Um Caso Não Registrado - 2ª Temporada
70 Capítulo 70 - O Agressor Extremo
Notas iniciais

A crença em uma fonte sobrenatural do mal não é necessária. O homem, por si só, é capaz de toda maldade.
(Joseph Conrad)
Alvez enxugou as lágrimas de Seaver após consola-la.
― Precisamos voltar ao departamento. – disse ele.
― Eu já imagino o escândalo que aquela infeliz esteja fazendo. – resmungou Seaver.
― Você tem que encarar a situação, mas garanto de que eu estou do seu lado.
― Obrigada. – Seaver sorriu e Alvez correspondeu o sorriso.
Eles caminharam lentamente pela calçada retornando ao departamento, ao entrar no elevador Seaver sentiu um frio na barriga o medo de perder o seu emprego era nítido.
Ao chegarem ao andar da UAC visualizaram a aglomeração na sala de reuniões e todos os funcionários escandalizados com os berros de Beth Cruz.
― Olha ela! – gritou Beth assim que Seaver adentrou a sala acompanhada de Alvez.
― Ashley! – exclamou Agatha – O que aconteceu?
― Você agrediu minha sobrinha? – questionou Mateo Cruz.
― Agente Ashley Seaver eu exijo uma explicação. – pediu Hotchner com os braços cruzados.
― Podem me demitir – começou Ashley encarando a todos – eu a agredi sim.
― Estão ouvindo? Vejam só o que ela fez com o meu rosto!
― Agente Cruz ficar escandalizando não vai adiantar nada – protestou Strauss sem perder a postura – não é assim que vamos resolver nada.
― Acho que não tem o que resolver – manifestou-se Mateo Cruz – a agente Seaver confessou a agressão, é demissão sem discussões.
― Não podem demiti-la – Alvez se colocou a frente de Seaver – a agente Seaver não fez de caso pensado.
― Agente Alvez, vai querer justificar uma agressão? – indagou Mateo Cruz.
― Eu tenho certeza que a Beth causou alguma coisa. – retrucou Agatha.
― Agatha, não complica. – Hotchner encarou sua noiva.
― Mas ela tem razão – replicou Alvez – a agente Cruz ficou falando desaforos a nós referente a John Curtis, Seaver ficou descontrolada, peço que relevem.
― O que você disse a eles sobre este desgraçado? – Agatha aproximou-se para encarar Beth nos olhos, porém Hotchner já as separou.
― Tio, está vendo? Ela também ia me agredir! – dramatizou Beth.
― Para de drama! – queixou-se Agatha.
― Eu sou a dramática? Tem certeza disso?
― Chega todos vocês! – Strauss foi obrigada a forçar o tom de voz para exigir que todos se calassem – Temos um caso complicado e vocês ficam criando situações problemáticas? Temos um psicopata perseguindo a equipe, temos que focar nisso, ele sequestrou quatro crianças e pode estar fazendo mal a elas neste exato momento!
― Eu concordo com a Strauss – proferiu Hotchner – devemos evitar problemas paralelos.
― Mas a agente Seaver será demitida. – falou Mateo Cruz convicto.
― Mateo Cruz, permita-me lembra-lo que eu retornei ao meu cargo de supervisora responsável pela UAC e a decisão cabe a mim. – garantiu Strauss.
― Mas a senhora tem que concordar que isto é caso de demissão. – insistiu Mateo Cruz.
― Mateo Cruz, já chega, por favor.
― Nada será feito? – retrucou Beth.
― As mães das crianças logo estarão aqui no departamento, precisamos nos preparar – Strauss ignorou Beth – agente Seaver por hoje você estará suspensa do trabalho.
― Sim senhora. – respondeu Seaver.
― Suspensão? Precisa demiti-la! – contestava Beth – Tio faça alguma coisa!
― Agente Cruz eu peço que respeite a minha pessoa e as minhas decisões. – finalizou Strauss.
Beth Cruz retirou-se da sala de reuniões fervendo de raiva, Mateo Cruz encarou Seaver e depois a senhora Strauss e logo deixou a sala para ir atrás de sua sobrinha.
― Agente Silva, é bom se preparar porque com certeza John Curtis entrou em contato com os pais das crianças, elas vão te acusar sem dó e piedade.
― Esse pesadelo parece que não tem fim. – Agatha passou as mãos em seus cabelos.
― Você precisa descansar um pouco. – disse Hotchner.
― E eu vou descansar como?
― Vamos até minha casa – convidou Seaver – Como eu estou suspensa por hoje... Venha comigo.
― É uma boa ideia. – concordou Hotchner.
― Está bem. – Agatha aceitou a proposta.
