Um Conto de Natal - Dramione
3 Parte III
Notas iniciais
Não era racional, mas eu me sentia traído. Foi ela que disse não gostar daquela comemoração estúpida, nem toquei no assunto. Então por que Hermione diria algo assim de forma tão espontânea sendo que era mentira? Aquela garota abusada não tinha o direito, e iria ver só uma coisa.
Mais uma vez, a razão me abandonou. Deve ter dado uma volta com minha discrição, pois sem nem notar direito o que estava fazendo fui até aquele circo, inconformado com tudo o que o envolvia.
— Hey, garota! — Praticamente gritei na parte de eventos do shopping. Ignorei totalmente as criancinhas e suas mães inconformadas por eu, supostamente, ter furado a fila. Tinha algo importante para resolver, para mim era questão de honra pôr tudo aquilo em pratos limpos. E de preferência jogar os já mencionados pratos contra alguma parede, tamanha era minha fúria.
Sem conhecê-la, porém, Hermione finalmente virou na minha direção. Por um instante a dúvida nublou suas feições, mas o momento passou. Um lampejo de reconhecimento brilhou em seguida, denunciando que ela sabia muito bem quem eu era. Não que me seja agradável admitir, mas uma parcela de determinação me abandonou naquela hora. Não era muita, mas não foi um bom sinal. E tudo pelo sorriso que se abriu quando a maldita traidora inclinou minimamente a cabeça e ajeitou um cacho por trás da orelha feérica. A desgraçada era linda e sabia disso, mas eu não ficaria abalado. E honestamente, aquela cena de falsa timidez foi patética. Não tive tempo para me indignar com as demais atitudes, já que em um instante Hermione e eu já estávamos frente a frente.
— Você por aqui? — Perguntou com um riso nervoso, secando as palmas das mãos na ridícula bata de veludo. E respondeu o próprio questionamento, como a boa maluca que era. — Mas é claro, nada mais justo que visitar meu local de trabalho depois que fiz o mesmo. Só que eu não fui visitá-lo, tive mesmo que comprar algumas coisas na loja da sua família. — Apressou-se em corrigir, corando e sorrindo. Não me deixei levar pelos olhos castanhos e brilhantes, pois eu e a tratante tínhamos algo a resolver.
— Você disse que odiava o Natal. — Não tardei a acusar. — Você não parece odiar o Natal, e se essa palhaçada realmente fosse séria também não ganharia um presente te recompensando por ser uma mentirosa vendida. Suas atitudes são péssimas e eu não acredito que teve tanta audácia. Não deveria me surpreender por você estar mancomunada com o velho pançudo de caráter duvidoso!
Sua boca abriu e fechou algumas vezes, e por um momento me arrependi por ter desfeito o pequeno sorriso que não abandonava seu rosto. Ao menos até eu mostrar minha indignação. Mas eu tinha meus motivos, e seu semblante se tornando sério me indicava que a farsa daquela garota abusada finalmente acabaria.
— Se entendi bem, veio até o meu local de trabalho para me atrapalhar e me acusar de coisas ridículas. É isso mesmo?
Não tive oportunidade de respondê-la, embora. Para meu eterno infortúnio, meu melhor amigo escolheu a pior hora possível para brotar do chão e me deixar em uma situação desconfortável, como era seu costume.
— Essa é a menina que a tia Cissa falou? — Perguntou Theo, se metendo entre a gente. — Você é realmente muito bonita, Hermione, posso dizer que entendo perfeitamente o interesse de Draco. Sou Theodore, aliás. Bem-vinda à família.
E pronto, eu queria sumir. Não antes de encher aquele idiota de cascudos, é claro.
— Como é? — Tamanha era minha indignação que sequer tive a presença de espírito de mandá-lo residir em um lugar sem iluminação solar, só consegui balbuciar aquilo.
— Vocês são parentes? — Hermione perguntou, entendendo menos que eu.
— Não, mas eu e você seremos cunhados assim que o Draco tomar vergonha na cara e pedi-la em namoro. Pelo que o conheço, a atitude terá que vir de você, querida.
— Theodore, caia fora. — Exigi. — Por que caralhos somos amigos mesmo?
— Eu não sei o que está acontecendo aqui, mas prefiro não descobrir. Se me dão licença, tenho mais o que fazer do que ficar no meio dessa loucura. — Ela disse, parecendo chateada.
— Ah, não… Eu interrompi? — Theodore pareceu genuinamente arrependido. — Não brigue com ele por minha causa, Hermione. Para o Draco estar aqui é porque gosta muito de você.
— Ou porque quis me chamar de mentirosa vendida depois de me ver uma vez na vida. — Ela finalmente riu, mas eu seria idiota se não percebesse o tom amargo e acusatório. — Tenha um feliz Natal, Theodore.
