Um Caso Não Registrado - 1ª Temporada
12 Capítulo 11 - A Primeira Entrega
Notas iniciais
Hotch andava de um lado para o outro pela recepção do hospital, já fazia algumas horas que Agatha havia dado entrada e nada de respostas de algum médico ou enfermeiro.
Enquanto ele andava de um lado para o outro olhando seu relógio viu que Francine havia chegado, desta vez bem mais vestida de quando a viu pela primeira vez, ela usava um sobretudo vermelho meio desabotoado por cima de um vestido branco:
— Como ela está? – perguntou ela se aproximando.
— Eu ainda não sei de nada... – respondeu ele – Faz horas que ela deu entrada.
— Mas hoje de manhã ela estava tão bem! O que houve?
— Ela estava sentido muitas dores hoje, tentou disfarçar que se sentia bem.
— Típico dela fazer isso... Eu não quero ser intrometida, mas já sendo vocês tiveram uma reunião importante de manhã não tiveram?
— Sim... Por quê? Ela estava preocupada?
— Um pouco... Ela foi demitida?
— Não... Ocorreu tudo bem.
— Ufa! – Francine deu um abraço em Hotch como se fosse intima dele, ele nem sequer a abraçou ficou parado sem reação – Perdão Hotch...
— Sem problemas... – ele disfarçou o desconforto olhando para os lados.
— Eu estava preocupada com ela hoje cedo, mas eu tive compromissos profissionais e ainda tenho uma viagem.
— Moram só vocês duas?
— Sim.
— Esta noite ela vai precisar ficar com alguém.
— Eu posso arrumar uma enfermeira, eu bem que queria ficar com minha amiga, mas meu chefe não ia gostar... Entende?
— Entendo... – Hotch sentou-se no sofá da recepção.
— Hotch você estava com ela quando ela sentiu-se mal?
— Sim... Eu a levei até o portão de casa, quando ela abriu a porta ela caiu gemendo de dor.
— Céus na hora em que cheguei em casa vi que a porta estava destrancada!
— Perdão eu nem sequer lembrei de tranca-la, houve algo roubado?
— Não... Está tudo bem.
— Hotchner? – perguntou uma doutora ao entrar na recepção com uma prancheta nas mãos.
— Aqui doutora! – respondeu ele se levantando.
— Prazer eu sou a Dra. Tara Lewis! – ela estendeu a mão.
— Prazer. – disse ele pegando na mão dela.
— O senhor é o acompanhante de Agatha Cristina da Silva?
— Sim senhora.
— A Agatha passou por alguns exames por isso a demora, os remédios receitados antes para a dor do estômago não estavam lhe fazendo efeito por isso as pontadas de dor.
— Mas ela está bem?
— Sim senhor... Eu a mediquei com um remédio na veia para alivio da dor ser mais rápido, troquei os remédios... Aqui está uma nova receita.
— Ela vai ter alta agora? – perguntou Francine que pegou a receita.
— Eu recomendo que Agatha fique o resto do dia e a noite aqui em observação.
— Mas ela não está bem? – questionou Hotch incomodado.
— Senhor Hotchner eu percebi que ela estava bem tensa, talvez isso também agravou as dores e por precaução, os exames dela mostraram uma pequena lesão em uma região do estômago quero verificar se essa lesão pode piorar ou não.
— Então amanhã ela tem alta? – perguntou Francine.
— Se ela estiver melhor e acredito que estará sim!
— Algo mais doutora? — perguntou Hotch.
— É preciso que saibam que apenas um acompanhante pode ficar com a paciente.
— Certo...
— Ela está tomando medicação na veia, mas podem visita-la, o quarto dela é o vinte e um do segundo andar.
— Obrigado doutora. – a Dra. Tara pediu licença e se retirou.
— Hotch e agora? – perguntou Francine.
— É o que nós ouvimos... Ela terá que ficar essa noite aqui.
— O meu chefe não vai permitir que eu não viaje.
— Vocês não tem alguma amiga?
— Eu tenho várias, mas Agatha só tem a mim nos Estados Unidos.
— Entendi... – Hotch pensou e pensou, ele estava cansado querendo ou não aquela reunião lhe desgastou e no dia seguinte teria mais tensão, pois era a audiência do divórcio.
— Eu vou dar um jeito de convencer a doutora para dar alta a ela, eu tenho como chamar uma enfermeira...
