Um Destino A Dois
20 O resgate
Notas iniciais
Espero que gostem! ; )
Já era quase meia-noite quando os X-Men deixaram a mansão dos ladrões rumo ao território do clã dos assassinos. A equipe dos X-Men também foi acompanhada por Henri e seu filho Etienne, Emil e mais um grupo de cinco ladrões. O plano parecia simples: um ataque surpresa durante a noite. Cada minuto seria precioso para o sucesso no resgate de Remy.
Eles partiram para a sede de lancha, pois, segundo Henri, o X-Jato seria facilmente identificado pelo sistema aéreo dos assassinos. Após sugerir o transporte, Henri cedeu a liderança para a Vampira. Já que ela tinha absorvido as informações do assassino no bar, Vampira, agora, era a pessoa que mais conhecia aquela região. Vampira estava destemida, e totalmente determinada a salvar o seu amado (apesar de ela não saber qual será o seu destino após o resgate).
Após quase meia hora navegando por um extenso lago, eles finalmente começaram a entrar no território dos assassinos.
– Nós praticamente já chegamos – Disse Vampira, que em seguida fez um gesto para a Tempestade.
Assim que entendeu o recado, Tempestade usou os seus poderes para criar um intenso nevoeiro na região.
– Obrigada, Ororo! Acho que os assassinos terão dificuldades para nos verem.
– Vocês não acharam uma coisa estranha? – Disse Wolverine, que estava encostado em um dos lados da lancha.
– O quê? – Vampira não entendeu a pergunta de Logan.
– Até agora não tivemos um pedido de resgate, sendo que já faz três dias que o Cajun foi seqüestrado.
– O que você está querendo dizer com isso, Logan? – Tempestade também começou a se preocupar.
– Ele já pode estar morto? – Pete optou por tirar uma conclusão mais precipitada.
– Non! Os assassinos jamais matariam Remy – Etienne preferiu intervir na conversa enquanto acendia um cigarro.
– Como pode ter tanta certeza disso? – Disse Wolverine.
– Porque Belladonna nunca permitiria isto!
Vampira começou a entender o que Etienne queria dizer, mas preferiu não se manifestar. Um sentimento de tristeza mesclado com ciúmes começou a surgir em seu coração.
– Pensei que ela estaria zangada por ter sido abandonada após o casamento – Disse Logan.
– Ouí! – Emil entrou na conversa — Isso foi quase 20 anos atrás. Belladonna não se esqueceu disto, mas não irá se revidar usando métodos tão drásticos.
– O que você acha que ela fará com o Gambit? – Tempestade começou a ficar confusa.
– Uma reconciliação, talvez... Por isso acho que é uma perda de tempo arriscar as nossas vidas aqui!
Assim que ouviram a última fala de Emil, todos olharam discretamente para Vampira. Ela já tinha compreendido que Belladonna queria reatar com Gambit. E como sempre, Vampira preferiu disfarçar a sua frustração.
– Então por que o Gambit e a Belladonna não se manifestaram até agora? – Perguntou Logan.
– Esta é a questão e a nossa maior preocupação – Disse Henri que acabara de se aproximar.
– Remy não está lá por conta própria – Vampira, enfim, disse alguma coisa – Eu não consegui ver direito, mas ele parecia estar ferido naquela cama.
Todos olharam para a Vampira e consideraram a sua suposição.
– Em breve descobriremos o que está acontecendo, mas agora precisamos ter cuidado! Esta área está repleta de armadilhas – Vampira saiu de seu posto e foi para a cabine da lancha.
Assim que Vampira se lembrou das armadilhas escondidas no lago e nas árvores, ela começou a guiar o capitão da lancha, fazendo com que se desviasse dos perigosos obstáculos.
– Vire para a esquerda, aquele é o caminho seguro. Naquela outra direção há bombas submersas na água – Vampira apontava para o lago.
– Comme vous voulez, mademoiselle! – Respondeu o comandante.
Os flashes das memórias do assassino sempre surgiam na mente de Vampira. E assim, ela permaneceu o resto do percurso orientando o capitão. Assim que passaram pelas armadilhas, eles, finalmente, puderam ver uma imensa mansão por trás da névoa.