Sem saber o que fazer, a observei dar as costas e ir embora. Uma parte de mim, aquela irritante e extremamente difícil de calar — talvez a consciência — me alertava que aquilo foi um erro. Só era difícil saber qual parte. Implicar com Hermione na primeira vez em que nos vimos na Decorações Malfoy era uma forte candidata, assim como achar de uma hora para outra que tínhamos uma conexão especial por ela, supostamente, também odiar o Natal. E eu queria muito não considerar aquilo, mas passado o momento de descontrole, tê-la abordado de repente para a acusar de não corresponder às expectativas que eu mesmo criei sobre ela não parecia muito uma atitude de alguém ajuizado. Seja qual fosse o momento, era inevitável pensar que havia cometido um erro. E a sensação era péssima.
Theodore, como sempre, tentou amenizar a situação usando humor. Mas não adiantava, nenhuma de suas brincadeiras conseguia me distrair. Nem as sacolas com comida que só depois reparei estarem em suas mãos o tempo todo. E ele foi atencioso o bastante até para levar a sobremesa, um mini chocotone que recebeu uma vela em cima enquanto ele cantava parabéns e batia palmas sem se importar com as pessoas olhando a cena incomum. Eu apreciava de todo o coração o gesto daquele marmanjo adorável com um chapeuzinho de aniversário com o Mickey desenhado, e só por isso tentei parecer alegre e despreocupado pelo tempo em que estivemos juntos, o que estava longe de ser a verdade. Nem a promessa de que eu receberia meu presente à noite na ceia conseguiu pôr um sorriso sincero no meu rosto.
Um ponto era fixo na minha mente, mais precisamente uma lembrança que se repetia e não me deixava em paz. O brilho acastanhado dos olhos daquela garota que não saía da minha cabeça desde que a conheci, seja pelo motivo que fosse, e como ele foi sumindo por minha causa. Com poucas e rudes palavras, eu o roubei. E desde então estava revoltado comigo mesmo por isso.
A fulana tinha um olhar tão lindo… Isso sem contar o sorriso. Ela nem precisava se esforçar para ser simpática, e isso somado àquela beleza e aparente simplicidade desarmava qualquer um. Bom, aconteceu comigo. E eu não sou exatamente uma pessoa aberta a coisas tão positivas nessa época do ano. Não que eu tenha me tornado especialista em alguém que vi rapidamente duas — rápidas e conturbadas — vezes na vida, mas Hermione parecia ser o tipo de gente que atrai pessoas. Não necessariamente no sentido físico da coisa. É mais sobre ser alguém que as pessoas querem ter por perto, talvez por parecer se importar ou fazê-las se sentirem especiais, não sei. Normalmente eu tinha certo preconceito com pessoas assim, como se elas fossem falsas dispostas a serem o que o outro precisa, tudo para serem admiradas.
Só que eu não era tão idiota ao ponto de achar que aquele realmente era o caso ali. Eu era idiota, sim, mas pela cena que causei. Pelas expectativas ridículas criadas e por deixá-la visivelmente magoada. E se eu consegui perceber isso sozinho, orgulhoso como era, significava que o que aconteceu realmente foi feio.
Eu queria tempo para consertar o que fiz, mas hoje era a porra da véspera de Natal, o dia mais movimentado do ano para a loja em que eu trabalhava e para as demais. Tempo era um bem precioso, e eu não o tinha. Sabia já estar atrasado e que não só meus pais, mas os demais funcionários também devem ter precisado de ajuda nos valiosos minutos em que passei do horário. Devido ao fato de estar completando mais um ano de vida, mamãe e papai não me chamariam a atenção, sabia disso. Mas um nó que só agora ao suspirar cansado notei estar instalado em minha garganta era mais um indício que nunca foi minha intenção, que eu não queria decepcionar ou sacanear ninguém. Eu queria que eles soubessem. Eu não tinha um bom histórico de gentileza extrema, mas daquela vez mudaria as coisas se pudesse. A porra é que o momento já havia passado, então eu não podia.
Foi no automático que fiz as etapas necessárias para prender o outrora odioso avental ao corpo. Ele continuava de um tom de verde forte e com pequenos enfeites coloridos pregados, ainda de extremo mau gosto para um assumido odiador do dito bom velhinho. Sua textura era macia e causava uma sensação gostosa quando passávamos a mão por ela, embora. A costura feita com uma linha diferente e muito brilhante simulava os pisca-piscas na árvore de Natal que eu me tornava ao vestir aquilo. Ok, daquele detalhe da costura eu gostava, mas ninguém precisava saber.