— Não se preocupe Francine – ele se decidiu – Eu fico com ela.
— Você? – Francine ficou surpresa e ao mesmo tempo não havia gostado, ela sabia que Agatha estava se interessando por ele e ela também – Tem certeza?
— Sim.
— E o seu trabalho no FBI?
— Estou de licença por alguns dias.
— Entendo... – Francine não curtiu de que ele ficasse, mas ela também estava morrendo de pressa de sair daquele hospital para ir aos seus compromissos – Certo... Então vamos visita-la?
— Vamos... – Hotch e Francine entraram em um elevador e foram para o segundo andar.
Ao chegarem foram direto no quarto vinte e um, Francine bateu a porta de leve pedindo licença para entrar, uma enfermeira que estava fazendo algumas anotações em um caderneta permitiu a entrada.
Agatha estava sonolenta devido aos remédios, ela tinha uma agulha injetada em sua veia no braço direito onde tomava um soro, Francine ficou de um lado da cama e Hotch do outro, Agatha abriu e fechou os olhos não se sabia ao certo se ela percebeu a presença deles, a enfermeira disse que provavelmente ela ficaria naquele estado por mais uma hora. Francine ficou uns quinze minutos no quarto depois chamou Hotch para fora dizendo que queria trocar algumas palavras:
— Então é certo que você vai ficar? – perguntou ela.
— Eu já disse que sim. – disse ele assumindo a responsabilidade.
— Certo... Então aqui está a receita que a médica passou.
— Vou guardar. – ele pegou a receita e guardou em seu bolso do sobretudo.
— Quando ela acordar diga a ela que eu estive aqui... Mas que infelizmente fui trabalhar, ela já sabia disso só não imaginava que fosse ficar internada.
— Tudo bem Francine eu aviso.
— Então tchau... – Francine do seu jeito abusado puxou Hotch e lhe deu um beijo no rosto ele não disse nada, ela saiu e foi embora.
Ele então voltou para o quarto, Agatha permanecia sonolenta a enfermeira saiu dizendo que qualquer coisa ele apertava o botão que tinha próximo a cama. Hotch então se sentou em uma poltrona que havia no quarto próximo a janela e ficou observando Agatha, em como ela respirava enquanto estava adormecida lembrou-se de quando a abraçou na sala de reuniões e teve a sensação de sentir o rosto dela em seu pescoço, ele fechou os olhos se lembrando do abraço, da respiração dela em seu pescoço foi um simples abraço, mas que havia causado sensações que há tempos ele não sentia, a última vez que havia ficado daquele jeito foi uns anos atrás com Haley quando tinha um casamento feliz.
Então Haley tomou conta de seus pensamentos e os bons momentos do casamento passaram como um filme em sua memória: o dia em que casaram, a lua de mel, quando Haley anunciou estar grávida de Jack, quando Jack nasce, quando Jack deu os primeiros passos e disse suas primeiras palavras, ele então lembrou de que conheceu Haley nos tempos colegiais, Haley fazia parte de um grupo de teatro do colégio e só para ficar perto dela ele entrou para o grupo.
Ele foi tomado por todas essas lembranças que se esqueceu na onde estava por alguns minutos, mas foi interrompido de seus pensamentos:
— Não... – era a voz de Agatha – Não...
— Agatha? – Hotch abriu os olhos aturdido – Agatha!
— Não... – ela abria e fechava os olhos – Não... Corre David! – berrou ela que acordou agitada.
— Agatha se acalma! – exclamou Hotch que se aproximou lhe segurando os braços.
— Corre David!
— Agatha olha para mim... Olha para mim!
— Não, não machuca o garoto... Hotch... Hotch cadê você?
— Agatha eu estou aqui! – ela abriu os olhos confusa – Se acalma eu estou aqui...
— Hotch... Hotch socorro... O David corre perigo! – ela o abraçou.
— Fica calma... Ele já está a salvo! – Hotch a envolveu em seus braços lhe afagando os cabelos.
— Hotch fica comigo... Fica comigo!
— Eu estou aqui e não irei embora, agora se acalma. – Agatha fechou os olhos novamente e caiu no sono, Hotch a ajeitou para que ela descansasse melhor e voltou a sentar-se na poltrona, ele ficou a observando até pegar no sono.
