Um Caso Não Registrado - 1ª Temporada
42 Capítulo 41 - Um Caso Mal Resolvido (Parte 02)
Notas iniciais
Hotch junto com Rossi levou Agatha para uma sala da delegacia separada dos demais, ela já estava com seu celular pronta para fazer a ligação. Rossi fechou a porta assim que entraram e Hotch ordenou:
— Pode ligar.
— Como devo perguntar? – indagou Agatha mexendo no celular.
— Diga que precisa de informações para fazer um registro. – respondeu Rossi – Não mencione que é informações para um novo caso.
— Entendido. – Agatha sentou-se em uma poltrona de couro que ali tinha próximo a uma janela.
— E Agatha... – pediu Hotch – Coloque a chamada no viva voz.
— Está bem... – Agatha obedeceu a todas as ordens – Alô! Francine?
— Oi amiga! Está tudo bem?— perguntou Francine ao atender.
— Está sim.
— Como foi a viagem? O jatinho lhe serviu bem?
— Estou muito agradecida pelo favor... Diga a seu amigo que muito obrigada!
— Pode ter certeza que passarei o recado.
— Francine eu preciso tirar uma dúvida... – Agatha encarou Hotch e Rossi que lhe olhavam atentos.
— O que foi?
— Lembra quando eu fui atacada por Sean Smith?
— O que aconteceu amiga? Porque quer relembrar isso agora?
— Eu não quero relembrar nada não! – exclamou Agatha.
— Então?
— Eu preciso fazer alguns registros aqui e lembrei que você viu sobre o caso dele na TV... Lembra?
— Não.— Francine respondeu em seco.
— O “Ladrão de Corações” que você viu nas notícias! Você disse ter visto sobre isso não se lembra?
— Eu acho que eu lembro...— a voz de Francine ficou baixa e assustada e Hotch junto a Rossi havia percebido.
— Tente se lembrar mais... Qual foi a fonte que você viu essa notícia?
— Vocês do FBI não tem essas informações?— perguntou Francine se irritando com o questionamento – Eu vou lembrar disso agora? Acha que eu não tenho coisas importantes para fazer?
— Francine se acalme! – exclamou Agatha desentendida – Eu só perguntei nada demais... – Hotch fez sinal para que ela encerra-se a ligação – Peço desculpas ao incomodo!
— Perdão Agatha... — respondeu Francine — Eu acho que estou na TPM.
— Está tudo bem... Então vai relaxar e eu vou trabalhar está bem? Eu voltarei com o pessoal do departamento quando chegar em Virginia eu te aviso.
— Certo então... Tchau Agatha.— antes que Agatha pudesse se despedir Francine encerrou a ligação.
— Muito estranho! – exclamou Rossi pensativo.
— Eu tenho que confessar que também achei. – disse Agatha se levantando.
— A sua amiga é de se irritar fácil assim? – questionou Hotch.
— Apenas quando algo a incomoda... Por isso acho estranho.
— Francine não soube do caso por notícia nenhuma... – concluiu Rossi os encarando – Alguém passou informações do caso para ela!
— Não olhem para mim... Eu juro que não sei de nada! – Agatha se defendeu achando que eles diriam alguma coisa.
— Não estamos desconfiando de você. – respondeu Hotch.
— Que bom! Eu já digo logo que não porque como sou amiga dela e moramos juntas é óbvio que possam desconfiar.
— Agatha você demonstrou ser comprometida com o trabalho com a função que tem se envolve junto com nós nos casos não temos motivos para desconfiar. – disse Rossi fazendo Agatha sorrir.
— Mas tome cuidado com ela! – exclamou Hotch preocupado.
— Com quem? Com Francine? – Agatha arregalou os olhos.
— Sim.
— Eu não entendo.
— Como não é você que passou as informações do caso quem seria? Pode existir a possibilidade de ela ter xeretado suas anotações. – explicou Hotch.
— Impossível! – exclamou Agatha – Ela disse ter visto nas notícias quando chegamos aqui... Eu lembro perfeitamente que fiz algumas anotações na delegacia naquele dia e sai para pegar um café e liguei para ela.
— Você mencionou algo sem querer? – questionou Rossi.
— Depois que ela disse... Eu acho.
— Agatha lembre exatamente como ela disse, precisamos das palavras exatas. – pediu Hotch.
— Vocês querem que eu feche os olhos? – indagou Agatha os encarando.
— Sim! – respondeu os dois ao mesmo tempo.
— Está bem... – Agatha sentou-se novamente na poltrona e fechou os olhos.
— Irei lhe guiar. – Rossi puxou uma cadeira que havia ali e sentou-se de frente para Agatha pegando uma de suas mãos – Agora nós chegamos a Milwaukee... Você está na delegacia fazendo suas anotações.
— Certo. – respondeu ela de olhos fechados.
— O que você faz?
— Eu peço licença ao Hotch perguntando se posso tomar um café... – Agatha lembrou-se de que aquele momento que revivia na entrevista cognitiva foi quando Hotch lançou alguns olhares a ela pela primeira vez.
