Notas iniciais
Como havia prometido antes, vou me esforçar ao máximo em compensar o atraso da atualização de capítulos... Capítulo 40 para vocês. Boa leitura! =)

Gosto um pouco mais da verdade quando sou eu que a descubro e não outro que me a mostra.

(Vilhelm Ekelund)

Rossi se retirou da sala e foi à procura de Hotchner e o encontrou fora da delegacia olhando para os carros que passavam na rua:

‒ Aaron! – Rossi o chamou assim que o avistou – O que houve?

‒ Sobre? – Hotchner virou para olhar o amigo nos olhos.

‒ Entre você e Agatha.

‒ Não compreendi.

‒ Aaron não faz o desentendido, não combina com você!

‒ Eu não sei... – Hotchner abaixou a cabeça por alguns instantes depois voltou a mirar Rossi – Eu me descontrolei um pouco, apesar de que ela mereceu aquela repreensão, infelizmente.

‒ Sobre a ter advertido por causa do questionamento que ela levantou ao agente Alvez eu compreendo e também entendo perfeitamente que não devemos caçar problemas com a CIA, mas meu amigo você perdeu a paciência totalmente.

‒ Eu já te disse: eu não sei. – Hotchner balançou a cabeça negativamente umas três vezes.

‒ Eu acho que tem uma razão e essa razão se chama nada mais e nada menos que Luke Alvez.

‒ O agente da CIA? David você me conhece bem, não é a primeira vez que sou obrigado a trabalhar com um agente deles.

‒ Aaron, assuma: você ficou com ciúmes! – Rossi apoiou brevemente sua mão ao ombro do amigo.

‒ Ciúmes? David, do que está falando? – Hotchner escancarou o olhar.

‒ Ora Aaron, todos nós lá dentro ouvimos a cantada que o agente Alvez fez para Agatha.

‒ Que cantada? – Hotchner fingiu não perceber.

‒ Aaron, você pode enganar os suspeitos que quiser, mas aos seus amigos não.

‒ David eu não sei... – Hotchner passou a mão na cabeça – Quando eu era casado com a Haley eu não era assim...

‒ Ciumento? – Rossi semicerrou os olhos para encarar Hotchner.

‒ É... Quero dizer eu sentia ciúmes, mas eu não entendo...

‒ O ciúme com a Agatha é maior.

‒ É.

‒ Aaron analise os fatos: quando você era casado com Haley você passava bastante tempo fora, certo?

‒ Sim.

‒ Você não passava um dia todo com a Haley, chegava a ficar dias fora trabalhando em casos e mais casos, agora com a Agatha é diferente: ela é uma de nós, ela está sempre conosco, ou seja, vocês estão sempre juntos, então é obvio que o seu ciúme vai ser mais manifesto.

‒ Eu acho que envolve algo a mais... – Hotchner não sabia como se expressar.

‒ A diferença de idade?

‒ Como assim? – desta vez Hotchner semicerrou o olhar.

‒ Aaron com todo respeito, mas a diferença de idade entre vocês contribui: você já está com um pouco mais de cinquenta anos, daqui alguns tempos se aposenta e Agatha está com seus vinte e poucos anos.

‒ E aonde você quer chegar? – Hotchner cruzou os braços.

‒ Meu caro, por acaso você não sabe que as novatas sempre dão trabalho?

‒ David!

‒ Aaron! – Rossi não contém a risada – Você vai se deparar com muitos homens cortejando sua dama, ela é a mais nova que todos, chama a atenção, normal.

‒ David, você não perdoa uma não é mesmo?

‒ Controle esse seu ciúmes e depois peça desculpas a sua agente e noiva. – Rossi toca o ombro dele mais uma vez – Entendido?

‒ Poderia chama-la para mim? – Hotchner sorri para o amigo.

‒ Claro que sim. – Rossi volta para dentro da delegacia e vai até a sala onde estava com a equipe e chama por Agatha e a avisa que Hotchner quer conversar com ela. Agatha sai receosa da sala com todos curiosos a observando.

Agatha vai para o exterior da delegacia e vê Hotchner a espera-la seriamente.

‒ Pois não? – ela se aproxima dele.

‒ Está assustada?

‒ Porque eu estaria? – ela desvia o olhar.

‒ Vamos dar uma volta.

‒ Não temos que aguardar o agente Alvez?

‒ Quando ele retornar ele aguarda nós voltarmos. – Hotchner estendeu a mão a ela.

Agatha estranhou aquilo, pois Hotchner sempre quis manter o profissionalismo diante dela quando estavam a trabalho, nada de pegar na mão e de carinhos, somente quando estavam os dois, apesar de alguns momentos ele ter deixado escapar algumas vezes a vontade de acaricia-la como fez em alguns momentos, mas foram momentos raros.

