Notas iniciais
Só pode ser brincadeira, eu não posso acreditar no que estou vendo, isso só pode ser alucinação, vamos lá eu me belisco e volto ao normal.
—Amor não — grita a voz enojada de Anjelica — não se belisque, só eu posso fazer isso — ela termina de falar tentando soar sexy mas é ai que minha ficha cai: eu não estou tendo uma alucinação.
—Anjelica. Lincoln. O. Que. Esta. Fazendo. AQUI?!- falo pausadamente e grito a última palavra, ela dá um sorriso diabólico e vem sentar no meu colo.
—sai daqui AGORA, mas antes me diz: quem deixou você entrar aqui? -pergunto tirando ela do meu colo, ela me olha fingindo uma magoa inexistente e começa a brincar com os papeis na minha mesa
—Você sabe que eu não preciso de permissão de ninguém para nada, não é amor?! E você está sem secretaria? -pergunta ela batendo as grandes unhas na minha mesa.
—Você não consegue entender que terminamos? já era, acabou, final de algo que não deveria ter nem começado. E como assim Hanna não está na sala? -pergunto, já ficando preocupado "Hanna é super educada, se precisasse sair teria vindo a minha sala me avisar" penso, e sou puxado para a vida real com um selinho molhada de Anjelica, lhe tiro de cima de mim e ela começa a fingir um choro. –Saia daqui agora, e não volte mais, entenda de uma vez que TERMINAMOS, está entendendo?!-grito para Anjelica
—Tudo bem benzinho, eu vou...mas eu volto, amorzinho-fala ela saindo enquanto caminha até a porta. Desabo na cadeira e fico pensando em qual pecado eu cometi para merecer como punição uma "Anjelica" na minha vida, será que foi porque eu fiz os trabalhos do colégio para a Molly? ou foi porque eu estraguei todas as ficadas de Emma? Bom, de qualquer jeito eu não mereço "Anjelica Lincoln na minha vida"
—ninguém merece – resmungo para mim mesmo e decido ir ver porque Hanna não está na sua sala, saio da minha e me deparo com a sala de Hanna vazia, olho na mesa dela para ver se não a nenhum bilhete dizendo que tinha de sair, mas não a nada, sua bolsa está no chão e isso só podem significar que ela ainda está na empresa.
Mas onde? Decido que o melhor a fazer é olhar as câmeras, estou na minha sala colocando o código da empresa no computador quando ouço uma batida na porta grito um entre e continuo concentrado no meu computador.
—Desculpe senhor... Perdão, Matt, eu tive que sair não estava me sentindo bem, mas acredite, da próxima vez que não me sentir bem eu venho lhe avisar — fala uma voz doce e com um certo receio na mesma, sua voz é uma música para os meus ouvidos. Levanto o olhar e vejo a minha frente uma Hanna pálida feito papel mexendo nos dedos.
—Hanna, você está bem? Esta pálida demais, você tomou café da manhã? -pergunto já me levantando com a intenção de fazer Hanna sentar.
—Estou bem sim, eu só me senti um pouco mal, e eu não tomei café ainda — fala ela e dá um risinho como se pedisse desculpas. Boto-lhe sentada no grande sofá da minha sala e volto para a mesa para pegar minha carteira e as chaves do carro, olho no relógio do celular e vejo que já são 11h45min.