– Nossa! Esta é a sede dos assassinos? – Bobby olhava perplexo para a mansão.
– Ela é tão grande quanto à do instituto! – Disse Kitty.
– O que devemos fazer agora, Vampira? – Perguntou Tempestade.
– Temos que desembarcar agora. Há um lugar seguro não muito longe daqui – Disse Vampira enquanto saía da cabine de comando – Agora, teremos que ser mais cuidadosos. Além das armadilhas, há muitos guardas e câmeras de segurança por aqui.
– É melhor você reforçar este nevoeiro, Tempestade – Disse Logan.
Ao ouvir a sugestão do amigo, Tempestade fez com que o seu nevoeiro ficasse mais intenso, fazendo com a vista da mansão desaparecesse. Em seguida, Vampira voltou a guiar a lancha até que achou um lugar seguro para todos desembarcarem. Assim que pisaram em terra firme, todos já se prepararam para o ataque.
– Ok, a hora é agora! – Vampira assumia a liderança.
– Cuidado! Há mais ou menos quatro pessoas bem próximas daqui! – Logan farejava algo.
– Eles já sabem que estamos aqui? – Perguntou Tempestade.
– Eu acho que não. Mas dificilmente eles vão conseguir nos ver com este nevoeiro.
– A nossa meta agora é escapar das câmeras de vigilância – Disse Vampira – Temos que dar um jeito de destruí-las até chegarmos aos guardas.
Sendo assim, não demoraram muito para que os X-Men junto com os ladrões iniciassem o percurso até a porta frontal da mansão. Quando estavam quase concluindo a rota, eles fizeram uma pausa.
– Esperem! – Vampira parou de repente, quando uma imagem de duas câmeras surgiu em sua mente – Estão naquela árvore!
– Deixe isso comigo! – Bobby passou à frente. Com os seus poderes, e também tomando todo o cuidado, ele congelou as duas câmeras.
– Muito bem, Bobby! – Vampira sorria.
– Não comemore muito! – Henri apontava para três guardas em meio à névoa.
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Enquanto isso, no interior da mansão dos assassinos, um homem voltava para a sala de vigilância com uma xícara de café. Assim que chegou lá, ele reparou que duas câmeras de segurança externa haviam sido desativadas. Ele estranhou e, de repente, mais quatro câmeras também perderam o sinal.
Imediatamente, ao ver a estranha situação, ele pegou o seu walkie-talkie.
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Lá fora da mansão, dois guardas estavam vigiando atentamente em meio àquele nevoeiro.
– Este nevoeiro está muito estranho – Comentou um dos guardas.
– Daqui a duas semanas já começa a nevar. Não há nada de estranho nisso – O outro guarda respondeu.
De repente, o diálogo entre os dois foi interrompido por uma chamada em seus walkie-talkies.
– Algum problema, Gaspar? – Disse um dos guardas ao walkie-talkie.
– Duas câmeras a noroeste foram desativadas, e agora perdi o sinal de mais quatro próximas daí. Eu quero que vocês dois dêem uma olhada nisso – Disse a voz do outro lado da linha.
– Ouí! Estamos indo lá! – Assim que receberam a ordem, os dois guardas se separaram e foram em direção às câmeras.
Quando um dos homens chegou ao local, ele viu que duas câmeras estavam cobertas por uma grossa camada de gelo.
– Mas o que é isso? – Disse ele com um olhar intrigado.
Quando ele ia tocar em uma das câmeras, um barulho vindo de trás o chamou atenção. Ele se virou imediatamente, preparado para atirar. Ele ficou observando o local por alguns instantes, mas nada apareceu. No entanto, quando voltou a olhar para as câmeras, ele foi surpreendido por Wolverine, que havia pulado da árvore para cima dele, o atacando imediatamente. O guarda foi facilmente derrotado.
Enquanto isso, o outro guarda foi verificar as outras câmeras. Chegando lá, ele as encontrou totalmente destruídas. Logo, ele chegou à conclusão de que a propriedade estava sendo invadida. O guarda pegou o seu walkie-talkie. Mas quando se virou, ele foi atingindo por um forte soco, caindo desmaiado imediatamente. Colossus havia o nocauteado.