Mesmo sabendo que estava atrasado, em algum momento do dia acabei ficando um pouco apático também. A animação da manhã parecia ter sido há meses atrás. Mais uma vez em um curto espaço de tempo eu suspirei. Resignado, talvez. Eram tantas coisas passando na minha cabeça ao mesmo tempo, e eu não conseguia focar em nenhuma em especial. Era exaustivo e angustiante. E ainda tinha o trabalho para lidar. Resolvi focar nele, me atrevendo pela primeira vez na temporada a colocar o gorro natalino com uma estrela na ponta. Agora era oficial, eu já podia ficar parado na sala de alguém decorando o ambiente. E eu realmente fiquei parado, mas apenas por mais um instante enquanto via um pequeno enfeite de Papai Noel. Eu o olhei sem picuinha, mas com o ressentimento daquele garotinho que desde sempre teve seu aniversário roubado por aquele senhor.
Bem no início mamãe conta que eu achava que a decoração natalina significava que o mundo inteiro estava comemorando minha data especial e que eu ficava encantado. Como era muito novo, só lembro da mágoa quando me dei conta que não era isso. Os amiguinhos não podiam vir na minha festa, pois era véspera de Natal e eles iam comemorar a data com a própria família. E após alguns anos meus pais desistiram de fazer minha festa, pois isso me fazia mais mal do que bem. Até nos dias de hoje as pessoas esqueciam o que a data significava para mim, pois o Papai Noel era a estrela não só do dia, mas de todo o mês.
E eu olhava pensativo para aquela subcelebridade fictícia, frustrado e farto do nosso péssimo histórico. Na minha cabeça nunca foi certo o que ele fez com aquele garotinho que fui, mas essa não era a questão agora. Eu me senti injustiçado sobre o assunto a vida toda, mas ao que isso me levou? Agora eu me sentia só… cansado. E só, no sentido de estar completamente sozinho nas minhas loucuras fantasiosas, mesmo que elas fizessem todo o sentido do mundo para mim. Mas mesmo que fizessem lá seu sentido, talvez eu tenha dado importância demais ao assunto quando passei do limite de excêntrico para o louco e agi daquela forma com Hermione.
Ainda hesitante percebi que tinha um desejo sincero a fazer, mesmo que as leis da física muito provavelmente não fossem colaborar comigo. Se o bom pançudinho atenderia um pedido meu, se fui um bom garoto durante o ano ou se o Papai Noel acharia um verdadeiro abuso da minha parte não fazia diferença, pois eu olhava para ele com os olhos estreitos ao ponderar internamente. Porra, era véspera de Natal. E porra, era meu aniversário! Eu tinha um pedido duplo a fazer, de acordo com as regras. E pedidos duplos acumulados em anos nos quais estava de mal daquele senhor. Ou seja, eu tinha direitos. E um desejo enorme de voltar no tempo, nem que fosse só para desfazer aquela confusão do almoço. Talvez ver de novo a pobre fulana, eu não sei. Resolver as coisas seria bom, embora talvez nem um milagre natalino fosse o bastante para desfazer tudo aquilo.
Quando desviei os olhos do boneco e finalmente fiz meu caminho através da Decorações Malfoy, era um Draco apático a ser visto. Durante o restante da tarde eu não reclamei de nada, perdido como estava em minhas reminiscências. Eu mal registrava o que acontecia, só fazia meu trabalho calado. A vontade de reclamar apenas não estava mais ali, assim como a de responder as gracinhas dos colegas de trabalho e os comentários preocupados dos meus pais. Já estava decepcionado demais comigo mesmo para esperar algo de bom do dia. Que inclusive, agora eu só queria que acabasse. Todavia, não consegui isso tão fácil assim, pois meu comportamento deixou minha família realmente preocupada.
— Ok, você está estranho, garoto. — Papai disse quando estávamos para fechar e eu usava alguns itens do estoque para repor as prateleiras que perdiam seu conteúdo com uma velocidade que deixaria qualquer um abismado. Normalmente eu só diria que tive a quem puxar, mas no momento não tinha a presença de espírito necessária para ser encrenqueiro. E para ser bem sincero acho que daria meu jeito de ser incomum mesmo que aquele senhor fosse o mais normal dos pais.
— É? Sinto muito. — Respondi simplesmente.
No mesmo instante meu corpo foi virado e as orbes acinzentadas que eu via, tão parecidas com as minhas, me examinavam com uma seriedade que poucas vezes vi partir de Lucius Malfoy. Suas mãos ainda estavam perto dos meus ombros enquanto eu era analisado por dentro e fora por aquela expressão perscrutadora.
— Certo, o que aconteceu? Porque eu sei que alguma coisa muita séria deve ter acontecido.
Bom, eu não queria mentir. Mas também não queria dizer a verdade.
— Não se preocupe, pai. Logo o expediente acaba e nós descansamos. — Desconversei descaradamente.
