Notas iniciais
Olá, pessoal!

Primeiramente, me desculpe pela demora em postar o último capítulo da fic! >.

Sei que já passou um mês desde a minha última postagem, mas aí está o capítulo que faltava! Espero que gostem! ^_^

Gambit começou a abrir os seus olhos lentamente, mas logo percebeu que estava em uma enfermaria, e que também havia curativos limpos em seus ferimentos. Ele não conseguiu identificar exatamente o lugar, no entanto, Vampira estava sentada ao lado de sua cama.

- Oi! – Disse ela timidamente.

- Bonjour, chérie! – Gambit sorriu ao vê-la – Onde eu estou?

- No instituto. Nós o trouxemos para cá, não se lembra?

- Ouí! É verdade... Quanto tempo eu estou dormindo?

- Um pouco mais de um dia.

- Mas espere...! – Gambit se levantou bruscamente quando começou a recuperar sua memória – Você também está ferida?

- Por favor, cuidado! Os seus ferimentos podem se abrir de novo! – Vampira o deitava delicadamente na cama – Não se preocupe, eu estou bem. Graças aos poderes de cura do Logan, os meus ferimentos estão cicatrizando rápido.

- Bon! Eu não queria que você se machucasse por minha causa, Vampira...

- Está tudo bem...

- Eu também não queria trazer problemas para os X-Men.

- Não precisa se preocupar com isso, Remy. Nós ficamos felizes por tê-lo ajudado. Aliás, eu acho que tenho certa culpa nisso... – Vampira desviava o olhar.

- O que está dizendo, chérie?

- Bem... O Logan disse que você estava vindo para cá quando foi capturado. Então, se eu não tivesse discutido com você em seu apartamento, você não teria tentado vir atrás de mim... – Além de culpada, Vampira também se sentia envergonhada. Aliás, ela ainda não contou a ele o verdadeiro motivo de ter ido ao seu apartamento.

- Você não tem culpa nisso, chérie! Os assassinos teriam me seqüestrado a qualquer momento. Belladonna apenas aproveitou aquela oportunidade. Mas como você descobriu que eu tinha sido seqüestrado?

- O seu irmão veio até aqui e me pediu ajuda.

- Eu não acredito nisso! – Remy se sentiu um pouco constrangido. Aliás, o seu orgulho já tinha sido ferido quando foi derrotado e levado pelos assassinos. De certa forma, ele sentiu certa humilhação por precisar ser resgatado.

- Não há nada demais nisso. Apesar dos motivos sórdidos, ele realmente se preocupou com você, e ficou um pouco triste quando você partiu – Vampira abaixou a cabeça.

Remy preferiu não responder, pois não queria tocar neste assunto. Ele também ficou desapontado quando decidiu deixar a mansão dos ladrões para sempre. No entanto, ele também sentiu que tinha feito a escolha certa, apesar de seu motivo não estar totalmente garantido no momento.

- Posso te fazer outra pergunta, chérie? – Gambit quebrou o silêncio.

- O quê é? – Vampira levantou a cabeça.

- Por que você se arriscou para me salvar? – Remy se sentou na cama e se aproximou de Vampira, encarando-a profundamente em seus olhos.

- Eu acho que você teria feito a mesma coisa por mim, Remy... – Vampira desviou o olhar. Ela não sabia se deveria dizer a verdade agora.

- Me diga a verdade, chérie... Por favor! – Remy levantou o rosto dela delicadamente.

Vampira ficou sem fala e pôde sentir o seu rosto corar. Não havia outra saída a não ser em contar a verdade.

- Bem... Eu não suportaria se alguma coisa acontecesse com você...

Um leve sorriso surgira no rosto de Remy. Ele se aproximou mais e segurou a sua mão.

- Vampira, eu queria falar sobre nós...

- Não, Remy! – Vampira o interrompeu – Acho que agora não é o momento.

- É sim! Eu não quero que as coisas continuem ruins entre nós... Você sabe o que eu sinto por você.

- Remy... – Vampira soltou a sua mão e se levantou – Por favor, acho melhor não falarmos sobre isso agora. Você ainda está se recuperando e...

