, a luz forte fez com que eu os fechasse na mesma velocidade que os abri, barulhos de bips ensurdecedores tomaram conta do espaço à minha volta, e eles eram como pregos em brasa sendo enfiados em meu cérebro. Abri novamente os olhos, dessa vez mais devagar, tentando me acostumar com a luz do lugar, onde estava? Como vim parar ali? Porque vim parar ali?

—Olha só, vejo que a Bella adormecida acordou — fala um homem ao entrar no quarto. — Como você está, está com dor? Você sabe onde está? Se lembra de alguma coisa? — o homem estranho perguntava tudo tão rápido que eu nem tinha tempo de responder e, porque ele falou "Bella adormecida"?

—Água-foi a única coisa que consegui dizer, já que minha garganta estava mais seca do que não sei o que.

—Hm, então você quer água? Espere só um minutinho, eu vou pegar-depois disso o homem estranho saiu do quarto em que eu estava, olho ao redor e vejo que estou em um quarto de hospital, as paredes são em tons pastéis, na parede a minha frente a apenas um quadro, na parede a minha esquerda há uma Televisão de LCD e um pouco mais acima, há um aparelho de ar-condicionado, ainda no meu lado esquerdo, vejo vários aparelhos médicos, tem um soro injetado na veia do meu braço direito.

—Aqui está, sua água, agora beba devagar-diz o homem que suponho ser o médico, ao me entregar um copinho descartável com um pouco de água, tento me inclinar um pouco para frente mas sou impedida por uma dor excruciante no lado direito da barriga, caralho, o que aconteceu comigo? — Não se levante, espere que vou ajustar sua cama-diz o médico e sobe um pouco minha cama, tomo minha água rapidamente, recebendo um olhar de reprovação do médico.

—Agora estou melhor, porque eu estou aqui? Isso é um hospital? –pergunto ainda confusa

—Sim, isso é um hospital, e você não sabe porque está aqui? — pergunta o médico e faço um esforço para lembrar, o piquenique, o celular de Matt chamando, o carro, a dor nas costelas, muita dor nas costelas, eu fui atropelada, olho apavorada para o médico.

—Eu lembro, eu fui atropelada, cadê Matt? Eu quero ele aqui, chame ele por favor-peço quase chorando já, mas que merda, porque me atropelaram? Eu lembro que o sinal estava aberto para os pedestres, droga! falo alterando um pouco minha voz, e sentindo minhas costelas doerem mais, pelo esforço

—Acalme-se senhorita, seu amigo está bem, ele está na sala de espera, com sua família, bom, vamos aos exames — depois disso ele acende aquela lanterna maldita em meus olhos -Aparentemente está tudo bem, a senhorita vai ficar em observação essa noite e se tudo ocorrer bem, amanhã mesmo a senhorita terá alta, e a senhorita fraturou duas costelas do lado direito, não foi nada grave, quer dizer, não perfurou nem um órgão, o que realmente foi muita sorte, o tratamento leva de 3 a 6 semanas para curar completamente, então cuidado com a respiração, nada de respirar profundamente, repouso absoluto durante um mês, se for possível mais do que isso será melhor, eu vou lhe dar alguns remédios para amenizar a dor que a senhorita irá sentir nesse processo de cura. Bom, acho que agora você já está liberada para receber visita, tem alguém que deseja ver em especial? -pergunta o médico, se preparando para sair do quarto.

—Gostaria de ver todos os integrantes da família Grey e da família Carter — eu sei que só vai estar Matt e talvez Tommy, os outros estão ocupados demais, e não os julgo, eles não devem parar suas vidas porque eu sofri um acidente bobo.

—Tudo bem, eu vou chamar -diz o médico e sai da sala. Um tempo depois a porta se abre brutalmente e uma Ana com os olhos e nariz vermelho corre em minha direção.

