Um Conto de Natal - Dramione
2 Parte II
Passei os dias seguintes me perguntando onde estaria a louca dos doces. Não era justo pela primeira vez na vida conhecer alguém que concordava comigo sobre algo que sempre fui incompreendido para perdê-la de vista assim.
Ela disse que se chamava Hermione. Pois bem, eu precisaria de tempo para desvendar Hermione, ela era informação demais. E estranhamente, não achei tão absurda a ideia de gastar algum tempo da minha vida atrás de respostas que a envolvessem. Ninguém podia me culpar por ter uma curiosidade saudável, eu estava pensando em interagir e conhecer outra pessoa. Sem contar que a moça do cabelo revolto seria uma distração do odioso tema natalino cuja até a menção me sufocava. Não era nada demais.
Mamãe riu de mim quando a garota foi embora, e não parou de me lançar olhares sugestivos quando meu pai chegou. Eles não entendiam que meu interesse era puramente acadêmico. Eu era humano, e organismos vivos em minha posição tinham a necessidade biológica de reclamar. Não era estranho querer companhia para comentar sobre minhas queixas.
Só que algo estava errado. A correria de fim de ano deveria ter algo a ver, mas Hermione não apareceu mais na Decorações Malfoy. Me permiti ter esperança de vê-la novamente ali, até porque mal tinha tempo para almoçar, quem dirá sair da loja naquele período caótico. Minha mãe foi clara quando afirmou que a morena era uma cliente assídua, por mais que eu não lembrasse de tê-la visto alguma vez. Isso era fácil de explicar, embora. Além de ser péssimo para lembrar rostos, não era como se eu fosse o mais simpático e prestativo dos funcionários que sorri e olha nos olhos das pessoas que passavam por meu local de trabalho. Era muita gente, então ninguém podia me culpar por isso. E o Grinch perdia feio para mim no quesito rabugice naquela época do ano.
Mas conforme o dia vinte e um deu lugar ao vinte e dois, que por sua vez se transformou em vinte e três, e enfim chegou ao vinte e quatro, meu nervosismo aumentava vergonhosamente. A Granger recebeu um vale-presente da minha mãe, e eu me recusava a vê-la como uma pessoa burra o bastante para desperdiçar a oportunidade de economizar. Meus motivos, então, eram os melhores possíveis.
— Draco, meu filho, nós nem abrimos ainda. Quer parar de encarar a entrada da loja como se todas as renas do mundo fossem invadi-la a qualquer momento? Elas com certeza estão ocupadas demais para isso. E estou ficando agoniado. — Nem reparei que meu pai estava por perto até ele falar.
— Não sabia que tinha medo de renas, senhor Lucinho.
— Muito engraçado, Draco.
— Você foi muito engraçado primeiro. — Rebati.
— Isso tem a ver com a garota? — Perguntou com um sorriso cúmplice.
— Nunca vi essa tal garota. Que dia foi isso?
— No que ficou distraído e sorridente. Eu e sua mãe ficamos com medo, e confesso que ligeiramente entusiasmados com a possibilidade de você ter sido abduzido. Mas Narcisa me garantiu que viu o momento da mudança e que ela nada tinha a ver com aliens, então nós discutimos a noite inteira sobre existir ou não vida inteligente fora da Terra. E caso a resposta fosse positiva, como acreditamos, o que nossos vizinhos seriam capazes de fazer. Eu claramente casei com a pessoa certa.
— É realmente tocante o modo como ficam juntos contra o único filho. Infelizmente para vocês, os alienígenas não me levaram ainda.
— Ainda. — Reforçou, esperançoso. Lucius Malfoy não era muito conhecido por agir como um bom ser humano, e não me arrependo por admitir que fiquei tentado a jogar uma guirlanda nele.
— Vai ter volta, pai.
Alguém pigarreou perto de nós, desviando nossa atenção da ameaça vazia que eu faria contra ele. Seu sorriso cretino desapareceu instantaneamente, dando lugar a um surpreso.