- E o quê? – Gambit percebeu um estranhamento em Vampira quando ela fez uma pausa em sua fala.

Vampira suspirou fundo e se sentou novamente. Ela não queria dizer nada ao Remy, mas agora ela não tinha mais escolha.

- Faz quase dois dias que voltamos de viagem, mas as memórias de Belladonna estão me matando!

Os olhos de Remy se arregalaram. Ele, definitivamente, tinha se esquecido deste detalhe.

- Eu sinto muito, chérie...

- Acha que é fácil ver a pessoa que você ama com outra pessoa, mesmo que seja em memórias? E o pior: sentir as emoções que ela sentiu por você!

Remy ficou em silêncio. Ele realmente não queria que Vampira aprofundasse no conhecimento sobre o seu passado, pois sabia que ela sofreria com isso. No entanto, tudo parecia inevitável agora.

- Você ainda me ama? – Remy quebrou o seu próprio silêncio.

- Se eu não te amasse, eu não teria feito isto tudo por você!

- Eu também te amo! – Remy colocou o rosto dela entre as suas mãos – Eu te quero de volta, chérie!

- Remy...

Vampira não sabia o que dizer. Ela realmente o amava e também o queria de volta. No entanto, ela estava confusa com todas aquelas memórias e sentimentos de Belladonna. Ela, definitivamente, não queria sofrer mais. Após ficar em silêncio e o encarar, ela decidiu anunciar a sua decisão:

- Eu preciso de um tempo, Remy. Eu preciso de um tempo para consertar as coisas em minha mente.

- Tudo bem... – Remy tirou as suas mãos do rosto dela e voltou a se deitar. Ele realmente a compreendia e daria todo tempo do mundo a ela. Mas no fundo, ele se sentiu desapontado.

- Eu tenho que ir embora agora...

Remy não disse nada. Apenas a permitiu partir. No entanto, quando Vampira já estava na porta do quarto, ele deixou o seu orgulho para trás e a chamou novamente:

- Vampira!

- Sim? – Vampira se virou para ele.

- Eu ainda não lhe agradeci por ter me salvado... Obrigado!

- É Marie...! – Vampira também o respondeu com um sorriso, e se lembrou de romper certa restrição que tinha feito ao Remy quando discutiram em seu apartamento.

Remy também sorriu. Apesar de ter sido rejeitado agora, tudo parecia favorecer a um futuro recomeço.

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No dia seguinte, antes de ir para a aula, Vampira decidiu ir à enfermaria para ver o Remy. Ela não queria se iludir sobre um futuro retorno entre ela e Remy, mas ela se preocupava com ele. Além do mais, ela também não poderia negar que ainda estava apaixonada por ele.

Assim que Vampira chegou à enfermaria, ela teve uma triste surpresa: Remy não estava mais lá.

- Remy?

Imediatamente, Vampira chegou à conclusão de que Remy não teria aceitado a sua escolha. Remy tinha um orgulho grande, mas também era apaixonado por ela. Ele já tinha sido paciente com ela por muito tempo, talvez ele tivesse mudado de idéia.

Vampira foi apressadamente para a sala de Ororo. Chegando lá, ela entrou imediatamente.

- Vampira? Algum problema? – Tempestade se assustou com a repentina aparição.

- Onde está o Remy?

- Ele foi embora hoje de manhã. Você não soube?

- O quê? – Vampira engoliu seco.

- Pensei que ele tivesse se despedido de você – Tempestade percebeu a frustração de Vampira.

- Como vocês o deixaram ir embora? Ele ainda está se recuperando!

- Sim, eu sei! Mas nós simplesmente não podíamos impedi-lo de ir!

Vampira ficou em silêncio. A sua decepção e preocupação eram muito evidentes. Ela, novamente, se afastou do homem que amava.

- Eu sinto muito, Vampira! – Tempestade se aproximou e tentou consolar a amiga.

- Tudo bem... Eu só fiquei preocupada... – Vampira tentava esconder o seu desapontamento.