***
— Água... Água... – disse Agatha que abriu os olhos sentindo-se zonza.
— Como? – Hotch que estava jogado na poltrona foi despertado de seu cochilo – Agatha?
— Hotch? Hotch onde eu estou?
— No hospital... Não se lembra?
— Não... Hotch eu quero água.
— Claro... – Hotch tirou seu sobretudo e o jogou na poltrona ficando apenas com sua camisa social branca de manga comprida e calças sociais pretas, ele serviu um copo com água para ela.
— Obrigada... – ele então reparou que não tinha mais nenhuma agulha no braço de Agatha ele olhou para seu relógio e viu que eram oito horas da noite – Hotch onde você disse que estamos?
— No hospital.
— Que hospital?
— O que temos convênio com o departamento... Você não se lembra do que aconteceu?
— Eu lembro de ter chegado em casa... Depois eu me lembro do seu carro... Era você dirigindo?
— Sim... Você saiu do departamento sentindo dores negou ir ao ambulatório eu te levei para casa quando você foi entrar caiu passando mal de dor.
— Lembrei... – ela terminou de beber a água.
— Mais água?
— Não obrigada. – ele com delicadeza pega o copo de suas mãos e coloca no recipiente em que estava – A Francine sabe?
— Sabe... Ela veio te visitar, mas disse que não podia ficar e a doutora disse que você precisaria ficar aqui está noite.
— E você ficou comigo? – perguntou surpresa sentando-se na cama.
— Sim... Você não podia ficar sozinha.
— Hotch eu nem sei como agradecer... – o coração de Agatha saltou que ela pensou que fosse sair pela boca, se sentia envergonhada e contente ao mesmo tempo.
— Não é necessário. – ele se aproximou dela.
— Como não? Você podia ter algum compromisso sei lá... – ela então reparou na aliança que ele usava – Você não tem família?
— Sim... – Hotch abaixou a cabeça rapidamente.
— Você não deveria estar com ela? – Agatha desta vez criou coragem e o encarou nos olhos querendo saber a resposta.
— Eu estou em processo de separação... Amanhã é minha audiência para assinar o acordo de divórcio.
— Sério?
— Sério... Por quê?
— É que...
— É que?
— Você usa aliança...
— Eu sei...
— Quer demonstrar que está tudo bem em seu casamento?
— O que é isso fazendo analise do meu perfil? – ambos riram do comentário, Agatha se derretia por dentro quando Hotch sorria, ele era tão sério, mas parecia que quando ele sorria ele iluminava tudo.
— Não... Digo, acho que sim. – respondeu ela – É o que eu quero fazer um dia.
— Quer dizer que você sonha mesmo em ser uma analista como eu e os outros da equipe?
— Antes que eu responda eu quero saber... Você pergunta por curiosidade ou está fazendo analise do meu perfil?
— Curiosidade mesmo.
— Certo... Sim eu sonho com isso.
— Você já deve imaginar que tem que lutar muito para isso não sabe?
— Eu sei...
— Você precisa de treinamento... Enfim de muita coisa.
— Eu sei disso.
— Você quer ser uma agente que pode portar uma arma?
— Com certeza! – quando Agatha disse isso eles riram de novo – Qual graça ser agente do FBI e não poder ter uma arma?
— Está certo senhorita Agatha... Sabia que eu li seu relatório do caso lá do Arizona?
— Eu sabia... Digo mais ou menos, era um caso de anos e foi necessário ajuda da minha turma que faltava semanas para a formatura.
— No final era tudo tão fácil, mas eu compliquei as coisas.
— Claro que não Hotch!
— Você acha?
— O suspeito que você prendeu tinha uma ficha criminal grande, tinha crimes a responder e se encaixava perfeitamente no perfil, ninguém sabia que o verdadeiro tinha um parceiro já que só constava um DNA desconhecido, se não fosse uma das vítimas sobreviver.
— É... – Hotch ficou sério.
— Mas vamos mudar de assunto... Se vamos passar a noite em um hospital vamos pelo menos nos divertir. – Agatha sem entender conseguia se sentir um pouco a vontade com Hotch.
— Se divertir como?
— Sei lá... Eu tenho as ideias, mas não preciso pensar em tudo. – Hotch riu mais uma vez e Agatha riu junto.
— Eu acho que em um hospital não tem como se divertir.