– Era disso que todos tinham medo? – Colossus zombava enquanto via o guarda desmaiado. No entanto, a sua diversão desapareceu quando ouviu um ruído do walkie-talkie do homem.
– Louis, o que está acontecendo? Você pode me ouvir? – Dizia a voz.
– Droga! – Disse Colossus consigo mesmo e, em seguida, saiu apressadamente para se encontrar com os outros X-Men.
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O vigia da sala de segurança logo descobriu que alguma coisa errada estava acontecendo lá fora, e não perdeu tempo para tomar as devidas providências.
– Preciso de reforços lá fora! Cerquem a mansão! – Disse Gaspar ao walkie-talkie.
– Há alguma coisa errada? – Disse Belladonna, que acabara de chegar à sala.
– Eu creio que a propriedade esteja sendo invadida.
– Então eles finalmente apareceram? – Belladonna dizia com um grande sorriso estampado em seu rosto.
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– Droga! Eles já sabem que estamos aqui! – Disse Bobby após ouvir a notícia do Colossus.
– E pelo visto eles já estão nos esperando – Kitty apontava para um grande grupo de homens que cercava a porta da mansão.
Bobby, Kitty, Vampira, Colossus e Tempestade estavam escondidos atrás de um grande arbusto, aproximadamente a uns 100 metros de onde os guardas estavam.
– O que faremos agora? – Kitty parecia assustada.
– Acho que agora é a hora de atacarmos! – Vampira não pensou duas vezes para dar a ordem.
Tempestade, imediatamente, avisou Logan (que no momento estava com os ladrões) pelo seu comunicador que já era o momento para atacar.
Ao receber a ordem, Logan e os ladrões começaram a se mover em direção aos guardas.
– É agora!
Devido ao forte nevoeiro, os guardas estavam ainda mais atentos e armados. De repente, o grupo ouviu um grito vindo de um de seus homens, mas ninguém conseguiu ver nada. Em seguida, barulhos de corpos caindo se tornaram constantes, até que todos descobriram os invasores. Wolverine, com o seu faro apurado, se locomovia e atacava facilmente pela névoa. Os guardas começaram a atirar, mas nenhum ataque surtia efeito em Wolverine. Assim que começou o tiroteio, os ladrões largaram as suas facas e também começaram a atirar.
– C'est une attaque! Nous avons besoin de renforts! – Disse um homem ao walkie-talkie enquanto estava caído. Mas de repente, os seus olhos arregalaram quando avistaram um imenso homem de metal surgindo entre a névoa, caminhando em sua direção.
No momento exato em que Colossus surgiu, cinco homens saíram pela porta da mansão com pesadas metralhadoras em mãos. Os homens atiravam sem piedade, mas nada acontecia com Colossus. E outra surpresa foi que o Homem de Gelo surgiu de repente por de trás de Pete, com o seu corpo totalmente blindado por gelo. Imediatamente, Bobby congelou todas as metralhadoras nas mãos dos assassinos.
– Vampira, Kitty, AGORA !!! – Bobby gritou.
Assim que ouviram o amigo, Vampira e Kitty emergiram abraçadas do chão, e em seguida, saíram correndo em direção aos assassinos. Pete e Bobby continuaram dando cobertura às garotas, e agora com a ajuda de Tempestade que tinha acabado de chegar.
Os assassinos não acreditaram que as duas garotas estavam tentando um ataque direto contra eles. Já que suas metralhadoras não funcionavam, eles sacaram os revólveres e começaram a atirar. No entanto, nada parecia atingir Kitty e Vampira. E de repente, as duas atravessaram os assassinos, e conseguiram entrar na mansão. Os guardas não acreditaram no que aconteceu, mas agora estavam muito ocupados com os outros X-Men para as impedirem.
Assim que Vampira entrou na mansão, imagens dos corredores surgiram em sua mente.
– Por ali! – Vampira apontava para a escada.
Kitty e Vampira subiram as escadas às pressas. No entanto, no primeiro corredor, mais assassinos apareceram. Assim que os avistou, Kitty puxou Vampira para dentro de uma parede, e em seguida, elas ressurgiram por de trás deles, os nocauteado de surpresa.
– Vamos rápido! Remy não está muito longe! – Vampira começou a se desesperar. Ela continuou correndo pelos corredores, seguida por Kitty.
