Um Caso Não Registrado - 2ª Temporada
41 Capítulo 41 - Uma Chamada Para Agatha.
Notas iniciais

Aquela haveria de ser uma das noites mais longas para a equipe, tudo o que eles almejavam era solucionar aquele caso e voltar para Virginia e estavam confiantes que após prenderem Lila Kane tudo se resolveria.
Quando todos chegaram ao aeroporto já estavam preparados para qualquer coisa que viesse – pelo menos eles presumiam – todos faziam uso dos seus coletes à prova de balas e suas armas já estavam preparadas. Luke Alvez também fazia uso de um colete do FBI já que ele não podia demonstrar a ninguém que era um agente da CIA e como Hotchner havia revelado anteriormente: ele era um novato.
O circo estava armado, todos tinham em seus celulares uma foto de Lila Kane, Garcia e Donovan a enviaram com outras informações sobre a mesma e o plano deles chegou a dar certo no começo. Morgan havia pedido que Garcia e Donovan fizessem contato com a companhia aérea de viagem para que atrasasse a entrega da passagem.
A funcionária da empresa que atendeu a Lila Kane inventou uma desculpa para o atraso, dizendo que os dados pessoais estavam divergentes e por isso não podia liberar a passagem, mas a mesma se emitiu apreensiva e Lila Kane percebeu que estava cercada então ela pensou em um plano B em menos de cinco minutos, avistou uma criança, um garoto de aproximadamente uns dez anos de idade que estava acompanhado de sua mãe, quando Lila notou alguns policiais se aproximando jogou sua mala no chão e sacando uma arma do bolso do seu sobretudo rosa atirou para o alto e puxou a criança para próximo dela:
‒ Se vocês se aproximarem eu estouro os miolos deste garoto! – anunciou ela com o pescoço do garoto preso ao seu braço e com a arma apontada para a cabeça dele.
‒ Lila Kane, FBI! – proclamou Hotchner e junto à equipe formou um circulo entre Lila com alguns policiais a volta.
‒ Me deixem ir embora que o garoto viverá! – ameaçava Lila – Não duvidem do que sou capaz!
‒ Lila Kane, sabemos que você é capaz de muita coisa! – exclamou Rossi – Nós só queremos conversar.
‒ Se querem apenas conversar porque vieram armados? – Lila Kane apertava o cano da arma contra a cabeça do garoto e a mãe dele chorava e gritava desesperada.
‒ Porque somos do FBI... – respondeu Agatha que levantou as mãos e depois guardou sua arma – Temos o direito de andar armados, e você? Porque você anda com uma arma?
‒ Agatha, saque sua arma! – ordenou Hotchner, todos no aeroporto estavam amedrontados um tiroteio poderia começar a qualquer momento.
‒ Nós só queremos conversar... – Agatha não acatou as ordens de Hotchner e ficou com as mãos para o alto para indicar a Lila Kane que não tinha intenções de feri-la.
‒ Lila Kane, largue o garoto! – berrou Blake – Ele não tem nada haver com seus erros!
‒ Eu não cometi erros! – Lila prensava cada vez mais a arma contra a criança que fazia ao máximo para segurar o choro.
‒ Porque está fugindo? – indagou Reid.
‒ Andrew, ele matou sua própria filha, eu posso ser a próxima!
‒ Podemos ajuda-la. – disse Prentiss – Venha conosco que ofereceremos proteção.
‒ E vocês acham que eu vou cair nessa? Andrew matou a filha e se ele não me matar vai no mínimo jogar a culpa do seu crime nas minhas costas... Vocês estão suspeitando que seja eu! Não é?
‒ Lila Kane, solte a criança e deslize à arma no chão! – ordenou Morgan.
‒ Lila, por favor, deixe o garoto ir. – intercedeu Agatha tentando achegar-se.
‒ Agatha, não faça isso! – Hotchner exigia em vão, Agatha nem olhava para ele.
‒ Garota, não faça isso! – insistiu Alvez.
‒ Lila, por favor, deixe o garoto ir embora... – Agatha persistia em sua posição – Nós não desconfiamos de você.
‒ Mentirosa! – Lila Kane jogou a criança contra o chão e tentou atirar contra Agatha, mas Alvez que estava próximo a ela apertou o gatilho da sua arma com mais celeridade e acertou uma bala diretamente na testa de Lila Kane que caiu ensanguentada no chão.
Seaver guardou sua arma e mesmo sabendo que Lila estaria morta com aquele tiro foi checar o pulso como mandava o protocolo.
‒ Morta. – confirmou ela ao levantar-se.
O garoto que caiu ao chão correu para os braços da mãe que chorou aliviada, os policiais providenciaram que o corpo de Lila Kane fosse retirado o mais rápido possível.
‒ Você tem noção do que fez? – Hotchner sem pesar puxou Agatha pelo braço para um canto do aeroporto.
‒ O que eu fiz?