Ela segurou a mão dele e deixou ser guiada Hotchner a levou até seu carro para darem uma volta, ele dirigiu algumas quadras até encontrar uma cafeteria. Ele estacionou o carro enquanto ela adentrou o ambiente e fez os pedidos a uma garçonete.

‒ Já fez os pedidos? – perguntou ele assim que entrou e sentou a mesa de frente a ela.

‒ Já... Hotch, porque estamos aqui?

‒ Eu quero pedir desculpas.

‒ Você é o chefe, você dá as ordens, não tem o que se desculpar.

‒ Eu preciso porque eu misturei as coisas... – ele estendeu a mão e a apoiou sobre a dela por cima da mesa – Eu misturei um pouco do pessoal com o trabalho.

‒ Como assim?

‒ Agatha eu fiquei com ciúmes.

‒ Ciúmes? – Agatha espantou-se – Sério?

‒ E eu sem querer descontei em você... Peço desculpas.

‒ Hotch... – ela não segura o sorriso – Eu te amo, não há porque de ter ciúmes.

‒ Eu te amo e por isso tenho ciúmes. – ele lhe acaricia o rosto com a outra mão e sorri.

Os pedidos deles foram entregue a mesa, eles tomaram seu café e depois voltaram para a delegacia.

***

Assim que Hotchner estacionou o carro de frente a delegacia e Agatha saiu do veiculo o agente Luke Alvez estacionava o carro dele próximo a eles.

‒ Ele disse que não demoraria, hein? – comentou Agatha.

Hotchner não a respondeu e assim que trancou o carro o agente Alvez se aproximou:

‒ Eu espero que não tenham ido investigar sem mim. – disse Luke Alvez de uma maneira tranquila, mas com um olhar sério.

‒ Precisamos dar uma saída. – respondeu Hotchner mantendo a postura de ser – Pelo visto chegou agora.

‒ Tive um contratempo. – Alvez desviou o olhar por segundos – Podemos começar?

‒ Contratempo em fazer a hospedagem em um hotel? – Agatha não conseguia se controlar.

‒ Cadete Silva. – chamou Hotchner de maneira autoritária e profissional.

‒ Perdão senhor. – ela respondeu de maneira súdita.

Hotchner caminhou na frente não querendo evidenciar ao agente Alvez a relação entre eles, todavia era tarde demais, o agente Luke Alvez a aquela altura sabia até demais.

Quando se acercaram da entrada, Luke Alvez achegou em Agatha e lhe falou sussurrando:

‒ É difícil manter uma relação em um trabalho como esse. – depois afastou-se sem dizer mais nada, Agatha assim que ouviu o que ele dissera o encarou disfarçando ao máximo que não tinha se abalado, ela procurou pelo olhar de Hotchner que pareceu não ter escutado pelo menos era o que deu a entender.

A equipe surpreendeu-se com a chegada dos três ao mesmo tempo, Hotchner quebrou aquele ar silencioso e colocou-se a falar do caso.

‒ Então vocês suspeitavam que Andrew Kane houvesse matado a própria filha? – questionou Alvez ao andar de um lado para o outro da sala.

‒ As suspeitas ficaram mais fortes quando o agente Hotchner e eu interrogamos a senhorita Rachel Sanders. – respondeu Agatha.

‒ Porque interrogar Rachel Sanders?

‒ Ela era cafetã de Megan, então achamos que ela quis parar com os assassinatos que ela cometia. – respondeu Morgan.

‒ Mas pelo que eu entendi Rachel Sanders forneceu a lista e revelou que a mesma era pertencente à Megan Kane, porque ela a mataria? Se fosse para mata-la ela não teria entregado algo tão importante. – opôs Alvez.

‒ Talvez ela só houvesse entregado a lista e cooperado para não ficar como suspeita. – expos Seaver – É uma boa teoria.

‒ Não posso deixar de discordar cadete Seaver.

‒ O que faremos referente à mídia? – perguntou Todd – Com certeza o assassinato de Megan Kane está sendo muito falado.

‒ Agente Todd, você não é bem a responsável por isso, só está substituindo a agente Jareau, não é mesmo?

‒ Como você sabe? – Agatha virou-se para encara-lo.

‒ Agatha, você se esqueceu? – Luke Alvez a fitou – Eu sou da CIA.

‒ Claro! – exclamou Agatha levando à mão a cabeça – Esqueci que agentes da CIA sabem de tudo.

‒ E sabemos de tudo mesmo. – afirmou ele triunfante. Hotchner não aprovou a postura dele com Agatha e o olhar de Luke Alvez sobre ela o incomodava, porém era melhor manter a formalidade.