— Você sabe que não respondeu absolutamente nada do que eu perguntei, não é? Nem sequer negou, apenas foi vago. E está esquisito desde que voltou do almoço. Theo estava de novo carregando uma festa de aniversário nos braços, como no ano passado? Eu disse para aquele garoto pensar bem antes de fazer essas surpresas, pois não é por estar em um local público que uma hora não teria retaliações. Seu avô com certeza iria adorá-lo. Eu lembro quando eram pequenos e aquele maluco do seu amigo…
— Theodore não fez nada, pai. — O interrompi, embora meu amigo realmente merecesse a esculhambação. — Quero dizer, não fez nada de ruim. Ele até que foi fofo, dessa vez. Sem grandes vexames, pelo menos nada mais do que o esperado.
Sem grandes vexames da parte dele, foi o que pensei. Mas Lucius Malfoy era um cara inteligente.
— Certo, Theodore pegou leve dessa vez. Mas eu te conheço e sei que algo aconteceu. — Antes que eu pudesse dizer o que fosse, a visão de sua palma me calou. — Seja pela data ou por qualquer outro motivo, meu filho, não quero que se sinta só ou perdido. Independente da situação você tem a mim e a sua mãe, e não vamos abandoná-lo por nada. Então quando, e se quiser conversar, não hesite em procurar a gente.
— Certo… — Concordei, um tanto sem graça.
— Eu lembro de quando tinha sua idade e me interessei por Narcisa, por exemplo. Quase fiquei maluco de tanto pensar nela e sem saber o que fazer, se devia ou não falar, preocupado que meus amigos me achassem ridículo e… — Papai pareceu se dar conta de algo, e eu também. — Espere aí… Isso tem algo a ver com a moça que veio aqui há alguns dias e você foi bruto com ela, Draco Black Malfoy?
— Eu… eu… — Eu mais sentia que sabia que minhas bochechas deviam estar de um vermelho vivo, talvez todo o rosto, mas não era isso que eu iria dizer a ele. Eu nem tinha o que dizer, para falar a verdade. — Eu, ora… Mas que… coisa para se falar ao próprio filho… Francamente.
Eu nem precisava que seus olhinhos julgadores estivessem semicerrados daquele jeito para me sentir um idiota, já que eu mesmo estava me julgando. Só que em vez de me condenar por um crime terrível, meu pai abrandou a expressão e me mostrou um sorriso amplo. Seus olhos fechados rendiam rugas adoráveis naquela região, pois sempre foi maravilhoso vê-lo feliz.
— Desculpe a indiscrição, campeão, você sabe que seu velho pai fica tagarela quando se empolga. — Ele disse em seguida. — Eu não cheguei a ver a garota, mas fique tranquilo. Só uma louca resistiria ao charme, ao nariz empinado e a cabeleira loira dos Malfoy.
— Só que dessa vez o louco fui eu. — Falei baixinho, constrangido. Mas ele ouviu.
— Perdão?
— Bom, eu meio que talvez possa ter sido, quem sabe, um pouco indelicado mais cedo quando a vi com uma roupa de duende ajudando o Papai Noel.
— Você não fez!
— Em minha defesa, no outro dia ela disse que não gostava tanto assim do Natal e eu… Bom…
— Se interessou por ela só por causa disso? — Perguntou, dessa vez me julgando, condenando e jogando a chave fora. Com razão? Sim, se fosse mesmo esse o caso. Só que não era.
— Claro que não! Ela me desperta alguma coisa. Alguma coisa boa, quero dizer, e uma sensação de… pânico também? Eu não sei, pai. Só sei que fui um idiota com Hermione. — Concluí, derrotado. Nem eu sabia direito o que era aquele frio na barriga estranho que me assaltava só em pensar naquela morena abusada, até antes do ocorrido de horas antes. Mas eu tinha consciência de me sentir miserável por fazer seu olhar perder o brilho e seu sorriso evanescer. Eu era como Grinch roubando o Natal, e só queria devolvê-lo a ela. Ok, talvez eu estivesse um pouco mais ferrado do que até então havia percebido. Só naquele instante a ficha caiu, me deixando extremamente surpreendido com seu efeito. — Oh, porra, eu gosto dela!
Não sei se meu pai riu por causa dos meus olhos arregalados, da declaração polêmica, por não prestar mesmo ou pelo conjunto da obra.
— Desculpe, eu não estava preparado para tanto romantismo. — Disse em meio às gargalhadas, tentando se conter ao limpar as lágrimas que escaparam pelo canto dos olhos. Cretino! — O que está fazendo que ainda não foi atrás dessa menina, Draco?
— Mas eu… A loja!
— Nós nos viramos com a loja, meu filho, e aposto que Hermione gosta de você também. — Papai falava enquanto um sorriso esperançoso ousava aparecer, tentando dividir meu rosto em dois. Não podia ser, não é? Ou podia? — Não perca tempo e vá atrás dessa menina. Agora mesmo, Draco!