— Estou com você Agatha me leve a cafeteria. – pediu Rossi segurando sua mão.
— Está bem... Eu chego na cafeteria e faço um pedido e lembro que preciso avisar Francine que viajei com vocês.
— Ótimo... Diga exatamente a conversa até as coisas banais ditas está bem?
— Está bem... – Agatha então reviveu o dialogo que teve com Francine:
Agatha: Alô... Francine?
Francine: Agatha e ai tudo bem?
Agatha: Tudo... Só queria avisar que estou fora da cidade.
Francine: Vocês pegaram um caso fora daqui?
Agatha: Eles pegaram, mas enfim estamos em Milwaukee.
Francine: É o caso que vi na TV mais cedo?
Agatha: Desde quando você se liga nesse tipo de notícia?
Francine: Desde que minha amiga trabalha para o FBI!
Agatha: Ok... Então deve ser o mesmo caso.
Francine: Do “Ladrão de Corações”?
Agatha: Como é?
Francine: Tem um cara que mata as mulheres e depois arranca os corações não é?
Agatha: É... Mas a mídia o intitulou assim?
Francine: Não é a polícia que dá esses nomes estranhos?
Agatha: Que eu saiba não... Será que o Hotch sabe?
Francine: Quem é Hotch?
Agatha: Hotch?
Francine: Você acabou de dizer o nome dele... Quem é?
— Já chega... – disse Agatha sem graça ao abrir os olhos.
— Vocês não falaram mais nada? – indagou Rossi.
— Sim, mas mudamos o assunto... – Agatha lembrou-se que fez alguns comentários sobre Hotch no dialogo com Francine.
— E falaram sobre o que? – perguntou Hotch a encarando.
— Sobre qualquer outra coisa, mas do caso só foi isso eu juro! – Agatha levantou-se se sentindo sem graça.
— Você tem certeza? – perguntou Rossi se levantando.
— Absoluta!
— Está bem... Pelo que você nos contou ela sabia bem do caso.
— Sabia que ele arrancava os corações... – continuou Hotch – JJ foi cautelosa apenas falou das mulheres mortas, mas não deu detalhes de mais nada.
— E durante a conversa Agatha não falou os detalhes foi Francine que falou em forma de pergunta. – finalizou Rossi.
— Como assim “em forma de pergunta”? – Agatha queria entender o raciocínio dos dois.
— Agatha se você não tivesse ligado ela iria te questionar depois... – respondeu Rossi – Francine te perguntou do caso de propósito!
— Como assim? – Agatha arregalou os olhos.
— Alguém falou algo com Francine... – continuou Hotch – Francine deve ter mencionado a quem não devia que você trabalha para o FBI fazendo registros ou alguém que já sabia se aproximou de Francine.
— Se ela tiver contado a alguém que eu trabalho para o FBI eu mato aquela morena oxigenada! – esbravejou Agatha fazendo Rossi rir por alguns segundos do “morena oxigenada”.
— Você pediu que ela guardasse segredo? – indagou Rossi.
— Eu pedi e implorei! – respondeu ela – Francine conhece muita gente!
— Ela trabalha com o que? – questionou Hotch.
— Ela é... – Agatha desviou o olhar – Assistente pessoal.
— Assistente pessoal do que e de quem?
— De um empresário... Como eu disse foi isso que conversamos e nada mais... Mais alguma coisa? – Agatha ficou assustada querendo sair rapidamente dali.
— No momento sim... – respondeu Rossi encarando Hotch – Vamos nos voltar a David Smith.
— Está bem. – Agatha abriu a porta e saiu da sala.
— Vamos verificar se o Juizado de Menores chegou para trabalhar na situação do garoto. – disse Hotch ao se aproximar da porta.
— Aaron... – sussurrou Rossi pegando no braço de Hotch.
— O que foi?
— Agatha ficou sem jeito quando você perguntou com o que Francine trabalhava.
— Eu percebi... – Hotch tentou sair da sala, mas Rossi o segurava – O que foi David?
— Assistente Pessoal de um empresário? Você está pensando o mesmo que eu?
— Estou... Garota de programa de luxo. – ao responder Hotch saiu da sala querendo evitar certos pensamentos.
***
Um funcionário do Juizado de Menores junto a uma psicóloga infantil chegou a delegacia para acompanhar o caso já que David Smith estava envolvido. Prentiss e Morgan tentaram interrogar o garoto mais uma vez, mas não tiveram sucesso.
O garoto recebeu suprimentos como comida e bebida enquanto estava na delegacia, Hotch ordenou que todos da delegacia investigassem se havia mais alguma vítima ou alguma mulher que tivesse sido sequestrada, mas não acharam nada nem mesmo Garcia achou algo semelhante em suas pesquisas.