—Hanna querida, que susto você nos deu, como você está, minha menininha? -pergunta Ana ela vem em minha direção pronta para me abraçar mas para quando eu estendo o braço, pronta para afasta-lo o que todos eles estão fazendo aqui? Christian, Molly, Teddy, Emma, Tommy, Mia? Pensei que só estaria Matt e Tommy, realmente eu os subestimei.

—Srta. -pergunta o médico se referindo a Ana

—Sra. Grey -corrigi Christian com uma carranca enorme.

—Desculpe, Sra. Grey, a senhorita Carter não pode ter nem um contato físico agora devido a suas duas costelas quebradas-explica o médico.

—Duas? — repetem todos ali na sala, juntos, o que foi realmente engraçado.

—Sim, duas, a senhorita Carter teve "sorte" porque não teve nem um órgão perfurado, eu já expliquei a ela, que o tratamento é de 3 a 6 semanas, ela deve ficar em repouso absoluto durante 1 mês e se for possível mais do que isso, melhor ainda, quem será o responsável por ficar com os remédios que eu vou dar a ela? — perde o médico, como assim, responsável pelos meus remédios, eu sei me cuidar sozinha, não preciso de responsável e antes que eu responda isso uma voz no fundo da sala se faz presente.

—Eu vou ficar responsável, o senhor pode entregar a mim — diz Matt ao caminhar para perto do médico, ele pega dois potinhos brancos e os segura na mão, o médico sai da sala.

—Oi, eu estou bem — digo quando todos ficam olhando para mim sem falar nada.

—A minha menina, que susto que você nos deu — diz Ana ao chegar perto de mim e segurar minha mão.

—É verdade, um grande susto, nunca mais faça isso. -diz Emma ao se pronunciar pela primeira vez, seus olhos estão vermelho, o que denuncia que estava chorando.

—Sua cabeça oca, não sabe olhar para os lados quando vai atravessar a rua? Ou por acaso decidiu atravessar correndo? Em, em? Você quer me matar do coração, você não sonha o quanto fiquei preocupado com você, não sonha — Tommy quase grita enquanto anda de um lado para o outro, lembro-me de quando eu me machucava quando criança e ele quase pirava.

—Eu estou bem, Tommy, e eu olhei para os lados, o sinal estava verde, só que do nada um carro branco veio e eu fui atropelada, não fale assim comigo, não foi minha culpa-digo magoada, tudo bem que ele está nervoso, mas poxa, eu tenho o direito de ficar magoada também, acabei de sofrer um acidente.

—Tudo bem, você tem razão, me perdoa? Eu não queria ter falado daquele jeito com você, eu só estou nervoso, imagina, eu lá em Seattle e do nada Matt me liga para dizer que a minha maninha foi atropelada, eu pirei — diz ele, com os olhos cheio d'água ao se sentar no chão, ao lado da minha cama.

—Tudo bem, eu tento te entender-brinco e todos riem, menos eu, porque minhas costelas doem demais.

—Hanna, você vai ficar lá em casa, durante esses meses, você precisa de repouso e sozinha não vai conseguir isso-diz Matt e quando vou contrariar ele continua -e não se atreva a dizer não, já está decidido.

—Já to vendo que não tenho outra escolha mesmo. -reclamo baixinho porém acho que ele ouviu.

—É, então Hanna, eu trouxe isso pra você, é para alegrar esse quarto, ele está muito caidinho-diz Molly e me mostra uma penca de balões.

–Obrigada, você poderia amarrar na minha cama? Eu não posso me mexer. – falo

—A é claro-diz ela e prontamente amarra os balões em minha cama.

—Hanna, você realmente nos assustou, espero que esteja melhor agora, mas se me dá licença, eu tenho que fazer algumas ligações — diz Christian e antes de sair me beija na testa e beija Ana, fazendo com que Emma imite um som de pessoas vomitando.

—Bom, eu vou a cafeteria, alguém quer ir comigo? -pergunta Ana

— eu quero ir, estou com fome- diz Emma e as duas saem quarto a fora.