‒ Agente Todd, já que está encarregada disso, peço que contenha a mídia com uma declaração. – pediu Alvez.

‒ Que tipo de declaração? – Todd ficou confusa.

‒ Diga que a investigação está sobre o poder do FBI e assim que tivermos respostas daremos uma declaração, não mencione o tiroteio, mas antes verifique se nenhum policial vazou essa informação. – explicou Hotchner.

‒ O agente Hotchner já explicou tudo. – respondeu Alvez.

‒ Entendido. – Todd se ausentou da sala.

‒ Hotch, o que iremos fazer? – Morgan já estava inquieto – Já anoiteceu e praticamente não fizemos nada.

‒ Eu posso falar? – perguntou Alvez a Hotchner.

‒ Pode. – Hotchner consentiu.

‒ Com certeza os irmãos Brown não trabalhavam sozinhos, Andrew Kane os contratou isso é fato e eu preciso saber quem é essa equipe.

‒ Considere que já estejam mortos. – manifestou Blake – Os outros cinco que estavam com eles morreram no tiroteio.

‒ O negócio é muito maior que isso, eu garanto. – continuou Alvez – Andrew Kane com certeza sabe de algo referente a isso.

‒ Andrew Kane sumiu do mapa. – afirmou Prentiss – Temos duas analistas que estão vigiando os movimentos bancários e os dos cartões de crédito.

‒ Mas Garcia até agora não se manifestou... – quando Morgan falava seu celular tocou – Falando no diabo... Pode falar Garcia. – ele colocou a chamada no viva voz.

Pode falar Garcia?— repetiu Garcia do outro lado – Derek que maneira mais fria de me atender, você já foi mais caloroso!

‒ Garcia... – Morgan ficou tenso.

Porque eu sinto aflição em sua voz?— continuou Garcia – Derek Morgan não me diga que houve outro tiroteio!

‒ Garcia você está no viva voz. – alertou Morgan ao encarar Luke Alvez.

‒ Penélope Garcia? – indagou Alvez – Aqui é o agente Luke Alvez.

Quem é você?— Garcia ficou ansiosa.

‒ Agente da CIA. – Agatha atreveu em responder.

CIA? O que vocês fazem com a CIA?

‒ Garcia, as informações. – pediu Hotchner.

Desculpa senhor...— Garcia se controlou – Eu liguei para informa-los que houve uma movimentação no cartão de crédito da esposa de Andrew Kane, a senhora Lila Kane.

‒ Da esposa? – indagou Rossi.

Isso mesmo.— continuou Donovan, Reid ao ouvi-la sentiu o rosto corar – Lila Kane fez uma compra online de uma passagem para a França, provavelmente ela irá retirar a mesma no aeroporto de Dallas daqui uma meia hora.

‒ Foi ela que matou a Megan! – exclamou Agatha e todos a encararam.

‒ Você tem razão! – Prentiss captou em segundos o pensamento de Agatha – Vejam só: Megan Kane matava seus clientes por vingança.

‒ Lila Kane não é a mãe de Megan? – indagou Rossi.

Não.— respondeu Garcia – É a madrasta, a mãe de Megan chegou a entrar em depressão e depois de um tempo se suicidou pelo que consta nos registros.

‒ Droga! – esbravejou Seaver – Deixamos isso passar.

‒ Andrew Kane separou-se de sua esposa para ficar com uma garota de programa. – lembrou Reid.

‒ Megan se tornou uma Boneca de Luxo para ter acesso à lista. – recordou Blake.

‒ Ela culpava Lila de ter destruído sua família... – continuou Agatha – Lembram o que ela me questionou no telefone?

‒ O que ela questionou? – perguntou Alvez interessado.

‒ Megan culpa Lila da separação entre seus pais, ela se tornou uma garota de programa para ter acesso aos clientes que Lila saiu, os que morreram foram clientes de Lila. – Hotchner retrucou rapidamente para que Agatha não respondesse a pergunta de Alvez.

‒ Um deles era o pai dela. – concluiu Rossi.

‒ Lila matou Megan! – repetiu Agatha.

‒ Ela está fugindo. – afirmou Morgan.

‒ Precisamos impedir essa fuga. – disse Hotchner – Vamos coordenar com a policia o mais rápido possível.

‒ Garcia e Donovan, entrem em contato com o aeroporto e peçam para que eles atrasem a retirada da passagem de Lila Kane. – ordenou Morgan.

É com a gente!— respondeu Garcia finalizando a ligação.

‒ Eu vou pedir um favor a vocês. – disse Alvez e todos o encararam – Não revelem por ai que sou da CIA, para os suspeitos sou do FBI.

