Um Dia Normal Na Vida Dos Winchester

3 Capítulo 3 - “E o sossego acaba”


[Sam]


Depois de uma longa viagem ate Jericho finalmente tínhamos chegado. A viagem tinha sido feita num completo silêncio. O Dean dizia que estava tudo bem, mas eu sabia que ele só dizia isso para não puxar discussão. Já conhecia o Dean muito bem e o assunto da Joanne tinha-lhe ficado preso na garganta, mais cedo ou mais tarde a bomba iria cair… Mas quanto mais tarde melhor, até porque se fosse agora eu nem saberia muito bem o que lhe contar… É tudo muito relativo, reduzido… Não tenho nada palpável para lhe contar. Só lhe daria mais razão.


[Dean]


Muito bem, tinhamos chegado. Cinco horas de viagem. Ainda não sabíamos muito bem com o que iriamos lidar, mas este era o nosso ponto de partida.

–Muito bem, a dois dias atrás, um amigo do nosso pai, Joseph, ligou-nos, a pedir para ficarmos com este caso, que estava com poltergheisters ate ao pescoço. Disse-nos para tratarmos da Mrs. Whitefield. – Expliquei a Sam.

–Onde mora? – Perguntou-me.

–Ele falou-me em qualquer coisa Rue Little Nº286

–Ok.

Fomos até à Rue Little e paramos a frente da entrada do Nº286. Estávamos já vestidos de fato (terno), prontos para termos que criar alguma alternativa. Não sabíamos se a Mrs. Whitefield conhecia o joseph.

Tocamos a campainha e uma cinquentona abriu e ficou a olhar para nós.

–Oui?

–Ahhh, conhece o Sr. Joseph?

–Monsieur Joseph… Oui, oui!- respondeu olhando a volta. – Entrez, entrez! – Puxando-nos para dentro.

Olhei para Sam, e vi que ele também estava a olhar para mim com aquela cara (Cara, o que é que se está a passar?).

Do nada são molhados com água (agua benta). Viramo-nos para ela espantados.

–Desculpem – o sotaque dela tinha mudado completamente. Enquanto na porta tinha um sotaque a fugir para o francês ali falava perfeitamente português – Nestes tempos todo o cuidado é pouco – continuou – presumo que sejam Sam e Dean Winchester.

–Ahh, exactamente – respondeu o sam. Ainda não tinhamos percebido muito bem o que se tinha passado.

– Sentem-se – disse apontado para os sofás, na sala de estar. Começaram a andar para a sala – conheço o Joseph a alguns anos, devo dizer que já me salvou a vida muitas vezes. Mais vezes do que as posso contar – Senta-se no cadeirão à frente ao sofá onde os dois irmaos se tinham acabado de sentar. – O outro dia fui atacada por um pequeno grupo de demónios. Consegui tomar conta deles mas, o Joseph é que é um caçador, eu só sei como me proteger, por isso decidi chamar por ele, e ele disse que iria falar com vocês.

–Você disse: demónios?! – Perguntei.

–Sim, é assim tão estranho para si? – Perguntou quase que desafiando-me.

–Não, nem por isso… Quantos disse mesmo que eram? – Continuou o Sam.

–Quatro.

– E você tomou conta deles sozinha? – Perguntei surpreendido

–Sim, não é assim tão difícil.

Soltei uma gargalhada. “Não é assim tão difícil”? Estava a brincar comigo, só podia.

–hahaam. – Interveio o Sam calcando-me o pé – E sabe porque eles vieram atrás de si?

Mrs. Whitefield fez uma longa pausa. Uma pausa que eu não gostei. Normalmente quando alguém faz isso ou é para arranjar uma desculpa ou porque é uma coisa muito má.

–Bem, não vale a pena esconder nada – disse ela por fim – Eu sou um Sypris.

–Um quê?! – Dissemos eu e o Sam em uníssono.

–Um Sypris. Como hei de explicar… Quando Lovecroft abriu um portal do purgatório a Ellie, vocês já a conheceram, não foi a única a escapar. Pedi-lhe segredo e então ela ficou como a única criatura que escapou.

–Mas isso não explica porque andam demónios atras de si – comentei.

–Bem pelo contrário – contrariou-me o Sam. – O Crowley queria abrir o purgatório e para isso precisava de sangue de uma criatura de lá e como a Ellie morreu quando o Castiel abriu o Purgatório utilizando o sangue dela…

–O Crowley quer agora usar o seu. – Acabei a frase de Sam.