—Então, meninos e Molly, vocês poderiam me deixar a sós com Hanna, só alguns minutinhos? -pede Mia, porque ela quer ficar sozinha comigo no quarto?

—Não-responde Teddy e logo começa a rir-qual é, eu precisava fazer isso-diz ele e saio do quarto os outros pegam carona e se vão, Mia caminha até minha cama e senta na beirada.

—Então, eu soube do seu acidente porque estava com a Ana, fazendo compras, assim que ela me disse, eu fiquei chocada, e logo quis vir junto para ver como você estava, eu sei que brigamos aquele dia e que depois nos reconciliamos, mas eu precisava vir aqui e ter certeza de que você me perdoou por eu ter tratado você tão mal, então, você me desculpa? -pede ela com os olhinhos brilhando por conta das lágrimas não derramadas

—Claro que sim, claro que desculpo, e eu fiquei tão feliz ao ver que você veio aqui me ver, na verdade eu fiquei feliz em ver todos, não imaginava que eles viriam, no máximo Tommy.

—Mas é claro que viramos, Ana principalmente, você agora é a filha dela, ela não ficaria fazendo compras enquanto a filha dela está em um quarto de hospital depois de ter sofrido um acidente, assim que Matt nos ligou nós fomos direto para o aeroporto e viemos no jatinho de Christian eu fiquei extremamente preocupada, e Kate ligou, disse que desejava melhoras, mas que não poderia vir agora, ela está no Brasil, cobrindo uma matéria. — Mia e eu continuamos a conversar até a hora que Christian entrou no quarto e pediu para que ela se retirasse, que precisava falar a sós comigo.

—Então Hanna, eu vou direto ao ponto, o seu acidente não foi bem um acidente, ele foi planejado, não pegaram o motorista ainda, mas a polícia acha que foi uma mulher, pelo relatório das outras pessoas que estavam presente no momento. – ele fala tudo de uma vez porém devagar para que eu possa assimilar

—Planejado? Porque? Quem? -porque alguém tentaria me matar? Essa pergunta ronda como um fantasma em meus pensamentos

—Eu não sei, querida, segundo a polícia o caso é sigiloso, mas a partir de hoje você tem um segurança e não sai sem ele-diz Christian, como ele é mandão.

—Tudo bem, eu sei que isso vai ser o melhor para mim –digo, afinal ele tem toda a razão...

—Podemos entrar? -pergunta Ana ao colocar só a cabeça para dentro do quarto.

—Claro, entrem -digo e logo o quarto e está cheio novamente.

****

—Vamos ter que sair pela porta de trás do hospital, na frente está lotado de fotógrafos-diz Ana e Matt vira a cadeira de rodas em que estou sentada, pois é, me sinto uma pateta nesse negócio, sendo que eu posso muito bem caminhar, na verdade eu só estou brava assim porque Teddy e eu estávamos brincando na cadeira e Matt nos mandou parar, assim que chegamos no estacionamento Christian abre a porta traseira do carro e com um pouco de dificuldade eu me instalo lá.

—Você está bem, querida? -pergunta Ana, ao se sentar do lado de Christian no banco carona.

—Estou sim, só doeu um pouco agora. – respondo-lhe me ajeitando no banco

—Briana foi para a minha casa, ela vai ficar lá todo o tempo em que você estiver lá-diz Matt

—Tudo bem, eu preciso falar com ela mesmo, e sei muito bem que você não iria deixar eu ir até meu apartamento para falar com ela. – falo olhando-o

—Não ia mesmo-responde ele, antes de se virar para a janela e ficar observando a paisagem. Assim que chegamos em frente ao prédio onde Matt e eu moramos, o carro foi bombardeado por fotógrafos mais parecendo leões sem comer a meses.

—Porque estão todos querendo informações? Eu nem famosa sou — digo, intrigada e irritada.

