Um Caso Não Registrado - 1ª Temporada
36 Capítulo 35 - A Avaliação Psicológica.
Notas iniciais
"Querendo ou não todos nós precisamos falar em algum momento por mais que o assunto seja dolorido precisamos uma hora dizer o quanto aquilo doí".
(Pensamentos da autora Maria Vicente de Carvalho)
A equipe já estava no avião voltando para Virginia, todos descansavam exceto JJ que se servia de café e Hotch que lia alguns documentos.
JJ pegou sua xicara e sentou-se ao lado de Hotch:
— Não está cansado? – perguntou ela.
— Um pouco... Terminarei de ler esses documentos e vou descansar.
— Hotch eu preciso falar uma coisa.
— O que? – Hotch virou-se para olhar JJ.
— Você sabe que eu pedi para a Garcia procurar detalhes da vida da jornalista...
— Sim e...
— Hotch a Agatha que teve a ideia de que fizéssemos isso.
— JJ eu não estou entendendo.
— Eu estava uma pilha de nervos tentei fazer algum policial ou o delegado falar algo, mas não conseguia nada a jornalista também não cooperava então Agatha sugeriu que eu ligasse para Garcia e fizesse isso.
— Entendi.
— Ela vai ter um futuro brilhante a Agatha merece todo sucesso. – JJ terminou de tomar seu café e Hotch voltou-se aos documentos.
Depois de alguns minutos JJ havia trocado de lugar e se entregou a alguns instantes de sono assim como os outros, Hotch terminou sua leitura e quando pensou em descansar um pouco observou Agatha que estava deitada em uma poltrona distante de todos sem perceber ele soltou um sorriso admirando o modo em como ela estava deitada de uma maneira desengonçada por alguns instantes ela pareceu ser uma menina frágil ele olhou para os outros e notou que todos dormiam tranquilamente.
Hotch foi para o lado em que Agatha estava e calmamente se agachou diante dela e a fitou dormindo por alguns segundos, uma mecha do cabelo dela estava jogada em seus olhos e com cautela Hotch a colocou por trás da orelha, Agatha nem sequer se mexeu o cansaço físico era demais para fazê-la desperta-la de imediato que nem sentiu que os dedos de Hotch tocaram levemente seu rosto ao ajeitar a mecha, após isso ele se levantou sentou-se em uma poltrona, encostou a cabeça na janela e fechou os olhos para descansar.
***
Quando o avião pousou Hotch ordenou que todos fossem para suas casas descansar, pois querendo ou não foi um caso cansativo todos estavam exaustos e sem precisar falar duas vezes todos se mandaram para suas casas.
Hotch ao chegar em casa encontrou Jéssica na sala andando de um lado para o outro era notável que algo a preocupava e ele logo questionou:
— Jéssica o que houve? – Hotch jogou as chaves em cima de uma instante com quadros de fotos.
— Aaron que bom que voltou! – Jéssica o abraçou.
— Jéssica está tudo bem?
— Jack... Ele não consegui dormir direito e está tendo pesadelos já teve até febre.
— Jéssica porque não me ligou? Eu também fui um estupido e não liguei para saber como ele estava eu sinto muito.
— Tudo bem Aaron não se culpe... Eu não liguei porque não queria te atrapalhar.
— Onde está Jack?
— Ele conseguiu pegar no sono agora pouco, está no quarto.
— Eu vou vê-lo não irei acorda-lo, mas eu preciso ver meu filho.
— Com certeza eu vou preparar alguma coisa para você comer.
— Obrigado... Jéssica.
— Diga Aaron.
— Ele fala sobre o que é os pesadelos?
— Ele diz que vê a Haley e depois um monstro a levando embora. – os olhos de Jéssica encheram-se de água.
— Uma hora isso iria acontecer não é? Eu vou vê-lo agora depois conversamos sobre isso.
— Está bem... Estarei na cozinha. – Jéssica saiu da sala e Hotch foi ver como o filho estava e ficou alguns minutos o observando dormir, após isso Hotch tomou um banho e Jéssica preparou algo para ele comer.
***
Agatha ao chegar em casa cantou vitória ao ver que tinha um recado na geladeira de Francine dizendo que viajou a trabalho, ela se deliciou em um banho quente depois preparou algo para comer, ela estava conhecendo a rotina de ser um agente do FBI que precisa viajar para resolver casos e casos ela se sentia exausta e quebrada parece que ter dormido no avião foi a pior coisa, mas após terminar de comer preferiu digitar os seus registros antes de descansar quando finalizou essa tarefa foi para seu quarto e se jogou na cama.