E de repente eu era o maldito clichê romântico natalino. A pessoa dos filmes — que eu secretamente assistia — correndo feito louca para chegar em seu destino onde tudo daria certo e a magia do Natal se concretizaria. Será que tudo realmente daria certo para mim? Eu ficaria devendo uma para o velho pançudo com um senso de moda questionável se de fato tivesse meu final feliz de filme. Foi o que pensei até chegar em velocidade recorde até os fundos da loja onde deixei o avental, pois: ah, para o inferno. Ele que estava me devendo mesmo. Papai Noel que agisse como um bom menino primeiro antes de ter a cara de pau de cobrar isso de alguém. Se em tese ele dava presentes para o mundo inteiro não vinha ao caso agora e só minha opinião importava.
Eu estava com um pé no corredor e o outro na Decorações Malfoy, assim como as mãos que seguravam na porta para me frear. Eu tinha algo a fazer antes. Com passos decididos fui até meu pai, surpreendendo-o com um abraço apertado.
— Eu te amo, Lucius Malfoy. Você é o melhor pai do mundo. — Me afastei, esticando a mão e pegando um enfeite qualquer da prateleira antes de colocá-lo no bolso. — Quando não está sendo cretino comigo, é claro.
Papai riu, me fazendo sorrir em resposta.
— Também te amo, campeão. Agora vá logo viver seu milagre natalino.
E como se meu pai tivesse herdado os genes bruxos do vovô Abraxas, suas palavras tornaram-se uma ordem quando lhe dei as costas e ganhei velocidade. De novo eu era o tal do maldito clichê natalino, e agora isso nem era tão ruim assim. Quero dizer, minhas tripas ainda davam nós dentro da barriga, minhas mãos estavam começando a ficar pegajosas e a ansiedade me corroía. E ok que o coração tenha se rebelado contra mim também, assim como o resto do meu corpo, mas não sei quem foi o idiota que o romantizou. Pois se eu acalmasse meu estômago enfurecido seria muito mais fácil lidar com a besteira que eu tinha feito em relação a Hermione.
Somente pensar nela já me deixou elétrico, como se fosse humanamente possível ficar mais. Não fazia sentido eu estar rindo sozinho enquanto dava uma olhada pelo andar para tentar encontrá-la. As sensações eram muitas e ao mesmo tempo, um pouco mais que ligeiramente desesperadoras e eu estava… feliz? Oh, então era assim ter um leve crush por alguém! Satisfeito por ter chegado sozinho àquela brilhante descoberta foi que continuei meu caminho a passos rápidos na esperança de achá-la.
É desnecessário dizer que deliberadamente eu fazia de tudo para não ver meu desafeto de fim de ano, quiçá ter notícias suas. Mas de um jeito ou de outro eu as tinha, pois seria pedir demais que os clientes fizessem suas compras em nossa loja sem comentar sobre a atração principal do shopping. Dependendo do resultado de hoje eu estaria praticando o perdão, então só por isso respirei fundo e tentei não praguejar sobre o idoso roubador de aniversários, tentando achá-lo logo. Consequentemente, encontrar Hermione. A questão é que eles não tinham um ponto fixo para ficar, fazendo os clientes andarem pelo shopping e consumirem mais. E o lugar era enorme.
Como naquele dia o shopping fecharia às seis da tarde e já era esse horário, as lojas fechavam suas portas enquanto eu podia ver uma ou outra operadora de caixa sorrindo para o cliente em sua frente, mas claramente o sorriso desesperado de “Hey, essa mulher não tem casa? Porque eu tenho e preciso voltar para lá”, típico de todo funcionário que trabalha com atendimento e conta os segundos para poder escapar logo para a segurança do próprio lar.
Eu andava sem um rumo muito definido, atento a qualquer sinal dela enquanto os funcionários de outras lojas despediam-se entre si e desejavam que seus natais fossem felizes. Eu estava para perder as esperanças quando a vi descaracterizada, mas conversando com um cara que devia ser apenas alguns anos mais velho que nós dois e estava parcialmente trajado como o bom velhinho. A alguma distância pude perceber que o rapaz tinha um sotaque que não devia ser do Polo Norte, embora eu nunca tenha estado lá para tirar a prova. Hungria, talvez? Eu tinha visto uma série húngara há cerca de um mês e a forma que ele falava parecia muito com a da maioria dos personagens.
Só sei que o rapaz que eu estava decidido a não xingar devido a seu emprego riu de algo que “Hermionini” — como ele a chamou — disse, me fazendo reparar em como os dois pareciam próximos. Porra, um namorado? Eu definitivamente não contava com isso. Agora teria que odiar a mamãe noel e duendes também. Sem ter consciência do que fazia, e tamanha minha indignação, devo ter praguejado alto demais. Isso porque Hermione e o dito cujo agora me encaravam. Esse último parecendo ligeiramente irritado, mas acho que sem dar realmente muita atenção a minha pessoa. Já Hermione… Foi muito bom vê-la, mas eu não gostava daquele olhar chateado e impaciente sobre mim. Ok, o bico que se formou em seus lábios sem que ela se desse conta, imagino eu, era simplesmente adorável, mas confesso que preferia algo mais amistoso como o maior dos sorrisos. Eu nunca disse não saber que isso era pedir demais. Vi filmes o suficiente para reconhecer aquela como a minha deixa.
