Um Dia
1 Um dia no covil
Um homem mascarado vestido de preto em meio à quase escuridão, cercado por suas leais borboletas que levam o mal para onde ele ordenar... um cenário tétrico para muitas pessoas, tão apropriado para essa época do ano...
Mas não para ele. Hawk Moth se sentia estranhamente confortável em seu covil, de onde ele podia puxar algumas cordas e manipular pessoas para fazer exatamente o que ele quisesse. Pelo menos em teoria, já que muitos akumatizados teimavam em não obedecer.
Bom, de qualquer forma, toda ajuda era válida. A cada vilão, a cada akumatização, ele dava um jeito de descobrir mais e mais sobre os heróis de Paris.
—Heróis... – a palavra desce amarga pela garganta. – Eles realmente se acham heróis? São tão perdidos em suas brincadeiras, tão envolvidos em sua inocência que não percebem o quanto não passam de peças em um tabuleiro de xadrez, peões que se sacrificam cegamente pelo seu rei. – Hawk Moth pensava ao se aproximar de sua grande janela, que se abriu para revelar a ele um céu estrelado com uma lua cheia que certamente o representava nesse momento.
—E o rei SOU EU!
O poder absoluto seria dele! Seus desejos se concretizariam. Em breve...!
Por quais provações aqueles jovens tolos teriam passado, afinal? Saberiam eles o que é o sofrimento, o que é a dor, o que é a perda? Alguma vez já teriam experimentado a dor da traição, da rejeição? Ele tinha experimentado. E ela – ele acariciou a foto de sua esposa – o havia curado. Para quê? Ele fechou a mão com força. Agora conhecia uma dor pior que as demais. A da perda de metade de si mesmo. Se ele nunca mais a visse...
NÃO! Se recusava a deixar o pânico tomar contar de si. Isso não vai acontecer! Ele tornará a vê-la, tornará a beijá-la, tornará a ser inteiro. Como uma borboleta que retorna a ele depois de purificada, ela voltará. E ele nunca mais a deixará sair. Cuidará dela com todo o amor e dedicação, afagará seus cabelos e lhe dirá sobre como cuidou tão bem de Adrien, mesmo que o filho se mostre rebelde e até mesmo um pouco ingrato de vez em quando. Mas tudo isso passará. E eles serão a família perfeita.
E não são dois adolescentes que vão impedi-lo! Ele vai tomar aqueles Miraculous. À força. Há muito tempo ele descobriu que não se pode confiar em ninguém, muito menos demonstrar fraqueza. Se ele pedisse, iriam entregar a ele? É claro que não! Todos estão preocupados de mais consigo mesmos.
Em um mundo tão egocêntrico, ele era apenas o perfeito profissional, o perfeito pai, o perfeito marido. Podia ser que Adrien não visse isso agora, mas veria um dia.
Ladybug e Cat Noir também.
Um dia.
Notas finais
Talvez vire uma série com vários capítulos sobre Gabriel e sua esposa, a infância de Adrien, etc. Vocês gostariam?
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