- Não se preocupe, ele ficará bem! – Tempestade sorria – E outra coisa: você não precisa dar aula hoje. Imagino que ainda esteja indisposta.

- Oh não! Eu estou bem e esta é a última semana de aula!

- Tudo bem... – Tempestade sentiu uma autoconfiança em Vampira – Mas não se preocupe, o Remy deve estar bem!

Vampira apenas respondeu a amiga com um sorriso e partiu para a sala de aula. No fundo, Vampira se sentia arrasada, mas não podia deixar se abater. Tudo parecia bem até ontem à noite, mas Remy foi embora sem se despedir de manhã. Afinal, o que poderia ter acontecido?

Na sala de aula, enquanto os alunos faziam a lição, Vampira viajava em seus pensamentos. Ela também estava preocupada com Remy, já que seus ferimentos ainda não estavam totalmente curados. Vampira pensou em ligar para ele, mas se lembrou que ele tinha perdido seu celular quando foi capturado pelos assassinos. Ela também considerou a possibilidade de ir até ao apartamento dele, mas ela preferiu não arriscar. Talvez Remy não quisesse vê-la mais. Ir até ele só poderia trazer mais sofrimento.

Passaram-se três dias desde que Remy foi embora da mansão, e até o momento ele não havia dado nenhum sinal de vida. Enquanto isso, Vampira tentava levar a sua vida normal o máximo possível. Aliás, naquele dia, as férias finalmente tinham chegado. A neve já começava a cair lá fora quando todos se despediam dos alunos.

Vampira estava alegre. Finalmente mais um ano letivo chegara ao fim, e apesar das mudanças em sua vida, ela tinha feito um ótimo trabalho como professora e X-Men.

- Tchau Vampira! Tenha ótimas festas de fim de ano! – Disse uma das alunas.

- Obrigada, Amara! Tenha ótimas festas também! Te vejo no próximo ano!

Quando Vampira terminou de se despedir de seus alunos, ela sentiu um vazio dentro de si. Além de sentir falta de seus alunos, ela também sentiria falta do movimento na mansão. A casa realmente iria ficar vazia. Pete, Kitty e Bobby também viajariam para ver suas famílias. Neste ano, apenas a Tempestade, Wolverine, Fera e a Jubileu passariam as festas de fim de ano com ela. Vampira não se sentia mais animada para as festas.

Assim que todos foram embora da sala, Vampira se virou para subir as escadas de volta ao seu quarto.

- Marie! – Disse uma repentina voz familiar.

Vampira parou antes que pudesse pisar no primeiro degrau, e sentiu o seu corpo gelar quando ouviu aquela voz. Um sentimento de alegria e surpresa mesclou-se dentro dela.

- Remy? – Vampira se virou imediatamente.

Ela não acreditou no que estava vendo. Após desaparecer por três dias, Remy havia voltado para o instituto. E lá estava ele, de pé em frente à porta da sala com um leve sorriso estampado em seu rosto.

Vampira caminhou até ele com uma expressão de surpresa. Aliás, ela também não sabia o que aconteceu e o que estava acontecendo.

- Remy?

- Surpresa, chérie? – Gambit sorria dissimuladamente.

- O que aconteceu? Você foi embora sem me dizer nada! Eu fiquei preocupada! – Vampira começou a ficar zangada com a naturalidade de Remy.

- Eu não queria ter te preocupado, chérie...

- Então onde você estava?

- Eu precisava resolver algumas coisas antes de voltar para cá.

Vampira se acalmou quando ouviu que Gambit planejava voltar à mansão. Mas mesmo assim, nada ainda explicava o motivo de ter ido embora sem se despedir.

- Resolver algumas coisas? Eu sei que você não me deve satisfações, mas você não estava em um bom estado para sair por aí... –Vampira tentava disfarçar a sua curiosidade.

Gambit apenas a respondeu com um sorriso e abaixou a cabeça. De repente, Vampira se deu conta de que havia uma mala atrás de Remy. Os olhos de Vampira grudaram naquela mala. Imediatamente ela deduziu o que aquilo poderia significar. Remy olhou para Vampira novamente, e percebeu que ela havia ficado sem ar quando avistou a sua mala.