— Então obrigada por passar essa noite comigo... Você poderia estar em casa descansando, aproveitando bem a primeira noite desta semana de “folga”, mas está aqui.
— Não seria certo deixa-la sozinha... – Hotch se aproximou ainda mais de Agatha que desviou o olhar desta vez.
Uma voz ficava no ouvido dele dizendo “se aproxima mais”, mas ele dizia não mentalmente, já Agatha brigava em pensamento com seu coração pedindo que ele se aquietasse.
Hotch lembrou-se mais uma vez do abraço que deram mais cedo, depois se lembrou delas em seu braços quando passou mal, quando se deu conta seu corpo estava mais próximo, Agatha sentia a respiração dele de perto, novamente o aroma do perfume dele entrou em sua narinas ela respirou fundo tentando se compor diante dele, Hotch deixou suas mãos tomarem decisões e elas começaram a passear pelos braços de Agatha, ela ficou com o rosto virado para o lado pensando em tentar afasta-lo, pensou em dizer qualquer coisa para acabar com aquele momento, mas não conseguia raciocinar em nada.
Hotch a olhava seriamente, suas mãos subiram pelos braços delas chegando aos ombros e ele os apertou devagar, dos ombros suas mãos deslizaram pelas suas costas, ela que usava aquela camisola de tecido fino sentiu-se envergonhada em sentir um calor entre suas pernas ao sentir os dedos dele, a camisola era tão fina que ela pensou em estar nua pela sensação que vivenciava naquele momento.
O rosto de Hotch se aproximou do pescoço dela, ela mantinha seu rosto virado para o lado evitando o olhar nos olhos, seu nariz ficou mais perto do pescoço dela e ele então aspirou o cheiro da pele de sua pele, Agatha sentiu um arrepio na nuca e o calor entre as pernas aumentava. Ele aspirou mais uma vez e ela não se contendo soltou um gemido, os dedos dele passeavam em suas costas querendo desfrutar mais daquele corpo, Agatha estava sentada enquanto ele estava de pé curtindo cada minuto daquele momento, ela também curtia, mas sentia-se encabulada com tudo.
Hotch aspirava em seu pescoço e ficava tonto ao sentir o cheiro de sua pele, mas era uma tontura que ele estava curtindo uma sensação boa e excitante, ele então aproximou os lábios e começou a beijar de leve, Agatha jogou a cabeça para trás e ele beijou seu pescoço mais vezes, sua língua começou a passear em seu colo e ela soltou outro gemido. Hotch conduziu uma das mãos até o pescoço e com cuidado o puxou para que assim Agatha tivesse sua cabeça erguida, quando estavam com os rostos bem próximos sentindo a respiração um do outro, Agatha fechou os olhos e Hotch invadiu sua boca com sua língua, ela se entregou a aquele beijo e deixou que ele conduzisse, enquanto se beijavam Hotch pegou em seus cabelos com uma das mãos enquanto a outra ficou alisando as costas.
Agatha que tanto pensava em evitar qualquer sentimento ou desejo no momento ansiava que aquilo não acabasse mais e enlaçou suas mãos no pescoço dele, Hotch a deitou com delicadeza na cama sem parar de beija-la, foi um beijo intenso cheio de vontade e desejo quando ficaram ofegantes distanciaram seus lábios e Agatha fechou os olhos por alguns segundos achando estar sonhando, mas teve certeza que não quando sentiu a língua dele mais uma vez em seu colo, ela respirava extenuada, Hotch parou de beija-la e suas mãos acariciavam seu rosto, ele passeou o dedo em seus lábios aproximou-se sua boca na dela, eles sentiam o ar quente que saia de suas bocas, a respiração ofegante era como uma canção instrumental que embalava o momento, desta vez se olharam nos olhos não disseram uma palavra sequer apenas ficaram ali sentindo a sensação o calor do momento, quando Hotch pensou em beija-la mais uma vez alguém bateu a porta, ele rapidamente se distanciou de Agatha que se ajeitou na cama disfarçadamente.
— Com licença... – disse uma enfermeira – Eu preciso medir a pressão e o batimento cardíaco.
— Fique a vontade... Eu preciso tomar um ar. – disse ele se retirando.
— Eu também queria tomar um ar... – murmurou Agatha para si mesma colocando a mão em seus lábios.
Fale com o autor