—Bom, primeiro você apareceu no velório de meu avô, o que era só para a família, depois você é vista fazendo compras com as mulheres Grey's no shopping, e depois você é atropelada e seu acompanhante na ambulância é Matt Grey, o que você queria? -fala Matt e vejo que ele tem razão.

Christian deu a volta no prédio e conseguiu entrar, assim que cheguei ao quarto de Matt, chamei Briana e ela me ajudou a tomar banho, quando tirei a blusa me assustei com a enorme mancha roxa no lado direito da minha barriga, onde minhas duas costelas tinham quebrado do lado direito, depois do banho Briana me ajudou a vestir meu pijama e eu fui deitar, a cama tinha o cheiro de Matt, tudo ali tinha o cheiro de Matt, era inebriante.

—Você está melhor? Quer comer alguma coisa, agora? -pergunta Matt entrando no quarto

—Não, eu só quero dormir um pouco mesmo, se não se importar. – falo fazendo uma careta ao soltar um suspiro involuntário

—imagina, eu vou avisar a todos que você já vai dormir, com licença — diz ele e sai do quarto, com muito sacrifício consigo ficar deitada de lado, o que faz com que eu grite de dor, meu Deus, como dói, e nem é o lado machucado, logo Matt está na porta do quarto, me olhando apavorado.

—Hanna, o que houve? Porque você está de lado? -pergunta ele enquanto me ajuda a deitar de barriga para cima, de novo

—Eu fui deitar de lado, só que dói demais. – falo com uma careta provavelmente horrível de dor

—É claro que vai doer, agora fique quietinha ai que eu vou pegar seus remédios e uma compressa de água quente-diz ele e sai do quarto, um tempo depois Matt aparece com um copo de água e depois comprimidos, eu os tomo e espero Matt voltar para o quarto com uma compressa de água quente, ele coloca ao lado das minhas costelas fraturadas, no começo dói um pouco, mas logo ameniza, ele trata de fazer uma barreira de travesseiros do outro lado para que eu não role e caia, e logo depois vai tomar banho.

***

Não sei quando foi que eu dormi, mas só acordei agora, 10:00 da manhã e com um Deus grego, só de calça de abrigo, ao meu lado, isso é tortura demais, oh senhor, lentamente estico a mão e acaricio os cabelos de Matt, como ele é lindo.

—Bom dia-diz ele ao abrir os olhos, rapidamente tiro minha mão de se cabelo, ele percebe e ri

—Bom dia, você já viu que horas são? – pergunto esfregando meus olhos — Sua família já deve ter acordado

—Pelo que diz no meu relógio são 10:03, eles realmente já devem ter acordado, agora eu vou tomar um banho, você quer ir primeiro? – ele pergunta com um olhar nada malicioso, porém minha mente não trabalhou isso ainda

—Não, pode ir. — Digo e ele segue para o banheiro, quando Matt sai eu chamo por Briana, ela me ajuda novamente a tomar banho, ta que eu morria de vergonha de ficar sem nada na frente dela, mas era preciso, ou era ela ou Matt, porque eu tenho certeza de que ele não deixaria eu ficar sozinha no banheiro, agora ele cuida de mim como se a cada segundo eu fosse cair e quebrar em mil pedacinhos.

—Bom dia, pessoas -digo com certa dificuldade ao chegar na cozinha onde estão todos tomando café da manhã.

—Porque você desceu as escadas sozinha? Podia ter me chamado, eu iria lhe ajudar, você sabe que não pode fazer esforço-diz Matt e vejo Tommy concordar com ele, a só me falta essa, complô contra mim agora.

—Desci sozinha porque eu ainda estou viva e tanto posso como sei muito bem caminhar – falo sarcástica caminhando para a mesa

—Tudo bem gente, Matt, se Hanna desceu as escadas é porque ela consegue, se não conseguisse teria chamado um de nós, mas você, mocinha, não se atreva a fazer mais isso viu? E agora Ana e eu temos uma notícia para dar a vocês — diz Christian visivelmente ansioso. E sento ao lado de Tommy, que beija meus cabelos.

