Um Futuro Condenado 2 Temporada - Mathew S. Grey
14 Thomas Carter
Notas iniciais
Ao pisar fora do aeroporto o vento de Seattle bate em meu rosto fazendo com que um pequeno sorriso brote em meus lábios, essa cidade é linda, pena que eu tenha vindo para cá numa situação tão deprimente como a que eu me encontro, caminho até o outro lado da rua e pego um taxi.
— Para onde vamos, senhorita? — Pergunta o motorista
—Para o Fairmont Olympic Hotel — Digo e encosto minha cabeça no vidro do carro, o taxi começa a andar e vejo as pessoas lá fora, estão todas agitadas, caminhando de um lado para o outro, um tempo depois o carro para em frente ao hotel eu pago o taxista e saio do carro com minhas bagagens, assim que entro no hotel fico deslumbrada com tanto luxo, caminho até a recepção e sou atendida por uma jovem, muito bonita por sinal. — Gostaria de um quarto, Srta. — Pergunta ela dando espaço para que eu fale meu nome
— Hanna Carter, sim eu quero um quarto -falo e ela começa a fazer minha ficha, ela está prestes a me entregar a chave do meu quarto quando sua mão para no ar, seus lábios vermelhos por conta do batom se abrem em um perfeito sorriso e seus olhos estão fixo em um ponto logo atrás de mim, me viro e na entrada do hotel vejo uma das pessoas mais repugnantes do mundo.
— Srta. Carter, aqui está a chave do seu quarto — Pego as chaves da mão da jovem e praticamente corro até o elevador, ele não me viu aqui né?! Não, ele não pode ter me visto. “É óbvio que ele não te viu Hanna, agora pare de pensar besteira e concentrasse no agora” grita uma voz dentro de mim, saio do elevador e procuro meu quarto, assim que o encontro entro e fecho a porta com a chave, caminho até o quarto onde largo as malas e começo a revira-las a procura de uma roupa, pretendo tomar outro banho para dormir logo depois. Amanhã será uma longo dia, e como as notícias correm rápido, fiquei sabendo que o funeral de Carrick será privado, isso significa que só tenho até amanhã para encontrar Anastácia e pedir para ela me entregar a carta e ir ao funeral e com esse pensamento rondando minha cabeça caminho até o banheiro e tomo um longo e gostoso banho.
Ao constar que os dedos das minhas mãos estão enrugados desligo o chuveiro e coloco meu roupão, meus olhos estão quase se fechando e o sono está prestes a tomar conta de mim, ontem dormi muito pouco, e o pouco que dormi foi recheado de sonhos com Carrick, meu pai, meu padrasto, minha mãe, meu irmão e por incrível que pareça eu também sonhei com ele, e devo admitir que foi um dos melhores sonhos que já tive na vida, ele estava incrivelmente lindo usava uma calça jeans, um coturno, uma blusa branca e por cima um blazer com as mangas dobradas, simplesmente lindo e apetitoso. "Hanna, pare já com isso, ele é seu chefe, você não pode se dar ao luxo de pensar nessas coisas com ele" digo em voz alta para mim mesmo, talvez assim entenda que eu não posso pensar em Matt como nada mais do que meu chefe. Decido por uma calça jeans, uma sandália preta com salto fino e uma camisa social, faço uma maquiagem leve e seco meu cabelo deixando eles soltos. Pego minha bolsa e saio do hotel, o taxi que chamei já está a minha espera, digo o endereço e um tempo depois, me vejo em frente à casa dos pais de Matt, não foi nada difícil achar o endereço de Christian Grey na internet o difícil mesmo vai ser entrar nesse castelo que chamam de casa, pago o taxista e caminho até um dos seguranças que está parado próximo ao portão.
— Olá, eu sou Hanna Carter e gostaria de falar com a Sra. Grey – Eu me apresento para o lindo segurança a minha frente.