— Tom Riddle? — Papai perguntou, largando os enfeites que organizava e abraçando o homem que retribuiu o gesto sem hesitar.
— Narcisa nos deixou entrar. Quanto tempo, Lucius! Draco… — Disse também meu nome logo após me lançar um rápido olhar de reconhecimento. — Quero que conheçam minha esposa, Molly Riddle.
O sorriso de Tom chegou aos olhos perigosos e negros enquanto ele admirava a mulher. Eu poderia jurar que aquele homem me era familiar, assim como o alerta de risco piscando em minha mente. Forcei a memória em busca de informações sobre o ser esguio e de postura impecável, até finalmente achar algo.
Quando pequeno eu pensava que Tom parecia um louco sádico pela forma obstinada e quase raivosa que encarava as pessoas, mas na verdade o homem era apenas um empresário ocupado que viajava demais, por isso não o víamos com frequência. Ele me deu uma arminha de brinquedo quando eu tinha sete anos, então só poderia ser alguém de bom coração. Sorri com a lembrança.
Já Molly era baixinha e ruiva, com o corpo cheio de curvas. Por si só isso já seria contraste o bastante para o casal, mas ela tinha o rosto redondo e amigável, o que não poderia convergir mais com o porte sério do marido. Simpatizei com a desconhecida.
— Esposa? Puxa vida, estamos diante de um milagre natalino, porque já era hora de alguém fazê-lo sossegar. Muito prazer, Sra. Riddle. — Meu pai disse ao estender a mão.
— Qualquer amigo de Tom é meu amigo também, então por favor me chame de Molly. Já ouvi maravilhas sobre os Malfoy.
— Que gentileza do maldito traidor que não nos avisou que iria casar. — Um riso nervoso veio do fundo da minha alma, pois eu não esperava que meu pai dissesse algo do tipo. Disfarcei com um pigarreio estranho, mas ninguém aparentou reparar as minhas reações. Pelo visto fui o único a pensar que ficaria órfão.
— Desculpe, Lucius. Passávamos as férias nas Ilhas Maldivas quando o divórcio desta mulher maravilhosa saiu, e estamos tão apaixonados que não pudemos esperar mais. Mas haverá uma recepção em algumas semanas para celebrarmos nossa união. Você e sua família nos dariam a honra de festejar conosco?
— Eu aceito! — Meu pai respondeu teatralmente, arrancando risadas até de Tom. É, eu tinha de quem herdar os genes cretinos.
Eles continuaram conversando, mas me afastei e abri a loja. Minha mãe permitiu a entrada dos Riddle e decidi que eles mereciam um pouco de privacidade e que eu conseguiria dar conta de alguns clientes. Eram oito horas de uma manhã particularmente gelada, em nome de Loki! Quem em sã consciência sairia de casa naquele horário na véspera do Natal?
Eu não deveria ter perguntado.
Uma horda de garotas descontroladas se aproximava da loja, e só por precaução achei melhor sair de perto da entrada. Como se sentisse meu medo, uma delas encarou o letreiro néon com seus olhinhos escuros e estreitos antes de entrar na Decorações Malfoy. Por algum motivo um arrepio subiu pela minha espinha, junto com um pressentimento: corra.
— As madames vão me acompanhar porque eu ainda não tive tempo de comprar o presente de Natal do peste.
— Eu compraria um novo nome para ele. — Declarou a garota de óculos que parecia ser a mais tranquila entre as quatro. A primeira que notei, a de cabelo cacheado e semblante julgador, encarou a amiga como se pudessem conversar telepaticamente. Fiquei intrigado quando esta última deu de ombros e a respondeu como se aquele realmente fosse o caso. — Eu sei, não me arrependo e não adianta me ameaçar. Mais alguma coisa?
— E ainda é ousada! — Reclamou.
— Frequentemente.