—Qual? Mas antes é, cadê Mia? -pergunto, já que ela não está na mesa

—Mia foi embora hoje cedo, ela pediu desculpas por não poder se despedir mas houve um imprevisto com uma de suas filiais em Seattle, bom, a notícia é, que daqui a duas semanas todos aqui presentes vamos para a ilha particular de Christian que fica no Brasil, acho que todos estão precisando de umas férias, mas só vamos daqui uma semana para que não tenha risco de que o cinto do banco do jatinho machuque suas costelas, nós já falamos com o médico e ele liberou — diz Ana, Molly e Emma começam a falar sobre o que vão levar para a viagem, quem diria, Brasil? Eu nunca pensei que conheceria.

—Nossa, super legal, a quanto tempo não vamos lá? -pergunta Emma mais empolgada que um cego vendo

—Não sei, princesa, mas já faz muito tempo — diz Christian, e assim foi a manhã e à tarde inteira, até a hora que todos eles foram para a minha casa, pois é, eles não quiseram ficar aqui na casa de Matt, então eu ofereci a minha e com muita relutância eles aceitaram, segundo Emma é porque eles queriam nos dar privacidade.

—O que você gostaria de fazer agora? -pergunta Matt me olhando

—Eu queria ver algum filme, se não se importa. – falo com um certo medo que ele negue, faz um dia que estou nessa e a minha conclusão é que o tédio vai me matar

—Claro, eu vou lhe levar no colo, você já fez esforço demais ao descer as escadas-diz Matt e com o maior cuidado do mundo me pega no colo, na posição recém-casados.

—Eu posso muito bem caminhar-digo emburrada enquanto ajudo Matt a abrir a porta da sala de tv.

—Eu sei, garotinha, agora vamos deitar aqui-diz ele e com o maior cuidado do mundo me põe deitada no sofá. — Que filme você quer ver?

—Não sei, qual você tem ai? – pergunto me ajeitando em uma posição que não faça a minha bunda doer

—Eu não tenho muitos, você pode ir olhando aqui enquanto eu vou fazer a pipoca-diz ele e me entrega vários filmes, a maioria é terror mas no meio de todos ali tem um que me interessa, Enrolados, cara, esse filme é demais, eu já vi umas quinhentas vezes e nunca me canso, mas porque Matt tem esse filme?

—Voltei, qual você escolheu? -pergunta ele largando o saco com a pipoca em cima da mesinha que fica ao lado de um dos sofás, olho para ele com cara de alguém que vai aprontar e lhe estendo o filme- sério, Hanna? Tudo bem, vamos ver esse filme, de novo -sim, eu fiz Matt assistir comigo e olha, foram muitas vezes.

—Eu gosto, fazer o que?!Agora senta logo porque vai começar -digo e ele levanta minha cabeça, senta onde ela estava e eu apoio minha cabeça em suas pernas, Matt fica fazendo carinho em meus cabelos e eu quase durmo, só não caio no sono porque não quero perder nem dois segundos do filme.

—Olha, olha agora, eles vão cantar, ai meu deus, agora, agora -digo toda animada quando ela começa a cantar, Matt só ri — Eu tenho sim, um sonho sim, que as estrelas flutuantes são pra mim-canto junto fazendo com que Matt chore de tanto rir.

—Meu Deus, como você pode gravar essas músicas? -pergunta ele

—É porque eu gosto do filme, agora xiu, agora dá a parte triste, ai não quero ver -digo e tampo os olhos com as mãos, mas deixo frestas entre meus dedos para que eu possa continuar vendo o filme, está na parte em que Rapunzel canta com José, dentro do barquinho enquanto as lanternas voam ao seu redor, essa cena é tão linda, mas tão triste, porque eu sei que ninguém nunca vai fazer nada igual para mim.

