Um Conto de Bravura: o Exército da Chama
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
Chovia em Prontera. Mas aquela chuva podia muito bem ser as lágrimas dos deuses. Pois, abaixo, misturando-se à água, havia apenas sangue e cadáveres. Homens. Mulheres. Crianças. Todos aqueles que lutaram por uma Rune Midgard melhor estavam mortos, empalados, cortados, perfurados, retalhados, destroçados, entre outros tipos de morte violenta. Os prédios e casas, estavam em ruínas.
Apenas um lutava. Metade de sua mão esquerda estava cortada, impedindo o uso de um escudo. Mas ele era um Lorde, e não iria desistir. Perfurava inimigos com uma só mão. Estava sem seu PecoPeco. Estava sem ninguém. Apenas um pensamento em sua mente: Preciso achar meus amigos.
O Lorde de cabelos loiros e curtos avançou. Parou em frente ao Castelo de Prontera e desabou de joelhos. Não havia mais como continuar ou o que fazer... estava sozinho...
- AAAAHHH!
Então, acordou.
Lucas, o Lorde, acordou assustado. Estava em Moscóvia, dormindo na cabana da Baba-Yaga. Era 28 de maio. O loiro estava suado, vestido apenas com a malha usada por baixo da armadura.
- Garoto, você está bem?
A dona da casa, a bruxa Baba-Yaga, adentrou o quarto que Lucas dormia. Lucas estava treinando em Moscóvia, e acabou encontrando esta cabana em meio às árvores. Aquela Baba-Yaga era diferente das que moravam no pântano. Ela era civilizada. Lucas e a Baba-Yaga acabaram virando... quase amigos. Mas a Bruxa o deixava dormir ali.
- Eu... eu...
- Hehe, teve uma visão, foi? – Interrompeu a Baba-Yaga.
- Como... como a senhora...?
- Moscóvia é uma terra de magia. Talvez ela tenha afetado você, devido à sua permanência, permitindo que você tivesse essas visões. Não é a primeira vez, é?
- Não... eu venho tendo elas a algum tempo já.
- Como eu imaginei.
- Eu vi Prontera destruída... eu vi gente morta...o que isso significa, Senhorita Yaga?
- Sabe, rapaz, o mundo vai passar por mudanças... e mudanças invariavelmente trazem uma crise com elas. Muitos monstros já sentiram isso. Eles tem um contato com a natureza muito maior do que os humanos tem. Muitos estão se mudando, e outros estão se fortalecendo. Por exemplo... sabia que os Orcs estão abandonando sua vila?
- Como assim?! Porque eles fariam isso?
- Pelo que eu disse. Eles sentem a energia negra que está para se abater no nosso mundo. Tempos conturbados nos esperam... Contudo, isto também pode ser algo bom. É nas dificuldades que os humanos fazem seu poder florescer. Talvez o mundo consiga tirar algo de bom disso tudo.
- Mas... eu vi...
- Garoto, visões não são futuros imutáveis. São sinais, avisos, só isso. O que você viu não vai, necessariamente, acontecer...
- Seja honesta comigo, Senhorita Yaga... – Começou o Lorde – o quão ruim o mundo vai ficar?
- Ruim o bastante para precisar de Heróis. – Disse ela, sorrindo para Lucas. Ele sorriu de volta e se levantou. Pegou debaixo da cama o seu equipamento. Vestiu as grevas, as braçadeiras, o peitoral. Passou o Manteau do Comandate por cima dos ombros, e em seguida a capa vermelha dos Lordes. Por fim, pegou o Elmo Fechado. Lucas o olhou com cuidado. O elmo era imponente, assim como o elmo de um Lorde deve ser. Lucas sorriu e o colocou na cabeça. Por fim, pegou a Lança de Assalto A e o Escudo Espelhado com essência de Tirfing e desceu as escadas, sumo à saída da cabana.
- Aonde você vai? – Perguntou a Baba-Yaga, sorrindo, pois já sabia a resposta.
Lucas abriu a porta da cabana, deixando a luz da manhã invadi-la. Então, respirou bem fundo, apreciando o ar puro da Floresta Encantada, e se virou, no sopé da porta, para a Baba-Yaga.
- Eu vou reunir os Heróis, oras!
[Fim do Prólogo]
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