‒ Você acha que somos estúpidos de fornecer informações de um caso para os suspeitos? – inquiriu Agatha com arrogância.

‒ Agatha! – exclamou Hotchner e ela se calou.

A equipe organizou com a policia sobre impedir de Lila Kane fugir e tudo estava preparado, a equipe junto a Luke Alvez se dividiu em três carros: Hotchner, Morgan e Alvez no primeiro, Blake, Rossi e Reid no segundo e Prentiss, Agatha e Seaver no terceiro.

Hotchner dirigia enquanto Alvez estava sentado ao seu lado e Morgan no banco de trás.

‒ Você sem querer se entregou agente Hotchner. – falou Alvez em voz baixa.

‒ Do que está falando? – Hotchner encarou Luke Alvez pelo retrovisor.

‒ Você a chamou pelo primeiro nome, isso entrega a relação de vocês.

‒ Eu não vou questiona-lo como tem tanta certeza do meu relacionamento com a cadete Silva porque você é um agente da CIA e isso não me surpreendi, mas para adicionar a suas informações o departamento sabe da nossa relação só mantemos o profissionalismo porque é o correto a fazer. – Hotchner afirmou tudo àquilo sem tirar o olhar do volante.

‒ Você não é o primeiro a ter um caso no FBI, portanto, não é novidade.

‒ Relacionamento. – frisou Hotchner – O que tenho com ela é sério.

‒ Verdade... – Alvez coçou a barba – Caso foi o que vocês tiveram escondido há ano, logo depois dela ter sido vitima do assassino em série Sam Smith. – Hotchner o mirou pelo retrovisor mais uma vez – Depois dela ter sido atacada por George Foyet com sua ex-esposa Haley Brooks vocês provavelmente deram um tempo, mas logo reataram e depois do ocorrido com John Curtis vocês finalmente assumiram a relação.

‒ Como eu disse antes... – continuou Hotchner – Eu não fico surpreendido que soubesse de tudo isso, os agentes da CIA conseguem informações mais detalhadas que o FBI e com certeza você parou para investigar sobre todos nós da equipe, por isso sua demora em fazer a reserva de um hotel não é mesmo?

‒ Como? – Alvez que ficou surpreendido.

‒ Você saiu da delegacia, foi até o hotel e fez à reserva da hospedagem, neste tempo você aproveitou e sentou-se com seu notebook e celular em algum lugar reservado, talvez no próprio hotel que reservou e com sua assistente ao telefone coletou informações de todos nós, depois voltou à delegacia e disse que teve um contratempo.

‒ Se você diz... Eu não irei contraria-lo, porém admita que não deixou que Agatha viesse neste carro para não demonstrar a relação de vocês. – enquanto Alvez falava Morgan fingia não estar prestando atenção na conversa, mas na realidade ele estava ao banco de trás atento a tudo – Estou certo?

‒ Eu não permiti que ela viesse neste carro porque sei que trocariam farpas.

‒ É notável como em alguns momentos ela perde a paciência... Você acha que a academia vai entregar o distintivo a Agatha se ela continuar assim?

‒ Cadete Silva. – frisou Hotchner atento ao transito – Cadete Silva.

‒ Somente o chefe pode chama-la pelo primeiro nome? – Alvez não conteve o sarcasmo ao rir.

‒ Sabe o que me surpreendi? – Hotchner o encara brevemente e volta à atenção ao volante – Normalmente um agente da CIA tem que ficar calado, mesmo que seja obvio que saiba de muitas informações, porém não é muito correto ficar demonstrando que sabe, isso é um erro de um novato.

‒ Novato? – Alvez perdi a naturalidade de ser rapidamente – Que história é essa? Eu não sou nenhum novato!

‒ Serviu ao exercito, após sua saída entrou para o FBI para trabalhar na Força Tarefa capturando fugitivos da cadeia, devido às grandiosidades do seu currículo a CIA quis lhe contratar e está em teste, ainda está chegando ao terceiro mês que é um agente deles.

‒ Agente Hotchner como você... – Alvez não concluiu a pergunta.

‒ Você sabe muito sobre mim e eu sei muito sobre você. – Hotchner deu sua cartada final naquele dialogo e Morgan precisou ao máximo reprimir sua alegria naquele momento.

Alvez permaneceu calado até eles chegarem ao aeroporto igual os demais, todos estavam preparados para impedir a fuga de Lila Kane.

Notas finais
Aaron Hotchner simplesmente é demais! Luke Alvez achou que estava abafando, mas Hotch mostrou pra ele que não é bobo. Finalmente o caso avançou um pouco, será que eles conseguem impedir Lila Kane de fugir? Até a próxima! =)