—Ok, vou tirar o filme, não quero que meu apartamento fique alagado-diz Matt e volta a gargalhar com sua piada sem graça, e assim foi a noite toda, eu chorando enquanto via o filme e ele rindo da minha cara.

***

—Você está bem, querida? Se quiser, podemos adiar a viagem-diz Ana, enquanto Matt prende o meu cinto, estamos prestes a ir para o Brasil, meu Deus, Brasil, e eu só sei falar um pouco de português.

—Não precisa adiar a viajem eu estou bem, estou mesmo. – respondo com convicção. Apesar de algumas dores as coisas melhoraram bastante, até o roxo diminuiu

—Então, ok. Agora, Teddy, sente-se ai e não levante mais-diz Ana e todos começam a rir de Teddy.

****

Seguro forte a mão de Matt quando o jatinho levanta voo, sinto o suor escorrer pelo canto do meu rosto, minhas mãos frias.

—Eu sempre tive medo quando o avião levanta voo e pousa. — Admito baixinho para Matt.

—Não se preocupe, eu sei nadar caso o jatinho caia na água-diz Matt e noto que ele está tentando me distrair.

—Bobo, eu também sei nadar, mas e se vir um tubarão? — pergunto receosa

—Ai já é questão de sorte, se Teddy estiver com fome, ele morde o tubarão, mas se ele não estiver com fome eu só vou poder gritar "Nada"-Matt grita, chamando a atenção de todos no avião, eu me viro para janela, morrendo de vergonha e espero até que ouço todos conversando novamente.

—Não acredito que você fez isso, meu Deus, que vergonha-digo e Matt é só gargalhadas e quando eu fui notar, o jatinho já estava voando normalmente, eu preciso explicar porque eu gosto tanto dele?

—Até que enfim chegamos, eu não aguentava mais ficar dentro daquele negócio-reclama Molly, ao se sentar atrás de mim, na mini van.

—Que negócio, Molly? –pergunto confusa

—Aquele, que nós estávamos dentro, que voa — responde ela gesticulando com as mãos, enquanto manda Matt sair do meu lado, quando ele sai ela se senta no lugar que antes ele ocupava

—A sim, o jatinho, Matt, não fique com essa cara, você ficou a viagem toda ao meu lado-brinco com Matt que está sentado logo atrás de nós com uma carranca enorme.

—Olha, que lindo-Molly aponta para uma rua e ela é realmente linda.

*****

— eu estou morta, acho que vou dormir, vocês não se importam não é?!-pergunto para Molly e Emma, que estão sentada em minha cama.

—Claro que não, acho que vou ir dormir também, boa noite-diz Molly e sai do meu quarto, pois é, eu tenho um quarto só pra mim até aqui na ilha particular de Christian, na verdade, era um quarto de hóspedes, mas ele mandou decorar "ao meu gosto” porque a partir de agora, esse quarto é meu.

—Acho que eu também já vou indo dormir, até amanhã, Hanna- diz Emma e sai do quarto fechando a porta.

Arrumo minhas malas em um canto do quarto e rumo para o banheiro, tomo um banho longo e relaxante, coloco meu pijama no banheiro mesmo, e quando deito para dormir, o sono todo se esvai do meu corpo, me deixando alerta. Droga, meu sono foi passear pela ilha, pelo jeito, e agora, o que eu vou fazer?

1 carneirinho
2 carneirinhos
3 carneirinhos

E assim eu fui, cantando quase a noite toda, acho que foi no 50 que não aguentei mais e sai com cuidado do quarto, passei pela casa e fui para a praia, o vento estava tão gostoso, caminhei um bom tempo, até que voltei e sentei em frente à casa, me sentei um pouco longe da água, não gostava muito de molhar os pés depois de caminhar na areia, não demorou muito, para que o céu cheio de estrelas, me deixasse deslumbrada, deitei para o ver melhor, e lembrei de quando eu fazia isso na presença de meu pai.