‒ Lila Kane está morta! – esbravejou ele de uma maneira autoritária, as pernas de Agatha tremeram com tamanha agressividade.
‒ Quem atirou foi o agente Alvez! – retrucou ela levantando o tom da voz – Vá falar com ele!
‒ Eu sei, mas ele teve que atirar porque Lila iria atirar em você ou qualquer um teria que atirar!
‒ Eu não estou entendendo o porquê de tamanha grosseria!
‒ Eu não estou com grosseria! Eu estou lhe repreendendo! Lila Kane era uma chave importante para a resolução do caso, porque abaixou a arma?
‒ Ela iria atirar no garoto, eu abaixei guarda para que ela não temesse que fosse levar um tiro e soltasse o garoto. – Agatha não conteve as lágrimas.
‒ Agatha Silva, sem choro desta vez!
‒ Hotch... – Agatha abaixou a cabeça e chorou mais ainda.
‒ Você é uma cadete e mesmo que já fosse uma agente teria que acatar minha ordem! Entendido?
‒ Vai me afastar do caso? – ela enxugou as lágrimas para encara-lo.
‒ Não, mas enquanto estivermos trabalhando neste caso não irá atuar em campo.
‒ Isso não! – protestou ela.
‒ Isso ou ficar trancada no hotel até irmos embora, você decide. – Agatha não disse mais nada e Hotchner finalizou aquele diálogo caloroso.
Eles se ajuntaram aos demais, Agatha não tentou esconder de ninguém que chorava, todos queriam falar algo, mas eles ouviram as exclamações do chefe a ela e por isso optaram pelo silêncio.
Quando estavam para entrar no carro Luke Alvez aproximou-se de Agatha lhe tocando o braço levemente.
‒ Está tudo bem?
‒ O que você acha? – indagou ela com rispidez.
‒ Eu acho que sim, você está viva.
‒ Como? – ela enxugou as lágrimas e o fitou no olhar.
‒ Se Lila Kane tivesse sido mais ligeira ela teria atirado em você, não parou para pensar não foi? – Hotchner ao ouvir as palavras de Alvez meditou por alguns segundos e Agatha ficou sem palavras.
Realmente, se Lila Kane fosse ágil no gatilho o tiro alvejaria Agatha, Hotchner por dentro respirou aliviado pelo fato de que nada grave aconteceu a ela, já Agatha ainda estava confusa, mas Hotchner mesmo ter sentindo uma ponta de alivio manteve a postura séria com ela, porém ele pediu que ela fosse para o hotel descansar.
‒ Eu não preciso descansar. – opôs ela ao entrar no carro.
‒ Eu não estou pedindo, estou ordenando, você quase foi atingida por uma bala é importante que mantenha a tranquilidade, amanhã pela manhã te busco no hotel. – mandou ele que estava de pé diante a porta aberta do carro.
‒ Não. – negou ela.
‒ É uma ordem. – frisou ele falando pausadamente.
‒ Está bem! – a contragosto ela acatou.
‒ Eu irei te levar.
‒ Não. – recusou ela saindo do carro dele – Você está muito ocupado com o caso, eu peço para outra pessoa me levar.
‒ Quem? – Hotchner cruzou os braços.
‒ Eu não tinha pensando em ninguém, mas pelo seu jeito de cruzar os braços você já imaginou que eu tinha intenções de pedir a ele não é mesmo?
‒ Eu não sei do que está falando.
‒ Alvez! – exclamou ela e o agente da CIA que estava para entrar em um carro junto a Rossi virou-se para olha-la.
‒ Agatha... – Hotchner preferiu calar-se.
Agatha poderia ter feito aquilo por pirraça ou por mágoa de ter levado tamanha bronca, esse era um dos defeitos dela: magoar-se fácil e ela foi até Alvez e pediu que ele a levasse para o hotel.
***
Os demais da equipe que voltaram à delegacia ficaram calados do trajeto do aeroporto até a chegada a policia de Dallas, Hotchner exigiu que todos se reunissem na sala de reuniões junto com o delegado para discutir o caso mais uma vez, ele manteve a postura para não manifestar o incomodo que havia ficado com Agatha.
Luke Alvez levou Agatha para o hotel que era o mesmo que ele fez reserva, quando ela ia descendo do carro ele a segurou pelo braço:
‒ O que foi? – perguntou ela.
‒ Porque pediu a mim para que a trouxesse ao hotel?
‒ Por nada.
‒ Está certo... – ele largou o braço dela – Procure manter a calma e descansar.
‒ Obrigada pela dica. – respondeu ela com deboche na voz.
‒ E por favor, não chore mais.
‒ O que você tem haver com as minhas lágrimas? – implicou ela impaciente pegando o celular do bolso que não parava de tocar.
‒ Perdão. – desculpou-se ele que sinceramente não havia ficado irritado com ela.
‒ Droga de celular! – esbravejou ela ao atender – Alô.