— Hm… Oi. — Disse, e ela ficou me olhando. Talvez, e só talvez, eu devesse ter pensado um pouco melhor na escolha das palavras enquanto a procurava. Porque porra, eu esqueci um idioma inteiro quando vi aquela garota.
Ela deu um suspiro cansado ao sorrir minimamente para o rapaz e se despedir dele, desejando boas festas. Ainda hesitante me aproximei aos poucos, olhando-a desconfiado. Será que ela simplesmente viraria para tomar impulso e me acertaria um soco no nariz? No fundo, eu não duvidava. O fato é que ele já devia estar bem longe quando me aproximei o bastante da outrora abusada, que parecia abatida ao se dirigir a mim.
— Oi. — Respondeu o cumprimento que eu nem lembrava mais que havia feito.
— Aquele era…
Ela reconheceu meu tom questionador e se apressou em responder impaciente, o que fez com que falássemos ao mesmo tempo.
— O velho pançudo impostor ou sei lá do que você o cha…
— Seu namorado? — Terminei a pergunta, lhe causando assombro.
— O quê?
— O quê?
— Você disse… Eu e Viktor? Não, por favor. Pelos deuses, ele é só meu chefe quando faço esses bicos.
— Então você e ele…? — Deixei o final da frase em aberto enquanto ela negava e eu sorria, causando um franzir de sobrancelhas por parte da linda e solteira tratante. Pigarreei, tentando disfarçar e quem sabe começar de novo devido aos desentendimentos. — Hm… Hermione, certo?
Se eu era um cretino hipócrita ou não, ninguém tinha nada a ver com isso.
— Isso mesmo, Draco Malfoy. Ou mentirosa vendida, o que for mais fácil para você.
Ai, aquela doeu. Ela era passiva-agressiva, e eu teria que virar aquele jogo independente de quais fossem as consequências.
— Uau, você realmente gostou do apelido. Mas eu prefiro Mione, para falar a verdade. Combina mais com você. — Se nem eu esperava que esse fosse meu movimento, imagino ela, que me olhava desconfiada.
— Eu não sei o que aconteceu nesse meio tempo, mas sou a garota vestida de duende, lembra? Assistente do velho pançudo e fictício que você diz odiar por seja lá qual for o motivo.
— Sim, a mesma abusada que foi na loja da minha família com os braços lotados de presentes e sugeriu que minha mãe me botasse de castigo e desse umas boas palmadas.
— Eu não sabia que o Grinch tinha uma memória tão boa assim. — Respondeu com desafio no olhar, que logo se tornou diversão quando ri abertamente.
— Ok, eu mereci essa. Mais alguma coisa?
— Eu precisaria de um dicionário de ofensas para que ficássemos quites.
— É isso que quer, usar um idioma inteiro para se vingar? — Fiz meu drama, vendo sem entender muito bem seu relaxamento ir embora quando ela ficou na defensiva de novo.
— Na verdade eu gostaria de saber o que quer de mim agora. — Seu tom não foi acusatório ou rude, mas eu preferia que fosse. Mil vezes isso ao jeito acanhado, e por que não dizer, magoado, dela ao me fitar. Parecia esperar um novo ataque ou algo assim, e eu quis me socar por isso. Eu era o maior dos imbecis.
— Escute, Hermione, eu… — Involuntariamente me aproximei dela, que deu um passo para trás. Agora ela estava com medo de mim. Ótimo! Bufei exasperado, indo para trás e mostrando as palmas das mãos para ela, como garantindo que não estava armado e que não iria lhe fazer mal. — Certo, eu mereci essa também. Não vou fazer nada com você, desde te acusar do que seja a chegar perto, já que tem suas razões para me achar um maluco. — Vi que ela ia dizer algo, mas eu estava mais do que angustiado. Se a torrente dentro de mim não saísse naquele momento, não sairia nunca mais. — Eu sou um arrogante filho da mãe que não consegue admitir quando está errado, está bem? A vida inteira sempre foi assim. Mas até eu reconheço que fui um babaca contigo, principalmente hoje mais cedo, e peço que me perdoe. Eu não tinha o direito de te julgar e condenar por expectativas que eu mesmo criei ao seu respeito e agora sei disso. Só que eu não paro de pensar em você desde a primeira vez em que te vi, e depois de hoje você era tudo o que existia na minha cabeça.— Quando o olhar dela se tornou demais para que eu pudesse aguentar, assim tão castanho e límpido, olhos tão curiosos tentando enxergar além de um loiro que não conseguia calar a boca, eu abaixei os meus para não me perder nos dela. Só assim os pensamentos se tornariam palavras, que talvez, com sorte, se tornariam alívio. — Eu fui um idiota, está bem? A porra de um babaca do caralho e sinto muito por isso. De verdade. — Falei baixinho, engolindo em seco quando vi seu rosto de novo. Lembrei de algo, colocando a mão no bolso da calça, pegando o pequeno enfeite que selecionei ao acaso na prateleira da loja para ter uma desculpa para quebrar o gelo quando a encontrasse. Iria oferecer a Hermione como oferta de paz, e descobrir junto a ela qual o objeto responsável por evitar a terceira guerra mundial, já que na hora estava ocupado demais surtando para me preocupar com aquele pequeno detalhe. Céus, eu só esperava não ser algo ofensivo. Enfeites natalinos podiam ser ofensivos? Eu sei que trabalhava em uma loja de decorações a vida toda e que eu deveria saber, já que era o negócio da família, mas ainda tinha minhas dúvidas.