Flashback on:

—São lindas, não é papai? -perguntei, já fazia mais de horas que estávamos deitados lado a lado no jardim, observando as estrelas.

—Sim, são lindas, mas não mais do que você, minha garotinha. Você sabe, que quando uma pessoa morre, ela virá uma estrelinha, então, essa pessoa fica te observando lá de cima. -Diz ele e sinto o medo em sua voz, porque ele está com medo?

—Você sempre diz isso, papai, mas você não vai virar um estrelinha, não é?!- pergunto temerosa

—Porque? – e então aqueles olhos que dão direto para o infinito me olham com ternura

—Porque você não pode morrer, papai tem que ser eterno, para cuidar de nós, filhas. — explicou o óbvio, se ele morrer, quem cuidaria de mim?

—Mas daí tem a mamãe. -Diz ele

—Sim, tem a mamãe, mas ela não olha as estrelas comigo, nem me carrega nas costas. -digo já com a voz chorosa, meu papai não pode morrer.

—Tudo bem, não chore, garotinha, você ainda tem muito o que aprender, agora vamos dormir, antes que sua mãe acorde e note que não estamos na cama-diz ele e me pega no colo, me levando para dentro de casa, papai me bota na cama no meio dele e da mamãe, que dorme serenamente.

—Eu te amo, papai, você vai estar vivo para me levar no primeiro dia de aula no colégio, não é? -pergunto. –Claro que sim, meu anjinho, agora durma-diz ele e beija minha testa, falta 1 ano para eu entrar no colégio..."

Flashback off.

—Oi-diz Molly e me assusto.

—Você me assustou, o que está fazendo aqui? -pergunto enquanto ela se deita ao meu lado.

—Estou sem sono, ou melhor o perdi, e você, o que está fazendo aqui? — ela pergunta me analisando

—Eu também perdi o sono, assim que deitei na cama – falo perdida em pensamentos

—É viciante ficar olhando para elas, não, é?!-diz Molly, olhando para as estrelas...

—Sim, quando pequena eu fazia promessas olhando para as estrelas, de tanto que meu pai me dizia que elas eram pessoas, e que ficavam nos olhando, então eu acreditava que se fizesse promessa olhando para elas, quando pensasse em desistir elas falariam comigo e me dariam força para lutar e continuar – falo vagamente sem tirar meus olhos das brilhantes azuis

— é uma bela história – ela fala observando as estrelas comigo – Hanna, por que você e Matt não ficam juntos? – ok agora ela tem minha total atenção

—Porque, não é tão fácil assim- falo e solto um suspiro fechando meus olhos — eu vou falar, eu gosto sim do seu irmão, gosto até demais, porém eu não sei se ele gosta de mim, e se ele ainda sentir algo por aquela tal de Anjelica Lincoln? Eu não posso arriscar tudo, nossa amizade, meu trabalho, dizendo a ele que sou que eu gosto dele.

— Quem não arrisca, não petisca. – ela cantarola rindo e me levando junto consigo

—Tudo bem, um dia eu falo, ok?!E agora me diz, você e meu irmão, hein?!Ele é legal com você, porque comigo ele era meio chatinho, ta que eu sou irmã dele e você namorada, mas mesmo assim, ele ficava maluco quando eu me machucava, ou quando algum garoto se aproximava de mim, com você é assim? – pergunto sem realmente olha-la

—É, ele é meio possessivo, mas eu gosto, claro que as vezes brigamos por conta disso, mas acho que o amor que temos um pelo outro é maior do que qualquer outra coisa. – ela fala com um tom sonhador que me faz sorrir

—Ai que fofo, ta apaixonada, e vocês vão se casar? Quero ser madrinha, em? -digo e Molly ri descontroladamente.