‒ Você tem uma chamada da Penitenciaria Masculina de Virginia, se aceita a chamada tecle um, caso contrário tecle dois.
‒ Penitenciaria... – murmurou ela que sem raciocinar apertou o um.
‒ O que houve? – Alvez sentiu a tensão de Agatha que não havia saído ainda do carro.
‒ Quieto. – pediu ela – Alô.
‒ Olá princesa!— era John Curtis do outro lado da linha.
‒ Você não tem esse direito de ligar para mim! – esbravejou ela.
‒ Os detentos tem direito a fazer uma ligação uma vez ao mês, sabia?— John falava com seu jeito sarcástico de sempre.
‒ O que você quer? – as pernas de Agatha passam a tremer, seu coração bate mais acelerado que o normal.
‒ O que eu quero? Você sabe o que eu quero... Você!
‒ Vai para o inferno! – gritou ela e Luke se assustou.
‒ Eu adoro quando fica brava, sabia?— John gargalha – Mas cuidado, muito nervosismo faz mal ao coração.
‒ Você não vai me deixar em paz? – Agatha berrava totalmente descontrolada e Alvez ao seu lado se preocupava cada vez mais.
‒ Nós dois podemos viver em paz, porque complica as coisas? Podemos ser felizes juntos.
‒ Eu já não te mandei para o inferno?
‒ Inferno vai ser o lugar que você vai se encontrar com Aaron Hotchner se continuar bancando a difícil!— esbravejou John que finalizou a ligação.
‒ Droga! – Agatha jogou o celular e começou a se debater ficou completamente descontrolada.
‒ Agatha! – berrava Alvez tentando conte-la – Agatha, pare!
‒ Ele tem um plano, ele tem um plano. – repetia sem parar olhando para o teto do carro.
‒ Agatha, o que houve?
‒ Alvez, por favor, me leve de volta para a delegacia, eu preciso ver o Hotch, por favor! – implorou ela entre o choro, Alvez pediu que ela colocasse o cinto de segurança e dirigiu o mais rápido que pode.
***
A equipe estava esgotada, mas não podiam parar eles tinham que concluir aquele caso que até o momento só se enrolava, assim que Alvez chegou junto a Agatha, ela correu pela delegacia em direção à sala onde a equipe estava, Hotchner ouviu os gritos dela que o chamava:
‒ O que aconteceu? – perguntou ele levantando-se da mesa.
‒ Ele me ligou da penitenciaria! – exclamou ela descontrolada.
‒ Agatha, o que foi? – indagou Ashley que igual os demais ficou preocupada.
‒ John Curtis me ligou! – gritou ela que se jogou nos braços de Hotchner.
‒ Ela recebeu uma ligação e de repente ficou histérica desta maneira. – explicou Alvez ao entrar na sala.
‒ Agatha, olha para mim. – Hotchner com cautela pegou no queixo de Agatha a fazendo o olhar nos olhos – O que ele disse?
‒ Eu perguntei o que ele queria e ele disse que queria a mim eu mandei ele para o inferno e ele disse que esse será o lugar que eu vou me encontrar com você se eu não aceitar ficar com ele! – Agatha falou tão apressadamente que ficou com falta de ar por alguns instantes, Prentiss abriu a janela enquanto Reid puxou uma cadeira para que ela se sentasse e Blake foi ás pressas buscar água.
‒ Ele ligou para o seu celular pessoal? – indagou Rossi.
‒ Não, foi para o do trabalho, mas eu não dei nenhum dos meus números a ele. – explicou ela após beber a água trazida por Blake.
‒ Isto é muito estranho. – começou Morgan – John Curtis está preso, como ele conseguiu o número dela?
‒ A teoria do informante! – exclamou Seaver.
‒ Eu conheço pouco o caso, mas pelo que eu sei isso é possível. – concordou Todd.
‒ O mais estranho é... – continuou Reid – Que ele fez a chamada justo em um momento em que Agatha não estava com Hotch ao seu lado.
‒ Parado! – Hotchner sem refletir sacou sua arma e apontou para Luke Alvez.
‒ Você enlouqueceu! – Alvez levantou as mãos para o alto evidenciando desentendimento.
‒ Você pode ser o informante! – acusou Hotchner com a arma apontada para Alvez.
‒ Aaron, vá com calma. – intercedeu Rossi.
‒ Hotch tem razão! – Morgan sacou sua arma e imitou Hotch.
‒ Isso é loucura! – exclamou Alvez – Do que estão me acusando?
‒ John Curtis ligou para Agatha quando eu não estava do lado, como ele saberia disso? – começou Hotchner – Alguém deve tê-lo avisado.
‒ Eu não sei do que vocês estão falando, mas isso é a maior loucura. – Alvez negou convicto que não tinha envolvimento e tentou abaixar os braços.
‒ Não se mova. – Hotchner apoiou o dedo no gatilho.
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