–Exato! – Disse ela – Bem pelo menos são rápidos de raciocínio, menos mau…


[Sam]


Eu já tinha lido em algum lado qualquer coisa sobre Sypris. Tinha a certeza de que já. Só não me conseguia lembrar. Oh Deus, como eu me queria lembrar. Ela podia ser qualquer coisa. Olhei de relance para o Dean e percebi que a coisa que ele mais queria fazer naquele momento era mata-la. Sei como ele é em relação a monstros. Até eu lá no fundo queria mata-la. Sendo uma criatura do purgatorio, boa coisa não era, quase de certeza. Mrs. Whtefield (será esse o seu nome?) pareceu ler-me os pensamentos.

–tenham calma, eu sei que vocês devem estar de pé atrás comigo, mas estejam sossegados, eu não vos vou atacar…. Ate porque vocês não fazem parte da mnha alimentação – Disse rindo-se na última parte mas nem eu nem o Dean ficamos mais alviados.

Vi que o Dean se levantou e se dirigiu para a janela.

–Então, o que é que vamos fazer a seguir? – Perguntei eu por fim.

–Ei, Sam! – Chamou-me o Dean com cara de panico – Vem cá ver isto!

Aproximei-me da janela e quando vi percebi o porquê do Dean estar apavorado: Uma nuvem de fumo negro vinha em direcção à casa onde estávamos. Olhamos um para o outro e perguntamos ao mesmo tempo a Mrs. Whtefield:

–Mrs.Whitefield, você tem uma cave?

–Oh claro claro. Sigam-me. Esta tudo bem? – Perguntou inocentemente. Ainda não tnha reparado na nuvem que vinha.

–Está – respondeu o Dean despachando a conversa. – Temos que ir para lá, depressa!

Levou-nos para a cave, que era do mesmo tipo que a antiga sala de pânico da casa do Bobby. Entramos e fechamos a porta atras de nós.

–Será que toda gente tem uma sala de pânico menos nós? – Perguntou Dean com um sorriso trocista. Olhei para ele com aquela cara de “agora não, Dean!”. Ele percebeu a ideia.

–Ah, Mrs. Whitefield…-comecei eu

–Oh, trate-me por Sophie. – Interrompeu ela.

–….Sophie, tem alguma ideia de como sair daqui?

–A única entrada e saída esta naquela porta – respondeu-me apontando para a porta. Dean estava coscuvilhando uns papéis.

–Maravlha – disse eu num suspiro.


[Dean]


Ora, ora. Um Sypris com uma sala de pânico! Essa era nova para mim… Ainda nem sabia o que era um Sypris e já estava fechado com um numa sala feita de ferro coberto com sal… Nada mais normal… Eu bem disse que só precisávamos de vir amanha…

Estive a ver aqui uns papéis e vi coisas bem interessantes. A Sophie tem seguido esta história de abrir o Purgatório do Castiel e do Crowley bem de perto.

Eu não confiava nela… Por mais meiga que ela parecesse, não passava de um mostro. Um monstro que vamos ter que matar muto provavelmente.

De repente lembrei-me que mais valia ser o mais inconveniente possível.

–Não quero ser indelicado nem nada do género, mas se você é um sypris, que deve se alguma coisa muito poderosa com certeza, porque não mexe esse rabinho daí e nos tira daqui – atirei para a Sophie.

–Dean! – Interveio Sam arregalando-me nos olhos.

–Não, é verdade Sammy. Se a Sophie se diz ser um Sypris; uma coisa que eu nunca ouvi falar; porque não nos tira daqui?

–Desculpe? – Perguntou Sophie indignada – mas está-se a passar alguma coisa?

–Esta! Tem a casa cercada de demónios, é o que se esta a passar! – Disse o mais indelicadamente possível.

Percebi que Sophie estava ofendida. Levantou-se da cadeira onde se tinha sentado quando chegaram à sala de pânico, e aproximou-se de mim de maneira ameaçadora.

–Você, sua formiguinha insignificante, mostre-me algum respeito! – Rugiu ela.- Tem noção sequer da idade, do poder que eu tenho? Devia esmaga-lo aqui e agora, sua amostra de vida!

Sam tinha ficado quieto num quanto. Eu estava agora quase encostado a parede a olhar olhos nos olhos a Sophie. Ela estava com um olhar incrivelmente assustador, para dzer a verdade, mas eu não ia vergar. Não agora.

–Talvez eu seja uma formiguinha insignificante, ou até uma amostra de vida, mas faço alguma coisa de jeito em vez de ocupar espaço- respondi e avancei um passo em frente quase tocando com o meu nariz no nariz dela. Estávamos demasiado perto, e receava que ela me projecta-se contra a parede. Olhei para o Sam e ele estava simplesmente sem reacção.

–Você quer que eu faça alguma coisa de jeito? – Perguntou-me ela quase que num desafio. – Eu faço alguma coisa de jeito. – e projetou-me como eu esperava contra a parede e cai inconsciente na parede.

–Dean! – Gritou Sam.