― Hotchner vá com ela – sugeriu Rossi – É bom que esteja sempre junto a ela.
― Eu irei junto. – ofereceu-se Alvez.
― Para que? – Hotchner o mirou.
― Acompanhar apenas... Seaver também precisa de um apoio, aliás, ela se abalou com a situação de agora.
― Vão logo. – pediu Strauss – Assim que os pais chegarem eu aviso.
Os quatro saíram dali e foram para o estacionamento, Alvez ofereceu-se para dirigir e Hotchner permitiu.
O trajeto até a residência de Seaver foi quieto, mas quando chegaram Seaver quebrou o silêncio:
― Não vamos ficar mudos, por favor. – pediu ela destrancando a porta do seu apartamento.
― É tanta coisa acontecendo que eu fico sem o que falar. – comentou Agatha.
― Fiquem a vontade – disse Seaver – liguem a TV, leiam um livro, conversem... Eu vou tomar um banho, Agatha se caso quiser tomar um banho fique a vontade eu tenho algumas roupas que servem em você e toalhas sobrando.
― Um banho quente te fará bem. – disse Hotchner.
― Eu vou aceitar – respondeu Agatha e sua amiga a conduziu para o banheiro.
Hotchner e Alvez ficaram sentados em um sofá e permaneceram calados até que as duas retornassem.
― Que silêncio! – exclamou Seaver.
― Está mais calma? – perguntou Alvez a ela.
― Agora eu estou, obrigada Alvez pelo apoio.
― Pode me chamar de Luke. – afirmou ele sorrindo.
― Está bem. – Seaver sorriu de volta.
― Ashley, agora me explica: como assim você agrediu a Beth? – questionou Agatha.
― Como estamos fora do departamento, acho que eu posso me manifestar... – começou Seaver – Ou o chefe acha antiético?
― A casa é sua. – respondeu Hotchner.
― Eu não gosto dela, eu sei que isto não é motivo para se agredir alguém, ainda mais alguém do trabalho, mas ela é cínica e debochada, ela ficou fazendo comentários infelizes.
― O que ela disse de John Curtis? – Agatha estava curiosa.
― É melhor deixar isso para lá. – Alvez preferia que Hotchner não ouvisse aquilo.
― O que ela disse? – insistiu Hotchner.
― Ela fez um comentário de mau gosto dizendo que John Curtis era o seu cafetão. – respondeu Seaver a Agatha e Alvez sentiu-se aliviado que ela não mencionou o comentário de Beth detalhadamente.
― O que foi isso? – perguntou Agatha assustada com o barulho que ouvira.
― Deve ser o Salem, o meu gatinho entrando pela janela do quarto, com licença. – Seaver retirou-se da sala.
Não havia muito tempo que Seaver os deixou para verificar o seu gato e um barulho de tiro foi ouvido por eles, o mesmo veio do quarto.
Em modo ação os três correram para averiguar o que ocorria e se depararam com Seaver em uma luta corporal com um homem alto que invadiu seu apartamento pela janela do quarto.
Hotchner e Alvez avançaram ao mesmo tempo para cima do intruso enquanto Agatha foi socorrer a amiga. O homem estava armado e havia tentado atirar em Seaver, entretanto o tiro acertou em um abajur de uma instante do cômodo.
Hotchner desarmou e jogou o intruso contra o chão e Alvez o algemou rapidamente.
― Ashley, amiga está tudo bem? – perguntou Agatha a abraçando – Se machucou?
― Eu estou bem, o tiro não me acertou.
― Este é Timothy Vogel – Hotchner logo o reconheceu – o Agressor Extremo.
― Um dos fugitivos. – comentou Alvez.
― John Curtis te mandou aqui? – Agatha avançou em Timothy o segurando pelo pescoço – Responda!
― O que você faz aqui? – retrucou Timothy Vogel.
― Como assim o que eu faço aqui? – Agatha apertava o pescoço dele com força e Hotchner precisou impedi-la.
― Isto é abuso de poder! – protestou Timothy Vogel.
Eles o levaram para fora e o colocaram dentro do carro, Hotchner ligou para Strauss para que ela comunica-se os demais.
― Vocês ouviram o que eu ouvi? – indagou Seaver em surdina antes de adentrar o veículo com os demais.
― O que? – perguntou Alvez.
― Ele perguntou a Agatha “O que você faz aqui?”.
― A intenção dele era matar qualquer um de nós, exceto ela. – disse Hotchner.
― Faz sentido, John Curtis a quer viva. – concordou Alvez.
― Como ele saberia que vocês estavam aqui? E por que ele achava que eu não estava? – questionou Agatha.
― Eu sei o porquê. – afirmou Hotchner e Alvez ao mesmo tempo.
Fale com o autor