— Só um minuto Srta. Carter — fala ele e puxa um telefone do bolso, ele fala algumas coisas que não consigo ouvir. — Sinto muito Srta. Carter, mas a Sra. Grey não vai poder lhe atender no momento. — fala ele com a cara mais lavada do mundo.
— Não pode ser, eu realmente preciso falar com a Sra. Grey, você poderia por favor chamar ela?! Já sei, ela não está em casa não é?! Então vamos fazer assim, eu te dou o meu número e assim que ela chegar você me liga, pode ser?! – Falo com um tom de desespero na voz, eu tenho que falar com Anastácia ainda hoje.
— Srta. Carter, a Sra. Grey não vai poder recebe-la, então peço que se retire ou terei que o fazer — diz ele com a voz levemente alterada.
—Não, não e não! Eu não vou sair daqui até que eu fale com a Sra. Grey — Eu sei que não deveria falar assim com ele, mas poxa, é um assunto sério. É a buzina de um carro atrás de mim que faz com que eu me assuste a caia de bunda no chão.
— A meu deus, será que eu matei ela? — grita uma voz doce mas aguda atrás de mim, sou erguida por duas mãos fortes e macias, me viro para ver quem é e abro minha boca com tamanha surpresa e Sorte.
— Não Emma, você não matou ela. Olá Hanna, o que você faz aqui? — pergunta Matt.
— Olá Sr. Grey, eu preciso falar com sua mãe. — Digo enquanto o analiso e com certa vergonha e timidez, eu mal conheço a família e trabalho para ele e do nada apareço querendo falar com a mãe dele, olho novamente para Matt e consto novamente o que já sabia ele é lindo e gostoso "para com isso Hanna" me repreendo internamente.
— Ok, venha comigo que eu te levo até ela — ele pede para que um dos seguranças abra o portão e me conduz pelo jardim.
— Matt, você não vai me apresentar sua amiga? — pergunta a garota do seu lado.
— Claro, Emma essa é Hanna Carter minha secretária pessoal e Hanna, essa é Emma minha irmã Emma Grey- ele nos apresenta e puxa Emma para um abraço me surpreendendo, porém eu retribuo, quando chegamos em frente a porta, Matt pede que Emma nos deixe a sós.
— Hanna, eu estou muito curioso para saber o motivo que fez você sair correndo do meu apartamento naquele dia, e mais curioso ainda para saber o que você está fazendo em Seattle a procura da minha mãe, espero que você possa me explicar tudo mais tarde. -fala ele com um certo tom de voz que não reconheço de imediato, e noto que na verdade é nervosismo.
— Eu, não posso te explicar nada agora, mas creio que logo você vai entender tudo, e você pode me levar até sua mãe agora? — droga, maldita hora para gaguejar assim que termino de falar vejo curiosidade em seus olhos.
— Claro, venha comigo -ele entra na casa e eu o sigo, entramos numa linda sala e num dos sofás está sentado o casal Grey, assim que Anastácia me vê seus olhos brilham e ela fica mais branca do que papel.
— Mãe, pai, essa é Hanna Carter minha secretária pessoal, e ela gostaria de falar com você mãe. — Matt fala, mas quando vê o estado que a mãe se encontra corre até ela e põe a mão em sua testa — Mãe, você está bem? -pergunta ele.
— Ana, baby vamos até o hospital, Matt peça para que Taylor tire o carro — fala o Sr. Grey já se levantando.
—Não, Christian, eu não vou, eu estou bem, Hanna querida, venha comigo — Anastácia passa por mim e eu a sigo por um comprido corredor, entramos no que acredito ser seu escritório e Ana fecha a porta atrás de si, me sento na cadeira que ela me indica e ela se senta à minha frente.
—Bom Sra. Grey creio eu que a senhora já sabe quem sou eu não é?!E eu só quero lhe fazer dois pedidos. -falo tudo rápido demais ainda mais que estou nervosa.