—É segredo, mas estamos pensando em nos casar, logo logo. Estou tão animada. — ela fala quase saltando de alegria

—Mas porque é segredo? – pergunto confusa por eles deixarem isso em segredo

— A sei lá, primeiro teve todo esse lance da morte do vovô, então você apareceu, não que isso seja algo ruim, na verdade é muito bom, Tommy ficou tão feliz, e agora você é atropelada, não tivemos tempo para falar disso com a família, ainda, sabe? – ela fala com uma certa decepção na voz

—Hum, entendo, mas eu ainda acho que tem algo a mais nisso ai, pode falar, eu prometo manter segredo. – falo finalmente olhando-a

—Ok, você está certa, na verdade, eu estou meio insegura, eu amo seu irmão, amo demais, e sei que ele é o homem da minha vida, mas e se eu não for o suficiente para fazer ele feliz? E se nós casarmos e não der certo? Eu o amo demais, para dar um passo tão grande como esse. – ela começa e eu percebo medo, angustia e uma pitada de pavor em sua voz

—Ei, ei, ei, porque a insegurança? Brigas todos os casais tem, isso fortalece a relação, e eu tenho certeza de que Tommy lhe ama tanto quanto você ama ele, dá pra ver, quando ele olha para você, seus olhos adquirem um brilho diferente, o jeito que ele lhe trata, o jeito que ele cuida de você, é lindo. – falo segurando sua mão

—Acho que você está certa, eu é que estou sendo uma boba, em ficar insegura. – ela fala limpando algumas lagrimas que caíram

—Boba não, você só está com dúvidas, isso é normal quando estamos apaixonados. – falo sorrindo

—Você já esteve apaixonada? – ela me pergunta olhando em meus olhos

—Não, quer dizer, acho que estou, na verdade não sei — digo e caio na gargalhada com Molly.

***

—Ei, ei, acordem, o que você estão fazendo aqui? -ouço uma voz, e algumas risadas, mas não dou bola e viro para o lado a fim de voltar a dormir, uma das piores coisas que poderia ter feito, minha costela deu uma pontada forte que me fez perder o ar e voltar a antiga posição.

—Hanna, Molly, acordem, vocês não podem ficar aqui- a voz fala mais alto agora, e me assusto e me sento rapidamente, fazendo eu soltar um grunhido baixo, ela dor que (ainda) sinto nas minhas costelas.

—Mas que mer....ops, eu dormi aqui? -digo ao me sentar e ver todos ali olhando para mim e para Molly, nós pegamos no sono, na praia.

—É o que parece, quando foi que dormimos? -pergunta Molly, ao coçar os olhos, seus cabelos estão pura terra e mais parece um ninho de passarinho, me controlo para não rir, mas Teddy faz diferente e cai na gargalhada.

—O que foi, garoto? -pergunta Molly, ao me ajudar a levantar.

—Seu, ai, seu...cabelo...ta, horrível-diz Teddy e volta a gargalhar, agora acompanhado de todos nós.

—Teddy, seu anormal-xinga Molly e sai arrastando Tommy pela mão, para dentro de casa.

—Porque vocês dormiram aqui? -pergunta Emma

—Molly e eu perdemos o sono, e nos encontramos por acaso aqui, ficamos conversando e pegamos no sono, agora eu vou me trocar, com licença-digo já me levantando.

Tomo um banho relaxante e coloco um biquíni verde musgo e um vestidinho azul claro e uma rasteirinha da mesma cor, desço para a cozinha, onde estão todos tomando café.

—Então, o que querem fazer hoje? – Christian pergunta assim que entro na cozinha

—Aaai pai, acho que eu vou para a praia depois, ler um livro-diz Emma divagando em seus próprios pensamentos

—Tudo bem e o resto, o que vocês querem fazer? -pergunta Christian novamente

—Partiu praia, molecada-diz Teddy e todos concordam.

Notas finais
comentem favoritem recomentem ♥