Vampira ficou sem fala. Ela voltou a olhar para Gambit, mas antes que pudesse dizer alguma coisa, ela foi interrompida por Tempestade, que acabara de chegar ao local.

- Remy! É bom vê-lo de volta! – Ororo ia até ele sorridente, como se já estivesse esperando pelo seu retorno.

- É bom ver você de novo, chérie!

- Já estávamos à sua espera – Assim que falou, Tempestade deu uma rápida olhada para a Vampira, temendo que uma bronca vinda da amiga surgisse a qualquer momento.

- Como assim “estávamos esperando por ele”? – Vampira ficou ainda mais confusa com aquela situação.

- Depois eu te explico tudo, chérie. Eu tenho alguns detalhes para acertar agora – Gambit pegou a sua mala e ficou ao lado de Ororo.

- Detalhes? O que está acontecendo?

- Você irá saber de tudo depois, Vampira. Nós prometemos! – Disse Tempestade, que em seguida partiu imediatamente antes que Vampira pudesse dizer mais alguma coisa.

Gambit apenas sorriu novamente para Vampira e foi embora ao lado da Ororo. Vampira ficou de boca aberta com aquela situação. “O que está acontecendo? A Ororo sabia que Remy voltaria? Então por que não me disse nada?”, pensava Vampira. Eram muitas perguntas sem respostas.

Já que a impaciência era enorme, Vampira foi até a porta do escritório da Ororo, mas preferiu não intrometer. Aliás, ela e o Remy ainda estavam separados, e ela não queria passar a impressão de que estava se metendo nos assuntos dele. Cuidadosamente, Vampira encostou o rosto ao lado da porta, mas não conseguia ouvir nada.

- Algum problema, Vampira? – Disse Bobby, que acabara de chegar ao local e se deparou com a Vampira naquela situação.

Vampira, que não tinha percebido a chegada de Bobby, se assustou, virando-se imediatamente para ele.

- Bobby!!!

- Está tudo bem?

- Está tudo bem... Eu, eu, eu precisava conversar com a Ororo, mas vi que ela está ocupada agora... Então, depois eu volto! – Assim que deu a desculpa, Vampira saiu de lá apressadamente.

Bobby não entendeu a atitude de Vampira, mas sabia que ela estava mentindo. Por algum motivo, ela estava tentando bisbilhotar a conversa da sala da diretora. Já a Vampira saiu do corredor o mais rápido que pôde, se sentindo envergonhada e também furiosa por não ter conseguido descobrir o que queria.

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Vampira voltou intrigada para o seu quarto. Primeiro, Gambit tentou reatar com ela. Em seguida, após a frustrada tentativa, ele desaparece da enfermaria e retorna três dias depois sem nenhuma explicação, mas com uma mala na mão e com um interesse em conversar com a Ororo.

“Será que ele...?” – Vampira aparentemente chegou a uma conclusão. Mas antes que ela pudesse se esclarecer, uma batida na porta de seu quarto dispersou os seus pensamentos.

- Ei, Vampira! Sou eu, a Kitty! – Disse ela do outro lado da porta.

- Pode entrar!

- A Ororo e o Hank me mandaram te chamar. Eles querem todo mundo reunido na sala. Parece que vai haver uma reunião...

- Reunião? Aconteceu alguma coisa?

- Eu não sei. Mas acho que deve ser alguma despedida, já que na semana que vem não vai haver quase mais ninguém aqui – Kitty tentava tranqüilizar a amiga.

- Certo! Eu vou descer com você agora! – Disse Vampira que, em seguida, pegou as suas luvas de cima da cama, e partiu de seu quarto junto com Kitty.

Assim que ia em direção à sala, Vampira percebeu que Logan, Bobby, Pete e Jubileu também estavam lá. No entanto, Vampira se surpreendeu ao ver que Gambit também estava presente, ao lado de Ororo e Hank. Eles ficaram se encarando por um momento até Vampira desviar o seu olhar. Era um sentimento confuso. Vampira se sentia feliz, mas também constrangida pela presença de Gambit.

