Era noite de lua cheia, Hotch caminhava pelo jardim do hospital enquanto tomava um ar fresco, a noite era fria, mas ele se sentia quente por dentro e por fora, seus pensamentos estavam confusos e acusou a si mesmo de ter cometido um erro.

Tudo aquilo que havia acontecido entre ele e Agatha no quarto daquele hospital fazia sua cabeça girar, ele sentou-se em um banco ficou examinado o vento batendo nas flores, ele passou a mão em seus cabelos sentindo-se confuso, ele sentiu uma presença se aproximar levantou a cabeça e logo reconheceu quem era:

— Eu deveria imaginar... Pediu para Garcia me rastrear?

— Sim... – respondeu Rossi sentando-se ao seu lado — Você não atendeu minhas ligações não respondeu minhas mensagens, não estava em casa e como Garcia tem acesso ao sistema de casa dela eu pedi que ela fizesse isso e o rastreamento do seu celular acusou que você estava aqui.

— Pediu para ela não falar nada?

— Sim companheiro... Eu me preocupei, mas quando cheguei aqui e soube que quem realmente está internado e você é a companhia eu já entendi tudo.

— Chegou a vê-la?

— A enfermeira lhe deu um remédio que quando a vi já dormia, a enfermeira disse que o acompanhante veio um tomar um ar.

— É eu estava precisando.

— Hotch agora é aquele momento em que você começa a contar tudo.

— Ela não se sentiu bem e eu a trouxe para cá.

— Isso é bem notável!

— O fato é que eu estou...

— Está?

— Rossi eu não sei o que houve ali dentro, mas eu tomei uma liberdade com ela que jamais imaginaria... Como se a gente fossemos íntimos.

— Meu caro amigo... Talvez vocês já sejam.

— Eu estou me separando da Haley por parte fui obrigado eu não queria que as coisas fossem assim.

— Hotch diga o que realmente incomoda no momento: a separação de você com a Haley ou seu envolvimento com a jovem Agatha?

— As duas coisas... Mas Agatha pode ser um problema maior.

— Eu quero ouvir seus motivos Aaron...

— Ela é uma funcionária do departamento e ela é muito nova, ela sonha com uma carreira brilhante almeja ser como nós analisando perfis, prendendo criminosos se ela se iludir achando que existe algo entre nós pode ser prejudicial.

— E não existe nada entre vocês?

— Não.

— Aaron é obvio que existe!

— Claro que não.

— Então diga de homem para homem – Rossi virou-se para olha-lo nos olhos – O que achou do que aconteceu entre vocês?

— Uma loucura.

— Foi algo leve ou foi algo mais intenso?

— Intenso, eu acho.

— Você gostou?

— Rossi, por favor...

— Você gostou?

— Sim...

— O que pretende fazer agora?

— Explicar a ela que tudo foi um mal entendido e que isso fique entre nós.

— Já imaginou a reação dela?

— Já e tenho medo de como ela pode reagir.

— Aaron deixe as coisas fluírem...

— Rossi você sabe que não pode acontecer nada entre a gente... O que houve hoje foi um erro.

— Aaron cuidado para não ferir os sentimentos.

— Ela precisará entender eu não tenho intenção de magoa-la...

— Não falo dela eu falo de você... – Rossi se levantou – Amigo não despareça mais desta maneira!

— E não me siga mais dessa maneira. – Hotch se levanta também.

— Aaron está tão obvio... – declamou Rossi se afastando.

— Está tão obvio o que?

— Que isso é o começo de tudo! – exclamou Rossi já indo embora, Hotch abaixou a cabeça e pensou que estava tomando uma decisão certa.

***

O dia amanheceu e Agatha havia acordado, Hotch estava em pé de frente à janela, ela pensou em falar algo, mas não sabia o que falar queria dizer sobre o que aconteceu ontem entre eles, mas ficou envergonhada.

Hotch percebeu que ela havia despertado:

— Bom dia. – disse sério.

— Bom dia...

— Vou avisar a enfermeira que acordou... – Hotch saiu do quarto.

A enfermeira chegou junto com a Dra. Tara que deu uma última examinada em Agatha e disse que ela podia ir para casa. Agatha se vestiu enquanto Hotch a aguardava do lado de fora.

Quando ela saiu do quarto ele segurava sua bolsa:

— Aqui está sua bolsa... Ficou na recepção enquanto você estava internada.

— Obrigada... – respondeu ela pegando a bolsa de sua mão.

— Antes que eu me esqueça... A Dra. Tara passou uma nova receita. – ele pegou a receita de seu bolso e a entregou.

— Quando eu chegar em casa ligo para a farmácia pedindo que me tragam os remédios.

— Eu te levo.

— Obrigada Hotch... Por ter ficado.

— Imagina... – Hotch não a quis olhar nos olhos. Eles saíram do hospital e entraram no carro.

Hotch dirigia calado, ele queria conversar com Agatha, mas não tinha coragem, Agatha estava esperando uma atitude dele, pois ela não sabia como abordar o assunto então ficaram calados sem dizer uma palavra sequer. Quando chegaram Agatha abriu a porta do carro para sair:

— Hotch... Mais uma vez obrigada.

— Sem problemas, espero que as dores não voltem mais.

— Eu também... Hotch... – Agatha sentia suas pernas tremerem.

— Agatha eu preciso falar uma coisa... – ele então tomou coragem – Precisamos falar sobre ontem á noite.

— Sim... – Agatha reparou em seu olhar e se preparou para ouvir algo que lhe fosse doer.

— Eu não sei explicar exatamente o porquê daquilo aconteceu, mas aconteceu... Eu não quero parecer um mau caráter para você, mas aquilo não pode acontecer mais.

— Claro... – ela sentiu uma vontade de chorar, mas prendeu o choro na garganta.

— Espero que possa entender... Eu hoje assino o acordo de divórcio com minha esposa então as coisas estão confusas, a gente tem um filho de três anos e enfim...

— Eu entendo...

— E a gente trabalha juntos, coisas como o que houve ontem não deve acontecer entre a gente e isso deve ficar em segredo... Espero que compreenda.

— Eu entendo.

— Quer dizer alguma coisa?

— Não Hotch... O que aconteceu ontem já é passado – Agatha sentia seu coração se rachando ao meio.

— Eu peço desculpas...

— Está tudo bem... Agora com licença eu preciso entrar. – ela sai do carro – Tchau Hotch.

— Tchau... – Hotch esperou Agatha entrar em casa então deu partida no carro.

Agatha ao entrar fechou a porta, jogou sua bolsa em um canto da sala, sentou-se no sofá, abaixou a cabeça e começou a chorar amargurada, começou a se culpar por ter deixado se envolver por Hotch, ela não sabia ao certo se já estava apaixonada, mas que havia se envolvido de certa já havia. Ela deitou-se no sofá agarrando-se a uma almofada, ela ainda podia sentir as sensações da noite passada, as mãos de Hotch lhe tocando e o seu beijo, à noite tudo havia sido emocionante foi algo bom e quente, mas de manhã tudo se tornou triste e frio foi como se tivesse lhe jogado um balde de gelo.

Enquanto dirigia Hotch também se sentia mal, ele falou aquelas coisas a Agatha achando que aquilo era a melhor opção de que eles não podiam se envolver de forma alguma, mas se sentia triste achou que colocando logo um fim no começo fosse ficar tranquilo, mas não estava. O gosto do beijo ainda estava em sua boca, o cheiro de pele dela ainda estava em suas narinas, Hotch sentiu que ele mesmo pegou uma estaca e atingiu seu próprio coração.