17 de setembro... 1917. Começo do inverno na Alemanha, cidade de Berlim. Ódio, aflição, agonia e rancor. Sentimentos derivados do medo, ideais no qual todo homem já sentiu ou se contém em sentir... Já ouvi histórias de camponeses, fazendeiros, comerciantes e até mesmo soldados onde afirmam nunca terem sentido ou até mesmo ouvido falar de algo parecido como o “Medo”.

Gosto de pensar que homens como estes, nunca viveram de verdade, é até algo simples de se imaginar... Ele cresce a medida no qual crescemos, se deixarmos ele nos domina, porém se o dominarmos, ficamos invencíveis, capazes de fazer acontecer até mesmo um milagre diante de nossos olhos..., mas nesta vida, esses sentimentos na escuridão ganham vida, onde nem os mais corajosos ou são dos homens consegue controlar.

Minha vó sempre me dizia: “Logan... Já ouvi histórias e presenciei outras... O mundo cresce a cada dia que se passa, nem todo se adapta as mudanças, porém existe algo em que sempre vai não só acompanhar, mas também dominar. E isso meu querido neto... Se chama escuridão”. Nessa época eu era muito novo, então minha curiosidade acabou falando um pouco mais alto e rapidamente perguntei – Vó... Não entendi, como assim “Escuridão”? A senhora fala sobre o pôr do sol? – Ela deu uma leve risada e me contou uma história para qual levarei em toda minha vida, que definiu todo o meu destino – Logan, vou lhe contar uma história um pouco diferente das que seu avô contava a você quando ia dormir. Em 1715, 16 de fevereiro, lembro-me vagamente o nome, mas era bem próxima a Berlim, exista um pequeno vilarejo, não menos de quinhentas pessoas vivendo pelas redondezas. O lugar era um pouco violento e sempre havia rancor no coração daqueles próximos ali, devido as altas taxas e injustiças impostas pelo império no qual reinava sobe toda região... Almas cansadas, largas, humilhadas, consumidas pelo medo, nesse vilarejo não tinha paz ou uma luz no fim do túnel, os dias eram sombrios, as famílias desunidas, casais fartos um do outro, e crianças abandonadas, forasteiros roubados em pleno raiar do sol... A escuridão dominava o lugar de modo caótico, até um certo dia, pela chegada de uma jovem moça... Não menos que seus 15 anos, arrancada de sua família, por sua vez estava abatida e derrotada, acusada de atos malignos ou duvidosos perante a visão do império dominante, acabara de ser torturada e colocada para ver seus pais e irmãos mortos um a um. Gritos e lágrimas reinavam sobre o coração da inocente jovem e seus dias foram ainda piores naquele pequeno vilarejo, com olhares mortais e pervertidos sugando quase todo resto de força que restava nela. Após dois dias presa, numa espécie de jaula coberta por panos antigos e um certo ferro enferrujado, debaixo de chuva, sem contar a fome escaldante quase nocauteando a pequena moça... Risos e deboches esvaiam sempre por aqueles que a viam ali, um dos guardas responsáveis por seu transporte estava tramando algo para a calada da noite seguinte e no mente dela já imaginava aquelas mãos e sorrisos perversos sobe sua pele machucada e manchada de sangue dos entes queridos por qual tantas lágrimas foram derramadas.

O Resplandecer da lua se emergia a cada minuto e por todo seu corpo subia um arrepio fazendo todos os seus órgãos tremerem, a medida onde os guardas se aproximavam, ela ia desistindo cada vez mais de si... Sua alma estava gritando por ajuda, não importava qual fosse, apenas de tira-la de tal prisão, era o suficiente... – Alguém conseguiu ouvir a pequena garota vó? Perguntei na época com um certo desdém e um pouco aflito, porém a expressão amedrontada estampada no rosto de minha vó, foi algo... único. – Um corvo de olhos tão vermelhos quanto o próprio sangue por qual escorre pelas nossas veias, ele a estava chamando por seu nome, com uma voz calma e suave, dizia – Não temas, não iria lhe fazer mal algum.

— O... que é... você? – Disse a pequena garota esgotando seus últimos suspiros de força.

— Permita-me apresentar, por eras fui chamado de monstro, o véu da noite, o fim do luar, o caminho da morte..., mas meu verdadeiro nome é Neffysis. E tu pobre alma?

— Me... Chamo... Luara... Por favor me ajude, não deixe aqueles homens virem até mim.

— Eu posso lhe ajudar, mas a uma condição extremamente importante, você a aceitaria de bom grado?

— Qual... Seria?

— Lhe darei tudo que necessitas, só que em troca, a escuridão irá lhe consumir até não restar se quer vestígios de sua atual existência, você aceita?

— Que seja! Acabe logo com isso.

O corpo rapidamente voou sobe a jaula e lhe soltou uma pena, caindo por cima da garota, e com uma gargalhada alta e sombria gritou – VÁ! E ESPALHE O ODIO E MEDO ONDE HABITA E DOMINA POR TODO O SEU CORAÇÃO. Os olhos delas clarearam a ponto de se igualar a um vinho bem tinto, sua pele de repente branca, idêntica a um cadáver e seu cabelo se tornaram vinhas, como as de um cipó bem fino. Somente no estalar dos dedos sua jaula desabrochou, ao se erguer e sair, deu um grito de liberdade bem alto, alarmando todos os guardas presentes, muitos mencionam nas lendas que o som se parecia com almas sendo mortas ou torturadas. Ao resplandecer do luar de uma noite macabra, aconteceu o inevitável, sangue derramado por todos os lados, pessoas queimadas, perfuradas, braços e olhos espalhados pelo chão e corpos suspensos por galhos e estacas... O vilarejo foi abandonado e massacrado da noite para o dia... E a garota sumiu no breu da escuridão entre florestas próximas a cidade e nunca mais a viram desde então. Muitos até hoje dizem a terem visto vagando pelos bosques ao leste e outros pelas redondezas aqui próximas.

—Logan essa história, não é algo fictício e sim um aviso para as pessoas jamais brincarem com a escuridão. Ela pode ser mais traiçoeira do que qualquer homem imagina.

Desde esse dia, sentado em frente a uma lareira, ouvido minha vó se aprofundar cada momento mais numa história um tanto peculiar e bizarra ao mesmo tempo, venho a informar o motivo por ter passado essas últimas semanas desaparecido. “Se está carta chegar a ti, significa que também fui mais uma de suas vítimas... Peço, que não chore minha querida Mary... Mesmo sabendo do risco ou sacrifício, encontrei as respostas para todas as minhas dúvidas do meu passado. Lembra de quando estávamos sentados na sala, jantando aquele seu delicioso macarrão com atum, trocando comentários alheios e sorrisos onde jamais esquecerei... Meu amor esses momentos ao seu lado foram indescritíveis, e por isso vou lhe contar tudo o que passei até o momento desta carta chegar em tuas mãos.”

Notas finais
HEHE! Salve pessoal, me chamo Yuiga Hoshizora, estou aqui trazendo a vocês, uma nova obra no qual estou dando o máximo para escrever, uma saga sangrenta repleta de mistérios e horrores, espero que gostem. :)