— Se vocês começarem a brigar eu persigo as duas com um alho poró. É Natal, suas malditas, época de brigar só com os parentes. — Surpreendentemente, a ameaça veio de uma loira. Ela era a mais baixa de todas, mas de qualquer modo fiquei contente por não ter parentesco com nenhuma delas, preservando assim minha integridade. — Mel, segura a Leslie e a Camilla que eu bato.
— É Milla, porra! — A de cabelo cacheado só se importou com essa parte.
— O caralho da boca é minha e eu te chamo como quiser, sua cretina.
— E de novo o Sr. Caralho é convocado à conversa. Sinceramente, não sei qual de nós é a pior.
— Ai, gente, a aura aqui está muito pesada. Eu vou recitar um mantra. — Mel disse para em seguida começar a cantar no meio da loja, mas o grito de Leslie conseguiu chamar ainda mais atenção.
— Ai meu Thor, Larry. Olha isso!
E Larry, a garota do alho poró, realmente olhou. Foi como se o resto do mundo desaparecesse enquanto ela encarava um Darth Vader em tamanho real com touca de Papai Noel.
— Eu vou vender um rim no mercado negro, mas esse boneco será meu. Imaginem só ele falando “Ho-ho-ho, eu sou seu papai… Noel”. É oficial, eu preciso desse boneco para viver.
— Essa não, o que eu fiz? Ela está com aquele olhar. Meninas, me ajudem antes que a Larry nos faça ser expulsas por algum segurança de novo.
— Você me respeite senão eu falo do seu querido Liam até o anoitecer.
Aquilo me deixou mais atento. Não a parte do tal Liam, é claro. Ok, elas não pareciam ser exatamente normais e havia muita animação para aquela hora da manhã, mas as quatro foram expulsas de uma loja? Temi que não fosse só por falarem alto e pelas ameaças mútuas.
Elas prenderam minha atenção de um jeito que só notei não serem as únicas clientes na loja quando uma mulher beirando os cinquenta anos passou reclamando perto de mim.
— Larry nem é nome de menina.
Infelizmente para ela, não fui o único a ouvir.
— E isso é da sua conta desde quando, minha senhora? — Milla quis saber.
— Esses também não são modos de uma moça ajuizada. — A cliente argumentou.
— Ah, a senhora me elogia demais. Pena que eu não posso elogiá-la de volta.
— Nós vamos ser expulsas mais uma vez, é isso. — Mel lamentou, resignada, e por algum motivo começou a cantarolar Jingle Bells em seguida. Acredito que nem reparou na mulher saindo da loja com sua expressão esnobe.
— Mexer com alguém que eu gosto é pedir para ver o Satanás de calça skinny e vocês sabem disso. Eu dou risada para não mandar residir em um lugar pouco espaçoso e higiênico.
— Eu escolhi bem minhas amizades, nada novo sob o sol. — Leslie disse com certo orgulho. — Agora que tal comprarmos os presentes da Diana e da Sophie antes que um segurança chegue? Sem contar que eu quero encher a cara de chocolate o mais rápido possível.
— Só podia ser minha clone mesmo. — Larry a abraçou de lado enquanto eu ainda as estudava, entretido demais para perceber o que fazia até ser pego em flagrante. — Meu santo caralho! Só eu quase morri do coração bem agora?
Os olhares de Mel, Leslie e Milla voaram em direção a Larry, para então checarem o motivo de tanto assombro: eu. Expressões idênticas analisaram cada detalhe do meu rosto, e por algum motivo eu soube que o constrangimento me fez corar. Eu não havia feito nada de tão grave, certo?
— Hm… Olá. — De alguma forma, consegui calar as clientes mais escandalosas que apareceram por ali em muito tempo. Sem saber deveria ter feito algo muito certo… Ou muito errado. — Bem-vindas à Decorações Malfoy. Precisam de alguma coisa?
— É ele?