—Bom primeiramente nada de senhora, pode me chamar só de Ana e sim, eu sei quem você é! É a menina super poderosa de Carrick, Perdão, do falecido Carrick, mas agora me diga, quais são os seus pedidos? -pede ela e eu me perco no mar azul que são seus olhos apesar dela não ter parentesco algum com Thomas ele também tem olhos azuis
—Eu queria a carta que Carrick disse que estava com você, ele me disse isso no hospital eu fui lá a primeira vez que ele passou mal, e eu também queria ir ao funeral e ao enterro de Carrick, eu vi na internet que o funeral assim como o enterro será privado, só para a família e bem eu...-não consegui terminar a frase, era doloroso demais.
—Tudo bem querida, aqui está a carta. E sobre o funeral e o enterro, você pode dormir aqui hoje e amanhã você irá conosco-fala ela como se tudo fosse assim, simples de se resolver.
—Eu acho melhor não, Ana. Se você tiver como fazer com que eu possa entrar no funeral eu já fico muito agradecida-falo com um pouco de vergonha, afinal acabei de conhecer a mulher.
—Que isso garota, imagina. Eu faço questão de que você durma aqui, e amanhã nós iremos todos juntos ao funeral-fala ela com um sorriso perfeito nos lábios.
—Tudo bem então, eu só preciso ir no hotel que estou para pegar uma roupa para amanhã-falo e vejo Ana se levantar, ela sai do escritório e eu a sigo.
—Baby, estou saindo com Hanna, daqui a pouco estamos de volta — Ana fala tudo rapidamente e sai quase correndo pela porta a sigo e entramos rapidamente no carro, eu não entendo nada até estarmos no portão e eu ver o Sr. Grey aparecer na porta gritando para que Ana volte. Ela começa a rir e eu sou contagiada por sua risada.
—Querida, qual hotel que você está? -pede Ana ainda dando risada.
—No Fairmont Olympic Hotel. -repondo. Logo estamos em frente ao hotel Ana estaciona e subimos para meu quarto, pego um vestido preto que vai até meus joelhos, meu all-star preto, uma calça de pijama minha blusa de pijama e duas lingerie, dobro tudo e guardo na mochila.
—Pronto, agora podemos ir. -falo e quando Ana sai do quarto eu o tranco. Quando chegamos na casa dos Grey's, Christian estava andando de um lado para o outro e passava a mão pelo cabelo exasperadamente, assim que ele viu Ana a abraçou de uma forma tão apertada que eu pensei que a mulher ia sair pelo meio dos dedos dele.
—Baby, você está me sufocando. – ela fala com graça na voz, e ele a solta — Agora vamos jantar, porque Hanna deve estar com fome — fala Ana, só que eu não estou com a mínima fome. Depois de praticamente empurrar a comida goela baixo, Ana pediu para que Emma mostrasse o quarto que eu iria dormir.
Subimos as escadas e passamos por um dos vários corredores, Emma abriu uma porta afirmando que ali era o quarto que eu iria ficar e que a porta do lado esquerdo era o seu quarto.
—Então é isso Hanna, espero que fique bem e qualquer coisa é só bater na porta aqui do lado, na porta esquerda é claro, se você bater na direita você vai acabar vendo um Matt só de cueca-ela fala rindo, ou melhor gargalhando.
—Obrigado Emma-gaguejo e sinto minha bochechas esquentarem ao contar que esse é o meu maior desejo.
—Não fique com vergonha Hanna, não pense que eu não vi os olhares que você lançava para meu irmão, e saiba que isso não é crime nenhum afinal ele é bonito mesmo, agora eu vou indo beijos e boa noite. -fala ela já saindo
—Boa noite Emma -dei um beijo em sua bochecha e tranquei a porta do quarto assim que ela saiu. Menina maluca, mas muito legal, vou até a cama pego meu pijama que está dentro da mochila e vou para o banheiro que tem no quarto.