O dia passou e não tinham mais informações que pudessem ajudar no caso e isso os deixavam exaustos e irritados, além do caso alguns pensamentos e suposições incomodavam Hotch depois de ter chegado a mesma conclusão de Rossi sobre Francine. Após a entrevista cognitiva e o pequeno interrogatório que respondeu Agatha passou a maioria do tempo calada e tomou várias xícaras de café mais do que o costume.
O funcionário do Juizado disse que levaria David para um novo lar, alguns exames médicos já haviam sido feito no garoto e fisicamente ele estava bem só precisava passar por um exame psicológico.
Quando o garoto estava prestes a ir embora da delegacia ele viu Agatha na recepção e ficou surpreendido:
— É você! – o garoto correu e a abraçou, Agatha correspondeu o abraço tentando segurar as lágrimas.
— Fico feliz em te ver David... – Agatha não se contem e lágrimas descem de seus olhos.
— Eu sinto sua falta... – disse David – Eu disse ao papai que você era legal!
— Está tudo bem agora... Fique tranquilo que está tudo bem! – o funcionário do Juizado de Menores pediu que Agatha se afastasse do garoto e quando ela obedeceu ao pedido David começou a berrar e chorar descontroladamente foi preciso de ajuda para fazê-lo soltar de Agatha.
— Não! – berrava ele – Não Agatha não me abandona eu gosto de você! Você é legal! – Agatha caiu no choro ao ver aquela cena o garoto foi tirado da delegacia e levado para o novo lugar que ficaria.
JJ abraçou Agatha a consolando do que havia acontecido, as cenas dos momentos tensos que Agatha viveu com Sean Smith lhe voltaram a tona em seus pensamentos. Agatha ficou desconcertada e do choro passou a berrar como uma criança e aquilo partiu o coração de Hotch que pediu que ela se acalmasse a levando para a sala que havia levado antes com Rossi e com cautela JJ foi a acalmando e disse que ficaria com ela até que se sentisse melhor e Agatha agradeceu JJ com um abraço.
Enquanto ela foi deixada aos cuidados e os consolos de JJ, Hotch voltou-se aos outros da equipe que discutiam a situação presenciada há pouco:
— O trauma do que aconteceu deve ter voltado. – dizia Morgan.
— O garoto se apegou muito a ela. – continuava Blake.
— Os dois estão sofrendo. – disse Prentiss.
— Como ela vai ficar Aaron? – perguntou Rossi.
— JJ está com ela... – respondeu Hotch preocupado – Até que se acalme.
— Reid... – chamou Blake encarando o encarando – O que houve?
— O que está raciocinando pequeno Einstein? – indagou Rossi que junto com Blake percebeu algo.
— O que o garoto disse foi estranho. – respondeu Reid pensativo.
— Estranho? – perguntou Morgan – Explique para nós.
— Ele disse: “Não Agatha não me abandona eu gosto de você... Você é legal”. – respondeu Reid e todos se entreolharam sem entender.
— Está bem doutor pode explicar o estranho nisso? – perguntou Morgan incomodado.
— O “você é legal” isso me incomoda.
— Spencer fala logo! – exclamou Prentiss.
— Estou achando que quem escolhia as vítimas era o garoto e não Sean.
— Garoto aonde você quer chegar? – perguntou Morgan.
— Ele gostou de Agatha, se apegou a ela... Por quê?
— Ora Reid por quê? – começou Prentiss – O pai dele era um assassino a sangue frio, matava as mulheres que ele queria como substituta daquela que o abandonou... Você não acha que o garoto se apegava a todas elas?
— Mas Agatha “seguiu o roteiro” de Sean Smith digamos assim. – respondeu Reid convicto.
— Eu devo estar com muito sono... – disse Blake bocejando – Porque eu não consegui entender o que você quer dizer.
— Reid... – começou Morgan – o garoto é apegado a Agatha porque ela foi uma vitima que ficou viva!
— E pelo que lemos no depoimento dela... – continuou Prentiss – Ela defendeu o garoto ficou com medo por ele também.
— Pessoal pensem comigo! – exclamou Reid – Agatha conseguiu convencer Sean a fazer uma ligação quanto é que ela ligou para quem? Para Hotch!
— E? – perguntou Rossi se sentindo embaraçado.
— Porque as outras vítimas não conseguiram ligar para alguém?
— Porque elas não passaram confiança, não aceitaram a seguir o roteiro. – respondeu Hotch.
— É isso pessoal! – continuou Reid já ficando eufórico com seu raciocínio – As outras não seguiram o roteiro, Sean ficou com elas por dois dias achando que elas fossem aceitar as condições, mas aposto que foram dois dias de gritaria e rejeição da parte delas.
— Agatha convenceu a Sean que aceitava tudo. – respondeu Prentiss.
— Só que na verdade ela não convenceu Sean Smith. – finalizou Reid.
— Ela convenceu David Smith... – concluiu Hotch entendendo Reid – o “você é legal” é isso.
— Eu acho que de um caso temos dois mal resolvidos. – disse Blake e todos se entreolharam assustados.
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