—Venha Hanna, vamos almoçar — falo lhe estendendo a mão, ela hesita porém aceita e então seguimos para fora do prédio assim de mãos dadas, uma eletricidade constante atravessando meu corpo
Fomos a um restaurante perto da GEH e percebi que aquele bistrô era uma das filiais de minha tia Mia ela abriu essa filial a uns três anos o nome é Bistrô Mia DLucca a comida é ótima e foi em homenagem a Lucca que ela nomeou os bistrôs ele é um sobrevivente, nos sentamos e fazemos os pedidos comemos em um completo silencio que não foi constrangedor por incrível que pareça
Quando voltamos ela foi para sala dela e eu para minha, tomei coragem e assinei tudo que tinha que assinar, li tudo que tinha que ler, ela só voltou a minha sala para falar que estava indo embora, como tinha coisas a fazer na empresa fiquei por mais um tempo
***
Passou-se uma semana depois que Anjelica esteve na minha sala, nunca mais a vi, minha relação com Hanna está ótima, e estritamente profissional, não a chamo mais de Hanna somente de Srta. Carter e ela somente de Sr Grey, recebi todos os dias uma mensagem no Whatsapp das minhas irmãs e do meu irmão, meu pai de vez em quando manda e minha mãe também
Descobri que a Molly está namorando o Tomas, o filho da madrinha da minha mãe, tem 27 anos Molly tem 25 não há uma diferença muito grande deu para engolir, minha Irmã já sofreu por um cara uma vez só não lembro o nome
Sou tirado de meus devaneios quando alguém bate a minha porta
—Entre – falo e ela entra
— Sr Grey, tens uma reunião em cinco minutos com seu pai e os empregados – fala olhando para cima de meus ombros, logo atrás de minha cabeça, ela quase nunca olha nos meus olhos, ou é para o chão ou para a vista atrás de mim
— mais alguma coisa? – pergunto e ela nega com o rosto, ela está estranha – Hanna por que está tão estranha? – pergunto antes que possa segurar minha boca grande
— não estou estranha senhor Grey só estou sendo profissional – ela responde com o cenho franzido e eu fico bobo pois agora ela olha nos meus olhos
— claro, obrigado pelo aviso não demorarei para reunião – falo rapidamente e ela sai, alguma coisa aconteceu com essa menina, me levanto e vou para a reunião com o material que preciso
Duas horas e meia depois...
Duas horas e meia foi o tempo que eu fiquei naquela sala, em compensação descobri quem estava desfalcando a empresa, Jonas Cary Hyde não estava fazendo seu serviço direito e a empresa estava decaindo, bom esta despedido claro e recebera tudo que tem direito, espero nunca mais ter que vê-lo de novo depois que sair da porta para fora
Sento-me em minha cadeira e relaxo um pouco, mal dá tempo de fazer isso direito pois Hanna me liga
— Sr Grey, Jones Cary Hyde quer falar com o senhor – ela fala com a voz tremula mais calma, como se estivesse assustada, falando no diabo
— pode deixá-lo entrar – falo e desligo dois minutos depois ele entra
— veio assinar os papeis? – pergunto seco
— na verdade Sr Grey eu vim lhe pedir para que reconsidere a sua decisão, eu não posso perder esse emprego – meu Deus odeio gente assim, faz besteira e depois vem pedir ajuda Argh!
— Sr Hyde, eu não posso reconsiderar pois não fui eu quem deu a ordem, foi meu pai e só ele pode revogar algo do tipo, agora por favor, saia – digo com uma falsa calma ele abaixa a cabeça resmunga algo e sai
—Hanna venha na minha sala por favor – pegou o telefone e falo para ela quando atende
— Hanna Adele Carter, você é minha mulher e nem que eu tenha que te tomar a força sua...— não dá para ouvi o resto pois ela o interrompe falando comigo
— sim senhor Grey – escuto a sua voz sobre saltada, e então ela desliga, eu sei que não devo me meter na vida pessoal dos meus empregados mas Hanna é mais que minha funcionaria ela também é minha vizinha e eu tenho um sentimento de proteção sobre ela, não demora muito para que ela esteja na minha sala avalio-a e ela está com os olhos inchados como se tivesse chorando tem uma marca vermelha no braço como se alguém tivesse apertado o local, e esta pálida como papel
— Hanna? – pergunto e ela levanta o olhar vejo que está no “modo profissional” então entro no meu também depois vou saber o que está havendo – ligue para baixo e peça os documentos de demissão para a recepção, avise para que não deixem Jones Cary Hyde sair sem assiná-los ok? E peçam cuidados redobrados, não acho que ele esteja muito bem com essa demissão –pergunto de novo e ela concorda e sai sem me responder de verdade
***
— entre – falo e continuo concentrado na minha pilha de papeis e não olho para cima, sei que é Hanna, já passam das três da tarde acho que ela quer perguntar alguma coisa, se passa dois minutos e ela não fala nada então um baque surdo me faz olha em sua direção e ela está caída no chão toda ensanguentada, vou até ela e não é a Hanna é a Anjelica com um tiro no peito
Acordo suando frio olho para os lados e estou no meu escritório, olho no relógio e são oito e vinte, Hanna já foi e eu devo ter dormido depois que ela saiu, me levanto e vou para casa
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