Emma bateu na porta do meu quarto exatamente as 7:15, eu estava com muita preguiça, e muito triste também mas não podia me atrasar e acabar por atrasar a família toda, levantei corri para o banheiro e quando estava prestes a entrar no chuveiro, vi meu reflexo no espelho por um momento me assustei mas depois me senti triste, abaixo dos meus olhos tinha profundas e feias olheiras, o cabelo sem vida mais parecia um ninho de passarinho, deixando os pensamentos sobre minha aparência de lado entrei no chuveiro e tomei um banho rápido, após me secar coloquei meu vestido e meu all-star, deixei os cabelos soltos peguei meu óculos de sol e coloquei, afinal não queria assustar todo mundo com as minhas olheiras horríveis e assim que desci a escada levei um choque ao ver quem estava no pé da escada abraçando uma linda jovem que chorava silenciosamente em seu ombro, meu coração parou e as minhas pernas travaram no meio da escada.
Ele estava diferente desde a última vez que o vi, o que já faz anos, abro a boca umas duas vezes tentando proferir alguma palavra mas nada sai, minhas pernas começam a ficar moles e termino por me sentar na beira da escada, a garota em seus braços chora cada vez mais alto e daqui consigo ouvir seus soluços, acho que ela é Molly Grey a neta de Carrick, minha visão fica turva e sei que estou chorando, uma delicada mão toca meu ombro me viro e vejo que é Emma, ela está linda num vestido preto longo, uma sandália também preta e os cabelos preso em uma trança, Matt está ao seu lado lindamente lindo com uma blusa branca um blazer preto e uma calça jeans, do lado dele está Teddy irmão gêmeo de Molly, ele também é muito bonito e está vestido igual a Matt, se a situação não fosse tão triste eu daria risada deles
—O que está fazendo aqui Hanna? -Emma parece realmente confusa vejo em todos os olhares confusão e estranheza
—Eu estou ...- não sei o que dizer. Olho novamente para Thomas e Molly e vejo que eles ainda não notaram nossa presença, estendo a mão para Matt que a pega e me ajuda a me levantar, cambaleando desço as escadas e quase em um sussurro chamo
—Tommy. -ele solta a garota e se vira, quando seus olhos caem sobre mim, seu rosto é tomado por surpresa, palidez, incredulidade e por último felicidade.
— Hanna – ele pronuncia em incredulidade – Meu Deus -ele fala pausadamente e puxa para um abraço super apertado.
—Tommy você está me sufocando — falo entre as lágrimas que rolam livremente em meu rosto, já é difícil respirar chorando imagina com ele me apertando.
— Perdão. O meu deus, como você está linda. Estava com tanta saudade de você maninha – Assim que ele pronuncia a palavra "maninha", Matt, Teddy, Emma e a garota que eu desconfio ser Molly Grey se pronunciam.
— Maninha? -perguntam todos juntos e confusos.
— Sim, nós somos irmãos — responde Thomas e me abraça de lado.
— Baby vamos — Ana para ao lado de Emma — Bom Hanna, vejo que você já conheceu minha filha Molly e seu encantador namorado não é?! — Há, na mosca! Sabia que a garota era Molly Grey, mas esperai, NAMORADO??!!
— Mãe, eles são irmãos! — exclama Emma aparentemente chocada e até horrorizada.
— Como assim irmãos?! Thomas, ela é a garota que você tanto falava?! — Pergunta Ana também parecendo chocada, ela parece um anjo embora esteja vestindo um vestido preto curto na frente e comprido atrás, muito comportado e uma sapatilha preta, no seu antebraço está a alça de uma pequena bolsa.
— Baby, vamos?! — o Sr. Grey pergunta para Ana enquanto a abraça, meu deus, mas o que deu nesses homens que eles estão todos vestidos iguais?! Sr. Grey está vestido igualmente a Teddy, Matt e Tommy.