— Eu não esperava tudo isso. — Hermione capturou de novo minha atenção ao enfim falar algo, parecendo mais aberta mesmo que torcesse as mãos na frente do corpo.
Sorri de lado, só então percebendo que havia deixado qualquer máscara ou disfarce para trás quando comecei a matraquear pedindo que ela me perdoasse.
— É, nem eu. — A frase simples soou enigmática, e de fato era um pouco. Até porque Hermione não fazia ideia. Nem mesmo eu esperava por tudo aquilo, o que ela em poucos dias fez com minha cabeça e coração. E claro, o estômago, se formos romantizar o órgão certo.
De repente ela sorriu daquele jeito acolhedor de novo, e meu coração falhou uma batida. Para não ficar para trás, as borboletas no estômagos disseram “olá”. Céus, seria um páreo duro. Meu rosto idiota já estava sorrindo de novo, quando Hermione aos poucos chegou perto de mim, apontando para a saída, para que caminhássemos juntos.
— Vamos? — Disse simplesmente, e com apenas essa palavra eu a seguiria para onde quer que fosse. Se crushes leves eram assim, eu estaria ferrado se aquilo aumentasse.
— Ah, eu tenho uma coisa para você. Trouxe como oferta de paz. — Disse, colocando de novo a mão no bolso e a retirando de uma vez, descobrindo junto a Mione que o tal objeto ali guardado era nada mais, nada menos que um Papai Noel exatamente igual ao que eu fiz meu pedido de Natal depois do almoço, desejando voltar no tempo e consertar as coisas com a bela garota ali na minha frente. Ah, aquele pilantrinha…
— Um enfeite de Papai Noel, Draco? — Ela riu, e aquele som estava se tornando meu favorito rápido demais. — Olha, infelizmente eu acho que gosto desse seu senso de humor duvidoso.
— E felizmente a recíproca é verdadeira.
Francamente, era meio impossível não rir perto daquela adorável abusada com jeito de sabe-tudo, e foi isso mesmo o que eu fiz. Já estávamos quase na saída do shopping quando ela parou de chofre, ficando meio sem jeito ao mexer na bolsa. Conforme a revirava e ora tirava uma escova de cabelos dali, ora eu sei lá o que era aquilo, me peguei pensando que não era possível a bolsa ser do tamanho que aparentava. Mas foi quando ela tirou um cachecol de dentro de um saco de presente aberto que realmente fiquei surpreso, a ficha caindo conforme Hermione falava.
— Eu ando sem tempo para nada e há anos não tricoto de fato, mas vi uns vídeos na internet para refrescar a memória e fazer isso para você. Sei que sua mãe me deu o vale compras e não quis ser ingrata ou esnobe, mas não achei adequado te dar algo da loja em que você trabalha. A loja da sua família, pelo que entendi. — Eu a olhava, petrificado. — Eu só terminei o cachecol hoje de manhã, e nem sabia se te veria a tempo. Fiquei tão feliz e eufórica quando você surgiu do nada no começo da tarde, mas esqueci completamente do seu presente quando começou a confusão. E você também não estava merecendo naquela hora.
— Não pode ser… — Apenas balbuciei, pensando alto. Era isso mesmo que eu estava pensando? Aquele pilantra sem vergonha… Ele realizou meu pedido e agora eu teria que ser legal com ele de volta. Filho da mãe!