- Já que todos estão aqui, acho que podemos começar – Disse Hank.

- Nós queremos apresentar o mais novo membro do instituto Xavier. Vocês já o conhecem e aqui está ele: Remy LeBeau – Disse Tempestade, que apresentava Gambit ao restante do grupo.

- O quê!? – Vampira não conseguiu esconder a sua surpresa.

Um alvoroço surgiu na sala. Além da Vampira, todos os outros também ficaram surpresos, mas sem nenhuma objeção.

- Está com medo de aquele pessoal te seqüestrar de novo, cajun? – Brincou Logan.

Gambit apenas respondeu ao sarcasmo de Logan com um sorriso.

- Nossa, que legal! Seja bem-vindo, Remy! – Disse Jubileu, que ficou muito entusiasmada com a notícia.

- Merci, mon petit! Eu ainda não tive a chance de agradecê-los, mas eu também nunca fui bom com agradecimentos... Então acho que estou em débito com os X-Men.

- Não se preocupe com isso, Remy! De qualquer maneira, você será bem-vindo aqui! – Disse Hank – Acredito que seja um novo começo em sua vida.

- Eu também acredito nisso, mon ami – Remy voltou a encarar a Vampira. Certamente a sua entrada no Instituto seria um recomeço na vida de ambos.

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Já era tarde quando Tempestade estava sentada em um sofá da sala, apenas na companhia de um livro.

- Acha que aquele cara é realmente confiável? – Disse Logan, que acabara de chegar.

- Mesmo depois de tudo você ainda desconfia dele? – Ororo continuava lendo o seu livro – Além disso, nós dois sabemos muito bem o motivo dele ter vindo para cá.

- Sim... E é justamente isso que me preocupa!

Ororo finalmente olhou para Logan e o respondeu com um leve sorriso.

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Já fazia quatro dias que Remy havia se mudado para a mansão, e até o momento, ele e a Vampira ainda não tinham se falado. No entanto, isso foi uma decisão tomada pela Vampira. Ela estava o evitando, e Remy não entendia o motivo disso. Porém, ele preferiu respeitar a escolha dela, resolvendo não a procurar também.

Observando discretamente todos os passos de Remy, Vampira sabia os horários em que ele estaria na mansão. Ela só ia para determinado lugar quando tinha certeza de que Remy não estaria lá. Certa vez, quando ela estava prestes a descer as escadas, ela se deparou com Remy chegando à sala. Mas antes que ele pudesse notá-la, Vampira se virou e voltou discretamente para o seu quarto. Ela mesma sabia que aquilo era uma atitude estúpida e infantil, mas preferiu insistir para poder ganhar tempo, a fim de consertar os seus pensamentos.

Além disso, Vampira estranhou o fato de Remy ainda não ter ido até ela. Se ele realmente quisesse reatar o seu relacionamento, e se ele só tivesse entrado para os X-Men por sua causa, ele teria forçado um diálogo entre os dois. Em uma noite, Vampira estava sem sono, e foi assistir a alguma coisa na sala de TV. Já era tarde e Remy chegou à mansão poucas horas depois. Ele passou pela sala onde estava a Vampira, mas ele fingiu que não a viu e seguiu o seu percurso até o quarto. Vampira sentiu certo clima de frieza, pois tudo indicava que Remy tinha aceitado facilmente a rejeição. Aliás, ele saía quase todas as noites. Talvez ele tivesse ressuscitado a sua velha personalidade boêmia e galanteadora. Vampira percebeu que ela começava a sentir ciúmes, mas também tinha a consciência de que não tinha esse direito. Remy era um homem livre e desimpedido agora graças às escolhas feitas por ela.

Finalmente chegara o Dia de Ação de Graças. A casa já estava vazia, Bobby, Kitty e Pete já tinham viajado para visitar as suas famílias. Ororo, com a ajuda da Vampira, estava arrumando a sala de jantar.

— Nem acredito que o ano já está chegando ao fim! – Disse Tempestade enquanto colocava os pratos na mesa.

- Nem eu...

- Espero que o próximo ano seja melhor.