— Sim, vamos, mas baby espere, você sabia que Hanna e Thomas são irmãos?! — Ana fala enquanto saímos todos de dentro da casa, como estou ao seu lado posso ver o Sr. Grey lhe lançar um sorriso que eu entendi como eu sei de tudo, entramos no carro e seguimos para o funeral, assim que chegamos e descemos do carro fomos bombardeados por repórteres tirando muitas fotos e fazendo perguntas absurdas, estávamos prestes a entrar no local quando um repórter quase enfiou o celular na cara do Sr. Grey e fez a pergunta mais idiota da face da terra
— Sr. Grey, quem é a moça que está com vocês?! Ela era a amante de Carrick?! Ou uma filha bastarda?! — Meu Deus, esse repórter tem algum problema não é?! Como assim um filho traz a amante do pai para o enterro?! O Sr. Grey simplesmente ignorou e entrou no local onde seria o funeral assim que todos nós entramos as portas atrás de nós se fecharam e olhando para frente me deparei com poucas pessoas no local, e bem no fundo da sala, estava o caixão.
Sr. Grey caminhou até lá acompanhado de Matt, Ana, Teddy, Emma e Molly. Decidi por ficar onde estava, aquele era um momento em família e eu não queria atrapalhar, Tommy ficou ao meu lado e eu sabia que em menos de dois segundos seria bombardeada por perguntas vindo da parte dele.
— Hanna, por que você parou de me ligar?! Você sabe o quanto fiquei preocupado depois que você simplesmente não atendeu mais o celular?! E que você estava fazendo na casa dos Grey's?! E o que está fazendo no funeral de Carrick?! — ele faz várias perguntas ao mesmo tempo, e a que eu menos quero responder é o por que deu estar no funeral de Carrick.
Para fugir da casa de meu padrasto aos 14 anos em plena madrugada não foi fácil e eu contei com a ajuda de Tommy, assim que sai prometi que ligaria para ele todos os dias, e assim o fiz durante um mês inteiro, mas quando cheguei a Seattle dois meses depois de fugir, eu perdi o celular e instantaneamente perdi o meu único modo de manter contato com Tommy, como não sabia seu número de cabeça não teve jeito.
— Eu perdi o celular quando cheguei aqui em Seattle por isso não pude mais te ligar, e não, eu não imagino o quanto você ficou preocupado, estava na casa dos Grey's e estou no funeral de Carrick porque quando cheguei aqui em Seattle, eu não tinha mais dinheiro na minha bolsa, Carrick me encontrou em frente a um pub e cuidou de mim, pagou minha faculdade em Nova Jersey e lá eu procurei por você, mas não o encontrei e agora que descobri que ele morreu...-Não consigo terminar minha frase, sempre imaginei qual foi a reação de minha mãe ao saber que eu fugi de casa e queria saber qual foi a reação de meu padrasto ao ver que eu peguei um pouco de seu dinheiro.
—O Hanna, não gosto nem de imaginar o que você deve ter passado. — ele me abraça, os Grey's saem da volta do caixão e se sentam em algumas cadeiras que tem espalhadas, Molly chora desesperadamente fazendo com que Tommy caminhe até ela.
De repente me vejo novamente sozinha, e é como se todos os olhares estivessem sobre mim, lentamente crio coragem e caminho até o caixão. Ver Carrick deitado ali fez com que meu coração se partisse em mil pedaços, as lágrimas escorriam rapidamente em meu rosto, e agora vejo que não tenho mais esperanças. Porque antes de chegar aqui e ver ele pálido e deitado num caixão, eu ainda imaginava que ele pudesse aparecer na minha frente, montado em um cavalo branco e dizendo que tudo foi só um pesadelo, mas agora a ficha caiu por inteiro, não tem volta, ele está morto, ele me abandonou.
E como um soco no meu estômago vem à lembrança de quando Carrick cantou para mim dormir na primeira noite que fui para sua casa de praia, lembro-me com perfeição qual a letra da música, se quando ele cantou eu dormi tão bem, seria muito egoísmo da minha parte não cantar para ele agora, me ajoelho de frente para o caixão e começo a alisar seus cabelos e então num quase sussurro começo a cantar alguma parte da música.