Depois de algumas horas de sono Agatha foi despertada por seu celular que tocava:
— Alô. – atendeu ela com a voz sonolenta.
— Agatha Cristina da Silva?— perguntou a voz feminina do outro lado.
— Sim... Quem é?
— Sou a Doutora Kate Callahan do departamento do FBI estou ligando para avisar que amanhã é sua avaliação psicológica.
— Será no departamento?
— Sim no sétimo andar, sala cinco às dez horas da manhã.
— Está bem... Mas amanhã é sábado!
— Eu peço desculpas, mas a sua avaliação foi marcada para este dia e horário... Tenha uma boa tarde!
— Boa tarde. – Agatha encerra a ligação e volta a dormir, pois o cansaço falava mais alto.
***
Hotch lanchava junto a Jéssica e eles conversavam sobre Jack:
— Ele vai precisar de um psicólogo mesmo? – questionava Jéssica.
— Se isso continuar eu acredito que sim. – respondeu Hotch preocupado.
— Aaron eu sei que você não quer se lembrar deste pesadelo, mas quando tudo aconteceu Jack estava presente? – indagou Jéssica sem jeito.
— Não... Ele havia se escondido no escritório.
— Então ele não viu?
— Não, mas ele viu Foyet... Antes de tudo o Foyet o fez ficar de refém também.
— Então é possível que esse monstro que ele diz que vê seja o Foyet?
— Pode ser... – quando terminaram o lanche Jack começou a chorar do quarto e eles foram às pressas acudi-lo.
Jack havia tido outro pesadelo e chorava dizendo que queria sua mãe de volta, Hotch e Jéssica seguraram as lágrimas e tentaram acalmar o garoto.
***
O dia seguinte logo amanheceu Hotch levantou-se bem cedo e junto com Jéssica levaram Jack a uma psicóloga infantil para que ela pudesse ajuda-los. Agatha também havia levantado da cama cedo fez algumas tarefas domésticas e se ajeitou para a consulta que teria com a psicóloga do departamento.
Ao chegar no horário marcado foi recebida gentilmente pela Dra. Callahan:
— Bom dia Srta. Silva!
— Bom dia doutora!
— Entre e fique a vontade. – a Dra. Callahan fez um gesto pedindo que Agatha entrasse em seu consultório.
— Por onde começamos? – perguntou Agatha se sentando no lugar indicado pela doutora.
— Se não se importar a chamarei pelo primeiro nome, tudo bem? – perguntou a doutora sentando-se em seu lugar e pegando um caderno para anotações.
— Por mim esta ótimo, eu acho estranho ser chamada de Silva, sei lá paranoia minha! – respondeu Agatha sorrindo.
— Então vamos começar... Como a Agatha está se sentindo?
— Eu estou bem!
— Vejamos... – a doutora pegou uma pasta onde continha alguns arquivos – Você passou por um trauma muito grande, foi sequestrada por dois assassinos em série.
— É. – Agatha abaixou a cabeça.
— Como está superando isso?
— Eu tento não pensar no assunto.
— Eu vejo aqui que você não aproveitou os trinta dias de atestado, ficou uma semana afastada e logo voltou a trabalhar.
— Eu só faço os registros não participo das investigações e nem vou a campo. – Agatha levantou a cabeça e olhou para os lados, pois estava mentindo ela não trabalhava em campo por não ser uma agente como os demais, mas participava das investigações.
— Tem certeza? – a doutora a encarou – Você estudou psicologia criminal e conseguiu um emprego no FBI em uma equipe de perfiladores, tem certeza que não participa?
— Ás vezes eu dou algumas opiniões...
— Querendo ou não está envolvida nos casos mesmo que você não participe está envolvida, aliás, você precisa anotar tudo não é mesmo?
— É. – Agatha olhou para a doutora.
— Agatha você teve algum tipo de reação como medo, raiva enquanto trabalhava com a equipe em um caso?
— Bem eu... – Agatha lembrou-se de quando ficou zangada com o delegado James de Nashville – Eu me irritei muito com um delegado no último caso que a equipe trabalhava.
— Por quê? – a doutora abriu seu caderno pegando uma caneta para fazer as anotações.