- Pior do que este impossível! – Vampira disse sarcasticamente enquanto distribuía os talhares na mesa.

- Por que diz isso, Vampira?

- Aconteceram tantas turbulências este ano... Meus poderes voltaram, terminei com o Bobby e... – Vampira se retraiu ao lembrar a única coisa boa que tinha acontecido em seu ano.

- E...?

- E tive a luta mais difícil da minha vida! E isso aconteceu recentemente, os pensamentos daquela mulher maluca ainda estão em minha cabeça!

- Entendo... – Tempestade fingia de desentendida – E o que será que aconteceu com ela?

- Até onde eu sei, ela ficou inconsciente, e certamente deve estar ainda.

- Será que o Remy sabe de alguma coisa?

Ao ouvir a última fala de Tempestade, Vampira sentiu um calafrio percorrendo pelo seu corpo.

- Bem... Eu não tenho falado com ele ultimamente... Mas se estivéssemos nos falando, eu não gostaria de entrar neste assunto. Tirar as memórias de Belladonna da minha cabeça já está me dando muito trabalho!

- Eu percebi que você e o Remy estão meio afastados. Aconteceu alguma coisa?

- Não! – Vampira começou a se sentir intimidada – Na verdade, nós já estávamos separados antes dele vir para cá, e eu preferi dá um tempo entre a gente para que eu possa colocar as coisas no lugar...

Tempestade sorriu para Vampira. Assim que terminou de colocar os pratos na mesa, ela se aproximou de Vampira.

- Olha Vampira, o Remy me disse a mesma coisa antes de partir da mansão.

- O quê? – Vampira não compreendia o que a amiga queria dizer.

- Remy me disse que você queria um tempo, e que ele não queria atrapalhar as suas escolhas. Por isso ele foi embora sem se despedir de você, e me pediu para não te dizer nada sobre o retorno. Desculpe-me por ter escondido de você!

- Aah... Tudo bem, Ororo... Isso já passou! – Vampira sorria timidamente. Agora tudo começava a fazer sentido. Remy era a melhor pessoa que a compreendia. Tudo o que ele estava fazendo até então era respeitar o tempo e espaço de Vampira.

Já era quase noite quando o jantar de Ação de Graças foi colocado à mesa.

- Ótimo! Eu já estava começando a ficar faminto! – Disse Logan, que estava prestes a atacar o peru.

- Calma, Logan! Ainda temos que esperar a Vampira e o Gambit! – Advertiu Jubileu, que também estava eufórica pela ocasião.

- Eu já estou aqui! – Vampira acabava de chegar da cozinha – Me desculpe pela demora!

- Bonne nuit, mes amis! – Remy descia as escadas, e imediatamente os seus olhos focaram a Vampira. Esta era a primeira vez que a via em público desde a sua vinda à mansão.

Vampira estremeceu quando ouviu a voz de Remy. Ela olhou discretamente para a escada, mas permaneceu de cabeça baixa.

- Perdoe-me pelo atraso!

- Tudo bem, Remy! Vamos começar a jantar agora! – Disse Tempestade.

- Pensei que não se juntaria a nós – Disse Logan – Você sempre sai todas as noites.

- Digamos que para hoje eu abri uma exceção, mon ami!

Remy percebeu que Vampira estava sem jeito devido à sua presença. Já fazia um bom tempo em que eles nem se quer se cumprimentavam. Sendo assim, Remy achou que aquele dia seria uma boa ocasião para “quebrar o gelo”.

- Olá, Vampira! Não tenho te visto ultimamente...

- Oi, Remy! – Vampira o respondeu rapidamente e mal olhou para ele.

Antes que Gambit tivesse a chance de dizer mais alguma coisa, Jubileu sugeriu para que começassem a jantar logo. Vampira, obviamente, esperou Remy se sentar primeiro para que ela pudesse escolher um lugar não próximo dele. No entanto, Gambit percebeu a atitude dela, assim como os demais presentes na mesa. Em seguida, após fazer as suas orações, todos começaram a jantar.