Sitting here, all alone, (Sentada aqui, toda sozinha)
Don't wanna move, nowhere to go, (Não quero me mover, não importa pra onde)
Nothing's real, just wanna hide, (Nada é real, só quero esconder)
Cause your not here (Porque você não está aqui)
But I'm breathing in, (Mas estou respirando)
And I'm breathing out, (E estou expirando)
I'm wide awake, (Estou sem rumo)
But I can't hear a sound, (Mas eu não posso ouvir um som.)
Sou interrompida por um choro alto que ecoa por todo espaço, levanto-me do chão e me ao me debruçar sobre o caixão deixo um leve beijo na testa de Carrick.
— Adeus meu príncipe salvador – assim que digo essa fase viro-me e caminho até Emma que chora, enquanto abraça uma senhora que deduzo ser Grace esposa de Carrick, ao chegar mais perto, vejo que o choro que interrompeu minha canção é de Grace.
— Hanna, você está bem?! Sente-se! -Ana se levanta da cadeira que estava sentada e me dá o seu lugar, Grace afasta Emma com delicadeza e vem em minha direção.
— Olá querida, eu sou Grace, mulher de Carrick. — ela fala e eu estendo a mão para lhe cumprimentar, mas ela me puxa para um abraço que eu aceito de bom grado. Em algum momento que não sei qual foi, alguém nos avisou que levariam o caixão para ser enterrado, saímos da grande sala logo atrás do caixão que estava sendo carregado por alguns seguranças.
Senhor Grey estava do lado direito de Grace com a mão entrelaçada na sua já no lado esquerdo de Grace estava o seu outro filho ele também estava de mãos dadas com ela e ao lado do Sr. Grey estava a outra filha de Carrick eles caminhavam logo atrás do caixão, Ana estava de mãos dadas com Molly e Emma, e ao lado dela seguia as outras netas e netos de Carrick, Teddy, Matt, Kate e o marido de Mia caminhavam logo atrás de Ana, e como sempre eu estava por último na fila da família e ao meu lado estava Tommy, meu querido e mais do que amado irmão, eu estava com o braço enlaçado no seu e atrás de nós podíamos ouvir choros e sussurros tristes dos outros parentes de Carrick, assim que chegamos na cova, desceram o caixão e o padre começou a falar, cada vez mais se ouvia choros mas tinha um que se ressaltava, era o de Grace, dei um passo à frente e pude ver ela se apoiando nos filhos para não desabar, quando o padre perguntou quem seria o primeiro a jogar sua flor e um punhado de terra, Grace levantou a mão rapidamente, a cena a seguir foi extremamente deprimente e triste, cambaleante Grace caminhou até o caixão e jogou sua flor, pegou um punhado de terra e jogou sobre o caixão, naquele momento um forte e alto soluço escapou de sua garganta e o choro veio logo depois Sr. Grey caminhou até ela e a levantou com delicadeza fazendo com que ela caminhasse de volta para onde estava, em seguida foi Molly, Mia, Elliot, Ana, Kate e o restante dos netos de Carrick, mas estranhei que Emma não tinha ido, quando dei um passo à frente criando coragem para jogar minha flor, um baque contra meu corpo fez com que eu quase caísse para trás, abri os olhos e vi que Emma me abraçava fortemente e suas lágrimas molhavam meu pescoço.
— Vamos até o caixão comigo? — ela pediu com certa dificuldade por conta dos soluços que saiam junto com o choro.
— Claro, vamos — lhe afastei levemente e peguei em sua mão, caminhamos até o caixão e jogamos nossas flores, abaixei-me junto com Emma e pegamos um punhado de terra, joguei no caixão e Emma repetiu meu gesto, a puxei para um abraço e sussurrei em seu ouvido:
— Lhe de um último adeus — ela concordou rapidamente com a cabeça e olhando para o caixão disse:
—Adeus, melhor avô do mundo, eu nunca vou esquecer dos nossos momentos, NUNCA! -e depois disso eu repeti seu gesto.