— Puta merda, eu quase tive um troço.
— Eu jurava que era ele.
— Parece, mas não é. — Mel se aproximou com cautela, me oferecendo um sorriso contido. — Desculpe o surto em conjunto, você é muito parecido com um ator que a gente ama. O descontrole foi fruto de muita semelhança e muito amor.
Por algum motivo eu decidi que gostava delas.
— Tudo bem, eu entendo. Acho.
— Qual o seu nome? — Mel quis saber.
— Draco Malfoy. Apenas Draco para vocês.
— Muito prazer, Draco. Sou a Mel e essas são minhas amigas Lar…
— … Larry, Milla E Leslie, estou certo? — Disse olhando para as donas dos nomes enquanto os dizia. O olhar de assombro em seus rostos foi impagável, pois elas pareciam achar que fui invasivo ao ponto de ler seus pensamentos. Resolvi esclarecer a acusação que nem chegou a ser feita. — Vocês não foram exatamente discretas, então eu ouvi seus nomes. É um prazer, meninas.
— Como eu disse, a semelhança é enorme. Você se importaria de tirar uma foto conosco para mostrarmos a uma outra amiga que também é fã desse cara, Draco?
— Claro. Por que não?
— Eu vou morrer e não há nada a fazer. — Leslie disse com ar sonhador para então revoltar-se consigo mesma. — Por que eu sempre dou um jeito de rimar? É como se eu fosse amaldiçoada e não conseguisse evitar. Ah, não, eu não admito. Não vou falar mais nada no resto da minha vida!
Milla gargalhou, mas disse que foi com respeito. Mesmo ultrajada com sua aparente maldição e o descaramento da outra, Leslie aceitou aquilo. O fato é que jurou vingança e sorriu como se tivesse planos nefastos em mente. Tivemos sucesso em parecer pessoas normais quando peguei o celular da mão de uma delas e bati a foto. Agora eu finalmente poderia dizer que ao menos uma coisa boa havia acontecido no meu aniversário.
As garotas fizeram suas compras e se despediram de mim com animação, e pela primeira vez em muito tempo fui sincero ao desejar “Feliz Natal”. Elas foram embora falando de Game Of Thrones, já que viraram para acenar comentando algo sobre Dracarys.
Aquele começo de expediente me animou mais do que eu ousaria sonhar, se considerasse a data. O Natal realmente me oprimia, jogava no chão e pisava em cima. E embora meus pais brindassem a mim à noite, aquela continuava sendo a ceia. Não parecia em nada com um aniversário. Então foi uma surpresa até para mim que meu humor não estivesse tão miserável.
Quando notei, Tom e Molly já haviam ido embora. Mamãe estava novamente no caixa enquanto meu pai voltava do estoque com as mãos ocupadas, mandando beijos para ela e organizando prateleiras em seguida. Já que ele estava fazendo o trabalho que normalmente eu faria, resolvi me arriscar com o público. Me importei em ajudar no que os clientes precisassem dando verdadeira atenção a eles, e mais uma vez não foi tão ruim como eu pensava. Talvez as garotas tivessem algo a ver com isso.
O problema foi que conforme as horas e pessoas passavam, menor ficava aquele divertimento. Por algum motivo eu ainda esperava que Hermione aparecesse, mas passei a enxergar como estava sendo idiota. Francamente, a conversa que tivemos nem foi das melhores. Eu a provoquei, ela revidou, e não parecemos ir muito com a cara um do outro. Isso porque não fomos. Então era incongruente da minha parte mudar de opinião sobre ela apenas por um comentário. A Granger não gostava tanto assim do Natal? Ótimo! Eu o odiava e isso não nos conectava de maneira alguma. Não importava o quão suscetível a opiniões definitivas eu ficava naquela época.