Assim que terminaram, eles começaram a conversar e lembrar os bons momentos que tiveram no ano. Vampira permaneceu calada durante todo o jantar. Ás vezes ela sorria, mas não demorava muito para que ela se acanhasse novamente, ao perceber que Remy a encarava.

- Se vocês me dão licença, eu vou me retirar agora – Disse Vampira, que já tinha se levantado para partir.

- Sem problemas, Vampira! – Disse Ororo.

Então, Vampira se levantou e foi em direção à outra sala, e os olhos de Gambit permaneceram grudados nela até a sua vista desaparecer.

Enquanto a lenha queimava na lareira, Vampira encarava a neve caindo lá fora. Ela se lembrou que, antes de terminar o seu relacionamento, tinha combinado com o Remy de passarem as festas de fim de ano juntos. De certa forma, eles passariam as datas juntos, mas não na maneira que desejaram.

De repente, os pensamentos de Vampira foram dispersos quando ela sentiu a presença de certa pessoa se aproximando.

- Vampira?

- Eu já lhe disse que pode me chamar de Marie, Remy! – Vampira continuou olhando pela janela.

Remy sorriu levemente e foi se aproximando de Vampira, até ficar ao seu lado.

- Não tinha certeza se eu realmente poderia te chamar assim. Ultimamente você só tem fugido de mim.

- Quem disso que eu estava fugindo de você? – Vampira finalmente o encarou com uma expressão dissimulada.

- Desde que eu cheguei aqui você nem se quer me deu as boas-vindas, e raramente temos nos encontrado por aí.

- Remy, eu ainda estou um pouco confusa, não se lembra?

- Tudo bem, mas eu não vim aqui para discutir – Disse ele enquanto procurava por algo em seu bolso – Eu vim até você para te dar o seu presente de Ação de Graças.

- Presente de Ação de Graças? – Vampira não entendeu o que Remy pretendia.

- Ouí! Eu gostaria de te dar isso – Disse ele enquanto a entregava uma caixinha de presente.

- Remy, eu acho que não posso...

- Por favor, aceite, chérie!

Após o encarar brevemente, Vampira decidiu aceitar o presente. E assim que abriu a caixa, ela teve uma surpresa.

- O colar de esmeralda!

- Ouí! – Remy sorria – Você tinha me devolvido porque nós tínhamos terminado. Eu sei que nós não estamos juntos mais, mas acho justo você ficar com ele.

- Mas me diz uma coisa, Remy: este colar não é roubado, é? – Vampira disse sarcasticamente.

Remy apenas sorriu um pouco sem jeito.

- Me desculpe! Eu não queria ofender, por isso não te perguntei quando eu o ganhei pela primeira vez.

- Tudo bem, chérie! É normal desconfiar de um presente vindo de um ladrão – Remy continuava sorrindo — Mas non! Eu não roubei este colar, mas eu o ganhei. Ele pertencia à mulher que me criou, e ela tinha me dado de presente quando fiz 18 anos.

- Remy, eu não posso aceitar. Ele deve significar muito pra você! – Vampira realmente ficou surpresa com a história do colar.

- Ouí, ele tem um grande significado. Mas acho que você cuidará melhor dele do que eu. Além disso, ele fica muito bem em você, chérie. Então, por favor, o aceite de volta.

- Tudo bem... Obrigada! – Vampira sorria e não se sentia mais tão desconfortável com a presença de Remy.

- Tenho que lhe entregar outra coisa também, chérie – Disse Remy enquanto procurava por algo no bolso interno de sua jaqueta.

- O quê é? – Vampira não sabia o que poderia esperar mais. Mas o mistério acabou quando Remy retirou uma carta de Dama de Copas do bolso.

- Fique com ela. É para dar sorte.

- Realmente esta carta dá sorte. Se não fosse por ela, eu nem sei o que teria acontecido com a gente na mansão dos assassinos – Brincou Vampira.

- Bem... Confesso que eu não tenho acreditado tanto na sorte...

- É um pouco irônico para um cara que anda com um baralho de cartas no bolso.