Após se esquivar de todos os obstáculos, Vampira, enfim, reconheceu a porta de um quarto.
– É aqui! – Sem perder tempo, Vampira arrombou a porta.
Assim que entrou no quarto, Vampira avistou um homem deitado na cama, conforme tinha visto nas memórias do assassino. Ela foi até ele, e o virou delicadamente para ela.
– Remy! – Vampira ficou feliz por tê-lo encontrado, mas também se assustou ao ver o seu estado.
Remy tinha alguns arranhões em sua testa, e também havia sofrido alguns cortes pelo corpo, além de um tiro na perna esquerda.
– O que fizeram com você? – Vampira segurava o rosto dele.
– Marie...! – Remy abriu os olhos levemente, mas os fechou em seguida.
– Remy, por favor, acorde! Sou eu, Vampira! – Vampira o beijou suavemente em seus lábios – Meu Deus! Você está se queimando em febre!
– Vampira, nós temos que sair daqui rápido! – Disse Kitty enquanto vigiava a porta.
Vampira se virou novamente para Gambit, e começou o levantar delicadamente.
– Remy, se segure em mim!
De repente, Vampira ouviu Kitty gritar. Quando se virou, Kitty estava desmaiada no chão.
– Então você finalmente decidiu aparecer, chèrie!
Vampira levantou a cabeça e se deparou com Belladonna na porta do quarto. Vampira ficou sem fala. Ela definitivamente foi pega de surpresa, apesar de que já estava estranhando o fato de que Belladonna ainda não tinha aparecido até o momento.
– Eu até cheguei a pensar que você tinha deixado o Remy só pra mim! – Belladonna provocava.
– Eu sabia que você estava por trás disso! O que você quer com ele?
– Nós vamos apenas terminar o que deixamos para trás!
Vampira começou a se irritar com as provocações. Ela deitou Remy novamente na cama, e se levantou.
– Você é maluca! Se você realmente o amasse jamais o machucaria!
– Os meus homens não tiveram escolha. O Remy sempre optou pela forma mais difícil, ele sempre gostou de um bom desafio... Como você!
Vampira entendeu o que Belladonna queria dizer. De alguma forma, ela sabia sobre o seu relacionamento com o Remy.
– Eu sei tudo sobre você e o Remy, Vampira! Você é apenas mais uma diversão na vida de Remy. Mas ele sempre amou apenas uma mulher! — Belladonna mostrava uma aliança em seu dedo.
Vampira continuou em silêncio. Ela pôde perceber que Belladonna era uma mulher descontrolada, mas as suas palavras começaram a lhe afetar.
– Eu vou dar uma chance a você e aos seus amigos. Saiam daqui agora e não se intrometam mais em meu casamento! – Belladonna dizia firmemente.
– Eu nunca vou sair daqui sem o Remy! – Vampira cerrou os punhos.
– Remy não vai a lugar nenhum! Ele está sob os efeitos dos medicamentos. Se você realmente se preocupa com o bem-estar dele, então o deixe aqui!
– É o que vamos ver! – Vampira já se preparou na posição de combate.
Sem perder tempo, Belladonna foi para cima de Vampira, que conseguiu se esquivar a tempo, dando uma rasteira. Ela percebeu que aquele quarto não seria apropriado para um combate, então ela pensou em um jeito de tirar Belladonna de lá.
Belladonna, ainda no chão, tirou uma faca de dentro de sua bota e a atirou na direção de Vampira. Vampira conseguiu se desviar por pouco, fazendo com que a faca se encravasse na parede do corredor. Em seguida, Belladonna se levantou imediatamente, saltando-se contra Vampira.
As duas começaram a lutar pelo corredor. Vampira, apesar de estar um pouco fora de forma, era forte. No entanto, Belladonna era tão forte quanto ela. A luta estava equilibrada, ambas conseguiam neutralizar todos os golpes. De repente, quando as duas estavam se empurrando uma a outra, Belladonna retirou mais uma faca de sua roupa, e golpeou Vampira em sua barriga. Vampira pôde perceber o ataque, mas não conseguiu se esquivar totalmente. Ela recuou, segurando o local de seu ferimento. Belladonna foi para cima dela novamente, mas agora com duas facas. Imediatamente, Vampira ignorou a dor, e segurou os dois braços de Belladonna antes que ela pudesse atacar novamente. Vampira a chutou com os dois pés, dando uma cambalhota no ar em seguida. Belladonna, enquanto estava caída no chão, percebeu que havia uma espada pendurada na parede ao seu lado. Ela se levantou e pegou a espada, indo para cima de Vampira novamente.