— Adeus Carrick, obrigada por me dar a chance de viver de verdade — dito isso nos levantamos do chão e caminhamos até a família Grey, quando começaram a tampar o caixão nos encaminhamos até os carros e seguimos para casa do Sr. Grey, quando cheguei na casa fui logo subindo as escadas com a intenção de pegar minhas roupas e ir embora, entrei no quarto guardei tudo que me pertencia e desci as escadas, estavam todos na sala.
— Sr. Grey, Ana, Eu já estou indo, muito obrigada pela hospitalidade e por deixarem eu ir ao enterro, e Tommy, você pode me acompanhar até o hotel que estou?! — quando acabei de falar, Emma me lançou um olhar que levei como "raivoso, magoado"
— Hanna, você não pode simplesmente ir embora assim, fique e jante com nós, depois decidimos o que faremos, tenho certeza de que vovô não iria querer que você se afastasse da família — esbraveja Emma se levantando e vindo até mim
— Mas, eu não quero ser incômodo, então acho melhor eu ir indo, e eu deixei meu trabalho sem nem ao menos avisar meu chefe — falo e vejo Matt dar um pequeno sorriso
— Hanna Carter, dessa casa você não sai e está decidido, e eu tenho certeza de que seu chefe não vai ficar nem um pouco irritado se você ficar aqui e mais uma coisa, nada de "Sr. Grey", pode me chamar de Christian — dessa vez quem se pronunciou foi o Sr. Grey e ele parecia estar falando muito sério.
—O-ok, eu fico...mas preciso ir até o hotel que estou hospedada para pegar pelo menos mais uma peça de roupa — droga, eu sempre tenho que gaguejar.
— Mas você só sai se prometer que vai voltar?! — Molly pela primeira vez no dia dirigiu a palavra para mim.
— Pode deixar que eu acompanho ela, e faço ela voltar nem que seja na marra, mas antes quem é seu chefe?! — Tommy sempre achando que tem poder sobre mim.
— Eu, eu sou o chefe da Hanna, e Matt é o subchefe — esclarece o Sr. Grey, Ou melhor Christian.
— Subchefe? -pergunto confusa
—É porque meu pai é dono da empresa na qual você trabalha, e quem comanda ela sou eu, então eu sou o subchefe — Matt me explica, estranho esse lance de "chefe" "subchefe"...
— Vamos? -Tommy me pega pela mão e me leva até o seu carro que devo dizer que é lindo.
— Maninho você escolheu bem o seu carro hein? — falo assim que me sento no banco do carona — Por falar nisso, você trabalha no que? -pergunto, afinal estou sem notícias dele a muito, muito tempo.
—Eu me formei na faculdade de arquitetura junto com Molly — quando ele acaba de falar abro um enorme sorriso.
Tommy sempre sonhou em fazer arquitetura e mal posso acreditar que meu maninho, meu capetinha e ao mesmo tempo anjinho realizou seu sonho, durante o caminho até o hotel fui contando todas as novidades para Tommy e ele me falando tudo que aconteceu desde que eu sai de casa, o que mais me chocou foi saber que minha mãe morreu, e admito com muita vergonha que fiquei um pouquinho feliz em saber que Robert meu padrasto morreu um mês depois que saiu da prisão, Tommy me contou que ele foi preso 2 anos depois que eu fugi, e minha mãe morreu em um acidente de carro um ano depois que Robert foi preso, o triste foi que Tommy ficou sem pai e sem mãe.
Assim que entramos na recepção do hotel eu vi quem eu menos queria ver hoje e sempre, me virei para o lado afim de pedir para Tommy me tirar o mais rápido dali, já que minha pernas pareciam gelatina e minha visão ficava cada vez mais turva.
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