- Eu sei... – Remy sorriu com a brincadeira de Vampira e aproveitou para se aproximar mais – Mas eu quero dizer que eu tenho dado mais crédito ao destino.

- Destino?

- Ouí! Talvez esta seja a razão pela qual eu esteja aqui. Está em meu destino ou... No nosso – Remy estava bem próximo de Vampira.

- Cada um faz as suas próprias escolhas, Remy...

- Mas nós podemos fazer as nossas escolhas juntos... E fazer um único destino.

Por um momento, eles começaram a se encarar, até que Remy decidiu que aquele seria um bom momento para tentar um recomeço.

- Remy...

- O que é, chérie? – Remy sussurrou com os seus lábios já bem próximos aos dela.

Vampira não o respondeu. Na verdade, ela nem sabia porque tinha dito o seu nome. Ela fechou os olhos e decidiu se entregar. No entanto, ela se despertou rapidamente e recuou.

- Eu tenho que ir...

- Tudo bem... – Remy também se afastou e tentou disfarçar a sua decepção.

- E obrigada pelos presentes! – Vampira desviou o olhar e partiu rapidamente da sala.

Remy ficou ali mesmo na sala, olhando desapontado para a janela. Pelo menos ele conseguiu falar com a Vampira, e tudo parecia conspirar ao seu favor novamente.

Todos na mansão já estavam dormindo, exceto Gambit. Como sempre, ele era o último que conseguia dormir devido aos seus “hábitos noturnos”. Mas, desta vez, era por um motivo em particular. Deitado em sua cama, ele só conseguia pensar em Vampira.

De repente, uma batida na porta do quarto o despertou de seus pensamentos. Remy estranhou o fato de alguém o chamar esta hora, certamente alguma coisa deveria ter acontecido. Sendo assim, ele se levantou e foi atender à porta.

- Marie?

- Eu te acordei?

- Non. Eu ainda estava acordado. Por favor, entre! – Remy definitivamente estava surpreso com aquela visita repentina no meio da noite.

Vampira entrou e parecia um pouco sem jeito por estar ali àquela hora. Remy a reparou dos pés à cabeça, e viu que ela estava muito encantadora só de camisola.

- Aconteceu alguma coisa? – Disse ele após fechar a porta e se aproximar dela.

Vampira não o respondeu, e ficou apenas o encarando.

- Está tudo bem, chérie? – Remy começou a ficar preocupado com o silêncio de Vampira.

Após mais alguns segundos em silêncio, Vampira fechou os olhos e soltou um suspiro. E por um impulso, ela se jogou nos braços dele, o abraçando fortemente.

- Me desculpe, Remy! Me desculpe por ter sido tão idiota!

- Não diga isso, chérie – Remy colocou o rosto dela entre as suas mãos – Você só fez o que achou que era certo. Mas eu te esperei por todo este tempo. Eu fui apenas seu por todo este tempo, assim como eu sempre serei. Eu te amo, chérie, e não quero te perder de novo!

Vampira pôde sentir os seus olhos lacrimejarem quando ouviu tais palavras. Lá estava ela nos braços do homem que ama, ouvindo as mais puras e verdadeiras palavras de amor.

- Eu te amo muito, Remy. E eu também não vou mais suportar ficar sem você por perto!

Remy a beijou fortemente. Este era o momento que eles mais aguardaram. Era como se fosse o primeiro beijo dos dois. Todos os sentimentos pareciam inéditos para eles. Este era o sinal do recomeço de um único destino a dois.

Em seguida, em meio aos abraços e beijos apaixonados, Vampira fez uma pausa e começou a sorrir.

- O que foi, Marie?

- Bem... Eu ainda não te dei as boas-vindas à mansão, e também lhe devo um presente de Ação de Graças – Disse ela maliciosamente.

- Não seja por isso, chérie!

Notas finais
Muito obrigada pela leitura! Espero que tenham gostado da fic em geral!

(E só uma curiosidade: esta foi a minha primeira história, e ao todo foram 159 páginas no Word o/)

Mais uma vez, obrigada pela leitura, e também espero escrever uma nova fic em breve!

Beijão e até a próximo! ;*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!