Um Caso Não Registrado - 2ª Temporada
8 Capítulo 08 - Empatia
Notas iniciais

"Se cada um de nós tivéssemos um pouco de empatia pelo próximo, acredito que o mundo seria um pouco melhor..."
Por mais que o agente Hotchner fosse conhecido por ser o homem mais sério e por ter um profissionalismo como ninguém onde raras vezes demonstrava estar sensibilizado com alguma coisa, havia algo que ele não sabia esconder: quando o assunto envolvia Agatha. Hotchner antes de assumir sua relação a todos da equipe com a jovem cadete guardou para si o “segredo” da relação que eles tinham, Rossi era uma exceção entre o grupo ele foi um que soube através do próprio amigo já os demais sempre souberam, mas não por Hotchner e sim por terem observado algumas coisas em seu comportamento que o fazia se entregar e quando decidiu levar a relação mais a sério ele revelou a todos algo que não era mais novidade.
Quando ele se ajuntou aos demais para passar o perfil do sequestrador de Belinda Copland ele pareceu estranho aos demais, pois há alguns minutos atrás havia compartilhado mais uma novidade ao seu amigo David Rossi: que queria pedir Agatha em casamento e pelo visto isso o estava deixando mais pensativo e ele exprimia estar escondendo algo.
Assim que ele chegou para passar o perfil, Agatha notou o olhar do namorado e já começava a suspeitar que ele embuçasse algo, mas resolveu não questionar porque eles estavam ali a trabalho, eles precisavam salvar Belinda Copland e assim Hotchner deu início a apresentação do perfil:
‒ Procuramos por um homem entre a faixa de idade dos vinte e cinco aos trinta e cinco anos, ele é alto e branco e segundo algumas testemunhas ele tem o cabelo castanho.
‒ Ele trabalha sozinho... – continuou Rossi – Provavelmente ele tenha algum serviço autônomo ou seu trabalho tem haver com a computação e suspeitamos que ele o realize em sua própria casa.
‒ Com vendas online ou coisas do tipo... – continuou Agatha – Ele é da região, porém é aquele vizinho que mal sai de casa e quando sai é somente em casos de emergência.
‒ Provavelmente ele tenha muita pornografia em seu computador... – expôs Morgan – E uma boa parte envolva pornografia infantil.
‒ E este é o seu primeiro rapto e talvez seja a primeira vez que ele abuse de uma criança fisicamente. – disse Prentiss.
‒ Com sabem disso? – perguntou um policial que fazia anotações de tudo o que ouvia.
‒ Predadores experientes não costumam “caçar em seu habitat”. – respondeu Blake – Os inexperientes cometem esse “erro”.
‒ Como se pode ter tanta certeza que ele é da região? – questionou outro policial.
‒ Ele tentou “caçar” duas vezes na mesma região... – respondeu Hotchner – É provável que ele tenha tentado mais vezes, mas infelizmente nem todas as crianças revela aos pais que algum adulto estranho os abordou na rua.
‒ Para ele ter tentado pegar alguma “presa” duas vezes na mesma região e provavelmente no mesmo dia, existem duas hipóteses: ou ele se sente confortável nesse ambiente ou ele é um “predador em iniciação” e está começando a “caçada” em seu “habitat”. – concluiu Agatha.
‒ Eu estudei toda a região... – disse Reid e observei que o índice de raptos de crianças é oitenta por cento nulo.
‒ Significa que... – disse a detetive.
‒ Um pedófilo experiente não perderia tempo caçando crianças nessa região e inclusive neste bairro... – respondeu Reid – Um pedófilo experiente prefere shoppings, parque de diversão, lugares onde o número de pessoas e inclusive de crianças sejam de setenta a cem por cento.
‒ Em lugares como esse ele pode raptar uma criança e o sumiço dela não se dá por imediato... – continuou Prentiss – Quantas vezes já ouvimos notícias de crianças que desapareceram em lugares públicos movimentados que os pais dizem: “O lugar estava muito agitado...” ou “Ele brincava com várias crianças eu não notei de imediato”?
‒ Belinda Copland foi levada de um lugar público, mas não havia tanto movimento e ela foi notada ao estar conversando com um estranho. – afirmou Hotchner.
‒ Ele usa a artimanha do “cão perdido”... – continuou Agatha – Ele se aproxima de uma criança e diz: “Eu perdi meu cachorro, poderia me ajudar a procurar?”.