Vampira engoliu seco quando viu a espada. Além de grande, parecia ser extremamente afiada. Agora, a sua única saída era se esquivar dos golpes de Belladonna. Vampira recuava e desviava de todos os ataques da espada. Ela não queria usar os seus poderes, mas parecia que ela não tinha mais escolha naquela situação. No entanto, Belladonna, com aquela espada, não permitia que Vampira se aproximasse dela. De repente, Vampira tentou segurar o braço de Belladonna que empunhava a espada. Mas Belladonna foi mais rápida, conseguindo soltar o seu braço, e também cortou levemente o braço de Vampira.
Vampira gritou e se ajoelhou no chão, retorcendo de dor. A lâmina daquela espada era realmente poderosa. Mas quando Vampira conseguiu se recompor, Belladonna a acertou com um chute debaixo do queixo. Vampira voou pelo corredor, e quando atingiu o chão, ela tentou não desmaiar. Em seguida, quando ela começou a se levantar lentamente, Belladonna cortou a suas costas. Vampira deu um forte grito e voltou a se contorcer pelo chão.
– Eu não tinha planos para te matar, Vampira. Mas eu vejo que agora não tenho mais escolha! – Belladonna empunhou a espada para dar o golpe final em Vampira.
No entanto, quando ela ia mergulhar a espada nas costas de Vampira, Belladonna foi atingida por de trás. Algo explodiu em suas costas, fazendo-a cair ao lado de Vampira. Belladonna, enquanto tentava se levantar, se virou para trás e teve uma terrível surpresa.
– Remy !?
Gambit tinha acordado e, apesar de seus ferimentos, conseguia ficar de pé.
– Bèlle, já basta! – Remy parecia nervoso enquanto se apoiava em uma parede.
– Remy... Você... Me atacou! – Belladonna não acreditava. O seu amado a atacou para defender outra.
– O que você pensa que está fazendo? Ficou maluca? – Disse Remy enquanto caminhava com dificuldade.
– Remy... Esta, esta, esta sedutora estava te impedindo de voltar para casa, de voltar para mim! – Belladonna se levantou e se aproximou de Remy.
– Bèlle, por favor, me ouça! – Remy segurou delicadamente o rosto dela – Eu sinto muito, mas não pode haver mais nada entre nós.
– Você está enfeitiçado por esta mutante! – Belladonna retirou a mão dele de seu rosto – Por favor, Remy! Não me deixe de novo!
– Eu não pertenço à Nova Orleães mais... Eu amo a Vampira, e não vou permitir que você a machuque! – Gambit se afastou, se preparando para um possível ataque, apesar de suas péssimas condições.
O amor que Belladonna sentia por Remy se transformou rapidamente em um imenso ódio. Não aceitando a rejeição, ela pegou a sua espada e se preparou para partir para cima dele. No entanto, antes que ela pudesse fazer alguma coisa, Vampira a atacou por de trás, segurando o seu rosto com as duas mãos sem luvas.
Belladonna começou a gritar, assim como Vampira. Ela relutava, mas Vampira continuou a segurando fortemente. Enquanto as duas se rebatiam, Vampira começou a sentir os sentimentos de Belladonna, e começou a enxergar as suas doces memórias que tivera com Remy no passado. Vampira pôde ver dois jovens alegres em um piquenique, e em seguida, ela viu os mesmos jovens se beijando loucamente em uma cama. Vampira queria parar de ver isso, mas as suas mãos não se soltavam do rosto de Belladonna.
– Vampira, pare! – Remy gritou diante da situação.
Vampira não conseguia se soltar até que Belladonna caiu totalmente inconsciente no chão. Vampira começou a se debater. Aquelas visões e memórias perturbavam fortemente a sua mente.
– Vampira! – Remy correu na direção dela e a segurou pelos braços.
