Um Exemplo de Amor Verdadeiro.
1 Capítulo 1
Ah, enfim último dia de aula. O ano foi bem legal, minhas notas foram ótimas, muitas risadas... é, realmente valeu a pena, mas... parece que quanto mais eu desejava que Julieta me notasse, menos isso acontecia, ela talvez não entendesse as indiretas que os meus olhos transpareciam.
Imagino que ela me ache um idiota, afinal, não sei porque mas sempre fico estranho perto dela. Desajeitado, desastrado, e extremamente tímido.
Vejamos... Uma vez em que ela passava, fui tentar conversar e acabei derrubando todos os seus livros. A ajudei pegá-los, mas fiquei com muita vergonha. Outra vez, sem querer derrubei Coca-Cola em sua blusa . Fiquei tão desesperado, e não sabia o que fazer então eu ofereci minha blusa de frio.
Quando cheguei à sala de aula, a lousa já estava toda escrita, rabiscada e desenhada.
Sentei em um lugar que por sorte era bem a seu lado. Eu era bem amigo de Julieta, mas o que atrapalhava era a minha ansiedade, agonia. Na verdade eu não sei o que eu sinto. É uma mistura de tudo, mas por ela eu... Acho que era o que chamam de amor.
Era estranho porque eu nunca tinha sentido algo assim, que me sugava e que tomava conta dos meus pensamentos.
Não sei, mas todos dizem que o amor é lindo, mas até agora não vi nada de lindo. Só me fez sofrer! Como uma coisa linda, que todos dizem que é bom pode fazer alguém sofrer? Tomando as minhas definições para amor, era um sentimento que te faz sofrer e que te domina. Pronto. Assim eu me sinto a vontade quando dizem Amor.
Todos na sala de aula estavam felizes e animados. Fui conversar com os garotos.
De repente ela passa, e eu a olho e sinto o cheiro delicioso de seu perfume, que ganhara em seu aniversário, há duas semanas.
-Oi Julieta, tudo bem?
-Ah, olá Romeu, sim e você?
-Também.
-Você viu a nova música da sua banda preferida? Saiu o clipe.
Eu fiquei observando o jeito dela falar, o jeito como ela é, o jeito como ela meche as mãos quando está falando, e nem percebi que ela havia me perguntado algo.
-Hãn? Desculpe.
-Haha! Tudo bem. Eu perguntei se você viu o novo clipe da sua banda preferida que saiu ontem.
-Ah, eu vi sim! Você viu? Muito legal!
-Eu vi! É mesmo. Adorei aquela parte em que ele entra no carro e ela está lá, e então eles se beijam!
-É bem legal! É uma parte fofa, eu adorei também.
-Nossa Romeu, já te falaram que você é muito romântico?
-É?
-É, qualquer garoto por ai diria que o clipe foi chato porque dessa vez eles fizeram uma coisa mais romântica, ou fofa como você disse. Eu adoro meninos assim. Conquistam-me.
-Serio?
-Ah, qual garota não gostaria de um menino que a agrade e que seja romântico?
-ah.
Então eu me afastei um pouco e abri um sorriso estonteante. Encarei aquilo como uma indireta.
Acho que minhas teorias sobre amor começavam a mudar. Se bem que as pessoas se iludem com simples palavras ou abraços.
Então a professora de Matemática entrou e fez uma brincadeira chata, tanto que todos estavam conversando.
E eu fiquei admirando-a com os olhos brilhando, tentando fazê-la perceber de que eu realmente gostava dela.
Depois a professora de Português entrou e ficou falando sobre o ano que vem, e ninguém prestou atenção, porque era sem graça.
Enfim intervalo. Foi muito legal, ficamos ‘zoando’.
O professor de filosofia ficou filosofando, falando sobre a vida, mas na aula dele ninguém conversou porque um ‘pio’ que alguém falasse ele já colocava pra fora.
E a última aula não teve. A professora faltou.
O bom é que era sexta-feira e no sábado a noite tinha a festa de uma garota da escola. Todos iam, porque ela era extremamente legal.
Na festa brincamos de verdade ou desafio, e eu escolhi verdade e tive que dizer sobre Julieta, que eu a amava.
Depois a brincadeira continuou foi legal, na hora eu fiquei com vergonha, mas depois parecia que ela nem estava lá a hora que eu falei. Parecia tão normal.
Quando acabou o jogo, ela me chamou num canto e perguntou:
-Romeu, é verdade?
-Sim Julieta. –Abaixei a cabeça. – e corei em um vermelho intenso.
-É que...