‒ Uma testemunha disse que ao ser abordada reparou que o mesmo se demonstrava preocupado e com medo... – disse Morgan – Essa insegurança do suspeito nos revela que ele é da área sim, mas quase ninguém sabe que ele mora na região, mas ele teme que ele seja notado inclusive se ele estiver próximo de crianças.
‒ Ao tentar um rapto com essa testemunha o mesmo disse que havia perdido uma cachorra que se chamava “Candy”, por ser sua primeira tentativa de rapto é provável que o nome “Candy” seja de algum bicho de estimação que ele tem ou que já teve. – afirmou Agatha.
‒ Uma analista nossa já está fazendo uma busca por fichas veterinárias, mas vocês também podem verificar em clinicas veterinárias por algo semelhante. – disse Rossi.
‒ E sobre Belinda Copland? – perguntou um policial – Ela pode estar viva todo esse tempo?
‒ Como este pode ser seu primeiro contato físico com uma criança, é plausível que ele tenha gostado da “experiência”. – respondeu Blake – Por isso há chances de Belinda Copland estar viva.
‒ Na primeira vez de um predador como esse podem acontecer duas coisas: ou algo dá muito “errado” como, por exemplo, a vítima não colaborar com sua fantasia e ele se vê obrigado a mata-la ou pode dar muito “certo” e por isso ele a mantêm viva, pois está se adaptando, ou seja, está curtindo a experiência. – disse Prentiss.
‒ Como assim uma “fantasia”? – perguntou a detetive.
‒ Ter contato físico com uma criança sempre foi a fantasia dele... – respondeu Agatha – Algo que ele sempre almejou porque no caso ele só devia se satisfazer através de fotos e vídeos até esse desejo chegar ao auge o fazendo se “apossar” de uma vítima e assim satisfazer sua vontade, ou seja, realizar sua fantasia.
‒ Como vamos pegar esse filho da mãe? – perguntou outro policial.
‒ Temos um plano o qual vamos tentar atraí-lo através da mídia... – respondeu Hotchner – O plano já foi passado para a detetive em breve ela os informa.
‒ Hotch! – exclamou JJ ao entrar na sala – Está tudo pronto.
‒ Por enquanto é isso... – disse Hotchner – Obrigado.
‒ JJ os pais concordaram? – perguntou Agatha ansiosa ao se aproximar de JJ.
‒ Foi um pouco difícil convencer o pai, mas no final deu tudo certo... – respondeu JJ – A coletiva será daqui dez minutos e logo os pais chegarão.
‒ Vamos torcer para que ele morda a isca. – disse Morgan.
‒ E tomara que Garcia ache algo nos arquivos veterinários. – disse Prentiss.
Agatha ficou absorta por alguns momentos e se distanciou dos demais voltando para a sala de reunião e ficou mais uma vez a observar a foto de Belinda Copland no mural.
‒ Agatha? – indagou Hotchner ao entrar – Está tudo bem?
‒ Sim... – ela o fitou brevemente – Porque não estaria?
‒ Você parece preocupada... – respondeu ele ao se aproximar dela – Preocupada com ela? – Hotchner aponta para a foto no mural.
‒ É visível não é? – retrucou ela – Sim, eu me preocupo com Billie.
‒ Nós vamos encontra-la. – Hotchner apoia sua mão sobre o ombro de Agatha.
‒ Lembra quando *Sean Smith me raptou? – Agatha mirou o namorado nos olhos.
‒ Infelizmente sim.
‒ Eu temi tanto por minha vida... Eu ficava me perguntando se seria salva a tempo.
‒ Porque está dizendo isso? – questionou Hotchner ao encara-la.
‒ Porque se eu que sou adulta tive medo, imagine Billie? Deve estar se perguntando se alguém a salvará a tempo.
‒ Agatha você foi a primeira a se apegar a ideia de que Belinda esteja viva, por favor, evite pensar o que ela está passando... Apenas pense que ela está viva. – pediu Hotchner com um olhar apelativo.
‒ Você já ficou assim por causa de uma vítima?
‒ Por mais que eu pareça neutro em qualquer caso eu temo por todas as vítimas que sofrem nas mãos desses perversos.
‒ Mas é normal em algum caso especifico ficarmos um pouco mais sensibilizados?
‒ Sim, isso se chama empatia. – Hotchner esboçou um sorriso fugaz para Agatha que da mesma maneira sorriu igual.
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