— Ele havia sido negligente em um caso anterior onde foi o mesmo suspeito que eles investigavam a cometer os crimes.
— Ele foi negligente como?
— Algumas garotas de programa haviam sido assassinadas a facadas, mas por se tratarem de ser garotas da rua ele não deu importância.
— E você se irritou por isso? – a doutora fazia as anotações.
— Claro que sim! – exclamou Agatha – Elas são vítimas como qualquer outra pessoa são humanas e merecem toda importância.
— Você por acaso se viu como uma das vítimas?
— Como é? – Agatha arregalou os olhos.
— Eu perguntei pelo trauma que passou... Você se viu no lugar das vítimas por causa do que viveu?
— Não... – Agatha abaixou a cabeça – Digo eu não sei... Alguém ter a vida interrompida por culpa de um psicopata é triste e eu pensei em como isso foi triste para elas.
— Entendi... E pesadelos?
— Como doutora?
— Você teve pesadelos?
— A primeira vez que eu fui sequestrada por Sean Smith eu tive alguns, inclusive com o filho dele um garoto que se chama David... Mas agora não tenho mais.
— E do segundo ocorrido?
— Não... – Agatha enxugou uma lágrima que desceu de seus olhos.
— Tem certeza?
— Sim... No caso da segunda vez eu acho que tenho é raiva.
— Raiva? – a doutora parou as anotações um instante e encarou Agatha.
— Raiva do infeliz... Ele tirou a vida de uma mulher inocente além de muitas outras, mas eu tenho é raiva ele era um sádico e se divertia com aquilo que fazia. – os tensos momentos nas mãos de Foyet invadiram seus pensamentos.
— Como está controlando essa raiva?
— Eu não sei... Vou me mantendo forte.
— Entendi... – a doutora ajuntou as mãos – Agatha é o seguinte: o que você passou não é fácil e você não superou cem por cento ainda.
— Como não? Estou conseguindo viver minha vida normalmente!
— Você se irritou durante um caso não tira o fato do erro do delegado e que você se importou com isso, mas também isso foi uma maneira de você expressar sua raiva.
— Como assim?
— Querendo ou não, percebendo ou não você descontou essa raiva de alguma forma.
— Eu confesso que no início do caso bem no começo eu olhei as fotos das vítimas e lembrei daquele infeliz... As vítimas haviam sido mortas a facadas e logo lembrei de como aquele psicopata tentou me matar! – lágrimas começaram a rolar dos olhos dela.
— Você pelo visto foi direto para a fase da raiva neste segundo trauma, mas não pense que superou o primeiro o que a faz ficar irritada desta forma é porque você não teve tempo de se recuperar do primeiro acontecimento e logo o segundo aconteceu.
— E como eu faço para superar?
— Agatha não é nada fácil, mas não é impossível... Inclusive com o trabalho que tem mesmo que seja apenas uma agente que faz os registros você acompanhará casos e casos torturantes e sempre vai se deparar com algumas vítimas que você vai se identificar, mas você não pode se deixar levar... Você desabafou com alguém sobre o que aconteceu?
— Como assim?
— Com algum parente ou amigo... Você chegou a conversar sobre o trauma que viveu? Desabafou como se sentia?
— Não foi preciso... As pessoas próximas a mim souberam dos acontecimentos.
— Mas essas pessoas souberam o que você sentiu?
— Claro que sim!
— Agatha nem sempre é assim... Todos sabem que você passou por algo difícil, mas realmente não sabem como você se sentiu e no fundo você sente que quer colocar tudo para fora.
— Eu não tenho vontade de fazer isso!
— Você em alguns momentos não tem vontade de que alguém lhe abrace e você fale da sua angustia, sua raiva?
— Não... Eu acho que não. – Agatha sentiu-se confusa.
— Procure conversar com alguém... É dolorido porque te traz más lembranças, mas é necessário você colocar tudo isso para fora.
— Eu não estou fazendo isso agora?
— Sim está, mas você ainda sentirá falta de alguém para isso.
— Entendi...
— Agatha por hoje é só, continuamos na segunda-feira.
— Achei que era só por hoje? – Agatha arregalou os olhos.
— A avaliação é feita por mais alguns dias... A gente se vê na segunda-feira no mesmo horário.
— Está bem... – Agatha levantou-se da cadeira e estendeu a mão para cumprimentar a doutora.
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