Um Futuro Condenado 2 Temporada - Mathew S. Grey
13 Carrick?
Notas iniciais
Ao constatar que meus dedos estão enrugados, decido por sair da banheira. Acho que fiquei aqui por mais de horas, minha foto com Carrick, está amaçada de tanto eu a apertar e com pequenas gotas de lagrimas, me cubro com meu roupão e vou para o quarto, visto uma regata acompanhada de um short, seco meu cabelo com o secador e vou para a cozinha preparar algo para comer, não tenho fome, mas sei que preciso ser forte agora, não posso desmoronar porque Carrick não vai estar mais aqui para me ajudar, não vai mais estar aqui para me abraçar e dizer que tudo vai ficar bem, como fez quando me achou em frente aquela boate.
Um sanduíche de frango e um copo com suco de laranja é o máximo que meu estômago aguenta, depois de comer largo o prato e o copo na pia e vou para o quarto, pego meu notebook e vejo quais os horários dos próximos voos para Seattle, tem um para hoje ainda as 19:00 e agora são 13:20, acho dá e sobra tempo, ligo para o aeroporto e compro minha passagem, não tinha mais assentos na classe econômica, então não tive outra escolha a não ser ir de primeira classe, mas vai ser bom, preciso mesmo tentar relaxar.
Minha cabeça parece que vai explodir, fazendo com que eu deite na cama, estou quase pegando no sono quando a campainha me traz de volta para a realidade, levanto com muita preguiça e caminho até a porta, levo um grande susto ao ver que é: puxo delicadamente para dentro do meu apartamento a pessoa que eu menos esperava encontrar ali.
—Greta?!-pergunto e exclamo totalmente confusa, o que ela está fazendo aqui?
—Olá, Srta. Carter, eu vim aqui para saber se a Srta. está bem, saio de um jeito tão apressado do apartamento do Sr. Grey, que eu fiquei preocupada. -fala ela e eu a chamo para sentar no sofá.
—O Greta, estou bem sim- tento mentir, porém ela levanta uma sobrancelha com um certo tom de duvida que me faz contar a verdade — na verdade não muito, mas isso passa, tudo na vida passa, até uva passa — não consigo resistir e faço a brincadeira da "uva passa" com ela, ela dá um risinho e eu a acompanho com menos emoção — mas como você sabe o meu endereço? -pergunto, e observo Greta ela se acalma e responde o que eu menos desejava ouvir, mas que por outro lado me deixou muito feliz.
—Ora menina, você é vizinha do Sr. Grey, já vi você sair para o trabalho muitas vezes, e quando veio morar aqui, eu pensei em vir falar com você, mas acabei por esquecer-fala ela e eu me lembro vagamente de já ter a visto no elevador.
—Mas, Matt sabe que eu moro aqui? -indago receosamente.
—Acredito que não, já que ele vive falando que tem interesse em conhecer quem é seu misterioso vizinho, no caso: vizinha — Explica ela com um sorriso de canto.
—Ok, então vamos fazer assim, não conte para ele que sou eu que moro aqui, está bem?!-peço e ela concorda com a cabeça.
—Está bem minha querida, mas agora tenho que ir, fique bem, e se quiser falar comigo, é só me chamar aqui na porta do lado. -brinca ela e deixa meu apartamento após dar um beijo em minha testa.
Incrível como eu gostei de conversar com ela mesmo a conhecendo em tão pouco tempo, veja só, o destino gosta de brincar: vizinha do meu chefe e amiga de sua governanta, vou para o quarto e preparo minhas malas, não sei quanto tempo pretendo ficar em Seattle, tenho que dar um jeito de encontrar Ana, a nora de Carrick, preciso pedir a ela a carta da qual Carrick me falou no hospital. E claro, preciso ir ao seu funeral, preciso dizer mais uma vez que o amo e que vou ser eternamente grata a ele, preciso lhe dar um último adeus, e é com esses pensamentos que me deito na cama e logo caio em um sono um tanto quanto agitado e perturbado.
Acordo com meu celular em plenos "berros”, olho no visor e vejo que já são 16:33, dormi um bom tempo, mas meu sono foi recheado de lembranças de minha infância, e dos momentos com Carrick e isso só fez com que eu ficasse mais triste, levanto da cama, vou para o banheiro tomo novamente um banho, quando saio decido por me arrumar agora, pego uma calça jeans junto com uma regata uma jaqueta de couro, afinal está frio e um coturno.
Estou pronta, vou até meu quarto e coloco meu celular para carregar, pela primeira vez em muito tempo, sinto falta de Nova Jersey, foi lá que vivi os piores anos de minha vida, mas foi lá também que me formei na faculdade, foi lá que fui amada pelo meu pai, mas foi lá que o vi pela última vez. E perco em pensamentos melancólicos e me dou conta disso quando sinto meu rosto banhado por lágrimas, as limpo com brutalidade e vou para cozinha procurar algo para fazer.
Odeio aeroportos, contato isso depois de um determinado tempo
Droga, porque logo o meu voo tem que atrasar? Já faz mais de trinta minutos que estou nesse avião e ele não levanta voo. Prendo meu cinto a minha cintura e decido tirar um cochilo. Um perfume muito familiar invade minhas narinas, olho para o lado e não posso acreditar no que vejo, ele está aqui, com o rosto cansado, a barba por fazer mas continua bonito, levanto minha mão e lhe toco a face, ele fecha os olhos e inspira levemente, como se estivesse apreciando o gesto carinhoso, sentir sua pele novamente é como um sonho bom, a quantos anos não faço isso.
—Foi um engano do hospital não é mesmo? Você não vai partir e me deixar aqui-falo com um pequeno sentimento de pavor vindo de dentro de mim, sinto minha garganta se fechar aos poucos como se fosse sufocada, e meus olhos novamente marejados.
—Você sabe que nunca vai estar sozinha não é minha menina poderosa? eu vou estar sempre aqui -fala ele e encosta a mão no lado esquerdo do meu peito, indicando meu coração. Seguro sua mão, com certo desespero, com medo dele ir embora.
—Não quero você somente no meu coração, quero você ao meu lado para me abraçar quando eu chorar, para me acalmar quando algo não sair como o esperado — falo já sentindo as lágrimas queimarem meus olhos.
—Eu preciso descansar e dar descanso a minha família, pequena Hanna. E sabe, quando nascemos, Deus nos dá uma missão, e enquanto não a realizamos, não podemos partir, e a minha missão aqui na terra, era ajudar um anjo que estava perdido, e eu o ajudei, hoje esse anjo é uma linda mulher muito inteligente, forte e doce, minha missão aqui foi cumprida, agora preciso ir, preciso descansar, fique bem minha princesinha, eu te amo. -fala ele e antes de sumir deposita um beijo em minha testa.
—Senhores passageiros, por favor apertem os cintos, vamos pousar daqui a vinte minutos. — E é com esse aviso do piloto, que eu abro lentamente os olhos despertando lentamente.
O sonho com Carrick me deixou totalmente abalada, minhas mãos estão tremendo e sinto meus lábios secos, mas bem no fundo, uma luz picante diz que aquilo foi mais do que um sonho, e eu ainda posso sentir o efeito de sua barba em minha mão, Hanna Carter, pare com isso ou você vai se esbugalhar em lágrimas dentro desse avião, penso para mim mesma, olho pela janela o avião descendo cada vez mais, fazendo meu estômago embrulhar e minha visão embaçara senhor, me ajuda não posso vomitar agora e com esse pensamento fico até o momento em que o avião para totalmente seguro na linha de pouso.
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