Ela estava descontrolada, e permanecia de olhos fechados, tentando fugir daquelas intensas memórias e sensações.
– Vampira! Vampira! Por favor, se acalme! – Remy a sacudiu levemente, e colocou o rosto dela entre as suas mãos.
Ao ouvir a voz dele, Vampira finalmente abriu os olhos, mas as lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto.
– Remy!
– Eu estou aqui, chérie! – Gambit a abraçou fortemente.
Apesar do forte abraço, Vampira tremia muito. Ela jamais tinha sentido emoções tão fortes como as de Belladonna. Além disso, ver o seu amado com outra mulher (apesar de ter sido em memórias) foi muito brutal para os seus sentimentos.
– Remy, eu a matei! – Vampira olhou para ele desesperadamente.
Gambit se assustou ao ouvir a declaração de Vampira. Ele se virou e olhou para o corpo de Belladonna caído no chão. Em seguida, Gambit foi até ela e tocou em seu pescoço.
– Non! Ela só está inconsciente – Remy encarava Belladonna com um olhar entristecido. Apesar da loucura, Remy não queria que as coisas entre ele e Belladonna tivessem terminado daquele jeito. Aliás, o que aconteceu entre eles no passado realmente havia significado alguma coisa para ele.
Quando Remy foi se levantar, ele sentiu uma forte dor em seu abdômen. Ele apalpou o ferimento e viu que estava sangrando.
– Remy, você está sangrando! A ferida deve ter se aberto! – Vampira foi até ele e o ajudou a se levantar.
– Temos que sair daqui, chérie – Gambit tentava segurar a sua dor.
Vampira o segurava, ajudando-o caminhar. Enquanto iam embora do corredor, Remy olhou para trás e viu, pela última vez, a imagem de sua ex-esposa.
– Você não está em condições de andar rápido, Remy! – Disse Vampira, ao ver as gotas de sangue pelo chão.
– Temos que sair daqui antes que alguém nos veja! – Gambit continuava tentando caminhar.
No entanto, assim que Remy acabou de falar, eles se depararam com três assassinos bem em frente ao próximo corredor. Assim que os avistaram, o grupo correu em direção a eles. Remy e Vampira entraram em outro corredor, tentando andar o mais rápido possível. De repente, em meio ao desespero, eles entraram em uma grande sala.
– Merde! – Gambit murmurou ao perceber que não havia saídas naquela sala.
Os dois ficaram desorientados, procurando alguma forma para escaparem dali. Porém, antes de pensarem em uma solução, os assassinos os encontraram dentro da sala. Gambit procurou desesperadamente por alguma carta ou outro objeto dentro de seus bolsos, mas não achou nada. De repente, a sua dor ficou mais forte, e ele não conseguia mais ficar de pé.
– Remy! – Vampira começou a ficar desesperada. Pois, assim como Gambit, ela estava fraca.
Os assassinos apontaram as armas e estavam prestes a atirar. Mas, de repente, quando Vampira pensou que tudo estava perdido, ela se lembrou de que tinha algo. Imediatamente, ela retirou a carta de Damas de Copas de seu bolso.
– Remy, use isto! – Vampira colocou a carta em sua mão ensangüentada.
Gambit não acreditou no que estava em suas mãos. Mas sem perder tempo, ele energizou a carta e a mirou na reta dos assassinos. No entanto, ele a jogou para cima, acertando um imenso lustre no teto, fazendo-o cair em cima dos assassinos.
Antes de ser atingido, um dos assassinos conseguiu disparar a arma, mas Vampira fez com que ela e Gambit se esquivassem dos tiros, os empurrando para o chão. De repente, quando tudo parecia acabado, Vampira pôde sentir o chão tremer. Parecia que algo grandioso estava correndo em sua direção.
– O que é isso? – Disse Gambit, que estava deitado embaixo do corpo de Vampira.
Em seguida, antes que pudessem pensar em alguma coisa, Colossus apareceu com o seu corpo coberto de metal, fazendo um grande buraco em uma das paredes do quarto. Kitty e Bobby também surgiram pelo buraco causado por Pete.
– Vampira! –Bobby gritou e correu em direção à amiga.
Os três X-Men ajudavam Gambit e Vampira a se levantarem.