-Que...
-É que eu também gosto de você Romeu. Desde o primeiro dia.
-O que?
-É, desde o primeiro dia de aula, que eu vi você, te achei bonitinho. Depois te conheci e vi a pessoa que você era. Acho fofo o jeito que se atrapalha quando esta perto de mim, o jeito que você é romântico, o jeito que você é fofo.
-Eu também... Eu gosto de você desde o primeiro dia de aula. Te achei linda e quando percebi como você era, meu coração batia forte quando eu te via, minhas mãos suavam e então eu me atrapalhava e até derrubei Coca-Cola em você.
-Ah, ainda essa história? Posso confessar uma coisa?
-Claro.
-Quando você derrubou Coca-Cola em mim, que você me emprestou sua blusa, eu adorei!
-Porque, você estava toda melada de Coca-Cola.
-Porque sua blusa tem o seu cheiro e eu adoro.
-Eu amo o cheiro do seu perfume Julieta.
-Me chame de Jú, se você quiser.
-Tudo bem, Jú.
-Então, Romeu... Eu... te amo.
-Mesmo eu não tendo tanto dinheiro, mesmo eu sendo ‘nerd’?
-Mesmo. Quem ama, ama com o coração e não com os olhos.
-Eu também te amo Jú. Quer... Namorar comigo?
-Por que, não?
Então levemente senti meus lábios se encostando aos dela, iniciando então um beijo.
Agora sim! Minhas teorias sobre amor tinham mudado completamente. Realmente é o que dizem. Mas completando: O amor é bom quando é correspondido, caso contrário é um poço de lágrimas que se forma em nossos corações estilhaçados.
Uma semana depois, Julieta me chamou para passear no parque, porque ela queria me dizer algo.
Quando nos encontramos no parque nos beijamos e nos cumprimentamos, até que ela disse:
-Romeu...
-Sim, minha querida Julieta.
-Tenho uma notícia não muito agradável.
-Ai Meu Deus... diga, meu amor.
-Meu pai... Ele não quer aceitar nosso namoro.
-Por quê?
-Porque ele acha que eu tenho que me casar com um ”príncipe” de família nobre.
-Ah... –abaixei a cabeça. -
-Romeu, você sabe que não sou eu. Eu te amo, e não ligo se você tem ou não muito dinheiro, você sabe que eu te amo pelo o que você é e não pelo o que você tem.
-Mas... Então eu vou falar com ele.
-Não! Isso só vai piorar. Você é uma pessoa tão boa. Ai, eu não quero terminar tudo, eu gosto de você.
-Por isso mesmo! Vou falar com ele, segundo você, eu sou uma pessoa tão boa! Se eu provar pra ele que eu posso te fazer feliz, pelo o que eu sou ainda podemos ficar juntos.
-Será que ele vai entender?
-Eu vou tentar.
-Vamos pra minha casa então.
No caminho fomos conversando e rindo.
Quando chegamos, ela me apresentou a ele:
-Papai, esse é Romeu. Meu namorado, e o menino que eu AMO!
-Ah, é esse ai?
-Sim.
-Julieta querida, vá para o seu quarto para eu conversar com o garoto.
-Está bem papai.
Eu percebi que ela foi subindo as escadas agoniadamente.
-Então garoto, o que quer com a minha Julieta?
-Boa tarde, Senhor. Eu vim pedir pra que me deixasse namorar com sua filha. Eu a amo, e estou lutando pelo nosso amor desde o começo do ano.
-Haha. Amor. As pessoas não se casam por amor, e sim por acordos. Você não é de uma família nobre, então...
-Mas, por favor, Eu posso deixar sua filha feliz, eu posso dá-la todo amor que ela precisa...
-Não!
-Mas...
-Por favor garoto, não insista.
-Posso... me despedir dela?
-Pode.
Subi as escadas com lágrimas nos olhos e quando abri a porta do quarto dela, a vejo deitada no chão com um copo de vidro quebrado e um comprimido na outra mão dela.
Quando a toco, ela está gelada e a primeira coisa que veio em minha cabeça foi pegar o outro comprimido, e um copo d água...
Deitei-me ao lado de Julieta, no chão, e tomei o comprimido.
Lá fomos muito felizes, num mundo sem preconceitos e sem se importar com dinheiro, fama e sucesso.
Num mundo lindo, construímos um amor forte e que até hoje dura, basta você, leitor, olhar para o céu à noite e ver as duas estrelas mais brilhantes.
As duas estrelas mais brilhantes, somos nós dois... O nosso amor.
Fale com o autor