— Sei que não começamos bem desde aquele dia, mas mesmo hoje depois de tudo eu o deixaria com um bilhete anônimo na frente da sua loja quando ela estivesse fechada. Hagrid, o segurança, é meu amigo, e hoje de manhã…
Para o inferno Hagrid, o segurança, pois eu precisava beijar aquela garota. Naquele segundo! Não sei se me orgulho em dizer que fui como uma serpente dando o bote ao me aproximar rapidamente de Hermione. Minha mão direita fez um carinho no rosto delicado enquanto deslizava suavemente para a lateral de seu pescoço. Ela se atrapalhou com as palavras e parou de as falar. No mesmo instante, minha mão esquerda foi sorrateiramente até sua cintura, alojando-se ali. A última visão que tive foi daqueles olhos amendoados absolutamente apaixonantes fitando os meus, antes de olhar para minha boca cada vez mais perto da dela. E assim toda uma nova cadeia de emoções até então inéditas fez caminho rumo ao meu coração. Ou meu estômago, que seja. Seus lábios eram mais cheios que os meus, e eram tão macios que uma eternidade inteira seria pouca para que eu pudesse desfrutar deles devidamente. O beijo era inebriante em um grau que não existia palavra no dicionário de qualquer língua que fosse capaz de traduzi-lo. E por falar em língua… Oh, céus, eu certamente iria morrer. Mas morreria feliz, não havia um átomo de dúvida em mim.
Sem que eu precisasse pedir passagem com a minha, nossas línguas já estavam juntas, explorando-se com uma sincronia além do excepcional. E aquele era nosso primeiro beijo! O primeiro de toda uma infinidade de beijos, eu cuidaria para que fosse assim. Ele só… encaixou? Não sei se é a palavra certa. Não, definitivamente aquela não era a palavra certa. Era simplória demais, rasa demais. Tudo o que Hermione não era.
O que acontecia entre nós sequer comparava-se ao ano novo. Fogos de artifício, esperança, luz e uma promessa de recomeço estavam no meio, ok, mas eu precisaria mostrar isso para alguém em uma escala astronômica para ser pelo menos vagamente compreendido. Porra, beijá-la era o Big Bang. O início da vida, o universo e tudo o mais. Beijá-la era tudo. E com certeza algo que eu gostaria de fazer uma dúzia de vidas mais.
Nessa, entretanto, ar ainda era necessário. Humanos e suas limitações estúpidas! Ao — muito a contragosto — interromper momentaneamente o ósculo, colei minha testa na dela e respirei fundo, soltando o ar e um sorriso besta do fundo da alma. Quando abri os olhos, o castanho dos dela brilhava tão puro e lindo que por um instante todo o ar que nos envolvia não era o suficiente, pois eu esqueci como se respirava. Com medo que o momento mágico tivesse sido vivido só por mim, embora, logo tratei de me afastar. Afinal, eu tinha beijado Hermione sem seu consentimento.
— Desculpe, isso foi precipitado. — Falei rápido, com medo de assustá-la mais a cada palavra ou gesto impensado. Porra, por que tudo era tão difícil? — Eu vim vê-la para me desculpar contigo e consegui arranjar mais motivos ainda para me desculpar. Sinto muito, eu não costumo sair beijando moças bonitas assim do nada. Nem feias, mas na verdade eu nunca beijo as feias, então não sei porque eu disse…
E foi sua vez de me calar. Não com um soco no nariz depois dela tomar impulso, ainda bem. Seus lábios tomaram a missão para si, e eu os tomei novamente, com todo o carinho e aquela coisa nova que crescia rapidamente em meu âmago. Dava medo, mas era empolgante também. Era desesperador, mas era tão bom. Simplesmente a melhor e mais louca das sensações.
— Isso foi incrível. — Hermione me corrigiu, e meu ego não poderia se importar menos por eu estar errado.
Eu não me importei em esconder o sorriso maníaco depois daquilo. Hermione era mesmo uma sabe-tudo, e ela realmente estava coberta de razão ali. Peguei delicadamente o cachecol de uma de suas mãos. Na outra, o bom velhinho ria de mim. O malditinho e encantador, o realizador de desejos… bom velhinho. Eu iria xingá-lo internamente, mas que importância tinha isso agora?
Naquele instante eu não tinha como saber que nos anos seguintes vinte e quatro de dezembro seria meu dia favorito do ano. Não só por ser meu aniversário, mas também pelo até então odioso feriado que me aproximou da linda garota ali junto de mim. Eu não tinha como saber que no futuro veria a mim e Hermione mais velhos, minha caneca tão vermelha quanto seu suéter. Teria um gato ruivo em algum lugar da sala, na qual eu a veria com um livro quase tão verde quanto o tom da camisa do Draco do futuro. Se soubesse de tudo isso naquele primeiro instante, a ironia da situação com certeza me faria rir. Por ora, todos os meus sorrisos pertenciam somente a ela… Hermione, a abusada que conseguiu me conquistar quando não estava nem tentando.
Me inclinei para um beijo casto, segurando ternamente suas mãos enquanto a miniatura do adorável pilantra fictício me lembrava que milagres natalinos eram possíveis. Tudo passou quando me vi segurando um cachecol verde, vermelho e dourado, e as cores combinavam tão bem. Só que a comparação era injusta, pois eu estava com Hermione. Não poderia haver combinação melhor que nós.
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