– O que aconteceu? – Kitty não se lembrava do que aconteceu após ter sido atacada por Belladonna, e também reparou que Vampira estava sangrando.
– Depois eu explico tudo! Agora temos que tirar o Remy daqui!
– Não se preocupe comigo, chérie... – Apesar da hesitação, Gambit sentia dor cada vez mais.
– Você está sangrando muito! Não tem condições de andar! – Vampira se preocupou ao ver uma poça de sangue no chão.
– Deixe ele comigo! – Pete, imediatamente, o colocou em um de seus ombros.
Em seguida, todos saíram apressadamente do quarto. A mansão parecia um grande labirinto, mas Vampira ainda conseguia se lembrar do caminho para a saída. Assim que desceram a escadaria, eles se depararam com um grande grupo de atiradores. Bobby imediatamente criou uma grande parede de gelo entre eles.
– Droga! A saída está bem atrás deles! – Disse Bobby enquanto reparava nos tiros acertados no gelo.
– Não há outra saída, Vampira? – Perguntou Kitty.
– Sim... – Vampira fechou os olhos por um breve momento para resgatar as memórias- Tem outra passagem por aqui!
No entanto, quando Vampira deu os seus primeiros passos,outro grupo de assassinos a surpreendeu.
– Parados aí! – Disse Gaspar, apontando uma arma para os X-Men.
Todos pararam imediatamente e se viram cercados por assassinos. Mas, de repente, um forte estrondo vindo da parede de gelo do Bobby os chamou atenção. Um forte vendaval derrubou a parede, e todos viram Tempestade voando pela sala. Com o vento, ela jogou alguns dos assassinos para fora da mansão, e em seguida, arrancou as armas das mãos de Gaspar e seus comparsas.
– Abaixem! – Tempestade gritou aos X-Men.
Imediatamente, todos seguiram a ordem de Tempestade, e logo, um forte raio atingiu todos os assassinos, agora indefesos. A batalha tinha terminado.
– Vocês estão bem? – Disse Tempestade após atingir o chão.
– Precisamos sair daqui rápido, Ororo!
Tempestade entendeu o porquê do desespero de Vampira quando viu o Remy sangrando no ombro de Pete.
– Oh Meu Deus! Vamos embora! – Ororo os guiou para a saída da mansão.
Lá fora, Wolverine golpeava o último assassino ainda em pé.
– Está tudo pronto? – Disse ele ao ver os outros X-Men na porta da mansão.
– Remy! – Henri gritou ao ver o seu irmão sendo carregado.
Imediatamente, os X-Men e ladrões se reencontraram, e juntos foram para a lancha, antes que outros assassinos pudessem aparecer.
Chegando à lancha, eles deram a partida rapidamente. Pete colocou Remy deitado no chão, e Vampira se sentou, apoiando a cabeça dele em seu colo.
– Remy! – Vampira se lamentava ao ver o seu amado naquele estado.
Gambit ainda gemia de dor. Vampira conseguiu alguns pedaços de pano, e fez uma compressa no ferimento de Remy. A febre ainda não havia cedido, o que deixava Vampira ainda mais preocupada. Durante a viagem, Henri e nenhum outro ladrão preferiram não conversar com o Gambit.
Não demorou muito para que eles chegassem à mansão dos ladrões. Assim que avistaram a propriedade, Tempestade voou, indo em direção onde o X-Jato estava, para trazê-lo até os X-Men.
Gambit recuperou a consciência, mas ainda não conseguia andar sozinho. O seu ferimento ainda sangrava, mas ele insistiu em ir até a mansão. Após 18 anos, Remy finalmente estava em sua casa. Ele começou a reparar que nada havia mudado.
– Remy! – Disse Henri ao lado de Emil e Etienne.
– Faz um longo tempo que não vejo vocês! – Remy sorriu para os seus dois primos.
– É bom te ver de volta, Remy! – Disse Etienne.
– Eu sugiro que pulemos os cumprimentos. Acho melhor você se deitar e cuidar desse sangramento — Emil apontava para o ferimento de Remy.
Vampira e os outros X-Men apenas observavam a reunião de família.
– E então, Vampira? E agora? – Wolverine murmurou.