Hermione disse apenas que não era a maior fã da data, isso não queria dizer que ela me entenderia para valer nessa ou em outras questões. E mesmo se o fizesse, o simples fato não nos tornaria almas gêmeas. O pensamento me deixou desconfortável ao lembrar das coisas que meus pais falavam sobre eu precisar encontrar alguém e começar a namorar, que eu era jovem e deveria, mas eu não via dessa forma. Sei que eles não diziam por mal, mas eu não tinha que fazer nada! Seja namorar por estar na idade ideal ou estar feliz porque assim manda um calendário. Talvez eu fosse um pouco rebelde ou exagerado, mas tinha meus princípios. E independente do preço a pagar, não abriria mão deles.
Os minutos tornaram-se horas e quando percebi já tinha que almoçar. Era melhor mesmo que aquele maldito dia passasse rápido, assim a palhaçada natalina encontraria logo seu fim.
Como presente de aniversário eu bem que podia ganhar uma folga. Não do trabalho especificamente, por mais que não achasse ruim a ideia de me afastar de tanta gente comemorando e comprando coisas. Queria apenas a chance de não precisar me preocupar, que aquele fosse apenas outro dia normal e não um dos mais importantes para o consumismo. Meu desejo não alterou a realidade, e por isso ainda havia filas e uma multidão ensandecida em todos os lugares.
Theo, meu amigo de infância, passou boa parte da manhã me mandando mensagens citando maneiras particularmente cruéis de vingança caso eu não desse um jeito de encontrá-lo no shopping em que ficava a Decorações Malfoy no horário do meu almoço. De nada adiantou dizer que não havia como saber quando eu teria tempo para uma pausa, e céus, como tentei fazer com que ele entendesse. Theo era uma mula empacada e irredutível quando queria. O pilantra falou com minha mãe para eu ser liberado, pois nada mais explicava as frases “Tente não demorar, e diga ao Theo que eu mandei um beijo. Convide seu amigo para jantar lá em casa qualquer dia.”. Sim, muito amigo.
Ok, ele me ajudou em algo que eu queria muito, alguns minutos de folga. Mas eu não era idiota, sabia muito bem o que estava por vir. Theodore Nott era um monstro perfeitamente capaz de estar me esperando no meio do shopping com uma faixa de “feliz aniversário”, bolo, chapéu de festa e balões. Sim, no plural. Sei porque aconteceu no ano passado e passei dois meses o ignorando como se minha vida dependesse disso. Meu orgulho realmente dependia.
Fui rápido ao me dirigir para os fundos da loja e tirar o avental que me identificava como um de seus funcionários. Cogitei vestir o sobretudo do meu pai e desaparecer na multidão se notasse que Theo me armava uma cilada, mas quem eu queria enganar? Independente do que, meu amigo iria aprontar, pois era mais forte que ele. Sem contar que Theo sabia o endereço da minha casa e o do trabalho, então fugir dele só aumentaria sua fúria. Vovô com certeza o adoraria e aprovaria seus métodos.
O percurso foi rápido, o que não me deu muito tempo para pensar nas retaliações que Nott certamente merecia. Na mensagem ele mencionou que já havia comprado nosso almoço, então só precisei ir ao lugar marcado. Antes, porém, uma visão medonha me atacou.
Era como se o Natal me perseguisse.
A caminho da praça de alimentação vi um cara vestido de Papai Noel. Ao lado dele havia enormes renas de pelúcia, e um garotinho fazendo o maior escândalo era posto no chão. Eu entendia aquelas lágrimas. Mas o choque de verdade veio quando alguém que ajudava o dito bom velhinho devolveu a criança a seu pai, me permitindo ver seu rosto. O rosto dela. Hermione Granger, a garota que me deu esperança da humanidade ter jeito, estava vestida de duende e auxiliava aquele velho pançudo. Foi como se os últimos dias fossem uma mentira e o Natal risse na minha cara se gabando por ganhar. Ninguém me entendia, era isso. E eu era idiota por achar que ao menos uma vez na vida seria diferente.
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