Vampira optou por não responder. Apesar de estarem separados, ela queria que Remy voltasse para Nova York. No entanto, ela não queria ser uma pedra no caminho da felicidade de Remy.
– Pardon, mes ami. Mas eu não posso ficar! – Remy desviou o olhar.
– Mas Remy... Esta é a sua casa! – Henri o segurou em seus ombros.
– Sem falar que voltaremos a ter alguns problemas com os assassinos agora!
– Emil! – Etienne tentava corrigir a postura do amigo.
Antes que Remy pudesse dizer mais alguma coisa, uma voz trêmula chamando pelo seu nome surgiu no local:
– Remy!
Gambit sentiu um calafrio ao ouvir aquela voz. Fazia anos em que ele não a ouvia. Ele se virou em direção à voz e avistou o líder dos ladrões, o seu pai, em uma cadeira de rodas.
– Père! – Remy não acreditava no que estava vendo. Esta era a primeira vez em que via o seu pai em 18 anos.
O homem sorriu ao rever o filho. Apesar dos interesses obscuros, ele realmente se sentiu feliz.
– É bom te ver aqui, Remy!
– Père... – Gambit se aproximou, mas não sabia o que dizer. Ele sorriu para o pai, mas de repente, ele se virou para a Vampira. Remy estava entre a cruz e a espada, entre a sua família e o seu amor.
– Sinto muito, pai – Disse Remy após quebrar o silêncio e tomar a sua decisão – Mas eu não posso ficar.
Vampira, assim como todos os outros ali presentes, se surpreendeu com a escolha de Remy.
– O quê? – O homem não se alegrou com a escolha do filho.
– Eu não posso ser o que você quer.
– Mas Remy, você sempre foi!... Você ainda é um de nós! – O velho insistia.
– Non! Eu não sou um ladrão, e nem assassino – Remy se afastou e foi em direção aos X-Men – Adieu, père!
Gambit continuou caminhando até a porta onde estavam os X-Men. Ele preferiu não olhar para trás, pois a imagem que ficara foi de um velho homem decepcionado. No entanto, antes de partir, ele se virou para Henri.
– Henri... Eu conto com você agora! Eu estou lhe dando o que você sempre desejou: a liderança. Eu sei que foi difícil ser o irmão mais velho de um mutante adotado.
– Mas Remy... – Henri tentou impedir.
– Non! Meus poderes não trarão glória ao clã. Eles nunca a trouxeram...
De repente, todos ouviram o barulho do X-Jato lá fora, já pronto para partir de volta ao Instituto Xavier.
– Desculpe-me Remy, mas se você quer ir embora com a gente, já está na hora de partirmos! – Disse Vampira, que estava comovida com aquela situação.
Gambit deu uma última olhada na casa, principalmente em sua família reunida ali na sala.
– Por favor, cuide do clã e do nosso pai – Remy se despediu do irmão com um leve toque no ombro.
– Tudo bem! – Henri deu um leve sorriso e abraçou o irmão pela última vez.
Em seguida, com o apoio de Vampira, Remy e os outros X-Men embarcaram no jato.
– É melhor se sentarem! – Disse Tempestade, que estava prestes a dar a partida.
No entanto, antes que Gambit pudesse alcançar um acento, a dor voltou a incomodá-lo. Então ele preferiu se sentar em algum lugar no chão.
– Remy! – Vampira se agachou.
– Eu vou ficar bem, chérie... – Disse Gambit, que mal conseguia ficar de olhos abertos.
– Vamos chegar ao instituto rápido! Não se preocupe – Vampira também se sentou no chão, e apoiou a cabeça de Gambit em seu colo novamente.
Assim que deram a partida, Gambit adormeceu. A missão foi concluída, mas todos estavam exaustos. Remy tinha se sentido mal por ter deixado o pai mais uma vez, mas também sentia que havia feito a escolha certa.
Vampira tinha até se esquecido de seus próprios ferimentos. As memórias de Belladonna ainda a atormentavam, mas não podia deixar se abater. Agora, a sua prioridade era cuidar das feridas de Gambit. Além disso, a ida à Nova Orleães não foi uma viagem no tempo apenas para Remy
Notas finais
Espero que tenham gostado! ^^
O próximo capítulo será o último da fic!
Até breve, pessoal! ; )
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